Arraiá do Naília – Eu Fui!

Quanto tempo não atualizamos nossa coluna, não? Bem, nosso retorno triunfal se deve a um evento não tão frequente no blog. Até porque não é no ano inteiro que temos arraiás. Último sábado (8) fomos ao Arraiá do Naília, que estava previsto para acontecer no dia 25 de julho, mas acabou tendo que ser adiado devido a fortes chuvas (coisa rara no Rio de Janeiro de uns tempos para cá).

O arraiá tem mais a cara do Rio de Janeiro, ou seja, menos roça e mais ambiente praiano. O Naília fica localizado na entrada da Barra da Tijuca, de frente para o espelho d’água da Lagoa de Marapendi. A melhor vista fica por conta da Pedra da Gávea. Como cheguei tarde, não pude desfrutar tanto da beleza natural, mas isto não significa que o local também não seja bonito à noite, pois a iluminação colorida se encarrega de embelezar o lugar do evento. Inclusive, mesmo não conhecendo o Naília, de longe pudemos identificar que estávamos próximos a nosso destino, devido à iluminação que chamava a atenção e nos indicava que estávamos no caminho certo (como vocês NÃO podem perceber pela foto, pois fazia tanto tempo que não fotografávamos eventos que a bateria da máquina estava descarregada. Ô, sofrência!).

Apesar da bela vista noturna do local, o fato de termos chegado à noite não foi exatamente uma vantagem. Como estou habituada aos eventos cariocas começarem mais tarde, embarquei nessa e pensei que fosse assim com o Naília. Provavelmente a festa bombou mais cedo, e tive menos oportunidade de curtir os shows, assim como a febre gastronômica atual, os food trucks. Mas cheguei bem na hora em que a banda Soul Brother se apresentava ao som de muito Pop, Rock, Reggae e Forró, com repertório que reunia clássicos de cada gênero.

Bem estruturado, com programação diversificada – tanto nas atrações musicais quanto nas gastronômicas – o Naília é uma boa opção de arraiá pela cidade. Para os que moram nas regiões próximas e para os dispostos a se deslocarem até a Ilha da Coroa. Mas, se querem aproveitar mais o que o evento oferece, vá mais cedo. Assim, vai desfrutar de um arraiá durante o dia, e fechar com um climinha de luau. Boa ideia, não?

P.S.: Agradeço à Mayara Marinho pelos convites.

“Romantic” – Eu fui!

Muita coisa pode acontecer em 10 anos. O período passa rápido para os que levam uma vida normal. Mas também pode ser uma eternidade para os que estão presos a uma situação como a de Léo (Leandro Bacellar). O protagonista de “Romantic” conquistou a liberdade após ter passado uma década na prisão devido ao assassinato de seu tio. Ao sair da cadeia, Léo se depara com a nova realidade ao redor. E constata que, sim, em 10 anos muita coisa pode mudar.

Como a peça já começa com Léo voltando para casa, não se sabe exatamente como são as relações antes do período de clausura. Apenas por alguns fatos narrados pelos próprios personagens. Sua irmã, Irene (Letícia Iecker), está afundada (trocadilho não proposital) na bebida; o marido dela, Felipe (Rafael Araújo), não é mais o melhor amigo do ex-presidiário; e Karen (Marcela Büll) – sua noiva na época anterior à prisão – diz esperá-lo até hoje, apesar de não ter ido visitá-lo durante o tempo em que esteve preso, e hoje trabalha na casa noturna do irmão, o policial Ruivo (Ramon Alcântara). A estes personagens também se junta Nanda (Nívia Terra), assistente de reabilitação social que, como já diz o nome, ajuda na reintegração de Léo.

O que chama atenção logo de início é a distribuição e abraços. Todos os convidados são recepcionados desta forma, e o elenco começa a sessão trocando esta forma de afeto entre eles. Após isto, o clima é mais denso e os diálogos giram em torno do assassinato, arrependimento, rancor. No decorrer do espetáculo, bom destaque tem para a evolução de Karen. Com suas fantasias e devido a alguns outros acontecimentos, acaba caindo na loucura, afastando-se da realidade e de Léo. Outra que preenche bastante o espaço é Letícia Iecker. Com sua Irene sempre acompanhada de sua bebida alcoólica, acaba fazendo rir em uma peça dramática. Graças ao desempenho da atriz, e a algumas inserções de humor no próprio texto.

