Espetáculo ‘Saia’ participa do Circuito SESI em setembro

Quando o herói grego Aquiles nasceu, sua mãe (a nereida Tétis) o banhou no Rio Estige na tentativa de torná-lo imortal. Mas segurou-o pelo calcanhar, parte do corpo que acabou vulnerável. O mito é uma das inspirações do espetáculo Saia, que, depois de uma bem-sucedida temporada na cidade do Rio no primeiro semestre, participa agora do Circuito SESI. Serão quatro apresentações no total, nas unidades do SESI em Duque de Caxias (20/09), Macaé (26/09), Campos (27/09) e Itaperuna (28/09). Escrito por Marcéli Torquato durante as atividades da 4ª turma do Núcleo de Dramaturgia Firjan SESI em 2018, coordenado pelo diretor e dramaturgo Diogo Liberano, a peça propõe uma investigação sobre a superproteção e o instinto maternos, a importância da educação e a tentativa do ser humano de ter controle sobre a vida.

 A história chegou ao palco com direção de Joana Lebreiro e elenco que reúne as atrizes Eliane Carmo (Neném), Elisa Pinheiro (Mãe) e Vilma Melo (Aquiles). A dramaturgia será publicada pela Editora Cobogó, assim como outras duas criadas na mesma turma do projeto: ‘Desculpe o transtorno’, de Jonatan Magella, e ‘Só percebo que estou correndo quando vejo que estou caindo’, de Lane Lopes.

Quando a autora se tornou mãe, foi tomada pelo medo de morrer, de que sua filha ficasse sem mãe. Os recorrentes episódios de violência da cidade também a perturbavam. Esse foi o ponto de partida da dramaturgia. “Queria investigar essa característica da maternidade: a tentativa de controlar os riscos, de imunizar as filhas e filhos a todo custo. Não se pode fugir de tudo. É preciso que a vida aconteça”, explica.

O dramaturgo Diogo Liberano, que acompanhou todo o processo de escrita, comenta como foi bonito ver a autora se desafiando durante as aulas do núcleo. “Uma questão que sempre discutíamos era o que ela faria com esse medo que veio com a maternidade: confirmar sua existência ou dar um problema para ele? E ela acabou colocando em xeque o medo desta mãe numa história de muita delicadeza, que nos toca e afeta”, define Diogo.

A trama acompanha a rotina de uma mãe que, diante de um mundo violento, cria suas duas filhas literalmente sob a sua saia. O dia a dia não muda: é ir da casa ao trabalho, e vice-versa, até que um furo na vestimenta faz com que as crianças comecem a desconfiar da falta de acontecimentos em suas vidas.

“O texto é extremamente poético, cheio de metáforas nas entrelinhas e, ao mesmo tempo, põe em cena questões muito profundas e reais. É como um enigma, que vamos descobrindo aos poucos”, reflete a diretora Joana Lebreiro, que aceitou dirigir uma das peças criadas no Núcleo de Dramaturgia Firjan SESI antes mesmo de saber qual seria. “Sei que o Diogo Liberano tem uma pesquisa de dramaturgia muito contundente e que os trabalhos vindos do núcleo seriam, no mínimo, instigantes. E estava certa. Gostei muito de todos, mas ‘Saia’ me arrebatou”, acrescenta.

Ao lado da diretora no time criativo estão Gabriela Estevão (diretora assistente); Ana Luzia de Simoni (iluminadora); Marieta Spada (diretora de arte), Tatiana Tibúrcio (diretora de movimento e preparadora corporal) e Claudia Castelo Branco (diretora musical e trilha sonora), que compôs uma trilha original para o espetáculo. “Assim como a história apresenta situações cotidianas em cenas surrealistas, quis fazer essa mistura de elementos concretos e poéticos de uma forma experimental”, descreve Claudia.

Sinopse

Duas crianças são criadas sob a saia da mãe até que um furo na vestimenta faz com que elas comecem a desconfiar da falta de acontecimentos em suas vidas. Saia é uma investigação sobre o instinto materno em um mundo violento.

Núcleo de Dramaturgia

Em sua quinta edição, o Núcleo de Dramaturgia Firjan SESI nasceu da vontade de descobrir e desenvolver novos autores teatrais brasileiros e é aberto para quem gosta de escrita, com ou sem experiência em dramaturgia. O programa anual de estudo e criação mistura teoria e prática, por meio de atividades de leitura de textos filosóficos e dramaturgias escritas no decorrer dos séculos; discussões; exercícios individuais e de jogos textuais em dupla ou trio; e encontros presenciais com autores e artistas profissionais da cena contemporânea. Além dessas experimentações, os participantes escrevem duas dramaturgias, sob orientação de Diogo Liberano, coordenador do Núcleo de Dramaturgia Firjan SESI: uma menor, com cerca de 15 páginas, e uma final de no mínimo 30 páginas. “Pedagogicamente a atividade se dá a partir de distintos modos e tipos de escrita que cada autor ou autora traz. As turmas são compostas por 15 pessoas, a cada ano, assim, a diversidade de modos de escrita é muito grande. Temos encontros semanais com a turma toda e também individuais, nos quais discutimos a dramaturgia de cada aluno de maneira bastante profunda”, conta Liberano. “É muito gratificante ver o resultado”.

FICHA TÉCNICA:

Dramaturga: Marcéli Torquato

Diretora: Joana Lebreiro

Diretora assistente: Gabriela Estevão

Atrizes: Eliane Carmo, Elisa Pinheiro e Vilma Melo

Diretora de arte: Marieta Spada

Diretora de movimento e preparadora corporal: Tatiana Tiburcio

Diretora musical e trilha sonora: Claudia Castelo Branco

Iluminadora: Ana Luzia de Simoni

Programadora visual e mídias sociais: Thaís Barros

Assessora de comunicação: Rachel Almeida – Racca Comunicação

Fotógrafo da comunicação visual: Guilherme Silva

Fotógrafa e vídeo de cena: Thaís Grechi

Montador e operador de luz: Guiga Ensa

Montador de cenário, luz e contrarregra: Wellington Fox

Produtora: Clarissa Menezes

Coordenador do projeto e do Núcleo de Dramaturgia Firjan SESI: Diogo Liberano

SERVIÇOS:

Saia. Drama. De Marcéli Torquato. Dir. Joana Lebreiro. Com Eliane Carmo, Elisa Pinheiro e Vilma Melo. Duas crianças criadas sob a saia da mãe começam a desconfiar da falta de acontecimentos em suas vidas. (1h15).

