“Frida Kahlo – A Deusa Tehuana” – Eu Fui!

Figura Pop famosa na atualidade, símbolo usado entre as feministas. Artista das mais aclamadas no mundo inteiro. Muitos são os adjetivos que podemos usar para nos referir à pintora Frida Kahlo. “Frida Kahlo – A Deusa Tehuana” faz, sim, uma menção a sua carreira artística, mas o foco não é esse. Tão famosa quanto as obras é sua vida pessoal, e é principalmente sobre o que se trata o espetáculo, que estreou em 17 de janeiro no Teatro Maison de France, onde cumpre temporada até 16 de fevereiro.

A atriz Rose Germano interpreta uma Frida por trás da famosa figura forte pela qual se tornou conhecida. Suas dores e profunda paixão por Diego Rivera são evidenciadas, desmistificando um pouco a personalidade que criamos sobre a artista. Há bonitas passagens poéticas no decorrer do texto, em que ela discorre sobre a vida e sobre o pesar de sua saúde, a vontade não concretizada de ser mãe e a ausência de Rivera em momentos importantes em sua vida. Apesar da obscuridade do enredo, o colorido figurino de Frida Kahlo é perfeitamente caracterizado por peças obtidas em Oaxaca, no México, país natal de Frida.

O espetáculo começa com o depoimento de Dolores Olmedo Patiño, maior colecionadora da obra de Frida e Rivera. Sua coleção hoje está exposta no Museu Dolores Olmedo, em La Noria, México. Tanto Frida quanto Dolores são vividas por Rose Germano. O texto cita passagens históricas, como por exemplo menciona ditadores, assunto sobre o qual muito se fala hoje em dia, em tempos difíceis para a arte.

Como citado acima, o espetáculo fica em cartaz até 16 de fevereiro no Teatro Maison de France. Segue serviço:

Serviço:

Frida Kahlo – A deusa tehuana

Temporada: 17 de janeiro a 16 de fevereiro

Teatro Maison de France – Av. Pres. Antônio Carlos, 58 – Centro, Rio de Janeiro – RJ

Telefone: 2544-2533

Dias e horários: Sexta a domingo, às 19h.

Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).

Lotação: 355 pessoas

Duração: 1h

Classificação indicativa: 16 anos

Funcionamento da bilheteria: De terça a domingo, a partir das 14h.

 

P.S.: Agradeço à Racca Comunicação pelos convites!

 

 

Roots – Eu Fui!

Amo dança e fazia um tempinho já que não ia conferir um espetáculo da tal arte. Minha paixão é o balé clássico, mas também curto outros estilos, e “Roots” traz Thiago Soares e Danilo D’Alma unindo balé e dança de rua no mesmo palco, ao mesmo tempo.

Balé e dança de rua parecem totalmente opostos, mas nesse caso nem tanto. Thiago Soares iniciou sua bem-sucedida carreira como bailarino clássico dançando hip-hop e break nas festas da Zona Norte carioca. Já Danilo D’Alma é bailarino e coreógrafo reconhecido no cenário das danças de rua do Rio. Agora os dois se uniram para mostrar cada um seu talento e também exibir a vertente que têm em comum.

Portanto, quem – como eu – já teve a oportunidade de ver Thiago Soares em cena com todo seu estilo clássico, verá uma outra roupagem. Não que ele não mostre seus dotes, mas dessa vez o faz com uma cara mais desconstruída. Então, quem tem curiosidade para conhecer um espetáculo de dança mas sente que talvez não tenha paciência para as longas exibições do balé clássico, “Roots” é uma boa opção. Espetáculo curto e com uma cara moderna.

P.S.: Agradeço à Catharina Rocha pelo convite!

Super Moça – Eu Fui

Os interessados em aviação têm uma representante no teatro. Izabella Van Hecke apresenta Pérola, uma comissária de bordo recém-aposentada, mas que ainda carrega os trejeitos da profissão que exerceu por 25 anos. Diferentemente de “Aérea” – espetáculo excelente a que assisti esse ano, em que Patrícia Travassos também interpreta uma comissária de bordo -, a atriz em questão tem conhecimento de causa. No palco e no ar, já que é profissional da atuação e da aviação.

A Super Moça é um sucesso entre os tripulantes, sempre presente nas redes sociais do pessoal da área. Ela conta de forma divertida o dia a dia dos comissários e a visão que eles têm sobre os passageiros. Engraçado porque nós, como clientes, estamos sempre os observando e nem imaginando o que eles comentam sobre nós, não é mesmo?

“Super Moça” é uma peça que vale ser vista por quem está interessado no ramo, pois mostra os prós e contras da profissão, de forma um pouco mais lúdica, claro. A produção é simples e talvez os mais novos não entendam algumas piadas com referências um pouco antigas. Mas percebe-se paixão no que Izabella faz e o carinho que ela tem pela carreira que construiu, e que serviu de inspiração para esse trabalho.

P.S.: Agradeço ao Júlio Luz pelos convites!

Lenine – Em Trânsito – Eu Fui!

No último sábado (14) fomos conferir o show de Lenine, “Em Trânsito” no Centro Cultural João Nogueira. O projeto – vencedor do Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa – estava de volta onde tudo começou. E Lenine melhor que nunca. Já fui a algumas apresentações do cantor e sempre pude conferir performances mais puxadas para o rock’n roll que nas versões originais e vejo que essa tradição se repete. Lenine dá roupagens mais pesadas para suas canções, inclusive algumas completamente diferentes, em perfeito match com a acústica perfeita do Imperator.

O show obviamente trouxe canções de seu premiado álbum “Em Trânsito”, como “Intolerância” e “Lua Candeia”. Um dos pontos altos da noite foi quando seu roadie, Gabriel Ventura se uniu a Lenine para apresentar “Umbigo”, do álbum Falange Canibal. Também não ficaram de fora grandes sucessos, como “Tubi Tupy” (Na Pressão) e “Virou Areia” (Lenine In Cité). Já que o papo é sobre hits, o bis foi um show à parte, com “Paciência” (Na Pressão), “Hoje eu quero sair só” (O dia em que faremos contato), “Leão do Norte” (Olho de Peixe) e “Jack Soul Brasileiro” (Na Pressão).

Para quem quiser saber onde encontrar Lenine em próximas ocasiões, agora a turnê segue para São Paulo e depois Florianópolis.

P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites!

 

Brinquedo Assassino 3 – Eu Fui!

“Brinquedo Assassino” marcou época e gerações entre os anos 1980 / 1990. Chucky está de volta para deixar sua marca registrada nos tempos atuais também. Mais high-tech e sanguinário que nunca, o novo boneco não é mais apenas um simples brinquedo. É multifuncional, caprichado nas tarefas e nas tecnologias. Quer dizer, matar inocentes não é mais a única atividade de Chucky =O

O filme foi lançado pela primeira vez em 1989 e então se tornou um clássico. A trama do serial killer que possuiu um boneco fazendo o brinquedo se tornar um assassino voraz foi um sucesso e ganhou posteriormente mais duas versões. A que estreará em 22 de agosto é a quarta e traz Chucky e suas particularidades. A vítima da vez é Andy (Gabriel Bateman), que ganha de sua mãe o presente de aniversário. O boneco logo se apega ao garoto e mostra toda sua “personalidade” obsessiva e possessiva, passando a eliminar todos os que o desagradam.

Falando sobre a parte positiva do longa, o desempenho de Gabriel, de 14 anos, é bem competente. “Brinquedo Assassino” estreia sua nova versão em uma época em que estamos vivendo um momento de saudosismo em relação aos anos 1990, o que pode influir positivamente em sua bilheteria. Para os amantes dos filmes de terror é imperdível e renderá boas risadas com as partes sangrentas e, consequentemente, toscas, que não podem faltar nos longas desse estilo.

P.S: Agradeço à Imagem Filmes pelo convite!

 

Fervo Julino – Eu Fui!

Não, os festejos juninos / julinos ainda não acabaram e a prova disso foi último sábado (13), quando fomos conferir o Fervo Julino, evento organizado pelo Mangolab. Decoração, comida, música, tudo típico de festas dessa época do ano. A música, falando nela, era a estrela da noite e o mais aguardado da festa.

A lista de atrações musicais da noite contava com Sexteto Sucupira, Duda Beat, Biltre, Illy, Potyguara Bardo e Mateus Carrilho. O sexteto foi a primeira atração ao vivo da festa. Com exceção dos outros artistas, deu um show prolongado logo no início. Os demais se apresentaram com poucas músicas e houve bastante participação uns nas apresentações dos outros.

Apesar do grande número de atrações ao vivo, a maior parte do evento foi preenchida por DJs, tocando músicas temáticas ou não. O repertório era bem variado e de muito bom gosto. O tipo de evento de onde saímos com a sensação de que nos divertimos e presenciamos o contato com a cultura POP e regional, assim como novidades do cenário musical.

P.S.: Agradeço à Buld Up Media pelos convites

 

A Ponte – Eu Fui!

Relacionamentos cotidianos, pessoas comuns… Tudo isso pode render boas histórias e desvendar mistérios inimagináveis. “A Ponte” traz um pouco disso. O enredo é o de três irmãs que estão reunidas em prol da mãe, que anda mal de saúde e precisando de todas reunidas e, por sua vez, precisam visitar o pai para fazer a vontade da genitora. Aos poucos vão se revelando as tais histórias obscuras que servem para camuflar verdades que destruiriam a imagem da família perante a sociedade que ama fiscalizar os bons costumes allheios.

Bel Kowarick é Theresa, a mais velha. Freira, demonstra-se cansada da obrigação de demonstrar fé quando a própria mesma duvida da existência de coisas que propaga. Débora Lamm é Agnes, a do meio. Atriz em crise financeira e profissional, arrependida do que foi no passado forçada a fazer devido aos tais bons costumes. Maria Flor é Louise, a caçula. Viciada em uma tal série que a faz não ser muito atenta à realidade e ao mau momento que vivem.

Toda a peça se passa na cozinha vermelha e repleta de utensílios da casa. Há uma tela voltada para o público que nos ambienta a respeito de passagem de tempo, saídas e entradas em cena, sonoplastias e afins. A imaginação do público é estimulada dessa forma, acompanhada do ótimo texto, com destaque aos monólogos que Bel e Maria Flor fazem. O espetáculo certamente entra para a lista must go cultural atual do Rio de Janeiro.

Segue serviço:

Local | Centro Cultural
Banco do Brasil Rio de Janeiro – Teatro II
Data | 20 de junho a 12 de agosto
Horários | De quinta à segunda – feira, às 19h30
Endereço | Rua Primeiro de Março 66, Centro, tel (21) 3808-2020
Entrada | R$30 e R$15 (meia-entrada)
Capacidade | 153 lugares
Classificação: 12

 

P.S.: Agradeço à Binômio Comunicação pelo convite!

Leila Pinheiro em “Extravios” – Eu Fui!

Fomos recentemente assistir ao show “Extravios”, da cantora Leila Pinheiro, com direção da atriz Ana Beatriz Nogueira. A apresentação mostra Leila com afinação e segurança de sempre, acompanhada de seu piano e do músico João Felippe no cavaco de cinco cordas. Fomos no NET Rio, mas agora Leila desembarca no Rival com a mesma turnê que certamente merece a atenção dos amantes da MPB.

Veja abaixo mais informações:

 

“Eu sei que os extravios são necessários, sim. A necessária parte do meu caminho sozinho”. Os versos da canção “Extravios” (de Dalto e Antônio Cícero) e o sentimento de seguir numa outra direção, serviram de inspiração para o título do novo show de Leila Pinheiro. Após diversas apresentações no Rio de Janeiro, EXTRAVIOS encerra sua primeira temporada carioca dias 4 e 5 de julho, quinta e sexta, às 19h30, no Teatro Rival Petrobras, acompanhada do premiado músico João Felippe no cavaco de cinco cordas. Em EXTRAVIOS, Leila, sob a direção da atriz Ana Beatriz Nogueira, apresenta ao público um repertório de interpretações diferentes das habituais: inusitadamente posicionadas no médio-grave de sua voz.

Uma amizade de mais de 30 anos e um belo encontro musical. Ana Beatriz Nogueira, atriz, propôs um show intimista, teatral, poético e embalado por canções como a valsa instrumental de Leila, “Dorotéia”, que abre o espetáculo; “Para um Amor no Recife” (de Paulinho da Viola); “Só de Você” (de Rita Lee e Roberto de Carvalho); “Blues para Bia” (de Chico Buarque), “Vivo a Sorrir” (de Adriana Calcanhoto)“, “Chuva, Suor e Cerveja” (de Caetano Veloso), entre tantas outras, intercaladas por pequenas citações de poemas de Hilda Hilst e Cecilia Meirelles.

“É um show pensado pela Ana Beatriz e roteirizado por nós duas. Um mar de belas canções que foram se complementando e montando esse texto – de teatro”, conta Leila. “A Ana Beatriz é essa atriz gigante que eu conheço, admiro e respeito tanto. Termos essa relação de confiança foi fundamental. EXTRAVIOS é, de fato, uma nova forma de me colocar no palco, de me envolver nas canções. Isso fica bem claro para o público”, afirma a cantora, compositora e pianista.

Propondo uma direção que valoriza o mais íntimo da intérprete, Ana Beatriz Nogueira – uma declarada apaixonada pela música popular brasileira de todas as épocas – quis, primeiramente, explorar a voz de Leila Pinheiro numa nova região, o médio-grave, trazendo novos ares ao repertório escolhido e desafiando a cantora. Além disso, a beleza nem sempre percebida das letras das canções e a forma como elas soariam na voz de Leila também foram cruciais na escolha do repertório.

“O que me move nesta direção, neste extravio, é o amor pela música. É o respeito e a admiração pela intérprete. Eu propus um show no qual o público saísse tocado, pensando na música, na letra e na voz. E refletindo sobre como é bom escutar essas canções de uma maneira diferente”, comenta a atriz e diretora.

Também foi sugestão de Ana Beatriz a parceria com o músico convidado, o jovem e premiado João Felippe, que acompanha Leila Pinheiro com o seu cavaco de cinco cordas. “Certa vez, num encontro de amigos, vi a Leila e o João improvisarem uma canção juntos. Fiquei tão encantada com a química deles… Foi a primeira pessoa em quem pensei para acompanhá-la nesse novo caminho”, completa Ana.

EXTRAVIOS traz ainda composições de Dolores Duran, da jovem portuguesa Luísa Sobral, de Tom Jobim, de Zé Miguel Wisnik, de Moreno Veloso, entre outros. “Um novo caminho. Eu extraviada e encantada com esse  rumo novo por onde tem ido a minha voz e o meu corpo”, conclui Leila.

