Brinquedo Assassino 3 – Eu Fui!

“Brinquedo Assassino” marcou época e gerações entre os anos 1980 / 1990. Chucky está de volta para deixar sua marca registrada nos tempos atuais também. Mais high-tech e sanguinário que nunca, o novo boneco não é mais apenas um simples brinquedo. É multifuncional, caprichado nas tarefas e nas tecnologias. Quer dizer, matar inocentes não é mais a única atividade de Chucky =O

O filme foi lançado pela primeira vez em 1989 e então se tornou um clássico. A trama do serial killer que possuiu um boneco fazendo o brinquedo se tornar um assassino voraz foi um sucesso e ganhou posteriormente mais duas versões. A que estreará em 22 de agosto é a quarta e traz Chucky e suas particularidades. A vítima da vez é Andy (Gabriel Bateman), que ganha de sua mãe o presente de aniversário. O boneco logo se apega ao garoto e mostra toda sua “personalidade” obsessiva e possessiva, passando a eliminar todos os que o desagradam.

Falando sobre a parte positiva do longa, o desempenho de Gabriel, de 14 anos, é bem competente. “Brinquedo Assassino” estreia sua nova versão em uma época em que estamos vivendo um momento de saudosismo em relação aos anos 1990, o que pode influir positivamente em sua bilheteria. Para os amantes dos filmes de terror é imperdível e renderá boas risadas com as partes sangrentas e, consequentemente, toscas, que não podem faltar nos longas desse estilo.

P.S: Agradeço à Imagem Filmes pelo convite!

 

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Os Tubarões de Copacabana – Eu fui!

“Os Tubarões de Copacabana” fez sua estreia no Odeon no último dia 18, e a temporada é curtíssima. Apenas 2 semanas ficarão em cartaz por lá. Sendo assim, a equipe reuniu mídia e amigos para o lançamento do longa. Afinal, a espera para a data foi de 5 anos, e a expectativa era grande. Vários percalços impediram que o filme fosse lançado antes. O período de 5 anos fez diferença inclusive na aparência de alguns atores. Muitos apareciam muito diferentes em cena que na vida real hoje em dia.

Falando em tempo, o enredo é sobre um grupo de amigos de longa data que costumava pegar onda nas praias de Copacabana. O tempo os afastou, mas uma tragédia os reuniu depois de algum tempo. Quando um dos integrantes do grupo, Neto, morreu, os outros companheiros foram ao enterro dele. O protagonista, Nando (Raul Gazolla), reencontra a viúva – vivida por Alcione Mazzeo -, que já foi sua namorada. Na ocasião também conhece Nicole (Rayanne Moraes), filha do casal, e se apaixona pela moça.

Este é o estopim dos conflitos, pois lógico que a mãe não aceita o relacionamento. A partir de então surgem cenas que lembram episódio de novela: traição, incesto… Isto falando apenas da trama central. O filme também tem vários personagens que fazem participações, mas pouca relevância têm na história. Os próprios demais amigos servem apenas para simbolizar a amizade do grupo, mas têm suas tramas paralelas.

É considerável o esforço da diretora, Rosario Royes, levar seu filme para as telonas. Mas texto, enredo e boa parte do elenco não colaboram para uma aposta de que o filme vá engrenar. Mas serve como um incentivo para que outras produções nacionais sejam realizadas, mas que não levem tanto tempo para entrarem em circuito.

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P.S.: Agradeço ao Alessandro Monteiro pelos convites

Arraiá do Naília – Eu Fui!

Quanto tempo não atualizamos nossa coluna, não? Bem, nosso retorno triunfal se deve a um evento não tão frequente no blog. Até porque não é no ano inteiro que temos arraiás. Último sábado (8) fomos ao Arraiá do Naília, que estava previsto para acontecer no dia 25 de julho, mas acabou tendo que ser adiado devido a fortes chuvas (coisa rara no Rio de Janeiro de uns tempos para cá).

