Lisbela e o Prisioneiro

O Palco Petrobras Premmia receberá a partir do dia 1º de agosto o musical Lisbela e o Prisioneiro, no Theatro Net Rio. A peça fica em cartaz às sextas e sábados às 21h e domingo às 18h até o dia 30 de agosto. O texto original do pernambucano Osman Lins, escrito em 1964 que já foi filme e especial de TV, foi adaptado para os palcos pelas mãos da escritora Francisca Braga que apresentará ao público um universo musical circense, repleto de criatividade e imaginação.

Na trama Leléu (Luiz Araújo) é um artista mambembe que chega na cidade de Vitória de Santo Antão com seu circo, após se engraçar com a mulher de um matador de aluguel, o vilão Vela de Libra (Dan Rosseto). Na cidade Leléu conhece Lisbela (Ligia Paula Machado) que está de casamento marcado com Douglas (Beto Marden), porém ambos se apaixonam, tornando-se prisioneiros deste amor.

O elenco composto por 08 atores, 08 músicos e 03 acrobatas circenses apresentarão diversos números de circo como trapézio, lyra, tecido acrobático, corda indiana, malabares, clown, mágica e acrobacias de solo coordenados pelo artista circense Roger Pendezza que optou por uma concepção baseada no artista mambembe brasileiro. Além disso o espetáculo ainda tem coreografias de ballet, forró, samba, roller dance e ballet contemporâneo, idealizadas por Ligia.

Na parte musical o público se deliciará com canções de grandes nomes da nossa música como Zé Ramalho, Pixinguinha, Dominguinhos, Filipe Catto, Caetano Veloso, João Pernambuco entre outros com os arranjos do maestro e diretor musical Dyonisio Moreno que arranjou as músicas regionais dando uma levada pop rock, mesclando instrumentos regionais com eletrônicos.

A criação do espaço cênico foi inspirada nos circos itinerantes do século passado que eram totalmente móveis permitindo diversas combinações cenográficas durante a peça, como uma grande caixa surpresa. Já os figurinos foram pensados como uma atualização dos tipos clássicos do circo teatro, com o cômico, a trapezista, o apresentador entre outros, só que em um novo desenho, de acordo com as personagens e aproveitando materiais essencialmente brasileiros: rendas, cordas e bordados. Essa criação será feita pelo premiado cenógrafo e figurinista Kleber Montanheiro.

Todo trabalho dessa grande produção é coordenado pelos diretores Dan Rosseto e Ligia Paula Machado e pela supervisora artística Francisca Braga.

FICHA TÉCNICA: Autor: Osman Lins

Adaptação e supervisão geral: Francisca Braga

Direção Geral: Dan Rosseto e Ligia Paula Machado

Direção Musical: Dyonisio Moreno

Supervisão Circense: Roger Pendezza

Repertório Musical: Francisca Braga

Elenco: Luiz Araújo (Leléu), Ligia Paula Machado (Lisbela), Beto Marden (Douglas), Millene Ramalho (Inaura), Nill de Pádua (Tenente Guedes), Dan Rosseto/Fernando Prata (Vela de libra/Frederico Evandro), Jonatan Motta (Cabo Citonho), Milene Vianna (Francisquinha). Acrobatas: Roger Pedenzza, Tarik Henrique Músicos: João Paulo Pardal (guitarra e violão), Renan Cacossi (pífano e flauta transversal), Maristela Silvério (piano), Jonatan Motta (violino), Azael Rodrigues (bateria e percussão), Daniel Warchauer (acordeon), Augusto Brambilla (baixo acústico e elétrico) Coreografias: Ligia Paula Machado e Roger Pendezza

Instrutor de Roller Dance: Alex Bonanza

Cenografia, figurinos e designer de luz: Kleber Montanheiro

Aderecista: Michele Rolandi

Costureira: Euda Alves de Souza

Fotos: Caio Gallucci

Assessoria de Imprensa: Fabio Camara

SERVIÇO: PALCO PETROBAS PREMMIA –LISBELA E O PRISIONEIRA

Theatro Net Rio – Sala Tereza Rachel. Rua Siqueira Campos, 143 – Sobreloja – Copacabana. (Shopping Cidade Copacabana).

Ingresso: R$ 150,00 (plateia, frisa) R$ 100 (balcão)

Direito à meia entrada: Menor ou igual à 21 anos, idosos com 60 anos ou mais, professor da rede pública, estudante, cliente Net (4 ingressos), cliente O Globo (2 ingressos), classe artística com DRT (1 ingresso), cliente Mais Pão de Açúcar, revista Básica (2 ingressos), carteira da Amave (2 ingressos), funcionários da Petrobras (2 ingressos) Horário: Sexta e sábado às 21h e Domingo às 18h

Temporada: 1 a 30 de agosto.

Classificação: Livre.

Duração: 105 Minutos.

Capacidade do Teatro: 623 lugares.

Telefone do teatro: 21 2147 8060 / 2148 8060

Site: http://www.theatronetrio.com.br

Vendas: http://www.ingressorapido.com.br / consulte os pontos de vendas no site.

Horário de funcionamento da bilheteria: 10h às 22h.

Curso “The Lucid Body” na Casa do Cortejo

A produtora Varal das Artes traz ao Rio de Janeiro o diretor e preparador de elencos Thiago Felix para ministrar o curso “The Lucid Body”, entre os dias 13 e 16 de agosto, na Casa do Cortejo – Rua Mário Portela, 106 – Laranjeiras. Thiago leciona a técnica no renomado Studio Stella Adler.

“A técnica foi desenvolvida pela diretora americana Fay Simpson e usa a energia do corpo do ator para aplicar padrões físicos, emocionais e mentais na construção de um personagem. O Thiago é professor dessa técnica no Studio Stella Adler e traz seu conhecimento pela primeira vez para atores aqui do Brasil”, explicou Thiago Chagas, sócio da produtora.

