“Dez Dias que Abalaram o Mundo” n Armazém da Utopia

A Companhia Ensaio Aberto apresenta o espetáculo inédito “Dez Dias que Abalaram o Mundo” no Armazém da Utopia em comemoração aos 100 anos da Revolução Russa e os 25 anos do Grupo. Com direção de Luiz Fernando Lobo, a peça é uma adaptação livre da obra de mesmo nome, um dos primeiros livros-reportagem da história, o clássico do jornalista norte-americano John Reed.

“A Revolução Russa foi a maior vitória da classe operária. O momento mais radical de democracia, onde os trabalhadores se auto-organizaram e conseguiram vitórias históricas, como a jornada de trabalho de 8 horas. Contar a revolução russa é contar que só a luta forma para a luta. É reabrir o passado para pensar o futuro”, diz o diretor Luiz Fernando Lobo.

“Dez Dias que Abalaram o Mundo” aborda os acontecimentos que resultaram na tomada de poder pelos bolcheviques na Revolução Russa. O espetáculo narra a experiência do jornalista americano John Reed ao cobrir os eventos e de como ele se tornou um defensor do novo governo russo e passou a difundir as ideias revolucionárias nos EUA e pelo mundo. Reed, nas palavras dele mesmo, diz “em meio à batalha, não fui um homem neutro”.

No espetáculo, os artistas da Companhia Ensaio Aberto partem dos documentos da Revolução Russa e do que o evento representou para classe trabalhadora. A videografia de Batman Zavarese transporta o público para a época através de imagens de arquivo históricas projetadas em telas gigantes. “Existe um acervo imagético riquíssimo e muito emblemático sobre esse tema. Na videografia da peça, o cinema russo será extrapolado em muitas possibilidades de telas e narrativas, que irão potencializar as experiências cênicas dos atores e do público numa viagem ao tempo. A ideia é que a tecnologia de projeções se aproprie poeticamente do espetáculo para inserir todos dentro do cenário de uma forma imersiva e emocionante”, afirma Batman. 

O cenário do cenógrafo premiado J.C. Serroni é uma obra de dimensões épicas como os grandes espetáculos de rua encenados nos anos 20, compatível com a arquitetura do Armazém da Utopia, um prédio de estrutura fabril da mesma época histórica. “A ideia central da cenografia é usar o galpão na sua forma genuína. Queremos que a visualidade do espetáculo, aliado à dramaturgia, luz, figurinos, direção, música e atuação, leve o público para um dos momentos mais importantes da história mundial. Esse trabalho, sem dúvida, nos fará refletir, e muito, sobre inúmeras questões que perduram nos dias em que vivemos”, explica Serroni.

Com figurino de época de Beth Filipecki e Renaldo Machado, iluminação de Cesar de Ramires com colaboração do mestre Jorginho de Carvalho e trilha original de Felipe Radicetti a partir da obra de Shostakovich e grande elenco.

A Companhia Ensaio Aberto, desde sua fundação em 1992, desenvolve seu trabalho como uma incisão épica dentro do panorama teatral brasileiro. Todos os seus espetáculos inclinam-se sobre temas sociais pertinentes, profundamente investigados, e visam a utilizar o teatro e a própria cultura como ferramenta para revelação e transformação da realidade. “Dez Dias que Abalaram o Mundo” será um espetáculo referência para se conhecer um fato histórico marcante do século XX, com reflexos ainda hoje, 100 anos depois. Contaremos uma história para fazer avançar a história.

Mais sobre a Companhia Ensaio Aberto:

A Companhia Ensaio Aberto é a única do Rio dedicada exclusivamente a temas sociais e políticos. Com um teor político marcadamente épico, a Companhia busca dialogar diretamente com a obra do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. O autor alemão é influência assumida e inspiração central para a companhia carioca. É possível vislumbrar sua história no projeto Armazém da Utopia com a qual a companhia ocupa o Armazém 6 do Cais do Porto do Rio desde 2010.  www.ensaioaberto.com

FICHA TÉCNICA

Direção e Dramaturgia: Luiz Fernando Lobo

Direção de Produção: Tuca Moraes

Cenografia e Espaço Cênico: J.C. Serroni

Videografia: Batman Zavareze

Iluminação: Cesar de Ramires com a colaboração de Jorginho de Carvalho

Figurino: Beth Filipecki e Renaldo Machado

Trilha Original e Direção Musical: Felipe Radicetti

Produção Executiva: Renata Stilben e Roberta Mello

Assistente de Direção e Dramaturgia: Dieymes Pechincha

Atores: Companhia Ensaio Aberto

ADRIANO SOARES, ALARISSE MATTAR, AMAURY LORENZO, AMPARO DE GATA, ANA KARENINA RIEHL, ANDREA TONIA, BRENDA JACÍ, BRUNO PEIXOTO, CLEITON RASGA, FERNANDA VIZEU, HENRIQUE JULIANO, GABRIELA IGARASHI, GÉ LISBOA, GEOVANE BARONE, GILBERTO MIRANDA, JOÃO RAPHAEL ALVES, LEONARDO HINCKEL, LUIZ FERNANDO LOBO, LUIZA MORAES, NADY OLIVEIRA, NATALIA GADIOLLI, PETER BOOS, TUCA MORAES, VINÍCIUS OLIVEIRA E YANI PATUZZO.

SERVIÇO

 

Temporada: De 14 de outubro até 30 de outubro de 2017

Horário: Sexta, domingo e segunda às 19h. Sábado as 20h

Local: Armazém da Utopia

Endereço: Orla Conde – Armazém 6

Preço: R$ 50,00 (inteira) R$25,00 (meia). Antecipado R$ 30,00 (inteira) R$15,00 (meia

Classificação: 12 anos

Duração: 120 minutos

Capacidade: 800 lugares

Informações: publico@ensaioaberto.com  22538726 / 25164893/ 98909-2402

“Tom na Fazenda” no Teatro Poeirinha

Depois de temporadas de sucesso no Oi Futuro Flamengo e do Sesi Centro e de circular pelo estado do Rio de Janeiro no Circuito Sesc, o espetáculo “Tom na Fazenda” reestreia em 6 de outubro no Teatro Poeirinha, em Botafogo. Idealizado pelo ator e produtor Armando Babaioff, que também assina a tradução, a montagem segue em cartaz até 17 de dezembro, com apresentações na quinta e sábado, às 21h, e no domingo, às 19h. Dirigida por Rodrigo Portella, a peça traz no elenco Kelzy Ecard, Camila Nhary, Gustavo Vaz, além do próprio Babaioff.

