Os Tubarões de Copacabana – Eu fui!

“Os Tubarões de Copacabana” fez sua estreia no Odeon no último dia 18, e a temporada é curtíssima. Apenas 2 semanas ficarão em cartaz por lá. Sendo assim, a equipe reuniu mídia e amigos para o lançamento do longa. Afinal, a espera para a data foi de 5 anos, e a expectativa era grande. Vários percalços impediram que o filme fosse lançado antes. O período de 5 anos fez diferença inclusive na aparência de alguns atores. Muitos apareciam muito diferentes em cena que na vida real hoje em dia.

Falando em tempo, o enredo é sobre um grupo de amigos de longa data que costumava pegar onda nas praias de Copacabana. O tempo os afastou, mas uma tragédia os reuniu depois de algum tempo. Quando um dos integrantes do grupo, Neto, morreu, os outros companheiros foram ao enterro dele. O protagonista, Nando (Raul Gazolla), reencontra a viúva – vivida por Alcione Mazzeo -, que já foi sua namorada. Na ocasião também conhece Nicole (Rayanne Moraes), filha do casal, e se apaixona pela moça.

Este é o estopim dos conflitos, pois lógico que a mãe não aceita o relacionamento. A partir de então surgem cenas que lembram episódio de novela: traição, incesto… Isto falando apenas da trama central. O filme também tem vários personagens que fazem participações, mas pouca relevância têm na história. Os próprios demais amigos servem apenas para simbolizar a amizade do grupo, mas têm suas tramas paralelas.

É considerável o esforço da diretora, Rosario Royes, levar seu filme para as telonas. Mas texto, enredo e boa parte do elenco não colaboram para uma aposta de que o filme vá engrenar. Mas serve como um incentivo para que outras produções nacionais sejam realizadas, mas que não levem tanto tempo para entrarem em circuito.

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P.S.: Agradeço ao Alessandro Monteiro pelos convites

Arraiá do Naília – Eu Fui!

Quanto tempo não atualizamos nossa coluna, não? Bem, nosso retorno triunfal se deve a um evento não tão frequente no blog. Até porque não é no ano inteiro que temos arraiás. Último sábado (8) fomos ao Arraiá do Naília, que estava previsto para acontecer no dia 25 de julho, mas acabou tendo que ser adiado devido a fortes chuvas (coisa rara no Rio de Janeiro de uns tempos para cá).

O arraiá tem mais a cara do Rio de Janeiro, ou seja, menos roça e mais ambiente praiano. O Naília fica localizado na entrada da Barra da Tijuca, de frente para o espelho d’água da Lagoa de Marapendi. A melhor vista fica por conta da Pedra da Gávea. Como cheguei tarde, não pude desfrutar tanto da beleza natural, mas isto não significa que o local também não seja bonito à noite, pois a iluminação colorida se encarrega de embelezar o lugar do evento. Inclusive, mesmo não conhecendo o Naília, de longe pudemos identificar que estávamos próximos a nosso destino, devido à iluminação que chamava a atenção e nos indicava que estávamos no caminho certo (como vocês NÃO podem perceber pela foto, pois fazia tanto tempo que não fotografávamos eventos que a bateria da máquina estava descarregada. Ô, sofrência!).

Apesar da bela vista noturna do local, o fato de termos chegado à noite não foi exatamente uma vantagem. Como estou habituada aos eventos cariocas começarem mais tarde, embarquei nessa e pensei que fosse assim com o Naília. Provavelmente a festa bombou mais cedo, e tive menos oportunidade de curtir os shows, assim como a febre gastronômica atual, os food trucks. Mas cheguei bem na hora em que a banda Soul Brother se apresentava ao som de muito Pop, Rock, Reggae e Forró, com repertório que reunia clássicos de cada gênero.

Bem estruturado, com programação diversificada – tanto nas atrações musicais quanto nas gastronômicas – o Naília é uma boa opção de arraiá pela cidade. Para os que moram nas regiões próximas e para os dispostos a se deslocarem até a Ilha da Coroa. Mas, se querem aproveitar mais o que o evento oferece, vá mais cedo. Assim, vai desfrutar de um arraiá durante o dia, e fechar com um climinha de luau. Boa ideia, não?

P.S.: Agradeço à Mayara Marinho pelos convites.

“O confete da índia” – Eu Fui!

Foto: Divulgação

Alguns doutos ditosos acreditam que o homem não seja regido por condições inatas que descrevem e estabelecem seus comportamentos. Eles crêem em um processo de endoculturação, onde este mesmo homem é capaz de aprender, por meio do convívio com seus semelhantes todo um código de conduta que será usado pela vida. Estes alguns e também alguns outros propagam que, o que diferencia a espécie humana de outros animais é a capacidade de passagem do conhecimento e a elaboração de instrumentos que possam servir como extensão de seu corpo e, com isso, um ser que seria, no ponto de vista biológico, considerado frágil, domina o mundo e se torna senhor dele.

No espetáculo “O confete da índia”, o coreógrafo e performer André Masseno interpreta um ser antropomórfico antropófago, não no sentido de se alimentar da carne de um outro da mesma espécie, mas no sentido de destruir qualquer tipo de pensamento ou crença sobre o comportamento humano. Assim sendo, ele está pronto para aniquilar tudo o que se escreveu no primeiro parágrafo do texto. Ele exprime um ser de forma humana, desprovido desta programação (com acepção computacional mesmo) e, com isso, devora todo e qualquer forma de paradigma que possa ser entendido como ser humano em sociedade. Ele, em cena, está num estado superprimitivo ou superevoluído, onde nem mesmo as reações conhecidas como instintivas podem ser claramente observadas, pelo menos foi desta forma que os meus olhos contemplaram.

Meu texto é alegórico, sim. É exatamente o olhar do outro. É a forma de como presenciei a convincente performance de Masseno em cena. Para este olhar anterior, mesmo os primeiros hominídeos que engendraram as mais incipientes ferramentas, ele canibalizaria. Ele come o homem moderno, quase o descome e, após tudo: deita e rola. Ele choca o espectador acostumado com padrões e regras preestabelecidas mostrando-nos uma forma humana agindo como um ser que não conseguiria nomear. Contudo, após a apresentação de ontem eu posso dizer que tenho uma quase certeza: tudo o que eu ler ou o que me disserem será pequeno comparado ao que vi.


