Como Sobreviver a um Ataque Zumbi – Eu fui!

Semana de Halloween, e uma estreia com a cara da temporada resolve pintar nos cinemas. “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” mexe com um universo muito em voga ultimamente, mas esta mais nova homenagem à classe zumbi não tem o intuito de assustar. A diversão está em primeiro lugar nesta comédia rasgada de Christopher Landom.

O enredo não é lá muita novidade, e repete clichês de outras comédias americanas, com estereótipos parecidos de personagens. 3 adolescentes escoteiros se conhecem desde crianças, mas 2 deles não veem mais graça nisso, e não querem mais ser alvo de chacota dos outros jovens da cidade. Ben – galãzinho – e Carter – com os hormônios à flor da pele – decidem escapar do acampamento para ir a uma badalada festa. Assim, deixam para trás Augie – divertido gordinho – , que se sente traído (e consegue encontrar os dois “ex-amigos” seguindo o que chamou de “cheiro da traição”. Ri muito ahah). Chegando na cidade, veem que o local está tomado por zumbis, e se juntam com Denise – a gostosona – para combater a epidemia.

Apesar do trio matar zumbis sem dó nem piedade e da quantidade de sangue na telona, o filme tem divertidos momentos. Com piadas e cenas que, para uns, podem ser consideradas de mau gosto, o longa faz rir em sua boa parte. Apesar dos clichês já citados, também há várias partes nonsense, que são – para mim – as mais engraçadas.

Se a blogueira que vos fala não fosse tão ignorante em relação a séries americanas – destas em que todos são viciaaaados -, poderia fazer um paralelo entre “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” e elas. Se bem que acho que também não é o caso. A ideia principal mesmo é fazer uma comédia voltada para o público adolescente. Que retrata a libido mais aflorada da fase, e também com um pouco de romance. Quanto a isto, creio que o filme cumpriu seu papel, mas também pode divertir públicos de outras idades (a partir dos 14 anos).

P.S.: Agradeço à Palavra pelos convites

Cidade de Deus – 10 anos depois – Eu fui!

Você lembra em que circunstância e quantas vezes assistiu a “Cidade de Deus” (considerando que todos nós já

Leandro Firmino (Zé Pequenos) foi conferir a estreia de

Leandro Firmino (Zé Pequeno) foi conferir a estreia de “Cidade de Deus – 10 anos depois”
Foto: Divulgação

assistimos, né?)? Bem, a primeira vez (das 3 vezes) que vi foi no cinema mesmo, depois de já ter passado aquele “furdúncio” inicial, de filas quilométricas. Mas estava de olho nele antes mesmo da estreia, em 2002. 13 anos depois, é lançado um documentário que nos faz reviver a época, e para lembrarmos de algumas figuras que ficaram conhecidas desde então. Algumas não mantiveram o frisson que causaram, e esta é a principal questão do documentário “Cidade de Deus – 10 anos depois”.

Assinado por Cavi Borges e Luciano Vidigal, o documentário entrevista vários integrantes do elenco. Poucos já eram inseridos no meio artístico, como Seu Jorge, que deslanchou no cinema e na música após o longa. A imensa maioria foi escolhida por meio de testes entre pessoas da comunidade, e preparada especialmente para atuar no filme. Esta questão foi muito debatida na época, devido ao excelente desempenho deles nas telonas.

Douglas Silva (Dadinho) foi outro nome revelado em

Douglas Silva (Dadinho) foi outro nome revelado em “Cidade de Deus”
Foto: apetecer.com

Para muitos o sucesso foi passageiro. Um dos atores assumiu a culpa, por ter pensado que, após fazer um dos maiores sucessos do cinema nacional, os convites fossem aparecer, e acabou não correndo atrás. Hoje, esses levam vidas simples, longe do glamour das telonas. Outros acabaram caindo no crime, como o caso de Rubens Sabino (Neguinho), que chegou a aparecer em alguns telejornais.

Mas o sol brilhou para outros integrantes, como Roberta Rodrigues (Berenice) e Thiago Martins (Lampião), hoje atores recorrentes em novelas da Rede Globo. Seu Jorge e Alice Braga também seguem carreiras bem-sucedidas, inclusive internacional. Douglas Silva (Dadinho) é outro nome que se mantém atualmente na TV.