 

Com cinco indicações ao Prêmio Shell, sete ao Cesgranrio, dez ao Botequim Culturale 17 ao Cenym, a peça é baseada no original Tom à la Farme, do autor canadense Michel Marc Bouchard. Foi numa conversa com um amigo que Babaioff tomou conhecimento do filme Tom na Fazenda (2013), uma adaptação da peça homônima, com direção do franco-canadense Xavier Dolan (premiado no Festival de Cannes por Mommy, em 2014). Arrebatado pela obra, o ator começou a traduzir a peça, que aborda a inabilidade do indivíduo para lidar com o preconceito, a impotência, a violência e o fracasso.

 

“No ano em que traduzi a peça, 347 pessoas foram assassinadas pelo simples fato de serem quem eram. O Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo, mais do que nos 13 países do Oriente e da África onde há pena de morte aos LGBT. O que me fascina em Tom na Fazenda é essa possibilidade de falar de assuntos que eu realmente acho necessário. Eu sinto essa necessidade de dizer para o mundo verdades das quais eu acredito”, diz Babaioff.

Na história, após a morte do seu companheiro, o publicitário Tom (Armando Babaioff) vai à fazenda da família para o funeral.  Ao chegar, ele descobre que a sogra nunca tinha ouvido falar dele e tampouco sabia que o filho era gay. Nesse ambiente rural austero, Tom é envolvido numa trama de mentiras criada pelo truculento irmão do falecido, estabelecendo com aquela família relações de complicada dependência. A fazenda, aos poucos, vira cenário de um jogo perigoso, onde quanto mais os personagens se aproximam, maior a sombra de suas contradições.

A peça conta uma história bastante comum entre jovens de várias gerações, mesmo de culturas diferentes. No Canadá, no Brasil, no Oriente Médio, no Japão ou na África do Sul, homens e mulheres jovens aprendem a mentir antes mesmo de aprenderem a amar. As famílias, guardiãs das normas sobre a sexualidade, garantindo sempre a heteronormatividade, inserem nos próprios membros a semente da homofobia.

“Todo redemoinho que devastará a vida dos que fogem das normas surge no núcleo de suas próprias famílias”, comenta Rodrigo Portella, que opta, mais uma vez por uma encenação com poucos elementos para que as sutilezas das relações propostas pelo texto se sobressaiam. “Bouchard compôs uma obra de estrutura impecável. Ele vai fundo nas contradições dos seus personagens, o que os torna muito próximos de nós”, acredita o diretor.

SOBRE MICHEL MARC BOUCHARD (autor)

 

Michel Marc Bouchard, 58 anos, nasceu em Saint-Coeur-de-Marie, em Quebec, no Canadá. Formado em teatro pela Universidade de Ottawa, fez sua estreia profissional como dramaturgo em 1983 com Contre-nature de Chrysippe Tanguay, Écologist, e, desde então, escreveu mais de 25 peças que foram traduzidas em diversas línguas e apresentadas em muitos países e festivais. Bouchard foi condecorado Cavaleiro da Ordem Nacional de Quebec, em 2012.

Sua obra mais conhecida é Lillies (Les Feluettes ou la Répétition d’un Drame Romantique), que posteriormente foi roteirizada e dirigida por John Greyson em seu filme homônimo. The Painter Madonna foi sua primeira peça traduzida para o inglês. Entre suas obras mais conhecidas, destaque para The Coronation Voyage (Le Voyage du Couronnement), Down Dangerous Passes Road (Le Chemin des Passes-Dangereuses) e Written on Water (Les Manuscrits du Déluge). Sucessos no teatro, as peças The Orphan Muses (Les Muses Orphelines) e Tom at the Farm (Tom à la Farme) também foram adaptadas para o cinema pelos diretores Robert Favreau e Xavier Dolan, respectivamente.

Ao longo de sua carreira, Bouchard foi agraciado com importantes prêmios de artes cênicas no Canadá: Prix Journal de Montreal,Prix du Cercle des Critiques de L’outaouaisMoore Award Dora Mavor for Outstanding New PlayFloyd S. Chalmers Award Canadian Play. Recebeu nove prêmios Jessie Richardson Theatre Awards para as peças Lillies e Les Muses Orphelines.

SOBRE ARMANDO BABAIOFF (Idealizador, tradutor e ator)

Formado pela escola Estadual de Teatro Martins Pena e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO) em artes cênicas. Como integrante da Quantum Cia. de Teatro, Babaioff fez de diversas montagens sob a direção de Rodrigo Portella. Em 2004, protagonizou, ao lado de Vera Fischer, A Primeira Noite de um Homem, com direção de Miguel Falabella.

No teatro, participou ainda dos espetáculos O Santo e a Porca (2008), de Ariano Suassuna, com direção de João Fonseca, pelo qual foi indicado ao prêmio de melhor ator coadjuvante pela APTR; A Gota d’Àgua (2009), de Chico Buarque e Paulo Pontes, também com direção de João Fonseca; Rockantygona (2011), baseado na obra de Sófocles, com direção de Guilherme Leme Garcia; Escola do Escândalo, de Richard B. Sheridan, com direção de Miguel Falabella; A Propósito de Senhorita Júlia, de August Strindberg, dirigida por Walter Lima Jr.; O que Você Mentir Eu Acredito, de Felipe Barenco, com direção de Rodrigo Portella.

Em 2009, criou a produtora ABGV Produções Artísticas, em parceria com o amigo e ator Gustavo Vaz. Pela primeira vez atuou também como produtor de teatro, com a peça Na Solidão dos Campos de Algodão, com texto de Bernard Marie Koltès e direção de Caco Ciocler. O espetáculo lhe rendeu uma indicação ao Prêmio de Melhor Ator pela APTR.

Na TV, estreou na novela Páginas da Vida, de Manoel Carlos, na TV Globo (2006). Na mesma emissora, participou das novelas Duas Caras (2010/2011), Ti-ti-ti (2010), Sangue Bom (2013). Protagonizou a série DOAMOR, ao lado da atriz Maria Flor, no canal Multishow.  No cinema, recentemente protagonizou o longa Prova de Coragem, baseado no romance Mãos de Cavalo, do autor gaúcho Daniel Galera e direção de Roberto Gervitz. Participou também de Introdução à Música do Sangue, com argumento de Lúcio Cardoso e direção de Luiz Carlos Lacerda. Atualmente está no ar na novela A Lei do Amor, na TV Globo, de Maria Adelaide Amaral.

SOBRE RODRIGO PORTELLA (diretor)

Natural de Três Rios, interior do Estado do Rio de Janeiro, o autor e diretor Rodrigo Portella dirigiu dezoito espetáculos. Foi indicado aos principais prêmios de artes cênicas: Prêmio Shell 2013 (Melhor Direção por Uma História Oficial e Melhor Texto por Antes da Chuva), Prêmio APTR 2010 (Melhor Iluminação por Na Solidão dos Campos de Algodão, com direção de Caco Ciocler) e Prêmio Cesgranrio 2016 (Melhor Texto por Alice Mandou um Beijo).