SOBRE

SOBRE LEILA PINHEIRO: Um dos maiores nomes da música popular brasileira, Leila Pinheiro é intérprete, compositora e pianista. Começou a estudar piano aos dez anos de idade. Aos vinte, desiste da faculdade de Medicina e realiza seu primeiro espetáculo, “Sinal de Partida”, em outubro de 1980, em Belém, sua cidade natal, onde estreou como cantora. Em maio de 1981, passa a morar no Rio de Janeiro e grava seu primeiro LP de maneira independente com produção de Raimundo Bittencourt. Excursionou com o Zimbo Trio em shows pelo exterior em 1984, mas o sucesso veio na verdade em 1985, quando ganhou o prêmio de cantora-revelação no Festival dos Festivais, da TV Globo, onde defendeu o samba “Verde”, de Eduardo Gudin e José Carlos Costa Neto, seu primeiro sucesso radiofônico. Seu CD “Benção, Bossa Nova” (1989), celebrou as três décadas da bossa no Brasil e no Japão, com Leila e um de seus maiores criadores, Roberto Menescal. “Coisas do Brasil” (1993), produzido pelo pianista Cesar Camargo Mariano, e “Catavento e Girassol” (1996), com as parcerias de Guinga e Aldir Blanc, são três grandes referências da intérprete, suas escolhas e parceiros. Em seus 38 anos de carreira, gravou 19 CDs e três DVDs, interpretando o cancioneiro brasileiro clássico por seus grandes criadores – os que vieram vindo e os que vêm chegando. Leila Pinheiro é sinônimo da melhor música brasileira: clássica, moderna, eterna.

SOBRE ANA BEATRIZ NOGUEIRA: A atriz carioca estreou profissionalmente no longa “Vera” (filmado em 1985 e lançado em 1987), dirigido por Sérgio Toledo. Por este trabalho, aos 20 anos, foi premiada, entre outras láureas, com o Urso de Prata no Festival de Berlim, prêmio dado somente a três brasileiras – além dela, Marcélia Cartaxo e Fernanda Montenegro. Desde então, contabiliza, em sua trajetória, além de diversos outros prêmios, mais de uma dezena de filmes, 17 trabalhos na televisão e 14 peças de teatro, entre elas “Uma relação pornográfica”, do iraniano Philippe Blasband e direção de Victor Garcia Peralta; os solos “Tudo que eu queria te dizer”, com textos de Martha Medeiros com direção de Victor Garcia Peralta e “Um Pai (puzzle)”, sobre livro de Sybille Lacan e direção de Vera Holtz e Guilherme Leme Garcia; “As Três Irmãs”, de Tchekhov e direção de Bia Lessa; “Fala baixo, senão eu grito”, de Leilah Assunção e direção de Paulo de Moraes; “O Leitor por horas”, do espanhol José Sanchis Sinisterra e direção de Christiane Jatahy; “A memória da água”, da inglesa Shelagh Stephenson e direção de Felipe Hirsch, entre outras tantas produções. Atualmente está no ar na novela das 21h, “O Sétimo Guardião”, de Aguinaldo Silva, na TV Globo.

SOBRE JOÃO FELIPPE: João Felippe, 31 anos, iniciou sua carreira musical como cavaquinista solo aos 8 anos de idade. Em 1996, aos 10 anos, foi premiado pela Ordem dos Músicos do Brasil com o título de O Mais Jovem Instrumentista do Estado do Rio de Janeiro. Em 2001, aos quinze anos, recebeu o prêmio de Personalidade do Ano, como Revelação nas Artes e foi parte da turma de Harmonia e Improvisação do guitarrista Victor Biglione, que lhe concedeu a honra de se apresentar ao lado de Yamandú Costa, em um dos Festivais de Inverno de Petrópolis, RJ. João Felippe já se apresentou ao lado de nomes como Yamandú Costa, Armandinho Macedo, Moraes Moreira, Diogo Nogueira, Lan Lanh, Luiz Brasil, Martnália, Carlos Malta, Dadi, Márcio Mello, Pretinho da Serrinha e Rodrigo Sha, entre outros.

FICHA TÉCNICA:

Voz, piano e violão: Leila Pinheiro

Direção artística e roteiro: Ana Beatriz Nogueira

Direção musical: Leila Pinheiro

Músico convidado: João Felippe (cavaco de 5 cordas)

Desenho de luz: Aurélio de Simoni

Engenheiro de Som: Márcio Reis

Figurinista: Carla Garan

Direção de Produção: Silvia Rezende

Realização: Trocadilhos 1000

SERVIÇO:

Leila Pinheiro em EXTRAVIOS

Datas: 04 e 05/07/2019 – quinta e sexta

Horário: 19h30

Local: Teatro Rival Petrobras

Rua Álvaro Alvim, 33 – Cinelândia

Telefone: (21) 2240-9796 / 2240-4469

Ingressos: R$ 80,00 (Inteira); R$ 40,00 (Estudante/Idoso/Professor da Rede Municipal/Funcionário Petrobras/Assinante O Globo); R$ 40,00 (Lista amiga).

Capacidade: 350 lugares

18 anos.

Abertura da casa: 1h antes do show

Bilheteria: de terças a sextas, das 13h às 21h; sábados e feriados, das 16h às 21h.

Perfume de Mulher – Eu Fui!

Feliz 2019!

Só agora? Sim, só agora, pois estamos iniciando nosso roteiro cultural. Posso dizer que o pontapé inicial foi muito bem dado. Afinal, estamos cada vez mais caprichando no conteúdo.

Fomos assistir a “Perfume de Mulher”. A história, baseada na obra de Ruggero Maccari e Dino Risi, é bem famosa devido ao filme com Al Pacino, o qual lhe rendeu seu primeiro Oscar. Agora, os palcos cariocas ganham essa montagem, idealizada por Silvio Guindane, que também assume o protagonista. Guindane vive o tenente-coronel Fausto, que fica cego após um acidente de carro. Junto com a deficiência, aflora também seu lado ranzinza. Solitário, contrata o cuidador Ciccio (Eduardo Melo) – que não tem originalmente esse nome, mas assim Fausto o chama -, de quem fica muito próximo.

Ambos estreitam a amizade durante uma viagem para a Itália, e é nesse período em que ocorre a maior parte do espetáculo. Lá, Fausto revê Sara (Gabriela Duarte), que foi sua grande paixão, mas a abandonou depois do acontecido no acidente. Todos os atores estao muito bem, com destaque para Silvio Guindane, que deixa transparecer mesmo no personagem ranzinza sua já conhecida veia cômica.

O ponto alto do espetáculo é o tango que Sara e Fausto dançam com perfeição. Acrescido ao fato de acontecer já na metade final da peça – fase em que todos estão bem envolvidos na situação -, tem bastante receptividade da plateia.

Para quem quer conferir esse e outros momentos imperdíveis de “Perfume de Mulher”, o espetáculo está em cartaz no Shopping da Gávea até fevereiro. Segue abaixo o serviço:

Teatro PetroRio das Artes – Shopping da Gávea
Temporada:
3/1 a 24/2 de 2019
Quinta a Sábado às 21h
Domingo às 20h
Duração: 90 minutos
Ingressos:
Quinta:
R$ 80,00/ R$ 40,00 (meia)
Sexta a domingo: R$ 90,00 (inteira)/ R$ 45,00 (meia)
Ingressos populares: R$ 50,00 (inteira)/ R$ 25,00 (meia)
Classificação etária: 14 anos
Telefone da bilheteria: (21) 2540-6004
Endereço: Shopping da Gávea – R. Marquês de São Vicente, 52 – Gávea, Rio de Janeiro
Capacidade do teatro: 417 lugares

 

P.S.: Agradeço à Palavra Online pelos convites!

“Chacrinha – O Velho Guerreiro” – Eu Fui!

Estreia desta quinta-feira (8), “Chacrinha – O Velho Guerreiro” foi exibido no Festival do Rio no feriado (2). O filme conta a história do lendário comunicador que morreu há exatos 30 anos. Desde seus tempos de aspirante a locutor até a estrela que se tornou.

O longa traz Stepan Nercessian impecável na pele de Chacrinha, o que já é conhecido há algum tempo. O ator vive o personagem desde o musical (que fomos conferir veja aqui e aqui) e até mesmo em especiais para a televisão. Quem o vive na fase jovem é Eduardo Sterblitch, famoso por sua faceta cômica, mas que neste filme é bem dosada.

O enredo conta com fatos reais e fictícios, desde a vinda de Abelardo Barbosa do Pernambuco até o estouro nacional. Mostra Chacrinha como um talentoso visionário, prevendo que o povo precisava de alegria e de um grande carnaval nas telas de TV, com cenografia colorida e fantasias sensacionais (com certeza está entre as partes mais engraçadas do filme). Mas em contraponto, era evidente um temperamento turrão e nem sempre de convivência pacífica com chefes e colegas.

Mas o grande fato é a genialidade do comunicador, que transcende gerações e tem sua vida lembrada décadas após sua morte.

P.S.: Agradeço à Palavra Assessoria em Comunicação pelos convites

Crô em Família – Eu Fui!

Marcelo Serrado conseguiu a façanha que alguns outros poucos atores conseguem: fazer seu personagem fazer tanto sucesso que chega a transcender o limite das telinhas. Crô surgiu na novela “Fina Estampa”, em 2012, e já no ano seguinte pintou nas telonas em busca de uma nova musa a quem devotar sua atenção.

Cinco anos depois, Crô segue podre de rico, porém solitário. Tristonho após um divórcio, é procurado por uma família que alega ter parentesco com ele. O fato gera desconfiança – e treta – para os amigos mais próximos. Mas também mexe com a carência do personagem, que acolhe todos em sua mansão.

O elenco é composto por nomes como Tonico Pereira e Arlete Salles nos papéis dos supostos pais de Crô. No núcleo dos amigos, Jefferson Schroeder (aquele que memetizou esse ano com o vídeo postado por Fábio Porchat, em que imita vozes de dublagens brasileiras para vídeos americanos) é destaque, com um trabalho de voz feminina perfeita.

As participações especiais são ilustres e muitas, como David Brazil, Pabblo Vittar, Preta Gil, entre muitos outros. Marcelo Serrado mantém a regularidade do personagem debochado, porém dócil. Um pouco mais afetado, talvez, mas não sei se foi impressão minha pelo tempo que não via o personagem. O texto não economiza no dialeto gay, com comparações como “Vou fazer a Angélica e ir de táxi” durante todo o filme. A estreia acontece em 6 de setembro.

P.S.: Agradeço à Liège Monteiro Assessoria pelo convite!

Sonho de uma noite de Verão – Eu Fui!

Com quase 30 anos de trajetória, a Companhia de Ballet do Rio de Janeiro (CBRJ) iniciou uma parceria com a Escola de Dança Alice Arja (EDAA). A união está rendendo frutos no repertório de obras eleitas para suas apresentações. Balés clássicos e neoclássicos fazem parte das escolhas das cias.

“Sonho de uma noite de Verão” fez 3 apresentações no Centro Cultural João Nogueira – Imperator, nos dias 17, 18 e 19 de agosto. O corpo de baile é nitidamente bem jovem. Mas, apesar da característica, mostraram segurança na execução da obra de William Shakespeare, que conta a história de seres mitolóicos.

Difícil falar sobre apresentações de balé, pois é tudo sempre muito perfeito. A dedicação dos profissionais rende bons resultados, como foi neste caso. Os bailarinos mostraram que ainda têm uma longa e vitoriosa carreira pela frente.

Para saber mais sobre a parceria Cia de Ballet do Rio de Janeiro + Escola de Dança Alice Arja veja em http://www.alicearja.com.br

P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelo convite!

Medo Viral – Eu Fui!

Uma das estreias deste 16 de agosto de 2018 é o filme de terror “Bedeviled”, que recebe em português o sugestivo título de “Medo Viral”. A história gira em torno de um grupo de amigos que baixa um aplicativo para receber informações sobre restaurantes.

A essa altura do campeonato, todos já sacaram que o que buscamos na net “volta contra nós”. Digo, as propagandas aparecem para os usuários de acordo com os interesses que manifestamos em nossas buscas no Google, curtidas em redes sociais e tal. Pode parecer um pavor sermos bombardeados o tempo inteiro com propagandas de produtos que às vezes nem lembramos termos interesse? Nem tanto!

Isso não é nada perto do que os amigos de “Medo Viral” vive. O aplicativo – até então inocente – conhece os medos mais obscuros de cada membro do grupo de adolescentes e os utiliza para aterrorizá-los.

Assistir a filmes de terror era um hábito da minha infância (sério!). Confesso que, conforme fui ficando mais velha, esse estilo foi ficando de lado e hoje em dia vejo pouquíssimos. Lembro que rolam sempre uns sustos com o intuito apenas de gerar expectativa no espectador, e outros que acontecem quando realmente algo trágico está por vir. Esses ingredientes estão presentes em “Medo Viral”, bem como as partes toscas que esses filmes costumam ter. Mas, para quem está a fim de tomar uns bons sustos, vai na fé que o filme não decepciona!

P.S.: Agradeço à Imprensa Fenix Filmes pelo convite!

 

O Abacaxi – Eu Fui!

Meus posts aqui na coluna têm estado cada vez mais escassos. Mas o lado de bom de ter cada vez menos tempo é que podemos escolher mais cuidadosamente os eventos. Posso dizer que tenho acertado em cheio as últimas peças a que vou assistir. Como foi o caso de “O Abacaxi”, em cartaz no Teatro Sesi.

 

Casais românticos são frequentemente retratados em peças de teatro, filmes e novelas. Inclusive com o toque de comédia. Mas Veronica Debom e Marcius Melhem fazem isso e muito mais. Mostram vários casais e todas as possibilidades que um relacionamento pode oferecer.

Com dramaturgia de Veronica Debom, a dupla mostra no palco o entrosamento já conhecido da televisão no programa “Tá no Ar”. O ótimo texto brinca com a visão das pessoas quanto aos relacionamentos. Principalmente com a, por vezes, contradição entre o que dizem e como lidam quando presenciam de fato alguma situação. Talvez uma barreira que as novas gerações enfrentam quando tentam transgredir o padrão tradicional dos relacionamentos, buscando liberdade, mas não conseguem se desvencilhar daquilo o que a sociedade sempre impôs.

Para acompanha-los, Rafael Rocha está em cena a todo o momento, tocando bateria ao vivo e também interagindo com o casal. A direção é de Debora Lamm, outro nome conhecido da comédia na telinha.

 


 

Sucesso de crítica e público, a peça “O Abacaxi” reestreia no Rio, em julho, com novo elenco. Em sua versão 2018, Marcius Melhem entra em cena no lugar do ator Felipe Rocha ao lado de Veronica Debom, num mergulho sobre as relações amorosas em todas as suas possibilidades. Dirigidos por Debora Lamm, os parceiros do programa de TV, “Tá no ar”, se amam, brigam e se reconciliam na pele de diversos casais que tentam dar conta das infindáveis formas de amor. A peça, que marca a estreia de Veronica como dramaturga, fica em cartaz de 16 de julho a 14 de agosto, segundas e terças, às 19h, no Teatro SESI, no Centro.

