Dilema entre amor e dever: La Bayadère – Eu fui!

Criei o site para falar de assuntos culturais de meu interesse: teatro, cinema, música… Mas nunca havia tido a oportunidade de escrever sobre a dança. Provavelmente, meu tema favorito em se tratando de artes. Não pude conter minha alegria ao saber da oportunidade de assistir, em primeira mão, a um espetáculo de ballet clássico no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o “La Bayadère”. Este, considerado um dos maiores ballets de repertório, foi criado em 1877 pelo coreógrafo Marius Petipa, com músicas de Ludwig Minkus, e está ganhando nova montagem do coreógrafo argentino-chileno Luis Ortigoza, executada pelo corpo de baile do Theatro este domingo, 1° de junho.

La Bayadère no Theatro Municipal - Foto: apetecer.com

Nikyia, a bailarina do templo – Foto: apetecer.com

Dividido em dois atos e cinco cenas, “La Bayadère” teve estreia mundial no Teatro Bolshoi Kamenny de São Petersburgo, na Rússia. A história de amor eterno, mistério, destino, vingança e justiça é ambientada na Índia Real do passado e relata o drama de uma bailarina do templo, Nikiya, que está apaixonada pelo guerreiro Solor e é por ele correspondida. Nikiya também é amada pelo Grande Brâhmane, Sacerdote do Templo, mas ela não o ama como a Solor. Os jovens apaixonados planejam fugir juntos e juram fidelidade diante do fogo sagrado. No entanto, Solor se vê obrigado a abandonar seu juramento quando o Rajá, satisfeito com o presente que recebeu de Solor, lhe oferece a mão de sua filha Gamzatti em casamento.

A história do “La Bayadère” com o Brasil é antiga. Em 1961, Eugenia Feodorova trouxe este ballet para cá, no mesmo Theatro Municipal onde estreia esta nova montagem. O Rio de Janeiro pôde assistir a Bertha Rosanova como Nikiya, e Aldo Lotufo como Solor. Esta montagem traz Márcia Jaqueline e Renata Tubarão se revezando como a protagonista, e Cícero Gomes, Moacir Emanoel e Filipe Moreira fazem Solor.

La Bayadère no Theatro Municipal - Foto: apetecer.com

Solor e Gamzatti – Foto: apetecer.com

“A coreografia já existe, de muito tempo. Você tem uma base coreográfica e depois o coreógrafo adapta de outra maneira: coloca mais pirueta, mais salto. Isso faz parte da versão de cada um. Luis Ortigoza (coreógrafo da montagem) levou dois anos para juntar todos os documentos da Bayadère, para estudar tudo o que existe. E depois definir sua versão”, diz Eric Frederic, ensaiador envolvido no projeto.

Não há o que falar dos solistas, com seus corpos esculpidos pela dança e movimentos perfeitos. Dentre o corpo de baile, destaco o bailarino Murilo, que faz o Ídolo de Ouro, ovacionado pelo público presente. Assistir a uma montagem de ballet no Theatro Municipal, inaugurado em 1909, é uma viagem ao tempo. E ver “La Bayadère”, te transporta para o oriente. O figurino, a cenografia, os personagens e influências de dança indiana reproduzem esta atmosfera. Tudo muito grandioso e bonito, como todo ballet deve ser.

E assim transcende a história de “La Bayadère”, como o amor de Nikiya e Solor. Um amor proibido. Amor que rompeu o ocaso de suas vidas. Amor lembrado até hoje na Índia, quando se ouvem seus beijos na chama do fogo.

 

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Serviço:
LA BAYADÈRE
BALLET E ORQUESTRA SINFÔNICA DO THEATRO MUNICIPAL
Música: Ludwig Minkus
Arranjos e orquestração: Albena Dobreva
Libreto: Marius Petipa e Sergei Khudekov
Coreografia: Marius Petipa por Luis Ortigoza
Cenografia e Figurinos: Pablo Núñez
Iluminação: José Luis Fiorruccio
Coreólogo: Pablo Aharonian
Regência: Javier Logioia Orbe e Tobias Volkmann
Diretor Artístico BTM: Sérgio Lobato
Dias 1º e 8 e 29 de junho, às 17h
Dias 2, 3, 5, 7, 26 e 27 de junho, às 20h
Solistas dos papeis centrais:
Márcia Jaqueline (Nikiya) / Moacir Emanoel (Solor) – Dias 1º e 3

Renata Tubarão (Nikiya) / Filipe Moreira (Solor) – Dias 2, 8, 27 e 29
Márcia Jaqueline (Nikiya) / Cícero Gomes (Solor) – Dias 5, 7 e 26
Dias 1º, 2, 3 e 5 de julho, às 20h
Dia 6 de julho, às 17h
Solistas dos papeis centrais:
Márcia Jaqueline (Nikiya) / Moacir Emanoel (Solor) – Dias 1º, 3 e 6
Renata Tubarão (Nikiya) / Cícero Gomes (Solor) – Dias 2 e 5
Preços:  
Frisas e camarotes (R$ 504,00)
Plateia e balcão nobre (R$ 84,00)
Balcão superior (R$ 60,00)
Galeria (R$ 25,00)
Desconto de 50% para estudantes e idosos
Classificação etária: Livre

 

PS.: Agradeço ao Theatro Municipal pelos convites.


