Mostra ‘Sob Ataque’ volta à revolução de 1924 para abordar as bombas reais e simbólicas que contam a história do bairro dos Campos Elíseos

No início do século 20 uma bomba explodiu na Rua Helvetia, número 2. Ocorria a Revolução Paulista de 1924, também chamada de ‘a revolução que São Paulo esqueceu’: um levante tenentista duramente reprimido pelas tropas fiéis ao governo.  Depois de 23 dias de bombardeios que atingiram principalmente a população civil, os jornais comemoravam a vitória da legalidade e o sufoco da revolução. Um século depois, sob a justificativa de manter vigente a mesma legalidade, muitas outras bombas, reais e simbólicas, têm explodido sobre aquele mesmo território, impactando principalmente os mais vulneráveis.

É nesse contexto que ocorre, no próximo dia 26, na Casa da Imagem, a abertura da mostra “Sob Ataque”. A exposição, idealizada pelo Coletivo Garapa e realizada com apoio do Edital de Apoio à Criação e Exposição Fotográfica da Secretaria Municipal de Cultura, é uma iniciativa cultural que se debruça sobre o território hoje conhecido como Cracolândia, em São Paulo. O projeto mapeia, a partir da fotografia do imóvel da Rua Helvetia, 2, bombardeado durante a Revolução, outras explosões e eventos de violência ocorridos naquele espaço desde então. Para tal, o coletivo, que tem reconhecida produção fotográfica nos campos das artes visuais e do documentarismo, emprega um misto de técnicas e abordagens, utilizando desde a coleta de material imagético histórico até a criação de imagens fotográficas sobre o território em foco.

Em sua concepção, a mostra reúne uma iconografia vinda de diferentes acervos documentais, como os do Instituto Moreira Salles, da Fundação Energia e Saneamento e da própria Casa da Imagem, além de registros fotojornalísticos contemporâneos. Entre as imagens de arquivo, duas se destacam de modo especial: um postal de Gustavo Prugner, de 1924 (cedido pelo Instituto Moreira Salles), e uma reprodução do panorama de Valério Vieira, de 1922, com 5 m de comprimento. Além destas imagens, fazem parte da exposição um conjunto de fotografias criadas pelo Coletivo Garapa a partir da encenação de explosões na região, registros históricos sem autoria declarada e imagens de fotojornalistas contemporâneos. No total, a exposição é composta por 24 imagens.

Ao revirar o passado, “Sob Ataque” traz para o presente as tensões históricas que se acumulam e transformam a paisagem da região dos Campos Elíseos ao longo do tempo.  A proposta é fazer uma leitura transversal dessas tensões, desde a formação do bairro até a atualidade. O imóvel bombardeado e fotografado por Prugner há quase cem anos ficava, precisamente, onde hoje se concentra o “fluxo” da chamada Cracolândia.

De acordo com um dos coordenadores e idealizadores do Garapa, Paulo Fehlauer, “a proposta é de exercitar um olhar ambíguo e dialético sobre essas explosões que, ao longo do tempo, ajudaram e ajudam a moldar não apenas a geografia do território, mas, também, as suas dinâmicas históricas e sociais. Um território cuja alcunha pejorativa — Cracolândia — disfarça a complexidade das relações e dos conflitos que se entranham no tempo e no espaço, confinando-as a uma leitura presumidamente unívoca”, afirma.

SOBRE O COLETIVO GARAPA

Paulo Fehlauer e Rodrigo Marcondes compõem o Coletivo Garapa. Ambos egressos do jornalismo, desde 2008 desenvolvem uma trajetória criativa que propõe tensionar as fronteiras entre o documentário e as artes visuais, realidade e ficção, além de
integrar linguagens e plataformas explorando o contato entre a fotografia, o vídeo, o arquivo e a literatura. Juntos, desenvolvem um reconhecido trabalho de pesquisa autoral, buscando em eventos históricos e contemporâneos, na paisagem física e humana, os elementos para a construção de narrativas complexas e multifacetadas, resultando em um trabalho ao mesmo tempo artístico e político. Fehlauer é fotógrafo, escritor e artista multimídia. Graduado pela ECA-USP e mestrando em Estudos Literários na Universidade Federal de São Paulo, atuou como repórter fotográfico na Folha de S. Paulo e colabora com jornais e revistas do Brasil e exterior. Trabalhou no International Center of Photography e no National Geographic Photocamp, em Nova York. Fundador do Coletivo Garapa e da Casa da Cultura Digital, possui especialização em Formação de Escritores no Instituto Vera Cruz, em São Paulo. Marcondes, por sua vez, é jornalista, fotógrafo e artista multimídia. Mestre pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp. Colaborou com canais de comunicação brasileiros e do exterior, como Folha de S. Paulo, Editora Trip, MTV Brasil, além das produtoras Maria Farinha e Busca Vida Filmes. Viveu na Inglaterra e na Itália, onde trabalhou como fotógrafo freelance e aprofundou sua educação nas artes visuais. Em 2012, concluiu o Master of Documentary Photography, da Universidade AKV St. Joost, na Holanda.

www.garapa.org

(SERVIÇO)