Pode-se dizer que “O Abacaxi” é uma poética incursão da comédia no teatro contemporâneo. Com um texto tragicômico é ácido, a montagem levanta questões que emergem da tentativa de enquadrar num molde esse sentimento arrebatador e indomável que é o amor. “A obra fala das angústias de uma geração que tem o ideal romântico padrão Disney como referência intelectual, mas, ao mesmo tempo, tenta se libertar, pois já está diante de outra que dilui a identidade de gênero e encara com naturalidade o amor livre”, explica a autora.

Com uma dose de existencialismo, a montagem tenta refletir sobre as diferentes maneiras de amar: é possível ser livre de fato em algum modelo de relacionamento? Como fazemos para que nossos condicionamentos passados não atrapalhem a fluidez dos nossos relacionamentos presentes? Como escapar da nossa própria prisão mental? Embalados pela trilha sonora ao vivo de Rafael Rocha (que também interage com o casal), Veronica e Marcius tentam responder a essas e outras perguntas encarnando os mais variados tipos de relações – um casal com relacionamento aberto, um trisal, um casal de amigos, pessoas em busca de amor próprio -, que, em comum, estão em busca de um amor liberto.

Para dirigir todos esses personagens Veronica convidou a amiga e parceira, Debora Lamm. Segundo ela, a montagem aborda a transição que o nosso tempo vive em relação ao amor e às combinações que tentamos estabelecer para lidar com ele. “O Abacaxi é uma peça que fala com irreverência sobre as formas de amar que ainda estamos construindo e descobrindo”, comenta a diretora.

A cenografia de Mina Quental dá o toque final nessa salada amorosa. Para compor a ambientação dos diferentes casais nem tanto convencionais, Mina optou por colocar os móveis e objetos típicos de todo o lar fora de sua função habitual. A geladeira, por exemplo, é o guarda-roupa. A bateria está no meio da cozinha. A cama está suspensa no teto e por aí vai. Para completar o time, Debora convidou o

parceiro, Rafael Faustini, da Faustini Produções, que está desde o início à frente da produção do projeto.

FICHA TÉCNICA:

Autora: Veronica Debom

Direção: Debora Lamm

Colaboração Artística: Fabiano de Freitas

Elenco: Veronica Debom e Marcius Melhem

Direção Musical: Rafael Rocha

Direção de Movimento: Alice Ripoll

Cenografia: Mina Quental

Assistente de Cenografia: Éllen Rambo

Figurino: Luiza Fardin

Iluminação: Ana Luzia de Simoni e João Gioia

Programação Visual: Lucas Canavarro

Fotos: Elisa Mendes

Assessoria de Imprensa: Fernanda Lacombe (Lage Assessoria)

Direção de Produção: Rafael Faustini

Produção Executiva: Rachel Lamm

Realização: Faustini Produções

SERVIÇO:

“O ABACAXI”

Local: Teatro SESI (Av. Graça Aranha nº1, Centro)

Telefone: (21) 2563.4164

Temporada: 16 de julho a 14 de agosto.

Dias: segundas e terças

Horário: 19h

Preço: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Classificação: 14 anos.

Duração: 80 min. Capacidade: 338 lugares

Sinopse: a montagem aborda a transição dos tempos atuais em relação ao amor e às variadas combinações possíveis para lidar com ele. Uma peça de humor ácido sobre a busca pelo amor que liberta e que ainda está em construção.

A Melhor Escolha – Eu Fui!

Sabe aqueles velhos amigos que você pode ficar séculos sem ver mas, quando isto acontece, parece que nunca se desgrudaram? Larry (Steve Carell), Sal (Bryan Cranston) e Richard (Laurence Fishburne) sabem como é.

Os 3 ficaram amigos após servirem juntos no Vietnã. A vida os levou para caminhos distintos e isso acabou os afastando. Coube a Larry a tarefa de procurar os antigos companheiros para uma missão nada agradável: acompanhá-lo no enterro de seu filho, também militar. Eles aceitaram o pedido e, mesmo com todo o tempo longe um do outro, foram retomando a sintonia ao longo da verdadeira road trip que acabou se tornando.

O filme tem roteiro adaptado no livro homônimo do escritor Darryl Poniscan. Com direção de Richard Linklater, o longa se passa em 2003 e, ao mesmo tempo que mostra as transformações da tecnologia da época, vemos como evoluiu para agora, 15 anos depois. Sal, deslumbrado com as maravilhas de um telefone celular, é um grande entusiasta para que os amigos adquiram os seus. Hoje os benefícios desta tecnologia já estão bem mais incorporadas ao nosso dia a dia.

Tudo isso sendo contado por um texto muito bom, dito por atores bem em seus papeis. O extrovertido Sal, o ex-extrovertido e atual pastor Richard, e Larry, vivido por um inusitado sorumbático Steve Carrell. Também tímido e inseguro diante de suas perdas. Muito convincente.

P.S.: Agradeço à Imagem Filmes pelo convite

Amante por um dia – Eu Fui!

Sempre que dá eu tento conferir um cinema francês. Os filmes costumam apresentar histórias caprichadas na psique dos personagens mesmo que, para isso, o desenrolar fique um pouco mais lento (o que não me incomoda em nada). Fora a belíssima fotografia.

Em “Amante por um dia”, o diretor Philippe Garrel conta a história de um professor de filosofia que vive com a namorada 20 ou 30 anos mais jovem. Sua filha, Jeanne, acabou de terminar um relacionamento amoroso e está sofrendo muito por isso. Muda-se para a casa do pai e descobre que ele está vivendo com uma mulher de sua idade.

Mesmo estando em momentos amorosos diferentes, as duas se tornam amigas, inclusive passando a compartilhar segredos. A relação de Arianne e de Gilles é boa, com pequenas turbulências, principalmente em relação à fidelidade. Gilles tem seus conceitos, expressa-os, mas na prática, quando é a vítima e não o agente, não é tão simples. Arianne os leva a sério e toma para si.

O filme é em preto e branco e faz uso de uma narração, que ajuda a contar a história e expressar os sentimentos dos personagens, com seus altos e baixos em relação a suas vidas amorosas.

“Amante por um dia” estreia em 15 de março e é uma opção de bom cinema para quem quer fugir do convencional nas telonas, mas sem fugir dos assuntos cotidianos.

P.S.: Agradeço à Narda Staël Gracine pelo convite!

 

O Passageiro – Eu Fui!

Há quanto tempo esta coluna não fala sobre cinema… A correria do dia a dia só me deixava reservar as noites dos fins de semana para conferir algum espetáculo ou exposição. But now I’m back e empolgada para falar sobre a sétima arte.

Temos novidades que estrearão agora no mês de março! Para começar, “O Passageiro”. Liam Neeson está nas telonas na pele de Michael. Tudo parece que seria um dia normal na vida do cara. Até que é demitido depois de 10 anos trabalhando em uma empresa de seguros e se vê aos 60 anos desempregado, com um filho adolescente cheio de planos e prestes a entrar para a universidade, e sem coragem de enfrentar a família para contar o acontecido.

Voltando para casa, é abordado por uma desconhecida (Vera Farmiga), a princípio para uma conversa normal. Depois ela o envolve em uma conspiração criminosa, desafiado a descobrir a identidade de um dos passageiros do trem em que está. Tragédias acontecem durante o trajeto e, caso Michael não desvende o mistério, desastres piores podem ocorrer.

O longa é voltado para os apreciadores de filmes com emoções fortes. Une suspense e ação. Há cenas grandiosas e trabalhosas. O desenrolar da história – até a resolução do mistério – mexe com o psicológico do personagem de Neeson e do espectador.

“O Passageiro” estreia em 8 de março e vale conferir o turbilhão de informações que é o desenrolo deste filme.

Para nosso leitor, fica a certeza de que mais pauta de cinema vêm por aí 😉

P.S.: Agradeço à Imagem Filmes pelo convite!

 

 

Bem Sertanejo – Eu fui!

A música sertaneja já ultrapassou as barreiras de música regional e ganhou o Brasil. Quando há alguns anos Michel Teló fez sucesso mundial com seu “Ai, se eu te pego” avançou até mesmo as fronteiras internacionais.

O mesmo artista se desafia e toma a frente de um musical que conta a história deste estilo musical. A escolha de Teló como o protagonista veio de um quadro que o mesmo fazia no “Fantástico”. Com números musicais e entrevistas, desbravava cantos do Brasil combinando parcerias com o artista.

Porém, o que é levado agora ao palco é mais requintado. Cenografia e iluminação bacanas, figurino caprichado e muito bem cantado. Michel manda muito bem e surpreende como cantor, mostrando mais recursos que em seu corriqueiro repertório. Mas o restante do elenco mantém o alto nível musical do espetáculo.

As mais de duas horas de espetáculo são tempo suficiente para serem inseridos clássicos sertanejos e os sucessos mais atuais também. Estes são apresentados no segundo ato, que é mais um showzão para levantar a galera.

A parte não musical é preenchida por cultura sertaneja, alguns contos e tradições populares, comédia… Talvez isto soe um pouco estranho para quem não está muito acostumado com este universo (principalmente a interminável cena em que boa parte do elenco simula uma pescaria e troca causos com os famosos exageros de quem é adepto da prática).

Para os pouco acostumados ao universo sertanejo, o recado é dado (pelo menos) no início e no fim do espetáculo: deixar o preconceito do lado de fora. Mas observando a quantidade de pessoas que havia na grande Cidade das Artes, isto parece que ficou para trás há muito tempo aqui no Rio de Janeiro.

P.S.: Agradeço à Aniela Jordan pelos convites!

 

Cinequanon – Eu fui!

Há alguns anos fui ver o espetáculo “As canções que você dançou para mim”, da Focus Cia de Dança. Na época o que me chamou a atenção foi o inusitado medley feito com as músicas de Roberto Carlos – o tema da obra em questão, haja vista o título – e as coreografias. Curto muito dança contemporânea e a habilidade dos bailarinos foi algo que apreciei.

Agora no finzinho de 2017, depois de um, digamos, hiato de espetáculos de dança – não que eles não estejam rolando, eu que não tenho acompanhado muito -, resolvi conferir outro trabalho da mesma companhia. Desta vez o tema central era o cinema. Amantes dessas duas formas de arte podem contemplar no palco clássicos da telona sendo interpretados.

Mas não é tarefa para amadores. “Cinequanon” une um repertório respeitável de filmes indispensáveis para cinéfilos ou aspirantes a. E a maioria não é homenageada de forma tão evidente. “Tempos modernos”, “Psicose”, “O Poderoso Chefão”, “Dogville”, “Matrix”, “Ensaio sobre a cegueira”, “Tudo sobre minha mãe”, entre outros, têm figurinos, cenários, trilhas sonoras e interpretações reproduzidas, mas sob os olhos da Focus. O que não deixa de ser interessante e divertido de se ver.

Habilidade e entrega dos bailarinos em cena são as grandes estrelas do espetáculo. O que me mostraram que mesmo depois de anos sem conferir o trabalho da companhia, criatividade nas coreografias se mantém.

P.S.: Agradeço à Daniella Cavalcanti pelo convite

Dreamland Museu de Cera – Eu Fui!

Sucesso na gringa, os museus de cera sempre fazem parte do roteiro obrigatório de qualquer turista ao exterior. Quem nunca viu nas redes sociais algum amigo fazendo pose ao lado de bonecos de celebridades internacionalmente famosas? Perfeitos, não? Pois os cariocas não precisam mais ir para fora para conferir este tipo de arte.

EKS_1360

Segue exposto no NorteShopping o Dreamland Museu de Cera, que já tinha duas unidades fixas no país. A primeira foi em Gramado, na serra gaúcha, e a segunda em Foz do Iguaçu, no Paraná. Compõem o acervo artistas da música e do cinema, personalidades religiosas e políticas, personagens e grandes nomes do esporte. Amy Winehouse, Barack Obama, Michael Jackson, Papa Francisco, Albert Einstein, Bob Esponja são alguns dos exemplos.

Foto 26-03-14 23 15 47

Não cheguei a conhecer os museus de cera que existem no exterior, mas o daqui tive a oportunidade de ver de perto. Lógico que uns trabalhos são mais perfeitos que outros, mas no geral os bonecos são muito bem feitos. Lionel Messi que o diga. Pelo menos foi o que mais me chamou a atenção. IDÊNTICO! O trabalho também se estende à cenografia, com elementos que ajudam na réplica da cena como, por exemplo, o banquinho do Forrest Gump e a bicicletinha do ET. No som ambiente toca Michael Jackson, Beatles e todos os outros “presentes” na exposição

O figurino dos personagens também merece meção. Parecem originais! A galera faz a festa fotografando com seus bonecos favoritos. Sejam eles reais ou os da ficção.

Segue serviço da exposição:

Museu de Cera Dreamland – No NorteShopping

Onde: Pátio do NorteShopping – Av. Dom Hélder Câmara, 5474 – Cachambi.

Horário de funcionamento: De Segunda à Sábado: das 13h às 21h; domingos e feriados: das 12h às 20h20.

Valor da entrada: Segunda-feira: R$16 a meia-entrada (R$32 – inteira). De terça a sexta-feira: R$21 a meia-entrada (R$42 – inteira). Aos sábados, domingos e feriados: R$26 a meia-entrada (R$52 – inteira).

PROMOÇÃO #TODOMUNDOVAI: grupos de três ou mais pessoas pagam meia-entrada desde que adquiram o ingresso e entrem juntas na exposição.

P.S.: Agradeço à Máquina Cohn & Wolfe pelos convites

Gritos – Eu fui!

Nem tudo é o que parece! Se você pensa que só porque irá assistir a uma peça chamada “Gritos” sairá do espetáculo incomodado com o barulho, está enganado. O silêncio apenas interrompido pela trilha sonora é uma constante na atual atração do Teatro I do CCBB. Mas isto não significa que a dupla de atores não dê seu recado. E que seus gritos não fiquem ecoando em nossas mentes quando saímos de lá.

“Gritos” é uma obra da companhia Dos à Deux. Trata-se de três poemas gestuais: “Louise e a velha mãe”, “O muro” e “Amor em tempos de guerra”. Eles têm como características em comum as pessoas invisíveis na sociedade, o preconceito, o desprezo, os refugiados, a guerra e o amor.

O que falta nos diálogos, sobra na expressão corporal da dupla de atores, André Curti e Artur Luanda. Para completar, cenografia e figurino se confundem com partes dos corpos dos próprios atores. Os artistas tiveram partes de seus corpos – cabeça, mãos, pés e braços – esculpidos com gesso e depois trabalhados em diferentes materiais e transformados em bonecos de proporções humanas. No palco, o resultado é perfeito, e por vezes levamos um tempo para identificar o que é o quê.

