Dreamland Museu de Cera – Eu Fui!

Sucesso na gringa, os museus de cera sempre fazem parte do roteiro obrigatório de qualquer turista ao exterior. Quem nunca viu nas redes sociais algum amigo fazendo pose ao lado de bonecos de celebridades internacionalmente famosas? Perfeitos, não? Pois os cariocas não precisam mais ir para fora para conferir este tipo de arte.

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Segue exposto no NorteShopping o Dreamland Museu de Cera, que já tinha duas unidades fixas no país. A primeira foi em Gramado, na serra gaúcha, e a segunda em Foz do Iguaçu, no Paraná. Compõem o acervo artistas da música e do cinema, personalidades religiosas e políticas, personagens e grandes nomes do esporte. Amy Winehouse, Barack Obama, Michael Jackson, Papa Francisco, Albert Einstein, Bob Esponja são alguns dos exemplos.

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Não cheguei a conhecer os museus de cera que existem no exterior, mas o daqui tive a oportunidade de ver de perto. Lógico que uns trabalhos são mais perfeitos que outros, mas no geral os bonecos são muito bem feitos. Lionel Messi que o diga. Pelo menos foi o que mais me chamou a atenção. IDÊNTICO! O trabalho também se estende à cenografia, com elementos que ajudam na réplica da cena como, por exemplo, o banquinho do Forrest Gump e a bicicletinha do ET. No som ambiente toca Michael Jackson, Beatles e todos os outros “presentes” na exposição

O figurino dos personagens também merece meção. Parecem originais! A galera faz a festa fotografando com seus bonecos favoritos. Sejam eles reais ou os da ficção.

Segue serviço da exposição:

Museu de Cera Dreamland – No NorteShopping

Onde: Pátio do NorteShopping – Av. Dom Hélder Câmara, 5474 – Cachambi.

Horário de funcionamento: De Segunda à Sábado: das 13h às 21h; domingos e feriados: das 12h às 20h20.

Valor da entrada: Segunda-feira: R$16 a meia-entrada (R$32 – inteira). De terça a sexta-feira: R$21 a meia-entrada (R$42 – inteira). Aos sábados, domingos e feriados: R$26 a meia-entrada (R$52 – inteira).

PROMOÇÃO #TODOMUNDOVAI: grupos de três ou mais pessoas pagam meia-entrada desde que adquiram o ingresso e entrem juntas na exposição.

P.S.: Agradeço à Máquina Cohn & Wolfe pelos convites

Gritos – Eu fui!

Nem tudo é o que parece! Se você pensa que só porque irá assistir a uma peça chamada “Gritos” sairá do espetáculo incomodado com o barulho, está enganado. O silêncio apenas interrompido pela trilha sonora é uma constante na atual atração do Teatro I do CCBB. Mas isto não significa que a dupla de atores não dê seu recado. E que seus gritos não fiquem ecoando em nossas mentes quando saímos de lá.

“Gritos” é uma obra da companhia Dos à Deux. Trata-se de três poemas gestuais: “Louise e a velha mãe”, “O muro” e “Amor em tempos de guerra”. Eles têm como características em comum as pessoas invisíveis na sociedade, o preconceito, o desprezo, os refugiados, a guerra e o amor.

O que falta nos diálogos, sobra na expressão corporal da dupla de atores, André Curti e Artur Luanda. Para completar, cenografia e figurino se confundem com partes dos corpos dos próprios atores. Os artistas tiveram partes de seus corpos – cabeça, mãos, pés e braços – esculpidos com gesso e depois trabalhados em diferentes materiais e transformados em bonecos de proporções humanas. No palco, o resultado é perfeito, e por vezes levamos um tempo para identificar o que é o quê.

A cenografia é mutável, e vai se transformando de acordo com o desenrolar dos poemas. A iluminação também colabora para a diferenciação das cenas, bem como dá uma maior dramaticidade e tensão quando necessários. O capricho em tudo traz um resultado grandioso, interessante para os ligados ao teatro, dança e às artes plásticas.