SOB ATAQUE

Local: Casa da Imagem

Endereço: Rua Roberto Simonse, 136 – Centro Histórico de São Paulo

Horário: terça a domingo, das 9h às 17h

Período: 26 de outubro a 15 de março de 2020

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Flora Paradoxa Nós

O nome da flor dá título a exposição que reúne no Reserva Cultural com apoio da Eixo Arte Contemporânea os jovens artistas Clarice Rosadas, Filipe Britto e Pedro Pessanha, alunos e ex-alunos do Departamento de Arte da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Segundo o curador da mostra Ricardo Basbaum a produção se destaca pela disponibilidade experimental e o desejo de trazer suas práticas para um registro de diálogo com o cenário da arte contemporânea. Clarice Rosadas desloca desenho, pintura e escrita para um registro processual-performativo, enquanto Filipe Britto utiliza dispositivos técnicos como mediadores de ações videografadas a partir da vivência e experimentação de espaços e territórios. Pedro Pessanha por sua vez explora a superfície gráfica da letra, da palavra e do livro num domínio consciente dos recursos construtivos e de modulação das formas, também como imagem. Nesta exposição os artistas conduzem suas obras a partir de um olhar de longo alcance, cultivando a ambição e o desejo dos encontros fortes. Os lugares se refazem e os trabalhos expostos investem na construção do que está por vir, diz o curador Ricardo Basbaum. Flora paradoxa nós é uma flor rara, lembra ele, de impulso colaborativo, estabelecendo-se como agente simpoético de produção coletiva. Esta exposição funciona de modo dinâmico e as obras presentes se referem umas às outras, em mútuo contato – do desenho-escritura ao objeto e à imagem, sempre em atravessamento. Entre as dimensões políticas da arte contemporânea está o agrupamento dos corpos, seu funcionamento conjunto, a partilha de esforços no redesenho de limites, na produção de coletivos desafiadores. Flora paradoxa nós multiplica perfumes, aguça, adoça, atrai e floresce, intermitentemente, conclui.

A seguir um pouco da trajetória dos jovens artistas e do curador da mostra:

Clarice Rosadas (Rio de Janeiro, 1997). Artista visual, cursa Produção Cultural na UFF. É integrante do espaço independente Casa Voa (RJ), tanto como artista quanto como produtora. Participou de mostras e exposições coletivas nacionais, começou a desenvolver seu trabalho artístico com uma performance no MAC (2017) e a mais recente mostra aconteceu no espaço Oasis, no Rio de Janeiro, chamada “Nômada”, com curadoria de Sônia Salcedo Del Castillo. Sua pesquisa bota em questão a palavra, com desdobramentos na escuta e escrita como matriz, e seus trabalhos se desenvolvem em diversos suportes e materiais, com particular interesse em papel, objetos e telas.

Filipe Britto (Campinas) é graduado em Artes na UFF em Niterói, RJ. Trabalha com videoarte, fotografia e instalações. Tece uma linha de pesquisa prática no campo audiovisual em busca de fricções do tempo e do espaço na imagem cinematográfica aliando-se a microcomputadores dotados de certa autonomia.

Pedro Pessanha é artista e pesquisador carioca. Seus trabalhos questionam o encontro do sujeito com a palavra e seus efeitos, procurando estratégias que dilatem o tempo de leitura e façam com que o leitor possa se perceber lendo – e, ao construir sentido, construa a si mesmo. Em sua prática artística desenvolve trabalhos em diversos meios, como livros de artista, instalações e poemas-objeto. Graduado em Artes pela Universidade Federal Fluminense (2018).

Ricardo Basbaum (São Paulo, 1961) vive trabalha no Rio de Janeiro. Participa regularmente de exposições e projetos desde 1981. Realizou inúmeras exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Seus projetos, frequentemente de longa duração, envolvem situações colaborativas e participativas, incluindo diversas linguagens. Professor do Departamento de Arte da UFF.

Legenda de imagens:

001 Clarice Rosadas registro da ação “coletor de angústias”, 2019 caneta posca sobre papel Hahnemüle 14,8cm x 21cm

002 Clarice Rosadas sem título, 2019 óleo fita e grafite sobre tela e grafite sobre parede 30x40cm

003 Clarice Rosadas sem título, série do inferno, de dante, 2019 fita e pastel seco sobre papel Canson 90g 21cm x 29,7cm

004 Clarice Rosadas sem título, série “baby i could give u the moon”, 2018 fita e grafite sobre papel Canson 200g 21cm x 29,7cm)

005 Filipe Britto Tentativas falhas de pesca a uma carta que ficou presa no bueiro, 2019 da Série Alargar o instante com brechas no espaço Fotografia, vídeo e programação randomizante

006 Filipe Britto Sem título, 2014 Fotografia do Reserva Cultural no passado, até então prometido Museu do Cinema da Petrobrás Fotografia em impressão FineArt

007 Pedro Pessanha VOO, 2019 Ventiladores portáteis, acrílico e impressão sobre papel ofício 15 x 15 x 25 cm (cada módulo)

008 Pedro Pessanha Toda Fotografia é Uma Poça Escura, 2019 Impressão digital sobre papel fotográfico 70 x 46,6 cm

GALERIA RESERVA CULTURAL

Av. Visconde do Rio Branco, 880 – São Domingos – Niterói

Abertura: Dia 17 de outubro às 19hs às 22hs

Exposição até 24 de novembro das 12h às 22hs

Coordenação: Vilmar Madruga

Exposição Mundo no Museu da Chácara do Céu

A partir do dia 17 de outubro de 2019 os Museus Castro Maya apresentam no Museu da Chácara do Céu 150 obras de seu acervo reunidas sob a temática da paisagem natural e social. A exposição MUNDO vem completar a trilogia de mostras criadas especialmente, porém não exclusivamente, para o público infantojuvenil que iniciou com “BICHOS”, em 2008, seguida de “GENTE”, de 2012.

A exposição, assim como as mostras anteriores, tem curadoria de Anna Paola Baptista e congrega obras realizadas em períodos, técnicas, estilos ou lugares variados. Pinturas, desenhos, gravuras, fotografias, cerâmica, louça do Porto, livros e objetos pessoais de Raymundo de Castro Maya compõem um panorama abrangente a serviço da reflexão de temas como: o processo de conhecimento do mundo habitado, a exploração e/ou conservação dos elementos da natureza; os efeitos do tempo sobre o mundo ou que mundo teremos no futuro.

A mostra é pontuada por textos-provocações que falam diretamente com o visitante. Para os menores, foi criado um livro de pano manuseável e também uma “passagem secreta” para uma área da exposição. O Rio de Janeiro de Castro Maya (Rio de 1900-1940) é mostrado através de fotografias e os visitantes poderão deixar sua mensagem escrita ou visual que ficará fazendo parte da exposição. Pela primeira vez o antigo baú de viagem de Castro Maya será exibido. Nele se encontram seus passaportes, guias de viagem e lista de roupas em uma mala.