 

A apresentação de ontem foi única, na SEDE das Cias. Quem quiser assistir a André Masseno em “O confete da índia” poderá, no Galpão Gamboa, conforme abaixo:

SERVIÇO
Data: 06 e 07/09 (sábado e domingo)
Horário: Sábado, às 21; domingo, às 20h
Local: Galpão Gamboa – Teatro
Capacidade: 80 lugares
Endereço: Rua da Gamboa, 279 – Centro – RJ
Telefone: (21) 2516-5929
Ingressos: R$ 20 (inteira)/R$ 10 (meia)/R$ 5 (para moradores dos bairros da Zona Portuária, apresentando comprovante de residência)
Vendas de ingressos:
– No Galpão: Terça a quinta: das 14h às 19h (Nos dias de espetáculo a bilheteria funciona das 14h até a abertura da sala ou até esgotarem os ingressos)

Espetáculo “Retratos” – Eu fui!

O que vem à mente quando você pensa na palavra “retratos”? Momentos especiais com família, amigos, lugares visitados… São diversos universos retratados, bem como na peça que está em cartaz na Sede das Cias, que leva exatamente este nome. Vários personagens e emoções são representados no palco, por apenas uma pessoa.

A bailarina e atriz Carolina Cony é quem apresenta estes “Retratos” para o público. O espetáculo segue o gênero teatro-dança, movimento que ficou conhecido no século XX. Mas, honestamente, não vi tanta semelhança com o trabalho de Pina Bausch, ícone que popularizou o estilo, no início dos anos 1970. Mas a artista leva música, dramaticidade e elementos cinematográficos para o palco, buscando mexer com os sentidos e as emoções do espectador.

Apesar da referência do estilo teatro-dança ser Pina Bausch, a peça é inspirada em Cindy Sherman, artista norte-americana que cria personagens e se fotografa personificando-as e encenando-as. Seguindo o estilo, Carolina Cony interpreta várias situações. Há muito gestual e menos fala. O figurino é um item muito presente, pois é trocado a todo momento. Mesmo com as alterações constantes, o mesmo traje é utilizado em diversas e diferentes situações, sendo usado de várias formas. Inclusive, muitas vezes é o principal fator para indicar a mudança do personagem.

Voltando à questão dos sentimentos do espectador, a peça parece seguir a linha do Teatro da Crueldade, estilo que busca transmitir emoções priorizando a linguagem não verbal. A quebra de paradigmas está sempre presente durante a encenação. O público capta a mensagem reagindo vezes com estranheza, vezes achando graça. Apesar de eu não saber muito bem como me portar em espetáculos deste estilo (rs), também me rendi ao humor da artista. Pelo menos nos momentos em que fica nítido que a intenção é justamente esta. Até porque era impossível não se contagiar com os risos dos meus companheiros de plateia.

Portanto, para quem curte peças que rompem com a estrutura do teatro tradicional, “Retratos” é uma das opções em cartaz atualmente. Mas a curta temporada dura somente até dia 01 de agosto. Veja maiores detalhes abaixo:

 

FICHA TÉCNICA

Idealização e interpretação: Carolina Cony

Direção: Cristina Moura

Criação e Dramaturgia: Carolina Cony e Cristina Moura

 

Serviço:

Local: Sede das Cias

Endereço: Rua Manoel Carneiro, 12, Escadaria do Selarón – Lapa – RJ. Telefone: 2137-1271

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00(meia)

Capacidade: 60 pessoas

Apresentações: 30 e 31 de julho e 01 de agosto às 20h

Duração: 50 minutos

Classificação etária: 10 anos

*O cliente munido do cartão Petrobras ou o força de trabalho que apresentar o crachá na bilheteria receberá 50% de desconto na compra de dois ingressos.

 

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite.

 

“As férias do pequeno Nicolau” – Eu fui!

Enquanto o mundo inteiro está querendo ir a Paris, quando chega o verão, os moradores locais planejam sair de lá para aproveitar a estação pelas belas praias francesas. É o caso de Nicolau e sua família. Sempre no impasse se vão curtir a folga na montanha ou no mar, desta vez, por imposição do pai, a escolha foi a segunda opção. Só que deveriam levar também a sogra. E assim os quatro – o menino, mãe, pai e a avó – seguem rumo ao Hotel Beau-Rivage, no litoral.

O litoral francês é pano de fundo para as confusões que Nicolau e seus novos amigos aprontam. Dentre eles estão o fominha Frutueux – que come tudo o que vê pela frente -, o chorão Crispim – que chora por tudo o que vê pela frente – e a vraimente bizarre Isabel – uma espécie de Wednesday (da Família Addams) francesa, tanto no visual, quanto nas expressões faciais (ou a falta delas rs).

O filme se passa, possivelmente, nos anos 1950 ou 1960 e traz um pouco da inocência infantil da época. Talvez por isso seja tão simpático. Os atores mirins têm bom desempenho. O protagonista, vivido por Matheo Boisselier me lembrou nosso famoso Menino Maluquinho em muitos momentos. Não apenas pelas travessuras, como pela aparência física. Promete ser um filme que irá agradar a família inteira.

O ano letivo na Europa acaba em junho ou julho, época do verão no hemisfério. No Brasil, as aulas terminam em dezembro, quando começa essa estação por aqui. Portanto, a data da estreia nacional de”As Férias do Pequeno Nicolau” (Les vacances du petit Nicolas) é bem apropriada: 25 de dezembro, ou seja, tempo de Natal e férias escolares.

O filme é baseado no livro homônimo de René Goscinny. Este título é apenas um da série francesa, publicada entre o fim dos anos 1950 e início dos 1960. Os outros volumes que contam a vida de Nicolau são “O pequeno Nicolau” (quem também virou longa, em 2010), “Novas aventuras do pequeno Nicolau”, “O pequeno Nicolau e seus colegas” e “O pequeno Nicolau no recreio”.

