Quarta-feira de samba

Ontem, 26 de março, Beth Carvalho se apresentou no Imperator com um ensaio aberto para o DVD que será gravado no próximo sábado, 29, no Parque Madureira. O espetáculo fez jus ao nome de “ensaio”, pois a participação do público foi bastante ativa e animada. Logo no início, a cantora propôs uma enquete. Ela cantaria as músicas e, de acordo com a receptividade da plateia, decidiria o que entraria ou não na gravação. Mas não adiantou muita coisa, pois após cada canção, as pessoas gritavam “essa ficaaaa”, arrancando gargalhadas da sambista.

O DVD de sábado terá, segundo Beth Carvalho, mais músicas inéditas, para que se diferencie de outros álbuns. Também contará com a participação de Zeca Pagodinho. Falando nele, em um divertido momento, a cantora  ao se levantar, pegou o pedestal e disse, “Eu já descobri por que que o nosso querido Roberto Carlos canta com esse negócio aqui (referindo-se ao pedestal). Agora eu vou ser a Roberta Carlos”. Alguém da plateia falou algo sobre o rei e ela devolveu, “Acho que o rei é Zeca Pagodinho. Sabe por que eu ‘to’ falando isso? É porque ele representa o povo brasileiro.. É o samba.”. Parece que a galera concordou.

Foi realmente um ensaio aberto, onde Beth acertou os ponteiros com o maestro e banda, com relação principalmente aos andamentos de algumas canções. Começou o show com “O Show tem que continuar”, de Arlindo Cruz e Luiz Carlos da Vila. A apresentação também teve outros clássicos como “O Sol nascerá”, de Cartola, “Minha festa”, de Nelson Cavaquinho e “Alguém me avisou”, de Dona Ivonne Lara. O público também ficou empolgado com um pout-pourri de músicas de Zeca Pagodinho, com “Camarão que dorme a onda leva”, “Deixa a vida me levar” (Serginho Meriti) e “São José de Madureira” (Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Beto Sem Braço). Outros clássicos, como “Tristeza” (Niltinho Tristeza), “Toque de malícia” (Jorge Aragão), “A chuva cai” (Casquinha e Argemiro) – Homenagem a velha guarda da Portela – e “Caciqueando” (Amaury Bertoqui, Noca da Portela e Valmir), também não ficaram de fora.

Além das antigas, canções mais recentes foram tocadas. O álbum “Nosso Samba tá na Rua”, vencedor do Grammy Latino como melhor álbum de samba, foi representado por “Nosso Samba tá na Rua” (Canário, Roberto Lopes, Alamir & Nilo Penetra), “Chega” (Leandro Fregonesi e Rafael dos Santos), “Arrasta a Sandália” (Luana Carvalho e Dayse do Banjo). Nesta última, Luana Carvalho, sua filha, que estava na plateia, foi chamada ao palco para acompanhá-la. Além de todas estas, outras inéditas foram apresentadas, como “Parada errada” (Serginho Meriti).

Com tanta música, fica difícil escolher o ponto algo da noite. Mas ele existiu. Ou melhor, foram dois. Um deles, com o sucesso “Ainda é tempo para ser feliz” (Sombra, Arlindo Cruz e Sombrinha), com participação de Álvaro, que toca repique de mão na banda. “Coisa de pele” (Jorge Aragão & Acyr Marques) levou o público para cantar junto.

Já chegando ao fim da apresentação, o clima de carnaval dominou, com Beth puxando marchinhas de Chiquinha Gonzaga, Braguinha, Lamartine Babo, entre outros. Depois disto, como já é tradição em shows, a cantora se despediu, sob os pedidos de “bis”, e de alguns outros títulos de música que o público gritava, clamando pela volta da cantora. Ela atendeu, e entoou as indispensáveis “Vou festejar” (Dida, Jorge Aragão & Neoci), “Coisinha do pai” (Almir Guineto, Jorge Aragão & Luiz Carlos da Vila) e “Água de chuva no mar” (Carlos Caetano, Gerson Gomes & Wanderlei Monteiro).

E o público sai saciado, abastecido de samba em plena quarta-feira.