Artistas estrangeiros como Nicolas Antoine Taunay (1755-1830), C.F.P. Martius (1794-1781), Johann Moritz Rugendas (1798-1874), Jean-Baptiste Debret (1768-1848), Maurice Wlaminck (1876-1958), Jean Lurçat (1892-1966), e brasileiros tais como Alfredo Volpi (1896-1988), Aldemir Martins (1922-2006), Enrico Bianco (1918-2013), Heitor dos Prazeres (1898-1966), Darel (1924-2017), Ione Saldanha (1919-2001), Antonio Bandeira (1922-1967), são alguns entre muitos outros representados na exposição.

Nas palavras de Vera de Alencar, Diretora dos Museus Castro Maya: “Ao encerrar esse projeto a coleção Castro Maya evidencia riqueza e variedade suficientes para conter um panorama de representações do homem e da natureza que compõem uma visão particular de nosso UNIVERSO.

Serviço: Exposição Mundo

Visitação: de 17 de outubro de 2019 a 16 de março de 2020

Diariamente, exceto terças-feiras, das 12 às 17 horas

Ingresso: R$ 6,00/R$ 3,00 estudantes – Grátis às quartas-feiras

Não pagam ingresso: menores de 12, maiores de 65, grupos escolares, professores e guias de turismo em serviço.

Museu da Chácara do Céu

Murtinho Nobre 93 Santa Teresa

Estacionamento gratuito no próprio museu

Telefone: (21) 3970-1093

www.museuscastromaya.com.br

Exposição inédita na cidade: “Verger e Carybé: entre as duas margens do Atlântico” vai para o SESI de São José dos Campos

No dia 4 de outubro, sexta-feira, às 19h, será aberta a exposição “Verger e Carybé: entre as duas margens do Atlântico”, no SESI de São José dos Campos – última cidade da itinerância a receber esta importante mostra, que apresenta cenas da vida cotidiana da África iorubá e da Bahia através do olhar de Pierre Fatumbi Verger e Carybé. A curadoria é assinada por Luiz Gustavo Carvalho.

O fotógrafo, etnólogo, antropólogo e babalaô Pierre Verger dedicou a maior parte da sua vida aos estudos sobre esta cultura na África e na Bahia, onde fixou residência em 1946. Seus livros, tais como Fluxo e Refluxo e Orixás, e o seu rico e extenso registro visual são uma das maiores pesquisas realizadas sobre este tema no Brasil. O artista visual Carybé também foi seduzido pela “Roma negra”, onde acabou se instalando e, durante décadas, retratou com impressionante virtuosismo a vida das ruas da Bahia. Realizou ainda duas visitas ao Benim, onde teve a oportunidade de documentar festas, crenças e cenas da vida cotidiana no continente africano.

A exposição convida o público a descobrir, por meio de fotografias, desenhos e aquarelas de ambos os artistas, cenas de impressionante semelhança, retratadas ora nas cidades do Benim e da Nigéria, ora nas ruas da Bahia. São 64 obras, que mostram a admiração de ambos os artistas pela Bahia e pelas religiões afro-brasileiras. “Fiz várias idas e vindas entre a Bahia e a África. Amo quase igualmente as duas margens do Atlântico, com um pouco mais de ternura, no entanto, pela ‘Boa Terra da Bahia’. Essa cidade possui um não sei-o-quê que me prendeu e enfeitiçou…”, disse Pierre Verger uma ocasião. Já Carybé, assim se expressou acerca das crenças de origem africana que descobriu em Salvador: “ (o meu trabalho) pretende ser um documento honesto e preciso das coisas do Candomblé, mostrando festas, trajes, símbolos e cerimônias por mim vistas e vividas neste mundo prodigioso que os escravos nos trouxeram e depositaram nas profundezas do coração da Bahia.”

Assim, a exposição retraça, ainda, a rota do tráfico negreiro, que ligava o Benim à Bahia, e aborda, a partir da arte, um tema de extrema importância neste triste capítulo da história

brasileira e de grande importância na formação do povo brasileiro: o legado cultural trazido para o Brasil pelo povo iorubá.

Sobre o projeto Espaço Galeria SESI-SP

A mostra “Verger e Carybé: entre as duas margens do Atlântico” faz parte do projeto Espaço Galeria SESI-SP, no qual o foyer do teatro se transforma em plataforma expositiva, recebendo exposições de diferentes técnicas e formatos. A programação de 2019 foi inaugurada em São José do Rio Preto, com esta exposição no dia 22 de março. A mostra, que é itinerante, passou, ainda, por Itapetininga e Campinas, e será encerrada na cidade de São José dos Campos, em dezembro de 2019.

Mais sobre os artistas:

Pierre Verger

Fotógrafo, etnólogo, antropólogo, pesquisador e babalaô, Pierre Fatumbi Verger (1902-1996) nasceu em Paris, em 1902. Entre 1932 e 1946, após ter aprendido o ofício da fotografia, passou 14 anos consecutivos em viagens ao redor do mundo, trabalhando como fotojornalista para os mais importantes jornais, agências e centros de pesquisa da época. Em 1946, desembarcou na Bahia e, sendo logo seduzido pela hospitalidade e riqueza social que encontrou na cidade, decidiu se instalar na sua capital. Em Salvador, descobriu o candomblé e iniciou um profundo estudo acerca do culto aos orixás. Esse interesse pela religiosidade de origem africana lhe rendeu uma bolsa para estudar rituais na África, para onde partiu em 1948, com uma bolsa concedida pelo Instituto Francês da África Negra. A intimidade com a religião, que tinha começado na Bahia, facilitou o seu contato com sacerdotes e autoridades e ele acabou sendo iniciado como babalaô – um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso às tradições orais dos iorubás. Em 1954, publica Deuses da África (Dieux d’Afrique), seu primeiro livro, editado por Paul Hartmann (Paris). A história, os costumes e, principalmente, a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África Ocidental e na Bahia, tornaram-se os temas centrais de suas pesquisas e sua obra. Apesar de ter se fixado na Bahia, Verger nunca perdeu seu espírito nômade. Após ter regressado da sua viagem à África, tornou-se, até o final dos anos 80, uma espécie de mensageiro entre o Brasil e África, dividindo seu tempo e sua atenção entre estes dois continentes. Como ações resultantes desse trabalho, criou museus nos dois lados do Atlântico, incentivou intercâmbios culturais, universitários e religiosos entre a Bahia e os países do golfo do Benin, fomentando diversas trocas, principalmente entre Ifé, na Nigéria, e Salvador, no Brasil. Em Salvador, tornou-se personagem importante em certos terreiros históricos da cidade, principalmente no Ilê Axé Opô Afonjá e no Terreiro do Gantois, além de ter sido um dos envolvidos com a criação do terreiro Ilê Axé Opô Aganju, em 1972. Em 1988, Verger criou a Fundação Pierre Verger, transformando a sua própria casa na sede da Fundação e num centro de pesquisa. Em fevereiro de 1996, Verger faleceu, deixando como legado um expressivo acervo fotográfico, baseado no cotidiano e nas culturas populares dos cinco continentes, e uma obra escrita de referência sobre as culturas afro-baiana e diaspóricas, voltando seu olhar de pesquisador para os aspectos religiosos do culto aos orixás na África e do candomblé no Brasil.

Carybé (Hector Julio Paride Bernabó)

Conhecido mundialmente como Carybé, o pintor, escultor, ilustrador, desenhista, cenógrafo, ceramista, historiador, pesquisador e jornalista Hector Julio Paride Bernabó nasceu em Lanús,

na Argentina, em 1911. Caçula de cinco filhos, iniciou-se no meio artístico, após ter passado parte da sua infância com a família na Itália, como ajudante no atelier de cerâmica que seu irmão mantinha no Rio de Janeiro. Em seguida cursou, por dois anos, a Escola Nacional de Belas Artes e atuou como ilustrador e diagramador de revistas e jornais. Em 1930, a família chega à Argentina junto com a crise econômica mundial. Contratado pelo jornal El Pregón, Carybé volta em uma viagem ao Brasil, de onde deveria enviar ao jornal artigos e desenhos com as suas impressões dos portos visitados. É nesta ocasião que visita, pela primeira vez, Salvador, cidade onde se instalaria definitivamente a partir de 1950. Em Salvador, recebeu uma bolsa de trabalho da Secretaria de Educação da Bahia, que lhe permitiu produzir uma série de desenhos publicados posteriormente na Coleção Recôncavo. Teve sua obra exposta nos principais museus e centros de arte do Brasil e de países como Argentina, Estados Unidos, Japão, Itália, Alemanha, França, Iraque, Portugal, Espanha e México. Em 1955, conquistou o 1º Prêmio Nacional de Desenho, na III Bienal de São Paulo. Amigo de importantes artistas, como Rubem Braga, Pierre Verger, Dorival Caymmi e Jorge Amado, Carybé ilustrou diversos livros de importantes autores tais como Mário de Andrade, Jorge Amado e Gabriel García Márquez. Em 1957, naturalizou-se brasileiro. No mesmo ano, recebeu o título de Obá de Xangô oferecido pelo terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, onde foi iniciado nos mistérios da religião. Carybé manteve relações com essa religião afro-brasileira até o final da sua vida. Em 1981, ano em que completou seus 70 anos, mais de quinze mil pessoas reuniram-se no Largo do Pelourinho para o lançamento do livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, fruto de trinta anos de pesquisas. Artista extremamente produtivo e inquieto, teve a sua genialidade associada à Bahia, cuja essência soube materializar em desenhos, aquarelas, esculturas e murais. Em 1982, recebeu o título de Doutor Honoris Causa, da Universidade Federal da Bahia. Faleceu em 1997, após passar mal durante uma reunião no Terreiro do Ilê Axé Opô Afonjá.

SERVIÇO

Exposição: “Verger e Carybé: entre as duas margens do Atlântico”

Abertura com vernissage: 4 de outubro, às 19h

Local: SESI São José dos Campos

Endereço: Av. Cidade Jardim, 4389 – Bosque dos Eucalíptos – São José dos Campos – SP

Visitação: de 4 de outubro a 7 de dezembro, de terça a sábado, das 9h às 20h, exceto feriados Telefone: (12) 3919-2063/ 2058

#VergerCarybé #SesiSP

Entrada gratuita

Escola de Atores Wolf Maya convida o público para a 3ª edição do Sarau SP

A Escola de Atores Wolf Maya realiza a terceira edição do Sarau SP nos dias 11 e 12 de outubro, sexta e sábado, das 11h às 17h30. O evento é aberto ao público. Para participar, basta levar uma lata de leite em pó e adquirir o ingresso para todas as atividades do dia.

Durante os dois dias, uma série de atividades acontece, simultaneamente, promovendo uma imersão lúdica nas artes. São esquetes, poesias, performances corporais, exibição de curtas-metragens, exposição fotográfica, escape 60 e pocket musical com números da Broadway.

O Sarau-SP é uma extensão das atividades realizadas pela Escola de Atores Wolf Maya. A programação é também um estímulo aos alunos para mostrarem seus talentos de forma extracurricular. O Sarau promove interação entre os alunos e o público com temas e perspectivas artísticas que estimulam os sentidos e as emoções, numa grande simbiose cultural que expõe as vertentes culturais desenvolvidas na Escola de Atores Wolf Maya.

Serviço

Evento: Sarau SP

Dias 11 e 12 de outubro

Sexta e sábado, das 11h às 17h30

Ingresso: 1 lata de leite em pó (válida para atrações de 1 dia)

Classificação: 12 anos

O leite em pó arrecadado será doado para COTIC Centro Organizado de Tratamento Intensivo à Criança.