Entre 1996 e 2008, Rodrigo morou no Rio de Janeiro, período em que cursou direção teatral na UNIRIO e publicou o livroTrilogia do Cárcere. Em 2009, retornou à sua cidade natal, onde fundou a Cia Cortejo. Realizou cerca de 200 apresentações deAntes da Chuva por todo o país, com o projeto Palco Giratório em 2015, além de duas temporadas em Buenos Aires, na Argentina e Quito, no Equador.

Atualmente, se dedica a pesquisar as experiências de Charles Deemer e o Hiperdrama no Teatro, por meio de uma bolsa da FAPERJ, sob orientação do encenador Moacyr Chaves. Rodrigo é também diretor geral do Off Rio – Multifestival de Teatro de Três Rios, que em 2017 chega à sua quinta edição.

FICHA TÉCNICA

Texto: Michel Marc Bouchard. Tradução: Armando Babaioff. Direção: Rodrigo Portella. Elenco: Armando Babaioff, Kelzy Ecard, Gustavo Vaz e Camila Nhary. Cenografia: Aurora dos Campos. Iluminação: Tomás Ribas. Figurino: Bruno Perlatto. Direção Musical: Marcello H. Guitarras e violões: Jr Tostoi e Marcello H. Preparação Corporal: Lu Brites. Coreografia: Toni Rodrigues. Programação visual: Bruno Dante. Hair Stylist: Ezequiel Blanc. Assistente de cenografia: Manu Libman. Assistente de figurino: Luísa Marques. Direção de Produção: Sérgio Saboya e Silvio Batistela. Produção executiva: Milena Monteiro. Assistente de produção: Pri Helena. Mídias Sociais: Egídio La Pasta. Produção: Galharufa Produções. Idealização: ABGV Produções Artísticas 

 

TOM NA FAZENDA

 

Temporada: de 6 de outubro a 17 de dezembro

Local: Teatro Poeirinha – Rua São João Batista 104, Botafogo. Tel.: (21) 2537 8053

Apresentações: quinta e sábado, às 21h, e domingo, às 19h.

Capacidade: 45 lugares. Duração: 110 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Gênero: Drama.

Ingressos: R$ 30 (meia) e R$ 60 (inteira).

Horário da bilheteria: de terça a sábado, das 15h às 19h. Domingo, das 15h às 19h.

Vendas online: www.tudus.com.br

“Curral Grande” no Teatro Municipal Serrador

Episódio desconhecido de muitos brasileiros, a implantação de “currais do governo” para impedir que sertanejos cearenses imigrassem para a capital, durante a seca de 1932, foi o ponto de partida do Coletivo Ponto Zero para a criação de “Curral Grande”, elogiado espetáculo do grupo que volta ao cartaz no Rio, em curta temporada de 06 a 28 de outubro no Teatro Municipal Serrador. Com texto de Marcos Barbosa e direção de Eduardo Machado, a montagem, que circulou por diferentes regiões do país, propõe uma reflexão a partir deste triste episódio histórico: o quão recorrentes e atuais são outras práticas semelhantes de discriminação e higienização social nas grandes metrópoles brasileiras.

Construído a partir de cenas curtas, o espetáculo reúne múltiplas linguagens estabelecendo um “jogo” com estéticas teatrais diferentes. Os atores Carlos Darzé, Brisa Rodrigues, Brunna Scavuzzi e Lucas Lacerda se revezam em mais de 40 personagens, partindo da construção realista à caricatura, do teatro épico narrativo à contação de história. A encenação faz referência também ao século passado, fazendo uso de técnicas da radionovela e do cinema mudo. A pesquisa do Coletivo Ponto Zero pelo tema se aprofundou tanto ao longo desses anos que o grupo decidiu produzir também um documentário sobre a implantação dos currais do governo, que será finalizado no ano que vem.

“Fazer ‘Curral Grande’ representa, para mim, desenterrar esses mortos. Dar voz a essas pessoas que não aparecem nos livros de história. E não me refiro apenas aos flagelados da seca de 1932, mas de uma grande população que não nunca esteve na historiografia oficial”, declara o diretor Eduardo Machado. O ator Lucas Lacerda acrescenta que foi justamente o fato de a história ser desconhecida pela maioria da população brasileira que motivou o Coletivo Ponto Zero a levá-la aos palcos de forma que se pudesse propor uma reflexão maior. “Embora os currais do governo não tenham sido, necessariamente, como os campos de concentração da Alemanha, muitas pessoas foram mortas, em situação deprimente e vexatória. Para a gente, a grande questão da peça é a higienização social. Até os dias de hoje, você vê a segregação e o processo de limpeza social para maquiar a realidade”, reflete.

O texto, que mistura drama e humor, é resultado artístico da pesquisa de mestrado do professor e dramaturgo Marcos Barbosa, que sentiu vontade de escrever “Curral Grande” depois de assistir a uma reportagem do programa ‘Fantástico’, em 2000.

 “A chamada deve ter vindo na forma de uma retórica e sedutora pergunta do tipo: Você sabia que o Brasil também teve campos de concentração? Eu não sabia e, surpreso, aguardei pelo bloco seguinte. Uma segunda surpresa me veio quando aprendi através da matéria que os tais campos de concentração haviam ocorrido em meu estado natal, Ceará, menos de 60 anos antes”, lembra Barbosa.

Um fato inusitado é que sua própria avó vivenciou de muito perto a realidade da migração e dos campos, e resolveu relatar ao autor histórias que até então mantinha para si. Nesse encontro entre dramaturgia e história, ele iniciou uma ampla pesquisa até a conclusão da peça, em 2003. Uma de suas principais referências foi o livro “Isolamento e poder: Fortaleza e os campos de concentração na seca de 1932”.

Sobre o Coletivo Ponto Zero

O Coletivo foi fundado em Salvador, por um grupo de atores que se conheceu na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, em 2011. Foi ainda na UFBA que o Coletivo teve o seu primeiro contato com o dramaturgo Marcos Barbosa e com o diretor Eduardo Machado, convidado para emprestar o seu olhar sensível à peça. Em seu terceiro ano em circulação, ‘Curral Grande’ vem contribuindo para a consolidação deste jovem coletivo de artistas que tem por objetivo a pesquisa prática no trabalho do ator e que visa a contribuir com a arte e cultura do país. Hoje, o jovem grupo baiano (que conta também com atriz pernambucana) segue radicado no Rio de Janeiro, imersos na produção de um documentário que amplia a pesquisa do tema tratado em “Curral Grande”, entre outros trabalhos nos palcos e telas. Além desta temporada de Curral, o Coletivo dedica-se atualmente à montagem de seu segundo espetáculo, O Rinoceronte, de Ionesco, com direção de Jacyan Castilho, que estreia em janeiro de 2018 no Rio de Janeiro.