 

Banda:

Pandeiro: Paulinho da Água

Cavaco: Marcio Wanderlei

Violão: Charles da Costa

Bateria: Claudinho

Surdo: Tcha Tcha Tcha

Tantã: Peloba

Repique: Álvaro

percussão geral: Pirulito

Sete Cordas: Carlinhos 7 Cordas

Sopros: Dirceu Leitte

Coro: Jussara e Clarisse Borba

Teclado Fernando Pelino

Maestro: Ivan Paulo

 

Gravação DVD Ao Vivo no Pq Madureira
Participação Especial de Zeca Pagodinho.
Entrada Franca

Data: 29/03

Endereço: Rua Soares Caldeira, 115 – Madureira

Abertura dos portões: 19:00

 

Referências:

http://oglobo.globo.com/cultura/caetano-seu-jorge-beth-carvalho-ganham-premios-no-grammy-latino-6744283

http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/musica/2012-06-14/joao-bosco-e-homenageado-no-23-premio-da-musica-brasileira.html

http://www.bethcarvalho.com/?page_id=10


San Andrés: o cavalo marinho cravado no mar do Caribe

Saint Barth, Saint Thomas… São muitos os “Saint” e “San” que compõem a badalada região do Caribe. Pertencente à Colômbia, San Andrés é um deles, e foi o meu escolhido para uma visita no mês de fevereiro. Não me pareceu tão “bacanudo” quanto os outros (não conheço nenhum dos outros dois, mas tudo bem ehehe), mas provavelmente não deixa a dever em beleza.

Os 26 km² de território que a ilha possui (no desenho do mapa o  formato é similar ao de um cavalo marinho) podem ser completamente explorados com um carrinho de golfe, facilmente alugado na ilha. Só não esperem luxo (espelho retrovisor pra quê, não é mesmo?), pois o pequeno veículo é apenas um auxílio para que você não fique restrito à região de Sprat Bight – a praia mais famosa – e possa conhecer o restante do local, que é onde está guardada a história e o maior contato com a natureza de San Andrés. O “rolezinho” pode durar toda a tarde. Mas não tem problema, pois o serviço dura o dia inteiro e são diversas as atrações oferecidas. É só adicionar à lista um mapa, um GPS e dinheiro en efectivo (em espécie, pois a maioria dos lugares não aceita cartão), como eles dizem, pois vários lugares cobram para entrar. Nada muito caro.

Carrinho

O famoso carrinho (Alguém viu o retrovisor? Até agora não encontrei.) Foto: Kelly Bizerra

Como disse antes, San Andrés faz parte do território colombiano, mas é mais próximo da costa da Nicarágua. Para explicar seu nome, diz a lenda que foi descoberto em um dia 30 de novembro: dia de Santo André. A partir de 1629, a ilha foi ocupada por puritanos ingleses e antigos escravos africanos, levando sua cultura que é conservada até hoje pela população.

Voltando ao passeio, a primeira parada foi a Casa Museo Isleña . Como não constava nos mapas como sugestões de pontos turísticos, entrei sem saber do que se tratava. A surpresa foi agradável, pois o local possui reproduções do que seria uma casa de uma típica família de colonos ingleses do século XVIII.

Entrada

Entrada do museu, de frente para o mar – Foto: apetecer.com

Sala

Interior do museu, na reprodução de uma sala – Foto: apetecer.com

Seguindo nosso caminho, pudemos contemplar a linda paisagem da região tipicamente caribenha. A areia branca e seu famoso mar de vários tons de azul pelo qual San Andrés é conhecido.

Rocky Cay

Ilha de Rocky Cay – Foto: apetecer.com

Artesanato

Artesanato local. Para os curiosos, uma das minhas escolhidas foi essa de turbante verde rs – Foto: apetecer.com

Concluindo o passeio, em aproximadamente 2h e 30min conseguimos dar a volta completa na ilha. Claro que não deu para entrar em todos os lugares, pois seriam necessários alguns outros dias. Esta é uma dica para fugir do que já é tão manjado em viagens: lugar badalado + compras. Por falar nisso, essa é a Sprat Bight à noite:

Ventania

Sprat Bight, praia mais famosa da ilha – Foto: apetecer.com

Para quem não sabe, San Andrés também é famosa pelos baixos preços dos importados. Eu, sinceramente, não achei os produtos tão baratos assim. Portanto, melhor investir seus efectivos conhecendo melhor o local, não é mesmo?

Fontes:

http://www.colombia.travel/po/turista-internacional/pontos-turisticos-aonde-ir/ilha-san-andres-turismo/

Referências Bibliográficas:

CALERO CARMEÑO, David Ernesto . San Andrés Isla, Paraiso de colores en el Caribe (Una joya llamada Colombia). Bogotá: Los Talleres MC Imagenes. 2011.