Escola de Atores Wolf Maya 

Shopping Frei Caneca  – 3º Piso. Rua Frei Caneca, 569 – Cerqueira César. SP/SP.

Tel: (11) 3472-2444.

http://wolfmaya.com.br/ | Na rede: @escolawolfmaya

Exposição Presença Presente, no Parque das Ruínas

O Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas apresenta de 5 a 27 de outubro a exposição Presença Presente. A mistura entre o encontro de sete artistas (Angela Azevedo, Carolina Kezen, Cris Cabus, Eleonora Dobbin, Elmo Martins, Paulo Jorge Gonçalves e Valéria Oliveira) e a pergunta “o que é relevante para a minha essência?” resultou na mostra, onde a autenticidade de cada artista é materializada em seus trabalhos – com técnicas e suportes variados – fazendo pontes com seus ideais artísticos e humanos. A abertura da mostra contará com duas performances: às 15h30 haverá a performance com Amelia Sampaio e às 16h30 com Tato Teixeira.
Falar em presença presente pode a priori soar redundante; no entanto, em uma época onde vivenciamos uma crise humana, ter condições de estar presente não apenas em corpo e na superficialidade. Os temas abordados por cada artista nesta exposição passam pelo poder feminino, a natureza, a representatividade LGBTQ+, a dualidade do sagrado e o
profano, o afeto e acolhimento. A curadoria é de Valéria Oliveira.

“Eu vejo você, você é importante para mim e eu valorizo você”
SAWUBONA – Saudação entre as tribos de Natal, na África do Sul

Ficha Técnica:

Curadoria: Valéria Oliveira

Produção: Kezen Produções

Montagem: Jonatan Oliveira

Design gráfico: Ruliam Ferreira

Serviço: Exposição Presença Presente

Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas: Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa, Rio de Janeiro.
Abertura: dia 5/10, sábado, às 14h
Visitação: de 05 a 27 de outubro: de terça a domingo, das 10h às 18h
Tel: 21 2215-0621 / 21 2224-3922.
Entrada gratuita.

META-ARQUIVO: 1964–1985 – Espaço de Escuta e Leitura de Histórias da Ditadura

O Sesc São Paulo apresenta, até o dia 24 de novembro de 2019, na unidade Belenzinho, a exposição Meta-Arquivo: 1964-1985 – Espaço de Escuta e Leitura de Histórias da Ditadura. Com curadoria e pesquisa de Ana Pato e em parceria com o Memorial da Resistência, a mostra reúne nove obras inéditas, elaboradas por Ana Vaz, Grupo Contrafilé, O grupo inteiro, Giselle Beiguelman, Ícaro Lira, Mabe Bethônico, Paulo Nazareth, Rafael Pagatini e Traplev.

Com caráter pedagógico, a exposição surge como um espaço expandido de aprendizado, cujo objetivo primordial é despertar a reflexão acerca da documentação pública arquivada pelo Estado Brasileiro: como ler esses arquivos? Como construir memória a partir deles? Como aprender coletivamente sobre a história do país e de seu povo, a partir de sua análise? Como preservar esses acervos e, como consequência, a memória dos processos civilizatórios que alicerçam a sociedade atual?

Tais ponderações nortearam a gênese da exposição, a partir do programa de ação curatorial Arquivo e Ficção, desenvolvido por Ana Pato desde 2014, que busca valorizar os processos de construção da história brasileira. Sua metodologia de trabalho consiste na articulação de pesquisas artísticas e na formação de grupos de trabalho em torno de arquivos e acervos, diante da invisibilidade, do abandono e do risco de desaparecimento que os acervos documentais e artísticos vivenciam.

Um desses grupos de trabalho se consolidou em julho de 2018, tendo como foco de pesquisa o período da Ditadura Civil Militar Brasileira (1964-1985), formado pela curadoria, os artistas e a equipe do Memorial da Resistência. Os artistas passaram a desenvolver uma ação artística junto a esses arquivos, que culminou nas obras que serão apresentadas na exposição. Criadas a partir desses documentos históricos, tais obras visam trazer à discussão os processos que levam ao apagamento da memória – e a importância de se manter relevantes e presentes os acervos documentais da história.

Dentre as fontes consultadas para construção dessas obras estão o Arquivo Público do Estado de São Paulo, Arquivo Nacional, Brasil: Nunca Mais digit@l, Memorial da Resistência de São Paulo, Centro de Documentação e Memória da Unesp, Instituto Vladimir Herzog, Museu do Índio, Sesc Memórias, Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (Caaf) – Unifesp, Fundación Augusto y León Ferrari Arte y Acervo, entre outros centros de memória, arquivos, institutos e fundações. Seu desenvolvimento partiu de temas específicos, norteado pelas questões: “como construir um arquivo?”, “como torná-lo público?” e “como falar do trauma?”.

Todo o conjunto foi reunido em um projeto arquitetônico desenvolvido por Anna Ferrari, cujas estruturas metálicas aparentes atravessam o galpão expositivo do Sesc Belenzinho, fixadas entre o piso e o teto, enquadrando as obras e suas superfícies em madeira. A estrutura sem paredes permite a sobreposição das histórias ali apresentadas e faz referência ao mobiliário arquivístico e escolar.

A exposição conta também com o Espaço de Pesquisa Meta-Arquivo, que disponibiliza ao público a consulta dos livros, documentos e referências levantados durante o processo de pesquisa dos artistas. Esse material, coletado pelo grupo de trabalho, foi reunido pela curadoria em dossiês e organizado como uma pequena biblioteca.

Os temas abordados ao longo do período expositivo serão complementados com os Programas Públicos, formados por uma série de atividades propostas para aprofundamento e reflexão acerca das pesquisas realizadas pelos artistas presentes em Meta-Arquivo: 1964-1985, e a Programação Integrada que, de agosto a novembro, traz atividades diversas que dialogam com os assuntos abordados pela exposição.