Ficha técnica:

 

Texto: Marcos Barbosa

Direção: Eduardo Machado

Direção musical: Pedro Maia e Ricardo Borges

Elenco: Brisa Rodrigues, Brunna Scavuzzi, Carlos Darzé e Lucas Lacerda

Cenário: Eric Fuly e Eduardo Machado

Figurino: Coletivo Ponto Zero

Modelista: Suely Gerhardt

Iluminação: Elton Pinheiro

Operação de luz: Elton Pinheiro

Operação de som: Geovana Araújo Marques

Fotografia: Ricardo Borges e Marília Cabral

Programação Visual: Uriel Bezerra

Coordenação de produção: Lucas Lacerda

Produção executiva: Geovana Araújo Marques

Realização: Coletivo Ponto Zero

Serviço:

Curral Grande

Temporada: De 06 a 28 de outubro.

Teatro Municipal Serrador: Rua Senador Dantas, 13, Centro.

Telefone: 2220-5033.

Dias e horários: 5ª a sábado, às 19h30. Estreia na sexta, dia 06/10.

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)

Lotação: 276 pessoas.

Duração: 1h10

Classificação: 12 anos

Funcionamento da Bilheteria: Terça a sábado, das 16h às 20h.

“Euforia” no Teatro Municipal Café Pequeno

Possuidor de ótima voz, impecável trabalho corporal, grande carisma e uma inteligência cênica que o leva a buscar soluções que sempre escapam ao previsível, aqui Michel Blois exibe um dos melhores trabalhos da sua carreira, valorizando ao máximo tanto… Sem dúvida, uma das melhores performances da atual temporada... …Em uma época, como a nossa, em que a hipocrisia e o preconceito parecem fadados a se perpetuar, é extremamente gratificante entrar em contato com um texto belíssimo

‘Euforia’ recebeu irretocável versão cênica de Victor Garcia Peralta. Explorando com extrema sensibilidade a ótima cenografia de Elsa Romero, que vai se transformando ao longo da montagem…” (Lionel Fisher)

 

“…JULIA não consegue escrever nada abaixo de excelente.PERALTA só faz ótimos trabalhos de direção. MICHEL é um dos grandes atores de sua geração...

MICHEL BLOIS sabe valorizar o texto e seguir as orientações da direção, de modo a comover, profundamente, a plateia, do início ao fim do monólogo...

É impressionante o desenvolvimento do texto deste monólogo! É fascinante o trabalho de mexer com o sensorial, de fazer com que o público acompanhe e também sinta o desenvolver ou o renascer do desejo sexual na personagem(Gilberto Bartholo)

 

Depois da temporada de sucesso noEspaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Humaitá, Euforia reestreia no Teatro Municipal Café Pequeno, no Leblon, dia 06 de outubro, às 22h. Em cartaz até o dia 28, a montagem traz um espetáculo híbrido, no qual ator, texto, corpo e voz estão em constante processo. A direção e dramaturgia foram criadas em conjunto, conforme a demanda da interpretação. Os três parceiros, Michel Blois (ator), Julia Spadaccini (autora) e Victor Garcia Peralta (diretor), se entrelaçam criativamente de modo a misturar as linguagens, dando origem a uma montagem performática. A luz, o som, o cenário são mutantes e articulados pelo próprio ator, que interpreta os dois personagens da montagem.

Divida em dois solos, o espetáculo trata do desejo. Um desabafo de dois personagens, um velho e uma cadeirante, que socialmente são olhados como seres assexuados, invisíveis aos olhos do prazer comum.

Esta é a segunda peça que Michel Blois é dirigido por Victor Garcia Peralta. A primeira foi “The Pride”, em 2016. Já, com Julia Spadaccini, a parceria vem desde 2006, quando fez assistência de direção de Kiko Mascarenhas, na peça “Por enquanto é isto”, que Julia fazia como atriz. Depois dirigiu outras duas peças da dramaturga, “A Sônia é que é feliz”, solo com Rodolfo Mesquita, em 2007; e, ao lado da diretora de cinema Sandra Werneck, “E se eu não te amar amanhã”, com Luana Piovani, Leonardo Medeiro e Marcelo Laham, recentemente em cartaz. E, como ator, fez “Aos Domingos”, em 2013, indicada ao prêmio Shell e Cesgranrio de melhor dramaturgia; e “Os Inocentes”, em 2010, texto de Julia em parceria com Rodrigo Nogueira.

Euforia é a 40ª peça de sua carreira. Foram 2 assistências de direção, 16 direções e 34 como ator (das 16 direções, atuou em 12).

 

DOIS PERSONAGENS E SEUS DESEJOS INVISÍVEIS:

 

UM SENHOR DE 87 ANOS HOMOSSEXUAL

A sexualidade dos mais velhos é um dos aspectos do envelhecimento que mais sofre preconceito, muitas vezes avaliada como um período assexual e de renúncia. A libido não se apresenta somente no ato sexual em si, mas nos pensamentos, na observação, nos sonhos, no desejo constante.

Foi constatado que os indivíduos, quando vão para um asilo, escondem suas sexualidades. Homossexuais, assumidos socialmente quando jovens, voltam a vestir a máscara social para não passar “constrangimentos”.

Esse personagem vai se desenvolver justamente nesse ambiente e com essa inquietação: viver num asilo e ter que se distanciar novamente de sua própria identidade. Porém, dentro de si, o que ainda persiste é a euforia do desejo que se mantem vivo, jovem e pleno. Um universo pulsante ainda está ali, querendo, sentindo e sendo o que sempre foi.

A sexualidade em toda sua amplitude, não sendo restrita ao ato sexual, ganha contornos simbólicos que falam do desejo de permanecer vivo, da persistência exigida quando o vigor do corpo declina. Mesmo tendo superado os medos e os conflitos gerados pelo desejo homossexual ao longo da vida, este é um  momento de entender que a vida sexual pode ser realizada de várias formas contradizendo a norma conservadora.

Agora, ele vê emergir imagens da infância e da adolescência. Os choques entre desejo e aceitação, beleza e envelhecimento perduram assim como o medo do abandono. A situação fica mais delicada com a perda da independência financeira e da saúde, normalmente associada à permanência de idosos nos asilos.

Em contrapartida a tenacidade de realizar seus desejos plenamente é fruto de uma construção de identidade pessoal preciosa e possível para algumas pessoas.

 


UMA MULHER PARAPLÉGICA

 

Uma publicação britânica sobre deficiências, que entrevistou mais de mil pessoas nessas condições, aponta que 85% já fizeram sexo alguma vez na vida e metade tinha um parceiro. Mas, por outro lado, um levantamento divulgado por um jornal do país revelou que 70% dos britânicos não iriam para a cama com alguém com algum tipo de deficiência física.

Esse é um preconceito comum. O deficiente é visto como uma vítima eterna, um “coitado”, um ser completamente assexuado.

Através do olhar dessa jovem personagem que ficou paraplégica em função de um acidente, vamos ser levados numa viagem onde a sexualidade é tão ou mais explorada pelo corpo e suas incríveis terminações nervosas.