Para os interessados no trabalho do Dos à Deux, segue abaixo mais informações sobre a temporada do espetáculo, que vale a pena ser conferido:

FICHA TÉCNICA

Espetáculo: Gritos

Concepção, dramaturgia, cenografia e direção: Artur Luanda Ribeiro e André Curti

Interpretação: Artur Luanda Ribeiro e André Curti

Criação e realização objetos/bonecos: Natacha Belova e Bruno Dante

Criação Musical: Beto Lemos

Trilha sonora: Marcelo H

Cenotécnico: Jesse Natan

Iluminação: Artur Luanda Ribeiro e Hugo Mercier

Programaçao visual: Bruno Dante

Realização próteses: Dra. Rita Guimarães

Produção Brasil: Sergio Saboya – Galharufa

Produção executiva: Ana Casalli

Difusão – França: Drôles de Dames

Fotos: Renato Mangolin

TURNÊ GRITOS

CCBB Rio de Janeiro > de 17 de novembro a 16 de janeiro de 2017

CCBB Brasília > de 8 de fevereiro a 5 de março de 2017

CCBB São Paulo > de 10 de março a 24 de abril de 2017

CCBB Belo Horizonte > de 4 de maio a 12 de junho de 2017

SERVIÇO

CCBB RIO DE JANEIRO

Espetáculo: Gritos

Temporada: 17 de novembro de 2016 a 16 de janeiro de 2017

Dias e horários: Quarta a domingo, às 19h.

Sessões extras nos dias 26/12, 02, 09 e 16/01 (segundas), às 19h.

Local: CCBB Rio – Teatro I (Rua Primeiro de Março 66 – Centro).

Informações: (21) 3808-2020

Capacidade: 175 lugares

Classificação indicativa: 14 anos.

Gênero: Drama

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Duração: 1h30min.

bb.com.br/cultura | twitter.com/ccbb_rj | facebook.com/ccbb.rj

P.S.: Agradeço à Astrolábio pelo convite!

 

Um dos melhores eventos de 2016, veja nossa lista!

 

Teresa Cristina canta Cartola – Eu fui!

Em 2016 são celebrados os 100 anos do samba, precisamente no dia 02 de dezembro. Para isto, o Imperator – que

Foto: Divulgação

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por si só já homenageia o nome de um grande nome do gênero, João Nogueira (Centro Cultural João Nogueira) – levou para a comemoração dois outros ícones. O show “Teresa Cristina canta Cartola” fez única apresentação no dia em que a cidade inteira estava em festa pela data.

Eu, particularmente, fazia um tempo que queria assistir a este show. E todas as outras pessoas que esgotaram os ingressos. Mas o fato de ser uma apresentação no Dia do Samba preocupou Teresa Cristina, devido à quantidade de eventos gratuitos que acontecem na data. Com a casa lotada, a cantora pôde perceber que sua ansiedade era em vão, e ela se mostrou muito feliz por se apresentar no bairro onde passou bons momentos de sua infância, como a própria declarou. “Coloquei minha melhor roupa para ver vocês”, brincou a artista, que fez o show apenas acompanhada de Carlinhos Sete Cordas

Foto: apetecer.com

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“O mundo é um moinho” (Cartola) abriu o repertório, com um incidental de “Somewher over the rainbow”, no fim da canção. “Corra e olhe o céu (Cartola e Dalmo Castelo) deu prosseguimento à apresentação, assim como “Alvorada no morro” (Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Belo de Carvalho), “Ao amanhecer” (Cartola), “Disfarça e chora” (Cartola e Dalmo Castelo), “Vai amigo” (Cartola) e “Cordas de aço” (Cartola).

O grande homenageado da noite era Cartola, mas não significa que outros nomes não tenham sido lembrados. Clássicos de Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito, Candeia e Elton de Medeiros foram incluídos no repertório, com “Pranto de poeta”, “Preciso me encontrar” e “Meu drama (Senhora Tentação)”.

“Evite meu amor” (Cartola), “Tive, sim” (Cartola), “Sim” (Cartola e Osvaldo Martins), “Acontece” (Cartola), “Peito

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vazio” (Cartola e Elton de Medeiros) foram outros clássicos apresentados no show. Teresa Cristina mostrou que é uma artista que deixa a rivalidade do Carnaval para tal época do ano. Como se não bastasse fazer um show em homenagem a um poeta da Mangueira, ela – portelense declarada – ainda fez questão de cantar “Sala de recepção” que tem uma letra escrachadamente feita por alguém com o coração em verde e rosa. Mas o profissionalismo da cantora falou mais alto. E também arrancou risos da plateia com sua interpretação peculiar para alguns versos da canção.