20 de setembro, às 17h

Teatro SESI Caxias: Rua Artur Neiva,100 – 25 de Agosto – Duque de Caxias

Telefone: (21) 3672-8369

Ingressos: R$ 22 (inteira) e R$ 11 (meia).

Duração: 1h15 minutos

Classificação: 12 anos

Capacidade: 220 pessoas.

Funcionamento da Bilheteria: De segunda a sexta, das 7h às 20h, e, aos sábados, das 9h às 14h.

26 de setembro às 20h

 

Teatro SESI Macaé: Alameda Etelvino Gomes, 155 – Riviera Fluminense – Macaé

Telefone: (22) 2791-9229

Ingressos: R$ 22 (inteira) e R$ 11 (meia).

Duração: 1h15 minutos

Classificação: 16 anos

Capacidade: 197 pessoas.

Funcionamento da Bilheteria: De segunda a sexta, das 8h às 19h45.

27 de setembro às 20h

Teatro SESI Campos: Avenida Dep. Bartolomeu Lysandro, 862 – Guarus – Campos dos Goytacazes

Telefones: (22) 2101-9052 e (22) 2101-9053

Ingressos: R$ 22 (inteira) e R$ 11 (meia).

Duração: 1h15 minutos

Classificação: 16 anos

Capacidade: 205 pessoas

Funcionamento da Bilheteria: De segunda a sexta, das 8h às 20h. Sábados e domingos, em dias de atração, a partir das 14h.

28 de setembro às 19h

Teatro SESI Itaperuna: Avenida Dep. José de Cerqueira Garcia, 883 – Pres. Costa e Silva – Itaperuna

Telefones: (22) 3811-9219, e (22) 3811-9201 –

Ingressos: R$ 22 (inteira) e R$ 11 (meia).

Duração: 1h15 minutos

Capacidade: 252 pessoas.

Classificação: 16 anos

Funcionamento da Bilheteria: De segunda a sexta, das 8h às 20h, e duas horas antes das atrações

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“Cheiro de Manga” no Teatro Cacilda Becker

CHEIRO DE MANGA propõe uma viagem até Toubab Dialaw, pequena vila ao sul de Dakar\Senegal. Através dos sons, das cores, dos cheiros e do movimento, instiga a criação de memória através do imaginário. Numa atmosfera sensorial, o espetáculo busca contar histórias e redescobrir os caminhos de terra batida da pequena vila de pescadores e seus arredores.

O ESPETÁCULO:

Com concepção, direção e interpretação de Laura de Castro e trilha original composta pelo músico Eduardo RezendeCHEIRO DE MANGA é uma experiência multilinguística, trazendo para a cena a dança contemporânea, os movimentos africanos, o teatro, o canto, a música,  tudo num ambiente que aguça os sentidos: a manga que é oferecida ao público, as luzes que se apagam para ampliar o som dos tambores, o cheiro do hibisco misturado com a areia que marca o círculo no chão e faz com que os espectadores fiquem em roda, convidando-os a participar e criar sua viagem até o Senegal.

 

O PROJETO:

CHEIRO DE MANGA surgiu como uma necessidade da artista Laura de Castro de transformar em algo palpável a vasta experiência que foi passar três meses na África em residência artística na École des Sables, em Toubab Dialaw. Nessa vivência, muitas questões surgiram: religiosas, ambientais, culturais, raciais e corporais. Ao voltar ao Brasil, Laura percebeu que o compartilhamento dessas questões através da cena abriria outras janelas de entendimento. Assim surge o espetáculo que refaz sua viagem e convida o público a também viajar para que juntos desbravem estas questões e possibilitem o surgimento de outras.

FICHA TÉCNICA

Concepção, Criação e Interpretação: LAURA DE CASTRO

Consultoria artística: RUI MOREIRA

Trilha sonora original e operação de som: EDUARDO REZENDE

Voz off: PATRICK ACOGNY

Desenho de som e produção musical: ALMIR CHIARATTI

Diretor Musical e Operação de som: EDUARDO REZENDE

Criação de luz: PEDRO STRUCHINER

Operação de luz: MÁRCIO ALVES

Assessoria de imprensa: SANDRA ALENCAR

Produção: LAZÚLI CULTURA– JACQUELINE DE CASTRO

SERVIÇO:

O Que? CHEIRO DE MANGA

Quando? 13 a 15 de setembro

Sexta e Sábado – 20h \\ Domingo – 19h

Onde? Teatro Cacilda Becker

Rua do Catete, 338 –Catete/Rio de Janeiro \\ 21 2265 9933

Quanto?  R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia).   

Classificação indicativa: 16 anos

Duração: 50 minutos

 Contato: (31) 99673.4519\ (21) 99773.0525

Destaque do indie folk nacional, Antiprisma lança disco

Uma das bandas de destaque da cena indie brasileira, o Antiprisma, lança o segundo álbum, “Hemisférios”, via Alcalina Records. O duo formado por Elisa e Victor inaugura uma nova fase musical, com guitarra, bateria e piano. Com 12 faixas, o trabalho apresenta diversas influências musicais, evocando no ouvinte sensações, indo do desespero à esperança. “Tudo de novo, mas diferente”, como cantam na faixa de abertura: Amanhã Tudo Volta a Nascer.

 

O caminho percorrido para chegar em “Hemisférios”, começou com o single “Fogo Mais Fogo”, que contou com a guitarra de Gabriela Deptulski (My Magical Glowing Lens) e ganhou clipe. Em seguida, vieram os lançamentos de “Só Porque Você Não Se Encontrou”, “Caos” e “Planície Sem Nome”. Estas canções mostraram ao público a mutação do som do Antiprisma.

 

“Eu tenho a impressão que neste disco nós conseguimos imprimir, mais do que nunca, as nossas influências e intenções com a música. Talvez seja o disco que mais tem a nossa cara, a nossa identidade, que é algo que vai se desenvolvendo ao longo do tempo.”, avalia Elisa Moreira Oieno (voz, violão e guitarra). Quem também concorda com a fala é Victor José (voz, violão e viola caipira):

 

“Acústico e elétrico, melodia e percussão, tudo em contraste e se complementando. Foi tudo muito natural. Nos deslocamos para outras abordagens sonoras, e nos inspiramos a experimentar bastante. Até fizemos duas faixas instrumentais, coisa que nunca havíamos feito antes”, observa.

 

Diferentemente do disco de estreia, “Planos Para Esta Encarnação” (2016), no segundo álbum a ideia do Antiprisma foi explorar e produzir o álbum sozinhos. Enquanto aprendiam a mexer com o equipamento de home studio, o “Hemisférios” foi surgindo. Já na fase de pré-produção, as faixas foram concebidas para terem guitarra, bateria e piano.