 

Pinacoteca do Estado de São Paulo

No mês de janeiro, em pleno verão, saí do Rio de Janeiro para passar um fim de semana em São Paulo. A causa era nobre, pois fui visitar lugares que possuem registros históricos do Brasil. Meus destinos foram MAC, MASP, Museu da Língua Portuguesa e a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Como em algumas fui com pressa, ou não pude tirar fotos (ou as duas coisas eheheh), vou falar apenas da última da lista. Só não será nem um terço do que guarda o museu, pois o acervo é bem rico.

Localiza-se em frente à Estação da Luz o museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905. É principalmente voltado para as artes brasileiras do século XIX até a contemporaneidade e, sendo assim, contempla um vasto arquivo de grandes nomes da pintura. Dentre eles, os acadêmicos Pedro Américo e Almeida Júnior, e os modernistas Anita Malfatti e Candido Portinari. Pode se tornar um típico programa de domingo – como foi o meu -, pois o ambiente agradável convida as pessoas a passearem por lá o dia inteiro. Até mesmo devido à vasta exposição de quadros e pinturas, o que requer bastante tempo disponível para ver tudo com calma. Tem lanchonete, loja e o local é de fácil acesso.

Fotos de algumas obras

O tempo

Henrique Bernardelli, O Tempo

O artista utiliza elementos bíblicos nesta obra. No centro, ao fundo, vê-se Adão e Eva, ela prestes a dar o fruto proibido a Adão. À esquerda, uma personificação do Tempo. As outras três pessoas podem ser as Moiras, “As irmãs que dentro do imaginário clássico determinavam o destino dos seres humanos”. O quadro mostra as três personagens escrevendo o destino dos homens em livros.

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Almeida Júnior, O Importuno

A partir da tela, presume-se que o pintor foi atender alguém que estava batendo na porta (o “importuno” do título) e a modelo se esconde para não ser vista. A intenção do autor seria retratar o ambiente dos ateliês.

A Visão de Hamlet

Pedro Américo, Visão de Hamlet

A obra retrata o famoso personagem do dramaturgo inglês William Shakespeare na também conhecida cena segurando a caveira com a mão. Hamlet também parece estar confrontado com o fantasma do pai, outra cena da peça.

Praia de Biarritz

Paul Michel Dupuy, Praia de Biarritz

O pintor francês retrata o mar de Biarritz, na França, considerado terapêutico no século XVIII. Dupuy também é famoso por pintar elegantes senhoras em praias, como no quadro acima.

Mestiço

Candido Portinari, Mestiço

Primeira obra de Portinari a integrar uma coleção pública, “Mestiço” mostra um trabalhador, com sua forma física aparentemente construída pelo trabalho braçal, e com traços que designam a miscigenação do povo brasileiro.

A Pinacoteca do Estado de São Paulo está aberta de terça a domingo, das 10 às 17:30h, e os ingressos custam R$ 6,00. Espaço perfeito para paulistanos ou não, que querem conhecer a história, especialmente de nosso país, através da visão das artes plásticas.

Pinacoteca do Estado de São Paulo
Praça da Luz, 02 – Luz – Tel. 11 3324-1000
Terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até as 18h
Às quintas até as 22h.
Grátis às quintas, sábados e domingos do mês de Março.
Ingresso combinado (Pinacoteca e Estação Pinacoteca): R$ 6,00 e R$ 3,00
Estudantes com carteirinha pagam meia entrada.
Crianças com até 10 anos e idosos maiores de 60 anos não pagam.
Possui bicicletario e estacionamento gratuito.

Referências bibliográficas:

Arte no Brasil: uma história na Pinacoteca de São Paulo, guia de visitação / coordenação editorial: Júlia Souza Ayerbe ; coordenação editorial e textos: Valéria Piccoli e Giancarlo Hannud. 2. ed. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2013.

Peça “O submarino” – Eu fui

Já havia falado no blog a respeito da peça “O submarino”. Ontem, 16/03/14, tive a oportunidade de assistir e agora escrevo aqui o que achei a respeito.

“O submarino” mostra a história de um casal em um casamento de 3 anos e meio. Desgastados, eles discutem por bobagens e demonstram serem bem diferentes, de gostos e personalidades. Tanto que Rita (Luciana Braga), no meio de uma discussão, pede a separação para César (Marcius Melhem). Só que a moça se arrepende e pede para voltar. E depois se arrependem de terem voltado e se separam de novo. Daí, ficam naquele relacionamento “ioiô”. Em suma, eles se dão bem apenas quando não estão juntos (rs). Parece que ambos – principalmente Rita – têm dificuldade em encarar a vida sem o parceiro, tão acostumados que estão com a relação. Só que ela está sempre buscando novidade. Ele demonstra gostar mais da tranquilidade em um relacionamento.