O documentário toca em várias questões. Destacando principalmente como era a vida do elenco antes do filme e como se transformou com este, e quais as perspectivas futuras para esta profissão. Também falam em relação ao dinheiro, e o que os atores fizeram com os cachês. Todos deram suas opiniões a respeito. Apesar de muitos entrevistados, senti falta de 2 nomes. Matheus Machtergaele não apareceu na telona. Assim como o principal responsável pelo sucesso: o diretor Fernando Meirelles. Não sei o motivo das ausências. Talvez o diretor do documentário quis exibir uma olhar menos óbvio em relação a “Cidade de Deus”.

Leandro Firmino Foto: apetecer.com

Leandro Firmino
Foto: apetecer.com

P.S.: Agradeço à palavra! pelos convites

Cenas de um Casamento – Eu fui!

Morto em 2007, o consagrado dramaturgo sueco Ingmar Bergman deixou como herança diversos trabalhos que retratam

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

os relacionamentos humanos. A primeira obra teatral do autor a que assisti foi “Depois do Ensaio” , e agora tenho a oportunidade de conhecer outra. E a segunda experiência me impressionou muito mais.

“Cenas de um Casamento” retrata a rotina conjugal de Johan (Heitor Martinez) e Marianne (Juliana Martins). Com dez anos de casamento, passam por crises e conflitos banais do dia a dia. Até que os atritos vão se intensificando, o que resulta na ruptura do casal, que tem 2 filhas, mas as personagens só aparecem nos diálogos deles. Johan e Marianne têm traços psicológicos interessantes para citar. Vamos começar em ordem alfabética rs

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Johan é um cara cansado da rotina familiar, e cria válvulas de escape para aliviar o tédio. Por ter chegado ao limite do estresse, ou por uma característica de sua personalidade mesmo, ele é de uma frieza impressionante. De sinceridade extrema, não sente culpa nem por abandonar as filhas quando decide deixar o casamento. Fala delas com desprezo, e com ódio às vezes. Chegam a ser engraçadas algumas partes de seu texto. Marianne também parece enfadada com a rotina, mas se preocupa muito com a opinião das pessoas que os cercam. As respectivas mães são figuras frequentes no diálogo dela no início da peça. Mas não apenas a elas que a personagem quer agradar. A mulher se importa muito com o nome e a imagem de família que tem para zelar.

Falando tanto em diálogo, este é o principal trunfo da peça. O texto é muito bom, como se pode esperar de uma obra de Bergman. Mas os parabéns também devem ser direcionados a Maria Adelaide Amaral, que foi a responsável pela tradução. Muitos anos se passam desde o início até o fim do espetáculo, mas não perde o gás e as reflexões e tiradas acompanham do início até o fim. O público se diverte também. Talvez não apenas pela graça do texto, mas porque pode encontrar muita identificação com suas próprias vidas. Afinal, mesmo sendo uma obra de 1973, o enredo permanece atual. Pois certas coisas são imunes ao tempo.

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SERVIÇO

Estreia: 16 de outubro de 2015

Temporada: De 16 de outubro a 15 de novembro

Datas: Sextas, sábados e domingos

Horário: Sextas, sábados e domingos, 20h

Preço: R$ 40,00 (inteira) R$ 20,00 (Meia entrada)

Local: Teatro Ipanema

Endereço: Rua Prudente de Morais, 824 – Ipanema – Telefone: (21) 2523- 9794

Capacidade: 222 lugares

Duração: 90 minutos

Classificação: 14 anos

Gênero: Drama

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelos convites

2 Números – Eu fui!

“2 Números” é um espetáculo de animação, contendo 2 números, como já entrega o título. Mas a obviedade se restringe a este fato. A peça é surpreendente, e muito melhor do que eu imaginava. Não sei o motivo da surpresa, pois li maravilhas da crítica. Não que o tenha subestimado, mas a destreza dos atores impressiona, assim como o espírito lúdico.

Os números apresentados são “Cama de gato” e “De dentro”. O primeiro conta com a participação de 3 atrizes formando figuras com um objeto que parece ser uma espécie de linha, mas não sei precisar. A criatividade dos desenhos mostrados é incrível, assim como o desempenho das artistas. Com os rostos cobertos por máscaras, não podemos ver suas feições, mas nem há necessidade. As moças falam com o corpo, e com as formas que apresentam e o gestual, dão conta do recado sem precisarem de caras e bocas, ou texto.