A cenografia é mutável, e vai se transformando de acordo com o desenrolar dos poemas. A iluminação também colabora para a diferenciação das cenas, bem como dá uma maior dramaticidade e tensão quando necessários. O capricho em tudo traz um resultado grandioso, interessante para os ligados ao teatro, dança e às artes plásticas.

Para os interessados no trabalho do Dos à Deux, segue abaixo mais informações sobre a temporada do espetáculo, que vale a pena ser conferido:

FICHA TÉCNICA

Espetáculo: Gritos

Concepção, dramaturgia, cenografia e direção: Artur Luanda Ribeiro e André Curti

Interpretação: Artur Luanda Ribeiro e André Curti

Criação e realização objetos/bonecos: Natacha Belova e Bruno Dante

Criação Musical: Beto Lemos

Trilha sonora: Marcelo H

Cenotécnico: Jesse Natan

Iluminação: Artur Luanda Ribeiro e Hugo Mercier

Programaçao visual: Bruno Dante

Realização próteses: Dra. Rita Guimarães

Produção Brasil: Sergio Saboya – Galharufa

Produção executiva: Ana Casalli

Difusão – França: Drôles de Dames

Fotos: Renato Mangolin

TURNÊ GRITOS

CCBB Rio de Janeiro > de 17 de novembro a 16 de janeiro de 2017

CCBB Brasília > de 8 de fevereiro a 5 de março de 2017

CCBB São Paulo > de 10 de março a 24 de abril de 2017

CCBB Belo Horizonte > de 4 de maio a 12 de junho de 2017

SERVIÇO

CCBB RIO DE JANEIRO

Espetáculo: Gritos

Temporada: 17 de novembro de 2016 a 16 de janeiro de 2017

Dias e horários: Quarta a domingo, às 19h.

Sessões extras nos dias 26/12, 02, 09 e 16/01 (segundas), às 19h.

Local: CCBB Rio – Teatro I (Rua Primeiro de Março 66 – Centro).

Informações: (21) 3808-2020

Capacidade: 175 lugares

Classificação indicativa: 14 anos.

Gênero: Drama

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Duração: 1h30min.

bb.com.br/cultura | twitter.com/ccbb_rj | facebook.com/ccbb.rj

P.S.: Agradeço à Astrolábio pelo convite!

 

Um dos melhores eventos de 2016, veja nossa lista!

 

Teresa Cristina canta Cartola – Eu fui!

Em 2016 são celebrados os 100 anos do samba, precisamente no dia 02 de dezembro. Para isto, o Imperator – que

Foto: Divulgação

Foto:apetecer.com

por si só já homenageia o nome de um grande nome do gênero, João Nogueira (Centro Cultural João Nogueira) – levou para a comemoração dois outros ícones. O show “Teresa Cristina canta Cartola” fez única apresentação no dia em que a cidade inteira estava em festa pela data.

Eu, particularmente, fazia um tempo que queria assistir a este show. E todas as outras pessoas que esgotaram os ingressos. Mas o fato de ser uma apresentação no Dia do Samba preocupou Teresa Cristina, devido à quantidade de eventos gratuitos que acontecem na data. Com a casa lotada, a cantora pôde perceber que sua ansiedade era em vão, e ela se mostrou muito feliz por se apresentar no bairro onde passou bons momentos de sua infância, como a própria declarou. “Coloquei minha melhor roupa para ver vocês”, brincou a artista, que fez o show apenas acompanhada de Carlinhos Sete Cordas

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

“O mundo é um moinho” (Cartola) abriu o repertório, com um incidental de “Somewher over the rainbow”, no fim da canção. “Corra e olhe o céu (Cartola e Dalmo Castelo) deu prosseguimento à apresentação, assim como “Alvorada no morro” (Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Belo de Carvalho), “Ao amanhecer” (Cartola), “Disfarça e chora” (Cartola e Dalmo Castelo), “Vai amigo” (Cartola) e “Cordas de aço” (Cartola).

O grande homenageado da noite era Cartola, mas não significa que outros nomes não tenham sido lembrados. Clássicos de Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito, Candeia e Elton de Medeiros foram incluídos no repertório, com “Pranto de poeta”, “Preciso me encontrar” e “Meu drama (Senhora Tentação)”.

“Evite meu amor” (Cartola), “Tive, sim” (Cartola), “Sim” (Cartola e Osvaldo Martins), “Acontece” (Cartola), “Peito

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

vazio” (Cartola e Elton de Medeiros) foram outros clássicos apresentados no show. Teresa Cristina mostrou que é uma artista que deixa a rivalidade do Carnaval para tal época do ano. Como se não bastasse fazer um show em homenagem a um poeta da Mangueira, ela – portelense declarada – ainda fez questão de cantar “Sala de recepção” que tem uma letra escrachadamente feita por alguém com o coração em verde e rosa. Mas o profissionalismo da cantora falou mais alto. E também arrancou risos da plateia com sua interpretação peculiar para alguns versos da canção.

Divertida, Teresa Cristina brinca muito com o público e consigo mesma. A cantora também tem a característica de interpretar com muita clareza a letra que está cantando. Muito precisa tanto nos versos, quanto nas notas, ela esbanja emoção com “As rosas não falam” (Cartola). A letra e o auxílio do coro da plateia levaram a artista às lágrimas.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

“Minha” (Cartola) e “O sol nascerá” (Cartola e Elton Medeiros) preencheram a parte ensaiada do bis. O improviso ficou por conta de “Boas festas” (Assis Valente), recado da cantora para o próximo Natal. “Foi um rio que passou em minha vida”, do portelense Paulinho da Viola, encerrou a noite. Assim, Teresa mostra que, mesmo homenageando poetas das rivais, não esquece os grandes nomes da escola de seu coração.

P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites!

ter_0133

Foto: apetecer.com

Um dos melhores eventos de 2016, confira a lista!

Uma vida boa – Eu fui!

Dois anos após a estreia, “Uma vida boa” volta aos palcos cariocas contando uma história que aconteceu há 20 anos. Apesar de um longo tempo ter se passado, o assunto em questão continua bastante debatido. Aliás, mais do que nunca, os transgêneros são tema em voga na sociedade atual.

Apesar das referências temporais, a cronologia pouco importa durante a peça. Desde o início, não é mistério o desfecho trágico da história, pois o espetáculo não segue uma linearidade. Em 1993, uma jovem que nasceu com um corpo de mulher e assumia identidade masculina foi assassinada. O fato deu origem também ao documentário “The Brandon Teena Story” e ao filme “Meninos não choram”.

Os personagens são identificados apenas por suas iniciais, deixando a questão do gênero ainda mais indefinida. B (Amada Mirásci) é criado como menina pela família, mas resolve assumir sua identidade masculina. Talvez por isso tenha ido viver em outra cidade, onde se apaixona por uma cantora chamada L (Julianne Trevisol). Faz um novo ciclo de amizades. Entre ele está J (Daniel Chagas) – que viria a ser seu assassino -, fechando o trio do elenco. Um quarto personagem, apenas mencionado em cena, colabora com J no crime, que acontece quando ele descobre o segredo de B.

Além das boas interpretações dos atores, o que chama a atenção na peça são as marcações. Muito bem coreografado, a movimentação em cena é constante, e os três enchem o palco. A fala rápida do texto também traz uma agilidade, fazendo o ritmo ficar mais frenético. A iluminação, feita por Daniela Sanchez, creio que seja dos principais trunfos do espetáculo. Colabora com a agilidade já mencionada, assim como nos momentos de maior tensão.

Após o fim de cada apresentação, inicia-se um bate-papo entre o elenco e os espectadores da sessão. Para quem está interessado, tanto no espetáculo, quanto no debate, a temporada de “Uma vida boa” vai durar até o dia 19 de dezembro. Segue abaixo o serviço:

SOLAR DE BOTAFOGO

Espetáculo: Um vida boa

Temporada: 19 de novembro a 19 de dezembro de 2016

Dias e horários: De sábado a segunda.

Sábado e segunda, às 21h. Domingo, às 20h.

Local: Solar de Botafogo (Rua General Polidoro, 180 – Botafogo)

Informações: (21) 2543-5411

Capacidade: 180 lugares

Classificação indicativa: 16 anos

Gênero: Drama

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)

Duração: 60 min.

Vendas antecipadas pelo site: Ingresso.com

P.S.: Agradeço à Astrolábio pelo convite!

 

Um dos melhores eventos de 2016, confira a lista!

“Mozart e Salieri” e “Sheherazade” – Eu fui!

Para quem usa como desculpa o fato de “não entender o que os artistas cantam” para

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

não irem a uma ópera, isto já era. Traduzido para o português, “Mozart e Salieri” se apresentou no palco do Theatro Municipal em apenas um ato. O segundo foi ocupado pelo balé “Sheherazade”. A letra na tela ajuda o espectador a compreender a história e as canções. Mas, mesmo se não houvesse, as dicções do tenor Flávio Leite (que vive Mozart) e do barítono Inácio De Nonno (Salieri) são tão perfeitas que o resultado seria o mesmo.

A ópera questiona se a genialidade e o crime são compatíveis. Inclusive, Michelangelo é citado, com o boato de que teria sido um assassino. Mas o criminoso em cena é Salieri. Verdade ou não, há rumores de que o compositor tenha envenenado Mozart por ciúmes de seu grande talento. Trata-o como um amigo, convida-o para jantar e o envenena após ficar encantado por sua nova obra.

O fato – que talvez tenha acontecido na vida real – é encenado com riqueza no figurino, além do grande talento dos dois protagonistas, auxiliado pelo belo coral de “Mozarts” que os acompanham. Todos representando com perfeição a imagem que temos do grande músico. A cenografia fica por conta de um gigante piano, do qual não sai som algum, mas funciona como elemento cênico. Nele os artistas sobem, e a iluminação faz a festa produzindo grandes efeitos.

opera-bale-sheherazade-26-low-credito-julia-ronaiO segundo ato é preenchido por ainda mais cores, e por toda a leveza que a dança traz. “Sheherazade” é um balé mais sensual que os com os quais estamos acostumados. Tanto pelos movimentos da coreografia – com muito cambret -, quanto pelo figurino com o corpo mais à mostra.

O balé é inspirado no primeiro conto de “As Mil e Um Noites”. Shahriyar está desconfiado de que sua esposa favorita, Zobeide, é infiel. As suspeitas do sultão se confirmam, e ele descobre que a mulher e Escravo Dourado, seu preferido, têm um relacionamento. O marido traído mata o amante, e Zobeide implora seu perdão. Percebendo que não será atendida, ela se mata, deixando o sultão da antiga Pérsia consternado.

A música utilizada é a do poema sinfônico de Rimsky-Korsakov – Sheherazade. Assim como o primeiro ato, esta obra foi resumida para que coubesse em apenas um. Assim, foram aproveitados o primeiro movimento como abertura, e o 3º e o 4º para o bailado. A inspiração para o movimento cênico foram as miniaturas persas, com muita pantomima no lugar da gesticulação.

Tanto na ópera quanto no balé, o trabalho enxugado não comprometeu o resultado. Seja em relação à compreensão das histórias, quanto à beleza do espetáculo. O que significa que a soma Ópera + Balé é uma matemática que dá um bom resultado. E faz que o público de um comece a prestigiar, conhecer e gostar de outras vertentes da arte.

 

P.S.: Agradeço ao Theatro Municipal pelo convite.

 

Um dos melhores eventos de 2016, confira a lista!

Garota de Ipanema, o amor é bossa – Eu fui!

Ritmo genuinamente brasileiro, a Bossa Nova está sendo representada nos palcos em formato de teatro musical. Recheado de canções conhecidas por todo o público – seja ele apreciador ou não do estilo -, o espetáculo estreou junto com o Teatro Riachuelo Rio. Novo centro de arte e cultura do Rio de Janeiro, é o palco perfeito para uma peça que leva o espírito da cultura local.

Apesar de não contar a história da Bossa Nova, “Garota de Ipanema, o amor é bossa” retrata nos palcos a época em que o ritmo “bombava”, tanto nas reuniões na casa de Nara Leão, tanto entre toda a boemia carioca. Sucessos como “Corcovado”, “Minha Namorada” e “Samba de Verão” fazem a trilha sonora do romance entre Dindi (Letícia Persiles) e Zeca (Thiago Fragoso). Ela – que já carrega em seu nome um dos maiores clássicos de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira – é uma dona de casa do subúrbio, casada, que sonha em conhecer seus grandes ídolos e em seguir carreira de cantora. Ele é um rapaz da Zona Sul, arquiteto, músico boêmio e noivo de uma outra moça.

Quando a ouvem cantar, Tom Jobim e Vinicius de Moraes – que, apesar de não serem os protagonistas da história, são representados no palco – se encantam. Daí também surge a magia com Zeca, apesar dos impedimentos de ambos os lados. Só que os obstáculos não se restringem aos limites sociais e geográficos entre o casal. Acontecimentos políticos da época atrapalham os planos dos jovens. Casam, descasam. Entre eles e entre outros. Mas o amor não morre, e o destino e outros acontecimentos históricos fazem que ambos se reencontrem novamente.

O elenco conta com Claudio Lins, nome experiente em musicais. Portanto, a surpresa ficou por conta de Letícia Persiles. Voz linda, excelente intérprete. Claudio Galvan tem personagem de importância, porém com menos números musicais. Mas quando faz seu solo de “Canto de Ossanha” rouba a cena.

Para quem deseja ter seu encontro com a Bossa Nova, o musical está em cartaz até 27 de novembro no Teatro Riachuelo Rio. Segue serviço:

SERVIÇO

Teatro Riachuelo Rio – Rua do Passeio, 38/40 – Cinelândia

Estreia: 26 de agosto

Dias e horários: 5ª, 6ª e Sáb – 20h / Dom – 18h

Vendas:

– No site www.teatroriacuelorio.com.br

– Loja Riachuelo Ipanema: Rua Visconde de Pirajá, 321/ Tel: (21) 3441-6732

– Lojas Farm *em breve

Farm Centro II – Rua da Quintanda, 86/loja 102/ Tel: (21) 99852-1668

Farm Ipanema – Rua Visconde de Pirajá, 365/ Tel: (21) 99834-4486

Farm RDB – Av. das Américas, 7.777, lj. 124/125, 1° piso/ Tel: (21) 99631-0190

– Bilheteria Teatro Riachuelo Rio – a partir do dia 25/08

Preços:

5ªs e 6ªs: R$110 – Plateia VIP; R$80 – Plateia e Balcão Nobre; R$50 – Balcão

Sábados e domingos: R$140 – Plateia VIP; R$100 – Plateia e Balcão Nobre; R$50 – Balcão

Capacidade: 1.000 pessoas

Duração: 2 horas (com intervalo de 15 minutos)

Classificação etária: Livre

Até 27 de novembro

P.S.: Agradeço à RPM Comunicação pelo convite

Casa de Bonecas – Eu fui!