O arraiá tem mais a cara do Rio de Janeiro, ou seja, menos roça e mais ambiente praiano. O Naília fica localizado na entrada da Barra da Tijuca, de frente para o espelho d’água da Lagoa de Marapendi. A melhor vista fica por conta da Pedra da Gávea. Como cheguei tarde, não pude desfrutar tanto da beleza natural, mas isto não significa que o local também não seja bonito à noite, pois a iluminação colorida se encarrega de embelezar o lugar do evento. Inclusive, mesmo não conhecendo o Naília, de longe pudemos identificar que estávamos próximos a nosso destino, devido à iluminação que chamava a atenção e nos indicava que estávamos no caminho certo (como vocês NÃO podem perceber pela foto, pois fazia tanto tempo que não fotografávamos eventos que a bateria da máquina estava descarregada. Ô, sofrência!).

Apesar da bela vista noturna do local, o fato de termos chegado à noite não foi exatamente uma vantagem. Como estou habituada aos eventos cariocas começarem mais tarde, embarquei nessa e pensei que fosse assim com o Naília. Provavelmente a festa bombou mais cedo, e tive menos oportunidade de curtir os shows, assim como a febre gastronômica atual, os food trucks. Mas cheguei bem na hora em que a banda Soul Brother se apresentava ao som de muito Pop, Rock, Reggae e Forró, com repertório que reunia clássicos de cada gênero.

Bem estruturado, com programação diversificada – tanto nas atrações musicais quanto nas gastronômicas – o Naília é uma boa opção de arraiá pela cidade. Para os que moram nas regiões próximas e para os dispostos a se deslocarem até a Ilha da Coroa. Mas, se querem aproveitar mais o que o evento oferece, vá mais cedo. Assim, vai desfrutar de um arraiá durante o dia, e fechar com um climinha de luau. Boa ideia, não?

P.S.: Agradeço à Mayara Marinho pelos convites.

“O confete da índia” – Eu Fui!

Foto: Divulgação

Alguns doutos ditosos acreditam que o homem não seja regido por condições inatas que descrevem e estabelecem seus comportamentos. Eles crêem em um processo de endoculturação, onde este mesmo homem é capaz de aprender, por meio do convívio com seus semelhantes todo um código de conduta que será usado pela vida. Estes alguns e também alguns outros propagam que, o que diferencia a espécie humana de outros animais é a capacidade de passagem do conhecimento e a elaboração de instrumentos que possam servir como extensão de seu corpo e, com isso, um ser que seria, no ponto de vista biológico, considerado frágil, domina o mundo e se torna senhor dele.

No espetáculo “O confete da índia”, o coreógrafo e performer André Masseno interpreta um ser antropomórfico antropófago, não no sentido de se alimentar da carne de um outro da mesma espécie, mas no sentido de destruir qualquer tipo de pensamento ou crença sobre o comportamento humano. Assim sendo, ele está pronto para aniquilar tudo o que se escreveu no primeiro parágrafo do texto. Ele exprime um ser de forma humana, desprovido desta programação (com acepção computacional mesmo) e, com isso, devora todo e qualquer forma de paradigma que possa ser entendido como ser humano em sociedade. Ele, em cena, está num estado superprimitivo ou superevoluído, onde nem mesmo as reações conhecidas como instintivas podem ser claramente observadas, pelo menos foi desta forma que os meus olhos contemplaram.

Meu texto é alegórico, sim. É exatamente o olhar do outro. É a forma de como presenciei a convincente performance de Masseno em cena. Para este olhar anterior, mesmo os primeiros hominídeos que engendraram as mais incipientes ferramentas, ele canibalizaria. Ele come o homem moderno, quase o descome e, após tudo: deita e rola. Ele choca o espectador acostumado com padrões e regras preestabelecidas mostrando-nos uma forma humana agindo como um ser que não conseguiria nomear. Contudo, após a apresentação de ontem eu posso dizer que tenho uma quase certeza: tudo o que eu ler ou o que me disserem será pequeno comparado ao que vi.


 

A apresentação de ontem foi única, na SEDE das Cias. Quem quiser assistir a André Masseno em “O confete da índia” poderá, no Galpão Gamboa, conforme abaixo:

SERVIÇO
Data: 06 e 07/09 (sábado e domingo)
Horário: Sábado, às 21; domingo, às 20h
Local: Galpão Gamboa – Teatro
Capacidade: 80 lugares
Endereço: Rua da Gamboa, 279 – Centro – RJ
Telefone: (21) 2516-5929
Ingressos: R$ 20 (inteira)/R$ 10 (meia)/R$ 5 (para moradores dos bairros da Zona Portuária, apresentando comprovante de residência)
Vendas de ingressos:
– No Galpão: Terça a quinta: das 14h às 19h (Nos dias de espetáculo a bilheteria funciona das 14h até a abertura da sala ou até esgotarem os ingressos)

Espetáculo “Retratos” – Eu fui!