Brincando com a máxima de que “Casamento é igual a submarino: até boia, mas foi feito para afundar”, os 75 minutos de peça são preenchidos por encontros e desencontros do casal. Tudo isso acompanhado por um diálogo ágil e divertido, escrito por Miguel Falabella e Maria Carmen Barbosa. Assim, evitando que fique enfadonho para o espectador. Aliás, isto é raro hoje em dia, mas deixa pra lá (rs).

A peça é basicamente uma comédia, mas com várias cenas românticas. Marcius Melhem, comediante já bem conhecido pelo grande público, dosa sua veia humorística com o que há de romântico no personagem. Assim como Luciana Braga, não tão famosa na comédia, também faz rir com a sua instável Rita. Os dois atores cuidam do pequeno cenário, montando e desmontando a cama na qual eles discutem no quarto, por exemplo, fazendo o móvel se tornar o sofá do restaurante onde se encontram quando estão separados.

 

Teatro dos Grandes Atores

Av. das Américas, 3.555 – Barra Square, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – RJ

(21) 3325-1645

Até 1 jun 2014
dom 20:00 | sex e sáb 21:30
sex R$ 70.00; dom e sáb R$ 80.00

 

Floripa dos Museus

Foto LValente

 

“Indefiníveis músicas supremas,

Harmonias da Cor e do Perfume…

Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,

Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume…”

Trecho de Antífona – Broquéis – Cruz e Sousa

Vista de Santo Antônio de Lisboa

Vista de Santo Antônio de Lisboa

Numa recente visita à Florianópolis, tive a vontade de fazer um turismo diferente do que fiz na primeira vez que estive na ilha. Logo quando cheguei, tomei um táxi em direção ao hotel e, como a distância era longa, não demorou para o motorista puxar assunto. Ele me perguntou se eu iria na festa XPTO (não lembro o nome, nem que muito me esforçasse), respondi que não e comentei que queria conhecer o Palácio Cruz e Sousa e o Museu Victor Meirelles. Para a minha surpresa, ele me disse que não conhecia o Museu, mas sabia da existência de uma rua com este nome na cidade de São José. Ele começou a passar rádio para lá e para cá, 40km se passaram e nada da localização do museu. Cheguei no hotel e isto não me frustrou.

Urna e retrato de Cruz e Sousa

Urna e retrato de Cruz e Sousa

Dois dias depois de curtir praia e boas doses de café (rs), peguei um ônibus para o Centro, saltei próximo à Praça XV de Novembro e logo me deparei com o imponente Palácio Cruz e Sousa, onde hoje funciona o Museu Histórico de Santa Catarina. O Palácio, muito bem conservado, fora construído em meados do século XVIII para ser a Casa do Governo, época da criação da Capitania da Ilha de Santa Catarina. Dentro do edifício, no primeiro andar, há uma sala dedicada ao poeta simbolista Cruz e Sousa, com uma linha do tempo de sua vida, trechos de sua obra e uma urna com seus restos mortais, que foram trasladados em 2007 desde o cemitério do Caju (Rio de Janeiro).

Apesar de não saber praticamente nada sobre arquitetura, pude perceber no piso superior do palácio as escadarias de mármore, as claraboias em ferro e vitrais (que me remeteram à art noveau) e ornamentos em gesso no teto. No exterior, pude notar diversas influências. Destas destacam-se principalmente o neoclássico e um toque de barroco.

Interior do Palácio Cruz e Sousa

Interior do Palácio Cruz e Sousa

Museu Victor Meirelles

Museu Victor Meirelles

Contudo, não tinha ficado satisfeito com a visita ao Palácio e decidi procurar o Museu Victor Meirelles. Mesmo com o mapa do smartphone em mãos e GPS ligado, as coordenadas não batiam e eu não encontrava a casa. Rodei por diversas vezes o quarteirão do Mercado Público, entrei em ruas como Felipe Schmidt e Jerônimo Coelho (este nome irá se repetir) para onde meu engodado mapa me levava e nada. Foi até que tive uma brilhante ideia -risos-. Voltei ao Palácio Cruz e Sousa e perguntei à recepcionista a localização do museu. Ela, com um leve sorriso, falou: “do outro lado da praça, na rua dos Correios.” Certo! Segui suas instruções e finalmente me deparei com uma rua estreita onde não há trânsito de veículos. Estava lá a rua Victor Meirelles.