No início, envolta pela percepção dos limites que o novo corpo lhe trazia, em meio a raiva e tristeza, não chegou a pensar em sexo. O seu foco era reaprender o cotidiano, como comer, lidar com a sonda, escovar os dentes. Até que um dia começa a ficar encantada pelo seu acupunturista, de uma certa maneira sente que ele lhe desperta a consciência sobre áreas de seu corpo que se tornaram mais sensíveis após o acidente. Ela fica obcecada pelas próprias bochechas, pescoço e outras partes não convencionais do corpo, aprendendo também a decifrar aos poucos um novo mundo de fantasias e sensações.

 

FICHA TÉCNICA

Elenco: Michel Blois

Texto: Julia Spadaccini

Direção: Victor Garcia Peralta

Diretora Assistente: Flavia Milioni

Iluminação: Wagner Azevedo

Cenografia: Elsa Romero

Figurino: Ticiana Passos

Trilha Sonora Original: Holograma

Projeto Gráfico: Raquel Alvarenga

Assessoria de Imprensa: Daniella Cavalcanti

Assistente de Assessoria de Imprensa: Mariana Casagrande

Foto e Vídeo: Rodrigo Turazzi e Duda Paiva

Pesquisa Dramatúrgica: Marcia Brasil

Cenotécnica: Fatima de Souza

Operadora de luz e som: Débora Thomas

Modelos para Arte: Zuka Blois e Terra

Administração de Temporada: Anna Bittencourt

Direção de Produção: Aline Mohamad e Michel Blois

Realização: Eu e Ele Produções Artísticas Ltda

SERVIÇO

Temporada: de 06 a 28 de outubro

Local: Teatro Municipal Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon – RJ)

Tel.: (21) 2294-4480

Horário: sexta e sábado, às 22h

Ingresso: R$ 20,00

Classificação: 14 anos

Capacidade: 80 lugares

Duração: 50 minutos

Bilheteria: de terça a quinta, das 16h às 20h; sextas, das 16h às 22h; sábado, das 14h às 22h; e domingo, das 14h às 20h

Compras na internet: https://ticketmais.com.br

Sinopse: Divida em dois solos, um velho e uma cadeirante, a peça trata do desejo. Um desabafo de personagens que socialmente são olhados como seres assexuados, invisíveis aos olhos do prazer comum.

 

 

CURRÍCULOS

 

MICHEL BLOIS

Natural do Rio Grande/RS. Formou-se na CAL em 2006.

Dirigiu as peças “Tubarões”, em cartaz no Sesc Copacabana; “E se eu não te amar amanhã?”, ao lado de Sandra Werneck; “Dentro”, da Pequena Orquestra; “Dois Irmãos – Due Fratelli”, de Fausto Paravidino, ao lado de Cynthia Reis; e “A Sônia é que é Feliz”, de Julia Spadaccini; além de “Dulce”, “MoMO” e “O Grande Livro dos Pequenos Detalhes”, apresentados no Brasil, Europa e África, em parceria com artistas portugueses como Flávia Gusmão, Nuno Gil, Cláudia Gaiolas e Paula Diogo. Também dirigiu, com a Cia Mundo Perfeito (Portugal), os espetáculos “Sempre”, “Pedro procura Inês” e “Bobby Sands vai morrer, Thatcher assassina”, todas apresentadas em Lisboa (PT).  Foi assistente de direção de Enrique Diaz na peça “Otro”; de Jefferson Miranda em “Modelos para A(r)mar”; Alessandra Colasanti em “tempo. Depois”; e de Kiko Mascarenhas em “Por enquanto é isso”. Como ator fez mais de 30 espetáculos e trabalhou os diretores Enrique Diaz, Simon Will (ING), Lola Arias (ARG), Tiago Rodrigues (PT), Jefferson Miranda, Felipe Hirsch, João Fonseca, Ary Coslov, Maria Maya, Cesar Augusto, Victor Garcia Peralta, Inez Viana, entre outros, e com as companhias Gob Squad (ING/ALE), Mundo Perfeito (PT) e Cia dos Atores.

Fundador da companhia de teatro Pequena Orquestra e do coletivo de dramaturgia Inventário de Mentiras.

Foi diretor artístico do Teatro Ipanema, ao lado de Fabricio Belzoff e Rodrigo Nogueira, entre 2012 e 2015, com a Residência Artística No Lugar.

É um dos programadores do Festival Dois Pontos que já teve duas edições no Rio de Janeiro.

Esta é a segunda peça que Michel Blois é dirigido por Victor Garcia Peralta, a primeira foi “The Pride” em 2016 em cartaz na Caixa Cultural e Teatro Ipanema. Já com Julia Spadaccini, a parceria vem desde 2006, quando fez assistência de direção de Kiko Mascarenhas na peça “Por enquanto é isto”, que a Julia fazia como atriz. Já dirigiu outras duas peças da dramaturga, o solo do Rodolfo Mesquita “A Sônia é que é feliz”, em 2007, e, ao lado da diretora de cinema Sandra Werneck, “E se eu não te amar amanhã” com Luana Piovani, Leonardo Medeiro e Marcelo Laham, em 2017. Como ator fez “Aos Domingos”, em 2013, indicada ao prêmio Shell de dramaturgia, e “Os Inocentes”, em 2010.

“Euforia” é a 40ª peça de sua carreira. Foram 2 assistências de direção, 16 direções e 34 como ator (das 16 direções, atuou em 12).

JULIA SPADACCINI

Julia Spadaccini nasceu no Rio de Janeiro, tem 38 anos, é formada em Artes Cênicas pela UNI-RIO, em Psicologia pela USU e Pós-graduada em Arteterapia pela Cândido Mendes. No teatro, Julia é autora de mais de 18 peças encenadas no Rio de Janeiro e em viagens pelo Brasil. Na TV foi roteirista da série “Oscar freire 279” (Multishow – 2011); do programa “Aprender a Empreender” (Canal Futura – 2010); “Básico” e “Quase Anônimos” (Multishow – 2009). Foi integrante do site “Dramadiário” durante 3 anos. Trabalhou como Roteirista dos Gibis da Editora Globo (2006/07). Como roteirista contratada na produtora Jodaf Mixer e Conspiração Filmes (2008/09). No cinema assinou o roteiro do filme “Qualquer Gato Vira-lata” produzido pela “Tietê Filmes” e o curta “Simpatia do Limão” vencedor do prêmio “Porta-curtas Petrobrás” no Festival de Cinema do Rio (2010). Participou da oficina de teledramaturgia da Rede Globo (2010). Foi roteirista dos gibis “Luluzinha Teen” da Ediouro (2009-2011).  Colaborou como roteirista do filme “Loucas para Casar” (Glaz Filmes/ 2015). Desenvolveu o argumento do filme “Isolados” (2014).  Indicada aos prêmios Shell (2012). APTR, CESGRANRIO (2013). Vencedora do prêmio Fita (2013). Vencedora do prêmio Shell como melhor autora carioca (2013) pela peça “A Porta da Frente”. Foi roteirista programa “Tapas e Beijos” (Rede Globo 2013-2015) e da série “AMORTEAMO” (Rede Globo 2015). Escreveu “Chacrinha – O Velho Guerreiro” filme e série para TV Globo, estreia prevista para 2017.