AS OBRAS

 

Ana Vaz, na obra Apiyemiyekî? [Por quê?], aborda questões como a marcha para o centro-oeste e o genocídio do povo Waimiri-Atroari, durante a década de 1970, quando suas terras foram invadidas para a construção da BR 174 (rodovia que liga Manaus-AM à Boa Vista-RR) e instalação de uma mineradora. A obra, criada a partir de filme em 16mm e transferida para vídeo, destaca ilustrações criadas pelos indígenas sobre o período.

Giselle Beiguelman com a instalação Gaveta de Ossos (áudio e jato de tinta sobre papel algodão) reflete sobre as histórias reveladas pela medicina forense e seus procedimentos na busca de mortos e desaparecidos. Tal trabalho é reflexo do acompanhamento do grupo de trabalho sobre a Vala de Perus, descoberta no Cemitério Dom Bosco, em 1990, com 1.047 ossadas enterradas clandestinamente. A obra é complementada por Perguntas às Pedras, Série 2 (neon), jogo no qual se interroga: “O que você esqueceu de esquecer?”, “o que você esqueceu de lembrar?”, “o que você lembrou de esquecer?” e “o que você lembrou de lembrar?”. Ainda na exposição, e problematizando questões sobre arte, arquivo e história, a artista apresenta a publicação Impulso Historiográfico (impressão offset, 50 pps) uma tradução, em forma de paráfrase, do texto ainda inédito em português, “An Archival Impulse”, de Hal Foster, publicado na revista estadunidense de crítica de arte October.

O Grupo Contrafilé traz a obra Escola de Testemunhos, com um espaço formado por uma mesa-lousa redonda, quinze cadeiras escolares e fones de ouvido, onde serão reproduzidos relatos pertencentes ao arquivo do programa Coleta Regular de Testemunhos – projeto do Memorial da Resistência de São Paulo para ampliar o conhecimento sobre a história do DEOPS – Departamento Estadual de Ordem Política e Social. Tais testemunhos partem de ex-presos e perseguidos políticos, de familiares de mortos e desaparecidos ou de trabalhadores e frequentadores dessa instituição.

Ícaro Lira apresenta Crítica Radical, uma estrutura biográfica formada a partir de fotos, recortes de jornais, áudio, objetos e vídeo que revisita a memória viva do grupo cearense, cuja alcunha dá nome a sua obra. Formado em Fortaleza em 1973, o Crítica Radical teve importante papel na fundação do Movimento Feminino pela Anistia, nos anos 1970, essencial para a formulação da Lei de Anistia, de 1979 (Lei nº 6.683/79). Várias integrantes do movimento fundaram, posteriormente, a União das Mulheres Cearenses, ainda ativa, que luta contra a violência de gênero, contra o feminicídio e pela solidariedade às vítimas de violência e suas famílias.

Mabe Bethônico, com a obra Elite Mineral [Gabinete de Aprendizado] traz, por meio de impressos e vídeos, o estudo da atuação de empresas mineradoras no período da Ditadura Civil Militar e a memória do evento Semana Popular em Defesa ao Minério, realizada na década de 1960, em Minas Gerais. O trabalho toma a forma de um “gabinete de aprendizado” para transmissão de conteúdos, buscando resgatar meios pedagógicos dos anos 1960, como cartilhas e cartazes, tomando como referência materiais do programa de alfabetização de adultos do Movimento de Educação de Base, elaboradas em convênio com o Ministério da Educação (MEC), que visava educar o adulto para exercer seus direitos, além de ensinar a escrever.

O grupo inteiro, formado por Carol Tonetti, Cláudio Bueno, Ligia Nobre e Vitor César discute os sistemas de informação e vigilância do Estado. Com referências ao conto Na Colônia Penal (1914), de Franz Kafka, a peça instalativa Texto-Tecido-Teia, em tricô e metal, parte de palavras/ações/verbos encontrados nas apostilas de formação dos agentes do Serviço Nacional de Informações – SNI, órgão criado em 1964 para controlar as atividades de informação e contrainformação no Brasil e no exterior, visando à segurança nacional.  Palavras como nomear, infiltrar, manipular e interrogar fazem parte do universo vocabular da obra.

A semântica dos inquéritos policiais e a criminalização de negros e negras são tratadas por Paulo Nazareth na obra Inquérito, que apresenta uma leitura de inquéritos policiais, gravados em colaboração com os artistas Michelle Matiuzzi e Ricardo Aleixo. No espaço, estará disposta a série de desenhos de Nazareth, denominadas Histórico do Camburão, com representações desse automóvel e a série de fotografias Autorretrato com os Mortos.

Rafael Pagatini, com a instalação Tecituras, traz imagens que abordam as relações entre o setor cultural e a esfera política durante o período da ditadura, as histórias e mecanismos de colaboração entre o universo cultural e o regime ditatorial, e de como se desenvolveram e se financiaram as instituições de arte nesse período. A obra é um desdobramento da pesquisa que realizou nos arquivos do Centro de Pesquisa e Biblioteca do Masp, Centro de Documentação da Pinacoteca de São Paulo e Acervo do Memórias do Sesc.

Arma da Crítica / Orientação para a Prática, obra desenvolvida por Traplev, partiu de extensa pesquisa em arquivos, como do Brasil: nunca mais (1979-1985), projeto realizado clandestinamente pela sociedade civil, por iniciativa do Conselho Mundial de Igrejas e da Arquidiocese de São Paulo, que se debruçou nas mais de 850 mil páginas de processos do Superior Tribunal Militar. O nome da instalação traz dois títulos de documentos do MR8, de 1970, e apresenta dois painéis, em lados opostos, com organogramas pertencentes ao Departamento de Ordem Política e Social (DOPS): um sobre organizações de esquerda e outro sobre órgãos de repressão. Traplev também apresenta Antimonumento para Anísio Teixeira (2018), que traça linha histórica a partir da Escola Parque Anísio Teixeira.