 

“Dessa vez, não tínhamos mais a pretensão de manter o formato minimalista acústico como foi nos primeiros trabalhos, em que as músicas foram gravadas com a intenção de serem tocadas ao vivo, necessariamente em dupla. Acho que as referências que estão ali são as que sempre estiveram no som do Antiprisma, mas agora talvez de forma mais direta por conta de ter mais elementos no som.”, define Elisa Moreira Oieno.

 

Para alguns momentos de “Hemisférios”, o duo contou com mais artistas convidados, como Roger Alex, João Rocchetti (Vitreaux) e Pedro Pelotas (Cachorro Grande), Marlon Marinho, Lua Gior e Rafael Gamadan. A mudança na sonoridade também é percebida nos palcos, graças ao envolvimento com a cozinha que acompanha o Antiprisma ao vivo, formada pela baterista, Ana Zumpano (ex-Lava Divers), e o baixista, Rafael Bulleto (ex-BIKE).

É também em “Hemisférios” que Elisa e Victor se envolvem mais do que nunca: tocam mais instrumentos do que nos registros anteriores, além de criarem a capa e ser responsáveis pela produção.

“Esse é um projeto de imersão, mesmo. Levou um bom tempo para ser concluído, sem pressa, o que fez com que a gente pudesse aprimorar com calma o que a gente queria transmitir”, finaliza Victor.

 

Ouça “Hemisférios”: https://song.link/album/br/i/1477447709

 

FICHA TÉCNICA

Elisa Moreira – Vocais, violão, guitarra, piano, bateria e percussão

Victor José – Vocais, violão, guitarra, viola caipira, baixo, piano, teclados e percussão

Engenharia de som (faixas 1, 6, 8, 9, 10 e 11): Fábio Cardelli

Bateria (faixas 1, 6, 8, 9, 10 e 11): Marlon Marinho

Piano (faixas 1, 6 e 10): João Rocchetti

Piano (faixa 6): Roger Alex

Piano, mellotron & synth (faixa 12): Pedro Pelotas

Guitarra (faixa 2): Gabriela Deptulski

Vocais de apoio (faixa 12): Lua Gior & Rafael Gamadan

Capa: Elisa Moreira e Victor José

Alcalina Records

 

8ª edição do Festival Internacional de Artes de Tiradentes

O Festival Internacional de Artes de Tiradentes – Artes Vertentes, chega à 8ª edição entre os dias 12 e 22 de setembro, na histórica cidade mineira, reafirmando a proposta que orientou sua criação: oferecer espetáculos de alto nível artísticos nos diversos campos da arte; e estimular o diálogo e a troca de vivências culturais entre artistas e público, em torno de um tema que alinha a programação.

Serão 11 dias de um profundo mergulho nas artes. O Festival reunirá 40 artistas do Brasil e de outros nove países, que apresentarão ao público 19 concertos, cinco exposições, 11 performances literárias, três espetáculos teatrais, sete sessões de cinema e um ciclo de ideias com cinco mesas-redondas. A comunicação em seus diversos aspectos e seu impacto na sociedade contemporânea é o tema curatorial desta edição.

Com este formato, o Festival Artes Vertentes se coloca como único no Brasil: “O nosso compromisso é criar um diálogo entre diversas linguagens artísticas em torno de um tema, fomentar a criação artística contemporânea, com encomendas musicais, literárias e residências artísticas para artistas internacionais e da região”, explica Gustavo Carvalho, pianista e diretor artístico do Festival.

Em paralelo, o Festival promove a Ação Cultural, oferecendo cursos gratuitos de artes visuais, artes cênicas e música a crianças e adolescentes de Tiradentes; mantendo também o coro infanto-juvenil VivAvoz, em parceria com instituições locais. Os cursos são ministrados por professores especializados nas áreas e duram de fevereiro a dezembro. Durante o Festival, os alunos apresentam seus trabalhos, também integrados ao mote curatorial. Este ano, eles fizeram o roteiro, a trilha sonora, o cenário e o figurino para uma apresentação inspirada na peça “O Pássaro Azul”, do poeta e dramaturgo belga Maurice Maeterlink, que será apresentada no dia 20 de setembro, às 19:30 horas, no jardim do Museu Casa Padre Toledo.

Diálogos

Como os concertos de música, leituras de textos literários, lançamentos de livros, exposições, sessões de cinema e de teatro dialogam entre si e com o público em 11 dias de programação?

O curador Gustavo Carvalho oferece alguns exemplos: “Na programação de música, teremos um ciclo de concertos construído em torno da correspondência mantida entre Clara e Robert Schumann, homenageando os 200 anos de nascimento de Clara Schumann. Serão lidos trechos da correspondência amorosa do casal e, também, de compositores contemporâneos. O compositor brasileiro Sergio Rodrigo lançará uma peça especialmente composta a partir de versos do poeta Ricardo Domeneck (brasileiro, residente em Berlim), também presente no festival”.

Há diálogos explícitos. A exposição Mens Rea: a cartografia do mistério apresenta nove dípticos da série Mistérios, do artista plástico norte-americano Mac Adams. Assim como um contador de histórias, o artista procura incitar o espectador a penetrar o espaço entre as obras. Na exposição que será apresentada durante o Festival, textos de autores de diversas nacionalidades ocupam alguns destes espaços.

“Destaco, ainda, a exposição da cineasta russa Svetlana Filippova, que exibirá originais de ilustrações elaboradas para o livro Tchevengur, do russo Andrei Platonov (1899-1951). O Festival realizará o pré-lançamento do livro no Brasil, com tradução de Maria Vragova e Graziela Schneider”, conta Gustavo Carvalho. Svetlana Filippova estará presente na 8ª edição, mas Tiradentes é um território conhecido para ela: em 2017, Svetlana trabalhou técnicas de filmes de animação com os alunos da Ação Cultural. Durante a programação do festival haverá, ainda, uma retrospectiva dos seus filmes.

Integração

Realizar um Festival com o porte, a diversidade e a base conceitual do Artes Vertentes no Brasil não parece ser tarefa fácil. Mas os idealizadores e realizadores do Festival mantém a marca original: “Mostrar como linguagens artísticas sempre andam interligadas parece-me enriquecedor, não só para o entendimento da história da arte, mas também para o entendimento do homem. Há diversos festivais no Brasil que apresentam programação de alto nível. Nós escolhemos, além da qualidade artística, requisito básico, a integração, o diálogo, a multiplicidade de linguagens, a não segmentação. Creio que o Artes Vertentes propõe, com esse formato, uma nova forma de fazer, enxergar e fruir a arte”, explica Gustavo Carvalho.

