“Chacrinha, o musical” – Apresentação para a imprensa

Acostumado a agitar as tardes de sábado na televisão brasileira, o Velho Guerreiro agora estará presente de quinta a domingo. Só que, desta vez, no teatro. Estreia dia 14 de novembro, a superprodução “Chacrinha, o musical”, contando a história do grande mito das telinhas. Tanto a do Abelardo, quanto a de seu personagem, Chacrinha. Parte do que será exibido no palco foi apresentado para a imprensa na tarde da última terça-feira, 11.

Elenco e equipe criativa estavam presentes. O diretor do espetáculo, Andrucha Waddington, estreante no teatro, comentou sobre as abordagens da peça. “O espetáculo trata da questão dos altos e baixos do Chacrinha, o psicológico. Também vai entender o histórico da TV brasileira através dele, de uma maneira extremamente divertida. É um privilégio estar aqui retratando um ícone POP da cultura brasileira”, definiu.

Andrucha Waddington também aproveitou para refletir sobre o que Chacrinha representaria nos dias de hoje. “Se ele estreasse hoje estaria tão moderno que não poderia ir ao ar. Porque hoje em dia existe uma militância do politicamente correto. E, graças a Deus, estamos podendo reviver o mundo politicamente incorreto do Chacrinha”, disse.

Acompanhado de Rodrigo Nogueira, Pedro Bial assina o texto da peça. O jornalista explicou sua forma de levar a vida de Chacrinha para os palcos, em forma de musical. “Procuramos buscar eventos da vida que poderiam se tornar cenas de um espetáculo musical, que tivessem o potencial de encantar. E teatro se faz nos ensaios! Assim, vai criando sua forma definitiva – se é que vai ter forma definitiva”, deixa no ar.

Uma das marcas registradas de Chacrinha, as cores e exageros que compunham o cenário não poderiam ficar de fora. Para representar este aspecto, Gringo Cardia foi o escolhido. Ele explica sua concepção. “Chacrinha é uma explosão visual, e fez parte da formação de uma geração POP. Uma coisa muito forte de irreverência que aproximava juventude, família. Fomos também resgatar de onde veio isto. Fomos ao Nordeste, as raízes da cultura nordestina, da xilogravura, da estética de cordel. E fizemos uma homenagem a este tipo de imaginário”.

Grandes nomes da música POP brasileira da geração 1980 serão representados no musical. Por exemplo, Ultraje a Rigor, Rosana, Ney Matogrosso, Elba Ramalho, Gonzaguinha, Fábio Júnior, entre outros. Coube à Delia Fischer a difícil tarefa de escolher os nomes e as canções apresentadas. “Chacrinha aborda todos os estilos possíveis do Brasil. A grande alegria de estar trabalhando nisto é ter acesso a todas as possibilidades musicais. É uma peça muito rica!”, conta, lamentando o fato de muitas músicas terem ficado de fora.

O papel de Chacrinha é dividido entre dois atores. O jovem, porém experiente em musicais, Leo Bahia, e Stepan Nercessian, que estava afastado do teatro havia 10 anos. O primeiro vive o Velho Guerreiro em sua juventude, e Nercessian incorpora o já consagrado Chacrinha do rádio e da TV. Outros personagens presentes na peça são Boni, Elke Maravilha, Dercy Gonçalves e outros. A produção grandiosa também conta com a presença de 22 atores-cantores-bailarinos.

Com 73 canções, “Chacrinha, o musical” é um musical em sua essência. Fica até março em cartaz e promete ser um grande sucesso. Vem aí para fechar o ano com chave de ouro. E distribuindo humor, alegria e abacaxi para a galera. Alôoooo

Ficha técnica
Texto – Pedro Bial e Rodrigo Nogueira
Direção – Andrucha Waddington
Direção de movimento – Alonso Barros
Direção Musical e Arranjos – Delia Fischer
Direção de arte e cenografia: Gringo Cardia
Figurino – Claudia Kopke
Design de som – Carlos Esteves
Desenho de luz – Paulo César Medeiros
Produção de elenco  – Marcela Altberg
Elenco – Stepan Nercessian, Leo Bahia, Stephanie Serrat, Erika Riba, Mariana Gallindo, Saulo Rodrigues, Mateus Ribeiro, Livia Dabarian, Luíza Lapa, Leilane Teles, Paula Sandroni, Paulo de Melo, Chris Penna, Laura Carolinah, Milton Filho, Diego Campagnolli, Renan Mattos, Gabriel Leone, Tadeu Freitas, Patrick Amstalden, Pedro Henrique Lopes e Beto Vandesteen.
Realização – Aventura Entretenimento

Serviço:

Chacrinha, o musical
Teatro João Caetano, Praça Tiradentes, s/nº, Centro.
Dias e horários: 5ª, às 19h; 6ª, às 20h; sábado, às 16h e às 20h e domingo, às 19h.
Funcionamento da bilheteria: De terça a domingo, das 14h às 18h ou até a hora do espetáculo (caso a compra seja para o espetáculo do dia seguinte, a bilheteria, em dias de espetáculo, só vende até as 18h do dia anterior)
Telefone: 2332-9257
Preço: 5ª e 6ª: R$ 50 (balcão simples), R$ 80 (balcão nobre) e R$ 100 (plateia). Sáb. e dom.: R$ 50 (balcão simples), R$ 100 (balcão nobre) e R$ 120 (plateia).
Capacidade: 1.143 pessoas
Duração: 2h15 (com intervalo)
Classificação etária: 12 anos
Até 1º de março

Eu fui!

https://palcoteatrocinema.com.br/2015/01/01/chacrinha-o-musical-eu-fui/

Número 5 do nosso Top 5 de musicais de 2015

https://palcoteatrocinema.com.br/2015/12/25/top-5-eu-fui-musical-2/

“Saint Laurent” – Eu fui!

Em tempos de São Paulo Fashion Week, um filme sobre um dos maiores nomes da moda de todos os tempos está prestes a estrear. “Saint Laurent” entra em cartaz nos cinemas brasileiros dia 13 de novembro, mas o filme já é reconhecido lá fora, sendo o escolhido para representar a França na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro em 2015. Fui conferir a pré-estreia que aconteceu dia 3 de novembro.

O filme conta a vida de Yves Saint Laurent de 1967 a 1976, mas isto não significa que o diretor Bertrand Bonello tenha escolhido que a história fosse contada de forma cronológica. Os amores, os sucessos, as polêmicas são exibidos avançando e voltando no tempo a todo o momento, mas sempre identificando para o espectador em que ano a cena está se passando.

A timidez que o ator principal, Gaspard Ulliel, exibiu em seu discurso pouco antes da exibição do filme não condiz com sua performance em cena. Ele se despiu – literalmente – de qualquer pudor em cenas ousadas, mostrando ótimo desempenho na pele de Yves Saint Laurent. Sinceramente não conheço os trejeitos do estilista, morto em 2008, na vida real. Mas Ulliel construiu um belo e crível personagem.

Não poderia ser diferente, mas a sofisticação do cenário é bonito de se ver. O capricho do figurino, tanto dos personagens da história, quanto dos desfiles, é um espetáculo à parte. As roupas de sua grife, Yves Saint Laurent, com seus estilo, cores e cortes tão característicos, são bem reproduzidas, dando veracidade às cenas.

Como era uma pré-estreia em uma noite de segunda-feira e fui sem saber a duração do filme, confesso que as duas horas e meia me cansaram um pouco. Mas é sempre divertido saber sobre as loucuras que todo bom e grande gênio carrega em sua particularidade. E também, claro, contemplar a elegância de um filme francês. Ainda mais quando se trata de moda.

P.S.: Agradeço à Cinnamon Comunicação pelo convite.

 

Número 5 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/07/top-5-eu-fui-filmes/

Show “Colheita”, de Mariene de Castro – Eu fui!

Foto: Divulgação

Fazia tempo que não trazíamos pauta musical para nossa coluna, não é mesmo? Pensando nisso, escolhi a dedo o nosso “Eu fui!” da semana: o show de Mariene de Castro, que aconteceu sexta-feira, no Imperator – Centro Cultural João Nogueira. Juntei-me ao animadíssimo público presente e escolhi um lugar de fã, bem na beira do palco. Tudo para conferir a voz forte e presença marcante da cantora.

Depois do sucesso de  “Ser de Luz” – em homenagem a Clara Nunes – Mariene lançou em fevereiro o álbum “Colheita”, que é o show que a cantora apresenta agora. “Oxóssi”, canção deste CD, abre o show, seguida de “A Força Que Vem Da Raiz”, e “Ilha de Maré”. Esta última, a cantora emenda, lembrando o samba de sua terra, com “Falsa Baiana”.

Esta última não está sozinha na lista dos covers. Mariene também apresenta “Impossível Acreditar”, surpreendendo o público presente, dando um ar mais romântico para o show, mais pegado no samba. O clima se estende com a canção título do show, “Colheita”. Nela, o pessoal da batucada sai de cena, e a cantora faz uma interpretação toda especial para a música. E declara para os presentes, “Nasci, e estou passando por esta vida plantando amor”.

Com a percussão de volta, a animação também retorna com “Tirilê”, e um pot-pourri de clássicos do samba, como “Alguém Me Avisou”, “Sonho Meu” e “Abraço Negro”. Em seguida, Mariene capricha na interação e proximidade com o público, descendo do palco e indo cantar “Minha Fé” junto com a galera.

Claro que as canções de Clara Nunes não poderiam ficar de fora do repertório. O sucesso “Conto de Areia” foi apresentado, pouco antes de Mariene cantar “Samba Pras Moças”, clássico famoso na voz de Zeca Pagodinho. Mais músicas conhecidas por outros artistas fizeram parte do setlist, como “Brasil Pandeiro” e “Ê Baiana”.

Além dos elementos essenciais para um show, a artista também ousa levando um bailarino ao palco, e até se junta a ele, mostrando um pouco de dança africana. A iluminação é muito bem utilizada, fazendo Mariene brilhar ainda mais. Por falar em brilho, este é outro recurso utilizado por ela, que espalha purpurina no bailarino e em parte da plateia mais próxima do palco.

Sob gritos de “linda”, “diva baiana”, Mariene de Castro conduz com competência o show e, com muita simpatia, brinca com a plateia. Dá atenção aos fãs, distribui rosas e mostra a afinação de seu vozeirão. Misturando a baianidade de seu som com o samba carioca, faz um belo intercâmbio entre as duas sonoridades. E mostra também que o que mais importa, na verdade, é o samba. E o de qualidade!

Número 2 do nosso Top 5 de melhores shows de 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/21/top-5-eu-fui-shows/

“Depois do Ensaio” – Eu fui!

Imagem: Divulgação

Quinta-feira passada eu tinha duas opções: ir ao teatro ou à academia! Mesmo vendo que havia esquecido perfume e maquiagem em casa, mas levado roupa de ginástica na mochila, acabei optando pela primeira alternativa. Afinal, os exercícios a gente sempre deixa para a segunda, não é? Minha escolha foi o Oi Futuro Flamengo, onde está em cartaz até o fim de novembro a peça “Depois do Ensaio”, obra do dramaturgo sueco Ingmar Berman.

Falando primeiramente sobre o espaço, que eu ainda não conhecia: lindo! De facílimo acesso – perto da estação do Largo do Machado – logo na entrada, vemos um espaço em que as pessoas podem ler e ouvir música. Nos 8 andares do local, também há exposições de arte, café e, claro, meu destino, o teatro. Enfim, um local totalmente dedicado à cultura.

“Depois do Ensaio” serviu não apenas para que eu conhecesse o Oi Futuro, como para ver pessoalmente o trabalho de Ingmar Bergman. A peça recebe sua primeira montagem teatral no Brasil. Foi escrita em 1980 e virou um filme para a televisão quatro anos depois, dirigido pelo próprio. O elenco desta versão brasileira conta com Leopoldo Pacheco, Denise Weinberg e Sophia Reis.

O nome tem tudo a ver com o enredo, pois a peça começa com Anna (Sophia Reis) retornando ao teatro com a desculpa de procurar sua pulseira que esqueceu. A moça é a protagonista de “O Sonho”, espetáculo dirigido por Henrik Vogler (Leopoldo Pacheco). Os dois começam com uma conversa casual, mas a situação se transforma depois. É que Vogler conheceu a também atriz Raquel (Denise Weinberg), mãe de Anna. Daí, começa a recordar o passado.

Raquel aparece em cena contracenando com Vogler, sem deixar muito explícito se são devaneios do diretor ou cenas das quais ele se recorda. Com isto, o personagem passa a fazer comparações entre mãe e filha, que fica irritada, pois elas não tinham o melhor dos relacionamentos. Todo o elenco desempenha bem seus papeis. Leopoldo Pacheco, a estreante no teatro Sophia Reis e Denise Weinberg, dando a tot Importante destacar também a tradução do texto de Bergman, feita por Humberto Saccomandi e Amir Labaki. Este último dono do lindo texto de “Marlene Dietrich – as pernas do século”.

Com direção de Mônica Guimarães, “Depois do Ensaio” fica em cartaz  até 30 de novembro no Oi Futuro Flamengo. Abaixo, mais detalhes da ficha técnica e do serviço.

 

Ficha Técnica

Direção: Mônica Guimarães

Elenco: Denise Weinberg, Leopoldo Pacheco e Sophia Reis

Tradução: Amir Labaki e Humberto Saccomandi

Música Original: Marcelo Pelegrini

Cenário: Marco Lima

Iluminação: Wagner Freire

Assistente de direção/produção: Pitxo Falconi

Produção RJ – Cláudio Rangel

Produtores Associados: Amir Labaki e Mônica Guimarães

Realização: Oi Futuro

Serviço:

Espetáculo: Depois do Ensaio

Autor: Ingmar Bergman

Tradução: Amir Labaki e Humberto Saccomandi

Direção: Mônica Guimarães

Elenco: Denise Weinberg, Leopoldo Pacheco e Sophia Reis

Local: Oi Futuro Flamengo (Rua 2 de Dezembro, 63 – Flamengo – Tel: 21- 3131-3060)

Gênero: drama

Estreia: dia 11 de outubro, sábado

Temporada: até 30 de novembro

Horário: de quinta a domingo às 20hs

Duração: 1h20 

Classificação: 16 anos

Capacidade: 72 lugares

Preços: R$ 20,00 (inteira) com meia entrada para idosos e estudantes

Formas de pagamento: dinheiro e cartão de débito ou crédito

Bilheteria do teatro:  terça a domingo, de 14hs às 20hs

P.S.: Agradeço a Debs Comunicação pelos convites.

“Coppélia” – Eu fui!

Claudia Mota, na pela de Swanilda Foto: apetecer.com

Claudia Mota, na pele de Swanilda
Foto: apetecer.com

Já falamos aqui a respeito da programação especial do Theatro Municipal do Rio de Janeiro para o Dia  das Crianças. Como parte dela, está o ballet de repertório “Coppélia”, que entra  em cartaz esta semana, levando a família inteira a entrar no universo infantil. Neste mundinho dos pequenos, estão brinquedos, figurinos, cenário… Tudo muito lúdico e encantador para, como dizem por aí, crianças de todas as idades. O ballet é dividido em três atos, e se passa na aldeia da Cracóvia, na Polônia. Lá, vive Swanilda e seu noivo, Franz. Este se interessa por uma misteriosa jovem, que avista com frequência no balcão da casa do Dr. Coppelius. Só que ele não sabe que Coppélia não passa de uma boneca, cria do velho artesão local. Mas isto é o suficiente para despertar o ciúme de sua noiva, que faz de tudo para tentar desmascarar sua rival.

A personagem Swanilda é vivida por Claudia Mota, primeira bailarina do Municipal desde 2007. Ela nos contou o ritmo intenso de ensaios para chegar no resultado. “Começamos a aula às 10h, 1h30 de aula. Depois temos um intervalo de 30 minutos. Depois vamos até as 16h, sem parar”. Mas não deixou de expressar o prazer de viver a personagem no palco. “Quando é um ballet desses, em que realmente temos que contar a história, você tem um tempo mais dedicado à parte de pantomima. Mas ‘Coppélia’ já é um marco para o Theatro Municipal. A Swanilda e o Franz são personagens fortes. A bailarina cresce fazendo. Mesmo quando estamos fazendo uma pirueta muito difícil, temos que estar interpretando, como se nada estivesse acontecendo”, diz.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

A tarefa de comandar os mais de 60 bailarinos em cena é de Sergio Lobato, diretor artístico do Ballet do Theatro Municipal. Ele também destaca a versatilidade de “Coppélia”. “Estamos trazendo mais uma grande obra, com um conteúdo mais divertido, para as famílias, crianças… A coreografia é popular, mas também clássica. O público que vier assistir sairá feliz. Uma obra que também traz um grande conteúdo artístico quanto à interpretação do bailarino”, conta.

Com música de Léo Delibes, a orquestra desta montagem de “Coppélia” é regida pelo maestro Tobias Volkmann. “A música tem traços de folclore, uma das primeiras inserções de folclore do leste europeu. Se passa em uma aldeia, entre a Áustria, Hungria, sul da Polônia… Então aquela região tem efervescência rítmica de danças populares muito grande. Os personagens não são nobres, príncipes, princesas… São pessoas da aldeia, simples, com uma vida muito real. A música traz uma coisa muito bucólica. Música camponesa sem ser simplória. Não é de fadas, de príncipes, dos sonhos. Mas extremamente expressiva”, explicou.