O curso será nos dias 13 e 14 (18h às 22h) e 15 e 16 (13h às 18h) e o investimento é de R$540,00 ou 2x R$ 300,00. A inscrição é feita pelo site: www.varaldasartes.com

 

Curso The Lucid Body

13, 14 (18h às 22h) e 15 e 16 (13h às 18h) de agosto.

Casa do Cortejo – Rua Mário Portela, 106 – Laranjeiras

Investimento: R$ 540,00 ou 2x R$ 300,00

Inscrições: www.varaldasartes.com

“BarbarIdade” agora em São Paulo

A comédia musical BarbarIdade aterrissa em São Paulo, no Teatro Sérgio Cardoso, no dia 17 de julho, e promete arrancar  gargalhadas de toda a família. O espetáculo surpreende o público ao abordar o tema ‘terceira idade’ de maneira inovadora, com situações divertidas que demostram a força e o carisma dessa geração. Inspirado no argumento de Luis Fernando Verissimo, Ziraldo e Zuenir Ventura, BarbarIdade aposta em um repertório com paródias animadas e criativas de canções conhecidas, como ‘Baila Comigo’, de Rita Lee, e ‘Malandragem’, composta por Cazuza e Frejat, bastante conhecida na voz de Cássia Eller; além de duas canções inéditas. “As músicas de Roberto Carlos e Anitta, cantadas por gente da terceira idade, são uma surpresa gratificante”, revela o cartunista Chico Caruso, que assistiu ao musical quando estava em cartaz no Rio de Janeiro.

Susana Vieira, protagonista do musical na temporada carioca, precisou se ausentar do espetáculo em São Paulo por ter quebrado o pé, mas não ficará de fora da produção. Com uma adaptação no texto, Susana participará da peça interpretando a si mesma, uma grande atriz de sucesso, em irreverentes vídeos e áudios. Para o papel de Daniela Gordon, uma divertida e implacável produtora de teatro que era interpretada pela atriz, chega ao elenco Stella Maria Rodrigues, que fez recentemente a novela Sete Vidas, da Rede Globo, e já participou de produções como Emilinha e Marlene – As Rainhas do Rádio, Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical e Agnaldo Rayol, A Alma do Brasil. Consagrados na televisão e nos palcos, Osmar Prado, Edwin Luisi e Marcos Oliveira mostram versatilidade em cena, ao cantar, dançar e mostrar afiada veia cômica, na pele de três autores que são contratados para escrever um musical, mas sofrem um bloqueio criativo.

O espetáculo, produzido pela Aventura Entretenimento, tem texto de Rodrigo Nogueira (inspirado no argumento dos três escritores), direção de José Lavigne e coreografia de Alonso Barros. “BarbarIdade é uma comédia leve, despretensiosa e bem humorada. Com certeza é um espetáculo para toda a família se divertir reunida”, comenta Aniela Jordan, sócia da Aventura Entretenimento ao lado de Fernando Campos e Luiz Calainho. Apresentado pelo Ministério da Cultura e Bradesco Seguros, ‘BarbarIdade’ tem apoio da Riachuelo e CVC.

De acordo com Alexandre Nogueira, Diretor do Grupo Bradesco Seguros, o espetáculo abrange a questão da conquista da longevidade com qualidade de vida e bem-estar, um tema que o Grupo Segurador vem investindo há anos, através de inúmeras ações e projetos. “Para Bradesco Seguros, investir em um evento cultural associado à terceira idade está totalmente alinhado à nossa estratégia de valorizar a longevidade. E nada melhor para nos inspirar na busca de uma vida longa e saudável do que o humor”.

Texto e movimento

A partir das ideias originais desses três célebres oitentões (Verissimo, Ziraldo e Zuenir) e sua própria visão sobre o tema, o dramaturgo Rodrigo Nogueira (de ‘Rock in Rio, o musical’ e ‘Chacrinha, o musical’ ao lado de Pedro Bial) criou uma divertida história sobre a liberdade que se conquista na terceira idade. E esse foi o ponto de partida para nascer BarbarIdade, dirigida por José Lavigne (de ‘TV Pirata’, ‘Casseta & Planeta, Urgente’ entre outros) e coreografada por Alonso Barros (de ‘Se eu fosse você, o musical’, ‘Elis, A musical’, ‘Chacrinha, o musical’, entre outros trabalhos).

 

A trama

Em uma metalinguagem recheada de musicalidade, o espetáculo narra a história de três autores (vividos por Edwin Luisi, Osmar Prado e Marcos Oliveira) que são contratados para escrever um musical sobre a terceira idade, mas não entendem nada do assunto. Diante de um bloqueio criativo, o trio recebe a visita de Matusalém (Thais Belchior), o personagem mais velho do mundo, que vai ajudá-los na missão. Daniela Gordon (Stella Maria Rodrigues), uma engraçada e implacável produtora teatral, é a responsável por lidar com essa confusão. Em cenas divertidas ao lado da protagonista, Leonardo Senna vive um diretor com a difícil tarefa de escalar um elenco para uma peça que ainda não tem texto. “Quando eu era criança achava que estaria velho aos 40 anos. A gente aprende a relativizar com o tempo e a compreender melhor a terceira idade. Cada idade tem sua poesia e amadurecimento, e o conhecimento só ajuda a ter pontos de vista melhores sobre a vida”, conta Leonardo.