Maria Vragova, diretora executiva do Festival, explica que ele é financiado de três formas: patrocínio de empresas e pessoas físicas pela Lei Federal de Incentivo à Cultura; recursos provenientes do Fundo Municipal e Estadual de Cultura; e doações d

mecenato. “Contamos com o apoio da Associação dos Amigos do Festival Artes Vertentes, hoje com 70 integrantes. Os amigos do Festival nos apoiam também logisticamente, oferecendo hospedagens para artistas e profissionais da produção em suas casas. Oferecem alimentação em local específico, onde todos os participantes almoçam e jantam. Isso é importante, porque permite uma interação maior entre os artistas e a cidade. Muitos convidados de outros países preferem ficar hospedados em casas dos moradores locais para conhecer melhor a nossa cultura”.

Diversos parceiros apoiam o Festival: a prefeitura de Tiradentes participa da manutenção da Ação Cultural; o Campus Cultural UFMG e SESI com a cessão dos seus espaços, além do apoio de diversas pousadas e restaurantes de Tiradentes.

Os concertos serão realizados na Matriz de Santo Antônio e na Igreja São João Evangelista, que oferecem ótima acústica, segundo os músicos que nelas se apresentaram em edições anteriores; as sessões de cinema e teatro e os debates dos ciclos de ideia no auditório do Centro Cultural; e as demais atividades em outras edificações históricas de Tiradentes.

Programa e artistas

O Festival levará a Tiradentes músicos, atores, escritores, compositores e artistas visuais do Brasil, Estados Unidos, Canadá, Ruanda, Rússia, França, Inglaterra, Portugal, Bielorrússia e Letônia.

Além dos artistas já citados, destacamos a presença de alguns outros nomes que participarão da 8ª edição do Festival:

Música

Eliane Coelho – soprano, nasceu no Rio de Janeiro e diplomou-se na Escola Superior de Música e Teatro de Hannover, na Alemanha. De 1983 a 1991 apresentou-se pela Opera de Frankfurt, e a partir de setembro de 1991, pela Opera de Viena. Na 8ª edição do Festival, ela apresentará obras de Schumann, Schubert e Wagner, além de um recital com compositores, cujas obras foram banidas durante o nazismo.

Jacob Katsnelson – pianista, nasceu em Moscou, em 1976. É professor no Conservatório Tchaikovsky e no Instituto Gnessin (Moscou). Em Tiradentes, fará várias apresentações, destacando-se um recital dedicado à Clara Schumann, com obras de Mendelssohn, Robert Schumann e Brahms.

Kristina Blaumane – vilocenlista, nasceu na Letônia e faz carreira internacional, apresentando-se como solista e participando de festivais europeus. No Artes Vertentes, apresentará obras primas do repertório camerístico, como a Sonata para piano e violoncelo de Edvard Grieg;, o Trio op. 67, de Felix Mendelssohn; e os Quarteto e Quinteto de Robert Schumann.

Literatura

Scholastique Mukasonga – nasceu em Ruanda, de onde fugiu do genocídio dos tutsis pelos hutus, em meados da década de 90. Atualmente, vive na França. Lá, ela publicou o livro autobiográfico Baratas, que marcou sua entrada na literatura, em 2006. Seu primeiro romance, Nossa Senhora do Nilo, ganhou importantes prêmios de literatura na França. No Festival, Scholastique fará leituras de trechos do romance-memorialista A Mulher de Pés Descalços, sobre o relacionamento da autora com sua mãe. A escritora também participará de uma mesa redonda sobre a voz feminina, ao lado da cineasta Svetlana Filippova .

Guilherme Gontijo Flores – é poeta, tradutor e professor de latim na Universidade Federal do Paraná. Publicou os poemas de brasa enganosa (2013), Tróiades ( 2014-2015), l’azur Blasé (2016), Naharia (2017) e carvão : : capim (2017 em Portugal, 2018 no Brasil), além do romance História de Joia (2019). Em Tiradentes, ele participará de uma performance ao lado do poeta fluminense André Capilé.

Angélica Freitas – é poeta e tradutora. Seus livros receberam prêmios importantes, entre os quais destaca-se o Prêmio APCA de poesia. Em Tiradentes, além de uma performance com o poeta Ricardo Domeneck, ela ministrará uma oficina de literatura.

Artes Visuais

Ricardo Siri – carioca, trabalha com matérias distintas e já expôs no Victoria and Albert Museum (Londres), NBK Gallery (Berlim) e Portikus (Frankfurt). Em Tiradentes, apresentará duas obras-instalações: Ninho e Pequenininho.

Mar de Paula – mineiro, faz trabalhos que mesclam fotografia, vídeo, instalação e performance. Em 2019, a convite do Artes Vertentes, fez residência artística no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro. Parte do resultado desta residência será exposto durante o festival.

Conhecido mundialmente como Carybé, o pintor, escultor, ilustrador, desenhista, cenógrafo, ceramista, historiador, pesquisador e jornalista Hector Julio Paride Bernabó terá uma parte pouco conhecida da sua exposta no Artes Vertentes: uma série de desenhos realizadas em 1956 para o filme O Cangaceiro, de Lima Barreto.

Artes cênicas

Compagnie Zaï – grupo francês, criador do espetáculo “Victor, o menino selvagem”, que usa técnicas do teatro de sombras e do teatro mímico. Com interpretação do ator francês Arnaud Préchac e trilha sonora do músico Gildas Préchac, narra, de forma poética, a história de Victor, um menino que de um dia para o outro se encontra sozinho em um mundo estranho e incompreensível.

Gilberto Gawronski – nasceu em Porto Alegre (RS). É ator, diretor e cenógrafo. No Festival Artes Vertentes, fará o monólogo de A Ira de Narciso, de Sergio Blanco, dramaturgo franco-uruguaio. Relata a permanência do autor na cidade de Ljubljana, onde é convidado a dar uma palestra sobre o mito de Narciso. Alternando sutilmente

narração, palestra e confissão, a “Ira de Narciso” é uma jornada fascinante e arriscada que conduz o espectador num confuso labirinto do eu, da linguagem e do tempo.

Ciclos de ideias

Partindo da poética contida no mote curatorial do festival, O último grito antes do silêncio eterno, uma alusão a última mensagem enviada em código morse pela marinha francesa, o festival propõe uma série de debates e mesas redondas que acompanha a programação artística. “Pretendemos abordar vários aspectos da comunicação na sociedade contemporânea: a voz materna e a potência feminina como a primeira forma de comunicação vivenciada pelo ser humano, a pós-verdade e a falência da palavra como meio de comunicação, a comunicação além da palavra e as vozes apagadas na sociedade”, explica Gustavo Carvalho. Estes debates contarão com a presença de Scholastique Mukasonga, Svetlana Filippova, Ricardo Domeneck, Lívia Natália, além da psiquiatra e diretora do Museu Bispo do Rosário, Maria Raquel Fernandes, o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, o tradutor Francisco de Araújo e o autor Marcus Fabiano.