Certos temas polêmicos nunca envelhecem. Mas podem se modificar e ganhar nova roupagem com o tempo. É o que está acontecendo com “Casa de Bonecas”, clássico teatral do norueguês Henrik Ibsen, em cartaz no Centro Cultural da Justiça Federal até 12 de junho. Miriam Freeland, Roberto Bomtempo, Anna Sant’Ana, Regina Sampaio e Leandro Baumgratz integram o elenco desta montagem de Daniel Veroneze.

Escrito há mais de 120 anos, o original é um drama familiar com o qual Ibsen intencionou mostrar o cotidiano de uma família burguesa da época. No entanto, o autor questionou as convenções sociais do casamento e do papel da mulher na sociedade, provocando um choque no contexto social e comportamental do fim do século XIX. Na época foi revolucionário e de grande repercussão em toda Europa, inclusive com censuras violentas em relação à Nora, a protagonista. A sociedade não aceitava que a personagem abandonasse a casa e os filhos.

Na versão atual, o feminismo continua em pauta, mas com outro foco. Nora tem 3 filhos lindos – como a própria os define – e não os abandona. É tida como uma espécie de bibelô e objeto de adoração por seu marido, que adora contemplá-la e chamar a atenção de todos a sua volta sobre sua graça. Fala que a ama, mas o sentimento parece superficial. Nora faz bem seu papel de esposa perfeita, mas tem um segredo que esconde do companheiro. Quando este o descobre, mostra quem verdadeiramente é, e o que verdadeiramente sente pela esposa. Inclusive de forma agressiva.

Durante boa parte da peça “Cenas de um Casamento” é citado. A relação entre Marianne e Johan é debatida com leveza pelo casal, e suas frases repetidas durante os diálogos. O clássico de Ingmar Bergman fala de um relacionamento desgastado pelos 10 anos de convivência, e os personagens de “Casa de Bonecas” não expressam a identificação com eles, mas provavelmente a história de Bergman fica na cabeça de ambos como uma espécie de reflexão quanto a sua própria relação.

O espetáculo tem ótimo texto e a parceria entre o casal Miriam Freeland e Roberto Bomtempo – já conferida pelo blog em “Tomo suas mãos nas minhas” – segue bem-sucedida. Tem densidade, drama, e Regina Sampaio dá um toque de comédia com sua irônica Berta. Clássico de Ibsen com toque contemporâneo, fazendo não apenas um antigo texto transcender, como ganhar ares para novas reflexões.

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelo convite. Nossa campeã do ranking de melhores eventos de 2016, veja só!

Chuva – Eu fui!

Em cartaz no Teatro Ipanema, o grupo de teatro Tábula Rasa leva para os palcos a obra do autor Luiz Vilela. Apesar de batizar a peça, “Chuva” não é o enredo do espetáculo inteiro. O conto é um dos cinco apresentados, assim como Com os seus próprios olhos, Mosca morta, Vazio, Solidão. Apesar de diferentes, as estórias encontram um denominador comum na temática. Falam sobre medo, solidão, ódio, e tudo o mais que pode causar o isolamento humano.

Em “Com os seus próprios olhos”, um aluno é convocado a comparecer ao gabinete do diretor do colégio para tratar de um episódio delicado, do qual foi testemunha ocular, mas que o próprio não deu muita importância. “Mosca morta” se trata de um homem que aparece em um bar – em uma noite de chuva – e tem com outro um diálogo tenso a respeito de algo que aconteceu no passado. “Vento” fala de uma mulher que tenta entender por que o marido, sem explicação, chegou em casa antes do fim do expediente. “Solidão” mostra uma mulher solitária que faz, sem avisar, uma visita a um casal vizinho, gerando um mal-estar entre o marido e a esposa. Em “Chuva”, após acolher em sua casa um vira-lata, um homem fala, se dirigindo ao animal, sobre a solidão, em uma noite de chuva. Para a apresentação dos cinco contos, 4 atores se revezam em cena.

Em todas as cenas, o mistério está presente como um elemento coadjuvante (ou não) no espetáculo. Os personagens – não apenas os protagonistas dos contos – parecem esconder algo em seu íntimo. Mesmo que não seja explícito que têm algum segredo a revelar, há uma certa atmosfera sombria no ar.

A obra de Luiz Vilela é vasta no ramo da ficção. Dentre eles, o livro de contos “Tremor de terra”, a novela “O choro no travesseiro” e o romance “Perdição”. A variedade dos trabalhos renderam ao autor muitos prêmios, como o Prêmio Nacional de Ficção, o Prêmio Jabuti e o Prêmio ABL de Ficção. O escritor não se limita à literatura. Além de “Chuva”, outros contos de sua autoria foram levados para o teatro, cinema e televisão, com destaque para “Tarde da noite”, da Série Brava Gente, da TV Globo.

Para quem se interessa em conhecer a obra de Luiz Vilela e do grupo de teatro Tábula Rasa, segue o serviço do espetáculo:

Espetáculo: Chuva

Local: Teatro Candido Mendes

Endereço: Rua Joana Angélica, 63, Ipanema, Rio de Janeiro – RJ

Telefones: (21) 2523-3663

Horário: Quarta e quinta, às 20h.

Preço: R$ 30,00 (inteira) | R$ 15,00 (meia)

Lotação do teatro: 110 lugares

Duração: 1h

Classificação Indicativa: 16 anos

Horário da bilheteria: Todos os dias, das 13hs às 20hs

P.S.: Agradeço à Rachel Almeida pelo convite

 

Fatal – Eu fui!

Retomando a temporada 2016 que, até o mês de abril contava com… nenhum espetáculo assistido até então. Como para tudo nessa vida tem um começo e um recomeço, bóra iniciar os trabalhos deste ano olímpico e, quiçá, muito rico culturalmente também. Escolhemos retornar ao lindo espaço Oi Futuro Flamengo para assistir ao drama “Fatal”, com Debora Lamm e Paulo Verlings no elenco.

Com concepção e direção de Guilherme Leme Garcia e colaboração artística de Vera Holtz, “Fatal” é uma trilogia sobre a paixão criada a partir de mitos e lendas. A dupla em cena forma um casal que conta, em três atos, os encontros amorosos dos mitos Kama e Rati, Tristão e Isolda e Eros e Psiquê. Jô Bilac, Márcia Zanelatto e Pedro Kosovski foram os encarregados de escrever 3 textos livres sobre cada um dos romances. Jô Bilac produziu “Kama-Sutra Secreto”, inspirado em Kama e Rati; Márcia Zanelatto fez “Tristão e Isola – PeepShow”, como adaptação de Tristão e Isolda; e Pedro Kosovski fez “Monstros”, inspirado pelos encontros às escuras de Eros e Psiquê.

Falando no breu, este foi um ponto que chamou bastante minha atenção no espetáculo. No início, é até difícil entender como está a marcação dos atores em cena rs. O espetáculo começa com as vozes dos próprios, já em cena, mas só aparecem depois. Escolha bem feita para dar a dramaticidade que envolve as histórias. O trabalho do casal de atores também é louvável, com ambos deixando explícita, ainda que de forma sutil, a emoção dos textos poéticos dos 3 autores. Textos que unem erotismo, dramaticidade, etc. Mas que, acima de tudo, celebram o amor universal, e oriundo de outras ancestralidades.

 

P.S.: Agradeço à Astrolábio Comunicação pelos convites.

“O Messias” – Eu fui!

Já havia anos o Theatro Municipal do Rio de Janeiro trazia como encerramento de ano o balé “O Quebra-Nozes”, que é lindo e já fui conferir algumas vezes. Mas para finalizar 2015, o tradicional teatro decidiu levar para os palcos “O Messias”, criado pelo coreógrafo argentino Mauricio Wainrot. O espetáculo tem como base 32 temas do oratório homônimo de George Friedrich Händel e libreto de Charles Jennes, e fez nove apresentações no Municipal. Lógico que o espetáculo não se compara a “O Quebra-Nozes” no que diz respeito à atmosfera infantil e lúdica. Mas encheu o Municipal com suas equipes de bailarinos de primeiro time, assim como Coro e Orquestra Sinfônica. No palco, os dançarinos eram tantos e se revezavam com tanta frequência que era difícil identificá-los.

Mauricio Wainrot criou a primeira versão de “O Messias” em 1996 para o Royal Ballet of Flanders, na Bélgica. Atualmente ele é coreógrafo permanente deste mesmo teatro, e também diretor artístico do Ballet Contemporâneo do Teatro San Martin. A versão apresentada no Rio de Janeiro foi exibida em 1998, na abertura do Sínodo dos Bispos Europeus, no Beaux Arts Palais, em Bruxelas.

“O Messias” não possui um enredo. A obra de linha abstrata é mais inspirada na música de Händel. A coreografia tem movimentos que misturam a dança clássica e contemporânea. Com muitos levantamentos, boa parte também é dançada com todo o corpo de baile. Outra coisa que chama a atenção é o visual “clean” do espetáculo. Tanto cenário, quanto figurino são brancos. O toque de glamour fica mais para o fim, quando algumas bailarinas vestem suas tradicionais saias de tule, ajudando a valorizar e dando toque tradicional a um espetáculo de balé. Sendo assim, “O Messias” é um espetáculo em que desviamos pouco a atenção para cenários e figurinos. Ideal para os apreciadores mais focados na dança.

P.S.: Agradeço ao Theatro Municipal pelos convites

 

“Godspell” – Eu fui!

Começo as postagens do “Eu fui!” de 2016 com o maior delay da existência do blog. Nem tive coragem de olhar

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

quando aconteceu o convite, mas creio que foi mais ou menos lá para novembro =O Tanto que o musical sobre o qual vou falar nem entrou no Top 5 dos melhores do gênero de 2015, como era de merecimento. Mas, pela qualidade do trabalho do pessoal da Ceftem, tem tudo para ser bem qualificado no ranking que gosto de fazer nos fins de ano.

Bem, vamos lá! “Godspell” é um musical tradicional da Broadway, e tem como base as parábolas do Evangelho de São Matheus. Um grupo de 12 pessoas tem seus caminhos cruzados por João Batista / Judas e por Jesus. Esse encontro altera as ações e o olhar de todos pela vida. A adaptação brasileira tem bastante toque nacional. O primeiro ato é recheado de alusões a memes de internet no texto. Se você não está antenado no que está rolando na net fica meio perdido e sem saber de que as pessoas riem tanto. O repertório também faz muitas versões de hits atuais nas rádios, principalmente internacionais.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Confesso que não curti muito o texto no primeiro ato, apesar de considerar logo de cara o talento da galera bem jovem que estava em cena. Mas, quando estava voltando do intervalo, o clima na sala estava de uma animação só. É que o elenco puxava um medley de músicas religiosas (e outras nem tanto), que incluía “Xô, Satanás”, “Erguei as Mãos”, entre outras. E isto preparava para o ótimo segundo ato que se iniciava. Mais divertido, emocionante e com o texto caprichado. Todos do elenco tiveram seu momento de brilhar individualmente. Na interpretação e no canto. O entrosamento deles no palco é bastante evidente, e parecem se divertir tanto quanto a plateia.

Quem brilhou não foi apenas o elenco. As formações que faziam em cena eram ótimas. A iluminação também colabora para que os atores brilhem ainda mais em cena, sendo um dos melhores destaques da montagem. Apesar de visivelmente não tão grandioso quanto um musical da Broadway possivelmente é, a equipe dedicada ao que se propôs fez um excelente trabalho. E a galera nova – alguns já experientes – tem tudo para bombar em futuras produções do gênero, pois tem energia e talento de sobra.

 

P.S.: Agradeço ao Otavio Furtado pelos convites

Este slideshow necessita de JavaScript.

Show Caio Prado – Eu fui!

Quem conhece a Lapa sabe que o bairro tem a música presente em todos os cantos. Nomes consagrados ou iniciantes fazem do local seu ambiente para quem valoriza o bom som brasileiro. Pertencente ao segundo grupo citado, Caio Prado levou para a Sede das Cias um show em que apresenta seu primeiro trabalho autoral.

“Variável Eloquente” traz uma proposta minimalista, e o disco foi construído em torno de um violão e um quarteto de cordas. Para o show, Caio preparou também uma apresentação intimista, levando em conta o pequeno – mas empolgado – público presente. O jovem cantor arranca xingamentos elogiosos deste rs. Tudo no maior carinho e serviam para enaltecer o talento do artista.

Caio capricha no vocal, e brinca com as notas, imprimindo seu estilo em suas próprias canções, que compunham a maior parte do repertório. Parece ousado, mas a técnica do cantor o faz se arriscar sem que a afinação seja comprometida. O show também teve as participações de Diego Moraes e Isabella Moraes, que mostraram sintonia e se rasgaram em elogios ao amigo. Os covers foram ecléticos, com “High and Dry”, do Radiohead, e “Clube da Esquina Nº 2”, de Milton Nascimento e Lô Borges. Aliás, a influência de Bituca no trabalho de Caio Prado parece bem evidente em seu jeito de cantar.

Com variadas referências, Caio se lança para o público como mais uma aposta de renovação na música brasileira, tão rica em talentos. Desejamos sorte ao novo artista, e que nos encontremos em muitos palcos e bares da vida.

 

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite

 

A Santa Joana dos Matadouros – Eu fui!

Ao pensar em um espetáculo com 2 horas de duração (exceto musicais, em que o tempo chega a exceder este), poderia ter pensado, “Ai, de mim!”. Se não fosse uma obra da qualidade do dramaturgo alemão Bertold Brecht, e minha primeira experiência com o autor vendo ali, encenada na minha frente.

“A Santa Joana dos Matadouros” foi escrita entre 1929 e 1931. Se ainda não associou o período a nenhum contexto histórico, Brecht a produziu em meio à crise econômica de 1929. A peça é ambientada nos matadouros de Chicago, nos Estados Unidos. Durante um rigoroso inverno, as diferenças sociais se intensificam, e a luta dos trabalhadores em busca de comida e abrigo se agrava.

Daí surge Joana Dark (papel-título, interpretado por Luisa Arraes). A jovem ingênua e cheia de energia pertence ao grupo missionário “Boinas Pretas”. Ela se une à luta dos operários contra o desemprego e demissões crescentes que tomam conta da indústria de carne enlatada. O espetáculo conta a história da personagem desde a época da inocência – quando acreditava que a distribuição de sopa e cânticos religiosos para os pobres atenuaria as tensões provocadas pelo mercado das carnes – até o seu entendimento da mecânica complexa e violenta da política econômica.