Com mais de 40 anos de profissão, é a primeira vez que Edwin Luisi participa de um musical. “Eu tenho uma carreira diversificada, gosto de intercalar dramas com comédias, por exemplo. Eu nunca tinha feito um musical, e adorei a oportunidade de começar no gênero em que fala da terceira idade de uma maneira produtiva, bem-humorada, sem impedimentos”, declara Edwin, cujo personagem, descreve, tem um lado “vaidoso e garanhão”. Depois de 14 anos vivendo o personagem Beiçola em ‘A grande família’, Marcos Oliveira também comemora sua primeira experiência no gênero. “Adorei o convite! É um espetáculo que fala de como podemos chegar à terceira idade de uma maneira produtiva, deixando de lado os preconceitos ainda fortes em nosso país”, define. Experientes em musicais, Osmar Prado descreve seu personagem: “Sou o mais ponderado dos três e o mais romântico”, conta Osmar, que é apaixonado por Gilda (Anna Toledo/Mariana Amaral) na peça e vai cantar ao lado da atriz grandes canções de amor.

A trilha sonora é composta por mais de 30 canções (com medleys) que vão desde o funk até Frank Sinatra e algumas paródias. “É um espetáculo sobre o tempo, então foram reunidas músicas que fazem parte da vida das pessoas. Quem não tem lembranças ao ouvir ‘Detalhes’, por exemplo?”, explica Marcelo Castro, diretor musical ao lado de Felipe Habib. “Para dar uma unidade ao trabalho, fizemos arranjos parecidos, no estilo de coros antigos dos anos 60 e 70”, acrescenta. Além de ‘Detalhes’ (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), ‘BarbarIdade’ tem no repertório ‘My Way’ e ‘Strangers in the night’ (Frank Sinatra); ‘There’s no business like show business’ (Irving Berlin)  , ‘Amante profissional’ (Roberto Lly) e ‘Show das Poderosas’ (Anitta), entre outras canções. Há ainda duas canções inéditas: ‘Ser velhinho’ e ‘Carpe Diem’, compostas por Pedro Verissimo (filho de Luis Fernando Verissimo), com letras do pai, Ziraldo e Zuenir.

Também fazem parte da equipe criativa o Estúdio Radiográfico (cenografia), Carlos Esteves (Desenho de som), Claudio Tovar (Figurinista), Daniela Sanchez (Desenho de luz) e Marcela Altberg (Produção de elenco).

 

Ficha técnica

Texto – Rodrigo Nogueira, inspirado em argumentos de Luis Fernando Verissimo, Ziraldo e Zuenir Ventura

Direção – José Lavigne

Direção de movimentos e coreografia – Alonso Barros

Direção Musical e arranjos – Marcelo Castro

Direção Musical e Preparação vocal – Felipe Habib

Cenário – Radiográfico

Figurino – Claudio Tovar

Figurino de Gilda em “Detalhes” – Adriano de Oliveira e Vanessa Castro – Atelier Avant Premiere

Equipe de costura – Adriano de Oliveira e Vanessa Castro – Atelier Avant Premiere

Design de som – Carlos Esteves

Visagismo – Martin Macias

Desenho de luz – Daniela Sanchez

Produção de elenco – Marcela Altberg

Elenco – Stella Maria Rodrigues, Osmar Prado, Edwin Luisi, Marcos Oliveira, Anna Toledo, Leonardo Senna, Igor Pontes, Thais Belchior, Diego Montez, Mariana Amaral, Jhafiny James, Ágata Matos, Eduardo Leão, Cadu Batanero, Germana Guilherme, Thiago Lemmos e Clara Verdier.

Músicos: Marcelo Castro (maestro/pianista regente), Nelton Essi (bateria/percussão), Thiago Alves (baixo acústico/acústico), Jorge Erveline (guitarra/ violão), Ederson Marques (clarinete/sax alto/ flauta), Joelson Menezes (clarinete/sax tenor e clarone), Joyce Peixoto (trombone) e Otávio Nestares (trompete).

Realização – Aventura Entretenimento

Serviço: BarbarIdade

Teatro Sérgio Cardoso | Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista, São Paulo – SP

Dias e horários: Sextas – 21h30 | Sábados – 17h e 21h | Domingos – 16h.

Funcionamento da bilheteria: Terça a sábado das 14h às 19h. Em dias de eventos, até o início dos mesmos.

Telefone da bilheteria: (11) 3288-0136

Pela internet: www.ingressorapido.com.br

Preço:

Sextas feiras – 21h30

VIP: R$ 70

PLATEIA: R$ 60

BALCÃO: R$ 40

Sábados – 17h

VIP: R$ 100

PLATEIA: R$ 80

BALCÃO: R$ 50

Sábados – 21h

VIP: R$ 120

PLATEIA: R$ 90

BALCÃO: R$ 50

Domingo – 16h

VIP: R$ 120

PLATEIA: R$ 90

BALCÃO: R$ 50

Capacidade:  835 lugares

Duração: 2h (com intervalo)

Classificação etária: Livre

Temporada de 17 de julho a 27 de setembro

*Primeiro sábado da temporada – 18 de julho – não há sessão das 17h.

BarbarIdade, no Oi Casagrande

Três dos maiores autores brasileiros, Luis Fernando Veríssimo, Ziraldo e Zuenir Ventura sabem por experiência própria que falar da terceira idade não é o momento de lamentar impedimentos físicos, chorar diante da perda de audição, da cegueira ou qualquer clichê do gênero. É hora de celebrar aquele tempo da vida em que você se permite ser quem quiser – sem vergonha, sem impedimentos, sem medos. Inspirado na própria força produtiva, o trio apresenta ‘BarbarIdade’, produção da Aventura Entretenimento, que chega aos palcos em 19 de março no Teatro Oi Casa Grande. Com orçamento de 10 milhões, a comédia musical tem texto de Rodrigo Nogueira (baseado na criação dos três escritores), direção, direção de movimento e coreografias de Alonso Barros, e reúne um elenco de 18 atores, encabeçado por Susana Vieira, Osmar Prado, Edwin Luisi, Marcos Oliveira e Guilherme Leme Garcia.