Divertida, Teresa Cristina brinca muito com o público e consigo mesma. A cantora também tem a característica de interpretar com muita clareza a letra que está cantando. Muito precisa tanto nos versos, quanto nas notas, ela esbanja emoção com “As rosas não falam” (Cartola). A letra e o auxílio do coro da plateia levaram a artista às lágrimas.

Foto: apetecer.com

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“Minha” (Cartola) e “O sol nascerá” (Cartola e Elton Medeiros) preencheram a parte ensaiada do bis. O improviso ficou por conta de “Boas festas” (Assis Valente), recado da cantora para o próximo Natal. “Foi um rio que passou em minha vida”, do portelense Paulinho da Viola, encerrou a noite. Assim, Teresa mostra que, mesmo homenageando poetas das rivais, não esquece os grandes nomes da escola de seu coração.

P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites!

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Foto: apetecer.com

Um dos melhores eventos de 2016, confira a lista!

Uma vida boa – Eu fui!

Dois anos após a estreia, “Uma vida boa” volta aos palcos cariocas contando uma história que aconteceu há 20 anos. Apesar de um longo tempo ter se passado, o assunto em questão continua bastante debatido. Aliás, mais do que nunca, os transgêneros são tema em voga na sociedade atual.

Apesar das referências temporais, a cronologia pouco importa durante a peça. Desde o início, não é mistério o desfecho trágico da história, pois o espetáculo não segue uma linearidade. Em 1993, uma jovem que nasceu com um corpo de mulher e assumia identidade masculina foi assassinada. O fato deu origem também ao documentário “The Brandon Teena Story” e ao filme “Meninos não choram”.

Os personagens são identificados apenas por suas iniciais, deixando a questão do gênero ainda mais indefinida. B (Amada Mirásci) é criado como menina pela família, mas resolve assumir sua identidade masculina. Talvez por isso tenha ido viver em outra cidade, onde se apaixona por uma cantora chamada L (Julianne Trevisol). Faz um novo ciclo de amizades. Entre ele está J (Daniel Chagas) – que viria a ser seu assassino -, fechando o trio do elenco. Um quarto personagem, apenas mencionado em cena, colabora com J no crime, que acontece quando ele descobre o segredo de B.

Além das boas interpretações dos atores, o que chama a atenção na peça são as marcações. Muito bem coreografado, a movimentação em cena é constante, e os três enchem o palco. A fala rápida do texto também traz uma agilidade, fazendo o ritmo ficar mais frenético. A iluminação, feita por Daniela Sanchez, creio que seja dos principais trunfos do espetáculo. Colabora com a agilidade já mencionada, assim como nos momentos de maior tensão.

Após o fim de cada apresentação, inicia-se um bate-papo entre o elenco e os espectadores da sessão. Para quem está interessado, tanto no espetáculo, quanto no debate, a temporada de “Uma vida boa” vai durar até o dia 19 de dezembro. Segue abaixo o serviço:

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Espetáculo: Um vida boa

Temporada: 19 de novembro a 19 de dezembro de 2016

Dias e horários: De sábado a segunda.

Sábado e segunda, às 21h. Domingo, às 20h.

Local: Solar de Botafogo (Rua General Polidoro, 180 – Botafogo)

Informações: (21) 2543-5411

Capacidade: 180 lugares

Classificação indicativa: 16 anos

Gênero: Drama

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)

Duração: 60 min.

Vendas antecipadas pelo site: Ingresso.com

P.S.: Agradeço à Astrolábio pelo convite!

 

Um dos melhores eventos de 2016, confira a lista!

“Mozart e Salieri” e “Sheherazade” – Eu fui!

Para quem usa como desculpa o fato de “não entender o que os artistas cantam” para

Foto: Divulgação

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não irem a uma ópera, isto já era. Traduzido para o português, “Mozart e Salieri” se apresentou no palco do Theatro Municipal em apenas um ato. O segundo foi ocupado pelo balé “Sheherazade”. A letra na tela ajuda o espectador a compreender a história e as canções. Mas, mesmo se não houvesse, as dicções do tenor Flávio Leite (que vive Mozart) e do barítono Inácio De Nonno (Salieri) são tão perfeitas que o resultado seria o mesmo.