O que vem à mente quando você pensa na palavra “retratos”? Momentos especiais com família, amigos, lugares visitados… São diversos universos retratados, bem como na peça que está em cartaz na Sede das Cias, que leva exatamente este nome. Vários personagens e emoções são representados no palco, por apenas uma pessoa.

A bailarina e atriz Carolina Cony é quem apresenta estes “Retratos” para o público. O espetáculo segue o gênero teatro-dança, movimento que ficou conhecido no século XX. Mas, honestamente, não vi tanta semelhança com o trabalho de Pina Bausch, ícone que popularizou o estilo, no início dos anos 1970. Mas a artista leva música, dramaticidade e elementos cinematográficos para o palco, buscando mexer com os sentidos e as emoções do espectador.

Apesar da referência do estilo teatro-dança ser Pina Bausch, a peça é inspirada em Cindy Sherman, artista norte-americana que cria personagens e se fotografa personificando-as e encenando-as. Seguindo o estilo, Carolina Cony interpreta várias situações. Há muito gestual e menos fala. O figurino é um item muito presente, pois é trocado a todo momento. Mesmo com as alterações constantes, o mesmo traje é utilizado em diversas e diferentes situações, sendo usado de várias formas. Inclusive, muitas vezes é o principal fator para indicar a mudança do personagem.

Voltando à questão dos sentimentos do espectador, a peça parece seguir a linha do Teatro da Crueldade, estilo que busca transmitir emoções priorizando a linguagem não verbal. A quebra de paradigmas está sempre presente durante a encenação. O público capta a mensagem reagindo vezes com estranheza, vezes achando graça. Apesar de eu não saber muito bem como me portar em espetáculos deste estilo (rs), também me rendi ao humor da artista. Pelo menos nos momentos em que fica nítido que a intenção é justamente esta. Até porque era impossível não se contagiar com os risos dos meus companheiros de plateia.

Portanto, para quem curte peças que rompem com a estrutura do teatro tradicional, “Retratos” é uma das opções em cartaz atualmente. Mas a curta temporada dura somente até dia 01 de agosto. Veja maiores detalhes abaixo:

 

FICHA TÉCNICA

Idealização e interpretação: Carolina Cony

Direção: Cristina Moura

Criação e Dramaturgia: Carolina Cony e Cristina Moura

 

Serviço:

Local: Sede das Cias

Endereço: Rua Manoel Carneiro, 12, Escadaria do Selarón – Lapa – RJ. Telefone: 2137-1271

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00(meia)

Capacidade: 60 pessoas

Apresentações: 30 e 31 de julho e 01 de agosto às 20h

Duração: 50 minutos

Classificação etária: 10 anos

*O cliente munido do cartão Petrobras ou o força de trabalho que apresentar o crachá na bilheteria receberá 50% de desconto na compra de dois ingressos.

 

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite.

 

“As férias do pequeno Nicolau” – Eu fui!

Enquanto o mundo inteiro está querendo ir a Paris, quando chega o verão, os moradores locais planejam sair de lá para aproveitar a estação pelas belas praias francesas. É o caso de Nicolau e sua família. Sempre no impasse se vão curtir a folga na montanha ou no mar, desta vez, por imposição do pai, a escolha foi a segunda opção. Só que deveriam levar também a sogra. E assim os quatro – o menino, mãe, pai e a avó – seguem rumo ao Hotel Beau-Rivage, no litoral.

O litoral francês é pano de fundo para as confusões que Nicolau e seus novos amigos aprontam. Dentre eles estão o fominha Frutueux – que come tudo o que vê pela frente -, o chorão Crispim – que chora por tudo o que vê pela frente – e a vraimente bizarre Isabel – uma espécie de Wednesday (da Família Addams) francesa, tanto no visual, quanto nas expressões faciais (ou a falta delas rs).

O filme se passa, possivelmente, nos anos 1950 ou 1960 e traz um pouco da inocência infantil da época. Talvez por isso seja tão simpático. Os atores mirins têm bom desempenho. O protagonista, vivido por Matheo Boisselier me lembrou nosso famoso Menino Maluquinho em muitos momentos. Não apenas pelas travessuras, como pela aparência física. Promete ser um filme que irá agradar a família inteira.