Depois da trilogia Uma Aventura Brasileira (formada pelos sucessos ‘Elis, A Musical’, ‘Se eu fosse você, o musical’ e ‘Chacrinha, o musical’), ‘BarbarIdade’ marca o lançamento do projeto Uma Nova Aventura Brasileira, que reúne espetáculos que fortalecem ícones da cultura nacional. Partiu daí a ideia de convidar três grandes nomes da literatura brasileira, Luis Fernando Veríssimo, Ziraldo e Zuenir Ventura, para criarem uma comédia musical sobre a terceira idade. “Quisemos fugir dos clichês. Quem fala de velhice são os jovens. O velho de hoje não sente a idade que tem, está muito ativo e cheio de projetos. Basta olhar nosso trio de criadores”, analisa Aniela Jordan, sócia da Aventura Entretenimento ao lado de Fernando Campos e Luiz Calainho. “Pela primeira vez, um tema de importância sociocultural, a terceira idade, é objeto principal de criação de um musical brasileiro”, ressalta Calainho.

De acordo com Alexandre Nogueira, Diretor do Grupo Bradesco Seguros, o espetáculo abrange a questão da conquista da longevidade com qualidade de vida e bem-estar, um tema que o Grupo Segurador vem investindo há anos, através de inúmeras ações e projetos. “Para a Bradesco Seguros, investir em um evento cultural associado à terceira idade está totalmente alinhado à nossa estratégia de valorizar a longevidade. E nada melhor para nos inspirar na busca de uma vida longa e saudável do que o humor, especialmente quando os autores, além de escritores extremamente criativos, são exemplos de como envelhecer bem.

Veríssimo, Ziraldo e Zuenir

Aos 83 anos, o jornalista e escritor Zuenir reforça essa intensa atividade intelectual da terceira idade. “Em um país em que, muitas vezes, o velho é considerado um estorvo, é bom lembrar que Verdi compôs Otello aos 73 anos. Aos 80, Goethe terminou ‘Fausto’; aos 90, Bernard Shaw permanecia ativo; Charles Chaplin morreu aos 88 anos, fazendo filmes e filmes. Sócrates aprendeu a tocar lira aos 70 e quando lhe perguntavam para que servia aprender naquela idade, respondia: “Serve para tocar ué”, exemplifica. Veríssimo ressalta as qualidades de envelhecer. “As amizades de longo prazo, como a que tenho com Zuenir e Ziraldo, são cultivadas sem muitas expectativas, exigências ou cobranças. De uma maneira mais leve. A gente também adquire privilégios com a idade, como sabedoria e a deferência dos mais jovens”, acredita. Para Ziraldo, os três fazem parte, com orgulho, do grupo que pode ser chamado de oitentão. “Os homens que, aos 80 anos, são cheios de charme, vida, entusiasmo. Não tem nada a ver com o velho fofinho”, declara.

Texto e direção

A partir das ideias originais desses três célebres oitentões e sua própria visão sobre o tema, o dramaturgo Rodrigo Nogueira (de ‘Rock in Rio, o musical’ e ‘Chacrinha, o musical’ ao lado de Pedro Bial) criou uma história que estabelece um paralelo entre a liberdade que se conquista na terceira idade e aquela que se vivencia quando o ator está em cima do palco. “Teatro é o lugar onde tudo o que a gente quer pode acontecer; e velhice é o tempo da vida onde tudo que a gente quer que aconteça. Fiz um espetáculo sobre a vida bem vivida”, conta Rodrigo.

A direção, direção de movimento e coreografia são assinadas por Alonso Barros, parceiro da Aventura Entretenimento em produções como ‘Se eu fosse você, o musical’, ‘Elis, A musical’, ‘Chacrinha, o musical’, entre outros trabalhos. “A velhice faz parte do ciclo da vida. É importante acreditar que podemos chegar lá produtivos, com otimismo, vontade de viver. O musical também me deu essa oportunidade especial de trabalhar com grandes ícones da TV e do teatro brasileiros”, analisa Alonso. Ele conta que há certas peculiaridades no trabalho corporal de musicais cômicos. “BarbarIdade’, como ‘Se eu fosse você’, tem uma coreografia bem restrita à história, fechada no cenário proposto no texto. No caso de ‘Elis’ e ‘Chacrinha’, as possibilidades eram mais universais, trabalhei com o imaginário.  Na comédia, temos que ter cuidado para não repetir e estender a piada em um número musical. Temos que dar continuidade à história”, explica.

A trama

Em uma metalinguagem com o teatro musical, o espetáculo narra a história de três autores (vividos por Edwin Luisi, Osmar Prado e Marcos Oliveira) que são contratados para escrever um musical sobre a terceira idade, mas não entendem nada do assunto. Diante de um bloqueio criativo, o trio recebe a visita de Matusalém (Thais Belchior), o personagem mais velho do mundo, que vai ajudá-los na missão. A atriz Susana Vieira vive uma engraçada e implacável produtora teatral responsável por lidar com essa confusão. “Eu não me identifico nem um pouco com o musical americano tradicional, aceitei o convite porque era para fazer uma comédia musical brasileira, criada por grandes nomes da nossa cultura. Ganhei um papel glorioso! O de uma produtora poderosa que tem que lidar com três autores que não conseguem escrever um texto encomendado a eles, com uma surpresa no final”, adianta Susana. Em cenas divertidas ao lado da atriz, Guilherme Leme Garcia, que já trabalhou com a Aventura Entretenimento em ‘Rock in Rio, o musical’, vive um diretor com a difícil tarefa de escalar um elenco para uma peça que ainda não tem texto. “Adoro musicais. Agora, participando de uma comédia musical, tenho a chance de brincar mais ainda”, sintetiza Guilherme.