Até o dia 19 de outubro, os amantes dos clássicos ballets de repertório poderão conferir esta nova montagem de “Coppélia”. Preparem-se para fortes emoções, pois todos os detalhes estão caprichados e belíssimos. A coreografia – impossível para os pobres mortais – se destaca pela dificuldade e excelente preparo dos bailarinos em vários momentos. Só vendo de perto para conferir melhor. Segue abaixo fotos, ficha técnica e serviço.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Serviço:
COPPÉLIA
BALLET E ORQUESTRA SINFÔNICA DO THEATRO MUNICIPAL
Música: Léo Delibes
Coreografia: Enrique Martinez
Libreto: Charles Nuitter, inspirado no conto Der Sandmann, de Ernst Hoffmann
Direção: Dalal Achcar
Cenários e figurinos: José Varona
Direção Artística do BTM: Sergio Lobato
Regência: Tobias Volkmann
Dias 9, 10, 11, 15, 16, 17 e 18/10, às 20h
Dias 12 e 19/10, às 17h
Solistas dos papéis centrais de Swanilda e Franz:
Márcia Jaqueline e Cícero Gomes – dias 9, 12, 17 e 19
Renata Tubarão e Filipe Moreira – dias 10 e 18
Claudia Mota e Moacir Emanoel – dias 11, 15 e 16
Participação dos alunos da Escola de Dança, Artes e Técnicas do Theatro Municipal Maria Olenewa
Preços:
Frisas e camarotes – R$ 504,00
Plateia e balcão nobre – R$ 84,00
Balcão superior – R$ 60,00
Galeria – R$ 25,00
Desconto de 50% para estudantes e idosos
Classificação etária: Livre
Duração: 2h30 (com dois intervalos)

Palestra Falando de Ballet
Apresentação: Paulo Melgaço
Salão Assyrio / Avenida Rio Branco, s/nº – Centro
Entrada Franca, mediante a apresentação do ingresso (todos os dias da temporada, com início sempre 1h30 antes do espetáculo)
Duração: 60 minutos

Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Floriano s/n° – Centro
Informações: (21) 2332-9191
Vendas na Bilheteria, no site da Ingresso.com ou por telefone (21) 4003-2330

P.S.: Agradeço o Theatro Municipal pelos convites

“A quantas separações uma mulher é capaz de sobreviver?” – Eu fui!

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

A quantas separações uma mulher é capaz de sobreviver? Este é o questionamento de Ana, personagem do monólogo com este título que está em cartaz no Teatro do Leblon. Também é com a frase que ela inicia a peça, que narra seus relacionamentos e todas as alegrias e sofrimentos que podem trazer.

Renata Tobelem é a dona do texto e da interpretação da peça, inspirada em suas próprias experiências ao longo da vida. “Tive muitos relacionamentos e aos 30 já estava achando que ficaria para titia! (risos) Emprestei memórias pra ela”, diz a atriz, mas completando que a fictícia Ana é uma versão exagerada de si mesma. “Acho que o exagero vem de como ela lida com as suas dores. Se na vida real alguém escreveria um poema depois de uma separação, ela rabisca a parede toda! Tudo dela é intenso!”

Ana é fictícia, mas poderia não ser. A personagem se parece com muitas outras da vida real que vemos por aí. A melancolia da personagem, apesar de transformada em graça pela obra de Renata, era visível. Mesmo despejando todo seu fracasso amoroso e sua crise existencial, o público se divertia com as histórias.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

A temática da peça é famosa por atrair público tanto no cinema, no teatro, quanto na televisão. O fato de os espectadores – maior parte mulheres – terem ido prestigiar a sessão em uma plena quarta-feira à noite é uma prova disto. E muitos deles procuram Renata no fim do espetáculo para contar sua porção Ana.”Não se trata de uma comédia gratuita falando banalmente de amor! Por isso criamos uma personagem real, em que as melancolias não fossem deixadas de lado! A vida não é só de alegrias. Não é uma novela. Na peça você ri e chora ao mesmo tempo! E é maravilhosa a reação do público em relação a isso tudo! Todos querem contar alguma história cabeluda pra mim!”, relata a atriz.

Um fato que também podemos comparar entre a Ana do palco e as Anas da vida real é a persistência nos erros. Apesar de buscarem sempre um ideal de felicidade, projetando no outro a sua própria, acabam se interessando pelo que é errado, e se desinteressando pelo que é mais confiável, mas menos emocionante. Parece que a graça é a emoção que os altos e baixos de um relacionamento podem trazer.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Renata, como uma boa criadora, defende sua criatura (rs), culpando a falta de sorte da personagem em relação aos fracassos nos relacionamentos. Mas, ao mesmo tempo, afirma que esta é uma característica recorrente. “Conheço muita gente que repete os mesmos erros e não enxerga de jeito nenhum! Eu acho que é porque, se enxergar, vai ser obrigada a consertar os erros, e consertar dá mais trabalho”.

Para quem está interessado em assistir à saga de Ana em superar as separações e buscar o parceiro ideal, o espetáculo fica em cartaz até o dia 29 de outubro na Sala Tônia Carrero, no Teatro do Leblon. Segue ficha técnica e serviço abaixo.

 

FICHA TÉCNICA

A quantas separações uma mulher é capaz de sobreviver?

Texto: Renata Tobelem

Direção: Guida Vianna

Co-direção: Michel Bercovitch

Elenco: Renata Tolebem


SERVIÇO: Temporada: Até 29 de outubro de 2014

Horários: Terças e quartas-feiras, às 21h

Local: Teatro Leblon – Sala Tônia Carrero

Endereço: Rua Conde de Bernadote-26 – Leblon – Telefone: (21)2529-7700

Preços: R$ 60,00 (Inteira) R$ 30,00 (Meia)

Duração: 65min

Classificação: 14 anos

Capacidade: 174 lugares

Gênero: Comédia Dramática VENDAS ANTECIPADAS: http://www.ingresso.com

 

P.S.: Agradeço a Minas de Ideias pelos convites.

“Os Sapos” – Eu fui!

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Quem nunca viveu uma noite em que tanta coisa aconteceu que o momento entrou para a história? A personagem Paula sabe muito bem o que é isso. O premiado espetáculo “Os Sapos”, escrito por Renata Mizrahi, mostra a moça indo a um encontro de ex-colegas de colégio. Lógico que ela pensava que o evento seria emblemático, mas não desta forma. Sem querer, Paula se torna pivô das brigas entre os casais Marcelo e Luciana, e Cláudio e Fabiana. Mesmo sendo vítima de boa parte das situações, a personagem sai como se fosse a principal agente da maioria dos conflitos.

Os casais são formados por personagens propensos à desestruturação. Marcelo (nitidamente interessado em Paula) e Luciana (insatisfeita com o relacionamento não assumido que já dura oito anos) formam um par que parece estar em sintonias diferentes. Cláudio (perfil de psicopata, achei) e Fabiana (apaixonada pela visão idealizada que tem de Cláudio e reprimida por desejos que não consegue realizar) se desentendem pelo ciúme e controle exagerados do primeiro, que não a deixam fazer coisas por vontade própria. As mulheres em questão têm algo em comum: a vontade de fugir da situação na qual se encontram. E veem em Paula uma liberdade em que se espelham.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

A história se passa em uma pacata cidade onde Luciana aluga uma casa. Os personagens transformam toda a tranquilidade do local, e os conflitos acontecem em apenas um dia. Os sapos que nomeiam a peça se encontram no banheiro, mas também podem se referir aos que Paula tem que engolir com toda a confusão em que é envolvida. As brigas por motivos passionais lembram um filme de Pedro Almodóvar. Crise, ação descendente, tudo se dissolve e vida que segue.

A visita de Paula começa normal, cordial. Mas o clima vai ficando tenso com o decorrer. Só que algumas situações são tão absurdas que, para quem vê, é muito divertido. A forma como o estresse vai aumentando em cena é inversamente proporcional ao do público. Quer dizer, conforme o enredo se torna mais conflituoso, o espectador se diverte cada vez mais.

O cenário reproduz uma casa em algum lugar remoto, e as situações simulam se passarem em ambientes diferentes. Mas a cenografia é sempre a mesma. Inclusive os atores se mantêm quase todo o tempo expostos ao público, ou seja, quem não está em cena no momento fica sentado nas laterais do palco, assistindo e esperando sua vez de entrar. O desempenho de Paula Sandroni, Ricardo Gonçalves, Fabrício Polido, Gisela de Castro e Priscila Vidka – ocupando o lugar de Verônica Reis, na pele de Paula – é convincente. Esta última mostra segurança de diretora da peça – que realmente é – na substituição.

Muitos teatros já abrigaram “Os Sapos”, tornando o espetáculo muito bem sucedido. Mas a temporada na Sede das Cias acaba amanhã, e a montagem passará a ser realizada em outros palcos. Isto significa que os sapos continuarão a coaxar, com as intrigas de seus personagens, e a diversão da plateia, ainda por um bom tempo.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

FICHA TÉCNICA
Texto e concepção: Renata Mizrahi
Direção: Priscila Vidca e Renata Mizrahi
Elenco: Gisela de Castro, Paula Sandroni, Fabrício Polido, Ricardo Gonçalves e Verônica Reis

SERVIÇO
Local: Sede das Cias
Endereço: Rua Manuel Carneiro, 12 – Lapa (Escadaria Selarón)
Informações: (21) 2137-1271
Horário: de sexta à segunda, às 20h
Ingresso: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia)
Duração: 70 minutos
Bilheteria: abre 1 hora antes do espetáculo
Gênero: Drama
Capacidade: 60 pessoas
Classificação etária: 14 anos
Temporada: de 06 a 29 de setembro

 

P.S.: Agradeço a Sede das Cias pelos convites.

 

Número 5 do nosso Top 5 de melhores peças do ano

“Conselho de Classe” – Eu fui!

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Faltando pouquíssimo tempo para as eleições, muito se fala a respeito dos problemas do país. Dentre eles, um dos mais comentados é a educação. Quais os investimentos, como está sendo tratada e, principalmente, qual o futuro. Esse é o tema de “Conselho de Classe”, peça que tivemos o prazer de sermos convidados para assistir, e está em cartaz até o próximo fim de semana, no Teatro Fashion Mall.

Temas relacionados à educação são amplamente discutidos – inclusive acaloradamente – durante o espetáculo pelos personagens, cinco profissionais da educação (vividos por Lourival Prudêncio, Leonardo Netto, Marcelo Olinto, João Rodrigo Ostrower e Thierry Trémouroux). São eles quatro professoras e um diretor recém-chegado, inexperiente, trazendo ainda aquela visão romântica do profissional novo no mercado, de poder mudar o mundo. Esta visão é totalmente modificada quando se depara com a situação em que a escola e os alunos se encontram.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

O cenário retratava uma escola pública do Centro do Rio de Janeiro durante as férias dos alunos, em dia de conselho de classe. O calor do verão carioca e a precariedade do ambiente são reproduzidos no texto e nos detalhes da cenografia. Salários baixos, vandalismos e desinteresse por parte dos alunos são as principais queixas dos personagens, narradas pelas professoras em cena. Dentre elas, destacam-se duas delas, as com maior espírito de liderança: a de Educação Física e a de Arte. Elas se confrontam nas ideias, e não sabemos por vezes se os embates são acerca de ideologias ou simplesmente uma batalha de ego ambas.

O texto ágil e a interpretação dos atores divertiam a plateia. A ficção apresentada no palco parecia se confundir com a realidade de quem estava assistindo. O público presente demonstrava conhecê-la de perto, tal a forma como se identificavam com o que viam. Mesmo quem não é profissional da educação sabe das mazelas do ensino público e das dificuldades de quem se dedica a isto. E “Conselho de Classe” encontra um jeito bem humorado de lidar com o assunto.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Até então estava tudo uma sexta-feira normal pós-peça. Mas, quando vou pegar um táxi para voltar para casa, NÃO É QUE O A RUA DO TEATRO TEM O MESMO NOME DO MEU COLÉGIO DE INFÂNCIA? É mole? (rs) Pela feliz coincidência, saí de lá com uma sensação de nostalgia ainda mais forte. E, claro, tive um motivo a mais de recomendar o espetáculo aos meus amigos e ex-colegas de classe =)

 

Serviço:

Conselho de Classe

De 05 a 28 de setembro de 2014

Horário: Sexta e sábado, às 21h30; domingo, às 20h

Local: Teatro Fashion Mall – Sala 1

Endereço: Estrada da Gávea, 899 – São Conrado.

Capacidade: 490 lugares

Telefone: (21) 2111-4444

Classificação: 12 anos

Gênero: Comédia política

Ficha técnica:

Texto: Jô Bilac

Direção: Bel Garcia e Susana Ribeiro

Assistência de direção: Raquel André

Elenco: Lourival Prudêncio, Leonardo Netto, Marcelo Olinto, João Rodrigo Ostrower e Thierry Trémouroux

Figurino: Rô Nascimento e Ticiana Passos

Cenário: Aurora dos Campos

Iluminação: Maneco Quinderé

Trilha original: Felipe Storino

Direção de produção: Tárik Puggina

Produção: Nevaxca Produções

Realização: Cia dos Atores

P.S.: Agradeço à RPM Comunicação pelos convites.

“Marlene Dietrich – as pernas do século” – Eu fui!

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

O Teatro Maison de France faz uma viagem no passado com um espetáculo sobre uma mulher à frente de seu tempo. “Marlene Dietrich – as pernas do século” conta a história da atriz que dá nome à peça, sob aspectos particulares de sua vida e de sua carreira também. A versatilidade da grande diva no cinema é reproduzida no palco através da música, cantada pelos quatro atores em cena (Sylvia Bandeira, vivendo Marlene, José Mauro Brant, Marciah Luna Cabral e Silvio Ferrari), e em vários idiomas, como francês, inglês, alemão e até português.

“Eu estava em cartaz com “Rádio Nacional” e dava uma palhinha cantando “Lili Marlene”, tema que a Dietrich cantou em inúmeras ocasiões . O diretor e ator Fabio Pilar me disse que eu deveria montar um espetáculo sobre a vida dessa grande personalidade do século XX. Foi assim que tudo começou “, nos contou Sylvia Bandeira, a respeito de como surgiu a ideia de realizar a obra.
Nascida na Alemanha, Marlene Dietrich fez carreira também nos Estados Unidos e morou anos na França. Era uma cidadã do mundo, outra característica que a aproxima de Sylvia Bandeira. “Tenho uma grande identificação nesse sentido, uma vez que nasci em Genebra e morei em Paris, Chicago, Sydney etc. Temos muita coisa em comum, além do lado nômade e o fato dela ter seguido seus sonhos”, afirma a atriz.

O texto inspiradíssimo de Aimar Labaki mostra a história de Marlene Dietrich contada por ela mesma. No decorrer da peça, a personagem fala de sua família, de sua carreira – dando ênfases em suas paixões de bastidores – e de como tudo isso se misturou ao contexto histórico da época em que a atriz viveu. Por exemplo, quando cantou para os soldados no front da II Guerra Mundial. Tudo preenchido com muitas reflexões acerca da vida e retratando como era o pensamento livre, moderno e sem preconceitos da artista. Parece, em vários momentos, terem saído da própria boca de Marlene.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Não apenas nisso podemos confundir ficção com realidade. A caracterização é muito boa! O figurino é belo, glamouroso e reproduz algumas tradicionais peças que Marlene usou, e também pelos quais ficou famosa. A cartola e as calças não poderiam deixar de serem reproduzidas. E, lógico, as pernas ficam de fora, só que literalmente falando, fazendo jus ao título do espetáculo. As finas e muito características sobrancelhas da artista estão presentes da produção, e mesmo de longe conseguimos percebê-las. Fato indispensável para retratá-la de forma fiel no palco. Sem elas, não seria Marlene Dietrich.

A diva morreu em 1992, aos 90 anos. Teve um fim de vida recluso, mas sua obra está eternizada na música, no cinema e no teatro. “Marlene Dietrich – as pernas do século” ajuda o público a preservar a memória da atriz, e também apresentá-la a quem não conhece. E que o espetáculo, que estreou em 2011, tenha vida ainda mais longa, tomando conta de palcos e, quem sabe (?), das telonas, habitat da atriz.

Imperdível!

 

Serviço:
Teatro Maison de France (353 lugares) Av. Presidente Antônio Carlos, 58 – Centro Telefone: 25442533
Quinta e Sexta, às 19h30. Sábado, às 20h. Domingo, às 18h.
Ingressos:
Quinta e Sexta: R$ 60,00
Sábado: R$ 80,00
Domingo: R$ 70,00
Classificação etária: 14 anos
Duração: 90 minutos
Estreia dia 17 de julho
Temporada: até 21 de setembro

Ficha Técnica:
Texto: Aimar Labaki
Direção e Cenografia: William Pereira
Elenco: Sylvia Bandeira, Marciah Luna Cabral, José Mauro Brant e Silvio Ferrari
Direção Musical e Arranjos: Roberto Bahal
Figurino: Marcelo Marques
Visagismo: Beto Carramanhos
Iluminação: Paulo Cesar Medeiros
Preparação Vocal: Marciah Luna Cabral
Preparação Corporal: Marcia Rubin
Coreografia do Tango: Paulo Masoni
Músicos:
Piano – Roberto Bahal; Clarinete – Maurício Silva; Violoncelo – Flavia Chagas.
Direção de Produção: Oficina Teatral Produções Artísticas – José Luiz Coutinho e Wagner Pacheco.
Produtores Associados: Minouskine Produções Artísticas e Oficina Teatral Produções Artísticas.

 

Número 3 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/06/top-5-eu-fui-musical/

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

“QUEDA” – Eu fui!

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Como diz o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, “O medo ameaça: se você ama, terá aids; se fuma, terá câncer; se respira, terá contaminação; se bebe, terá acidentes; se come, terá colesterol; se fala, terá desemprego; se caminha, terá violência; se pensa, terá angústia; se duvida, terá loucura; se sente, terá solidão ” […] “Temos que saber que, na vida, caímos e levantamos várias vezes. E que alguns caem e não levantam mais. Geralmente os mais sensíveis, os mais fáceis de machucar, as pessoas que mais sentem dor ao viver… Em contrapartida, esse filhos da *&¨% que se dedicam a atormentar a humanidade vivem vidas longuíssimas, e não morrem nunca, porque não têm uma glândula, que na verdade é muito rara e que se chama consciência. É a que nos atormenta pelas noites” .

Este pensamento – sobre consciência, culpa – tem muito a ver com “QUEDA”, peça a que assisti esta semana. Ignorando solenemente o fato de que estaria de pé poucas horas depois para minha jornada múltipla diária, o assunto rendeu um bate-papo da cúpula apetecer.com – composta por duas pessoas – que se estendeu até quase as 2 da manhã. Mas isto eu fiz sem culpa. E tento escrever aqui um pouco do que foi conversado e divagado.