“As férias do pequeno Nicolau” será apresentado amanhã, 25 de julho, na “Mostra Imovision 25 anos”, que acontece em São Paulo. O evento exibirá premières das apostas da empresa para o segundo semestre deste ano e conta com a presença de diretores e grande elenco internacional. Como exemplo disto, Matheo Boisselier estará presente na sessão.

Portanto, para quem é de ou está em São Paulo, vale conferir a Mostra Imovision 25 anos, que contará com a exibição de outros títulos também:

MOSTRA IMOVISION 25 ANOS

Programação completa

De 24 a 30 de Julho

Local: Reserva Cultural – Av. Paulista, 900

Ingressos: na bilheteria do reserva.

PASSAPORTES

Sessão Retrospectiva: 30,00 meia / 60,00 inteira

(válido para os 7 filmes da Retrospectiva da Mostra 25 anos)

Pré-estreias: 70,00 meia / 140,00 inteira

(válido para os 7 filmes em Pré-estreia da Mostra 25 anos)

INGRESSOS AVULSOS

Retro: R$ 8,00 / 16,00

Pre-estreias: R$ 14,00 / 28,00

 

PROGRAMAÇÃO FILMES EM PREMIÈRE

 

Fotos: https://www.dropbox.com/sh/cgd2e4g58blo2g0/AACd0n5qYEJ1wCf4bQ61nSaka

O SAMBA

Data: quinta-feira, 24/07.

Horário: 21h30.

Duração: 82 min.

Estreia prevista: a ser confirmada.

Talent(s) presente(s):

MARTINHO DA VILA: um dos maiores ícones do samba, o cantor tem a admiração dos brasileiros desde 1969, quando iniciou sua carreira.

GEORGES GACHOT: diretor francês apaixonado pelo Brasil, Gachot produziu “Música  e Perfume”, sobre Maria Bethânia e agora usa o samba como novo enredo.

 

AS FÉRIAS DO PEQUENO NICOLAU (Les Vacances Du petit Nicolau)

Data: sexta-feira, 25/07.

Horário: 15h30.

Duração: 97 min.

Estreia prevista: 25 de dezembro.

Talent(s) presente(s):

MATHEO BOISSELIER: o ator mirim vem ao Brasil para apresentar a sequencia deste grande sucesso infantil.

 

A PEDRA DE PACIÊNCIA (Syngué Sabour)

Data: sábado, 26/7.

Horário: 21h30.

Duração: 102 min.

Estreia prevista: 07 de agosto.

Talent(s) presente(s):

GOLSHIFTEH FARAHANI: a bela iraniana sempre arranca elogios do público e da crítica. Casada com o galã francês Louis Garrel, ela já contracenou com Leonardo.

BEM-VINDO A NOVA YORK (Welcome to New York)

Data: domingo, 27/7.

Horário: 21h30.

Duração: 125 min.

Estreia prevista: novembro 2014.

O CASAMENTO DE MAY (May in the Summer)

Data: segunda-feira, 28/7.

Duração: 99 min.

Estreia prevista: 31 de julho.

Talent(s) presente(s):

CHERIEN DABIS: a diretora, roteirista e produtora palestina-americana, Cherien foi nomeada pela revista Variety como um dos diretores mais importantes de 2009, seu primeiro longa metragem Amreeka fez sua estreia no Festival de Sundance.

HIAM ABBAS: a diretora e atriz palestina Hiam Abbas, ficou conhecida por suas atuações nos longas Paradise Now (2005), Free Zone (2005), Lemon Tree (2008) e Amreeka (2009).

 

PARAÍSO (Paraíso)

Data: terça-feira, 29/7.

Horário: 21h30.

Duração: 103 min.

Estreia prevista: 21 de agosto.

Talent(s) presente(s):

MARIANA CHENILLO: a diretora mexicana Mariana Chenillo ficou conhecida por seu longa Cinco Dias Sem Nora (2008), Revolución (2010) e a série Soy tu fan (2010).

DANIELA RINCÓN: a atriz faz sua estreia nas telonas no longa Paraíso, como a personagem Carmen.

GERONIMO

Data: quarta-feira, 30/7.

Horário: 21h30.

Duração: 107 min.

Estreia prevista: 14 de agosto.

Talent(s) presente(s): TONY GATLIF: o diretor, produtor e roteirista, Tony Gatlif já realizou mais de 20 filmes. Conhecido por O Estrangeiro Louco (1997), Amarga Vingança (2000) eExils (2004).

DELPHINE MANTOULET: a compositora Delphine e Gatlif são parceiros há anos, sendo que Delphine assinou as trilhas sonoras de Transylvania e Liberté, e agora do novo longa do diretor, Geronimo.

PROGRAMAÇÃO DA RETROSPECTIVA “Os preferidos da crítica brasileira”

 

AMOR À FLOR DA PELE

Data: quinta-feira, 24/07.

Horário: 19h.

Duração: 98 min.

CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS

Data: sexta-feira, 25/07.

Horário: 19h.

Duração: 99 min.

VINCERE

Data: sábado, 26/07.

Horário: 19h.

Duração: 128 min

AMOR

Data: domingo, 27/07.

Horário: 19h.

Duração: 127 min.

A FITA BRANCA

Data: segunda-feira, 28/07.

Horário: 19h.

Duração: 144 min.

DANÇANDO NO ESCURO

Data: terça-feira, 29/07.

Horário: 19h.

Duração: 141 min.

A SEPARAÇÃO

Data: quarta-feira, 30/07.

Horário: 19h.

Duração: 123 min.

P.S.: Agradeço à Cinnamon Comunicação pelos convites.

Crônica / Conto: “Cabaré Dulcina” – Eu fui!

O prefeito Pereira Passos foi mais uma personalidade a pintar no Cabaré - Foto: apetecer.com

O prefeito Pereira Passos foi mais uma personalidade a pintar no Cabaré – Foto: apetecer.com

20 de julho de 1910. Pego o jornal e vejo na manchete alguma coisa sobre uma inauguração de um novo cais na Gamboa.