Apesar dos mais de 80 anos que afastam o período em que foi escrita a peça do de agora, o ótimo texto permanece atual. O cenário é composto por engradados, quadrilátero de luz, e os próprios atores forram o chão com várias camisas no início da peça, até que as vestimentas sejam incorporadas ao figurino. Fora isto, há uma ambientação sonora muito forte. Um microfone também está presente no palco, e a música em coro dos artistas aparece em alguns momentos. Todos esse elementos, aliado ao bom desempenho dos atores, colaboram para prender a atenção do espectador durante o longo tempo da peça. E o recado da crítica social sobre exploração no trabalho, indolência de integrantes de hierarquia superior e funcionamento da política econômica é dada com competência.

 

SERVIÇO

A Santa Joana dos Matadouros

Temporada: 19 de novembro a 21 de dezembro.

Local: Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, S/N – Copacabana)

Informações: (21) 2332-7904 / 2332-7970.

Dias e horários: Quinta a segunda, às 20h.

Capacidade: 102 lugares.

Duração: 120 minutos.

Gênero: Drama.

Classificação indicativa: 16 anos.

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

P.S.: Agradeço à Paula Catunda pelos convites

 

 

Juvenal, Pita e o Velocípede – Eu fui!

Assim como a maioria de nós, Juvenal guarda lembranças fortes e boas de sua infância. Brincadeiras, amigos…

Foto: apetecer. com

Foto: apetecer. com

Histórias que ficaram na memória e, hoje homem, quis compartilhar com todos que o visitaram no Teatro Maria Clara Machado, na Planetário da Gávea. Seu brinquedo favorito, o velocípede, e sua melhor amiga, Pita, estão presentes em todo o seu discurso, inclusive no título do espetáculo.

Seu meio de transporte/brinquedo preferido foi construído por seu tio, e com ele viveu as maiores aventuras com Pita. O ator Eduardo Almeida comanda o monólogo, que tem texto de Cleiton Echeveste e direção de Cadu Cinelli. Nele, conta os causos de sua infância. Isso interagindo com a plateia, predominantemente infantil. Mesmo que o artista não quisesse, seria sempre interrompido pelos gritinhos de “Quem é Pita?”.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Juvenal deixa esta questão no ar. Afinal, nós deveríamos saber pois, segundo o próprio, também tínhamos marcado com ela no mesmo local e horário que ele, e estávamos lá para isto. Matando ou não a curiosidade infantil (e adulta, por que não?), o espetáculo cumpre o papel de mexer com o imaginário infantil. O universo lúdico é muito bem explorado, com o personagem narrando suas aventuras ao lado da velha amiga, com quem perdeu o contato.

A tarefa de explicar quem era Pita provavelmente ficou com os pais, e não consigo imaginar como conseguiram esclarecer para os pequenos rs Mas é um tipo de programa que vale a pena investir para a criançada, pois desenvolve a imaginação. Consequentemente, criatividade e inteligência. E, assim, vão construindo suas histórias para, daqui a alguns anos, terem o que contar para as gerações seguintes.

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

P.S.: Agradeço à Paula Catunda pelos convites

 

#Garotas – o Filme – Eu fui!

Filmes de ritos de passagem são algo frequente no cinema americano há um bom tempo. Também temos representantes do gênero, como”#Garotas – o Filme”, que estreou em 12 de novembro. O longa fala sobre a amizade entre 3 meninas. Um pouco mais velhas do que as personagens dos filmes gringos costumam ser, as jovens estão

Elenco, diretor e produtor de "#Garotas - o Filme" Foto: apetecer.com

Elenco, diretor e produtor de “#Garotas – o Filme” Foto: apetecer.com

na faixa dos 20 e poucos anos, e seus conflitos já evoluem para a fase de trabalho e fim de faculdade. Mesmo assim, é uma transição importante na vida de qualquer um.

“Tinha uma ideia de fazer um filme sobre jovens, um dos grandes temas do cinema. De repente pensei em fazer esse filme sobre um rito de passagem. São meninas numa faixa de idade um pouco mais velha que a gente costuma ver nesses filmes jovens americanos, de festa, que são sobre adolescentes. Estou retratando aqui umas meninas numa fase um pouco mais madura, já no fim da faculdade. Já tem as escolhas, um trabalho… Quero algo mais pesado de humor, mais politicamente incorreto. É um modelo de filme que curto muito, esses de ritos de passagem. Há vários filmes com essa estrutura de ’24 horas que mudam a sua vida'”, explica o diretor e roteirista, Alex Medeiros. “O filme teve quase uma vida própria. Várias pessoas que trabalhavam próximas a mim tiveram o interesse e quiseram participar”, completa.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

O longa foi filmado durante 18 diárias, mas todo o processo durou 2 anos, com interrupções. As 3 atrizes principais – Giovana Echeverria, Barbara França e Jeyce Valente – foram escolhidas logo no início das gravações, e participaram de todo o processo. Talvez isto justifique a naturalidade que aparecia na telona. Os improvisos nas falas eram constantes e perceptíveis. “Trabalhamos com muito improviso, e isso acabou marcando toda a linguagem do filme. Elas tiveram muita contribuição no texto. Houve várias falas de improviso, e chegou a um ponto em que eu nem lembrava do que foi escrito e o que foi filmado”, justificou Medeiros.

A forma com que o elenco interpreta é muito natural, parecendo que realmente não há texto decorado. Isto

Giovana Echeverria é a protagonista do longa Foto: apetecer.com

Giovana Echeverria é a protagonista do longa
Foto: apetecer.com

infelizmente faz em alguns momentos os diálogos ficarem bobos e cansativos. Mas a principal virtude no filme está no desfecho, que surpreende. O desempenho das #garotas também é satisfatório. Giovana capricha na sensualidade e Barbara e Jeyce são desenvoltas no improviso. Para não corrermos o risco de esquecer alguém, melhor não citar o restante do enorme elenco rs. Há probabilidade de esquecer algum nome entre tantos é grande rs.

“#Garotas – o Filme” é um filme sobre transição. Sobre aquele momento de dúvida entre a curtição ou colocar a cabeça no lugar e levar a vida de forma mais séria. A frase “Crescer é foda!” acompanha a narrativa da película, fazendo mais a fase adulta parecer um peso do que uma vantagem. Mas não é esse o resultado do que se vê na telona. A maioria dos personagens quer mais é saber de festa. Preocupar pra quê? Temos a vida inteira para aprender a sermos adultos.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

P.S.: Agradeço à Julia Ryff pelos convites

O Beijo no Asfalto – Eu fui!

Nelson Rodrigues é um autor dono de diversos sucessos no teatro (como “Bonitinha, mas ordinária“, que já tivemos a oportunidade de conferir). Como se não bastasse o vasto legado teatral, agora seus clássicos estão adquirindo diferentes roupagens. E não se trata apenas de novas adaptações. “O Beijo no Asfalto”, por exemplo, está agora sendo encenada nos palcos como forma de musical.

A peça foi escrita em 1960, e o protagonista é Arandir (Claudio Lins). Rapaz recém-casado com Selminha (Laila Garin), é um pacato funcionário de escritório e morador do subúrbio carioca. Toda a paz tem fim quando presencia um atropelamento na Praça da Bandeira. Arandir vai acudir a vítima, que pede um beijo. Ele atende ao pedido, e a cena é presenciada pelo sogro, Aprígio (Gracindo Jr.), e pelo jornalista Amado Ribeiro (Thelmo Fernandes), que achou o fato interessante e resolveu publicá-lo no jornal em que trabalha, “A Última Hora”.

A partir de então tudo começa a ficar cada vez pior para Arandir. Além de ter sua vida devassada pelos jornais, também perde a confiança de pessoas próximas, que passam a crer mais nos veículos que em sua palavra. Seja em relação a sua masculinidade e até mesmo seu caráter. O que pode levar a uma discussão sobre como a mídia pode interferir negativamente na vida de uma pessoa comum. No caso de Arandir, um inocente que viu uma fatalidade cruzar seu caminho. Ou não? Por vezes, a impressão é a de que a peça quer também deixar a dúvida no espectador sobre a dubiedade de Arandir, já que o episódio apenas é simulado, de acordo com relatos. Bem, o protagonista adquiriu desconfiança de todos, mas não gerou a minha. Mesmo assim, não é apenas a vida dele que é mudada, mas a de todos ao seu redor.

“O Beijo no Asfalto” tem elementos clássicos de obras de Nelson Rodrigues. Conflitos familiares, confusões de sentimentos, sensualidade e características de comportamentos típicos dos anos 1960. A grande novidade está na escolha do formato de musical para ajudar a contar a história. A inspiração foram canções de Cauby Peixoto, Tito Madi, Vicente Celestino, Orlando Dias, Roberto Silva, Nelson Gonçalves, Anísio Silva. As interpretações são de Claudio Lins, Laila Garin (que já brilhou na pele de Elis Regina, em “Elis, a Musical“), Yasmin Gomlevsky, entre outros.

Mesmo com todas as boas interpretações musicais, o que mais chama a atenção em “O Beijo no Asfalto” é o próprio enredo rodriguiano. Com destaque para o desfecho surpreendente, que arranca risos do público, de tão inusitado. Vale a pena conferir mais um trabalho musical, de origem 100% nacional.

 

P.S.: Agradeço à Midiorama pelos convites

 

Serviço:

Local: Teatro das Artes (Rua Marquês de São Vicente, 52 -2º piso – Shopping da Gávea , Rio de Janeiro – RJ)

Ingressos:

Quintas e sextas:

  • Inteira – R$ 80,00
  • Meia-entrada – R$ 40,00 às quintas e sextas

Sábados e domingos:

  • Inteira – R$ 90,00
  • Meia-entrada – R$ 45,00

 

Como Sobreviver a um Ataque Zumbi – Eu fui!

Semana de Halloween, e uma estreia com a cara da temporada resolve pintar nos cinemas. “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” mexe com um universo muito em voga ultimamente, mas esta mais nova homenagem à classe zumbi não tem o intuito de assustar. A diversão está em primeiro lugar nesta comédia rasgada de Christopher Landom.

O enredo não é lá muita novidade, e repete clichês de outras comédias americanas, com estereótipos parecidos de personagens. 3 adolescentes escoteiros se conhecem desde crianças, mas 2 deles não veem mais graça nisso, e não querem mais ser alvo de chacota dos outros jovens da cidade. Ben – galãzinho – e Carter – com os hormônios à flor da pele – decidem escapar do acampamento para ir a uma badalada festa. Assim, deixam para trás Augie – divertido gordinho – , que se sente traído (e consegue encontrar os dois “ex-amigos” seguindo o que chamou de “cheiro da traição”. Ri muito ahah). Chegando na cidade, veem que o local está tomado por zumbis, e se juntam com Denise – a gostosona – para combater a epidemia.

Apesar do trio matar zumbis sem dó nem piedade e da quantidade de sangue na telona, o filme tem divertidos momentos. Com piadas e cenas que, para uns, podem ser consideradas de mau gosto, o longa faz rir em sua boa parte. Apesar dos clichês já citados, também há várias partes nonsense, que são – para mim – as mais engraçadas.

Se a blogueira que vos fala não fosse tão ignorante em relação a séries americanas – destas em que todos são viciaaaados -, poderia fazer um paralelo entre “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” e elas. Se bem que acho que também não é o caso. A ideia principal mesmo é fazer uma comédia voltada para o público adolescente. Que retrata a libido mais aflorada da fase, e também com um pouco de romance. Quanto a isto, creio que o filme cumpriu seu papel, mas também pode divertir públicos de outras idades (a partir dos 14 anos).

P.S.: Agradeço à Palavra pelos convites

Cidade de Deus – 10 anos depois – Eu fui!

Você lembra em que circunstância e quantas vezes assistiu a “Cidade de Deus” (considerando que todos nós já

Leandro Firmino (Zé Pequenos) foi conferir a estreia de

Leandro Firmino (Zé Pequeno) foi conferir a estreia de “Cidade de Deus – 10 anos depois”
Foto: Divulgação

assistimos, né?)? Bem, a primeira vez (das 3 vezes) que vi foi no cinema mesmo, depois de já ter passado aquele “furdúncio” inicial, de filas quilométricas. Mas estava de olho nele antes mesmo da estreia, em 2002. 13 anos depois, é lançado um documentário que nos faz reviver a época, e para lembrarmos de algumas figuras que ficaram conhecidas desde então. Algumas não mantiveram o frisson que causaram, e esta é a principal questão do documentário “Cidade de Deus – 10 anos depois”.

Assinado por Cavi Borges e Luciano Vidigal, o documentário entrevista vários integrantes do elenco. Poucos já eram inseridos no meio artístico, como Seu Jorge, que deslanchou no cinema e na música após o longa. A imensa maioria foi escolhida por meio de testes entre pessoas da comunidade, e preparada especialmente para atuar no filme. Esta questão foi muito debatida na época, devido ao excelente desempenho deles nas telonas.

Douglas Silva (Dadinho) foi outro nome revelado em

Douglas Silva (Dadinho) foi outro nome revelado em “Cidade de Deus”
Foto: apetecer.com

Para muitos o sucesso foi passageiro. Um dos atores assumiu a culpa, por ter pensado que, após fazer um dos maiores sucessos do cinema nacional, os convites fossem aparecer, e acabou não correndo atrás. Hoje, esses levam vidas simples, longe do glamour das telonas. Outros acabaram caindo no crime, como o caso de Rubens Sabino (Neguinho), que chegou a aparecer em alguns telejornais.

Mas o sol brilhou para outros integrantes, como Roberta Rodrigues (Berenice) e Thiago Martins (Lampião), hoje atores recorrentes em novelas da Rede Globo. Seu Jorge e Alice Braga também seguem carreiras bem-sucedidas, inclusive internacional. Douglas Silva (Dadinho) é outro nome que se mantém atualmente na TV.

O documentário toca em várias questões. Destacando principalmente como era a vida do elenco antes do filme e como se transformou com este, e quais as perspectivas futuras para esta profissão. Também falam em relação ao dinheiro, e o que os atores fizeram com os cachês. Todos deram suas opiniões a respeito. Apesar de muitos entrevistados, senti falta de 2 nomes. Matheus Machtergaele não apareceu na telona. Assim como o principal responsável pelo sucesso: o diretor Fernando Meirelles. Não sei o motivo das ausências. Talvez o diretor do documentário quis exibir uma olhar menos óbvio em relação a “Cidade de Deus”.

Leandro Firmino Foto: apetecer.com

Leandro Firmino
Foto: apetecer.com

P.S.: Agradeço à palavra! pelos convites

Kiss me, Kate – O beijo da megera – Eu fui!