É a primeira vez que Edwin Luisi participa de um musical. “Eu tenho uma carreira diversificada, gosto de intercalar dramas com comédias, por exemplo. Eu nunca tinha feito um musical, e adorei a oportunidade de começar no gênero em que fala da terceira idade de uma maneira produtiva, bem-humorada, sem impedimentos”, declara Edwin, cujo personagem, descreve, tem um lado “vaidoso e garanhão”. Depois de 14 anos vivendo o personagem Beiçola em ‘A grande família’, Marcos Oliveira também comemora sua primeira experiência no gênero. “Adorei o convite! É um espetáculo que fala de como podemos chegar à terceira idade de uma maneira produtiva, deixando de lado os preconceitos ainda fortes em nosso país”, define. Experientes em musicais, Osmar Prado descreve seu personagem: “Sou o mais ponderado dos três e o mais romântico”, conta Osmar, que é apaixonado por Gilda (Vera Fajardo) na peça e vai cantar ao lado da atriz grandes canções de Frank Sinatra.

A trilha sonora é composta por mais de 30 canções (com medleys) que vão desde o funk até Frank Sinatra e algumas paródias. “É um espetáculo sobre o tempo, então foram reunidas músicas que fazem parte da vida das pessoas. Quem não tem lembranças ao ouvir ‘Detalhes’, por exemplo?”, explica Marcelo Castro, diretor musical ao lado de Felipe Habib. “Para dar uma unidade ao trabalho, fizemos arranjos parecidos, no estilo de coros antigos dos anos 60 e 70”, acrescenta. Além de ‘Detalhes’ (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), ‘BarbarIdade’ tem no repertório ‘My Way’ e ‘Strangers in the night’ (Frank Sinatra); ‘There’s no business like show business’ (Irving Berlin)  , ‘Amante profissional’ (Roberto Lly) e ‘Show das Poderosas’ (Anitta), entre outras canções. Há ainda uma canção inédita: ‘Ser velhinho, composta por Pedro Veríssimo (filho de Luis Fernando Veríssimo), com letras do pai, Ziraldo e Zuenir.

Também fazem parte da equipe criativa o Estúdio Radiográfico (cenografia), Carlos Esteves (Desenho de som), Claudio Tovar (Figurinista), Daniela Sanchez (Desenho de luz) e Marcela Altberg (Produção de elenco).

Ficha técnica
Texto – Rodrigo Nogueira, baseado na criação de Luis Fernando Veríssimo, Ziraldo e Zuenir Ventura
Direção, Direção de movimento e coreografia – Alonso Barros
Coreógrafa convidada – Dalal Achcar
Direção Musical e arranjos – Marcelo Castro
Direção Musical e Preparação vocal – Felipe Habib
Cenário – Radiográfico
Figurino – Claudio Tovar
Design de som – Carlos Esteves
Visagismo – Martin Macias
Desenho de luz – Daniela Sanchez
Produção de elenco – Marcela Altberg
Elenco – Susana Vieira, Osmar Prado, Edwin Luisi, Marcos Oliveira, Guilherme Leme Garcia, Vera Fajardo, Igor Pontes, Thais Belchior, Diego Montez, Giselle Lima, Carol Costa, Ágata Matos, Eduardo Leão, Leonardo Senna, Leo Wainer, Germana Guilherme, Thiago Lemmos e Clara Verdier.
Músicos: Gabriel Guenter (bateria/percussão), Thiago Trajano (guitarra/violão), Pedro Aune (baixo elétrico/acústico); Matheus Moraes (trompete); Whatson Cardoso (clarinete, sax alto, clarone); Rafael Nocchi (clarinete/sax tenor/flauta); Marcelo Castro (maestro/pianista) e André Câmara (trombone).
Realização – Aventura Entretenimento

Serviço:

BarbarIdade
Teatro Oi Casa Grande, Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Leblon
Dias e horários: 5ª a sábado, às 21h e domingo, às 19h.
Telefone: 2511-0800
Preço: 5ª: R$ 60 (balcão setor 3); R$ 80 (balcão setor 2); R$ 130 (plateia setor 1) e R$ 160 (plateia VIP e camarote).  6ª: R$ 70 (balcão setor 3); R$ 100 (balcão setor 2); R$ 140 (plateia setor 1) e R$ 170 (plateia VIP e camarote).  Sábado e domingo: R$ 80 (balcão setor 3); R$ 110 (balcão setor 2); R$ 160 (plateia setor 1) e R$ 190 (plateia VIP e camarote).
Capacidade:  926 pessoas.
Duração: 2h.
Classificação etária: Livre
Até 14 de junho

 

Já fomos assistir, veja só!

“Deixa Clarear, musical sobre Clara Nunes” , no Teatro João Caetano

Com um público de mais de 30.000 pessoas ao longo de um ano de estrada, o espetáculo “Deixa Clarear, musical sobre Clara Nunes”,  segue encantando o público por onde passa.  Foi assim no Imperator, no final do ano, foi assim, em Niterói antes do carnaval, onde lotou o Teatro da Uff, prolongando sua temporada na terra de Araribóia. O espetáculo protagonizado por Clara Santhana volta agora para uma temporada popular no mesmo João Caetano onde se apresentou, com casa cheia, em 2013. Com direção de Isaac Bernat e texto de Márcia Zanelatto, a peça-musical homenageia a artista Clara Nunes e tem sessões às sextas e sábados, às 20h; e domingos às 19h30, com ingressos a R$20 e R$10 (meia entrada).

“Deixa Clarear, musical sobre Clara Nunes” tem como protagonista a atriz Clara Santhana, idealizadora do projeto e apaixonada pela obra da cantora mineira. O espetáculo é o encontro das duas Claras: a atriz e a cantora.  Durante os 75 minutos de duração, o musical apresenta várias fases da carreira e da vida de Clara Nunes e tem como ponto alto a música, que atua como uma extensão da cena.  Estão lá, clássicos da cantora, como “O canto das três raças”(Paulo Cesar Pinheiro/ Mauro Duarte) e “Na linha do mar”(Paulinho da Viola), “Morena de Angola” (Chico Buarque), “Um ser de luz”(João Nogueira/Paulo Cesar Pinheiro e Mauro Duarte) e “O mar serenou” (Candeia), entre outras.   O espetáculo mistura música e poesia para contar, de forma delicada, um pouco da trajetória de Clara Nunes, com o objetivo de incentivar a juventude a valorizar a música brasileira e suas raízes genuínas. “Nossa ideia é apresentar o legado de Clara Nunes para as novas gerações”, explica Clara Santhana. A atriz se apresenta acompanhada da banda formada por Luciano Fogaça (percussão) e Bidu Campeche(percussão/ cavaquinho), Felipe Rodrigues (violão) e Lauro Lira (flauta/violoncelo).