O prefeito Serzedelo Correia dava continuidade ao trabalho começado pelo prefeito Pereira Passos e sua equipe de reforma, formada por profissionais renomados, como Francisco Bicalho, Paulo de Frontin e Lauro Müller (Lauro Müller, Charles Miller, acabei me lembrando de Lauro Sodré. Player do Botafogo Football Club, favorito ao título distrital neste ano).

Ideias revolucionárias queriam transformar o Rio de Janeiro numa espécie de Paris tropical. Abriram largas ruas. Principal delas, a Avenida Central. Tinham a estranha ideia de derrubar o Morro do Castelo para arejar o Centro da cidade. Muita coisa vinha sendo feita, na gestão de Sousa Aguiar, que sucedeu Pereira Passos: foram finalizadas as obras do Pavilhão São Luís (Palácio Monroe) – Ih! Não lembro se no governo dele ou no anterior – e Biblioteca Nacional. O estilo meio neoclássico, meio eclético (ouvi estas palavras num bond outro dia), invadia a capital da república, onde um ano antes fora inaugurado o Theatro Municipal.

Entretanto, nem só da ordem e do progresso, como apregoa a nossa bandeira, viviam os cidadãos comuns da cidade, camada a qual pertenço. Para tantas reformas, o lado mais fraco da corda teve que suar. Não digo suar apenas no batente. Digo suar correndo para o entorno das linhas dos trens porque não tínhamos mais onde cairmos vivos, como dizem por aí, já que fomos expulsos de nossos cortiços e cabeças-de-porco que habitávamos. Está certo que tinha muita gente. Por exemplo, no cortiço que me servia de abrigo, moravam mais cinco famílias. Mas era na área central e, apesar de dividir um espaço pequeno com tantas pessoas, ficava perto do trabalho. Está bem, eu conto o que faço, sou funcionário de uma fábrica de tecidos.

Ruy Barbosa e Oswaldo Cruz também abrilhantaram a noite no Cabaré. Personalidades importantes no início do século XX no clima da revista musical - Foto: apetecer.com

Ruy Barbosa e Osvaldo Cruz também abrilhantaram a noite no Cabaré. Personalidades importantes no início do século XX no clima da revista musical – Foto: apetecer.com

Voltando ao dia de ontem, o dia 20. Acordei meio tenso, estava precisando ouvir boa música e ver mulheres bonitas. As polacas da Zig Migdal faziam a festa da gente nos lupanares e cabarés espalhados pela região no entorno da praça Onze de Junho. Todavia, eu não tinha muita inclinação para as polacas, tampouco para as francesas. Meu caso era com Esperança. Brasileira nata, morava próximo ao morro do São Carlos, dançarina no Cabaré Dulcina. Tinha que ficar de olho nos malandros e capoeiras que defendiam Esperança. Dizem que um galego, funcionário de repartição e outro, um capoeira bom de música, não gostavam que ela tivesse muito envolvimento com seus clientes.

Chegando ao cabaré, apesar de não ser a primeira vez que aparecia por lá, sempre é uma experiência surpreendente. Fui logo sendo saudado “pelas mocinhas francesas, jovens polacas e um batalhão de mulatas”. Procurei Esperança e não a encontrei. “Me aboletei na mesa” e decidi curtir a orquestra que dava o tom à noite. Logo comecei a ser cercado pelas funcionárias do local que nada deixam faltar aos seus clientes, nem um bom papo.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

O marinheiro João Cândido Felisberto, também faz sua aparição - Foto: apetecer.com

O marinheiro João Cândido Felisberto, também faz sua aparição – Foto: apetecer.com

Para a minha maior surpresa, aquela noite o cabaré estava com uma frequência diferente. Comecei a ouvir uma voz recitando um poema com palavras que nem pareciam estar em ‘brasileiro’. Uma das meninas me informou que se tratava de Bilac, autor do hino da bandeira. Hino que, desde que frequentei as fileiras do quartel, não tinha mais ouvido. E, lembro bem que aquela letra tinha sido composta um ano antes que servi, se não me engano em 1906.

Após esta primeira surpresa, entrou um cidadão dizendo ser Pereira Passos, aquele prefeito citado no início do texto. Ele bradava como se num palanque estivesse. Será que poderia realmente ser o ex-prefeito? Ou então, o cidadão devia ter saudades do político que governou a capital até o último ano e resolveu se passar por ele. Acabou que o papo na mesa ficou meio tenso, com aquela conversa de desapropriação, construção de estacionamento, digo, avenida que cabem todos os automóveis da capital parados. Ou ele era visionário, ou realmente pensava: o pobre que se exploda.

Tudo bem, passou. E, apesar de ser um cabaré, o Dulcina era procurado por quem estava a fim de ouvir boa música e jogar conversa fora. E o clima logo melhorou com o axé de tia Ciata, que morava nas cercanias, e fomentava o encontro de músicos da região. Os entendidos diziam que desses encontros de músicos vinha sendo cunhado um novo ritmo, modernizado, para vir no lugar do maxixe. Era um tum em um tambor e um ta em outro, e assim por diante. Era o chamado samba.

Mesmo após a proibição por lei dos castigos físicos, um marinheiro foi condenado a 250 chibatadas no dia da eclosão da Revolta, em 23 de novembro de 1910 - Foto: apetecer.com

Mesmo após a proibição por lei dos castigos físicos, um marinheiro foi condenado a 250 chibatadas no dia da eclosão da Revolta da Chibata, em 23 de novembro de 1910 – Foto: apetecer.com

Papo vai, papo vem, e o clima ficou tenso novamente quando Ruy Barbosa e Osvaldo Cruz entraram pela porta do estabelecimento com o intuito de vacinar todo mundo. Este tipo de atitude já tinha dado o maior bafafá nos idos de 1904. Queriam também ver se na casa existiam alguns focos de um tal mosquito transmissor de doenças etc. É mole!? Depois daquela confusão da vacinação, o problema também era com os mosquitos? O referido senador e o cientista não sabiam mais se vacinavam, se matavam mosquito e, enquanto isso, o povão continuava vivendo à margem. Nas encostas e, no meu caso, no subúrbio.