Tão agradada que estava com o primeiro número, apenas por alguns minutos este foi o meu favorito. Mas o boneco de “De dentro” é irresistível. Até dá para esquecer que há 3 atores no controle dele. Não consigo crer que, sem eles, ele não tem vida própria. A manipulação é impecável. Na verdade, interação entre o objeto e os humanos em cena.

“2 Números” é espetáculo para todas as idades e todos os gostos. Animação costuma atrair público infantil, mas este era minoria no teatro. Havia uma que interagia durante os 40 minutos. Provavelmente pensava que o boneco era um ser real. Bem, se eu por alguns momentos também acreditei, imagine alguém tomado pelo espírito de fantasia que o espetáculo expressa…

P.S.: Agradeço à Rachel Almeida pelo convite

Anomalisa – Eu fui!

Durante o Festival do Rio 2015, recebemos o convite para assistir a “Anomalisa”, filme de animação em stop motion criado por Charlie Kaufman – de “Sinédoque, Nova York” e “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” – e Duke Johnson. O longa fazia parte do festival. Infelizmente, com a vida corrida, só estou conseguindo fazer o post agora, com o evento já finalizado há um século. Mas ainda estamos em tempo, pois a estreia será apenas em janeiro de 2016. Além do diretor, o filme conta com outros nome de peso nas dublagens, como Jennifer Jason Leigh – de “Mulher Solteira Procura” e “Sinédoque, Nova York” e David Thewlis – de “A Teoria de Tudo”.

“Anomalisa” conta a história de Michael Stone. Marido, pai e respeitado autor de “Como Posso Ajudá-lo a Ajudá-los?”. Apesar do sucesso profissional, sente-se entediado com a rotina da vida. Durante uma viagem para Cincinnati – onde estava agendada uma palestra sua -, conhece Lisa. Moça simples, envolve-se com Michael em um romance. Mas seria este ou não o amor de sua vida?

Pela descrição do enredo, já se pode ter uma noção de que o filme toca em questionamentos profundos. A feição de Michael é realmente de um homem insatisfeito e que tem que aprender a lidar com seus demônios internos, apesar de ajudar outras pessoas a serem mais felizes. As falas de Lisa também são recheadas de desabafos sobre seus complexos. Seu gestual demonstra problemas que a moça tem com sua aparência. Mas tudo muda quando eles se encontram. A afinidade entre o casal faz ambos ficarem mais leves.

Além da densidade, a animação conta com outros fatores inusitados, como cena de sexo entre Michael e Lisa, inclusive com nudes do casal. O suficiente para você fazer a criança da família ficar longe deste longa, pois não é definitivamente obra voltada para este público. Mas os grandinhos que gostam de apreciar um bom filme podem ficar certos de que assistirão a um trabalho com todos os elementos de que toda boa película precisa.

P.S.: Agradeço à Paramount pelos convites.

Apoteose da Dança – Eu fui!

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro – velho parceiro do blog – resolveu dar um presente para os grandinhos nas vésperas do Dia das Crianças. “Apoteose da Dança” juntou a nata do corpo de baile em um espetáculo que reunia 2 coreografias: “Age of Innocence “e “Sétima Sinfonia”.

A elite a que me refiro se trata de bailarinos que estão presentes nos espetáculos grandiosos que o Municipal promove. Claudia Mota, Márcia Jaqueline, Francisco Timbó, Deborah Ribeiro, Karen Mesquita, Priscila Albuquerque, Priscilla Mota, Renata Tubarão, Cícero Gomes, Edifranc Alves, Filipe Moreira, Moacir Emanoel e Rodrigo Negri. Todos juntos no palco para o deleite dos admiradores. Além disto, as diretoras artísticas são Ana Botafogo e Cecília Kerche, velhas conhecidas do grande público.

Com músicas de Philip Glass e Thomas Newman, “Age of Innocence” abriu os trabalhos. A coreografia de Edwaard Liang foi concebida em 2008 para o Joffrey Ballet, de Chicago. A inspiração foi o romance “The Age of Innocence”, de Edith Wharton, e os livros de Jane Austen, que descrevem uma mulher que não tinha voz própria e mantinha contato muito limitado com outras pessoas, principalmente com os homens. A dança incluía elementos contemporâneos, mas sem as bailarinas deixarem a sapatilha de ponta de lado.