Victor Meirelles de Lima nasceu em 18 de agosto de 1832 na casa atualmente transformada em museu e na rua que hoje leva o seu nome. Foi bastante conhecido seu interesse precoce pela aprendizagem do ofício de pintar, habilidade que começou a desenvolver quando ainda era menino e vivia em sua ilha natal (FRANZ, 2007). Em 1846, o Conselheiro do Império Jerônimo Coelho conheceu Victor Meirelles e propôs ao menino que enviasse trabalhos seus ao Rio de Janeiro. Este fato rendeu sua mudança para a capital do Império, em 1847, onde estudou pintura histórica na Academia Imperial de Belas Artes (AIBA). Em 1852, obteve o prêmio de viagem ao exterior da Academia, permanecendo cerca de nove anos entre Itália e França (MUSEU VICTOR MEIRELLES, 2009). Meirelles é autor de quadros como “Primeira missa no Brasil” e “Batalha dos Guararapes”, obras que se desenvolveram dentro do chamado “Processo Civilizatório”, presente no imaginário da elite cultural e política do século XIX brasileiro (FRANZ, 2007).

Vista do interior do Museu Victor Meirelles. Na parede, estudos.

Vista do interior do Museu Victor Meirelles. Na parede, estudos.

Parei perante à casa, procurei uma entrada e não encontrei. O museu parecia fechado. Foi até que me deparei com uma janela de onde viam-se pessoas trabalhando. Perguntei como entrava no museu e a resposta, agora sim, me deixou frustrado. A funcionária informou que por motivos de climatização ele estava fechado. Foi aí que comecei a perturbar o juízo dos funcionários e fui autorizado a fazer uma breve visita, graças principalmente a um colaborador que se não me falha a memória, se chama Bruno, Gustavo ou Thiago… Ou seria Felipe (que falha a minha não memorizar ou anotar o nome de uma pessoa que me atendeu com tanta cortesia).

No sobrado da casa estão estudos de Meirelles como “Estudo para passagem de Humaitá: Barranco” e “Estudo para batalha dos Guararapes” entre outros. O tratamento que me foi dispensado é algo que devo ressaltar. Fui muito bem recebido na casa de um dos maiores pintores brasileiros e, por isso, agradeço muito à equipe do museu, valeu a pena o esforço.

Endereços:

Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa

Praça XV de Novembro, 227 – Centro

CEP: 88010-400 – Florianópolis/SC

Fone : (48) 3028-8091 / 3665-6363

 

 

Museu Victor Meirelles

Rua Victor Meirelles, 59 – Centro

CEP: 88.010-440 – Florianópolis/SC

E-mail: educativo@museuvictormeirelles.org.br

Fone: (48) 3222-0692

Referências:

CRUZ E SOUSA, João da. Broquéis, 1893, p. 6.

FRANZ, Teresinha Sueli. Victor Meirelles e a Construção da Identidade Brasileira. Rio de Janeiro, v. II, n. 3, jul. 2007.

MUSEU VICTOR MEIRELLES, Dossiê Educativo, 2009, p 19.

12 Anos de Escravidão

Como já é tradição, não assisti a nenhum dos filmes indicados ao Oscar antes da cerimônia. Outra tradição também é a vontade que fico de assistir a todos após a premiação. Sendo assim, me desloquei até a zona sul – pois na zona norte raramente eles são exibidos – para assistir ao vencedor do Oscar de melhor filme do ano.

A partir da segunda década do século XIX, foi decretado o fim do tráfico de escravos nos Estados Unidos. Portanto, é iniciado um fenômeno de comercialização de cativos entre senhores. Tanto em fazendas vizinhas, quanto nas distantes. Inclusive homens livres foram sequestrados nos estados do norte do país – onde não havia mais escravidão – para suprir necessidade de mão-de-obra escrava nas plantations dos estados do sul escravagista. Foi o que aconteceu com Solomon Northup, protagonista.

Homem livre, chefe de família, morador de Nova York, Solomon vive uma vida tranquila até que aceita uma proposta de emprego em uma outra cidade. Só que a tal proposta para trabalhar como violinista era uma cilada, e ele acaba sendo sequestrado, vendido e escravizado por fazendeiros de estados do sul. Ele então passa a viver uma realidade até então desconhecida.