Infelizmente a temporada já chegou ao fim. O Grupo Teatro Empório esteve em cartaz até 10 de julho na Sede das Cias. Agora é aguardar a próxima oportunidade de conferir mais um trabalho de um dos teatros favoritos do site. Lá qualidade praticamente garantida.

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia E Encenação: Leandro Bacellar

Supervisão De Direção: Fernando Mello Da Costa

Assistência De Direção: Lorrana Mousinho

Trilha Sonora Original: Luciano Correa

Elenco: Diego Carneiro, Letícia Iecker, Leandro Bacellar, Marcela Büll, Nívia Terra, Raffael Araújo E Ramon Alcântara.

Desenho De Iluminação: Larissa Siqueira

Cenografia: Ramon Alcântara

Serralheria: Walter Julião

Costureira: Juliana Villard

Figurinos E Adereços: Ramon Alcântara

Operação De Som: Stace Mayka

Operação De Luz: Lorrana Mousinho

Coordenação De Palco E Montagem: Maurício Ramos De Aguiar

Direção De Produção: Leandro Bacellar

Produção Executiva: Marcela Büll, Stace Mayka E Ramon Alcântara.

Programação Visual: Fernando Nicolau

Fotografia De Estúdio: Pedro Victor Brandão

Fotografias Externas: Renatta Maria

Fotografias De Cena: Virgílio Libardi / Taís Pezzin

Assessoria De Comunicação:

Realização: Grupo Teatro Empório / Empório Narrativo / Koisa Koletiva

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite

“O Rinoceronte” – Eu fui!

Peça tradicional do teatro do absurdo, “O Rinoceronte” – de Eugène Ionesco, um dos maiores ícones do gênero – foi a escolhida para o espetáculo de formatura de mais uma turma da Cia de Teatro Contemporâneo. Criada em 1959, a obra ganhou uma nova versão no palco da cia pelos jovens atores.

O espetáculo retrata uma epidemia de rhinocerite, que vai aos poucos transformando os habitantes de uma cidade em rinocerontes. Para criar uma atmosfera de maior tensão no início, o público é cercado por cortinas, para que os atores possam simular verem os tais animais, mas apenas os efeitos sonoros “aparecem”. Falando em efeito sonoro, a música também é bastante utilizada. Tanto no início do espetáculo, quanto para ligar uma cena a outra, ajudando a contar o enredo.

Recursos simples de maquiagem são utilizados para retratar a transformação dos personagens em rinocerontes. Como são várias cenas, muitas trocas de cenário são feitas, e os próprios atores se encarregam disto. Ao contrário do que parece no início, o clima de tensão não se estende muito, e o público dá muita gargalhada durante o espetáculo. A veia cômica do elenco – com destaque para o protagonista – é fundamental para que isto aconteça. Enquanto seus colegas de cena viram rinocerontes, o personagem faz rir e demonstra bom desempenho, assim como os demais.

Mais do que diversão, “Rinoceronte” também é uma crítica social. Além de mostrar exemplos de relações humanas, o espetáculo é uma boa oportunidade para conhecer uma obra clássica do teatro do absurdo. Também para valorizar o trabalho de gente que está começando e ainda tem muito o que mostrar.

 

P.S.: Agradeço à Cia de Teatro Contemporâneo pelo convite

“Les Sylphides”, “Raymonda” e “Sagração da Primavera” – Eu fui!

No formato 3 em 1, o Theatro Municipal reuniu seu corpo de baile para apresentar 3 coreografias importantes da história do balé mundial. De momentos históricos diferentes, os números apresentados foram “Les Sylphides”, “Raymonda” e “A Sagração da Primavera”.

A primeira a se apresentar foi “Les Sylphides”. A história mistura realidade e fantasia, e fala de um homem que se apaixonou por uma sílfide, mas não sabe se ela realmente existe ou se faz parte apenas de um sonho. Sílfides são fadas aladas, e as asinhas são representadas no figurino das bailarinas. Fazendo companhia a “Gisele” e “La Bayadère“, é um outro balé de estilo romântico. Um clássico do gênero.