O musical estreou em 2013 no Teatro Café Pequeno, como uma homenagem aos 30 anos de morte da cantora mineira.  Com o sucesso, seguiu para o Teatro das Artes, o Teatro João Caetano e desde então já rodou por cidades como Niterói, Resende, Araxá (MG) e Goiânia (GO). “O mérito desse sucesso está na brilhante atuação de Clara Santhana, na direção cuidadosa do Isaac Bernat e na nossa excelente equipe de produção”, afirma a autora Márcia Zanelatto.

A atriz Clara Santhana é dirigida por Isaac Bernat, que recentemente assinou a direção de “Calango Deu” e atua na peça “Incêndios” com Marieta Severo.  Já a direção musical ficou a cargo de Alfredo Del Penho que participou de musicais como “Gonzagão, A Lenda”, “Sassaricando” e “A Ópera do Malandro”. “Transitar pelo universo musical e pela memória de Clara Nunes nos abriu uma imensa possibilidade de olhares sobre o Brasil, bem como sobre o que é ser um artista profundamente envolvido com a sua arte e com seu país”, explica o diretor Isaac Bernat.

REPERTÓRIO

A Deusa dos Orixás –  Romildo S. Bastos/ Toninho Nascimento.

Casinha Pequenina – Folclore Popular

Ouricuri – João do Vale

Minha Missão / Guerreira / Mineira –  João Nogueira / Paulo Cesar Pinheiro

Um Ser de Luz – João Nogueira / Paulo Cesar Pinheiro/ Mauro Duarte

O Canto das Três Raças / Portela na Avenida – Paulo Cesar Pinheiro e Mauro Duarte

Minha Festa / Juizo Final – Nelson Cavaquinho

Tristeza Pé no Chão – Mamão (Armando Fernandes)

Você Passa Eu Acho Graça – Carlos Imperial / Ataulfo Alves

Na Linha do Mar – Paulinho da Viola

Morena de Angola – Chico Buarque

Ê Baiana – Fabrício da Silva/Baianinho/ Ênio Santos/ Miguel Pancrácio

O Mar Serenou – Candeia

Conto de Areia – Toninho e Romildo

Ficha Técnica:

Texto – Marcia Zanelatto
Direção – Isaac Bernat
Direção Musical – Alfredo Del Penho
Direção de Movimento – Marcelle Sampaio
Assistência de Direção – Daniel Belmonte

Elenco: Clara Santhana
Músicos: Luciano Fogaça (percussão), Felipe Rodrigues (violão), Lauro Lira (flauta/ violoncelo) , Bidu Campeche (percussão/ cavaquinho)

Iluminação – Aurélio de Simoni
Figurino – Desirée Bastos
Cenário – Doris Rollemberg
Programação Visual – Marcio De Andrade
Vídeo Divulgação – Alexandre Rudah
Fotos Divulgação – Marcelo Rodolfo

Assistência de Produção – Nicholas Bastos
Direção de Produção – Clara Santhana e Sandro Rabello

Realização – Diga Sim! Produções

Link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=ZOixdVD6j0A&feature=youtu.be

SERVIÇO
Deixa Clarear – Musical sobre Clara Nunes
Sexta e sábado, às 20h
Domingo, às 19h30
Teatro João Caetano  – Praça Tiradentes s/n – Centro
Bilheteria:  2332-9257 – Funcionamento de terça a domingo, das 14h às 18h
Ingressos a R$20 e R$10 (meia) – Temporada Popular
Lotação: 340 lugares.
Censura: Livre
Duração: 60 minutos
Temporada de 20 a 29 de março

Eu já fui:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/29/deixa-clarear-musical-sobre-clara-nunes-eu-fui/

Minha Adorável Verde Vida

O musical “Minha Adorável Verde Vida” estreia sua temporada (entre 14/03 e 26/04) no teatro Clara Nunes – Rua Marques de São Vicente, 52 (Shopping da Gávea). O espetáculo infantil, com texto e músicas originais, é livremente inspirado na Bruxa Má do Oeste, de O Mágico de Oz, e ensina de forma lúdica como lidar com as diferenças, sem preconceitos e lidando com o bullying. As apresentações acontecem aos sábados e domingos, às 15h, com ingressos a R$ 60,00 (R$ 30,00 a meia entrada).

Na história, a Bruxa Má do Oeste – aqui chamada de Esperança – vive em um orfanato com sua irmã e outros personagens que se assemelham com da famosa história infantil. Na expectativa de ser adotada, Esperança descobre aos poucos os seus poderes mágicos e convive com a rotina de uma criança de orfanato, construindo amizades, até mesmo com um leão medroso, e lidando com colegas que formam um grupo distinto. De forma animada, com muita música, dança e efeitos especiais, o musical passeia pelo universo infantil e apresenta uma nova versão para a origem dos tradicionais personagens.