O personagem da peça fala, não muito explicitamente, sobre um crime que cometeu, e que o atormenta. Com isto, entra em conflito com os próprios monstros de sua consciência, pois carrega uma culpa muito grande. No caso do personagem é dada a dúvida de que os tormentos de sua consciência são mais por questões materiais e manchas na sua imagem do que o próprio remorso pelo ato cometido. É aprisionado por ela, pois para quem tem consciência, a culpa pode ser a pior das prisões. A de uma pessoa deprimida, por exemplo, é implacável. Traz medos, mania de perseguição, falta de paz. Agora, imagine a de alguém – que possui a característica da consciência – que fez algo fora da lei? Ele, por vezes, parece querer se entregar, para ser julgado logo e pagar pelo que fez. Em contraponto, tem medo dos personagens que interpreta em sua vida social, do que não poderá mais alcançar. Assim, entra em questões existenciais, faz confusão de palavras, tenta se justificar, fala da mídia, do julgamento, da pena de morte. Ao mesmo tempo, não sabe se está vivo ou não. Mas isto também não parece ter tanta importância, porque o peso de sua consciência não o deixa viver.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Também tem medo da opinião pública e quer se afastar dela. Isto nos faz aludir à necessidade da mídia de demonizar determinadas figuras, coisa que o personagem de “QUEDA” provavelmente se tornou. Essas pessoas que são “sorteadas” para saírem em capas de jornais e revistas e suas vidas passam a ser acompanhadas pelo Brasil inteiro. Uma tentativa de promover a catarse, ou seja, para que os espectadores deste tipo de notícia façam a identificação com suas próprias vidas e se sintam superiores por não cometerem tais atrocidades. Aliviando, assim, sua própria consciência. Mas, para quem teve sua vida devassada por um veículo de massa e é inocente, o sofrimento é ainda pior. Já ficou com aquela marca perante a sociedade e, muito mais grave, a mácula em sua personalidade. E o jornal lançou apenas uma errata.

“QUEDA” é a santa inquisição dele mesmo, tentando conversar com alguém, mas não tem ninguém. Só sobrou ele. Entra em um estado de loucura total. Já perdeu seus valores, razão. Todo esse conflito o personagem trava em um “diálogo” com o “homem de bigode”, que parece por vezes um terapeuta, ou Deus, ou até ele mesmo. Quer dizer, sua própria consciência. Só assistindo à peça para tirarem suas próprias conclusões sobre o calvário do personagem, escrito e atuado pelo ator Guilherme Siman. Depois da sessão, acontece uma discussão com os espectadores e também conta com a presença de um convidado. Se eu tivesse assistido depois de escutar algumas coisas que ouvi neste debate, teria agregado outras visões à minha. Mas, depois de ter visto duas vezes, já estou manjada. Acho que terei que ir disfarçada com um bigode florido.

Ficha Técnica:

Texto e Atuação: Guilherme Siman

Direção: Fabiano de Freitas

SERVIÇO

Local: Sede das Cias

Endereço: Rua Manuel Carneiro, 12 – Lapa (Escadaria Selarón)

Informações: (21) 2137-1271

Horário: de quinta e sexta, às 20h

Ingresso: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00(meia)

Duração: 50 minutos

Bilheteria: abre 1 hora antes do espetáculo

Gênero: drama

Capacidade: 60 pessoas

Classificação etária: 18 anos

Temporada: de 07 de agosto a 29 de agosto

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelos convites.

“Romanceiro Popular – Uma homenagem a Ariano Suassuna” – Eu fui!

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Nessas coincidências que o destino traz, estreou no dia 08 de agosto a peça “Romanceiro Popular – Uma homenagem a Ariano Suassuna”, poucas semanas após a morte do escritor. Um mero acaso, pois o espetáculo já estava escrito há cerca de dez anos e – desta vez não por coincidência – ainda não havia tido a oportunidade de ser montado. Sendo assim, a vida de Suassuna segue sendo celebrada através do enaltecimento de sua obra.

A obra em questão faz um passeio pelo “universo Suassuna”, costurando quatro histórias do autor (“O Auto da Compadecida, “A história de amor de Romeu e Julieta”, “O Santo e a Porca” e “Torturas de um Coração”) e aliando-as a uma quinta, escrita por Lu Gatelli, integrante do elenco e grande admiradora da obra do paraibano. Este outro enredo trata do dia a dia de uma companhia de teatro, algo que os atores da Cia Entreato – 14 anos de existência – conhecem bem.

“Eu sempre fui muito fã do Ariano e queria muito montar este espetáculo. Havia muito tempo que queria fazer essa homenagem porque gosto

Foto: Divulgação

Foto: apetecer.com

dele, e acredito no tipo de teatro que ele sempre escreveu”, contou Lu Gatelli após a sessão, em um bate-papo que sempre acontece nas de sábado. A autora também falou a respeito das dificuldades de se realizar uma montagem, o que fez esta começar a ser encenada tanto tempo após a criação do texto.

O Teatro II do Sesc Tijuca é que abriga este espetáculo. O local é pequeno, o que leva uma maior proximidade do elenco com o público, chamando a participação deste, e arrancando ainda mais gargalhadas dos outros presentes. Sim, os atores são bem engraçados e, como se isto não bastasse, ainda tocam, cantam, e fazem vários personagens, devido ao fato de cinco histórias serem encenadas. Os enredos são, como disse antes, costurados, lançando mão de recursos mise en abyme. E, para quem conhece a obra de Ariano, são facilmente identificáveis, já que Lu Gatelli evitou ao máximo modificá-los. O cenário, apesar de simples, tem muitos e bem acabados detalhes que reproduzem uma companhia de circo-teatro. Tudo isso valorizado pela afinada iluminação. Elementos como pernas-de-pau e bonecos de pano e mamulengos também são utilizados, mexendo com o universo lúdico que um bom circo e um bom teatro precisam ter.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Infelizmente, Ariano Suassuna não teve a oportunidade de conferir esta montagem. Mas os admiradores que estão espalhados por aí podem se sentir representados e o eterno romanceiro se sentir homenageado por ter sua obra revivida através deste espetáculo. A propósito, ele fica em cartaz até o próximo dia 31 de agosto, no Teatro II, do Sesc Tijuca (bom relembrar). Segue o serviço abaixo:

SERVIÇO

Temporada: Até 31 de agosto de 2014

Local: Teatro II do SESC Tijuca

Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539 – Telefone: (21) 3238-2139

Horários: Sexta a domingo às 19h

Bilheteria: Funcionamento – Ter a sex, das 7h às 21h | Sab, dom e feriados das 9h às 18h.

Ingressos: R$ 8,00 (inteira), R$ 4,00 (meia) e R$ 2,00 (associado SESC)

Capacidade: 50 Lugares

Duração: 70 min.

Classificação: 12 anos.

FICHA TÉCNICA:
Texto e Direção: Lu Gatelli
Elenco: Diego Marques, Lígia Dechen, Lu Gatelli, Ricardo Gadelha, Ricardo Gonçalves, Richard Goulart e Vitor Martinez
Stand by: Camila Rocha

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelos convites.


Contato:

“Elza & Fred” – Eu fui!

Com a gente é convite feito, convite aceito! Fomos quinta-feira assistir a uma sessão especial de “Elza & Fred”, peça que estreou no início do mês de agosto no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea. O espetáculo traz, como o casal do título, Umberto Magnani e Suely Franco, e conta uma história de amor entre os protagonistas. O romance se inicia quando Alfredo, que perdeu a esposa há sete meses, se muda para o prédio onde vive Elza que, apesar de morar sozinha, parece que está sempre com várias pessoas em volta, tamanha sua presença de espírito.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Alfredo – ou Fred, como a própria Elza o apelidou – faz a linha pacata e tenta manter tudo sob controle: saúde, vida, família. Já sua vizinha não vê muita graça nisso e acha melhor viver sem grandes preocupações. Ou, pelo menos, tenta não dar exagerado peso aos problemas da vida. Apesar da diferença de personalidade dos dois, eles se dão bem, parecendo que um completa o outro. Ele dando um pouco de juízo para Elza, e ela tentando ensiná-lo a aproveitar mais os dias.

Além dos que curtem teatro, a peça também deve agradar aos amantes de cinema, pois o enredo é baseado no filme homônimo argentino. Ainda por cima, a personagem Elza é apaixonada pelo filme “A Doce Vida”, do italiano Federico Fellini. Mais especificamente pela famosa – e copiadíssima – cena em que a personagem de Anita Ekberg, Silvia Rank, se banha na Fontana di Trevi. Depois que viu esta imagem, a serelepe protagonista sonha em vivenciar o mesmo.

A adaptação das telonas para os palcos parece não ser apenas na diferença entre as linguagens. O enredo também sofreu algumas alterações, segundo a atriz Suely Franco. “Não me inspirei no filme. Assisti há muito tempo atrás e o texto tem várias modificações. Eu gosto mais desta versão que a do filme. Aqui termina para cima. Então fui me baseando pela direção do Elias Andreato, e seguindo o que ele falou”, nos contou a atriz, após a sessão. Ela também deu seus pareceres sobre sua personagem, apoiando-a, mas com devidas ressalvas. “A peça passa uma mensagem de alegria, vamos viver felizes. Mas não gosto muito das mentiras da personagem”, acrescenta, rindo.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Umberto Magnani, seu par romântico na peça, também fala a respeito da mensagem que a história passa. “É uma lição de vida! E todos os personagens têm qualidades e defeitos, não tem mocinha nem bandido. Porque a gente é assim! E o público adora porque eles são assim também. São pessoas comuns, que se parecem com parentes da gente”, disse.

O elenco é numeroso. Nove atores estão em cena, mas quem sobressai mais são os dois protagonistas. Não apenas pelos papeis de destaque, mas pelo desempenho. Cada um interpretando muito bem o oposto do outro. Magnani com sua aura sofrida, de viuvez recente, com culpa de se envolver tão breve em um novo relacionamento. Suely fica responsável pela parte cômica da peça, e o faz muito bem. Juntos, os dois formam uma química bacana, e conquistam a plateia.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Só fico devendo o paralelo com o filme que originou a peça, pois não deu tempo de assistir (snif, snif). Mas, quem quiser ver a história no teatro – tendo ou não visto sua versão cinematográfica – tem tempo ainda aqui no Rio, pois eles estão em início de temporada. Depois, seguirão para São Paulo. Informações abaixo:

 

SERVIÇO:

Horários: Quinta a sábado às 21h e domingo às 19h

Local: Teatro das Artes – Shopping da Gávea – 2º Piso – Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea. Bilheteria 21 3325 1645. Horário de funcionamento: Terça e quarta das 15h às 20h e quinta a domingo das 15h até o início da apresentação.

Ingressos: Quinta R$ 60,00 (inteira) / Sexta a domingo R$ 80,00 (inteira)

Classificação: 12 anos

Duração: 70 minutos

Gênero: Comédia

Capacidade: 400 lugares

 

FICHA TÉCNICA:

Texto: Marcos Carnevale, Marcela Guerty e Lily Ann Martin

Direção: Elias Andreato

Elenco:

Suely Franco (Elza)

Umberto Magnani (Fred)

Mayara Magri – atriz convidada

Eduardo Estrela

Fernando Petelinkar

Luciano Schwab

Antonio Haddad

Igor Dib

David Leroy

 

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelos convites.


 

Contato:

#sejoga – Eu fui!

Recebemos o convite e fomos prestigiar a pré-estreia de “#sejoga”, que estará em cartaz todas as terças-feiras, no Teatro das Artes, no

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Shopping da Gávea. A novidade promete encher o início da sua semana de alegria, com muito humor, improviso e música, até. A produção também inova, trazendo um aplicativo chamado Improon, no qual o público envia, por meio de mensagens, ideias para serem desenvolvidas nas brincadeiras do elenco.

O grupo é composto por oito atores: Adriano Pellegrini, Ana Luisa Leite, Hugo Germano, João Cappelli, João Côrtes (que ontem estava sendo substituído por Eduardo Melo), Marcela Dias, Sil Esteves e Thais Belchior. A ideia não é fazer a galera desgrudar do celular para assistir ao teatro. A intenção é fazer do objeto um meio para a integração do público com o palco. Todos podem baixar o aplicativo, recebem a senha e enviam sugestões, como frases, lugares… Tudo para o elenco se virar lá em cima e improvisar usando – ou tentando – o tema.

O resultado é divertido. Os oito mandam bem em cima do palco, haja vista que não têm texto em que se basear. Só o microfone em uma mão, o celular em outra, e uma ideia (e tem que ser rápida) na cabeça. Os atores fazem piadas, mímicas e até improvisam letras de música. E não é que alguns deles cantam bem? Sempre, claro, tentando interagir com a plateia, contando com a ajuda de Fabio Nunes, o mestre de cerimônias, que também apronta das suas no palco e na plateia. Ah, uma dica: se deseja assistir a “#sejoga”, mas não quer participar além do celular, evite sentar na frente, ou nas pontas, porque corre o risco de Fabio te escolher e te dar uma zoada (mas nada que falte com o respeito, que fique bem claro).

Este slideshow necessita de JavaScript.

Se ficou curioso para assistir aos simpáticos atores, como já disse acima, eles estarão em cartaz todas as terças-feiras, até o dia 28 de outubro, às 21h, no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea (Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea).

 

Ficha técnica:

Elenco: Adriano Pellegrini, Ana Luisa Leite, Hugo Germano, João Cappelli, João Côrtes, Marcela Dias, Sil Esteves e Thais Belchior

Mestre de cerimônias: Fabio Nunes

Direção: Patricia Pinho

Criação e direção de produção: Alina Lyra

SERVIÇO:

#SeJoga

Estreia: 5 de agosto de 2014

Temporada: De 5 de agosto até 28 de outubro

Horários: Terças-feiras – 21h

Local: Teatro das Artes – Shopping da Gávea

Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 52 / 2º andar – Gávea – Telefone para Informações: (21) 2540 – 6004

Preços: R$ 50,00 Inteira R$ 25,00 Meia

Bilheteria: Das 15 às 20h de segunda-feira a domingo.

Duração: 80 min

Classificação: 14 anos

Capacidade: 400 Lugares

Gênero: Comédia

 

P.S.: Agradeço à Minas Ideias por mais este convite.

 

Exposição “Salvador Dalí” – Eu fui!

Este ano, o Centro Cultural Banco do Brasil está realizando uma exposição com muitas das obras de um dos maiores nomes das artes plásticas de todos os tempos, Salvador Dalí. Fica em cartaz até setembro e o visitante poderá conferir muitas das facetas deste ídolo do Surrealismo, ou seja, pinturas, esculturas e até trabalhos em artes cênicas. A curadoria é de Montse Aguer, que é diretora do Centro de Estudos Dalinianos.

A exposição conta com 150 obras trazidas da Casa Gala-Salvador Dalí (de Filgueiras), do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía (em Madri) e do Museu Salvador Dalí (na Flórida). Os trabalhos – em maior parte composto por pinturas – mostram as fases do artista, que realizou trabalhos de Natureza Morta, Cubismo, mas dão preferência ao Surrealismo, estilo em que Dalí se tornou ícone.

Estas obras mostram a ligação que Dalí tinha com a família, principalmente sua relação com Gala, sua eterna musa. Cadaquès, local em que o artista passava as férias, também é homenageado nos quadros. Também é exposta a influência que o catalão exerceu sobre artistas sucessores, como Andy Warhol.

Não apenas pinturas e esculturas estão expostas. São exibidos um documentário sobre a vida de Salvador Dalí e duas campanhas publicitárias de que ele participou: dos chocolates Lanvin e das Linhas Aéreas Braniff. A parceria com o diretor de cinema Luis Buñuel também está presente, com a exibição dos filmes “L’age d’or” e “Un chien andalou”. E a história de Dalí com o cinema não para por aí. Uma cena em que a cenografia foi desenhada por ele para o filme “Spellbound”, de Alfred Hitchcock, também é transmitida no CCBB. O sucesso de Dalí também é exposto por diversos meios impressos de comunicação de que foi capa, como Time, Der Spiegel e El Pais.

Mas a parte que ficou mais famosa nesta exposição foi a escultura que Dalí fez em homenagem à atriz norte-americana Mae West. Ele transformou seu rosto, e os adornos que utilizava, em um apartamento. Dá para imaginar? Só indo lá para conferir pessoalmente. Ficou incrível!

Falando nisso, a entrada é franca, e o CCBB fica aberto das 9h até as 20h, exceto às terças-feiras, quando não funciona. O endereço é Rua Primeiro de Março, 66 – Centro, Rio de Janeiro.

 

“Fala comigo como a chuva e me deixa ouvir” – Eu Fui!

“Fala comigo como a chuva e me deixa ouvir”. O nome do espetáculo é longo e intenso. Uma amostra das emoções que viríamos sentir durante toda a sessão. Em cartaz na Casa da Glória, texto de Tennessee Williams recebe uma montagem linda e que mexe de forma profunda com os sentidos do espectador que vai lá conferir.

O espetáculo se passa em estações que quebram o paradigma da caixa cênica e nos transporta para o dia-a-dia do casal, com seus desencontros, suas angústias, dúvidas e contradições. Estas estações são ambientadas na Casa da Glória, cenograficamente detalhada a fim de criar o ambiente para o espectador, este projetado na encenação.

Quanto aos personagens: é como se existisse uma parede invisível que separasse ele e ela. Os dois, comuns como qualquer de nós. As falas

Os atores Saulo Rodrigues e Ângela Câmara / Foto: apetecer.com - arquivo

Os atores Saulo Rodrigues e Ângela Câmara / Foto: apetecer.com – arquivo

ecoam, ressoam. O clima tenso é constante. Há alternância de humores, bucolismo, alcoolismo. Tendências de fuga que a natureza humana encontra para fugir desta própria natureza.