A coreografia seguinte foi “Raymonda”. Na história – que se passa no século XIII – a personagem título está apaixonada por Jean de Brienne, mas se vê às voltas com um sarraceno. Abderakhman lhe faz a corte e lhe propõe poder e riqueza em troca de seu coração. Com a recusa da moça, ele resolve raptá-la. Ao saber do ocorrido, Jean e Abderakhman duelam, sendo o primeiro o vencedor. O número apresentado foi o Grand Pas Hongrois, um grande baile húngaro, celebrando o casamento de Raymonda e Jean.

O último número destoa dos anteriores. Esqueça en dehors e tudo o que você sabe de técnica de balé clássico. Com as pernas flexionadas, para dentro, os bailarinos faziam em cena movimentos totalmente atípicos para o gestual de um profissional da dança clássica. “A Sagração da Primavera” que foi levada ao palco do Municipal está longe de causar o mesmo furor de  sua estreia, em 1913. O furdúncio ocorreu no palco do Theatre de Champs-Elysées, como relatou o professor de História da Arte Paulo Melgaço, que costuma fazer palestras antes dos balés do Theatro (caso ainda não tenham visto, não percam. É interessantíssima!). Na época, os espectadores foram surpreendidos por uma coreografia inusitada, e não perdoaram. O espetáculo culminou em brigas, vaias e até intervenção policial. Hoje, “A Sagração da Primavera” é conhecido como um divisor de águas na história da dança.

 

P.S.: Agradeço ao Theatro Municipal pelo convite.

 

Confira nosso Top 3 de espetáculos de dança favoritos de 2015!

“Borderline” – Eu fui!

Foto: apetecer.com
Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

De algumas peças saímos felizes. Há outras em que saímos pensantes, tristes ou emocionados. Não importa a sensação que causam em mim, as de que eu mais gosto são as que mexem mais comigo, as que ficam mais tempo em minha cabeça. Por vezes, fico remoendo trechos do texto, ou lembrando a interpretação de determinado ator durante dias. No caso de “Borderline”, os pensamentos se estenderam até a minha noite de sono. Sim, tive pesadelos com determinados momentos do espetáculo (não posso contar para evitar spoiler rs).

Sem muitos recursos de figurino ou cenário, o ator Bruce Brandão leva o monólogo com texto baseado no conto de Junior Dalberto, que narra histórias com temas polêmicos: suicídio, incesto, homossexualismo, entre outros. Do tema principal, pouco ouve-se falar a respeito por aí. A síndrome de Borderline também é conhecida como transtorno de personalidade limítrofe, em que os atingidos têm oscilações de humor, e vivem no limite entre a normalidade e surtos psicóticos.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Os portadores da síndrome podem apresentar agressividade, depressão, medo de abandono, etc. Assim como o personagem do monólogo. Apesar de nada mencionarem se ele realmente possui Borderline, o comportamento é por vezes agressivo e inconsequente. Apresenta euforia em alguns momentos, mas sempre aparentando uma melancolia por trás das atitudes.

O texto fala sobre a história do protagonista e sua relação com a família, sobre sua origem, que pode ser a razão da personalidade atormentada. Também discorre sobre a geração anos 90, que é a do próprio personagem, muito voltada para o mundo cibernético. E é esta a dinâmica rápida que transparece para o palco. Além disto, debocha da vaidade da classe artística, o que é divertido ouvir da boca de um ator.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Concordando ou não com as atitudes do personagem, o monólogo vale a pena ser visto devido à abrangência que exerce sobre os espectadores. Não falo apenas por mim, mas pelos comentários dos que assistiram ao espetáculo na mesma sessão. Também pela reação de Bruce Brandão, visivelmente comovido no fim da peça com a emoção que conseguiu passar para o público.