O ano letivo na Europa acaba em junho ou julho, época do verão no hemisfério. No Brasil, as aulas terminam em dezembro, quando começa essa estação por aqui. Portanto, a data da estreia nacional de”As Férias do Pequeno Nicolau” (Les vacances du petit Nicolas) é bem apropriada: 25 de dezembro, ou seja, tempo de Natal e férias escolares.

O filme é baseado no livro homônimo de René Goscinny. Este título é apenas um da série francesa, publicada entre o fim dos anos 1950 e início dos 1960. Os outros volumes que contam a vida de Nicolau são “O pequeno Nicolau” (quem também virou longa, em 2010), “Novas aventuras do pequeno Nicolau”, “O pequeno Nicolau e seus colegas” e “O pequeno Nicolau no recreio”.

“As férias do pequeno Nicolau” será apresentado amanhã, 25 de julho, na “Mostra Imovision 25 anos”, que acontece em São Paulo. O evento exibirá premières das apostas da empresa para o segundo semestre deste ano e conta com a presença de diretores e grande elenco internacional. Como exemplo disto, Matheo Boisselier estará presente na sessão.

Portanto, para quem é de ou está em São Paulo, vale conferir a Mostra Imovision 25 anos, que contará com a exibição de outros títulos também:

MOSTRA IMOVISION 25 ANOS

Programação completa

De 24 a 30 de Julho

Local: Reserva Cultural – Av. Paulista, 900

Ingressos: na bilheteria do reserva.

PASSAPORTES

Sessão Retrospectiva: 30,00 meia / 60,00 inteira

(válido para os 7 filmes da Retrospectiva da Mostra 25 anos)

Pré-estreias: 70,00 meia / 140,00 inteira

(válido para os 7 filmes em Pré-estreia da Mostra 25 anos)

INGRESSOS AVULSOS

Retro: R$ 8,00 / 16,00

Pre-estreias: R$ 14,00 / 28,00

 

PROGRAMAÇÃO FILMES EM PREMIÈRE

 

Fotos: https://www.dropbox.com/sh/cgd2e4g58blo2g0/AACd0n5qYEJ1wCf4bQ61nSaka

O SAMBA

Data: quinta-feira, 24/07.

Horário: 21h30.

Duração: 82 min.

Estreia prevista: a ser confirmada.

Talent(s) presente(s):

MARTINHO DA VILA: um dos maiores ícones do samba, o cantor tem a admiração dos brasileiros desde 1969, quando iniciou sua carreira.

GEORGES GACHOT: diretor francês apaixonado pelo Brasil, Gachot produziu “Música  e Perfume”, sobre Maria Bethânia e agora usa o samba como novo enredo.

 

AS FÉRIAS DO PEQUENO NICOLAU (Les Vacances Du petit Nicolau)

Data: sexta-feira, 25/07.

Horário: 15h30.

Duração: 97 min.

Estreia prevista: 25 de dezembro.

Talent(s) presente(s):

MATHEO BOISSELIER: o ator mirim vem ao Brasil para apresentar a sequencia deste grande sucesso infantil.

 

A PEDRA DE PACIÊNCIA (Syngué Sabour)

Data: sábado, 26/7.

Horário: 21h30.

Duração: 102 min.

Estreia prevista: 07 de agosto.

Talent(s) presente(s):

GOLSHIFTEH FARAHANI: a bela iraniana sempre arranca elogios do público e da crítica. Casada com o galã francês Louis Garrel, ela já contracenou com Leonardo.

BEM-VINDO A NOVA YORK (Welcome to New York)

Data: domingo, 27/7.

Horário: 21h30.

Duração: 125 min.

Estreia prevista: novembro 2014.

O CASAMENTO DE MAY (May in the Summer)

Data: segunda-feira, 28/7.

Duração: 99 min.

Estreia prevista: 31 de julho.

Talent(s) presente(s):

CHERIEN DABIS: a diretora, roteirista e produtora palestina-americana, Cherien foi nomeada pela revista Variety como um dos diretores mais importantes de 2009, seu primeiro longa metragem Amreeka fez sua estreia no Festival de Sundance.