VICTOR GARCIA PERALTA

Formado no “Piccolo Teatro Di Milano” na Itália sob direção de Giorgio Strehler.

Natural da Argentina, mas residente no Brasil. Dirigiu vários monólogos de sucesso entre eles: Os homens são de marte e é pra lá que eu vou de/com Mônica Martelli; Sexo, Drogas & Rock’n’roll de E. Bogosian com Bruno Mazzeo; Tudo que eu queria te dizer de M. Medeiros com Ana Beatriz Nogueira; Não sou feliz, mas tenho marido de V. Gomez Thorpe com Zezé Polessa; Dorotéia minha de/com Beth Goulart; Também queria te dizer de M. Medeiros com Emilio Orciollo Netto; Novecentos de A. Baricco com Isio Ghelman; Você está aí? De J. Daulte com Claudia Ohana; entre outros.

Entre seus últimos trabalhos de direção no teatro estão The Pride de Alexi Kaye Campbell; Decadência de S. Berkoff; Queime isso de L. Wilson; Uma relação pornográfica de P. Blasband; Quem tem medo de Virginia Woolf? De E. Albee; O Submarino de M. C. Barbosa e M. Falabella; O caso Valkiria R. de C. Sussekind; Alucinadas de B. Mazzeo, F. Porchat e E. Palatinik; Quartett de H. Müller; Um marido ideal de O. Wilde entre outras.

Na Argentina ganhou os seguintes prêmios de melhor direção: Moliere por Las lágrimas amargas de Petra Von Kant de R. W. Fassbinder; Maria Guerrero por La Señora Klein de N. Wright; A.C.E. e Estrella de Mar por Como se rellena um bikini salvaje de M. Falabella.

“A História das Histórias” no Sesc Tijuca

“A História das Histórias” estreia dia 07 de outubro no SESC Tijuca e segue em cartaz até o final do mês, com sessões aos sábados e domingos, sempre às 16h. O infantojuvenil mistura teatro físico, música, poesia e palhaçaria em uma narrativa lúdica sobre a necessidade humana de se comunicar e recriar a vida através de histórias.

Para narrar essa aventura, entram em cena os intrépidos e atrapalhados contadores de histórias, os jovens Marosa e Cazu, assistentes da incrível Doutora Rivânia Magnus Autoreum, uma mistura de anjo, fada, guerreira e professora, que já leu todos os livros (os que foram escritos e os que ainda nem foram escritos) em uma volta ao mundo em 80 páginas.  Os três fazem parte de uma caravana milenar e tradicional de contadores longínquos que já visitaram todos os lugares do mundo, os de verdade verdadeira e os de verdade imaginada, como Xanadu, Pasárgada e o Triângulo das Bermudas. Personagens que todos juram ter saído das páginas de um livro fantástico, cheio de aventuras e histórias universais. São criaturas que rompem o tempo e o espaço, feitos de pura poesia.  O texto é uma criação coletiva entre a diretora do espetáculo Flávia Lopes e os atores Aline Marosa e Caio Passos, que juntos formam o grupo “Os Sanzussô – Povo de Teatro”.

As peripécias têm início quando os dois, como de praxe, abrem as apresentações com muita alegria e música. Mas, nesse dia, o inesperado acontece e a Mestra Rivânia, pela primeira vez, não aparece para contar suas histórias incríveis, e assim seus fiéis aprendizes se veem com uma grande e importante missão nas mãos: encontrar Rivânia e continuar compartilhando o amor pelos livros através de suas histórias. Para isso, recorrem ao Livro Secreto para Situações de Emergência, que, para espanto deles, está com as páginas em branco. A única saída que eles encontram é usar a imaginação, a memória afetiva e a influência de histórias universais para contar, viver e até recriar suas próprias histórias, assumindo, desta forma, o protagonismo de suas vidas.

A partir daí, os contadores interagem com o público através da meta linguagem para dividir suas inseguranças, lembranças, emoções, desejos, dores, alegrias, aventuras e travessuras. A encenação valoriza o jogo cênico, a empatia com a plateia, o diálogo dos olhares – umas das principais técnicas da palhaçaria – e o misè-en-scene que vem do teatro de rua.  A peça conta ainda com recursos cênicos como máscara, bonecos e outras formas animadas, presentes em todos os trabalhos de Flávia, que há 20 anos exerce suas pesquisas na linguagem em Teatro Animação, Palhaçaria, Bufonaria e Comicidade.

“Acredito que o teatro precisa falar sobre aquilo que nos move, intriga e incomoda. No momento, quero falar sobre a imaginação e como é importante criar, contar e ouvir histórias. Através desse trabalho falo, sem falar, em como a imaginação é uma ferramenta de transformação de humanos mais humanizados. Acredito que a falta de empatia tem gerado danos profundos nas grandes e pequenas histórias sociais. E é por isso que acredito que a imaginação é o caminho para transformar realidades, transmutar a dor e e recriar sua própria história”,destaca Flávia, que, em 2016, também assinou a direção dos elogiados “Um Sonho para Meliès” e “A Arca de Nina”, nesse último dividindo a função com a artista Marise Nogueira.

A montagem traz uma curiosidade: o nome “Rivânia” é uma homenagem à pequena Rivânia, que numa recente enchente na cidade de São José da Coroa Grande, em Pernambuco, ao ver sua casa inundada, salvou o que tinha de mais importante: seus livros e cadernos da escola.

“Meu coração ficou apertado pela situação da menina, e ao mesmo tempo se encheu de esperança e desejos de uma vida melhor e mais justa. É impossível não ficar mexida, já que sou professora da rede pública do município e do estado do Rio. Dou aulas para grupos que vivem em situações desfavorecidas. Em cada um dos meus alunos reconheço uma menina Rivânia”, relembra Flávia.

A trilha sonora, inspirada na cultura popular brasileira e suas influências, é executada de forma mecânica e também ao vivo pelos atores que, além dos instrumentos musicais (ukulele, flauta transversa, sopros, pandeiro, chocalho e percussão), usam o próprio corpo para a sonoplastia. A direção musical é assinada por Karina Neves. O figurino e o cenário, de Carlos Alberto Nunes, e o visagismo de Mona Magalhães fazem a comunhão de todas as referências apresentadas na narrativa. Uma mistura estética inspirada na palhaçaria, na commedia dell´arte, nos artistas das feiras medievais, nos bufões, no teatro popular, nos personagens de livros infantis, nos desenhos e nas animações de Tim Burton.