A ópera questiona se a genialidade e o crime são compatíveis. Inclusive, Michelangelo é citado, com o boato de que teria sido um assassino. Mas o criminoso em cena é Salieri. Verdade ou não, há rumores de que o compositor tenha envenenado Mozart por ciúmes de seu grande talento. Trata-o como um amigo, convida-o para jantar e o envenena após ficar encantado por sua nova obra.

O fato – que talvez tenha acontecido na vida real – é encenado com riqueza no figurino, além do grande talento dos dois protagonistas, auxiliado pelo belo coral de “Mozarts” que os acompanham. Todos representando com perfeição a imagem que temos do grande músico. A cenografia fica por conta de um gigante piano, do qual não sai som algum, mas funciona como elemento cênico. Nele os artistas sobem, e a iluminação faz a festa produzindo grandes efeitos.

opera-bale-sheherazade-26-low-credito-julia-ronaiO segundo ato é preenchido por ainda mais cores, e por toda a leveza que a dança traz. “Sheherazade” é um balé mais sensual que os com os quais estamos acostumados. Tanto pelos movimentos da coreografia – com muito cambret -, quanto pelo figurino com o corpo mais à mostra.

O balé é inspirado no primeiro conto de “As Mil e Um Noites”. Shahriyar está desconfiado de que sua esposa favorita, Zobeide, é infiel. As suspeitas do sultão se confirmam, e ele descobre que a mulher e Escravo Dourado, seu preferido, têm um relacionamento. O marido traído mata o amante, e Zobeide implora seu perdão. Percebendo que não será atendida, ela se mata, deixando o sultão da antiga Pérsia consternado.

A música utilizada é a do poema sinfônico de Rimsky-Korsakov – Sheherazade. Assim como o primeiro ato, esta obra foi resumida para que coubesse em apenas um. Assim, foram aproveitados o primeiro movimento como abertura, e o 3º e o 4º para o bailado. A inspiração para o movimento cênico foram as miniaturas persas, com muita pantomima no lugar da gesticulação.

Tanto na ópera quanto no balé, o trabalho enxugado não comprometeu o resultado. Seja em relação à compreensão das histórias, quanto à beleza do espetáculo. O que significa que a soma Ópera + Balé é uma matemática que dá um bom resultado. E faz que o público de um comece a prestigiar, conhecer e gostar de outras vertentes da arte.

 

P.S.: Agradeço ao Theatro Municipal pelo convite.

 

Um dos melhores eventos de 2016, confira a lista!

Garota de Ipanema, o amor é bossa – Eu fui!

Ritmo genuinamente brasileiro, a Bossa Nova está sendo representada nos palcos em formato de teatro musical. Recheado de canções conhecidas por todo o público – seja ele apreciador ou não do estilo -, o espetáculo estreou junto com o Teatro Riachuelo Rio. Novo centro de arte e cultura do Rio de Janeiro, é o palco perfeito para uma peça que leva o espírito da cultura local.

Apesar de não contar a história da Bossa Nova, “Garota de Ipanema, o amor é bossa” retrata nos palcos a época em que o ritmo “bombava”, tanto nas reuniões na casa de Nara Leão, tanto entre toda a boemia carioca. Sucessos como “Corcovado”, “Minha Namorada” e “Samba de Verão” fazem a trilha sonora do romance entre Dindi (Letícia Persiles) e Zeca (Thiago Fragoso). Ela – que já carrega em seu nome um dos maiores clássicos de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira – é uma dona de casa do subúrbio, casada, que sonha em conhecer seus grandes ídolos e em seguir carreira de cantora. Ele é um rapaz da Zona Sul, arquiteto, músico boêmio e noivo de uma outra moça.

Quando a ouvem cantar, Tom Jobim e Vinicius de Moraes – que, apesar de não serem os protagonistas da história, são representados no palco – se encantam. Daí também surge a magia com Zeca, apesar dos impedimentos de ambos os lados. Só que os obstáculos não se restringem aos limites sociais e geográficos entre o casal. Acontecimentos políticos da época atrapalham os planos dos jovens. Casam, descasam. Entre eles e entre outros. Mas o amor não morre, e o destino e outros acontecimentos históricos fazem que ambos se reencontrem novamente.