Voltando à ambientação, ela é toda propícia à projeção do espectador no turbilhão de emoções encenado. É como se fôssemos atirados, ou melhor, sugados pela convivência entre ele e ela. Não posso me furtar de ressaltar a atuação fantástica dos atores Ângela Câmara e Saulo Rodrigues. Eles são parte de tudo o que relatei e vou relatar. Não é interpretação, é vida. Eles dão vida (com toda a carga semântica da palavra) ao casal, o que expande ainda mais a experiência do espectador.

Os recursos imagísticos da narrativa somados a tudo que nos circunda nos leva a experiências sensoriais e sinestésicas impressionantes. Em determinada estação, em meio à peça, é como se estivéssemos tomados por um transe, como se nossa respiração ritmasse com a do personagem que o nosso ponto-de-vista acompanha na cena, por vezes, simultânea. É como se peregrinássemos pela casa em ritual a fim de assistir (sem preposição mesmo) o que se sucede ou o que precede. É como se nos sentíssemos como um deles, a angústia de que alguma divindade surgisse e acabasse com a atmosfera trêmula e quebrasse a parede invisível.

Como o elemento água, desde o título da peça, até a sua utilização durante a montagem, bem que esta divindade poderia ser uma náiade, ou talvez Possêidon. Mesmo sendo água, poderia ser Hefesto, porque também há fogo. Poderia até mesmo ser Dioniso. Todavia, devido à magnitude (a aristotélica mesmo), apenas Zeus acompanhado das musas Erato, Euterpe, Melpômene, Terpsícore e Calíope para exercer o Deus Ex Machina e, por fim, nos retirar do transe a que fomos submetidos.

Portanto, quem deseja conferir este espetáculo do grupo Os Dezequilibrados, deve se atentar, pois a peça fica em cartaz somente até 17 de agosto. É uma ótima oportunidade para quem gosta de apreciar belos trabalhos de produção, direção e elenco. Nossos sinceros parabéns a todos os envolvidos. É imperdível!

Endereço: Ladeira da Glória, 98 (ao lado do Outeiro da Glória)

Entrada para a rua ao lado do Amarelinho da Glória

Temporada: até 17 de agosto de 2014 Prorrogado até 28 de setembro de 2014

Duração: 80 minutos

Bilheteria: uma hora antes de cada sessão, R$ 30,00

Informações: (21) 3259-3554

Obs: Em caso de chuva serão distribuídos guarda-chuvas e capas de chuva

http://www.facebook.com/falacomigocomoachuva

http://www.facebook.com/osdezequilibrados

 

Número 2 do noso Top 5 de melhores peças do ano

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/29/deixa-clarear-musical-sobre-clara-nunes-eu-fui/

“Imperator Novo Rock” – Eu fui!

Julho acabou, mas o rock continua firme e forte. Este, que é considerado o mês deste ritmo musical, foi encerrado com chave de ouro com o projeto “Imperator Novo Rock”. O objetivo deste evento é incentivar o trabalho de artistas do cenário independente carioca. E reviver os áureos tempos em que a tradicional casa de shows da zona norte recebeu importantes nomes, como Ramones, Suicidal Tendencies e Megadeth, por exemplo.

Enquanto as duas bandas que se apresentariam no evento se aqueciam nos bastidores, o DJ Guilherme Scarpa fazia o “esquenta” com clássicos do rock internacional, como The Cure, U2 e The Strokes. Se, em determinado momento da noite, o público presente sentiu falta dos nacionais, o DJ mandou Rita Lee, Legião Urbana e, lógico, tocou Raul. Isso sem contar com o telão do local, que mostrava cenas de filmes, como “Pulp Fiction”, “Os Embalos de Sábado à Noite” e “O Grande Dragão Branco”, comandado pelo VJ Luciano Cian.

As apresentações ao vivo começaram com a banda Drenna. Os quatro músicos se mostravam animados por estarem iniciando o projeto do Imperator. E conseguiram passar esta empolgação para o público presente. Inclusive o fã-clube do conjunto foi prestigiar, tanto na pista quanto na plateia. Eles fazem um rock com uma pegada mais pesada e apresentaram canções autorais. Com exceção de “Eleanor Rigby”, sucesso de The Beatles.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

O segundo show da noite ficou a cargo da Tipo Uísque. A banda ficou conhecida este ano por ter participado da competição musical Superstar, da Rede Globo. O grupo fez a apresentação 100% em inglês, com um repertório composto por suas canções autorais e um cover de “Royals”, da cantora neozelandesa Lorde.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Como disse acima, julho já acabou, mas o projeto “Imperator Novo Rock” está só começando. Esta foi a primeira edição, e muitas ainda estão por vir, sempre uma vez ao mês. O evento mostra que o rock’n roll tem público e futuro. E o Rio de Janeiro tem muito a oferecer quanto a isto.

 

P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites.


Espetáculo “Retratos” – Eu fui!

O que vem à mente quando você pensa na palavra “retratos”? Momentos especiais com família, amigos, lugares visitados… São diversos universos retratados, bem como na peça que está em cartaz na Sede das Cias, que leva exatamente este nome. Vários personagens e emoções são representados no palco, por apenas uma pessoa.

A bailarina e atriz Carolina Cony é quem apresenta estes “Retratos” para o público. O espetáculo segue o gênero teatro-dança, movimento que ficou conhecido no século XX. Mas, honestamente, não vi tanta semelhança com o trabalho de Pina Bausch, ícone que popularizou o estilo, no início dos anos 1970. Mas a artista leva música, dramaticidade e elementos cinematográficos para o palco, buscando mexer com os sentidos e as emoções do espectador.

Apesar da referência do estilo teatro-dança ser Pina Bausch, a peça é inspirada em Cindy Sherman, artista norte-americana que cria personagens e se fotografa personificando-as e encenando-as. Seguindo o estilo, Carolina Cony interpreta várias situações. Há muito gestual e menos fala. O figurino é um item muito presente, pois é trocado a todo momento. Mesmo com as alterações constantes, o mesmo traje é utilizado em diversas e diferentes situações, sendo usado de várias formas. Inclusive, muitas vezes é o principal fator para indicar a mudança do personagem.

Voltando à questão dos sentimentos do espectador, a peça parece seguir a linha do Teatro da Crueldade, estilo que busca transmitir emoções priorizando a linguagem não verbal. A quebra de paradigmas está sempre presente durante a encenação. O público capta a mensagem reagindo vezes com estranheza, vezes achando graça. Apesar de eu não saber muito bem como me portar em espetáculos deste estilo (rs), também me rendi ao humor da artista. Pelo menos nos momentos em que fica nítido que a intenção é justamente esta. Até porque era impossível não se contagiar com os risos dos meus companheiros de plateia.

Portanto, para quem curte peças que rompem com a estrutura do teatro tradicional, “Retratos” é uma das opções em cartaz atualmente. Mas a curta temporada dura somente até dia 01 de agosto. Veja maiores detalhes abaixo:

 

FICHA TÉCNICA

Idealização e interpretação: Carolina Cony

Direção: Cristina Moura

Criação e Dramaturgia: Carolina Cony e Cristina Moura

 

Serviço:

Local: Sede das Cias

Endereço: Rua Manoel Carneiro, 12, Escadaria do Selarón – Lapa – RJ. Telefone: 2137-1271

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00(meia)

Capacidade: 60 pessoas

Apresentações: 30 e 31 de julho e 01 de agosto às 20h

Duração: 50 minutos

Classificação etária: 10 anos

*O cliente munido do cartão Petrobras ou o força de trabalho que apresentar o crachá na bilheteria receberá 50% de desconto na compra de dois ingressos.

 

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite.

 

“A Bela e a Fera” – Eu fui!

A minha bela da tarde do último domingo veio de um conto de 1756. A história é antiga, mas o tema está cada vez mais atual. A tradicional história de “A Bela e a Fera” – que tem como principal questão a importância da aparência física – está sendo encenada no Teatro Bradesco Rio até o dia 04 de agosto, em uma montagem imponente. O mote da peça continua o mesmo, mas os recursos utilizados para contá-lo são diversos. Tudo para mexer com o imaginário e com os sentidos de todos os espectadores que vão lá conferir o espetáculo.

Bela, acompanhada do pai e de seu cãozinho Pompom Foto: apetecer.com

Bela, acompanhada do pai e de seu cãozinho Pompom Foto: apetecer.com

Esta montagem também segue o formato de musical, e algumas características humanas são mostradas pelos personagens. Inveja, cobiça, disputa. Além do amor entre uma doce e cobiçada moça provinciana e um príncipe amaldiçoado, cuja aparência é execrada por todos os que o veem pela primeira vez. Jeanne Marie Leprince foi quem criou o conto, mas já houve adaptações no cinema e em musicais da Broadway. A versão em desenho animado era a única que eu conhecia, e é inesquecível para aqueles que a viram durante a infância. Quem não lembra do candelabro, do bule e das xicarazinhas falantes (own)? Pois eles também são levados ao palco de forma muito divertida e graciosa. São os que mais puxam a interação da plateia. Como se precisasse, pois a participação dos pequenos – e dos grandes também – é constante. Durante todo o espetáculo pode-se ouvir as vozes animadas dos espectadores. De todas as vezes que já fui ao teatro, creio que tenha sido o público mais jovem com o qual assisti a uma peça. Só não vou dizer que me senti criança novamente porque a montagem não abusa de “tatibitatis” no texto, nem na interpretação dos atores.

BEF_0061

Foto: apetecer.com

Em um espetáculo que trata de beleza, este é um quesito que não pode faltar. Figurino, caracterização de personagem, cenário, tudo é muito bonito e faz o público se sentir dentro da história, tanto quanto no desenho animado. Destaco o frisson que Bela causa nas meninas com o vestido que usa no jantar de gala. Quanto à cenografia, tanto a vila da protagonista, quanto o castelo da Fera são retratados de forma exuberante. Até uma neve improvisada surge para representar o inverno francês. Uma projeção serve para os momentos em que efeitos tecnológicos são utilizados. O universo lúdico é explorado também com recursos de aromatização em todo o ambiente. Tudo para deixar o clima ainda mais encantador.

A montagem teatral é muito bem feita, e espero que o tema da peça tenha sido passado de forma eficiente. Em um tempo em que a aparência física é superestimada, é de grande relevância passar para as novas gerações, logo no início da vida, a importância de se valorizar a essência do ser humano. Ainda mais o espetáculo sendo encenado em um teatro dentro de um shopping center, ambiente em que a questão da beleza é ainda mais cultuada. Pelo menos a cultura está fazendo sua parte. Tanto levando essas discussões para os palcos, quanto não deixando ser esquecida uma obra do século XVIII.

Este slideshow necessita de JavaScript.

“A Bela e a Fera” está em cartaz até o dia 04 de agosto, no Teatro Bradesco Rio, no shopping Village Mall. Veja detalhes abaixo:

SERVIÇO:
Espetáculo: A Bela e a Fera
Data: 01 e 02 de agosto

Horário: sábado: 15hs e 18hs e domingo: 15hs
Classificação: livre
Duração: 1h40 minutos
Ingressos: Frisas: R$ 40,00; Balcão Nobre: R$ 80,00; Plateia Alta: R$ 120,00; Plateia Baixa: R$ 175,00 e Camarote: R$ 135,00.
P.S.: Agradeço à Debs Comunicação pelos convites.

 

Número 4 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/06/top-5-eu-fui-musical/


Peça “Morro da Ópera” – Eu fui!

A vida dos habitantes das favelas é algo que, apesar de ser uma realidade próxima de quem mora na cidade do Rio de Janeiro, muitos desconhecem, o que desperta terror e compaixão no espectador. Dependendo da situação.

Foto: apetecer.com

Foto:apetecer.com

E este é o argumento de “Morro da Ópera”, peça que fica em cartaz até 27 de julho, no Sesc Copacabana. É o terceiro espetáculo original da companhia carioca Troupp Pas D’argent, com texto e direção de Marcela Rodrigues, que também compõe o elenco.

Cenografia e figurino prezam pela simplicidade. O elenco usa roupas com pouco acabamento. O que facilita na hora da troca (tanto de traje, quanto de personagem). Outro fator que traz essa característica é o dos elementos cenográficos, e isto dá margem para muita imaginação. Por exemplo, uma escada é utilizada para simbolizar a subida e descida dos moradores dos morros em suas casas. O capricho no caso está na iluminação bem feita, principalmente ao representar a luz da lua e do luar, quase sempre presente em cena.  Também há outros recursos de que o grupo lança mão.

Os outros recursos a que me refiro são a música e a dança. O primeiro é um pouco óbvio, pelo contexto da história. O nome da peça é uma alusão à rádio local, a Rádio Ópera. E é com ela que os cinco atores iniciam o espetáculo e utilizam em alguns momentos, como o anúncio de notícias relacionadas à comunidade. Eles mesmos narram e cantam a programação da emissora. A dança entra em cena com vários movimentos coreográficos de ballet contemporâneo que o elenco representa.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

O grupo está muito bem em cena. Digo isso em todas as áreas: cantam, dançam e atuam muito bem. Os cinco são muito expressivos e passam para o público a emoção necessária para a dramaticidade que a história impõe. Principalmente durante o clímax do espetáculo, a enchente que assola o Morro da Ópera. Isto sem contar com o fato de que cada um deles faz, no mínimo, dois papeis. Além disto, os gêneros masculino e feminino não são totalmente respeitados na escolha do ator/atriz que interpreta o personagem.

Fora isto, a montagem narra a convivência, os conflitos, a rotina e os sofrimentos dos moradores do Morro da Ópera. Conta como as histórias se cruzam e dá uma mostra de sentimentos como raiva, amor, solidariedade e amizade. Emoções intensas, porém corriqueiras. Principalmente em se tratando de pessoas que vivem em habitações muito próximas, onde o limite do público e privado é menos definido. E, por este motivo, assuntos particulares acabam vindo a público, o que causa ainda mais conflitos.

Em suma, “Morro da Ópera” mostra que a Troupp Pas D’argent pode não ter argent, mas tem talento de sobra =)

Este slideshow necessita de JavaScript.

SERVIÇO:

Morro da Ópera

Gênero: drama

Temporada: 3 a 27 de julho.

Local: Espaço Sesc de Copacabana

Endereço: Rua Domingo Ferreira, 160/ Copacabana

Dia/ hora: Quinta a sábado às 21h; domingo às 20h

Valor: R$20 (inteira) R$10(meia) e  R$ 5 (associados do Sesc)

Bilheteria: de 3a a dom., das 15h às 21h.

Tel: (21) 2547-0156

Classificação: 16 anos.

Capacidade: 280

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia e Direção: Marcela Rodrigues

Elenco: Carolina Garcês, Lilian Meireles, Marcela Rodrigues, Natalíe Rodrigues e Orlando Caldeira

Figurino: Lilian Meireles e Orlando Caldeira

Cenário: Marcela Rodrigues

Iluminação: Luiz Paulo Nenen

Trilha Sonora e Direção Musical: Isadora Medella

P.S.: Agradeço à Lyvia Rodrigues pelos convites.


Crônica / Conto: “Cabaré Dulcina” – Eu fui!

O prefeito Pereira Passos foi mais uma personalidade a pintar no Cabaré - Foto: apetecer.com

O prefeito Pereira Passos foi mais uma personalidade a pintar no Cabaré – Foto: apetecer.com

20 de julho de 1910. Pego o jornal e vejo na manchete alguma coisa sobre uma inauguração de um novo cais na Gamboa.

O prefeito Serzedelo Correia dava continuidade ao trabalho começado pelo prefeito Pereira Passos e sua equipe de reforma, formada por profissionais renomados, como Francisco Bicalho, Paulo de Frontin e Lauro Müller (Lauro Müller, Charles Miller, acabei me lembrando de Lauro Sodré. Player do Botafogo Football Club, favorito ao título distrital neste ano).

Ideias revolucionárias queriam transformar o Rio de Janeiro numa espécie de Paris tropical. Abriram largas ruas. Principal delas, a Avenida Central. Tinham a estranha ideia de derrubar o Morro do Castelo para arejar o Centro da cidade. Muita coisa vinha sendo feita, na gestão de Sousa Aguiar, que sucedeu Pereira Passos: foram finalizadas as obras do Pavilhão São Luís (Palácio Monroe) – Ih! Não lembro se no governo dele ou no anterior – e Biblioteca Nacional. O estilo meio neoclássico, meio eclético (ouvi estas palavras num bond outro dia), invadia a capital da república, onde um ano antes fora inaugurado o Theatro Municipal.

Entretanto, nem só da ordem e do progresso, como apregoa a nossa bandeira, viviam os cidadãos comuns da cidade, camada a qual pertenço. Para tantas reformas, o lado mais fraco da corda teve que suar. Não digo suar apenas no batente. Digo suar correndo para o entorno das linhas dos trens porque não tínhamos mais onde cairmos vivos, como dizem por aí, já que fomos expulsos de nossos cortiços e cabeças-de-porco que habitávamos. Está certo que tinha muita gente. Por exemplo, no cortiço que me servia de abrigo, moravam mais cinco famílias. Mas era na área central e, apesar de dividir um espaço pequeno com tantas pessoas, ficava perto do trabalho. Está bem, eu conto o que faço, sou funcionário de uma fábrica de tecidos.

Ruy Barbosa e Oswaldo Cruz também abrilhantaram a noite no Cabaré. Personalidades importantes no início do século XX no clima da revista musical - Foto: apetecer.com

Ruy Barbosa e Osvaldo Cruz também abrilhantaram a noite no Cabaré. Personalidades importantes no início do século XX no clima da revista musical – Foto: apetecer.com

Voltando ao dia de ontem, o dia 20. Acordei meio tenso, estava precisando ouvir boa música e ver mulheres bonitas. As polacas da Zig Migdal faziam a festa da gente nos lupanares e cabarés espalhados pela região no entorno da praça Onze de Junho. Todavia, eu não tinha muita inclinação para as polacas, tampouco para as francesas. Meu caso era com Esperança. Brasileira nata, morava próximo ao morro do São Carlos, dançarina no Cabaré Dulcina. Tinha que ficar de olho nos malandros e capoeiras que defendiam Esperança. Dizem que um galego, funcionário de repartição e outro, um capoeira bom de música, não gostavam que ela tivesse muito envolvimento com seus clientes.