A programação completa da 8ª edição do Festival Artes Vertentes, referências sobre todos os artistas que dela participarão e outras informações estão registradas no site http://www.artesvertentes.com.

Educação Ambiental reúne palestrantes e artistas no Teatro Rival

Em tempos de queimadas na Amazônia, a questão ambiental parece ser ainda mais urgente. Mas é importante pensar que nem tudo cabe ao governo fazer, proteger, cuidar. Todo mundo precisa fazer a sua parte. Com a proposta de refletir sobre de forma cada um pode agir e a que ações se integrar pela preservação da natureza, o Teatro Rival Petrobras abre as portas para seu primeiro evento ligado à sustentabilidade de nossa cidade, nosso país, nosso planeta. É o evento “Educação Ambiental”, que vai oferecer palestras e música no dia 9 de setembro.

Idealizado pela produtora cultural Rosângela Albuquerque e realizado pela ONG Guardiões do Mar, o evento começará com palestras às 19h, e a música passará a rolar a partir das 20h. Vários artistas vão se unir numa grande jam session. Estarão no Teatro Rival Petrobras Leoni, George Israel, De Luca, Marysa Alfaia, Renato Biguli, Theo Bial, Nani Dias, Kadu Menezes, Jorge Valladão e Nil.

O objetivo do evento, segundo Rosângela, é “promover a conscientização de educação ambiental por meio da cultura, levando a informação ao alcance de todos para que assim possamos alcançar uma redução da poluição em que vivemos”. Os acidentes naturais sempre existiriam, mas ela destaca que o impacto que os resíduos geram nesses acontecimentos pode ser diminuído. Para a idealizadora do evento, “é uma questão mundial que precisa ser bem cuidada para que possamos deixar aos nossos descendentes um planeta livre de plásticos e materiais poluentes em nosso ecossistema”.

 

As palestras entre 19h e 20h serão as seguintes:

– Palestra de Abertura: MEU COPO ECO

Tema: Sustentabilidade – Soluções contra os descartáveis.

– Pedro Belga – Guardiões do Mar

Tema: Estratégia Social de Inclusão para Conservação de Ecossistema Costeiros.

– Ricardo Gomes – Instituto Mar Urbano

Tema: Divulgação científica e a comunicação com a sociedade: o papel de cada um no futuro sustentável que queremos

– Sergio Ricardo – Baía Viva

Tema: Por uma agenda pública por uma baía viva

– Paulo Hargreaves – Oceanógrafo da UFRJ

Tema: Variações climáticas no gerenciamento costeiro e seus fatores de risco.

– Sérgio Carvalho – Biólogo

Tema: Fauna e flora da Mata Atlântica da Zona Oeste

– Ricardo Mirapalheta – Biólogo

Tema: Alfabetização Ecológica e o Estudo das Frequências em Ressonância da Música e da Natureza

– Louise Schiatti – GBioTra

Tema: Conscientizar & Brincar

 

O Teatro Rival Petrobras entrou nessa campanha de fazer com que o cidadão, agindo localmente, na sua comunidade, possa influenciar positivamente o planeta como um todo. E espera contar com seu público cativo nessa luta pela preservação do meio ambiente.

 

Serviço
Teatro Rival Petrobras – Rua Álvaro Alvim, 33/37 – Centro/Cinelândia – Rio de Janeiro. Data: 09 de setembro (segunda-feira). Horário: 19h30. Abertura da casa: 18h. Ingressos: R$40,00 (inteira), R$20,00 (lista amiga) Venda antecipada pela Eventim – http://bit.ly/TeatroRival_Ingressos2GIaEKp Bilheteria: Terça a Sexta das 13h às 21h | Sábados e Feriados das 16h às 22h Censura: 18 anos. www.rivalpetrobras.com.brInformações: (21) 2240-9796. Capacidade: 350 pessoas. Metrô/VLT: Estação Cinelândia.

 

*Meia entrada: Estudante, Idosos, Professores da Rede Pública, Funcionários da Petrobras, Clientes com Cartão Petrobras e Assinantes O Globo

Jards Macalé lança LP de “Besta Fera” no Festival Levada

A emblemática e histórica última capa de disco clicada por Cafi – amigo pessoal de Jards Macalé, e responsável por capas antológicas da música brasileira – ganhou devidas dimensões. A foto, que estampa solitária a capa do novo disco de Macalé, o primeiro de inéditas em 21 anos, chega agora dando cara ao LP de “Besta Fera”, um dos mais elogiados trabalhos lançados em 2019, e já um dos álbuns mais exaltados de toda a carreira do chamado professor. O vinil, que tem patrocínio Natura Musical e lançamento em parceria com o projeto Três Selos, será festejado no Festival Levada, no Teatro Firjan Sesi Centro, no dia 6 de setembro, às 20h. No palco, Jards será acompanhado por sua Banda Fera: Guilherme Held na guitarra, Pedro Dantas no baixo e Thiago Silva na bateria.

Os ingressos podem ser adquiridos pela internet (encurtador.com.br/yHQV4) ou na bilheteria do teatro. Restam apenas ingressos para o balcão, a plateia já está esgotada.

 

Sob direção musical do próprio Jards, direção artística de Romulo Fróes e produção musical de Kiko Dinucci e Thomas Harres, o disco conta com parceiros como Ava Rocha, Capinam, Clima, Ezra Pound, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Rômulo Fróes, Thomas Harres e Tim Bernades, e renova a composição de Macalé. O projeto foi selecionado pelo Natura Musical por meio do edital 2017, com o apoio da Lei Rouanet. O álbum está disponível também em CD – à venda nos shows – e em edição digital, em todas as plataformas de streaming.