HIAM ABBAS: a diretora e atriz palestina Hiam Abbas, ficou conhecida por suas atuações nos longas Paradise Now (2005), Free Zone (2005), Lemon Tree (2008) e Amreeka (2009).

 

PARAÍSO (Paraíso)

Data: terça-feira, 29/7.

Horário: 21h30.

Duração: 103 min.

Estreia prevista: 21 de agosto.

Talent(s) presente(s):

MARIANA CHENILLO: a diretora mexicana Mariana Chenillo ficou conhecida por seu longa Cinco Dias Sem Nora (2008), Revolución (2010) e a série Soy tu fan (2010).

DANIELA RINCÓN: a atriz faz sua estreia nas telonas no longa Paraíso, como a personagem Carmen.

GERONIMO

Data: quarta-feira, 30/7.

Horário: 21h30.

Duração: 107 min.

Estreia prevista: 14 de agosto.

Talent(s) presente(s): TONY GATLIF: o diretor, produtor e roteirista, Tony Gatlif já realizou mais de 20 filmes. Conhecido por O Estrangeiro Louco (1997), Amarga Vingança (2000) eExils (2004).

DELPHINE MANTOULET: a compositora Delphine e Gatlif são parceiros há anos, sendo que Delphine assinou as trilhas sonoras de Transylvania e Liberté, e agora do novo longa do diretor, Geronimo.

PROGRAMAÇÃO DA RETROSPECTIVA “Os preferidos da crítica brasileira”

 

AMOR À FLOR DA PELE

Data: quinta-feira, 24/07.

Horário: 19h.

Duração: 98 min.

CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS

Data: sexta-feira, 25/07.

Horário: 19h.

Duração: 99 min.

VINCERE

Data: sábado, 26/07.

Horário: 19h.

Duração: 128 min

AMOR

Data: domingo, 27/07.

Horário: 19h.

Duração: 127 min.

A FITA BRANCA

Data: segunda-feira, 28/07.

Horário: 19h.

Duração: 144 min.

DANÇANDO NO ESCURO

Data: terça-feira, 29/07.

Horário: 19h.

Duração: 141 min.

A SEPARAÇÃO

Data: quarta-feira, 30/07.

Horário: 19h.

Duração: 123 min.

P.S.: Agradeço à Cinnamon Comunicação pelos convites.

Crônica / Conto: “Cabaré Dulcina” – Eu fui!

O prefeito Pereira Passos foi mais uma personalidade a pintar no Cabaré - Foto: apetecer.com

O prefeito Pereira Passos foi mais uma personalidade a pintar no Cabaré – Foto: apetecer.com

20 de julho de 1910. Pego o jornal e vejo na manchete alguma coisa sobre uma inauguração de um novo cais na Gamboa.

O prefeito Serzedelo Correia dava continuidade ao trabalho começado pelo prefeito Pereira Passos e sua equipe de reforma, formada por profissionais renomados, como Francisco Bicalho, Paulo de Frontin e Lauro Müller (Lauro Müller, Charles Miller, acabei me lembrando de Lauro Sodré. Player do Botafogo Football Club, favorito ao título distrital neste ano).

Ideias revolucionárias queriam transformar o Rio de Janeiro numa espécie de Paris tropical. Abriram largas ruas. Principal delas, a Avenida Central. Tinham a estranha ideia de derrubar o Morro do Castelo para arejar o Centro da cidade. Muita coisa vinha sendo feita, na gestão de Sousa Aguiar, que sucedeu Pereira Passos: foram finalizadas as obras do Pavilhão São Luís (Palácio Monroe) – Ih! Não lembro se no governo dele ou no anterior – e Biblioteca Nacional. O estilo meio neoclássico, meio eclético (ouvi estas palavras num bond outro dia), invadia a capital da república, onde um ano antes fora inaugurado o Theatro Municipal.

Entretanto, nem só da ordem e do progresso, como apregoa a nossa bandeira, viviam os cidadãos comuns da cidade, camada a qual pertenço. Para tantas reformas, o lado mais fraco da corda teve que suar. Não digo suar apenas no batente. Digo suar correndo para o entorno das linhas dos trens porque não tínhamos mais onde cairmos vivos, como dizem por aí, já que fomos expulsos de nossos cortiços e cabeças-de-porco que habitávamos. Está certo que tinha muita gente. Por exemplo, no cortiço que me servia de abrigo, moravam mais cinco famílias. Mas era na área central e, apesar de dividir um espaço pequeno com tantas pessoas, ficava perto do trabalho. Está bem, eu conto o que faço, sou funcionário de uma fábrica de tecidos.