“Kiss me, Kate – O beijo da megera” é um espetáculo baseado em 2 sucessos. O musical “Kiss me, Kate” é uma atração da Broadway, com músicas de Cole Porter. Este, por sua vez, referencia “A megera domada”, um dos maiores clássicos da dramaturgia mundial, do autor William Shakespeare. Assim, torna-se um espetáculo dentro de outro, com os integrantes do elenco se alternando em 2 personagens cada um deles.

“A megera domada” conta a história de Petruchio. Machão, está à procura – ou à caça mesmo – de uma noiva. Até que encontra Katharina, fêmea perfeita para seu objetivo. Perfeita? Nem tanto, pois a moça tem um gênio explosivo, e não se rende tão fácil. Muito menos ao pretendente (alguém aí lembra da novela “O Cravo e a Rosa”? Então eheh). O rapaz então tem que fazer o possível e o impossível para tentar amansar e conquistar Katharina.

Em “Kiss me, Kate”, Frederic (José Mayer) e Lilli (Alessandra Verney) são um (ex) casal de atores que está encenando o clássico de Shakespeare. Mas ficção se confunde com “realidade”, e o gênio da atriz é meio parecido com o de Katharina, causando muitos conflitos entre os dois. Mas todos eles são contados da mais divertida forma. E afinada também.

O destaque do musical não está na grandiosidade da produção. E sim nas próprias canções, e na forma como são apresentadas. As letras das músicas são de criatividade incrível, assim como de um deboche surpreendente, que leva o público às gargalhadas. José Mayer e Alessandra Verney brilham nos duetos e nos solos, principalmente o famoso ator de televisão, que impressiona quem ainda não conhecia este seu lado. Outra dupla que também rouba a cena é Chico Caruso (sim, o cartunista) e Will Anderson, gângsters engraçadíssimos que tentam cobrar uma dívida do protagonista. Fora outros talentos individuais e outros números de dança, muito bem coreografados e executados.

“Kiss me, Kate – O beijo da megera” é mais um trabalho da parceria Charles Möeller & Claudio Botelho, que já está mais que consagrada no cenário cultural. Outra vez a dupla mostra que sabe escolher sucessos da Broadway, e adaptá-los para deixar de uma forma que agrade ao público brasileiro.

P.S.: Agradeço à Contato Comunicação e Eventos pelos convites.

 

Grande vencedor do nosso Top 5 de melhores musicais de 2015, veja!

Cenas de um Casamento – Eu fui!

Morto em 2007, o consagrado dramaturgo sueco Ingmar Bergman deixou como herança diversos trabalhos que retratam

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

os relacionamentos humanos. A primeira obra teatral do autor a que assisti foi “Depois do Ensaio” , e agora tenho a oportunidade de conhecer outra. E a segunda experiência me impressionou muito mais.

“Cenas de um Casamento” retrata a rotina conjugal de Johan (Heitor Martinez) e Marianne (Juliana Martins). Com dez anos de casamento, passam por crises e conflitos banais do dia a dia. Até que os atritos vão se intensificando, o que resulta na ruptura do casal, que tem 2 filhas, mas as personagens só aparecem nos diálogos deles. Johan e Marianne têm traços psicológicos interessantes para citar. Vamos começar em ordem alfabética rs

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Johan é um cara cansado da rotina familiar, e cria válvulas de escape para aliviar o tédio. Por ter chegado ao limite do estresse, ou por uma característica de sua personalidade mesmo, ele é de uma frieza impressionante. De sinceridade extrema, não sente culpa nem por abandonar as filhas quando decide deixar o casamento. Fala delas com desprezo, e com ódio às vezes. Chegam a ser engraçadas algumas partes de seu texto. Marianne também parece enfadada com a rotina, mas se preocupa muito com a opinião das pessoas que os cercam. As respectivas mães são figuras frequentes no diálogo dela no início da peça. Mas não apenas a elas que a personagem quer agradar. A mulher se importa muito com o nome e a imagem de família que tem para zelar.

Falando tanto em diálogo, este é o principal trunfo da peça. O texto é muito bom, como se pode esperar de uma obra de Bergman. Mas os parabéns também devem ser direcionados a Maria Adelaide Amaral, que foi a responsável pela tradução. Muitos anos se passam desde o início até o fim do espetáculo, mas não perde o gás e as reflexões e tiradas acompanham do início até o fim. O público se diverte também. Talvez não apenas pela graça do texto, mas porque pode encontrar muita identificação com suas próprias vidas. Afinal, mesmo sendo uma obra de 1973, o enredo permanece atual. Pois certas coisas são imunes ao tempo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

SERVIÇO

Estreia: 16 de outubro de 2015

Temporada: De 16 de outubro a 15 de novembro

Datas: Sextas, sábados e domingos

Horário: Sextas, sábados e domingos, 20h

Preço: R$ 40,00 (inteira) R$ 20,00 (Meia entrada)

Local: Teatro Ipanema

Endereço: Rua Prudente de Morais, 824 – Ipanema – Telefone: (21) 2523- 9794

Capacidade: 222 lugares

Duração: 90 minutos

Classificação: 14 anos

Gênero: Drama

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelos convites

2 Números – Eu fui!

“2 Números” é um espetáculo de animação, contendo 2 números, como já entrega o título. Mas a obviedade se restringe a este fato. A peça é surpreendente, e muito melhor do que eu imaginava. Não sei o motivo da surpresa, pois li maravilhas da crítica. Não que o tenha subestimado, mas a destreza dos atores impressiona, assim como o espírito lúdico.

Os números apresentados são “Cama de gato” e “De dentro”. O primeiro conta com a participação de 3 atrizes formando figuras com um objeto que parece ser uma espécie de linha, mas não sei precisar. A criatividade dos desenhos mostrados é incrível, assim como o desempenho das artistas. Com os rostos cobertos por máscaras, não podemos ver suas feições, mas nem há necessidade. As moças falam com o corpo, e com as formas que apresentam e o gestual, dão conta do recado sem precisarem de caras e bocas, ou texto.

Tão agradada que estava com o primeiro número, apenas por alguns minutos este foi o meu favorito. Mas o boneco de “De dentro” é irresistível. Até dá para esquecer que há 3 atores no controle dele. Não consigo crer que, sem eles, ele não tem vida própria. A manipulação é impecável. Na verdade, interação entre o objeto e os humanos em cena.

“2 Números” é espetáculo para todas as idades e todos os gostos. Animação costuma atrair público infantil, mas este era minoria no teatro. Havia uma que interagia durante os 40 minutos. Provavelmente pensava que o boneco era um ser real. Bem, se eu por alguns momentos também acreditei, imagine alguém tomado pelo espírito de fantasia que o espetáculo expressa…

P.S.: Agradeço à Rachel Almeida pelo convite

Anomalisa – Eu fui!

Durante o Festival do Rio 2015, recebemos o convite para assistir a “Anomalisa”, filme de animação em stop motion criado por Charlie Kaufman – de “Sinédoque, Nova York” e “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” – e Duke Johnson. O longa fazia parte do festival. Infelizmente, com a vida corrida, só estou conseguindo fazer o post agora, com o evento já finalizado há um século. Mas ainda estamos em tempo, pois a estreia será apenas em janeiro de 2016. Além do diretor, o filme conta com outros nome de peso nas dublagens, como Jennifer Jason Leigh – de “Mulher Solteira Procura” e “Sinédoque, Nova York” e David Thewlis – de “A Teoria de Tudo”.

“Anomalisa” conta a história de Michael Stone. Marido, pai e respeitado autor de “Como Posso Ajudá-lo a Ajudá-los?”. Apesar do sucesso profissional, sente-se entediado com a rotina da vida. Durante uma viagem para Cincinnati – onde estava agendada uma palestra sua -, conhece Lisa. Moça simples, envolve-se com Michael em um romance. Mas seria este ou não o amor de sua vida?

Pela descrição do enredo, já se pode ter uma noção de que o filme toca em questionamentos profundos. A feição de Michael é realmente de um homem insatisfeito e que tem que aprender a lidar com seus demônios internos, apesar de ajudar outras pessoas a serem mais felizes. As falas de Lisa também são recheadas de desabafos sobre seus complexos. Seu gestual demonstra problemas que a moça tem com sua aparência. Mas tudo muda quando eles se encontram. A afinidade entre o casal faz ambos ficarem mais leves.

Além da densidade, a animação conta com outros fatores inusitados, como cena de sexo entre Michael e Lisa, inclusive com nudes do casal. O suficiente para você fazer a criança da família ficar longe deste longa, pois não é definitivamente obra voltada para este público. Mas os grandinhos que gostam de apreciar um bom filme podem ficar certos de que assistirão a um trabalho com todos os elementos de que toda boa película precisa.

P.S.: Agradeço à Paramount pelos convites.

Apoteose da Dança – Eu fui!

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro – velho parceiro do blog – resolveu dar um presente para os grandinhos nas vésperas do Dia das Crianças. “Apoteose da Dança” juntou a nata do corpo de baile em um espetáculo que reunia 2 coreografias: “Age of Innocence “e “Sétima Sinfonia”.

A elite a que me refiro se trata de bailarinos que estão presentes nos espetáculos grandiosos que o Municipal promove. Claudia Mota, Márcia Jaqueline, Francisco Timbó, Deborah Ribeiro, Karen Mesquita, Priscila Albuquerque, Priscilla Mota, Renata Tubarão, Cícero Gomes, Edifranc Alves, Filipe Moreira, Moacir Emanoel e Rodrigo Negri. Todos juntos no palco para o deleite dos admiradores. Além disto, as diretoras artísticas são Ana Botafogo e Cecília Kerche, velhas conhecidas do grande público.

Com músicas de Philip Glass e Thomas Newman, “Age of Innocence” abriu os trabalhos. A coreografia de Edwaard Liang foi concebida em 2008 para o Joffrey Ballet, de Chicago. A inspiração foi o romance “The Age of Innocence”, de Edith Wharton, e os livros de Jane Austen, que descrevem uma mulher que não tinha voz própria e mantinha contato muito limitado com outras pessoas, principalmente com os homens. A dança incluía elementos contemporâneos, mas sem as bailarinas deixarem a sapatilha de ponta de lado.

Um pouco mais antiga “Sétima Sinfonia” foi criada por Uwe Scholz em 1999, para a companhia alemã Leipzig Ballet. Os 16 casais, vestidos de branco, dançavam em um cenário com elementos geométricos, e a coreografia criava formas idem, como triângulos, por exemplo.

As coreografias tinham uma rapidez maior do que o que estamos acostumados a ver nos espetáculos mais tradicionais. Mesmo assim, as bailarinas não abandonam a doçura. No quesito talentos individuais, Márcia Jaqueline se destaca com sua leveza habitual. Entre os rapazes, Cícero Gomes chama a atenção pela força de seus movimentos. Claro, sem ignorar o talento de todo o restante do corpo de baile. E a direção artística de Ana Botafogo e Cecília Kerche, agora por trás dos holofotes, mas que tanto já encantaram com a sapatilha nos pés.

P.S.: Agradeço ao Theatro Municipal pelos convites.

Número 1 no nosso Top 3 de espetáculos favoritos de dança de 2015. Confira!

“Consertam-se Imóveis” – Eu fui!

Indicada ao prêmio Cesgranrio em 2 categorias – “melhor texto” para Keli Freitas e “melhor cenário”, para Lorena

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Lima – “Consertam-se Imóveis” estreou uma nova temporada na nossa velha parceira Sede das Cias este fim de semana. Já fazia tempos que queria assistir ao espetáculo e a sorte nos agraciou com uma oportunidade de vê-lo em uma estreia para convidados. O que significa plateia animada!

O público seleto pôde comprovar o trabalho das indicadas ao prêmio. Keli Freitas fez um texto com diálogos rápidos e com muitos momentos bem humorados, e outros mais tensos, mais para a parte final do espetáculo. Lorena Lima trabalhou em um cenário que reproduzia a casa da família, com os próprios atores mudando no decorrer da peça.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

“Consertam-se Imóveis” conta a história de uma família que faz de tudo para agradar a mãe, idosa e enferma. Filhos e irmãos não apenas fazem suas vontades como a poupam de acontecimentos externos. No palco há 4 atores, sendo que nenhum deles representa a matriarca. Sua presença é apenas narrada, assim como a de Inácio, parente distante que participa apenas com telefonemas e cartas, e recebe da família a cobrança por andar cada vez mais afastado. Por vezes não se sabe ao certo se os motivos dados por seu distanciamento são os reais alegados pelo próprio, ou são invenções dos parentes para aliviar a preocupação da senhora.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Com o adequado nome de “Consertam-se Imóveis”, o espetáculo gira em torno de conflitos familiares, e de como os membros fazem para manter a estrutura familiar. Apesar desta vontade em comum dos personagens, alguns têm necessidade de fuga, e acabam flertando com a loucura. Mas mesmo diante de acontecimentos turbulentos, a vida do clã se mantém de acordo com as próprias convenções, ainda que para isso tenham que ser remendados e os problemas jogados para baixo do tapete. Sendo assim, se torna ainda mais angustiante o ato de consertar imóveis se conservando imóveis.

Este slideshow necessita de JavaScript.

FICHA TÉCNICA

Idealização e direção: Cynthia Reis

Texto: Keli Freitas

Elenco: Eduardo Cravo, Jarbas Albuquerque, Raquel Alvarenga, Suzana Nascimento

Cenário: Lorena Lima

Figurino: Bruno Perlatto

Iluminação: Paulo Cesar Medeiros

Composição e direção musical: Federico Puppi

Orientação filosófica: Alexandre Mendonça

Fotografia: Guga Millet

Projeto gráfico: Raquel Alvarenga

Assessoria de imprensa: Minas de Ideias

Produção: Aline Mohamad, Cynthia Reis e Raquel Alvarenga

Realização: Tucanae Produções

SERVIÇO

Consertam-se Imóveis

Reestreia: 22 de agosto de 2015

Temporada: 22 de agosto até 21 de setembro de 2015

Local: Sede das Cias

Endereço: Rua Manoel Carneiro – nº 12 – Escadaria do Sélaron – Telefone (21) 2137 1271

Horário: Sábado, domingo e segunda-feira – 20h

Valor: R$ 30,00 (Inteira) – R$ 15,00 (Meia entrada)

Classificação: 14 anos

Gênero: Comédia dramática

Duração: 80 min

Capacidade: 60 lugares

Bilheteria: 1h antes do início do espetáculo

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias e à Sede das Cias pelos convites

“Romantic” – Eu fui!

Muita coisa pode acontecer em 10 anos. O período passa rápido para os que levam uma vida normal. Mas também pode ser uma eternidade para os que estão presos a uma situação como a de Léo (Leandro Bacellar). O protagonista de “Romantic” conquistou a liberdade após ter passado uma década na prisão devido ao assassinato de seu tio. Ao sair da cadeia, Léo se depara com a nova realidade ao redor. E constata que, sim, em 10 anos muita coisa pode mudar.