Chegando ao cabaré, apesar de não ser a primeira vez que aparecia por lá, sempre é uma experiência surpreendente. Fui logo sendo saudado “pelas mocinhas francesas, jovens polacas e um batalhão de mulatas”. Procurei Esperança e não a encontrei. “Me aboletei na mesa” e decidi curtir a orquestra que dava o tom à noite. Logo comecei a ser cercado pelas funcionárias do local que nada deixam faltar aos seus clientes, nem um bom papo.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

O marinheiro João Cândido Felisberto, também faz sua aparição - Foto: apetecer.com

O marinheiro João Cândido Felisberto, também faz sua aparição – Foto: apetecer.com

Para a minha maior surpresa, aquela noite o cabaré estava com uma frequência diferente. Comecei a ouvir uma voz recitando um poema com palavras que nem pareciam estar em ‘brasileiro’. Uma das meninas me informou que se tratava de Bilac, autor do hino da bandeira. Hino que, desde que frequentei as fileiras do quartel, não tinha mais ouvido. E, lembro bem que aquela letra tinha sido composta um ano antes que servi, se não me engano em 1906.

Após esta primeira surpresa, entrou um cidadão dizendo ser Pereira Passos, aquele prefeito citado no início do texto. Ele bradava como se num palanque estivesse. Será que poderia realmente ser o ex-prefeito? Ou então, o cidadão devia ter saudades do político que governou a capital até o último ano e resolveu se passar por ele. Acabou que o papo na mesa ficou meio tenso, com aquela conversa de desapropriação, construção de estacionamento, digo, avenida que cabem todos os automóveis da capital parados. Ou ele era visionário, ou realmente pensava: o pobre que se exploda.

Tudo bem, passou. E, apesar de ser um cabaré, o Dulcina era procurado por quem estava a fim de ouvir boa música e jogar conversa fora. E o clima logo melhorou com o axé de tia Ciata, que morava nas cercanias, e fomentava o encontro de músicos da região. Os entendidos diziam que desses encontros de músicos vinha sendo cunhado um novo ritmo, modernizado, para vir no lugar do maxixe. Era um tum em um tambor e um ta em outro, e assim por diante. Era o chamado samba.

Mesmo após a proibição por lei dos castigos físicos, um marinheiro foi condenado a 250 chibatadas no dia da eclosão da Revolta, em 23 de novembro de 1910 - Foto: apetecer.com

Mesmo após a proibição por lei dos castigos físicos, um marinheiro foi condenado a 250 chibatadas no dia da eclosão da Revolta da Chibata, em 23 de novembro de 1910 – Foto: apetecer.com

Papo vai, papo vem, e o clima ficou tenso novamente quando Ruy Barbosa e Osvaldo Cruz entraram pela porta do estabelecimento com o intuito de vacinar todo mundo. Este tipo de atitude já tinha dado o maior bafafá nos idos de 1904. Queriam também ver se na casa existiam alguns focos de um tal mosquito transmissor de doenças etc. É mole!? Depois daquela confusão da vacinação, o problema também era com os mosquitos? O referido senador e o cientista não sabiam mais se vacinavam, se matavam mosquito e, enquanto isso, o povão continuava vivendo à margem. Nas encostas e, no meu caso, no subúrbio.

Logo que eles se foram, o clima voltou a esquentar, para bem e para mal. Na verdade, para bem. A casa acabava de receber clientes ilustres. O famoso e mítico capoeira Prata Preta, que lutou na Revolta da Vacina, a do parágrafo anterior, entrara na casa. Após ele se apresentar e cumprimentar a todos, fez uma demonstração de sua arte e por todos foi ovacionado. Entrou também João Cândido Felisberto, que servia na Marinha de Guerra do Brasil. O sujeito andava indignado com os castigos físicos que os militares de baixa patente sofriam ainda nos porões das embarcações. Ele chegou a me contar que se a situação permanecesse desta forma, não tardaria para que ele, junto com alguns de seus colegas, fizesse algo para por um ponto final na barbaridade.

O mítico Horácio José da Silva, mais conhecido como Prata Preta, enfrentou o exército na Revolta da Vacina, em 1904. Foto: apetecer.com

O mítico Horácio José da Silva, mais conhecido como Prata Preta, enfrentou o exército na Revolta da Vacina, em 1904. Foto: apetecer.com

A música continuou muito animada. Danças e contradanças também. A noite de inverno carioca, noite seca, temperatura amena, tudo

A Revolta da Vacina, um projeto higienista, impeliu a população a se vacinar contra a varíola. Participação especial, flanando borrado no primeiro plano, ædes ægypt, que já era o indesejável na cidade transmitindo doenças - Foto: apetecer.com

A vacinação em massa impeliu a população a se vacinar contra a varíola. Participação especial, flanando borrado no primeiro plano, ædes ægypt, que já era o indesejável na cidade transmitindo doenças – Foto: apetecer.com

propício para todo aquele divertimento. Foi quando de repente, já depois de algumas doses de vinho, vi um vulto que achei ser Esperança. O vulto se aproximou pela minha direita. Eu estava inerte, nervoso, travado, coração disparado. Quando comecei a sentir sua respiração se aproximar ao meu ouvido, percebi que diria algo. “Beep, beep, beep, beep”, cadê a droga do celular?! Caramba, tenho que trabalhar, acho que perdi a hora. Peguei o celular e me deparei com 21 de julho de 2014. Era tudo um sonho e, nesta aventura onírica, e as lembranças que tive do sonho, pude perceber que apesar de 114 anos de distância, os problemas soam semelhantes.

Muitos dos nomes que apareceram no meu sonho viraram nomes de ruas, viadutos, elevados, hospitais… E as pessoas mal sabem quem foram. E outros, caso tenham recebido homenagens, desconheço-as. Parecem que querem apagar nossa memória.

E qual o porquê do sonho? No dia anterior, o 20, de 2014, fui ao Centro Cultural João Nogueira, no Méier, para assistir ao espetáculo do gênero revista musical “Cabaré Dulcina”. O espetáculo é idealizado por Antônio Pedro e dirigido por Vilma Melo e Édio Nunes. Pude ver atores interpretando estes personagens históricos, muitos deles esquecidos e que fazem parte da história da hoje cidade do Rio de Janeiro. Pude me deleitar com belas canções que também tinham como mote o período histórico do sonho, a Belle Époque brasileira, na República Velha. Excelente montagem, uma verdadeira aula de história da forma mais lúdica e divertida que me lembro de ter acompanhado. Por fim, mudando o que tem que ser mudado, os problemas urbanos da nossa maravilhosa cidade ainda nos incomodam no dia-a-dia. É, pessoal. Coisa de cidade grande.

Nota: Alguns personagens do conto são baseados em personagens do livro “Desde que o Samba é Samba”, de Paulo Lins.

Este slideshow necessita de JavaScript.

P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites.

LOCAL: IMPERATOR – CENTRO CULTURAL JOÃO NOGUEIRA
http://www.imperator.art.br
ENDEREÇO: Rua Dias da Cruz, 170 – Méier
DATA e HORÁRIO: 19 e 20/07, 26 e 27/07 (Sábados e domingos): 19h30 / 01 e 02/08 (Sexta e sábado): 19h30
INGRESSOS: Plateia sentada: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
CLASSIFICAÇÃO: 14 anos

“Ópera do Malandro” – Eu fui!

O Espetáculo

Atualizado em 18/07/2014
Foto: apetecer.com

Teresinha e Max Overseas – Foto: apetecer.com

Estreou ontem, dia 17 de julho, o musical “Ópera do Malandro”, no Theatro Municipal, uma imensa contribuição para a memória e desenvolvimento da cultura nacional. Com um elenco bem escolhido, figurino bem feito, texto engraçado. Além, claro, do famoso repertório da peça. Enfim, belíssima adaptação da obra de Chico Buarque.

Semana passada, na apresentação para a imprensa, o cenário parecia bruto, com estruturas tubulares e escadas por onde os atores deslocam-se e posicionam-se, sem tecidos ou acabamento aparente. Pensei que no Municipal seria diferente, que as estruturas seriam ornadas. Mas não. Todavia, peço desculpas por ter julgado bruto etc. Porque na apresentação à vera, a atmosfera cênica criada pela estrutura citada, somada aos elementos de luz e cor, trazia uma ótima impressão e transportava-me para a época e local pelos quais transcorre a narrativa. Os atores deslizavam pelos diversos níveis da arquitetura com extrema naturalidade. Solução muito bonita e funcional.

O elenco está afiado e afinado. Moyseis Marques não demonstrava insegurança por estrear profissionalmente como ator, logo no palco mais importante do país, o Theatro Municipal, interpretando o anti-herói Max Overseas. As muchachas de Copacabana, junto com a orquestra que esbanjava energia, começaram com tudo, incendiando a plateia, esbanjando latinidade. Outro que causou esse efeito foi Eduardo Landim. Na pele de Geni, recebeu as maiores ovações com a interpretação de “Geni e o Zepelim”. Destaco também a performance de Adrén Alves, que vive Vitória, mãe de Teresinha (Fábio Enriquez). Tanto como ator, quanto como cantor (excelente afinação e extensão vocal impressionante).

Geni -  Foto: apetecer.com

Geni – Foto: apetecer.com

Mas, o que é Léo Bahia, hein? Quer dizer, já o assisti roubando a cena em “The Book of Mormon”, na Cidade das Artes, como um sensacional Elder Cunningham. Desta vez, ele vive a apaixonada Lúcia. Após um diálogo acalorado com Max Overseas (Moyseis Marques), interpreta de maneira nunca antes vista (e ouvida) a canção “Palavra de mulher”. Assim, toda vez que ele surge, é uma presença de palco impressionante. Canta, interpreta e faz gargalhar como poucos.

Enfim, antes de partirem para a temporada no Theatro Net Rio, a “Ópera do Malandro” terá mais três apresentações no Theatro Municipal, pertinho da Lapa, casa destes carismáticos personagens do reduto mais boêmio da capital fluminense.


A apresentação para a imprensa

Publicado em 13/07/2014
Moyseis Marques, na pele de Max Overseas Foto: apetecer.com

Moyseis Marques, na pele de Max Overseas Foto: apetecer.com

A partir da semana que vem, a Lapa dos anos 40 será representada no Rio de Janeiro de 2014. Estreia na próxima quinta-feira, no grandioso Theatro Municipal, a mais nova remontagem da “Ópera do Malandro”, obra de Chico Buarque, de 1978. Mais de 10 atores estarão em cena, fazendo assim jus ao local de início da temporada. Já familiarizado, tanto com os palcos quanto com o cenário onde a história se passa, o cantor / ator Moyseis Marques encabeça o elenco, vivendo Max Overseas.

Para quem estranhou o nome de Moyseis Marques no papel do protagonista, esta é a estreia profissional do artista nas artes cênicas. “Tenho uma experiência com teatro amador, na escola. E é claro que o palco é o meu lugar, independentemente do que eu esteja fazendo em cima dele. Já trabalhei como animador de festa infantil, fazendo teatro para criança, fui mestre de cerimônias de eventos e acabei enveredando pelo lado da música, mas com o ator dormindo aqui em mim, em algum lugar. E agora João Falcão despertou o ator que estava dentro de mim”, comenta ele, que parece levar da melhor forma possível a responsabilidade da estreia do espetáculo em palco tão importante.

Mineiro de Juiz de Fora, Moyseis Marques tentou aplicar a própria experiência da vivência na noite para compor o seu Max Overseas. “O João (Falcão, diretor do espetáculo) pediu que eu não visse nada das adaptações anteriores. E é claro que eu não obedeci (risos). Mas procurei colocar essa malandragem, que é carioca. A história se passa na Lapa, que é um ambiente a que eu estou bastante acostumado”, explica ele.

A adaptação de 2014 traz uma peculiaridade: o elenco é composto quase exclusivamente por homens, com apenas uma atriz. Isso significa que os rapazes também interpretam os personagens femininos. O diretor, João Falcão, explica esta escolha. “A questão de mulheres fazendo papeis de homens e vice-versa dão um toque especial para esta montagem. Remete aos primórdios do teatro, quando somente homens faziam”, conta ele.

O diretor, João Falcão Foto: apetecer.com

O diretor, João Falcão Foto: apetecer.com

Moyseis Marques, outro fruto das escolhas de João Falcão para esta remontagem, arranca elogios do diretor. “Já havia visto o Moyseis em vídeos na internet e tinha visto como era carismático, como cantava bem, é expressivo. Vi algumas entrevistas e pensei, ‘algum dia vou chamá-lo para fazer alguma peça’. Aí pintou a ‘Ópera do Malandro’, e vi que tinha tudo a ver com o Moyseis: Lapa, samba…”, acrescenta.

Já remontada em 2000 e 2003, por exemplo, a “Ópera do Malandro” se mantém, assim, na memória cultural do público. Moyseis Marques explica a importância disto. “As novas gerações precisam saber disso, dar continuidade, como a gente faz com a história do samba. É importante que se tenham novas montagens, um novo olhar. E até mesmo para que as pessoas conheçam a obra de Chico Buarque. Quanto mais for remontado, melhor. Cada vez que ela é remontada ganha uma nova vida, e a obra se mantém viva. Atravessando gerações para que a nossa música se fortaleça. A gente vive em um país em que a nossa cultura é nosso maior tesouro. A nossa música é respeitada no mundo inteiro”, orgulha-se o artista.

João Falcão posa com o elenco completo Foto: apetecer.com

João Falcão posa com o elenco completo Foto: apetecer.com

Os mais ansiosos em conferir esta nova remontagem não podem perder a estreia, esta semana, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Mas a temporada tem continuidade no Theatro Net Rio a partir de agosto. Confira o serviço abaixo.

Este slideshow necessita de JavaScript.


SERVIÇO:
Theatro Municipal – 17, 18 e 19 de julho, às 20h (quinta, sexta e sábado)

Ingressos:
Frisa/Camarote: R$ 500 (R$100 por pessoa)
Plateia / Balcão Nobre: R$ 100
Balcão Superior: R$ 80
Balcão Lateral: R$ 50
Galeria Superior: R$30
Galeria Lateral: R$20

20 de julho às 11h (domingo)

Preço único: R$ 1,00

 

Theatro Net Rio De 8 de agosto a 26 de outubro (De quinta a sexta, às 21h. Domingos, às 20h)

Ingressos:
Plateia, Mezzanino e Frisas: R$150
Balcão R$100

Duração: 150 minutos.

Classificação: 14 anos.

http://instagram.com/operadomalandro
https://www.facebook.com/operadomalandro2014


Ficha técnica:

Adaptação e direção: João Falcão

Direção musical: Beto Lemos

Elenco: Adrén Alves, Alfredo del Penho, Bruce Araújo, Davi Guilhermme, Eduardo Landim, Eduardo Rios, Fábio Enriquez, Larissa Luz, Léo Bahia, Rafael Cavalcanti, Renato Luciano, Ricca Barros e Thomás Aquino

Apresentando: Moyseis Marques

P.S.: Agradeço à Factoria Comunicação pelos convites.

 

Número 5 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/06/top-5-eu-fui-musical/


“Cássia Eller, o musical” – Eu fui!

Na linha dos musicais em que grandes nomes da música popular brasileira são os protagonistas, está em cartaz até o dia 20 de julho “Cássia Eller, o musical”. Já aconteceu parecido com Tim Maia, Elis Regina e Cazuza, por exemplo. Agora é a vez de vida e obra da cantora, morta precocemente em 2001, aos 39 anos, serem representadas. A iniciativa é válida para manter a memória desses ícones sempre viva para parte do público e para quem ainda não conhece, descubra.

“Cássia Eller, o musical” começa a contar a história quando Cássia tinha apenas 18 anos. Fala de sua paixão pela música – e o quanto foi uma jovem reclusa e tímida – , seus primeiros amores, e como esses fatores afetaram o relacionamento com sua família. E segue narrando o desenrolar de sua carreira, até conseguir chegar no auge. Dos perrengues do início, até a difícil conciliação que a artista tinha entre compromissos, fama e vida profissional.

Na árdua tarefa de viver Cássia Eller no espetáculo está Tacy de Campos. Mas tanto na interpretação dos textos, postura de palco e números musicais, a cantora/atriz se sai muito bem. Com um roteiro musical que inclui numerosas 34 canções, o desempenho dela sobressai na vigorosa interpretação de  “Nós” (Tião Carvalho) – muito aclamada pelo público -, na romântica “Je ne regrette rien” (Michel Vaucaire) – estopim para o início da choradeira dos espectadores – e no mega sucesso “Malandragem” (Cazuza e Frejat), em que até arrisca chamar a plateia para cantar junto.

O restante do elenco é composto por outros atores e cantores. Dentre eles, chamam a atenção Emerson Espíndola, que interpreta – entre outros personagens – Nando Reis, e faz com Tacy de Campos um belo dueto em All Star (composta pelo próprio Nando); e Evelyn Castro que, além de boa voz – encantando o público em “Noite do meu bem” (Dolores Duran) – , demonstra veia cômica. Não podemos também deixar de valorizar a banda que, junto dos atores, executa com competência todas as músicas do espetáculo.

Em um tempo em que são realizados tantos espetáculos grandiosos, surge um em que estrutura, figurino e cenário são simples. Pois o que importa mesmo é a música, que ocupa a maior parte da peça. Apesar disto, a casa estava lotada. Com enredo e produção totalmente nacionais, isto mostra que, tanto artistas, produtores e público estão cada vez mais interessados em prestigiar a cultura de nosso país.

 

“Cássia Eller, o musical” fica em cartaz até o dia 20 de julho, no Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro). O ingresso custa R$ 10,00 e as apresentações são às 19h.

 

P.S.: Agradeço à Uns Comunicação pelos convites.


“Ópera do Malandro” – Apresentação para a imprensa

Moyseis Marques, na pele de Max Overseas Foto: apetecer.com

Moyseis Marques, na pele de Max Overseas Foto: apetecer.com

Nota do Palco: Fomos na estreia no Theatro Municipal, clique e confira a matéria.