Ruy Barbosa e Oswaldo Cruz também abrilhantaram a noite no Cabaré. Personalidades importantes no início do século XX no clima da revista musical - Foto: apetecer.com

Ruy Barbosa e Osvaldo Cruz também abrilhantaram a noite no Cabaré. Personalidades importantes no início do século XX no clima da revista musical – Foto: apetecer.com

Voltando ao dia de ontem, o dia 20. Acordei meio tenso, estava precisando ouvir boa música e ver mulheres bonitas. As polacas da Zig Migdal faziam a festa da gente nos lupanares e cabarés espalhados pela região no entorno da praça Onze de Junho. Todavia, eu não tinha muita inclinação para as polacas, tampouco para as francesas. Meu caso era com Esperança. Brasileira nata, morava próximo ao morro do São Carlos, dançarina no Cabaré Dulcina. Tinha que ficar de olho nos malandros e capoeiras que defendiam Esperança. Dizem que um galego, funcionário de repartição e outro, um capoeira bom de música, não gostavam que ela tivesse muito envolvimento com seus clientes.

Chegando ao cabaré, apesar de não ser a primeira vez que aparecia por lá, sempre é uma experiência surpreendente. Fui logo sendo saudado “pelas mocinhas francesas, jovens polacas e um batalhão de mulatas”. Procurei Esperança e não a encontrei. “Me aboletei na mesa” e decidi curtir a orquestra que dava o tom à noite. Logo comecei a ser cercado pelas funcionárias do local que nada deixam faltar aos seus clientes, nem um bom papo.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

O marinheiro João Cândido Felisberto, também faz sua aparição - Foto: apetecer.com

O marinheiro João Cândido Felisberto, também faz sua aparição – Foto: apetecer.com

Para a minha maior surpresa, aquela noite o cabaré estava com uma frequência diferente. Comecei a ouvir uma voz recitando um poema com palavras que nem pareciam estar em ‘brasileiro’. Uma das meninas me informou que se tratava de Bilac, autor do hino da bandeira. Hino que, desde que frequentei as fileiras do quartel, não tinha mais ouvido. E, lembro bem que aquela letra tinha sido composta um ano antes que servi, se não me engano em 1906.

Após esta primeira surpresa, entrou um cidadão dizendo ser Pereira Passos, aquele prefeito citado no início do texto. Ele bradava como se num palanque estivesse. Será que poderia realmente ser o ex-prefeito? Ou então, o cidadão devia ter saudades do político que governou a capital até o último ano e resolveu se passar por ele. Acabou que o papo na mesa ficou meio tenso, com aquela conversa de desapropriação, construção de estacionamento, digo, avenida que cabem todos os automóveis da capital parados. Ou ele era visionário, ou realmente pensava: o pobre que se exploda.

Tudo bem, passou. E, apesar de ser um cabaré, o Dulcina era procurado por quem estava a fim de ouvir boa música e jogar conversa fora. E o clima logo melhorou com o axé de tia Ciata, que morava nas cercanias, e fomentava o encontro de músicos da região. Os entendidos diziam que desses encontros de músicos vinha sendo cunhado um novo ritmo, modernizado, para vir no lugar do maxixe. Era um tum em um tambor e um ta em outro, e assim por diante. Era o chamado samba.

Mesmo após a proibição por lei dos castigos físicos, um marinheiro foi condenado a 250 chibatadas no dia da eclosão da Revolta, em 23 de novembro de 1910 - Foto: apetecer.com

Mesmo após a proibição por lei dos castigos físicos, um marinheiro foi condenado a 250 chibatadas no dia da eclosão da Revolta da Chibata, em 23 de novembro de 1910 – Foto: apetecer.com

Papo vai, papo vem, e o clima ficou tenso novamente quando Ruy Barbosa e Osvaldo Cruz entraram pela porta do estabelecimento com o intuito de vacinar todo mundo. Este tipo de atitude já tinha dado o maior bafafá nos idos de 1904. Queriam também ver se na casa existiam alguns focos de um tal mosquito transmissor de doenças etc. É mole!? Depois daquela confusão da vacinação, o problema também era com os mosquitos? O referido senador e o cientista não sabiam mais se vacinavam, se matavam mosquito e, enquanto isso, o povão continuava vivendo à margem. Nas encostas e, no meu caso, no subúrbio.