Logo que eles se foram, o clima voltou a esquentar, para bem e para mal. Na verdade, para bem. A casa acabava de receber clientes ilustres. O famoso e mítico capoeira Prata Preta, que lutou na Revolta da Vacina, a do parágrafo anterior, entrara na casa. Após ele se apresentar e cumprimentar a todos, fez uma demonstração de sua arte e por todos foi ovacionado. Entrou também João Cândido Felisberto, que servia na Marinha de Guerra do Brasil. O sujeito andava indignado com os castigos físicos que os militares de baixa patente sofriam ainda nos porões das embarcações. Ele chegou a me contar que se a situação permanecesse desta forma, não tardaria para que ele, junto com alguns de seus colegas, fizesse algo para por um ponto final na barbaridade.

O mítico Horácio José da Silva, mais conhecido como Prata Preta, enfrentou o exército na Revolta da Vacina, em 1904. Foto: apetecer.com

O mítico Horácio José da Silva, mais conhecido como Prata Preta, enfrentou o exército na Revolta da Vacina, em 1904. Foto: apetecer.com

A música continuou muito animada. Danças e contradanças também. A noite de inverno carioca, noite seca, temperatura amena, tudo

A Revolta da Vacina, um projeto higienista, impeliu a população a se vacinar contra a varíola. Participação especial, flanando borrado no primeiro plano, ædes ægypt, que já era o indesejável na cidade transmitindo doenças - Foto: apetecer.com

A vacinação em massa impeliu a população a se vacinar contra a varíola. Participação especial, flanando borrado no primeiro plano, ædes ægypt, que já era o indesejável na cidade transmitindo doenças – Foto: apetecer.com

propício para todo aquele divertimento. Foi quando de repente, já depois de algumas doses de vinho, vi um vulto que achei ser Esperança. O vulto se aproximou pela minha direita. Eu estava inerte, nervoso, travado, coração disparado. Quando comecei a sentir sua respiração se aproximar ao meu ouvido, percebi que diria algo. “Beep, beep, beep, beep”, cadê a droga do celular?! Caramba, tenho que trabalhar, acho que perdi a hora. Peguei o celular e me deparei com 21 de julho de 2014. Era tudo um sonho e, nesta aventura onírica, e as lembranças que tive do sonho, pude perceber que apesar de 114 anos de distância, os problemas soam semelhantes.

Muitos dos nomes que apareceram no meu sonho viraram nomes de ruas, viadutos, elevados, hospitais… E as pessoas mal sabem quem foram. E outros, caso tenham recebido homenagens, desconheço-as. Parecem que querem apagar nossa memória.

E qual o porquê do sonho? No dia anterior, o 20, de 2014, fui ao Centro Cultural João Nogueira, no Méier, para assistir ao espetáculo do gênero revista musical “Cabaré Dulcina”. O espetáculo é idealizado por Antônio Pedro e dirigido por Vilma Melo e Édio Nunes. Pude ver atores interpretando estes personagens históricos, muitos deles esquecidos e que fazem parte da história da hoje cidade do Rio de Janeiro. Pude me deleitar com belas canções que também tinham como mote o período histórico do sonho, a Belle Époque brasileira, na República Velha. Excelente montagem, uma verdadeira aula de história da forma mais lúdica e divertida que me lembro de ter acompanhado. Por fim, mudando o que tem que ser mudado, os problemas urbanos da nossa maravilhosa cidade ainda nos incomodam no dia-a-dia. É, pessoal. Coisa de cidade grande.

Nota: Alguns personagens do conto são baseados em personagens do livro “Desde que o Samba é Samba”, de Paulo Lins.

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P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites.

LOCAL: IMPERATOR – CENTRO CULTURAL JOÃO NOGUEIRA
http://www.imperator.art.br
ENDEREÇO: Rua Dias da Cruz, 170 – Méier
DATA e HORÁRIO: 19 e 20/07, 26 e 27/07 (Sábados e domingos): 19h30 / 01 e 02/08 (Sexta e sábado): 19h30
INGRESSOS: Plateia sentada: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
CLASSIFICAÇÃO: 14 anos

Estreia da peça “Garotos” – Eu fui!

Estreia musical no Teatro das Artes, a peça “Garotos” vem, como já se pode esperar pelo título, tentando cativar o público adolescente para o teatro. A nova montagem começa este fim de semana, mas a primeira foi realizada em 2009. O texto foi escrito por Leandro Goulart quando ele tinha 16 anos, e contava detalhes de fatos que ele vivia na época, tão típicos desta fase. Recebemos o convite e aceitamos: fomos conferir a pré-estreia.

Gabriel Leone, Vitor Thiré, Julio Oliveira, Felipe Frazão e Rodolfo Abritta vivem os garotos a que o título se refere. Eles interpretam um texto que discorre a respeito de primeiras paixões, sexualidade, drogas etc. Enfim, nada surpreendente quando se trata de adolescência. O toque especial pode estar no fato de eles cantarem sucessos da MPB, Pop e Rock de bandas como Jota Quest (Sempre Assim), RPM (Olhar 43), Ultraje a Rigor (Nós vamos invadir sua praia), entre outros. Eles mesmos tocam os instrumentos. Um violão e um cajon, que serve mais como um elemento cenográfico que como um acompanhamento musical.

O intuito do texto é passar uma dinâmica e rapidez nos diálogos. Mas o resultado acaba sendo superficial e, por vezes, perdido. Provavelmente para acompanhar a ansiedade e o imediatismo que os adolescentes possuem nessa fase. A garotada que estava lá se divertia. Portanto, creio que a meta do autor tenha sido atingida. Mas não foi o que aconteceu comigo. Talvez devesse ter assistido a “Garotos” alguns anos atrás.

Por fim, se você tem de 14 (classificação mínima para a peça) a 19 anos, vá conferir a performance dos meninos em cena. Quem sabe até se identificar com suas histórias? Porque a titia aqui já passou da idade.