O elenco conta com Claudio Lins, nome experiente em musicais. Portanto, a surpresa ficou por conta de Letícia Persiles. Voz linda, excelente intérprete. Claudio Galvan tem personagem de importância, porém com menos números musicais. Mas quando faz seu solo de “Canto de Ossanha” rouba a cena.

Para quem deseja ter seu encontro com a Bossa Nova, o musical está em cartaz até 27 de novembro no Teatro Riachuelo Rio. Segue serviço:

SERVIÇO

Teatro Riachuelo Rio – Rua do Passeio, 38/40 – Cinelândia

Estreia: 26 de agosto

Dias e horários: 5ª, 6ª e Sáb – 20h / Dom – 18h

Vendas:

– No site www.teatroriacuelorio.com.br

– Loja Riachuelo Ipanema: Rua Visconde de Pirajá, 321/ Tel: (21) 3441-6732

– Lojas Farm *em breve

Farm Centro II – Rua da Quintanda, 86/loja 102/ Tel: (21) 99852-1668

Farm Ipanema – Rua Visconde de Pirajá, 365/ Tel: (21) 99834-4486

Farm RDB – Av. das Américas, 7.777, lj. 124/125, 1° piso/ Tel: (21) 99631-0190

– Bilheteria Teatro Riachuelo Rio – a partir do dia 25/08

Preços:

5ªs e 6ªs: R$110 – Plateia VIP; R$80 – Plateia e Balcão Nobre; R$50 – Balcão

Sábados e domingos: R$140 – Plateia VIP; R$100 – Plateia e Balcão Nobre; R$50 – Balcão

Capacidade: 1.000 pessoas

Duração: 2 horas (com intervalo de 15 minutos)

Classificação etária: Livre

Até 27 de novembro

P.S.: Agradeço à RPM Comunicação pelo convite

Casa de Bonecas – Eu fui!

Certos temas polêmicos nunca envelhecem. Mas podem se modificar e ganhar nova roupagem com o tempo. É o que está acontecendo com “Casa de Bonecas”, clássico teatral do norueguês Henrik Ibsen, em cartaz no Centro Cultural da Justiça Federal até 12 de junho. Miriam Freeland, Roberto Bomtempo, Anna Sant’Ana, Regina Sampaio e Leandro Baumgratz integram o elenco desta montagem de Daniel Veroneze.

Escrito há mais de 120 anos, o original é um drama familiar com o qual Ibsen intencionou mostrar o cotidiano de uma família burguesa da época. No entanto, o autor questionou as convenções sociais do casamento e do papel da mulher na sociedade, provocando um choque no contexto social e comportamental do fim do século XIX. Na época foi revolucionário e de grande repercussão em toda Europa, inclusive com censuras violentas em relação à Nora, a protagonista. A sociedade não aceitava que a personagem abandonasse a casa e os filhos.

Na versão atual, o feminismo continua em pauta, mas com outro foco. Nora tem 3 filhos lindos – como a própria os define – e não os abandona. É tida como uma espécie de bibelô e objeto de adoração por seu marido, que adora contemplá-la e chamar a atenção de todos a sua volta sobre sua graça. Fala que a ama, mas o sentimento parece superficial. Nora faz bem seu papel de esposa perfeita, mas tem um segredo que esconde do companheiro. Quando este o descobre, mostra quem verdadeiramente é, e o que verdadeiramente sente pela esposa. Inclusive de forma agressiva.

Durante boa parte da peça “Cenas de um Casamento” é citado. A relação entre Marianne e Johan é debatida com leveza pelo casal, e suas frases repetidas durante os diálogos. O clássico de Ingmar Bergman fala de um relacionamento desgastado pelos 10 anos de convivência, e os personagens de “Casa de Bonecas” não expressam a identificação com eles, mas provavelmente a história de Bergman fica na cabeça de ambos como uma espécie de reflexão quanto a sua própria relação.

O espetáculo tem ótimo texto e a parceria entre o casal Miriam Freeland e Roberto Bomtempo – já conferida pelo blog em “Tomo suas mãos nas minhas” – segue bem-sucedida. Tem densidade, drama, e Regina Sampaio dá um toque de comédia com sua irônica Berta. Clássico de Ibsen com toque contemporâneo, fazendo não apenas um antigo texto transcender, como ganhar ares para novas reflexões.

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelo convite. Nossa campeã do ranking de melhores eventos de 2016, veja só!