Minha Adorável Verde Vida
Teatro Clara Nunes – Rua Marques de São Vicente, 52 (Shopping da Gávea)
Telefone: (21) 2274 9696
De 14 de março até 26 de abril
Sábados e Domingos – 15h
Ingresso: R$ 60,00 (meia R$ 30,00)
Lotação: 435 lugares
Classificação Livre
Elenco: Clarissa Marinho, Joana Mendes, Julia Morganti, Erick de Lucca , André Sigmon, Cristiane Maquiné, Isabela Igreja, João Canedo, Wanessa Sandall, Helena Bastos, Roberta Galluzzo e Madjer Geanini
Texto e Direção: Mauricio Alves
Coreografias: Clara da Costa
Composição e arranjos musicais: Altair Araújo
Arranjos vocais: André Sigom
Realização: CIA. OBJETORES

S’imbora, o Musical – a História de Wilson Simonal

O sucesso pode ser efêmero, mas o verdadeiro talento é eterno. A trajetória de Wilson Simonal levou essa máxima às últimas consequências. O cantor se transformou em ídolo nacional de forma meteórica, suas músicas estiveram no topo das paradas. Só Roberto Carlos rivalizava com ele em popularidade. De repente, a sombra de uma acusação de delator envolveu a carreira do ‘rei da pilantragem’, que entrou em um exílio artístico, de onde nunca mais saiu. A obra de Simonal, contudo, se mantém cada vez mais moderna e chega pela primeira vez ao teatro pelas mãos de Nelson Motta e Patrícia Andrade, com direção de Pedro Brício. ‘S´imbora, o musical – a história de Wilson Simonal’ estreia em 16 de janeiro, no Teatro Carlos Gomes. Quase uma personagem da peça, a cidade escolhida não poderia ser outra: o Rio de Janeiro com sua malandragem, seus célebres programas de auditório, suas lindas mulheres e a música que até hoje balança o Brasil.

O papel-título é interpretado por Ícaro Silva, que viveu nos palcos outro ícone da música brasileira, Jair Rodrigues, em ‘Elis, a musical’, também da autoria de Nelson Motta e Patrícia Andrade. Ícaro se destacou ainda em ‘Rock´n´Rio – o musical’ e em espetáculos como ‘R & J de Shakespeare’. Para concorrer ao papel-título, mais de 1000 atores mandaram material, sendo selecionados 100 para as audições, onde foi escolhido o protagonista.

Nelson Motta, Patrícia Andrade e Pedro Brício fizeram uma série de reuniões e trocaram muitas ideias até chegarem ao formato final do musical. “Queríamos descobrir que espetáculo queríamos fazer, o que focar na história do Simonal. Tem muitas atmosferas dramáticas, porque a vida dele foi assim. Fazemos um resgate do riquíssimo repertório dele, mostrando essa figura improvável, pobre, negro, que se tornou o maior astro popular do país, fazendo música de altíssima qualidade. Ele é um personagem único”, exalta Pedro.

O musical, contudo, não se furta a falar sobre a decadência de Simonal, condenado a um “exílio” involuntário, e toca nos temas polêmicos que cercaram a carreira do artista, sem tomar partido. “Ele é um mistério, não é um herói romântico, pelo contrário. É uma figura contraditória, com múltiplas facetas, mas a peça não faz um julgamento. O espetáculo tem essa riqueza, essa multiplicidade: vai da ascensão absoluta do primeiro artista negro pop à sua total decadência”, define o diretor.

O roteiro final foi sendo formatado no decorrer dos ensaios. Os autores fizeram toda a seleção do repertório, mas Pedro Brício fez sugestões, juntamente com o diretor musical, Alexandre Elias. Algumas cenas de dramaturgia foram surgindo no ensaio, já que a música está diretamente ligada à encenação.

Autor de dois musicais biográficos de grande sucesso, ‘Elis, a musical’ e ‘Tim Maia – Vale Tudo, o musical’, Nelson Motta acredita que o espetáculo sobre Simonal tem uma dramaticidade ainda mais acentuada. “A maior qualidade de um musical é ter grandes canções. É o forte do Tim Maia e da Elis também. Mas o Simonal, além de histórias e músicas sensacionais, tem uma carga dramática incrível, porque ele é um personagem que foi do céu ao inferno, com uma densidade maior do que a do Tim e a da Elis. É uma história que começa alegre e termina dramática, tristíssima”, comenta Nelson.

Ascensão e queda de um astro

A trajetória de Simonal não encontra paralelos na história da música brasileira. O prólogo parecia ser comum: garoto pobre tem que batalhar muito para conseguir mostrar o seu talento. Mas, no momento em que foi descoberto por Carlos Imperial – personagem fundamental na história do futuro astro e narrador da peça -, ele explodiu. O Brasil inteiro cantou ‘Balanço Zona Sul’ (seu primeiro sucesso), ‘Sá Marina’, ‘País Tropical’, ‘Meu limão, meu limoeiro’, ‘Lobo bobo’, ‘Mamãe passou açúcar em mim’, todas presentes no roteiro do espetáculo.

Na década de 60, Simonal era um astro da televisão e do rádio e apontado por muitos como o maior cantor brasileiro, com público e crítica a seus pés. “Ele era um grande entertainer, contava piadas, dançava e dominava a plateia como nenhum artista do seu tempo, fazendo o Maracanãzinho lotado cantar como um coral em que ele era o maestro”, exalta Nelson.

Já no início da década de 70, sua carreira começou a se desestruturar: Simonal encerrou um contrato com a TV Globo, brigou com o Som Três, que o acompanhava desde o início, e desfez o escritório da Simonal Produções. A gota d´água aconteceu quando ele, desconfiado do seu contador, pediu ajuda a amigos policiais (agentes do DOPS), que o sequestraram para que denunciasse quem o estava roubando na sua produtora. O episódio culminou na prisão do cantor, que, posteriormente, em uma cadeia de equívocos, foi acusado de delator a serviço da ditadura militar. Embora nada nunca tenha sido provado, Simonal dizia que até torturadores e terroristas foram anistiados, menos ele, que se transformou em um morto-vivo e foi condenado a um ostracismo artístico até sua morte, em 2000.