 

P.S.: Agradeço à Minas Ideias pelos convites.

 

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FICHA TÉCNICA:
Garotos
Texto: Leandro Goulart
Direção: Afra Gomes e Leandro Goulart
Elenco: Vitor Thiré, Gabriel Leone, Julio Oliveira, Rodolfo Abritta e Felipe Frazão

SERVIÇO:
Temporada: Até 27 de julho
Local: Teatro das Artes
Endereço: Shopping da Gávea – Loja 264, 2º Piso – Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea
Horários: 21h de quinta a sábado, e 20h30 aos domingos.
Ingressos: R$ 70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia)
Duração: 80 minutos

Classificação: 14 anos

“A onda da vida” – Eu fui!

Cinematograficamente falando, os adolescentes não têm do que reclamar. Muitos filmes que estão estreando ultimamente são voltados para eles. É o caso de “A onda da vida – Uma história de amor e surf”, fruto de José Augusto Muleta. Experiente em filmes comerciais e videoclipes, faz agora sua estreia como diretor de longas metragens.

O filme conta a história de três amigos que saem de carro do Rio de Janeiro com destino ao litoral da Bahia em busca da onda perfeita. No caminho, o carro quebra e eles têm que interromper a viagem. Param na Vila de Regência, no Espírito Santo, um paraíso desconhecido com ondas perfeitas.

Segundo o produtor executivo Rik Nogueira, a história não é real, mas poderia ser. “A gente brincou com personagens reais, mas é uma ficção. Mas você vendo o filme fica acreditando mesmo que existe essa história. Que vai chegar lá em Regência e vai encontrar mesmo o Thiago e a Thalena”, diz.  Esta personagem é a mocinha do filme, também se chama Thalena e é moradora de Vila de Regência.

O público do filme é bem específico. Adolescente, surfista. Como não me identifico com nenhuma das duas categorias, tive dificuldade em me envolver com a história. O enredo também tenta passar mensagens no sentido good vibe. Os três amigos encontram a Vila de Regência por acaso e, mesmo estando sem dinheiro e sem conhecerem ninguém por lá inicialmente, são acolhidos pelos moradores locais. O que os leva a perceber que não precisam de muito para serem felizes.

Outra referência a essa simplicidade está o orçamento curto do filme, R$ 65.000,00. O elenco também é composto boa parte pelos moradores de Vila de Regência, cujo preparo foi feito pelo próprio diretor. Em troca, ele mostra um pouco da cultura deles na telona, como a banda do congo, tradição da região.

Aos interessados em “embarcar nessa onda”, o filme será exibido no Cinépolis São Gonçalo. Aqui no Rio de Janeiro, pois também haverá apresentação em outras cidades, como São Paulo, Vitória e Santos.


Trailer:

“Comédia Futebol Clube” – Eu fui!

Paixão dos brasileiros, o futebol foi o tema do Ciclo de Leituras Dramatizadas neste mês de junho, no Sesc Casa da Gávea.

O tema é bem atual e apropriado para a fase em que estamos vivendo, mas o evento acontece já há 22 anos, sempre às segundas-feiras. Estivemos lá ontem para conferir o último da série “Futebol e teatro, o jogo”, que contou com a presença do grupo paulistano de teatro Maria Bonita. Os quatro atores apresentaram “Comédia Futebol Clube”, escrito por Carla Araújo, que também integra o elenco.

Foto: Apetecer.com

Foto: apetecer.com

Composto pelos atores Carla Araújo, Diego Rodda, Juliano Dip e Natália Albuk, o grupo Maria Bonita mostra muita cumplicidade em cena. A espontaneidade deles chama a atenção, pois brincam uns com os outros – inclusive zombando das características físicas dos colegas – todo o tempo. Parecem quatro amigos em uma mesa de bar discutindo futebol. Eles se revezam nas leituras e interpretam vários personagens. Leem os textos e simulam as situações, os cenários e, assim, brincam de “faz de conta” com a plateia.

Depois da leitura, eles ficaram para bater um papo com o público, e continuaram divertindo. A autora, Carla Araújo, aproveitou também para explicar a concepção do texto. “Comecei em 2010 a trabalhar como atriz na companhia Maria Bonita, mas queria fazer uma coisa minha. Daí, o Brasil foi escolhido para ser a sede da Copa do Mundo e comecei a procurar algumas referências. Passei a escrever a partir de coisas que eu tinha vivido. E comecei a enviar para algumas pessoas pois, como não sou especialista no assunto, não quis escrever nenhuma besteira. E eles falaram, ‘Nossa, que legal!’. Criei coragem, mandei o texto para o Anselmo (Vasconcellos, diretor), ele adorou e pensei, ‘pronto: agora está perfeito!’”.

Anselmo Vasconcellos, diretor de "Comédia Futebol Clube"

Anselmo Vasconcellos, diretor de “Comédia Futebol Clube”

Coordenando o projeto há 2 dos 22 anos de existência do Ciclo de Leituras do Sesc, a atriz e diretora teatral Márcia do Valle celebra o evento. “É um encontro para apreciadores de teatro, principalmente. Agora é bacana porque esse público está se renovando. Com a divulgação, os mais jovens também estão vindo”, diz.

Márcia do Valle, coordenadora do projeto

Márcia do Valle, coordenadora do projeto

Márcia do Valle também falou a respeito da particularidade de um ciclo de leituras. “É muito bacana, não só para o público, como para quem faz. Porque é completamente diferente você estar em cena com uma peça montada e você ler um texto de teatro. Parece uma coisa simples, mas não é. Não são todos que fazem uma boa leitura. E aí essa empatia entre os atores, embora seja leitura, esse jogo no palco que ganha a plateia. Além de trabalhar nossa imaginação”, acrescenta.

Importante frisar que os Ciclos de Leituras, assim como o Sarau são gratuitos.

O Sesc Casa da Gávea fica na Praça Santos Dumont, 116, na Gávea.


 

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Musical “Crazy for you” – Eu fui!