Logo que eles se foram, o clima voltou a esquentar, para bem e para mal. Na verdade, para bem. A casa acabava de receber clientes ilustres. O famoso e mítico capoeira Prata Preta, que lutou na Revolta da Vacina, a do parágrafo anterior, entrara na casa. Após ele se apresentar e cumprimentar a todos, fez uma demonstração de sua arte e por todos foi ovacionado. Entrou também João Cândido Felisberto, que servia na Marinha de Guerra do Brasil. O sujeito andava indignado com os castigos físicos que os militares de baixa patente sofriam ainda nos porões das embarcações. Ele chegou a me contar que se a situação permanecesse desta forma, não tardaria para que ele, junto com alguns de seus colegas, fizesse algo para por um ponto final na barbaridade.

O mítico Horácio José da Silva, mais conhecido como Prata Preta, enfrentou o exército na Revolta da Vacina, em 1904. Foto: apetecer.com

O mítico Horácio José da Silva, mais conhecido como Prata Preta, enfrentou o exército na Revolta da Vacina, em 1904. Foto: apetecer.com

A música continuou muito animada. Danças e contradanças também. A noite de inverno carioca, noite seca, temperatura amena, tudo

A Revolta da Vacina, um projeto higienista, impeliu a população a se vacinar contra a varíola. Participação especial, flanando borrado no primeiro plano, ædes ægypt, que já era o indesejável na cidade transmitindo doenças - Foto: apetecer.com

A vacinação em massa impeliu a população a se vacinar contra a varíola. Participação especial, flanando borrado no primeiro plano, ædes ægypt, que já era o indesejável na cidade transmitindo doenças – Foto: apetecer.com

propício para todo aquele divertimento. Foi quando de repente, já depois de algumas doses de vinho, vi um vulto que achei ser Esperança. O vulto se aproximou pela minha direita. Eu estava inerte, nervoso, travado, coração disparado. Quando comecei a sentir sua respiração se aproximar ao meu ouvido, percebi que diria algo. “Beep, beep, beep, beep”, cadê a droga do celular?! Caramba, tenho que trabalhar, acho que perdi a hora. Peguei o celular e me deparei com 21 de julho de 2014. Era tudo um sonho e, nesta aventura onírica, e as lembranças que tive do sonho, pude perceber que apesar de 114 anos de distância, os problemas soam semelhantes.

Muitos dos nomes que apareceram no meu sonho viraram nomes de ruas, viadutos, elevados, hospitais… E as pessoas mal sabem quem foram. E outros, caso tenham recebido homenagens, desconheço-as. Parecem que querem apagar nossa memória.

E qual o porquê do sonho? No dia anterior, o 20, de 2014, fui ao Centro Cultural João Nogueira, no Méier, para assistir ao espetáculo do gênero revista musical “Cabaré Dulcina”. O espetáculo é idealizado por Antônio Pedro e dirigido por Vilma Melo e Édio Nunes. Pude ver atores interpretando estes personagens históricos, muitos deles esquecidos e que fazem parte da história da hoje cidade do Rio de Janeiro. Pude me deleitar com belas canções que também tinham como mote o período histórico do sonho, a Belle Époque brasileira, na República Velha. Excelente montagem, uma verdadeira aula de história da forma mais lúdica e divertida que me lembro de ter acompanhado. Por fim, mudando o que tem que ser mudado, os problemas urbanos da nossa maravilhosa cidade ainda nos incomodam no dia-a-dia. É, pessoal. Coisa de cidade grande.

Nota: Alguns personagens do conto são baseados em personagens do livro “Desde que o Samba é Samba”, de Paulo Lins.

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P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites.

LOCAL: IMPERATOR – CENTRO CULTURAL JOÃO NOGUEIRA
http://www.imperator.art.br
ENDEREÇO: Rua Dias da Cruz, 170 – Méier
DATA e HORÁRIO: 19 e 20/07, 26 e 27/07 (Sábados e domingos): 19h30 / 01 e 02/08 (Sexta e sábado): 19h30
INGRESSOS: Plateia sentada: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
CLASSIFICAÇÃO: 14 anos