A partir da semana que vem, a Lapa dos anos 40 será representada no Rio de Janeiro de 2014. Estreia na próxima quinta-feira, no grandioso Theatro Municipal, a mais nova remontagem da “Ópera do Malandro”, obra de Chico Buarque, de 1978. Mais de 10 atores estarão em cena, fazendo assim jus ao local de início da temporada. Já familiarizado, tanto com os palcos quanto com o cenário onde a história se passa, o cantor / ator Moyseis Marques encabeça o elenco, vivendo Max Overseas.

Para quem estranhou o nome de Moyseis Marques no papel do protagonista, esta é a estreia profissional do artista nas artes cênicas. “Tenho uma experiência com teatro amador, na escola. E é claro que o palco é o meu lugar, independentemente do que eu esteja fazendo em cima dele. Já trabalhei como animador de festa infantil, fazendo teatro para criança, fui mestre de cerimônias de eventos e acabei enveredando pelo lado da música, mas com o ator dormindo aqui em mim, em algum lugar. E agora João Falcão despertou o ator que estava dentro de mim”, comenta ele, que parece levar da melhor forma possível a responsabilidade da estreia do espetáculo em palco tão importante.

Mineiro de Juiz de Fora, Moyseis Marques tentou aplicar a própria experiência da vivência na noite para compor o seu Max Overseas. “O João (Falcão, diretor do espetáculo) pediu que eu não visse nada das adaptações anteriores. E é claro que eu não obedeci (risos). Mas procurei colocar essa malandragem, que é carioca. A história se passa na Lapa, que é um ambiente a que eu estou bastante acostumado”, explica ele.

A adaptação de 2014 traz uma peculiaridade: o elenco é composto quase exclusivamente por homens, com apenas uma atriz. Isso significa que os rapazes também interpretam os personagens femininos. O diretor, João Falcão, explica esta escolha. “A questão de mulheres fazendo papeis de homens e vice-versa dão um toque especial para esta montagem. Remete aos primórdios do teatro, quando somente homens faziam”, conta ele.

O diretor, João Falcão Foto: apetecer.com

O diretor, João Falcão Foto: apetecer.com

Moyseis Marques, outro fruto das escolhas de João Falcão para esta remontagem, arranca elogios do diretor. “Já havia visto o Moyseis em vídeos na internet e tinha visto como era carismático, como cantava bem, é expressivo. Vi algumas entrevistas e pensei, ‘algum dia vou chamá-lo para fazer alguma peça’. Aí pintou a ‘Ópera do Malandro’, e vi que tinha tudo a ver com o Moyseis: Lapa, samba…”, acrescenta.

Já remontada em 2000 e 2003, por exemplo, a “Ópera do Malandro” se mantém, assim, na memória cultural do público. Moyseis Marques explica a importância disto. “As novas gerações precisam saber disso, dar continuidade, como a gente faz com a história do samba. É importante que se tenham novas montagens, um novo olhar. E até mesmo para que as pessoas conheçam a obra de Chico Buarque. Quanto mais for remontado, melhor. Cada vez que ela é remontada ganha uma nova vida, e a obra se mantém viva. Atravessando gerações para que a nossa música se fortaleça. A gente vive em um país em que a nossa cultura é nosso maior tesouro. A nossa música é respeitada no mundo inteiro”, orgulha-se o artista.

João Falcão posa com o elenco completo Foto: apetecer.com

João Falcão posa com o elenco completo Foto: apetecer.com

Os mais ansiosos em conferir esta nova remontagem não podem perder a estreia, esta semana, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Mas a temporada tem continuidade no Theatro Net Rio a partir de agosto. Confira o serviço abaixo.

Este slideshow necessita de JavaScript.


SERVIÇO:
Theatro Municipal – 17, 18 e 19 de julho, às 20h (quinta, sexta e sábado)

Ingressos:
Frisa/Camarote: R$ 500 (R$100 por pessoa)
Plateia / Balcão Nobre: R$ 100
Balcão Superior: R$ 80
Balcão Lateral: R$ 50
Galeria Superior: R$30
Galeria Lateral: R$20

20 de julho às 11h (domingo)

Preço único: R$ 1,00

 

Theatro Net Rio De 8 de agosto a 26 de outubro (De quinta a sexta, às 21h. Domingos, às 20h)

Ingressos:
Plateia, Mezzanino e Frisas: R$150
Balcão R$100

Duração: 150 minutos.

Classificação: 14 anos.

http://instagram.com/operadomalandro
https://www.facebook.com/operadomalandro2014


Ficha técnica:

Adaptação e direção: João Falcão

Direção musical: Beto Lemos

Elenco: Adrén Alves, Alfredo del Penho, Bruce Araújo, Davi Guilhermme, Eduardo Landim, Eduardo Rios, Fábio Enriquez, Larissa Luz, Léo Bahia, Rafael Cavalcanti, Renato Luciano, Ricca Barros e Thomás Aquino

Apresentando: Moyseis Marques

P.S.: Agradeço à Factoria Comunicação pelos convites.

 

Número 5 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/06/top-5-eu-fui-musical/


Estreia da peça “Garotos” – Eu fui!

Estreia musical no Teatro das Artes, a peça “Garotos” vem, como já se pode esperar pelo título, tentando cativar o público adolescente para o teatro. A nova montagem começa este fim de semana, mas a primeira foi realizada em 2009. O texto foi escrito por Leandro Goulart quando ele tinha 16 anos, e contava detalhes de fatos que ele vivia na época, tão típicos desta fase. Recebemos o convite e aceitamos: fomos conferir a pré-estreia.

Gabriel Leone, Vitor Thiré, Julio Oliveira, Felipe Frazão e Rodolfo Abritta vivem os garotos a que o título se refere. Eles interpretam um texto que discorre a respeito de primeiras paixões, sexualidade, drogas etc. Enfim, nada surpreendente quando se trata de adolescência. O toque especial pode estar no fato de eles cantarem sucessos da MPB, Pop e Rock de bandas como Jota Quest (Sempre Assim), RPM (Olhar 43), Ultraje a Rigor (Nós vamos invadir sua praia), entre outros. Eles mesmos tocam os instrumentos. Um violão e um cajon, que serve mais como um elemento cenográfico que como um acompanhamento musical.

O intuito do texto é passar uma dinâmica e rapidez nos diálogos. Mas o resultado acaba sendo superficial e, por vezes, perdido. Provavelmente para acompanhar a ansiedade e o imediatismo que os adolescentes possuem nessa fase. A garotada que estava lá se divertia. Portanto, creio que a meta do autor tenha sido atingida. Mas não foi o que aconteceu comigo. Talvez devesse ter assistido a “Garotos” alguns anos atrás.

Por fim, se você tem de 14 (classificação mínima para a peça) a 19 anos, vá conferir a performance dos meninos em cena. Quem sabe até se identificar com suas histórias? Porque a titia aqui já passou da idade.

 

P.S.: Agradeço à Minas Ideias pelos convites.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.


 

FICHA TÉCNICA:
Garotos
Texto: Leandro Goulart
Direção: Afra Gomes e Leandro Goulart
Elenco: Vitor Thiré, Gabriel Leone, Julio Oliveira, Rodolfo Abritta e Felipe Frazão

SERVIÇO:
Temporada: Até 27 de julho
Local: Teatro das Artes
Endereço: Shopping da Gávea – Loja 264, 2º Piso – Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea
Horários: 21h de quinta a sábado, e 20h30 aos domingos.
Ingressos: R$ 70,00 (inteira) / R$ 35,00 (meia)
Duração: 80 minutos

Classificação: 14 anos

“As três irmãs” – Eu fui!

Perto do principal cartão postal do Rio de Janeiro, no Casarão Austregésilo de Athayde, está em cartaz a peça “As três irmãs”, de Anton Tchekhov. Localizado na subida do Cristo Redentor, a casa hoje leva o nome de seu antigo dono, que foi presidente da Academia Brasileira de Letras entre 1951 e 1993. Já o texto é de autoria do escritor russo, considerado um dos maiores contistas de todos os tempos.

A história se passa em uma cidade do interior da Rússia. As três irmãs do título são Olga, Irina e Macha que, junto com o irmão Andrei, foram criadas por um pai militar que os ensinou as maiores virtudes. Só que isto, para elas, não tem nenhuma utilidade no local onde vivem. Traçando um paralelo com uma frase do pensador espanhol Baltasar Gracián, “até o saber não é nada, se os demais não sabem que se sabe”. Apesar de ter sido formulada em outro contexto, a frase serve bem para mostrar a sensação das personagens. Enquanto recebem visita de militares em sua casa e filosofam sobre a vida, sonham em voltar para Moscou, sua cidade natal.

Falando mais especificamente, a locação escolhida para abrigar a montagem é o jardim do Casarão. Obviamente em espaço aberto, ele capta a luz natural do ambiente. Isso em uma parte da peça, que começa às 16h. No decorrer da história, escurece e o clima fica mais sombrio, combinando com o enredo em que se desenvolve. O propósito é justamente este.

Pode parecer estranho uma montagem teatral de uma história que se passa na Rússia (quase no fim do período imperial), em pleno Rio de Janeiro, logo em um espaço a céu aberto. Mas o figurino bem feito, interpretações eficientes e o texto obediente ao original cumprem seu papel. Isto sem contar com o cenário sombrio, ao qual já me referi. Tudo isso transmite a melancolia presente nos personagens.

Melancolia em relação às tragédias, à saudade da terra em que viviam, quase um banzo, quanto aos planos de voltar para lá. Planos estes que nunca se concretizam. O clima da região em que vivem é propício para que este sentimento se desenvolva. Ao longo da peça, os personagens se lamentam quanto ao inverno, e que não veem a hora de o verão chegar, trazendo dias ensolarados. Talvez para que, com ele, venha um pouco alegria e luminosidade, para a casa e suas vidas.

Outro fator de melancolia do enredo é em relação aos relacionamentos amorosos. Cada um personagem sofre por um motivo diferente. Há traições, amores não correspondidos, o que não se realiza devido a tragédias inesperadas. Até mesmo a moça que não casa e se dedica somente ao trabalho. Coisa que, imagino, ter sido um grande motivo de pressão social na época.

Por fim, “As três irmãs” é uma boa oportunidade – e gratuita – para conferir mais uma montagem de um texto clássico da dramaturgia mundial. Muitos já aproveitaram essa chance. Tanto que a temporada foi prorrogada para 27 de julho, e promete encher novamente o espaço, assim como a sessão em que estive.

FICHA TÉCNICA
Texto: Anton Tchekhov
Direção: Morena Cattoni
Idealização: Paula Sandroni, Gisela de Castro e Morena Cattoni
Elenco: Arthur Rozas, Carlos Neiva, Cássio Pandolph, Chica Oliveira, Gisela de Castro, Amanda Vides Veras, Jean Machado, José Gomide, Marcelo Morato, Natasha Corbelino, Paula Sandroni, Paulo Roque e Rodrigo Cirne.

SERVIÇO:
Local: Casarão Austregésilo de Athayde.
Endereço: Rua Cosme Velho, 599.
Data: de 14 de junho a 6 de julho (prorrogado até 27 de julho)
Horário: Sábados e Domingos às 16h.
Classificação etária: 10 anos
Reservas pelo telefone: 99974-8272 ou pelo email:astresirmasnojardim@gmail.com falar com a Maria Fernanda
ENTRADA FRANCA
Em caso de chuva, não haverá espetáculo

P.S.: Agradeço à Maria Fernanda pelos convites.


 

“A onda da vida” – Eu fui!

Cinematograficamente falando, os adolescentes não têm do que reclamar. Muitos filmes que estão estreando ultimamente são voltados para eles. É o caso de “A onda da vida – Uma história de amor e surf”, fruto de José Augusto Muleta. Experiente em filmes comerciais e videoclipes, faz agora sua estreia como diretor de longas metragens.

O filme conta a história de três amigos que saem de carro do Rio de Janeiro com destino ao litoral da Bahia em busca da onda perfeita. No caminho, o carro quebra e eles têm que interromper a viagem. Param na Vila de Regência, no Espírito Santo, um paraíso desconhecido com ondas perfeitas.

Segundo o produtor executivo Rik Nogueira, a história não é real, mas poderia ser. “A gente brincou com personagens reais, mas é uma ficção. Mas você vendo o filme fica acreditando mesmo que existe essa história. Que vai chegar lá em Regência e vai encontrar mesmo o Thiago e a Thalena”, diz.  Esta personagem é a mocinha do filme, também se chama Thalena e é moradora de Vila de Regência.

O público do filme é bem específico. Adolescente, surfista. Como não me identifico com nenhuma das duas categorias, tive dificuldade em me envolver com a história. O enredo também tenta passar mensagens no sentido good vibe. Os três amigos encontram a Vila de Regência por acaso e, mesmo estando sem dinheiro e sem conhecerem ninguém por lá inicialmente, são acolhidos pelos moradores locais. O que os leva a perceber que não precisam de muito para serem felizes.

Outra referência a essa simplicidade está o orçamento curto do filme, R$ 65.000,00. O elenco também é composto boa parte pelos moradores de Vila de Regência, cujo preparo foi feito pelo próprio diretor. Em troca, ele mostra um pouco da cultura deles na telona, como a banda do congo, tradição da região.

Aos interessados em “embarcar nessa onda”, o filme será exibido no Cinépolis São Gonçalo. Aqui no Rio de Janeiro, pois também haverá apresentação em outras cidades, como São Paulo, Vitória e Santos.


Trailer:

“Comédia Futebol Clube” – Eu fui!

Paixão dos brasileiros, o futebol foi o tema do Ciclo de Leituras Dramatizadas neste mês de junho, no Sesc Casa da Gávea.

O tema é bem atual e apropriado para a fase em que estamos vivendo, mas o evento acontece já há 22 anos, sempre às segundas-feiras. Estivemos lá ontem para conferir o último da série “Futebol e teatro, o jogo”, que contou com a presença do grupo paulistano de teatro Maria Bonita. Os quatro atores apresentaram “Comédia Futebol Clube”, escrito por Carla Araújo, que também integra o elenco.

Foto: Apetecer.com

Foto: apetecer.com

Composto pelos atores Carla Araújo, Diego Rodda, Juliano Dip e Natália Albuk, o grupo Maria Bonita mostra muita cumplicidade em cena. A espontaneidade deles chama a atenção, pois brincam uns com os outros – inclusive zombando das características físicas dos colegas – todo o tempo. Parecem quatro amigos em uma mesa de bar discutindo futebol. Eles se revezam nas leituras e interpretam vários personagens. Leem os textos e simulam as situações, os cenários e, assim, brincam de “faz de conta” com a plateia.

Depois da leitura, eles ficaram para bater um papo com o público, e continuaram divertindo. A autora, Carla Araújo, aproveitou também para explicar a concepção do texto. “Comecei em 2010 a trabalhar como atriz na companhia Maria Bonita, mas queria fazer uma coisa minha. Daí, o Brasil foi escolhido para ser a sede da Copa do Mundo e comecei a procurar algumas referências. Passei a escrever a partir de coisas que eu tinha vivido. E comecei a enviar para algumas pessoas pois, como não sou especialista no assunto, não quis escrever nenhuma besteira. E eles falaram, ‘Nossa, que legal!’. Criei coragem, mandei o texto para o Anselmo (Vasconcellos, diretor), ele adorou e pensei, ‘pronto: agora está perfeito!’”.

Anselmo Vasconcellos, diretor de "Comédia Futebol Clube"

Anselmo Vasconcellos, diretor de “Comédia Futebol Clube”

Coordenando o projeto há 2 dos 22 anos de existência do Ciclo de Leituras do Sesc, a atriz e diretora teatral Márcia do Valle celebra o evento. “É um encontro para apreciadores de teatro, principalmente. Agora é bacana porque esse público está se renovando. Com a divulgação, os mais jovens também estão vindo”, diz.

Márcia do Valle, coordenadora do projeto

Márcia do Valle, coordenadora do projeto

Márcia do Valle também falou a respeito da particularidade de um ciclo de leituras. “É muito bacana, não só para o público, como para quem faz. Porque é completamente diferente você estar em cena com uma peça montada e você ler um texto de teatro. Parece uma coisa simples, mas não é. Não são todos que fazem uma boa leitura. E aí essa empatia entre os atores, embora seja leitura, esse jogo no palco que ganha a plateia. Além de trabalhar nossa imaginação”, acrescenta.

Importante frisar que os Ciclos de Leituras, assim como o Sarau são gratuitos.

O Sesc Casa da Gávea fica na Praça Santos Dumont, 116, na Gávea.


 

Este slideshow necessita de JavaScript.


“La Bayadère”, no Theatro Municipal

Nota do Palco: Assistimos e recomendamos! Clique e confira. =)

Considerado o pai do ballet clássico, o coreógrafo Marius Petipa assinou em 1877 La Bayadère, um dos maiores ballets de repertório, com música de Ludwig Minkus. A Fundação Teatro Municipal, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura (SEC), apresenta nova montagem desta obra com coreografia do argentino-chileno Luis Ortigoza – com base na criação original de Petipa – a partir de 1º de junho, dando prosseguimento à programação artística sob a responsabilidade do Maestro Isaac Karabtchevsky. Nos papéis principais deste ballet que terá 14 récitas até 6 de julho, se revezam Márcia Jaqueline, Renata Tubarão, Cícero Gomes, Filipe Moreira e Moacir Emanoel, do Ballet do Theatro Municipal, sob a direção artística de Sérgio Lobato. Os maestros Javier Logioia Orbe e Tobias Volkmann dividem a regência da OSTM ao longo da temporada de La Bayadère, apresentado no palco do Theatro pela última vez no ano 2000. Depois de se despedir, em 2012, dos grandes ballets de repertório, a primeira bailarina Ana Botafogo estreia como ensaiadora para transmitir sua excelência técnica e experiência aos intérpretes dos personagens centrais deste espetáculo. Os cenários e figurinos, que vieram do Teatro Municipal de Santiago do Chile, foram elaborados por Pablo Núñez.