 

Contemporâneo de todos os tempos, “Besta Fera” é tradução precisa de Jards Macalé no Brasil de 2019

* por Fred Coelho

            Apesar do rosto na penumbra, um halo faz com que a foto de Cafi para a capa de Besta Fera seja o registro definitivo de uma iluminação. Após vinte anos sem lançar um trabalho de composições inéditas (o último foi O q faço é música, de 1998)Jards Macalé apresenta em seu novo disco a expressão exata de sua atualidade provocadora. Fruto de um projeto realizado através do programa de patrocínios Natura Musical e gravado nos estúdios Red Bull de São Paulo, Besta Fera aprofunda a excelência de sua discografia, iniciada em 1972 pelo mitológico long-play gravado ao lado de Lanny Gordin e Tuti Moreno. Ao mesmo tempo, ele é um convite irrecusável para que novos ouvintes adentrem um universo sonoro único chamado Jards Macalé. Em tempos de audições fragmentadas em múltiplas frentes e plataformas, Besta Fera é um disco que apresenta, simultaneamente, canções que funcionam tanto em sua força única quanto no conjunto de uma verdadeira obra. 

 

Essa sonoridade, impactante já em sua primeira audição, é fruto do encontro entre velhos e novos amigos do músico carioca. Na sua bagagem de cinquenta anos de estrada com a canção popular, Macalé assume a direção musical do disco para costurar referências como Gregório de Mattos (cuja presença ecoa o parceiro Waly Salomão) e Ezra Pound (que, se o primeiro poema gravado por Macalé foi “Luz”, presente no disco Let’s Play That, gravado em 1983, agora, afinado com os tempos que atravessamos, surge com “Trevas”), parcerias históricas como José Carlos Capinam e homenagens como a Renô, amigo do tempo de andanças com Hélio Oiticica. Tais nomes, fazem a síntese, que só um artista como Macalé é capaz, entre a formação crítica de sua geração e a formação noturna, malandra, lírica e violenta do Rio de Janeiro.

 

Esses velhos companheiros de estrada batem papo com os novos parceiros, cujas trajetórias sólidas nos últimos anos casam perfeitamente com a caminhada de Jards e acrescentam a presença da cena musical contemporânea de São Paulo. A banda é formada por Kiko Dinucci (violão e sintetizadores) e Thomas Harres(bateria e percussão), responsáveis pela produção musical, além de Pedro Dantas (baixo) e Guilherme Held (guitarra). Os quatro foram colaboradores de Jards nos arranjos ao lado de Romulo Fróes (diretor artístico do disco) e Thiago França (responsável pelo arranjo orquestral da música “Buraco da Consolação”). Rodrigo Campos, Juçara Marçal, Ava Rocha, Clima e Tim Bernardes também têm participações brilhantes, sejam como músicos, sejam como compositores (ou ambos, no caso de Tim).

 

Sobre os arranjos, cada uma das canções traz elementos cujas camadas fazem com que os que conhecem a obra fundamental do músico, cantor e compositor, encontrem referências sutis, sacadas secretas, memórias melódicas. São momentos em que a sonoridade inovadora de seus álbuns antológicos dos anos 1970 e 1980 se faz presente sem precisar soar como passadismo ou homenagem engessada. É o entendimento, por parte dos músicos, produtores e arranjadores, de que a música de Macalé sempre é atual, em qualquer tempo. Além disso, sua dedicação técnica nas gravações de todos os seus trabalhos e sua formação erudita – de copista de orquestras a diretor musical de discos e shows importantes de sua geração – garantem que essa qualidade pessoal seja sempre renovada por ideias em ebulição.

 

As levadas de diferentes caminhos, forças, tons e timbres, fazem com que Macalé explore todas suas vertentes – do sussurro em voz e violão ao rock rasgado, do clima agônico de Lupicínio Rodrigues e Jamelão ao baile de orquestras como a sua dileta Tabajara, da batida bossa nova redonda ao reggae com rabeca, do samba levado por cavaco, percussão (com Ariane Molina e Thai Halfed) e coro (da Velha guarda musical da Nenê de Vila Matilde, composto por Laurinha, Clara e Irene) ao experimentalismo em sonoplastias, fitas cassetes e samples. Sempre inquieto e em movimento dentre as várias artes que convive, Macalé nunca perdeu de vista o caráter ampliado da canção popular brasileira. Cinema, poesia, teatro, performance, artes visuais, crime, filosofia, literatura, botequins, matas, mares e muitas outras frentes se fazem presentes na obra de Macalé, o que não seria diferente em Besta Fera.

 

Vale também ressaltar que o grupo reunido ao redor de Jards Macalé para a gravação de seu novo disco é praticamente o mesmo que, recentemente, revolucionou a obra de Elza Soares em seus trabalhos Mulher do fim do mundo (2015) e Deus é Mulher (2018). A informação, aqui, serve para lembrarmos que esses músicos escutaram com a máxima atenção a obra dos mestres. Foi a partir dessa audição interessada e atenta que, nos últimos anos, conseguiram criar coletivamente novos momentos artísticos sem perder de vista as identidades sonoras dessas trajetórias. No caso de Besta Fera, essa fidelidade com a obra está registrada justamente ao encararem todos os desafios de um trabalho em estúdio com Macalé e colaborarem para um resultado contundente de um criador em seu auge. Exigente, experimental e rigoroso, Macalé tem como marca em sua carreira tirar o máximo possível do estúdio, principalmente quando mergulha em um trabalho de canções inéditas, podendo desenvolver suas ideias durante o processo de gravação.

 

Até tempos atrás, Macalé era um artista cujos supostos fins e maldições eram sempre relembrados ao falarem de seu trabalho. Com oito discos nos últimos vinte anos, todos bem recebidos por público e crítica, não há mais a menor dúvida de que sua produção cresce a cada dia, assim como sua influência sobre novas gerações.Por ser um artista contemporâneo de todos os tempos, Macalé faz de Besta Fera um comentário preciso, lírico e feroz na justa medida sobre o Brasil de hoje. Prepare-se para adentrar um mundo entre trevas, bombas Hs, túneis de cidades más, águas fundas, olhos de sangue, ignorâncias dos homens, beiras e obstáculos. Temas cuja força crítica é iluminada por arranjos e vozes certeiras. Aqui, não há margens, e sim um centro irradiador de canções feitas no calor de quem está sempre pronto para novos combates. Besta Fera é a prova de que Jards Macalé está vivíssimo, quente, iluminado e bem acompanhado. Um disco que diz, com todas as letras, os delírios e belezas de um faquir da dor. Eis sua versão sobre nossos tempos – e, principalmente, contratempos.

 

BESTA FERA |Jards Macalé

01. VAMPIRO DE COPACABANA| 02. BESTA FERA | 03. TREVAS | 04. BURACO DA CONSOLAÇÃO | 05. PACTO DE SANGUE | 06. OBSTÁCULOS | 07. MEU AMOR E MEU CANSAÇO | 08. TEMPO E CONTRA-TEMPO | 09.PEIXE | 10. LONGO CAMINHO DO SOL | 11. LIMITE | 12. VALOR

 

 

SERVIÇO:  

Jards Macalé

Lançamento do LP “Besta Fera” | Festival Levada

Dia 6 de setembro, sexta-feira, às 20h
Teatro Firjan Sesi Centro – 
Av. Graça Aranha, n1 – Centro – Rio de Janeiro
Ingressos: R$20 / R$10 (para todos os que se encaixam na Lei prevista de meia: estudantes, idosos, deficientes, menores de 21, professores do Município do RJ).