 

SINOPSE: Os intrépidos e atrapalhados Marosa e Cazu são jovens contadores de histórias, aprendizes da Doutora Rivânia Magnus Autoreum – uma mistura de anjo, fada, guerreira e professora. Em um belo dia, como de praxe, os dois abrem as apresentações com muita alegria e música, mas o inesperado acontece: a Doutora Rivânia, pela primeira vez, não aparece para contar suas histórias incríveis, deixando-os sozinhos. Para dar continuidade à missão de espalhar o amor pelos livros através de suas histórias, a dupla, que ficou apenas com um livro em branco nas mãos, decide usar a imaginação, a memória e histórias universais para recriar a própria história.


SERVIÇO

Temporada: 07 a 29 de outubro de 2017

Local: Sesc Tijuca (Teatro I)

Dia|hora: Sábados e domingos, às 16h

Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539 – Tijuca

Valor: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, associados SESC pagam meia. Para crianças e adolescentes com idade até 16 anos a entrada é GRATUITA.

Telefone: 3238-2139

Duração: 60 minutos

Capacidade: 228 lugares

Classificação: livre

FICHA TÉCNICA

 

Direção: Flávia Lopes

Atuação: Aline Marosa e Caio Passos

Dramaturgia: Aline Marosa,Caio Passos e Flávia Lopes em colaboração com Carlos Alberto Nunes

Dramaturgia: Aline Marosa, Caio Passos e Flávia Lopes.

Colaboração dramaturgica: Carlos Alberto Nunes e Marcos Guimarães

Direção Musical: Karina Neves

Assistente de direção musical: Jonas Correa

Cenógrafo e Figurinista: Carlos Alberto Nunes

Cenógrafa e figurinista assistente: Arlete Rua

Confecção de figurinos: Carla Costa

Bonecos e adereços: Carlos Alberto Nunes, Arlete Rua e Carla Costa

Máscaras: Flávia Lopes, Marise Nogueira e Igor Bernardo.

Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni

Assistente de iluminação: João Gioia

Visagismo: Mona Magalhães

Gravação, mixagem, violão e percussão: Pedro Carneiro

Bombardino e trombone: Jonas Correa

Letra das músicas: Aline Marosa, Caio Passos e Flávia Lopes

Preparação Vocal: Verônica Machado

Instrutora de Yoga: Nina kriguer

Assessoria de imprensa: Lyvia Rodrigues (Aquela que Divulga)

Design gráfico: Leo Dutra (Rangabuana design)

Fotos: Rodrigo Menezes

Direção de produção: Pagu Produções Culturais

Coordenação de produção: Bárbara Galvão, Carolina Bellardi, Fernanda Pascoal

Produção executiva: Juliana Soares

“Nunca fui canalha” no Teatro Serrador

E aí? Você é canalha? Já foi? Canalha ou não, você vai se divertir com a comédia “Nunca fui canalha”, texto de Tatá Lopes e Martha Mendonça que estreia no próximo dia 7 de julho, sexta-feira, no Teatro Serrador, na Cinelândia.  A temporada vai até o dia 29 de julho, quintas, sextas e sábados, às 19h30

No palco, Tatá dá vida a quatro mulheres canalhas inspiradas nas personagens do livro “Canalha: substantivo feminino”, de Martha Mendonça. Três das personagens estão no livro – Diana, Leila e Rebeca; a exceção é Santinha, criada especialmente para Tatá. Com direção de Victor Garcia Peralta, a peça faz uma análise bem-humorada do caráter humano. É Martha quem conta como surgiu a parceria com Tatá e, depois, com o diretor.

– Conheci Tatá em 2011, quando ela fez conosco o Sensacionalista na TV. Eu já a tinha visto no “Surto” e gostava muito da pegada de humor dela. O tempo passou, e, em 2014, voltamos a trabalhar juntas na redação do “Zorra”. Foi bacana ver que ela, além de ótima atriz, era uma redatora de mão cheia. Foi lá que Tatá começou a conversar comigo sobre fazer um monólogo das “Canalhas” – um desejo que ela tinha, na verdade, desde que lancei o livro. A nós se juntou, um pouco depois, o diretor, Victor Peralta, que trouxe novos rumos para o nosso texto.

A peça não é uma transposição do livro para o teatro. As personagens da obra são apenas uma parte que costura o texto. O espetáculo é mais direto, menos sutil. O texto ácido é deliciosamente divertido, irreverente e não poupa ninguém. Ou quase ninguém. Afinal de contas, o que mais tem no mundo é gente canalha.

Os espectadores vão identificar muitos deles em suas vidas – ora de passagem, ora tentando roubar a cena mesmo. Alguns vão até se identificar também, mesmo que batam no peito e digam “nunca fui canalha”. Mas a verdade é como descreveu o dramaturgo Nelson Rodrigues: “No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte”. Para conforto do público, Tatá e Martha fazem de tudo para defendê-lo: “Gente canalha não vai ao teatro. Canalha só fica em casa. Vendo série. Série sobre outros canalhas.”

Em meio a canalhas de todos os tipos – do “canalha ostentação” à canalha religiosa, passando pelo canalha político, claro! –, a peça só poupa o público, a ficha técnica, eu, você e, claro, quem mora em Mauá.

Currículos

Tatá Lopes – Atriz e coautora

Atriz, produtora e roteirista. Formada na CAL, foi produtora na Cia de Ópera Seca de Gerald Thomas e com o diretor João Falcão em diversos espetáculos, como “Homem objeto” e “Clandestinos”. É autora, produtora, diretora e atriz do espetáculo “Surto”, com amis de um milhão de espectadores, e na montagem de “Mamãe não pode saber”, de João Falcão. Participou do espetáculo “Pirou?!”, de Regiana Antonini, com direção de Michel Bercovitch. Atuou em peças da mesma autora, como “Doidas e santas”, com direção de Ernesto Piccolo. Participou dos programas “Oncotô” (TV Brasil), “Vampiro carioca”, “A grande família” (Rede Globo) e “Sensacionalista” (Multishow), do qual foi também corroteirista. Assina também como roteirista (além de atuar) o seriado “Alucinadas”, do Multishow. Participou do filme “E aí, comeu?”, de Bruno Mazzeo. É autora do livro “Crônicas de um blog abandonado”. Assina, juntamente com Adeline Ramalho, o canal de humor “Minutos de sabedoria”, com mais de um milhão de visualizações. Já no teatro, a última foi peça “Apesar de você”, texto de Gabriela Amaral e Celso Taddei, com direção do Henrique Tavares e Márcio Trigo. Atualmente, é roteirista do programa Zorra, da TV Globo.