SERVIÇO

Borderline

Estreia: 22 de maio de 2015
Temporada: Até 28 de junho
Horários: Quinta, sexta e sábado 21h – Domingo, 20h
Valor: R$ 40,00 (Inteira)
Classificação: 16 anos
Capacidade: 60 Lugares
Gênero: Drama
Duração: 60 min.
Local: Espaço Tom Jobim – Galpão das Artes
Endereço: Rua Jardim Botânico – 1008 – Telefone – (21) 2274-7012

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelos convites

“Grand Théâtre Pão e Circo” – Eu fui!

A premiada atriz Carol Kahro é mestre de cerimônias de seu espetáculo “Grand Théâtre Pão e Circo”. O termo “espetáculo” é bem apropriado no caso, pois o tema central da peça é a sociedade em que vivemos. Baseado na obra “A sociedade do espetáculo”, do escritor Guy Debord, Carol utiliza texto forte e recursos audiovisuais para ilustrar e criticar a fase em que vivemos.

Nas telas que compõem o cenário, são exibidas imagens reais de televisão. Alguns com programas de entretenimento, outros com imagens de telejornais, explorando a violência urbana. O recurso também é a parte da realidade do espetáculo, assim como o texto que, como a própria atriz – que é a diretora e roteirista – declarou, é baseado em fatos reais. Carol os narra através de personagens e situações, algumas exageradas. Aproveita-se deles para criticar alguns comportamentos hipócritas, em que a pessoa se comove com o que vê na televisão, mas não enxerga a realidade que existe próxima de si.

Como mestre de cerimônias, Carol faz uma interpretação com oratória debochada. Como atriz, é versátil e se desdobra fácil e rapidamente em vários personagens de uma mesma história. Como diretora e roteirista, a criatividade impressiona devido às diversas situações criadas. Por todos esses motivos, assistir a “Grand Théâtre Pão e Circo” vale a pena, tanto para conferir o trabalho multifacetado da artista, quanto para pensar no que foi visto no palco, e no que presenciamos na vida real. Porque pouco provável que o trabalho não mexa contigo.

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite.

“A Sonata dos Espectros” – Eu fui!

Foto: apetecer.com

Um texto de um dos maiores escritores escandinavos foi o escolhido da Cia. de Teatro Contemporâneo para sua nova

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

temporada. “A Sonata dos Espectros”, de August Strindberg, mostra vários seres humanos que convivem em uma mesma e fúnebre casa, que se torna ambiente para que surjam conflitos entre eles.

Não fica muito claro no espetáculo, mas por horas parece que os personagens são mortos, por outra que estão presos em vida. O que fica explícito é que as situações surgem para que a culpa de cada um por alguma coisa apareça. Esta, aliás, parece ser a principal temática da peça. Não me lembro se algum personagem assume a sua, mas acusam os outros das suas a todo momento.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

O elenco é grande (cerca de 15 atores), e isto faz o papel do protagonista ter menos relevância. Cada um tem sua importância em um determinado momento. Faltou um pouco para os atores expressarem com mais força a densidade do texto e dos personagens, fato totalmente perdoável em se tratando de um elenco composto em sua maioria por jovens, que ainda têm muita carreira pela frente. O cenário é fúnebre, maquiagem idem, figurino colorido, marca da estética expressionista, assim como os cabelos da maior parte dos atores, parecendo expressar a loucura que os atinge.

Como não conheço o texto original, não posso fazer um paralelo entre esta montagem e o que sugere Strindberg em relação a figurino, cenário e iluminação. Não sei se o trabalho da Cia. de Teatro Contemporâneo é fiel ao do autor. Mas vale conferir o espetáculo principalmente pelo bom texto. E o grupo segue mostrando bom gosto em suas escolhas.

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Para quem deseja conferir o trabalho da Cia. de Teatro Contemporâneo – já havíamos acompanhado a montagem de Ricardo III – segue o serviço do espetáculo.

Serviço:
A Sonata Dos Espectros:
Estréia dia 09 de Maio de 2015.
Sábados às 21h.
Domingos às 20h.
Temporada: até 31 de Maio.
Local: Sede da Cia de Teatro Contemporâneo.
Endereço: Rua Conde de Irajá, número 253 – Botafogo.
Ingresso:
Inteira: R$ 40,00.
Meia: R$ 20,00.

P.S.: Agradeço ao Dinho Valladares pelos convites.