“Comício Gargalhada”, no Arthur Azevedo

Após várias temporadas de sucesso, o ator Rodrigo Sant’Anna lepva ara a Zona Oeste do Rio, sua comédia “Comício Gargalhada”. A única apresentação será no Teatro Arthur Azevedo, dia 4 de junho, 21h.
Rodrigo Sant’anna ficou popularmente conhecido ao dar vida a Adimilson e Valeria, personagens cômicos do programa Zorra Total da Rede Globo. No palco, dará vida a estes e outros “figuras” neste Comício, uma grande sátira aos comícios eleitorais, em que o voto não é obrigatório, mas o riso é garantido!
A história começa quando Adelaide (uma mendiga pedinte) invade o Palco-Palanque e começa a falar de sua “plataforma política”. Na seqüência, vem Vanderley das Almas (sensitivo), Sara menininha (Cantora de Axé), Juarez (Frango de Padaria), Homossexual Obeso, Adimilson e Valéria, todos interessados em convencer o público de suas campanhas. Entre um personagem e outro Rodrigo ainda encontra fôlego para contar casos engraçados de sua história.

FICHA TÉCNICA:
Texto e Interpretação: Rodrigo Sant’Anna
Direção: Thalita Carauta

SERVIÇO:
Comício Gargalhada
Apresentação dia 4 de junho de 2014
Local: Teatro Arthur Azevedo
Endereço: Rua Victor Alves, 454 – Campo Grande  – Tel (21) 2332-7516
Horários: Quarta-feira – 21h
Ingressos: Inteira – R$ 40,00 – Meia – R$ 20,00
Classificação: 14 anos
Gênero: Comédia

“O cachorro riu melhor”, no Teatro dos Quatro

Com direção de Cininha de Paula e versão brasileira de Artur Xexéo, “O cachorro riu melhor” estreou em abril, no Teatro dos Quatro – Shopping da Gávea. O texto original é de Douglas Carter Beane e foi indicado ao Tony em 2007. Danielle Winits, Júlio Rocha, Rainer Cadete e Sara Freitas fazem parte do elenco.

Danielle Winits interpreta Dione, papel que deu o Tony de melhor atriz a Julie White. Famosa agente de atores, ela procura manter em evidência seu pupilo, o astro de TV Mateus (Júlio Rocha), mas precisa ainda proteger a imagem do galã, escondendo sua sexualidade. O problema se agrava quando Mateus conhece Alex (Rainer Cadete), um garoto de programa, e os dois se apaixonam. O próprio Alex, contudo, não tem certeza das suas escolhas, pois tem uma namorada, Helena (Sara Freitas). Esta relação faz Mateus repensar suas escolhas, e uma teia de mentiras, sombras e aparências fica prestes a se romper.
O espetáculo traz uma série de dilemas morais e éticos, flagrando os personagens em um momento no qual são obrigados a se confrontar e descobrir sua essência. “O que mais me atrai na história são justamente essas amarras pessoais e sociais que criamos e que acabam por nos impedir de perseguir aquilo que verdadeiramente desejamos”, explica Cininha. “É um tema muito contemporâneo, onde os anseios atuais são colocados em xeque: de um lado da balança, o desejo por um grande amor, uma grande paixão; do outro, a luta por um sonho, uma carreira, ou o desejo de enriquecer – em tempos atuais parecem ser a mesma coisa -, que são vontades que parecem não poder se conjugar mais”, complementa a diretora.
O texto desvenda os bastidores do show business e discorre sobre os meandros e artifícios na busca pelo sucesso. A ação se passa no Rio de Janeiro. “A peça expõe comportamentos contemporâneos. Critica esse universo da fama e do sucesso a qualquer preço. Fala de quanto o homem de hoje é capaz de vender seus princípios por qualquer cachê. O autor conhece bem o mundo do show business americano, que não é muito diferente lá ou cá”, afirma Xexéo.

 

 

Ficha Técnica:
Autor – Douglas Carter Beane
Versão Brasileira – Artur Xexéo
Direção – Cininha de Paula
Elenco – Danielle Winits, Júlio Rocha, Rainer Cadete e Sara Freitas

Serviço:
Estreia: 17 de abril (quinta)
Temporada até 8 de junho
Teatro dos Quatro
Rua Marques de São Vicente, nº 52, 2º piso, Shopping da Gávea.