Fred Astaire, Gene Kelly… Muitos nomes internacionais nos vêm em mente quando pensamos em sapateado. Mas para o deleite dos apreciadores desta dança, esteve em cartaz aqui no Rio de Janeiro “Crazy for you”, o primeiro musical da Broadway montado no Brasil, no estilo.

A protagonista Polly Baker é vivida pela atriz Cláudia Raia, experiente neste tipo de espetáculo. A ideia de produzi-lo por aqui surgiu em 1992, quando assistiu à montagem original na Broadway. A escolha de Jarbas Homem de Mello para viver o mocinho, Bobby Child, surgiu assim que a atriz tomou conhecimento de seus dotes para cantar e dançar.  Algo inimaginável para Cláudia na época em que se encantou pelo musical.

Quem assistiu à performance de Jarbas em “Cabaret” pôde conferir a versatilidade do ator em cena. Neste musical, que Cláudia Raia também protagonizou, ele viveu MC, e rouba a cena. Em “Crazy for you”, ele repete o excelente desempenho, mas vivendo um personagem mais comum, um galã. Mesmo assim, o artista tem grandes momentos de interpretação, além de grande desenvoltura na dança.

Jarbas Homem de Mello e Cláudia Raia fazem uma boa parceria. Já havia pesquisado algumas cenas da montagem brasileira na internet, mas achei os movimentos de dança mais bem acabados no ao vivo. A atriz também mostra que está afiada com o canto. Infelizmente, não senti o mesmo envolvimento em relação ao enredo da peça. Não emociona e isto acaba fazendo da estrutura e os movimentos coreográficos o principal atrativo. Entretanto, é sempre bom ver nosso país crescendo nesse ramo dos musicais e mostrando bons resultados, tanto nos palcos, quanto de público.

Calada noite Black Rio – Eu fui!

No último sábado, 14 de junho, a Maria Fumaça da Black Rio fez uma parada no Imperator para apresentar seu som. Com um repertório que mistura jazz, funk, samba e outros estilos, o grupo – que existe desde os anos 1970 – está constantemente se reinventando. O repertório conta com canções cantadas e instrumentais, autorais e covers. Enfim, todos os componentes para animar uma noite tipicamente carioca. Afinal, a banda leva o Rio até em seu nome.

Vocalista Marquinho OSócio Foto: apetecer.com

Vocalista Marquinho OSócio Foto: apetecer.com

“Estou há 8 anos na Black Rio, e muito feliz. O grupo me ensinou muita coisa. Costumo dizer que foi minha escola e minha faculdade. Pena que não tenha o reconhecimento que mereça no país. Muitos artistas de fora se dizem influenciados pela Black Rio”, conta Marquinho OSócio, vocalista da banda.

A tradicional Black Rio tem bastante experiência em comandar a noite. Não se sabe, por vezes, se quem se diverte mais é o público ou os integrantes. Eles cantam, dançam, conversam com os espectadores, muitos deles amigos da banda. Tudo isso em incansáveis duas horas de show.

E é ele quem faz as vezes de mestre de cerimônias. Com seu estilo soul, Marquinho brinca com as notas, tanto nas canções autorais da Black Rio, quanto nos covers. Esses foram compostos por grandes clássicos como “Mas que nada” (Jorge Benjor), “Que pena” (Jorge Benjor), “Bom senso” (Tim Maia), “Sossego” (Tim Maia), entre outros. Mas o ponto alto foi com uma música da própria banda, “Maria fumaça” (Oberdan Magalhães e Luiz Carlos Batera). Segundo William Magalhães – filho de Oberdan Magalhães, um dos fundadores da Black Rio – é o hino da banda, tema da novela “Locomotivas”, de 1977.

Marquinho e William Magalhães, ou os Reis do Passinho Foto: apetecer.com

Marquinho e William Magalhães, ou os Reis do Passinho
Foto: apetecer.com

A Black Rio se apresentou este fim de semana no Imperator. Agora, darão um tempo, por causa da Copa do Mundo. Mas parece que vêm novidades em breve por aí. E, pelo que foi apresentado no show, parece que a Maria Fumaça ainda tem muito trajeto a percorrer.

Número 3 no nosso Top 5 de melhores shows de 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/21/top-5-eu-fui-shows/

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P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites.

“Judas em Sábado de Aleluia” – Eu Fui!

Noite de sexta-feira 13, fomos nós, o team do palcoteatrocinema.com.br, a uma viagem pelo tempo. Pegamos um trem sentido Marechal Hermes e, quando desembarcamos, percebemos algo diferente no ar. Perguntei a um circunstante onde estávamos e que dia era aquele. Fiquei estarrecido com a resposta. Não era mais 2014 e tampouco sexta 13. E também não era Marechal Hermes. Estávamos diante do Teatro São Pedro onde, em poucos minutos, se iniciaria a última apresentação da noite. Chegamos atrasados, afinal não pertencíamos àquele tempo.  O ano era 1844, quase quatro anos após o ‘Golpe da Maioridade’ que coroou Pedro II, Imperador do Brasil, tempo de incertezas… Como disse, estava atrasado para a encenação. O grupo teatral interpretaria uma comédia de Martins Pena, autor que sempre quis assistir. E uma iniciativa da Companhia Brasileira de Interpretação me possibilitou. Estava em cartaz a peça “Judas em Sábado de Aleluia”.

Trata-se de uma comédia de costume do dramaturgo Martins Pena, escrita em 1844. Patrono da Cadeira n° 29 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Artur Azevedo. Completou o curso do comércio em 1835, mas acabou cedendo à vocação e a frequentar a Academia de Belas Artes. Lá, estudou arquitetura, estatuária, desenho e música. Também estudava línguas, história, literatura e teatro. Certo. Permita-me continuar a viagem temporal ou atemporal que estava vivenciando. Ao adentrar a sala, olhei para o palco, o ano realmente era 1844. Olhei para a plateia e percebi pelas indumentárias que não era 1844, e sim 2014. Eu mesmo portava um aparelho capaz de fixar imagens, uma forma mais avançada de daguerreótipo, uma câmera digital. Nesta viagem no espaço e no tempo, minha confusão começou a se dissipar quando percebi que o palco era um portal para o século XIX. A Companhia nos fazia voltar no tempo, nos trazendo de volta um vocabulário e alguns costumes que mencionarei nos próximos parágrafos.