Lotação: 338

 

Pelo site www.ingressorapido.com.br e na bilheteria do teatro.

Horário de funcionamento da bilheteria: de segunda a sexta, de 11h30 às 19h30. Sábados, domingos e feriados, sempre 2h antes do evento.

 

A bilheteria aceita DINHEIRO e CARTÃO DE DÉBITO.

O site www.ingressorapido.com.br aceita CARTÃO DE CRÉDITO.

 

 

Sobre o Festival Levada

Importantíssimo para divulgar a música independente que anda sendo feita por todo o Brasil, o Festival Levada chega à sua 8ª edição, com dois shows diferentes a cada semana, às quintas e sextas-feiras, até 27 de setembro, em três palcos diferentes: Centro da Música Carioca, na Tijuca; no Teatro Firjan SESI, no Centro; e no LabSonica do Oi Futuro, no Flamengo.

E se o festival dedica-se a dar visibilidade à música produzida de forma independente, nada melhor do que contar com um nome de peso icônico neste segmento: o genial Jards Macalé, que se apresentará no dia 6 de setembro, no Teatro Firjan SESI/Centro, mostrando seu mais recente trabalho, “Besta fera”, lançado no primeiro semestre deste ano.

E tem mais! Esta 8ª edição do Festival Levada traz outros nomes de peso e repercussão nacional, como Mombojó, JosyAra, Ronei Jorge e The Baggios. O LabSonica Oi Futuro será o espaço do Levada+, sucesso de público no ano passado e que, para 2019, traz Lívia Nery, Bia Ferreira, Ana Frango Elétrico e Lucas Estrela.

Com direção geral de Júlio Zucca, realização da Zucca Produções e curadoria de Jorge Lz, DJ, radialista e pesquisador, o Festival Levada é um projeto patrocinado pela Oi, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, tendo apoio do Oi Futuro. Em sete anos consecutivos, o Levada apresentou mais de 100 artistas e atraiu um público de mais de 12 mil pessoas. Já passaram pelo festival nomes como Letrux, BaianaSystem, Metá Metá, Anelis Assumpção, Ava Rocha, Curumin, Vanguart, Boogarins, Kassin, Pietá, Carne Doce, Ian Ramil e Maria Beraldo.

Em setembro, é a vez do Levada + com gravações ao vivo gratuitas no estúdio do LabSonica, no Lab Oi Futuro. Patrocinado pela Oi, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo do Estado do Rio de Janeiro (Lei do ICMS-RJ) e da Lei Municipal de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro (Lei do ISS) e com o apoio do Oi Futuro, o festival tem direção geral de Júlio Zucca e curadoria de Jorge Lz, DJ, radialista e pesquisador.    

 

FESTIVAL LEVADA | PATROCÍNIO: Prefeitura do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura. Lei Municipal de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro – Lei do ISS e Oi | Apoio: Oi Futuro | REALIZAÇÃO: Zucca Produções

“Foro Íntimo” estreia em 26 de setembro

Depois de percorrer dezenas de festivais internacionais, nos quais angariou diversos prêmios como Melhor Filme Estrangeiro no London International Film Festival, FORO ÍNTIMO, primeiro longa-metragem do premiado diretor Ricardo Mehedff, chega aos cinemas brasileiros em 26 de setembro, com produção da VFilmes, coprodução da Hungry Man e distribuição da Embaúba Filmes.

A ideia do filme, segundo Mehedff que também assina o roteiro, surgiu a partir de uma matéria de jornal. “Em 2012 eu li uma matéria sobre um juiz federal do Mato Grosso do Sul, que foi forçado a viver dentro do fórum durante seis meses. Quando comecei a pesquisar, descobri que tinha um juiz em Porto Alegre que também havia sido ameaçado de morte e teve que dormir em seu local de trabalho, enquanto sua família havia sido realocada na Argentina, descobri também um outro caso desse em Manaus”. Para a construção da narrativa, o diretor conta que entrevistou um juiz aposentado que havia julgado um processo de tóxicos e entorpecentes, semelhante ao caso abordado no filme.

À época que o projeto começou a ser desenvolvido, ainda não haviam surgido as polêmicas em torno do sistema judiciário brasileiro. “Hoje, me espanta o quanto algumas cenas e situações se aproximam da realidade”, comenta Mehedff, que buscou fazer um filme aberto, retratando uma circunstância. “O filme traz a figura de um juiz, como um ser humano que faz coisas certas e erradas; algo que vem sendo, com toda razão, bastante questionado no Brasil. E levanta a questão da imparcialidade, ao mostrar um pouco da relação promíscua, antiética e corrupta que ocorre entre o juiz e o promotor do caso que está julgando”.

FORO ÍNTIMO foi filmado todo no Fórum Lafayette, no centro de Belo Horizonte, durante o recesso do judiciário. Esse foi um dos desafios enfrentados pelo diretor. “Só tivemos três semanas para rodar o filme inteiro, o que é muito pouco tempo para um longa-metragem. Mas isto, na verdade, acabou sendo muito bom, pois me forçou a encontrar soluções criativas e acabou por ajudar a construir esse outro ‘personagem’ do filme, que é o Fórum Lafayette”, explica.

Desde o início, a intenção de Mehedff era fazer um filme em preto e branco e quando entrou no fórum esse desejo se confirmou: “as cores do Fórum, seus corredores, varas e banheiros são todas naquele tom bege/cinza, típicos de repartição pública. Os elementos arquitetônicos do Fórum também atiçaram mais ainda o meu desejo pelo P&B”.

O longa acompanha a rotina do juiz Dr. Teixeira durante 24 horas nas dependências do fórum, que se tornou sua casa há meses, onde se alimenta, dorme e toma banho. Ameaçado de morte por criminosos sob seu julgamento, ele se encontra refém do sistema legal, vivendo constantemente vigiado e acompanhado por seguranças da polícia federal.