“Preparamos uma bela temporada para esta obra fundamental do ballet clássico, que nos conduz a um exótico passeio pela Índia e conta a história de um amor impossível entre uma dançarina de um templo hindu e um nobre guerreiro. É um espetáculo poético sobre as fragilidades humanas com uma linda música de Minkus”, destaca Carla Camurati, Presidente da Fundação TMRJ.

Dividido em dois atos e cinco cenas, com libreto de Marius Petipa e Sergei Khudekov, La Bayadère teve estreia mundial no Teatro Bolshoi Kamenny de São Petersburgo, na Rússia. A história de amor eterno, mistério, destino, vingança e justiça é ambientada na Índia Real do passado e relata o drama de uma bailarina do templo – Nikiya, que está apaixonada pelo guerreiro Solor e é por ele correspondida. Nikiya também é amada pelo Grande Brâhmane, Sacerdote do Templo, mas ela não o ama como a Solor. Os jovens apaixonados planejam fugir juntos e juram fidelidade diante do fogo sagrado. No entanto Solor esquece seu juramento quando o Rajá, satisfeito com o presente que recebeu de Solor, lhe oferece a mão de sua filha Gamzatti em casamento. Considerado uma das obras-primas coreográficas de Petipa, o ballet La Bayadère integra o repertório de importantes companhias, sendo muitas vezes encenado somente o Ato do ‘Reino das Sombras’.

Produção típica do fim do século XIX, La Bayadère foi concebido com um exótico e exuberante cenário de época, figurinos suntuosos e roteiro melodramático. Tudo era um pretexto ideal para danças dramáticas e cenas de mímica. Desde 1860 até meados dos anos 1880, Petipa compôs o ballet romântico dotando-o de um melodrama envolvendo o amor entre três personagens, onde mulheres sobrenaturais encarnavam o ideal feminino da época. A versão original tinha três atos e uma apoteose final que mostrava a Índia com os conflitos clássicos do ballet romântico que misturam amor, ciúme, intriga, assassinato e vingança.

Embora seja considerado um clássico na Rússia, La Bayadère – ou o amor frustrado do guerreiro Solor e da dançarina Nikiya – permaneceu desconhecido no Ocidente durante quase todo o século XX, por conta da deterioração das relações políticas e culturais entre seus países e a União Soviética. O público parisiense e londrino conheceu apenas um trecho (o Ato do ‘Reino das Sombras’) em 1961, durante a turnê ao ocidente do Ballet Kirov. A primeira produção desta cena no ocidente foi montada no Brasil por Eugenia Feodorova no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Estreou em 1961 com Bertha Rosanova como Nikiya e Aldo Lotufo como Solor, sendo remontada mais tarde em 1990. A coreografia de ‘Reino das Sombras’ de Makarova foi apresentada no Theatro Municipal em 1986 e a versão completa foi montada no ano de 2000 e dirigida especialmente para o BTM.

Diretor do Ballet do Theatro Municipal, Sergio Lobato comenta: “La Bayadère é um marco na história do Ballet. Desde sua estreia em 1877, firmou-se como um forte desafio artístico e técnico para as grandes companhias de dança. O imaginário místico do oriente, o estilo romântico e a exigência clássica acadêmica, fazem deste espetáculo o mais difícil dos mais ilustres clássicos de repertório”.

Sucesso desde sua estreia, no ano passado, o projeto Falando de Ballet terá mais uma edição nesta temporada. Serão palestras gratuitas com uma hora de duração sobre o espetáculo a ser apresentado, com início uma hora e meia antes do começo da sessão, no Salão Assyrio. O palestrante será Paulo Melgaço, professor da Escola de Dança, Artes e Técnicas do Theatro Municipal Maria Olenewa, que falará sobre as coreografias, abordando também detalhes desta montagem.


Sinopse

I Ato

Cena I
Diante do Templo, ante o Fogo Sagrado

O líder dos faquires, Magdayeva, vigia o Fogo Sagrado do Templo esperando que se inicie o Ritual. Os guerreiros se preparam para a grande caça. Chega Solor e pede que o deixem a sós para orar ante o Fogo Sagrado do Templo. Uma vez que os guerreiros partem, Solor pede a Magdayeva que arranje um encontro com Nikiya, a bela dançarina do templo. O Grande Brâhmane, os sacerdotes e as dançarinas chegam para começar o Ritual do Fogo Sagrado. Entre eles encontra-se Nikiya, eleita para alcançar o posto de Grande Dançarina.  O Grande Brâhmane, fascinado por ela, declara- lhe seu amor, mas Nikiya rechaça-o, enfrenta-o e diz que ele é homem de Deus. Uma vez finalizado o Ritual e antes de entrar no Templo, Magdayeva conta a Nikiya sobre os desejos de Solor de estar com ela.  O Grande Brâhmane, percebendo o diálogo, começa com suas suspeitas. Solor e Nikiya encontram-se e manifestam seu amor. Solor jura amor eterno ante o Fogo Sagrado. O Grande Brâhmane os espreita e, furioso em sua ambição, invoca os Deuses do Templo para aniquilar Solor.

 

Cena II
No Palácio do Rajá

Os guerreiros são convidados ao palácio para homenagear Solor. O Rajá anuncia que, em recompensa por seu valor de Nobre Guerreiro, lhe entregará a mão de sua filha, a Princesa Gamzatti. Perturbado com a situação, Solor aceita, sabendo que não poderia recusar. O Grande Brâhmane se apresenta, pede para ficar a sós com o Rajá e conta-lhe as intenções de Solor e Nikiya. O Rajá decide, então, destruir Nikiya. Ao escutar o diálogo, Gamzatti manda chamar Nikiya para persuadi-la a deixar Solor.  Nikiya não aceita tal situação e diz que irá até as últimas consequências. Gamzatti jura vingar-se.

 

Cena III
Compromisso de Gamzatti e Solor

Em um grande desfile, os convidados chegam para a cerimônia. Logo que o Rajá, sua filha Gamzatti e Solor se apresentam, iniciam-se as celebrações. Finalmente, entra o Grande Brâhmane, que resolve trazer Nikiya para que ela dance nos festejos. Ao ver Gamzatti e Solor juntos, Nikiya se sente morrer em vida e decide ir embora. Neste instante, porém, o Rajá ordena que lhe ofereçam uma cesta com flores, como se fosse Solor que a tivesse enviado. Nikiya, com a esperança de recobrar o amor de Solor, aceita o presente e decide dançar para eles. No meio da dança, ao aspirar o perfume das flores, é mordida por uma serpente. Nikiya então se dá conta de que foi tudo combinado por Gamzatti e seu pai. Impactado pela situação, Solor vê seu verdadeiro amor desvanecer-se. O Grande Brâhmane, observando o que se sucede, oferece a Nikiya um antídoto para salvá-la. No entanto, ao avistar Solor junto a Gamzatti, ela prefere morrer.


II Ato

Cena IV
Tenda de Solor

Desesperado pela morte de Nikiya, Solor se abandona aos delírios do ópio que lhe prepara Magdayeva, para acalmar sua dor. Em sua alucinação, vislumbra Nikiya no Reino das Sombras, com sua imagem multiplicada pelos espectros das dançarinas. Ao despertar, Solor se dá conta de que foi tudo um sonho e que agora deverá casar-se com Gamzatti.

Cena V
No Templo

O Grande Brâhmane e os sacerdotes preparam o ritual do casamento de Gamzatti e Solor e invocam o Ídolo de Ouro. Os noivos fazem sua entrada e o Grande Brâhmane começa a cerimônia. Durante o ritual, Solor é perturbado pela visão de Nikiya, que lhe recorda seu juramento de amor eterno junto ao Fogo Sagrado do Templo. Como parte do ritual, entregam flores a Gamzzatti, e ela as recusa, recordando o que fez com Nikiya.  Solor percebe que quem planejou a morte de sua amada foi Gamzatti com a ajuda de seu pai e, desesperado, tenta seguir Nikiya. O Rajá e Gamzatti, sem entender o comportamento estranho de Solor, decidem apressar as bodas. Solor, resignado, enfrenta a situação, mas não pode esquecer seu verdadeiro amor. Quando o Grande Brâhmane pronuncia os ritos sagrados, os Deuses se enfurecem, destroem o Templo e todos morrem.  As almas de Nikiya e Solor finalmente se unem no Reino das Sombras.


Serviço:

LA BAYADÈRE
BALLET E ORQUESTRA SINFÔNICA DO THEATRO MUNICIPAL
Música: Ludwig Minkus
Arranjos e orquestração: Albena Dobreva
Libreto: Marius Petipa e Sergei Khudekov
Coreografia: Marius Petipa por Luis Ortigoza
Cenografia e Figurinos: Pablo Núñez
Iluminação: José Luis Fiorruccio
Coreólogo: Pablo Aharonian
Regência: Javier Logioia Orbe e Tobias Volkmann
Diretor Artístico BTM: Sérgio Lobato
Dias 1º e 8 e 29 de junho, às 17h
Dias 2, 3, 5, 7, 26 e 27 de junho, às 20h
Solistas dos papeis centrais:
Márcia Jaqueline (Nikiya) / Moacir Emanoel (Solor) – Dias 1º e 3
Renata Tubarão (Nikiya) / Filipe Moreira (Solor) – Dias 2, 8, 27 e 29
Márcia Jaqueline (Nikiya) / Cícero Gomes (Solor) – Dias 5, 7 e 26
Dias 1º, 2, 3 e 5 de julho, às 20h
Dia 6 de julho, às 17h
Solistas dos papeis centrais:
Márcia Jaqueline (Nikiya) / Moacir Emanoel (Solor) – Dias 1º, 3 e 6
Renata Tubarão (Nikiya) / Cícero Gomes (Solor) – Dias 2 e 5

Preços:         
Frisas e camarotes (R$ 504,00)
Plateia e balcão nobre (R$ 84,00)
Balcão superior (R$ 60,00)
Galeria (R$ 25,00)

Desconto de 50% para estudantes e idosos
Classificação etária: Livre
Duração: 150 minutos, com intervalo

Palestra Falando de Ballet
Apresentação: Paulo Melgaço
Salão Assyrio / Avenida Rio Branco, s/nº – Centro
Entrada Franca, mediante a apresentação do ingresso (todos os dias da temporada, com início sempre 1h30 antes do espetáculo) Duração: 60 minutos
Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Floriano s/n° – Centro
Informações: (21) 2332-9191
Vendas na Bilheteria, no site da Ingresso.com ou por telefone 21 4003-2330

“Maratona” na Sede das Cias – Eu fui!

Imagine passar 42 dias dançando, apenas com alguns intervalos de 10 minutos? O que pode parecer um sonho para alguns, é a “realidade” de 8 participantes de uma ininterrupta competição de dança. Este é o enredo de “Maratona”, espetáculo em cartaz até o dia 30 de junho na Sede das Cias.

Foto: Apetecer.com

Escadaria Selarón, como parte do processo da maratona – Foto: apetecer.com

Confesso que fiquei apreensiva com o que poderia encontrar na peça pois, pelo título, pensei na possibilidade de ser algo interativo (coisa que a-do-go rs). E o início – com uma cena externa, utilizando a bela Escadaria Selarón como locação – serviu para deixar essa ideia um pouco mais forte em minha mente rs. Mas não! Depois de uma primeira prova em que os participantes sobem e descem os 215 degraus, Juan Montoya e Mara – os apresentadores da competição – conduziram-nos para o interior do teatro e de lá pudemos conferir o restante da saga dos incansáveis dançarinos.

“Maratona” possui livre inspiração no livro “Mas não se mata cavalo?”, de Horace McCoy, e retrata uma maratona de dança após a crise de 29, em que muitos se inscreviam na competição para não passar fome. Nesta adaptação carioca, a fome dos participantes é de vitória. Por vezes, vê-se que a disputa é apenas pelo prazer de vencer, pois o prêmio não é o principal atrativo. São apenas pequenos prazeres, coisas que, para quem fica em tamanha prova de resistência, têm muito valor.

Foto: Apetecer.com

Juan Montoya e Mara – Foto: apetecer.com

Isso tudo é instigado por Juan Montoya e Mara. Ele, uma mistura de vários animadores de plateia que conhecemos. E essas referências vão de João Kleber a Silvio Santos, só que alguns tons acima (imagine rs). Ela, mostra-se bajuladora e deslumbrada com o talento de Montoya. Por vezes submissa. Por outras, parece que quer roubar seu lugar na primeira oportunidade. Ambos muito cruéis com os participantes, e intencionalmente canastrões rs. Os personagens, que fique bem claro. Porque os atores são ótimos.

E assim conduzem o espetáculo – ou a maratona, como preferirem – incentivando a competitividade entre os concorrentes. O discurso do fracasso também é muito recorrente. Montoya, sempre apoiado por Mara, utiliza-se deste discurso para mostrar aos competidores como seriam, caso desistam. Discurso este que já vi em alguns processos seletivos por aí rs.

A competição não teria tanta graça sem as músicas que a embalam. A eclética trilha sonora é composta por clássicos de festas, como “O meu sangue ferve por você”, “Cidade maravilhosa”, “Kung fu fighting” e “Hero”.

Foto: Apetecer.com

Um dos casais de competidores – Foto: apetecer.com

Ver “Maratona” é uma maratona também para quem assiste. Não só pelas duas – ou quase isso – horas de espetáculo, como também pelo fato de o esforço dos participantes ser muito bem expresso pelos atores que os representam. Eu, pelo menos, consegui me imaginar na pele deles em alguns momentos.

Nem preciso dizer que indico a peça. Mas, como é maratona, é bom correr (jurei para mim que não faria essa piada infame), pois a temporada já está acabando.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelos convites.

 

Temporada: Até 30 de junho

Horário: 20h

Ingresso: R$20 (inteira) / R$10 (meia)

Lotação: 60 lugares

Duração: 90 minutos

Classificação: Livre

Gênero: Comédia dramática

Local: Sede das Cias (Rua Manuel Carneiro, 12, Escadaria Selarón- Lapa)

Informações: (21) 2137-1271

Ficha Técnica

Direção: Diego de Angeli e Gabriela Carneiro da Cunha

Dramaturgia: Diego de Angeli, Gabriela Carneiro da Cunha, Julia Ariani, Lisa Dias Borges, em colaboração com o elenco.

Elenco: Daniel Kristensen, Diana Beherens, Gabriel Salabert, Gabriela Carneiro da Cunha, Izadora Mosso Schettert, João Marcelo Iglesias, Nara Parolini, Pedro Florim, Ramon de Angeli, Thiago Ristow.

Direção de Movimento: Maíra Maneschy

Preparação Corporal: Diana Behrens e Ramon de Angeli

Oficina de Dança de Salão: Antonio Alberto Junior

Iluminação: João Gioia e Wagner Azevedo

Cenário: Joana Passi

Figurino: Tarsila Takahashi

Consultoria de Visagismo: Diego Nardes

Pesquisa Musical: Letto

Operação de Luz: Pablo Cardoso

Programação Visual: Thiago Ristow

Registros do Processo: Clayton Leite, Sonia Basch e Tomás Fage

Produção Executiva: Pangeia cia.deteatro

Direção de Produção: Gabriel Salabert

Realização: Pangeia cia.deteatro, Outra Cia. e Teatro Catapulta

 

Melhor peça de 2014

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/29/deixa-clarear-musical-sobre-clara-nunes-eu-fui/


Musical “Crazy for you” – Eu fui!

Fred Astaire, Gene Kelly… Muitos nomes internacionais nos vêm em mente quando pensamos em sapateado. Mas para o deleite dos apreciadores desta dança, esteve em cartaz aqui no Rio de Janeiro “Crazy for you”, o primeiro musical da Broadway montado no Brasil, no estilo.

A protagonista Polly Baker é vivida pela atriz Cláudia Raia, experiente neste tipo de espetáculo. A ideia de produzi-lo por aqui surgiu em 1992, quando assistiu à montagem original na Broadway. A escolha de Jarbas Homem de Mello para viver o mocinho, Bobby Child, surgiu assim que a atriz tomou conhecimento de seus dotes para cantar e dançar.  Algo inimaginável para Cláudia na época em que se encantou pelo musical.

Quem assistiu à performance de Jarbas em “Cabaret” pôde conferir a versatilidade do ator em cena. Neste musical, que Cláudia Raia também protagonizou, ele viveu MC, e rouba a cena. Em “Crazy for you”, ele repete o excelente desempenho, mas vivendo um personagem mais comum, um galã. Mesmo assim, o artista tem grandes momentos de interpretação, além de grande desenvoltura na dança.

Jarbas Homem de Mello e Cláudia Raia fazem uma boa parceria. Já havia pesquisado algumas cenas da montagem brasileira na internet, mas achei os movimentos de dança mais bem acabados no ao vivo. A atriz também mostra que está afiada com o canto. Infelizmente, não senti o mesmo envolvimento em relação ao enredo da peça. Não emociona e isto acaba fazendo da estrutura e os movimentos coreográficos o principal atrativo. Entretanto, é sempre bom ver nosso país crescendo nesse ramo dos musicais e mostrando bons resultados, tanto nos palcos, quanto de público.

Hermanos del corazón – “Coração de Leão – O amor não tem tamanho” – Eu fui!

Assim como a seleção de futebol, outros argentinos estreiam esta semana no Brasil. Entra em cartaz nesta quinta-feira, 19 de junho, o filme “Coração de Leão – O amor não tem tamanho”. O nome original é “Corazón de León”, e como o Brasil adora acrescentar algo nas traduções dos títulos (rs), a informação adicional já dá uma deixa do enredo. Trata-se de uma história de amor entre um casal, ambos divorciados. Comum? Seria, se León Godoy (Guillermo Francella) não medisse nada mais nada menos que 1,36m. A partir daí, os dois têm que lidar com os preconceitos da sociedade e de si mesmos para levar o relacionamento adiante.

O tema principal discutido no filme é a discriminação que as pessoas têm em relação ao que não é muito comum aos seus olhos. A baixa estatura de León causa estranheza por onde passa, inclusive na própria Ivana Cornejo (Julieta Díaz), quando o conhece. Também pode-se perceber os conflitos de comportamento do protagonista. De início, ele é um homem seguro de si e galanteador, parecendo bem resolvido em relação a sua estatura. No decorrer do filme, León se torna inseguro e insatisfeito com esta sua característica física.