A encenação atual obedece ao texto original, com o palavreado utilizado na época. Inclusive, a peça retrata uma tradição quase esquecida hoje em dia, o da malhação do Judas, aos Sábados de Aleluia. Mas, mesmo se tratando de algo incomum para os dias atuais, não se pode dizer tal coisa de outros temas do enredo. Mentiras, corrupções, tramoias, jeitinho brasileiro (que não sei se é tão brasileiro assim) são hábitos aos quais estamos acostumados a lidar, tudo interpretado da maneira histriônica que consta a forma a qual o teatro de costume brasileiro realizava, desde a época de João Caetano.

O espetáculo – curtinho, apenas 60 minutos – levou aos palcos 5 atores com a difícil tarefa de interpretar com naturalidade um texto com um vocabulário um pouco diferente do que utilizamos hoje. Mas cumpriram bem o papel. Tanto na interpretação, quanto na tarefa de levar maior acesso ao patrimônio histórico-cultural com um texto do precursor da dramaturgia nacional. É um resgate e uma forma de manifestação de brasilidade ímpar, algo que o país, meio perdido e claudicante, anda carente.

Findando a encenação, fomos a rua tomar um coche que fizesse o caminho sentido São Cristóvão da Estrada Real de Santa Cruz. Demoramos um pouco para conseguir um transporte, o serviço não é muito usual num horário tão avançado. Por fim, passou uma carruagem. O cocheiro, já que passava das 21h (faltava 1/4 para as 10) cobrava bandeira dois. A corrida foi tranquila, assim como a noite de outono na capital do Império. E a bandeira dois fez-me desprender alguns mil réis a mais.

 

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P.S.: Agradeço à Cláudia Bueno e ao Rodolfo Serzedello pelos convites.


Framboesa açucarada: “Amor Sem Fim” – Eu fui!

Todos os anos, no Dia dos Namorados, filmes românticos estreiam para celebrar a data. Agora, em 2014, é a vez de “Amor Sem Fim”, remake do filme homônimo do diretor Franco Zeffirelli, de 1981. O clássico levou às telas Martin Hewitt e Brooke Shields (lindinha, aos 15 anos) como o casal protagonista. Nesta versão, Gabriella Wilde e Alex Pettyfer vivem os personagens Jade e David. A história também é baseada no livro de Scott Spencer, com o mesmo nome.

Falando da sinopse, “‘Amor sem Fim’ conta a história de Jade Butterfield e David Elliot, uma menina privilegiada e um menino carismático que, contra a vontade dos pais, vivem um intenso caso de amor. Embora separados por fronteiras de classe, a força que os une é inegável e inevitável”. Agora vamos aos meus pareceres.

Logo ao começar, deparo-me com aquela clássica cena de início de romance: a menina vai pegar algo que caiu no chão, o menino tem a mesma ideia, e os dois acabam se tocando, se olhando, e se apaixonando. A partir daí, já pude ter uma ideia do que viria. E não me surpreendi. O filme é uma sucessão de clichês. O menino pobre que se apaixona pela menina rica, o pai que não aprova e faz tudo para separá-los e, mesmo assim, o casal luta para ficar juntos.

Como ainda não havia assistido ao filme que deu origem ao remake, procurei o primeiro para tentar compará-los. Até então, pensava que, se o de 2014 era super manjado, imagine o de 1981? Só que desta vez me surpreendi. A primeira versão conta histórias de conflitos familiares muito mais intensos e, além dos nomes dos personagens, apenas algumas cenas têm a ver com o filme que estreia esta semana, só que sob circunstâncias diferentes. E ainda tem uma dose a mais de romance com a canção “Endless love”, de Lionel Richie, fato que não se repete no novo filme.

Pamela Abdy, uma das produtoras, explica a nova versão. “Quando Scott (Stuber, outro produtor) e eu conversamos sobre transformar ‘Amor sem Fim’ em um filme, pensamos que seria uma boa ideia convidar Josh Schwartz e Stephanie Savage, que são o rei e a rainha do gênero adolescente. Eles criaram um portfólio maravilhoso, inteligente, que fala para essa geração: “The OC”, “Gossip Girl” e “The Carrie Diaries”. A partir daí, o processo de desenvolvimento começou e nós trabalhamos para fazer o melhor, a versão mais contemporânea de uma história adolescente de primeiro amor”. Não entendo quase nada de séries americanas (rs). Então, não posso fazer a comparação por este aspecto. Mas parece que o resultado de atingir o público adolescente será alcançado.

Em suma, a nova versão é muita mais leve, haja vista que a antiga é bem densa. Traçando um paralelo objetivo entre os dois, se prefere um enredo profundo de conflitos, assista ao primeiro. Agora, se quer levar o namorado(a) para ver um filme de amor, escolha o segundo. Ou assista aos dois e faça você mesmo sua comparação.

 

FICHA TÉCNICA:
Título em Português: Amor sem Fim
Título Original: Endless Love
Gênero: Romance
País: EUA
Duração: 104 minutos
Ano: 2014
Direção: Shana Feste
Escrito por: Shana Feste e Joshua Safran
Produção: Scott Stuber, Pamela Abdy, Josh Schwartz, Stephanie Savage
Elenco: Alex Pettyfer, Gabriella Wilde, Bruce Greenwood, Joely Richardson, Robert Patrick
Data de Lançamento: 12 de junho
TRAILER:

 

Em cartaz em:

– Cinepolis Lagoon sl. 3
– UCI Kinoplex Norte Shop. sl. 10
– UCI New York City Center sl. 9
– Cinemark Downtown sl. 1
– Cinemark Village Mall sl. 4
– Cinesystem Recreio Shopping sl. 2
– Cinesystem Via Brasil sl. 2

 

P.S.: Agradeço à RPM Comunicação pelo convite.