Interpretado por Thelmo Fernandes, o polêmico Carlos Imperial é o narrador do espetáculo. “Ele não é muito confiável, não sabe exatamente o que aconteceu, é um pouco como é a história, que é a narrativa. Li muito sobre o Simonal; A montagem tem o respeito de se manter dentro dos fatos, mas tem muita ficção. Você está criando um personagem, é preciso traduzir as emoções, não é um documentário, uma reportagem. Pensamos em como tranpor isso para o palco. Não temos mentiras, nada é inventado, mas tomamos liberdades poéticas”, afirma Pedro.

A peça é também um importante panorama da política e sociedade brasileira da época. “Ela não apenas fala da história de um homem, mas sobre nosso país, como era nossa sociedade, não só em termos de preconceitos, mas de conflitos políticos. O que aconteceu com ele tem a ver com o período, talvez não tivesse acontecido em outro contexto histórico”, explica Pedro.

A cenografia é de Hélio Eichbauer, que assinou o cenário de montagens históricas, como ‘O rei da Vela’, de José Celso Martinez Corrêa, além de ter profunda ligação com a música brasileira, já tendo dirigido shows de Gal Costa (‘Mina d´agua do meu canto’) e assinado a cenografia de inúmeros shows de Caetano Veloso, como ‘O Estrangeiro’ e ‘Cê’, entre outros. “É muito importante termos o Hélio na equipe. O cenário será muito especial, não fica buscando o espetacular pelo espetacular. É uma estética intrinsicamente brasileira, que tem muito a ver com a época, mas não é alegórico. É teatral, musical, mais minimalista. Tem um impacto pela beleza estética. Nada é decorativo, ele tem uma síntese que está em sintonia o pensamento arquitetônico do Hélio”, define Pedro.

Marília Carneiro concebeu mais de 250 figurinos para o espetáculo, em uma média de 17 por personagem, com exceção do próprio Simonal (que terá 12) e de Carlos Imperial, com três figurinos, além de uma dezena de perucas, usadas por todo o elenco.

A direção musical de Alexandre Elias e os arranjos de Max de Castro, filho de Simonal, são fieis à obra do Simonal, mas trazem um olhar criativo, contemporâneo. “O importante é resgatar e sublinhar a obra dele. Independente do que aconteceu, ele deixou um legado para a black music brasileira”, afirma Pedro.

Nos últimos anos, foram lançadas biografias e documentários sobre sua trágica história, reconhecendo seus erros, mas o reabilitando como um dos maiores cantores do país. Os discos também foram relançados; suas músicas, redescobertas pelos DJs; vários projetos criados, como O baile do Simonal, organizado pelos filhos dele, Max de Castro e Simoninha.

Essa retomada da importância histórica do artista ganha nova página com a estreia de ‘S’imbora, o musical’. Simonal passeou por todos os gêneros: cantou rock, calipso, bossa nova e samba, ajudou a criar a pilantragem e ainda inaugurou uma escola de canto no Brasil, reunindo, ao mesmo tempo, o cool da bossa nova, o suingue da música negra e uma notável potência vocal.

‘S´imbora, o musical – a história de Wilson Simonal’ estreia no Rio e depois segue para São Paulo, no primeiro semestre de 2015. A montagem ainda traz na ficha técnica nomes como Renato Vieira (coreografia) e Rico Vilarouca (projeções), em uma realização da Planmusic, com patrocínio da Cielo e apoio cultural da Bolt e Taesa.

SERVIÇO
‘S´IMBORA, O MUSICAL – A HISTÓRIA DE WILSON SIMONAL’
Estreia: 16 de janeiro (sexta)
Temporada: até 12 de abril
Teatro Municipal Carlos Gomes
Praça Tiradentes, 19
Telefone: 2232.8701
Horários
Quinta a sábado – 20h
Domingo – 18h
Preços:
Quintas, sextas e domingos: R$ 80,00
Sábados: R$ 90,00
Vendas na bilheteria do teatro
Horário da bilheteria:
de quarta a domingo, das 14h às 18h http://www.compreingressos.com
Classificação etária: não recomendado para menores de 12 anos
Capacidade do teatro: 685 lugares
Duração: 2h40 (com intervalo)

FICHA TÉCNICA
Texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade
Direção Geral: Pedro Brício
Direção Musical: Alexandre Elias
Cenário: Hélio Eichbauer
Figurino: Marília Carneiro
Coreografias: Renato Vieira
Produção Geral: Luiz Oscar Niemeyer
Direção de Produção: Joana Motta

Elenco:
Ícaro Silva (Simonal)
Thelmo Fernandes (Carlos Imperial)
Gabriela Carneiro da Cunha (Tereza)
Gabriel Staufer (Miele/Walter Clark/ Guinsburg)
Kadu Veiga (Marcos Moran/Boscoli)
Victor Maia (Roberto Carlos/ Eduardo Araujo/ Cesar Camargo)
Marino Rocha (Jô/Boni)
Marina Palha (Elis/Jane Burkin)
Jorge Neto (Pelé/Simoninha/Zé Ary/ Jair)
Paulo Trajano (Delegado/Zagallo/ Flavio Cavalcanti)
Cássia Raquel (Sarah Vaughan)
Dennis Pinheiro (Sabá e Carlos Alberto Torres)
Lívia Guerra ( Marly Tavares / imperialete)
Natasha Jascalevich (Brigite Bardot/ Laurinha Figueiredo)
Kotoe Karasawa (apresentadora da Record)
Ariane Souza (imperialete)
e JP Rufino e JD d´Aleluia (Simonal criança)

Banda:
Alexandre Elias: guitarra
Kim Pereira: bateria
Denize Rodrigues: sax
Romulo Duarte: baixo
Vinicius Lugon: trompete
Antonio Neves: trombone
Reginaldo Vargas: percussão
Fernanda Torres: pianista

P.S.: Eu já fui:

https://palcoteatrocinema.com.br/2015/03/14/simbora-o-musical-a-historia-de-wilson-simonal-eu-fui/