Sobre o Memorial da Resistência

O Memorial da Resistência de São Paulo é uma instituição de memória política constituída a partir de parceria entre sociedade civil organizada e Estado. Seu trabalho consiste na preservação de referências das memórias da resistência e da repressão políticas do Brasil republicano (1889 à atualidade), na valorização da democracia e dos Direitos Humanos por meio de suas pesquisas, exposições e ações educativas. É gerido pela Associação Pinacoteca Arte e Cultura e localizado na Estação Pinacoteca, antigo edifício do Departamento de Ordem Política e Social – Deops-SP. O Memorial da Resistência é uma Organização Social da Cultura, vinculado à Associação Pinacoteca Arte e Cultura – APAC. Desde 2009, é Membro Institucional da Coalizão Internacional de Sítios de Consciência, uma rede mundial que agrega instituições em lugares históricos dedicados à preservação das memórias de eventos passados de luta pela justiça.

Sobre a Curadoria

Ana Pato (São Paulo, SP) é curadora, pesquisadora e professora. Doutora pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (2017), mestra em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina (2011), bacharel em Comunicação Social pela Fundação Armando Alvares Penteado (1994) e possui especialização em Gestão da Cultura pela Fundação Getúlio Vargas (1996). Desde 2009 investiga a relação entre arte contemporânea e arquivo.É autora do livro Literatura Expandida: o Arquivo e a Citação na Obra de Dominique Gonzalez-Foerster, de 2013, lançado pelas Edições Sesc. Pato foi curadora-chefe da 3ª Bienal da Bahia (Salvador, 2014) e foi diretora da Associação Cultural Videobrasil, onde trabalhou entre 2000 e 2012. Dentre os principais projetos que ela coordenou no Videobrasil estão o banco de dados on-line do Acervo Videobrasil e a direção executiva das exposições dos artistas Sophie Calle (2009), Joseph Beuys (2010), Olafur Eliasson (2011) e Isaac Julien (2012), além de quatro edições do Festival Internacional de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (2001, 2005, 2007 e 2011) e duas exposições dedicadas à arte contemporânea africana (2000 e 2005). Em 2017 integrou o grupo de curadores convidados do 20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil.

Sobre os artistas

Ana Vaz (Brasília, DF) – Em filmes, instalações e performances, Ana Vaz explora as relações entre ambientes, territórios e histórias. Com associações entre imagens, sons e textos, seus trabalhos propõem uma experiência corporal e subjetiva do estar no mundo. Participou de mostras em instituições como Tate Modern (Londres – Reino Unido), Palais de Tokyo (Paris – França), Jeu de Paume (Paris – França), Cinéma du Réel (Paris – França), New York Film Festival (Nova York – EUA), Festival Sesc_Videobrasil (São Paulo) e outras.

Giselle Beiguelman (São Paulo, SP) – Artista e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP). Pesquisa preservação de arte digital, arte e ativismo na cidade em rede e as estéticas da memória no século 21. Desenvolve intervenções artísticas no espaço público e com mídias digitais. Entre seus projetos artísticos recentes destacam-se Odiolândia (2017); Memória da Amnésia (2015); e as exposições individuais Monumento nenhum (2019), Cinema Lascado e Quanto pesa uma Nuvem? (2016). É autora de Memória da Amnésia: Políticas do Esquecimento (Edições Sesc, 2019), entre outros livros, artigos e ensaios.

Grupo Contrafilé (São Paulo, SP) – Grupo Contrafilé é um coletivo transdisciplinar, formado por Cibele Lucena, Joana Zatz Mussi e Rafael Leona, que investiga as possíveis relações entre arte, política e educação e indaga como essas relações ampliam o direito à produção criativa da/na cidade. Entre seus projetos, destacam-se: Programa para a Descatracalização da própria Vida (2004); A Rebelião das Crianças (2005), que deu origem a Parque para Brincar e Pensar (2011), e a Quintal (2013); A Árvore-escola (2014); A Batalha do Vivo (2016). O grupo participou de mostras como Arte-Veículo (Sesc, 2018/2019); Talking to Action (Art, Pedagogy and Activism in the Americas, Los Angeles, Chicago, Nova York, 2017-2019); Playgrounds 2016 (MASP, 2016); 31ª Bienal de São Paulo (2014); Radical Education (Eslovênia, 2008); If You See Something Say Something (Austrália, 2007); La Normalidad (Argentina, 2006); e Collective Creativity (Alemanha, 2005).

Ícaro Lira (Fortaleza, CE) – Ícaro Lira investiga as implicações e os desdobramentos de atos políticos e históricos da história brasileira através de um trabalho documental, arquivista, arqueológico e de ficção. Suas exposições apresentam estruturas similares a pequenos “museus”, onde reúne fragmentos esquecidos, produzindo um sistema de objetos que articula materiais artísticos e não artísticos, e um conjunto de ações, não necessariamente confinadas a um objeto, mas dispersas em exposições, livros, oficinas, debates e caminhadas. Em 2013, recebeu o prêmio Honra ao Mérito Arte e Patrimônio do Iphan.

Mabe Bethônico (Belo Horizonte, MG) – É artista-pesquisadora, professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, com doutorado pelo Royal College of Art (Londres – Reino Unido). Trabalha a partir de materiais de arquivo, construindo ficções, viabilizando debates. Lida com os limites entre documentação e construção, evidenciando como a informação pode ser construída e retrabalhada continuamente. Na forma de jornal, pôster, website, palestra e instalação, seu trabalho foi exibido em mostras como as 27ª e 28ª edições da Bienal de São Paulo, Museu da Pampulha, Centre de la Photographie (Genebra – Suíça), Museo de Antioquia (Medellín – Colômbia), Kunstverein Muenchen (Munique – Alemanha), hmkv (Dortmund – Alemanha) e Kunsthal Aahus (Aahus – Dinamarca), entre outros.