Como a peça já começa com Léo voltando para casa, não se sabe exatamente como são as relações antes do período de clausura. Apenas por alguns fatos narrados pelos próprios personagens. Sua irmã, Irene (Letícia Iecker), está afundada (trocadilho não proposital) na bebida; o marido dela, Felipe (Rafael Araújo), não é mais o melhor amigo do ex-presidiário; e Karen (Marcela Büll) – sua noiva na época anterior à prisão – diz esperá-lo até hoje, apesar de não ter ido visitá-lo durante o tempo em que esteve preso, e hoje trabalha na casa noturna do irmão, o policial Ruivo (Ramon Alcântara). A estes personagens também se junta Nanda (Nívia Terra), assistente de reabilitação social que, como já diz o nome, ajuda na reintegração de Léo.

O que chama atenção logo de início é a distribuição e abraços. Todos os convidados são recepcionados desta forma, e o elenco começa a sessão trocando esta forma de afeto entre eles. Após isto, o clima é mais denso e os diálogos giram em torno do assassinato, arrependimento, rancor. No decorrer do espetáculo, bom destaque tem para a evolução de Karen. Com suas fantasias e devido a alguns outros acontecimentos, acaba caindo na loucura, afastando-se da realidade e de Léo. Outra que preenche bastante o espaço é Letícia Iecker. Com sua Irene sempre acompanhada de sua bebida alcoólica, acaba fazendo rir em uma peça dramática. Graças ao desempenho da atriz, e a algumas inserções de humor no próprio texto.

Infelizmente a temporada já chegou ao fim. O Grupo Teatro Empório esteve em cartaz até 10 de julho na Sede das Cias. Agora é aguardar a próxima oportunidade de conferir mais um trabalho de um dos teatros favoritos do site. Lá qualidade praticamente garantida.

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia E Encenação: Leandro Bacellar

Supervisão De Direção: Fernando Mello Da Costa

Assistência De Direção: Lorrana Mousinho

Trilha Sonora Original: Luciano Correa

Elenco: Diego Carneiro, Letícia Iecker, Leandro Bacellar, Marcela Büll, Nívia Terra, Raffael Araújo E Ramon Alcântara.

Desenho De Iluminação: Larissa Siqueira

Cenografia: Ramon Alcântara

Serralheria: Walter Julião

Costureira: Juliana Villard

Figurinos E Adereços: Ramon Alcântara

Operação De Som: Stace Mayka

Operação De Luz: Lorrana Mousinho

Coordenação De Palco E Montagem: Maurício Ramos De Aguiar

Direção De Produção: Leandro Bacellar

Produção Executiva: Marcela Büll, Stace Mayka E Ramon Alcântara.

Programação Visual: Fernando Nicolau

Fotografia De Estúdio: Pedro Victor Brandão

Fotografias Externas: Renatta Maria

Fotografias De Cena: Virgílio Libardi / Taís Pezzin

Assessoria De Comunicação:

Realização: Grupo Teatro Empório / Empório Narrativo / Koisa Koletiva

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite

“O Rinoceronte” – Eu fui!

Peça tradicional do teatro do absurdo, “O Rinoceronte” – de Eugène Ionesco, um dos maiores ícones do gênero – foi a escolhida para o espetáculo de formatura de mais uma turma da Cia de Teatro Contemporâneo. Criada em 1959, a obra ganhou uma nova versão no palco da cia pelos jovens atores.

O espetáculo retrata uma epidemia de rhinocerite, que vai aos poucos transformando os habitantes de uma cidade em rinocerontes. Para criar uma atmosfera de maior tensão no início, o público é cercado por cortinas, para que os atores possam simular verem os tais animais, mas apenas os efeitos sonoros “aparecem”. Falando em efeito sonoro, a música também é bastante utilizada. Tanto no início do espetáculo, quanto para ligar uma cena a outra, ajudando a contar o enredo.

Recursos simples de maquiagem são utilizados para retratar a transformação dos personagens em rinocerontes. Como são várias cenas, muitas trocas de cenário são feitas, e os próprios atores se encarregam disto. Ao contrário do que parece no início, o clima de tensão não se estende muito, e o público dá muita gargalhada durante o espetáculo. A veia cômica do elenco – com destaque para o protagonista – é fundamental para que isto aconteça. Enquanto seus colegas de cena viram rinocerontes, o personagem faz rir e demonstra bom desempenho, assim como os demais.

Mais do que diversão, “Rinoceronte” também é uma crítica social. Além de mostrar exemplos de relações humanas, o espetáculo é uma boa oportunidade para conhecer uma obra clássica do teatro do absurdo. Também para valorizar o trabalho de gente que está começando e ainda tem muito o que mostrar.

 

P.S.: Agradeço à Cia de Teatro Contemporâneo pelo convite

“Les Sylphides”, “Raymonda” e “Sagração da Primavera” – Eu fui!

No formato 3 em 1, o Theatro Municipal reuniu seu corpo de baile para apresentar 3 coreografias importantes da história do balé mundial. De momentos históricos diferentes, os números apresentados foram “Les Sylphides”, “Raymonda” e “A Sagração da Primavera”.

A primeira a se apresentar foi “Les Sylphides”. A história mistura realidade e fantasia, e fala de um homem que se apaixonou por uma sílfide, mas não sabe se ela realmente existe ou se faz parte apenas de um sonho. Sílfides são fadas aladas, e as asinhas são representadas no figurino das bailarinas. Fazendo companhia a “Gisele” e “La Bayadère“, é um outro balé de estilo romântico. Um clássico do gênero.

A coreografia seguinte foi “Raymonda”. Na história – que se passa no século XIII – a personagem título está apaixonada por Jean de Brienne, mas se vê às voltas com um sarraceno. Abderakhman lhe faz a corte e lhe propõe poder e riqueza em troca de seu coração. Com a recusa da moça, ele resolve raptá-la. Ao saber do ocorrido, Jean e Abderakhman duelam, sendo o primeiro o vencedor. O número apresentado foi o Grand Pas Hongrois, um grande baile húngaro, celebrando o casamento de Raymonda e Jean.

O último número destoa dos anteriores. Esqueça en dehors e tudo o que você sabe de técnica de balé clássico. Com as pernas flexionadas, para dentro, os bailarinos faziam em cena movimentos totalmente atípicos para o gestual de um profissional da dança clássica. “A Sagração da Primavera” que foi levada ao palco do Municipal está longe de causar o mesmo furor de  sua estreia, em 1913. O furdúncio ocorreu no palco do Theatre de Champs-Elysées, como relatou o professor de História da Arte Paulo Melgaço, que costuma fazer palestras antes dos balés do Theatro (caso ainda não tenham visto, não percam. É interessantíssima!). Na época, os espectadores foram surpreendidos por uma coreografia inusitada, e não perdoaram. O espetáculo culminou em brigas, vaias e até intervenção policial. Hoje, “A Sagração da Primavera” é conhecido como um divisor de águas na história da dança.

 

P.S.: Agradeço ao Theatro Municipal pelo convite.

 

Confira nosso Top 3 de espetáculos de dança favoritos de 2015!

“Borderline” – Eu fui!

Foto: apetecer.com
Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

De algumas peças saímos felizes. Há outras em que saímos pensantes, tristes ou emocionados. Não importa a sensação que causam em mim, as de que eu mais gosto são as que mexem mais comigo, as que ficam mais tempo em minha cabeça. Por vezes, fico remoendo trechos do texto, ou lembrando a interpretação de determinado ator durante dias. No caso de “Borderline”, os pensamentos se estenderam até a minha noite de sono. Sim, tive pesadelos com determinados momentos do espetáculo (não posso contar para evitar spoiler rs).

Sem muitos recursos de figurino ou cenário, o ator Bruce Brandão leva o monólogo com texto baseado no conto de Junior Dalberto, que narra histórias com temas polêmicos: suicídio, incesto, homossexualismo, entre outros. Do tema principal, pouco ouve-se falar a respeito por aí. A síndrome de Borderline também é conhecida como transtorno de personalidade limítrofe, em que os atingidos têm oscilações de humor, e vivem no limite entre a normalidade e surtos psicóticos.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Os portadores da síndrome podem apresentar agressividade, depressão, medo de abandono, etc. Assim como o personagem do monólogo. Apesar de nada mencionarem se ele realmente possui Borderline, o comportamento é por vezes agressivo e inconsequente. Apresenta euforia em alguns momentos, mas sempre aparentando uma melancolia por trás das atitudes.

O texto fala sobre a história do protagonista e sua relação com a família, sobre sua origem, que pode ser a razão da personalidade atormentada. Também discorre sobre a geração anos 90, que é a do próprio personagem, muito voltada para o mundo cibernético. E é esta a dinâmica rápida que transparece para o palco. Além disto, debocha da vaidade da classe artística, o que é divertido ouvir da boca de um ator.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Concordando ou não com as atitudes do personagem, o monólogo vale a pena ser visto devido à abrangência que exerce sobre os espectadores. Não falo apenas por mim, mas pelos comentários dos que assistiram ao espetáculo na mesma sessão. Também pela reação de Bruce Brandão, visivelmente comovido no fim da peça com a emoção que conseguiu passar para o público.

SERVIÇO

Borderline

Estreia: 22 de maio de 2015
Temporada: Até 28 de junho
Horários: Quinta, sexta e sábado 21h – Domingo, 20h
Valor: R$ 40,00 (Inteira)
Classificação: 16 anos
Capacidade: 60 Lugares
Gênero: Drama
Duração: 60 min.
Local: Espaço Tom Jobim – Galpão das Artes
Endereço: Rua Jardim Botânico – 1008 – Telefone – (21) 2274-7012

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelos convites

“Grand Théâtre Pão e Circo” – Eu fui!

A premiada atriz Carol Kahro é mestre de cerimônias de seu espetáculo “Grand Théâtre Pão e Circo”. O termo “espetáculo” é bem apropriado no caso, pois o tema central da peça é a sociedade em que vivemos. Baseado na obra “A sociedade do espetáculo”, do escritor Guy Debord, Carol utiliza texto forte e recursos audiovisuais para ilustrar e criticar a fase em que vivemos.

Nas telas que compõem o cenário, são exibidas imagens reais de televisão. Alguns com programas de entretenimento, outros com imagens de telejornais, explorando a violência urbana. O recurso também é a parte da realidade do espetáculo, assim como o texto que, como a própria atriz – que é a diretora e roteirista – declarou, é baseado em fatos reais. Carol os narra através de personagens e situações, algumas exageradas. Aproveita-se deles para criticar alguns comportamentos hipócritas, em que a pessoa se comove com o que vê na televisão, mas não enxerga a realidade que existe próxima de si.

Como mestre de cerimônias, Carol faz uma interpretação com oratória debochada. Como atriz, é versátil e se desdobra fácil e rapidamente em vários personagens de uma mesma história. Como diretora e roteirista, a criatividade impressiona devido às diversas situações criadas. Por todos esses motivos, assistir a “Grand Théâtre Pão e Circo” vale a pena, tanto para conferir o trabalho multifacetado da artista, quanto para pensar no que foi visto no palco, e no que presenciamos na vida real. Porque pouco provável que o trabalho não mexa contigo.

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite.

“A Sonata dos Espectros” – Eu fui!

Foto: apetecer.com

Um texto de um dos maiores escritores escandinavos foi o escolhido da Cia. de Teatro Contemporâneo para sua nova

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

temporada. “A Sonata dos Espectros”, de August Strindberg, mostra vários seres humanos que convivem em uma mesma e fúnebre casa, que se torna ambiente para que surjam conflitos entre eles.

Não fica muito claro no espetáculo, mas por horas parece que os personagens são mortos, por outra que estão presos em vida. O que fica explícito é que as situações surgem para que a culpa de cada um por alguma coisa apareça. Esta, aliás, parece ser a principal temática da peça. Não me lembro se algum personagem assume a sua, mas acusam os outros das suas a todo momento.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

O elenco é grande (cerca de 15 atores), e isto faz o papel do protagonista ter menos relevância. Cada um tem sua importância em um determinado momento. Faltou um pouco para os atores expressarem com mais força a densidade do texto e dos personagens, fato totalmente perdoável em se tratando de um elenco composto em sua maioria por jovens, que ainda têm muita carreira pela frente. O cenário é fúnebre, maquiagem idem, figurino colorido, marca da estética expressionista, assim como os cabelos da maior parte dos atores, parecendo expressar a loucura que os atinge.

Como não conheço o texto original, não posso fazer um paralelo entre esta montagem e o que sugere Strindberg em relação a figurino, cenário e iluminação. Não sei se o trabalho da Cia. de Teatro Contemporâneo é fiel ao do autor. Mas vale conferir o espetáculo principalmente pelo bom texto. E o grupo segue mostrando bom gosto em suas escolhas.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Para quem deseja conferir o trabalho da Cia. de Teatro Contemporâneo – já havíamos acompanhado a montagem de Ricardo III – segue o serviço do espetáculo.

Serviço:
A Sonata Dos Espectros:
Estréia dia 09 de Maio de 2015.
Sábados às 21h.
Domingos às 20h.
Temporada: até 31 de Maio.
Local: Sede da Cia de Teatro Contemporâneo.
Endereço: Rua Conde de Irajá, número 253 – Botafogo.
Ingresso:
Inteira: R$ 40,00.
Meia: R$ 20,00.

P.S.: Agradeço ao Dinho Valladares pelos convites.

Festival O Boticário na Dança – Eu fui!

Foto: apetecer.com

Existente desde 1968, o Balé da Cidade de São Paulo foi o meu escolhido para prestigiar meu primeiro Festival O Boticário na Dança. O grupo encerrou a temporada do Rio de Janeiro, levando para o palco 2 números: “Cantata” e “Cacti”, nesta ordem. “Cantata”, como o nome já indica, homenageia a cultura italiana, com repertório neste idioma, que inclui serenatas e até

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

canções de ninar. Na coreografia, os bailarinos capricham em gestos fortes, reproduzindo cenas de paixão e brigas. A sensualidade está presente tanto nos movimentos como no figurino. Ambos também fazem lembrar um quê gypsy, que empolgou mais o público que o número seguinte.

Criado há cerca de três anos para o Netherlands Dans Theater, em Haia, “Cacti” mostra os bailarinos em uma coreografia mais rígida e coordenada, exigindo muita concentração dos artistas em cena. Também fazem uso de um telão para contar um pouco da história. O trabalho é mais questionador, levando para o público a discussão acerca da crítica de arte, e em como isto pode afetar o trabalho dos artistas. Também contesta a necessidade das pessoas de entenderem o que está sendo transmitido. Talvez tenha mesmo sido esta a sensação para os que assistiram a este número de arte moderna.

Este slideshow necessita de JavaScript.

P.S.: Agradeço à RPM Comunicação pelos convites.

 

Confira nosso Top 3 de espetáculos de dança de 2015!