Martha Mendonça – coautora

Carioca, escritora, roteirista e jornalista. Hoje é redatora da TV Globo, integrando a equipe do humorístico “Zorra”. Esteve nas redações de O Dia e Época, onde escreveu sobre Comportamento e Cultura por 15 anos.  Foi redatora do site Sensacionalista e do Jornal Sensacionalista, do canal Multishow. Lançou os livros “Mulheres no ataque”, pela Editora Planeta, “Eu e você, você e eu”,  “Canalha, substantivo feminino”,  “40, um romance feminino” e “A História Sensacionalista do Brasil, pela Editora Record. O livro “Canalha, substantivo feminino” se transformou em série de TV do canal GNT, com três temporadas. O projeto também foi vendido para o canal americano Hulu, que fará uma versão da série. É coautora do espetáculo teatral “Os Difamantes”.  Atualmente, está em cartar com a peça “Ela é meu marido”, escrita em parceria com Nelito Fernandes.

Victor Garcia Peralta – Diretor

Formado no “Piccolo Teatro Di Milano”, na Itália. No Brasil, alguns de seus trabalhos: “Decadência”, de S. Berkoff, com Beth Goulart e Guilherme Leme; “Felizes da vida”, de J. Langsner, com Guilherme Leme e Lucélia Santos; “Dorotéia minha”, com Beth Goulart; “Os homens são de Marte, e é pra lá que eu vou”, com Mônica Martelli, (Prêmio Qualidade Brasil de melhor direção); “Não souo feliz, mas tenho marido”, de V. Gomez Thorpe, com Zezé Polessa; “Um marido ideal”, de Oscar Wilde, com Herson Capri, Edwin Luisi e Bianca Byngton; “Quartett”, de H. Müller, com Beth Goulart e Gulherme Leme; “Você está aí?”, de J. Daulte, com Cláudia Ohana; “Alucinadas”, de Bruno Mazzeo, Fábio Porchat e Palatinik, com Luciana Fregolente e Renata Castro Barbosa; “Tudo que eu queria te dizer”, de Martha Medeiros, com Ana Beatriz Nogueira; “Também queria te dizer”, de Martha Medeiros, com Emílio Orciollo; “Sexo, drogas e rock’n roll”, com Bruno Mazzeo; “O submarino”, de Miguel Falabella, com Marcus Melhem e Luciana Braga.

Ficha Técnica

Elenco: Tatá Lopes

Direção: Victor Garcia Peralta

Texto: Martha Mendonça e Tatá Lopes

Direção de Produção: Marcela Casarin

Assistência de Produção: Janyne Sousa

Produção de Apoios: Lívia Machado

Cenografia: Dina Salem Levy

Cenotécnico: Paulo Denizot

Figurino: Luiza Fardin

Visagismo para fotos: Ítalo Santana

Costureira: Marenice Alcântara

Iluminação: Paulo Denizot

Supervisão de Movimento: Cristina Amadeo

Programação Visual: Rico Vilarouca

Fotografia: Leonardo Miranda

Assessoria de Imprensa: Sheila Gomes

Comunicação Digital: Lê Bottino

Produção: Mãe Joana Filmes e Produções

Realização: Os Surtados Produções Artísticas

Serviço:  Nunca fui canalha, de Tatá Lopes e  Martha Mendonça

Teatro Municipal Serrador

De 7 a 29 de julho – Quintas, Sextas e Sábados, às 19h30

Ingressos a R$ 40 (inteira) e R$ 20(meia)

Gênero: Comédia ácida

Classificação: 12 anos

Duração: 60 minutos

“Pescadores de Almas” no Parque das Ruínas

Através da própria biografia Walkiria Kaminski narra o início do contato mediúnico que a levou a vivenciar o suicídio da pintora Jeanne Hébuterne: esse é o fio condutor para a dramaturgia de um dos livros espíritas mais lidos da atualidade. Pescadores de Almas, inédito nos palcos, é a mais nova produção da Dendrobates Cultura, com direção de Daniel Archangelo e a atuação de Tatiana Sobral. O espetáculo fará sua primeira temporada a partir de 01 de Julho no Teatro do Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas (Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa).

 

Entre os livros espíritas mais vendidos da atualidade Pescadores de Almas apresenta uma narrativa arrebatadora. Através de caminhos pessoais levanta questões fundamentais sobre o suicídio. Em todo mundo as doenças emocionais têm se multiplicado, e muitas situações limites são enfrentadas com a solidão: O sofrimento enlouquece, nos diz Walkiria Kaminski.

 

A história contada no livro vai além da religião. Estamos diante um depoimento biográfico que se cruza com muitas outras vidas e histórias. Que traz em detalhes o momento da morte de uma personalidade histórica. Além disso todo processo de construção da dramaturgia é repleto de poesia visual. O resultado será um lindo espetáculo construído com extrema delicadeza. Explica o diretor Daniel Archangelo.

 

Pescadores de Almas traz em ótima performance a atriz Tatiana Sobral, além de um trabalho visual extremamente cuidadoso. Como uma forma de construir laços culturais, um dos objetivos da Dendrobates Cultura é buscar textos inéditos com novos pontos de vista, um movimento fundamental para compreender nossa própria realidade.

 

A escolha em adaptar uma obra literária tem a ver com a história que ela conta e com o ponto de vista que ela defende. A história de uma médium brasileira que conta com presença de vários pintores históricos, que se mescla a história da vida de Amedeo Modigliani e se choca com o suicídio de Jeanne Hébuterne precisa ser levada aos palcos. É um depoimento único que traz consigo um ponto de vista pouco presenciado em cena. Argumenta Archangelo

 

 

A conferir: Pescadores de Almas no Teatro do Parque das Ruínas – Rio de Janeiro – de 01 a 29 de Julho.

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais Sobre Walkiria Kaminski:

Walkiria Kaminski é paranaense, graduada em Letras pela Unicentro do Paraná, mestre em Teoria Literária pela PUC Paraná e pós-graduada em Arte Terapia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Com mestrado e doutorado na área de saúde mental, Walkiria atua como voluntária em ações terapêuticas nas favelas brasileiras atendendo a crianças esquizofrênicas, psicóticas e autistas. Médium psicopictográfica, Walkiria é a iniciadora do movimento Arte Cura no Brasil. Aos 65 anos de idade, ministra palestras e apresentações de arte mediúnica em 20 estados brasileiros.

 

 

 

Ficha Técnica:

Autora: Walkiria Kaminski

Direção: Daniel Archangelo

Elenco: Tatiana Sobral

Cabine: Daniele de Deus

Comunicação: Aline Peres

Assistência de Produção: Gabriel Piedro

Arte Designer: Pedro Amaro

Fotos: Lia Ximenes

Teaser e Filmagem: Charlote Produções

Realização: Dendrobates Cultura

 

 

 

 

Serviço:

Pescadores de Almas

Temporada: de 01 a 29 de Julho de 2017

Horários: 16Hs (sábados)

Local: Teatro do Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas (Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa).

Capacidade: 70 lugares
Bilheteria: Tel.: (21) 3916-2600

Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia entrada para os casos previstos em lei)

Duração: 55 minutos

Classificação: 14 anos