Gustavo Wernek, ator com ampla carreira no teatro, dá vida ao protagonista. A escolha se deu sem a realização de testes, como lembra o diretor: “eu já conhecia e admirava seu trabalho. Por acaso, ele estava em cartaz em Belo Horizonte com a peça Sarabanda, adaptação do filme do Berman, e assistindo à peça, eu soube que ele era o ator certo para o filme. Convidei, ele aceitou de pronto e mergulhou de cabeça no personagem. Frequentou comigo o Fórum Lafayette e chegou a passar alguns dias com um juiz, numa vara criminal, para sentir e entender o dia-a-dia”.

A pompa e imponência da arquitetura moderna do Fórum Lafayette, o personagem coadjuvante, é contraposta com a reconhecida divisória de repartição pública e as pilhas de processos nos corredores. O juiz, cada vez mais encurralado, parece estar na iminência de perder o controle de suas próprias emoções, quando a pressão do seu cotidiano atual coloca em xeque sua normalidade psicológica, criando ciclos que podem ter acontecido ou serem apenas imaginação de sua mente abalada.

Neste momento, em que o judiciário se tornou protagonista do noticiário brasileiro, o diretor comenta sua expectativa em relação a FORO ÍNTIMO: “Gostaria que o filme instigasse, para além de uma discussão política, uma reflexão sobre o sistema judiciário brasileiro e todas as suas contradições. Após frequentar diversos Fóruns de justiça e conversar com inúmeros magistrados, enxergo o sistema judiciário em um estado de adoecimento, por vezes incapaz de agir de forma clara e imparcial”.

SINOPSE 
Inspirado em eventos reais, ‘Foro Íntimo’ navega as turbulentas águas que escondem a sombria situação do Poder Judiciário no Brasil. O filme acompanha 24 horas na vida de um juiz acuado por criminosos e refém do sistema legal.

FICHA TÉCNICA 
Direção: Ricardo Mehedff
Produção executiva: Cristina Maure
Produtores associados: Afonso Nunes e José Baracho Junior
Roteiro: Guilherme Lessa e Ricardo Mehedff
Direção de fotografia: Dudu Miranda
Direção de arte: Priscila Amoni
Figurino: Julia Lynn Gordon
Montagem: Marília Moraes E Ricardo Mehedff
Desenho De Som e Mixagem: Alessandro Laroca e Daniel Virmond Lima
Trilha original: Alessandro Artur e Alexandre Andrés
Som direto: Gustavo Fioravante
Elenco: Gustavo Werneck, Jefferson Da Fonseca Coutinho, Bia França,
Leo Quintão, André Senna, Letícia Castilho, Alex Mehedff e Edu Costa
Produção: VFilmes e Hungry Man
Distribuição Brasil: Embaúba Filmes
País: Brasil
Ano: 2017
Duração: 74 min.

FESTIVAIS E PREMIAÇÕES 
41º International Film Festival of São Paulo – Brasil
20º London International Film Festival – Inglaterra – Prêmio Melhor Filme Estrangeiro
Paisagens 2018 – Festival Intenacional de Cinema de Sever do Vouga, Portugal – Prêmio Melhor Filme Longa-Metragem
21º Avanca Film Festival – Portugal – Prêmios Melhor Ator e Prêmio Especial do Júri
15º Boston International Film Festival – EUA
13º International Filmmaker Festival – Berlim, Alemanha
5º Urban International Film Festival – Teerã, Irã – Prêmio Melhor Cinematografia
Chandler International Film Festival – Arizona, EUA
CIFF – Creation International Film Festival – Ottawa, Canada – Prêmios Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Cinematografia
SANFICI – Santander Festival Int. de Cine Independiente – Colombia
Construir Cine International Film Festival – Buenos Aires, Argentina – Prêmio Melhores Filmes Estrangeiros
Aurora International Film Festival – Russia
Fingal Film Festival – Irlanda
Fic Autor – Festival Int. de Cine de Autor – Guadalajara, México
17º Sopot Film Festival – Polonia
Stockholm International Film Festival – Suécia
12º BlowUp International Arthouse Film Festival – Chicago, EUA
10º International Crime & Punishment Film Festival – Turquia
8º Jagran International Film Festival – India
10º Lumiere Film Festival
19º Hong Kong International PUFF Film Festival – Hong Kong
Meraki Film Festival – Espanha
San Mauro Film Festival – Italia
CPH Film Festival – Copenhagen, Dinamarca
15º Festival CineAmazônia
Cinecôa – 7º Festival Internacional de Cinema de Vila nova de Foz Côa, Portugal

SOBRE O DIRETOR 
Ricardo Mehedff é pós-graduado em cinema pela George Washington University.  Diretor de filmes consagrados como ‘Foro Íntimo’, ‘Capital Circulante’, ‘Um Branco Súbito’ e ‘Noite Aberta’, seus premiados filmes foram selecionados para mais de 100 festivais, incluindo alguns dos principais eventos de cinema no mundo como Roterdã, Oberhausen, Havana, Guadalajara, Rio, São Paulo, Gramado, Uppsala e Toulouse. Além disso, foram comercializados para TVs de diversos países como França, Itália, Espanha, Canada, Estados Unidos e Brasil. Ricardo também tem um renomado currículo como montador e trouxe inovações ao mercado de distribuição de filmes no Brasil criando e editando inúmeros trailers para o cinema nacional e Hollywood. ‘Foro Íntimo’, primeiro longa de Ricardo foi selecionado para mais de trinta festivais pelo mundo (em vinte países diferentes), levando diversos prêmios incluindo Melhor Filme Estrangeiro nos festivais de: Londres (London International Film Festival), Buenos Aires (Festival Internacional Construir Cine), Ottawa (Creation Int. Film Festival) e Portugal (Paisagens 2018 – Sever do Vouga Int. Film Festival).

SOBRE A DISTRIBUIDORA 
A Embaúba Filmes é uma nova distribuidora de cinema brasileiro, sediada em Belo Horizonte. A empresa atua com a distribuição de filmes autorais em todas as suas etapas, incluindo festivais de cinema, lançamentos no circuito comercial, negociações e vendas no Brasil e no exterior, além de um site próprio de VOD, para locação de seus títulos pela internet. A empresa é dirigida por Daniel Queiroz, que vem de uma experiência prévia de mais de 10 anos como programador de cinema, em salas (Cine Humberto Mauro e Cine 104) e festivais (Festival Internacional de Curtas de BH, Festival de Brasília, Semana de Cinema). A Embaúba possui em seu catálogo filmes como Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans; Inferninho, de Guto Parente e Pedro Diógenes; Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de João Salaviza e Renée Nader Messara; Inaudito, de Gregório Gananian; Eu Sou o Rio, de Anne Santos e
Gabraz; No Coração do Mundo, de Gabriel Martins e Maurílio Martins; e Os Sonâmbulos, de Tiago Mata Machado.