Os desempenhos dos atores Chiwetel Ejiofor (Solomon / Platt) – indicado ao Oscar de melhor ator – e de Lupita Nyong’o – vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante – se destacam. A melancolia que demonstram em cena é convincente, forte e transporta o espectador para a realidade degradante e desumana vivida pelas pessoas nesta circunstância.

Ainda falando de melancolia, em diversas cenas, a influência da música, hoje chamada gospel / soul, mostra suas origens na spiritual – gênero de canções religiosas, cantadas a capella –  pelos trabalhadores nas lavouras. O maior exemplo foi a interpretação da canção “Roll Jordan Roll”, na cena do enterro de um dos cativos mais velhos.

Filme forte, que merece ser assistido, não apenas para se inteirar nas novidades do cinema. Mas também para nos informarmos a respeito da história dos Estados Unidos, neste ponto tão semelhante à nossa. E evitar que esqueçamos e repitamos erros de um passado relativamente recente…

 

Número 2 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/07/top-5-eu-fui-filmes/

Cartagena das Índias – Me encantaría volver

Foto LValente

Pode ficar parecendo que é um blog de viagem, mas não é essa a minha intenção (rs). Escolhi falar sobre Cartagena das Índias por ter sido uma viagem muito recente que fiz, e por se tratar de um lugar com uma carga cultural muito forte. Além de ser uma cidade agradabilíssima de se conhecer e com uma vida noturna animada.

Situada na costa colombiana, Cartagena das Índias – apesar de ser localizada no Caribe – não é dos destinos mais badalados nem procurados pelos turistas. Mas, certamente, dos mais encantadores. Suas coloridas e floridas ruas são recheadas de histórias. O problema é conhecê-las em menos de 3 dias completos, tempo que passei na cidade.

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Em 1533, Cartagena das índias foi o local de desembarque dos espanhóis na América do Sul. Por já ter sido o porto mais importante das Américas, 9 km de fortificação tiveram de ser construídos para proteger a cidade de ataques piratas nos anos seguintes. Hoje, esta muralha se tornou o principal atrativo da cidade, considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

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Os maiores detalhes do passado desta cidade colombiana estão no Museo Histórico de Cartagena de Índias. Nele também estão esculturas e quadros dos principais personagens da história local, e um passeio por lá também vale para conferir a arquitetura típica do lugar. Só que, desta vez, do lado de dentro.

Como disse anteriormente, precisava de mais tempo para conhecer outros destinos históricos da cidade como, por exemplo, Museo de La Esmeralda, Museo Del Oro Zenú e Museo de Arte Moderno. Bem, estes eu deixo para uma próxima. Mesmo assim, listo abaixo alguns dos pontos turísticos de Cartagena das Índias:

soneto zapatos viejos

– Monumento a los Zapatos Viejos: localizado atrás do Castillo San Felipe de Barajas, é uma homenagem a Luis Carlos López, um dos poetas mais importantes da cidade e sua obra mais popular

– Castillo San Felipe de Barajas: além de belo e imponente, pode-se ter, lá de cima, uma vista privilegiada da cidade

– Museo de Arte Moderno (Plaza San Pedro Claver Calle 30 No. 4-08)

– Museo de la Esmeralda Colombiana (Plaza San Pedro Claver Calle 30 No. 4-08)

– Museo del Oro Zenú (Centro, Calle 33 # 3 – 123 | Plaza de Bolivar)

– Museo Histórico de Cartagena de Índias (Centro Calle 34 N° 3 -11 Plaza de Bolivar)

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– Torre do Relógio: localizada na Plaza de los Coches, onde saem as charretes para os passeios turísticos

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– Universidad de Cartagena (Plaza de La Universidad): apesar de não ser exatamente um ponto turístico, pedi para um dos seguranças me deixar entrar para conhecer. Foto tirada em seu interior

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– Casa de Gabriel García Márquez: apesar de não ser aberta a visitação, a casa em que viveu Gabriel García Márquez é, além de muito visitada, um ponto de referência, devido a sua grandiosidade e pela bela localização: em frente à praia. Outro motivo do sucesso é o fato do escritor ser famoso por usar Cartagena como pano de fundo em vários de seus livros.

Seja para provar o famoso café colombiano, ou para ter a experiência de ver o mar do Caribe, vale muito a pena ir a Cartagena das Índias. Requer algum tempo conhecer todos os cantos do local. Mas, mesmo que isso não seja possível, é um imenso prazer caminhar pela cidade murada, admirando a beleza e a restauração bem feita. Tudo isso rodeado pela educação e simpatia do povo local.