O grupo inteiro (São Paulo, SP) – Composto por Carol Tonetti, Cláudio Bueno, Ligia Nobre e Vitor Cesar, reúne, desde 2014, diferentes formações e práticas – nos campos da arquitetura, design, arte, comunicação, aprendizagem e tecnologia – que convergem, estabelecem correspondências e se expandem. Os projetos realizados pelo grupo incluem: Condutores (Masp e Sesc Interlagos, 2016); Manejo, em colaboração com Jorge Menna Barreto (32ª Bienal de São Paulo, 2016); Campos de Preposições (Sesc Ipiranga, 2016); Octopus (Sesc Belenzinho, 2018); e Correspondence (Pro- Helvetia/FAR°/Collège de Marens, Suíça).

Paulo Nazareth (Governador Valadares, MG) – O trabalho de performance e instalação de Paulo Nazareth explora, com frequência, suas raízes africanas e indígenas. Sua caminhada-performance representa um questionamento lento e em tempo real de sua própria experiência e daquela dos indivíduos que encontra, traçando uma sutil matriz de conexões que vincula pessoas, comunidades e histórias compartilhadas. Ganhou o Prêmio MASP de Artes Visuais (2012). Seu trabalho já foi apresentado em mostras individuais e coletivas ao redor do mundo. Sua obra integra as coleções Boros Collection (Alemanha), Thyssen-Bornemisza Art (Áustria), Pinault Collection (França), Rubbel Family Collection (EUA), Coleção Banco Itaú, MAM São Paulo e Pinacoteca de São Paulo.

Rafael Pagatini (Caxias do Sul, RS) – É professor e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo. Seu trabalho faz uso principalmente de mídias associadas a linguagens da gravura e fotografia. Investiga as relações entre arte, memória e política. Realizou projetos como Retrato Oficial (2017); Manipulações, DOPS (série Movimentos religiosos) e Camadas e Grito Surdo (2016); e Bem-vindo, Presidente! (2015-2016), a partir de pesquisas nos arquivos do DOPS do Espírito Santo. Entre suas exposições, estão Fissuras (2016), Conversas com a Paisagem (2014), Rumos Itaú Cultural (2013) e Em Suspensão (2012). Recebeu o Prêmio Energias Artes Visuais, Bolsa Estímulo à Produção em Artes Visuais (Funarte), Bolsa Iberê Camargo e V Prêmio Açorianos de Artes Plásticas.

Traplev (Caçador, SC) – Em pesquisas sobre outras formas de narrar os acontecimentos políticos, o artista discute as estratégias de comunicação da grande mídia, a partir da apropriação e da interferência gráfica em material jornalístico e notícias compartilhadas em redes sociais. É editor geral e cofundador da publicação Recibo, com mais de 74 mil exemplares distribuídos gratuitamente de 2002 a 2016. Entre as exposições recentes, destacam-se as Individuais Novas Bandeiras entre Almofadas Pedagógicas, na Sé Galeria, e Sistemas de Estruturas e Elementos de Fachada, Sala 7, na Galeria Fayga Ostrower em Brasília (DF) / Funarte, e as coletivas Mitomotim, no Galpão Videobrasil, e Trienal Frestas de Arte Contemporânea, em Sorocaba (SP).

Sobre o Sesc São Paulo

Mantido pelos empresários do comércio de bens, turismo e serviços, o Sesc – Serviço Social do Comércio é uma entidade privada que tem como objetivo proporcionar o bem-estar e a qualidade de vida aos trabalhadores deste setor e sua família. Sua base conceitual é a Carta da Paz Social e sua ação é fruto de um sólido projeto cultural e educativo que trouxe, desde a criação pelo empresariado do comércio e serviços em 1946, a marca da inovação e da transformação social.

Ao longo destes mais de 70 anos, o Sesc inovou ao introduzir novos modelos de ação cultural e sublinhou, na década de 1980, a educação como pressuposto para a transformação social. A concretização desse propósito se deu por uma intensa atuação no campo da cultura e suas diferentes manifestações, destinadas a todos os públicos, em diversas faixas etárias e estratos sociais. Isso não significa apenas oferecer uma grande diversidade de eventos, mas efetivamente contribuir para experiências mais duradouras e significativas.

No estado de São Paulo, o Sesc conta com uma rede de 40 unidades operacionais – centros destinados à cultura, ao esporte, à saúde e à alimentação, ao desenvolvimento infantojuvenil, à terceira idade, ao turismo social e a demais áreas de atuação. Este patrimônio forma um conjunto arquitetônico de múltiplas linguagens e influências, constituído a partir da contribuição de nomes como Lina Bo Bardi, autora do Sesc Pompeia, e Paulo Mendes da Rocha, responsável pelo Sesc 24 de Maio.

Serviço

Exposição:

META-ARQUIVO: 1964–1985 – Espaço de Escuta e Leitura de Histórias da Ditadura

Curadoria e pesquisa: Ana Pato

Artistas convidados: Ana Vaz, Contrafilé, Giselle Beiguelman, O grupo inteiro, Ícaro
Lira, Mabe Bethônico, Paulo Nazareth, Rafael Pagatini e Traplev

Projeto expográfico: Anna Ferrari

Design gráfico: O grupo inteiro

Produção executiva: Nós da produção | Alita Mariah e Rafael Moretti

Coordenação editorial: Julia Ayerbe

Parceria: Memorial da Resistência de São Paulo | APAC – Associação Pinacoteca Arte e Cultura | Secretaria de Cultura e Economia Criativa | Governo do Estado de São Paulo
Realização: Sesc São Paulo

Visitação: 23 de agosto a 24 de novembro de 2019

Terça a sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, das 10h às 19h30

Local: Galpão. Grátis. Livre para todos os públicos

Sesc Belenzinho

Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.

Belenzinho – São Paulo (SP). Telefone: (11) 2076-9700

www.sescsp.org.br/belenzinho

Estacionamento – De terça a sábado, das 9h às 22h. Domingos e feriados, das 9h às 20h.
Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional. Transporte Público – Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m).