Um pouco mais antiga “Sétima Sinfonia” foi criada por Uwe Scholz em 1999, para a companhia alemã Leipzig Ballet. Os 16 casais, vestidos de branco, dançavam em um cenário com elementos geométricos, e a coreografia criava formas idem, como triângulos, por exemplo.

As coreografias tinham uma rapidez maior do que o que estamos acostumados a ver nos espetáculos mais tradicionais. Mesmo assim, as bailarinas não abandonam a doçura. No quesito talentos individuais, Márcia Jaqueline se destaca com sua leveza habitual. Entre os rapazes, Cícero Gomes chama a atenção pela força de seus movimentos. Claro, sem ignorar o talento de todo o restante do corpo de baile. E a direção artística de Ana Botafogo e Cecília Kerche, agora por trás dos holofotes, mas que tanto já encantaram com a sapatilha nos pés.

P.S.: Agradeço ao Theatro Municipal pelos convites.

Número 1 no nosso Top 3 de espetáculos favoritos de dança de 2015. Confira!

“Consertam-se Imóveis” – Eu fui!

Indicada ao prêmio Cesgranrio em 2 categorias – “melhor texto” para Keli Freitas e “melhor cenário”, para Lorena

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Lima – “Consertam-se Imóveis” estreou uma nova temporada na nossa velha parceira Sede das Cias este fim de semana. Já fazia tempos que queria assistir ao espetáculo e a sorte nos agraciou com uma oportunidade de vê-lo em uma estreia para convidados. O que significa plateia animada!

O público seleto pôde comprovar o trabalho das indicadas ao prêmio. Keli Freitas fez um texto com diálogos rápidos e com muitos momentos bem humorados, e outros mais tensos, mais para a parte final do espetáculo. Lorena Lima trabalhou em um cenário que reproduzia a casa da família, com os próprios atores mudando no decorrer da peça.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

“Consertam-se Imóveis” conta a história de uma família que faz de tudo para agradar a mãe, idosa e enferma. Filhos e irmãos não apenas fazem suas vontades como a poupam de acontecimentos externos. No palco há 4 atores, sendo que nenhum deles representa a matriarca. Sua presença é apenas narrada, assim como a de Inácio, parente distante que participa apenas com telefonemas e cartas, e recebe da família a cobrança por andar cada vez mais afastado. Por vezes não se sabe ao certo se os motivos dados por seu distanciamento são os reais alegados pelo próprio, ou são invenções dos parentes para aliviar a preocupação da senhora.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Com o adequado nome de “Consertam-se Imóveis”, o espetáculo gira em torno de conflitos familiares, e de como os membros fazem para manter a estrutura familiar. Apesar desta vontade em comum dos personagens, alguns têm necessidade de fuga, e acabam flertando com a loucura. Mas mesmo diante de acontecimentos turbulentos, a vida do clã se mantém de acordo com as próprias convenções, ainda que para isso tenham que ser remendados e os problemas jogados para baixo do tapete. Sendo assim, se torna ainda mais angustiante o ato de consertar imóveis se conservando imóveis.

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FICHA TÉCNICA

Idealização e direção: Cynthia Reis

Texto: Keli Freitas

Elenco: Eduardo Cravo, Jarbas Albuquerque, Raquel Alvarenga, Suzana Nascimento

Cenário: Lorena Lima

Figurino: Bruno Perlatto

Iluminação: Paulo Cesar Medeiros

Composição e direção musical: Federico Puppi

Orientação filosófica: Alexandre Mendonça

Fotografia: Guga Millet

Projeto gráfico: Raquel Alvarenga

Assessoria de imprensa: Minas de Ideias

Produção: Aline Mohamad, Cynthia Reis e Raquel Alvarenga

Realização: Tucanae Produções

SERVIÇO

Consertam-se Imóveis

Reestreia: 22 de agosto de 2015

Temporada: 22 de agosto até 21 de setembro de 2015

Local: Sede das Cias

Endereço: Rua Manoel Carneiro – nº 12 – Escadaria do Sélaron – Telefone (21) 2137 1271

Horário: Sábado, domingo e segunda-feira – 20h

Valor: R$ 30,00 (Inteira) – R$ 15,00 (Meia entrada)

Classificação: 14 anos

Gênero: Comédia dramática

Duração: 80 min

Capacidade: 60 lugares

Bilheteria: 1h antes do início do espetáculo

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias e à Sede das Cias pelos convites