As mudanças de comportamento são muito bem destacadas pelo bom desempenho do ator Guillermo Francella. Ele vai do charmoso e seguro León do início do filme, até o personagem um pouco melancólico em que se transforma depois. Outro quesito bem exposto no enredo é o ótimo relacionamento com o filho, vivido pelo ator Nicolas Francella. Mesmo sobrenome? Quando virem a semelhança física entre os dois perceberão que não se trata de uma coincidência.

Ainda a respeito da relação de León com seu tamanho, percebi uma outro fator que pode ser fruto de seu complexo. O personagem parece se interessar muito por aventuras que envolvam altura. Por exemplo, no primeiro encontro, ele convida Ivana para pular de paraquedas. Ao contrário da maioria das pessoas, o próprio lida bem com isso – que pode ser motivo de fobia para os outros – e se divertir.

Você deve estar pensando que acharam um ator de 1,36m para fazer o personagem. Não. Guillermo Francella tem 40cm a mais que León, e os efeitos visuais foram desenvolvidos em estúdio. No processo, foi usado foreground, Chroma Key (fundo verde) e Background. As tomadas em Chroma Key foram feitas separadamente e posteriormente inseridas nas cenas originais. As imagens tiveram o apoio de um dublê, atuando no lugar de Francella. Algumas imagens em que o personagem está sozinho achei um pouco estranhas. Mas as em que ele contracena com alguém são extremamente bem feitas.

Quanto a isso, quem explica mais é o diretor, Marcos Carnevale. “Faz 15 anos que eu quero fazer esse filme, mas não existia tecnologia no país para fazê-lo. É um filme que te permite rir e se emocionar também. Essa história sugere um espelho para nos olharmos e percebermos que temos algo de preconceituoso”, afirma.

“Coração de Leão – O amor não tem tamanho” é uma alternativa para quem deseja se desvencilhar do circuito mais comercial. Apesar desta história ter sido vista, na Argentina, por mais de 1 milhão de pessoas em menos de três semanas, os filmes deste país não são muito comentados pela maioria das pessoas por aqui. E a história é sobre como amar o diferente. E, por isso, por que não passar a saber mais – caso ainda não conheça – sobre a obra cinematográfica de nossos hermanos?

 

Ficha Técnica

Título em português: Coração de Leão – O amor não tem tamanho
Título original: Corazón de León
Gênero: Comédia romântica
País: Argentina/Brasil
Duração: 100 minutos
Ano: 2013
Cor: Colorido
Cópias: 2D
Direção: Marcos Carnevale
Assistente de direção: Emiliano Torres
Roteiro: Marcos Carnevale
Ideia original: Marcos Carnevale e Betiana Blum
Direção de fotografia: Horacio Maira e Juarez Pavelak
Direção de arte: Mariana Sourrouillie
Direção de efeitos visuais: Juan Pablo Pires (NOMAD VFX)
Supervisão de efeitos visuais: Leandro Visconti
Trilha original: Emilio Kauderer
Direção de som: José Luiz Díaz
Montagem: Ariel Frajnd
Figurino: Julio Suàrez
Produtores: Mario José Paz, Mauricio Brunetti, Fernando Sokolowicz
Produção executiva: Marcelo Guerra e Victoria Aizenstat
Produzido por: Sinema, Aleph Media, Telefe, Argentina Sono Film, Patagonik
Coprodução: Unfinished Business de Brasil
Com apoio financeiro do INCAA e ANCINE
Distribuição: H2O Films
Elenco: Guillermo Francella – León
Julieta Díaz – Ivana
Nora Cárpena – Adriana
Jorgelina Aruzzi – Corina
Mauricio Dayub – Diego
Nicolás Francella – Toto
Maria Nela Sinisterra – Glenda
Classificação indicativa: 12 anos
Data de lançamento: 19 de Junho

Sinopse curta: Uma advogada de sucesso, recém-divorciada, conhece um arquiteto de renome, charmoso, mas muito baixo. A partir daí, ela precisa superar seus próprios preconceitos e os de uma sociedade implacável.

Sinopse longa: Ivana Cornejo (Julieta Díaz) é uma advogada bem-sucedida. Ela está divorciada há três anos, mas compartilha o escritório com seu ex-marido, que também é advogado e sócio. Depois de perder seu telefone celular, Ivana recebe um telefonema da pessoa que o encontrou. É León Godoy (Guillermo Francella), um importante arquiteto de personalidade forte. Ele é muito atraente, charmoso, carismático, também divorciado. Eles se sentem muito atraídos um pelo outro durante a conversa telefônica e concordam em se encontrar no dia seguinte para que ele possa devolver o celular. Mas, quando ele chega, ela fica em choque: ele tem cerca de 1,36 metro de altura. A partir desse momento, Ivana tenta superar o preconceito da sociedade e seus próprios medos para viver momentos que são definitivamente os melhores que ela já teve.

Trailer:

 

“Coração de Leão – O amor não tem tamanho” será exibido na Estação Rio, Estação Ipanema, Estação Barra Point, UCI New York City Center e Cinemark Downton.

 

P.S.: Agradeço à RPM Comunicação pelo convite.

Calada noite Black Rio – Eu fui!

No último sábado, 14 de junho, a Maria Fumaça da Black Rio fez uma parada no Imperator para apresentar seu som. Com um repertório que mistura jazz, funk, samba e outros estilos, o grupo – que existe desde os anos 1970 – está constantemente se reinventando. O repertório conta com canções cantadas e instrumentais, autorais e covers. Enfim, todos os componentes para animar uma noite tipicamente carioca. Afinal, a banda leva o Rio até em seu nome.

Vocalista Marquinho OSócio Foto: apetecer.com

Vocalista Marquinho OSócio Foto: apetecer.com

“Estou há 8 anos na Black Rio, e muito feliz. O grupo me ensinou muita coisa. Costumo dizer que foi minha escola e minha faculdade. Pena que não tenha o reconhecimento que mereça no país. Muitos artistas de fora se dizem influenciados pela Black Rio”, conta Marquinho OSócio, vocalista da banda.

A tradicional Black Rio tem bastante experiência em comandar a noite. Não se sabe, por vezes, se quem se diverte mais é o público ou os integrantes. Eles cantam, dançam, conversam com os espectadores, muitos deles amigos da banda. Tudo isso em incansáveis duas horas de show.

E é ele quem faz as vezes de mestre de cerimônias. Com seu estilo soul, Marquinho brinca com as notas, tanto nas canções autorais da Black Rio, quanto nos covers. Esses foram compostos por grandes clássicos como “Mas que nada” (Jorge Benjor), “Que pena” (Jorge Benjor), “Bom senso” (Tim Maia), “Sossego” (Tim Maia), entre outros. Mas o ponto alto foi com uma música da própria banda, “Maria fumaça” (Oberdan Magalhães e Luiz Carlos Batera). Segundo William Magalhães – filho de Oberdan Magalhães, um dos fundadores da Black Rio – é o hino da banda, tema da novela “Locomotivas”, de 1977.

Marquinho e William Magalhães, ou os Reis do Passinho Foto: apetecer.com

Marquinho e William Magalhães, ou os Reis do Passinho
Foto: apetecer.com

A Black Rio se apresentou este fim de semana no Imperator. Agora, darão um tempo, por causa da Copa do Mundo. Mas parece que vêm novidades em breve por aí. E, pelo que foi apresentado no show, parece que a Maria Fumaça ainda tem muito trajeto a percorrer.

Número 3 no nosso Top 5 de melhores shows de 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/21/top-5-eu-fui-shows/

Este slideshow necessita de JavaScript.

P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites.

“Judas em Sábado de Aleluia” – Eu Fui!

Noite de sexta-feira 13, fomos nós, o team do palcoteatrocinema.com.br, a uma viagem pelo tempo. Pegamos um trem sentido Marechal Hermes e, quando desembarcamos, percebemos algo diferente no ar. Perguntei a um circunstante onde estávamos e que dia era aquele. Fiquei estarrecido com a resposta. Não era mais 2014 e tampouco sexta 13. E também não era Marechal Hermes. Estávamos diante do Teatro São Pedro onde, em poucos minutos, se iniciaria a última apresentação da noite. Chegamos atrasados, afinal não pertencíamos àquele tempo.  O ano era 1844, quase quatro anos após o ‘Golpe da Maioridade’ que coroou Pedro II, Imperador do Brasil, tempo de incertezas… Como disse, estava atrasado para a encenação. O grupo teatral interpretaria uma comédia de Martins Pena, autor que sempre quis assistir. E uma iniciativa da Companhia Brasileira de Interpretação me possibilitou. Estava em cartaz a peça “Judas em Sábado de Aleluia”.

Trata-se de uma comédia de costume do dramaturgo Martins Pena, escrita em 1844. Patrono da Cadeira n° 29 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Artur Azevedo. Completou o curso do comércio em 1835, mas acabou cedendo à vocação e a frequentar a Academia de Belas Artes. Lá, estudou arquitetura, estatuária, desenho e música. Também estudava línguas, história, literatura e teatro. Certo. Permita-me continuar a viagem temporal ou atemporal que estava vivenciando. Ao adentrar a sala, olhei para o palco, o ano realmente era 1844. Olhei para a plateia e percebi pelas indumentárias que não era 1844, e sim 2014. Eu mesmo portava um aparelho capaz de fixar imagens, uma forma mais avançada de daguerreótipo, uma câmera digital. Nesta viagem no espaço e no tempo, minha confusão começou a se dissipar quando percebi que o palco era um portal para o século XIX. A Companhia nos fazia voltar no tempo, nos trazendo de volta um vocabulário e alguns costumes que mencionarei nos próximos parágrafos.

A encenação atual obedece ao texto original, com o palavreado utilizado na época. Inclusive, a peça retrata uma tradição quase esquecida hoje em dia, o da malhação do Judas, aos Sábados de Aleluia. Mas, mesmo se tratando de algo incomum para os dias atuais, não se pode dizer tal coisa de outros temas do enredo. Mentiras, corrupções, tramoias, jeitinho brasileiro (que não sei se é tão brasileiro assim) são hábitos aos quais estamos acostumados a lidar, tudo interpretado da maneira histriônica que consta a forma a qual o teatro de costume brasileiro realizava, desde a época de João Caetano.

O espetáculo – curtinho, apenas 60 minutos – levou aos palcos 5 atores com a difícil tarefa de interpretar com naturalidade um texto com um vocabulário um pouco diferente do que utilizamos hoje. Mas cumpriram bem o papel. Tanto na interpretação, quanto na tarefa de levar maior acesso ao patrimônio histórico-cultural com um texto do precursor da dramaturgia nacional. É um resgate e uma forma de manifestação de brasilidade ímpar, algo que o país, meio perdido e claudicante, anda carente.

Findando a encenação, fomos a rua tomar um coche que fizesse o caminho sentido São Cristóvão da Estrada Real de Santa Cruz. Demoramos um pouco para conseguir um transporte, o serviço não é muito usual num horário tão avançado. Por fim, passou uma carruagem. O cocheiro, já que passava das 21h (faltava 1/4 para as 10) cobrava bandeira dois. A corrida foi tranquila, assim como a noite de outono na capital do Império. E a bandeira dois fez-me desprender alguns mil réis a mais.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

P.S.: Agradeço à Cláudia Bueno e ao Rodolfo Serzedello pelos convites.


“Belle”, espetáculo de Deborah Colker – Eu fui!

A semana não é apenas voltada para as estreias nos esportes. Os admiradores do mundo da dança também podem se alegrar, pois começa esta sexta-feira, 13 de junho, a temporada do novo espetáculo da coreógrafa Deborah Colker. Mas a felicidade dura pouco, pois o período que “Belle” fica no Theatro Municipal é curtíssima, somente até a próxima segunda, 16. O balé não tem esse nome à toa, pois é livremente inspirado no livro “Belle de jour”, do escritor franco-argentino Joseph Kessell, de 1928. O romance também inspirou o cineasta Luis Buñuel a fazer sua versão para o cinema, em 1967, e levar Catherine Deneuve como a protagonista. Agora, é Deborah quem apresenta sua concepção da moça dos olhos azuis como a tarde, como diria a música de Alceu Valença.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

“Belle de jour” conta a história de Séverine, jovem rica e bonita, porém infeliz. Casada com um médico, parece levar uma vida perfeita, mas sente falta de algo. Com isso, procura um bordel e passa a levar uma vida dupla: trabalha como prostituta à tarde e, à noite, retoma a vida de casada.

O encantamento de Deborah com a história surgiu em 2011. Ela havia acabado de estrear seu balé anterior, “Tatyana”, quando leu o clássico de Kessell. Depois disso, resolveu fazer como no último espetáculo, ou seja, contar a mesma história do início ao fim. Com isso, também, se aprofunda mais no enredo e nos personagens.

“Essa história fala de uma mulher que tem tudo, mas falta alguma coisa. Uma mulher que vive em um mundo burguês, casada. Ela ama esse marido, está tudo certo. E aí ela tem a notícia de que uma amiga começa a frequentar um bordel. Ela fica muito perturbada com isso. Fica atormentada e ao mesmo tempo fascinada por isso. E acaba conhecendo esse bordel, frequentando e quase conseguindo encontrar um meio na vida dela de coexistir essas duas situações mas que, na verdade, a gente sabe que é impossível”, contou-nos Deborah.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

O enredo de “Belle de jour” fala da busca por algo. “Ela tinha um mundo dela, um amor. Mas não conseguia se adequar, ser feliz e completa. O que ela mais precisava, aquele mundo não podia dar. E era exatamente o outro mundo, o antagonismo disso. Não é só uma questão sexual. Ela tem uma insatisfação interna muito grande”, acrescenta.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

A história de perturbação é transmitida para os palcos através de movimentos, iluminação e figurino, segundo a concepção da coreógrafa. “Na minha história, o que é importante é que essa mulher, nessa perturbação, tende a esse chamado do instinto que está gritando dentro dela. Ela adoece, começa a perceber o corpo de uma maneira diferente. Começa a mudar o corpo, a cabeça. Começa a ter delírios, visões. E na verdade tudo isso é uma maneira que ela vai criando coragem de conhecer esse outro mundo”.

O livro de Joseph Kessel foi acusado de pornográfico. O filme de Luis Buñuel criticou a sociedade católica e burguesa. Na versão de Deborah Colker para “Belle de jour”, a coreógrafa tenta quebrar o tabu do erotismo. Tanto na pitada de ousadia no figurino, quanto na coreografia. Também há a mistura dos balés clássico com o contemporâneo. No início do espetáculo, as bailarinas dançam com sapatilhas de ponta. Depois, elas dão lugar a saltos altos e botas.

Agora, “Belle de jour” tem versão em literatura, cinema e dança. História tão versátil quanto Deborah Colker, coreógrafa que – em expressão apropriada para esta época de Copa do Mundo – joga nas 11.

 


Serviço:

Theatro Municipal do Rio de Janeiro

De 13 a 16 de junho.

Sexta, às 21h.

Sábado, às 17h e 21h.

Domingo, às 17h.

Segunda, às 21h.

Ingressos de R$ 20 a R$ 100.

P.S.: Agradeço à Factoria Comunicação pelos convites.


Este slideshow necessita de JavaScript.


Framboesa açucarada: “Amor Sem Fim” – Eu fui!

Todos os anos, no Dia dos Namorados, filmes românticos estreiam para celebrar a data. Agora, em 2014, é a vez de “Amor Sem Fim”, remake do filme homônimo do diretor Franco Zeffirelli, de 1981. O clássico levou às telas Martin Hewitt e Brooke Shields (lindinha, aos 15 anos) como o casal protagonista. Nesta versão, Gabriella Wilde e Alex Pettyfer vivem os personagens Jade e David. A história também é baseada no livro de Scott Spencer, com o mesmo nome.

Falando da sinopse, “‘Amor sem Fim’ conta a história de Jade Butterfield e David Elliot, uma menina privilegiada e um menino carismático que, contra a vontade dos pais, vivem um intenso caso de amor. Embora separados por fronteiras de classe, a força que os une é inegável e inevitável”. Agora vamos aos meus pareceres.

Logo ao começar, deparo-me com aquela clássica cena de início de romance: a menina vai pegar algo que caiu no chão, o menino tem a mesma ideia, e os dois acabam se tocando, se olhando, e se apaixonando. A partir daí, já pude ter uma ideia do que viria. E não me surpreendi. O filme é uma sucessão de clichês. O menino pobre que se apaixona pela menina rica, o pai que não aprova e faz tudo para separá-los e, mesmo assim, o casal luta para ficar juntos.

Como ainda não havia assistido ao filme que deu origem ao remake, procurei o primeiro para tentar compará-los. Até então, pensava que, se o de 2014 era super manjado, imagine o de 1981? Só que desta vez me surpreendi. A primeira versão conta histórias de conflitos familiares muito mais intensos e, além dos nomes dos personagens, apenas algumas cenas têm a ver com o filme que estreia esta semana, só que sob circunstâncias diferentes. E ainda tem uma dose a mais de romance com a canção “Endless love”, de Lionel Richie, fato que não se repete no novo filme.

Pamela Abdy, uma das produtoras, explica a nova versão. “Quando Scott (Stuber, outro produtor) e eu conversamos sobre transformar ‘Amor sem Fim’ em um filme, pensamos que seria uma boa ideia convidar Josh Schwartz e Stephanie Savage, que são o rei e a rainha do gênero adolescente. Eles criaram um portfólio maravilhoso, inteligente, que fala para essa geração: “The OC”, “Gossip Girl” e “The Carrie Diaries”. A partir daí, o processo de desenvolvimento começou e nós trabalhamos para fazer o melhor, a versão mais contemporânea de uma história adolescente de primeiro amor”. Não entendo quase nada de séries americanas (rs). Então, não posso fazer a comparação por este aspecto. Mas parece que o resultado de atingir o público adolescente será alcançado.

Em suma, a nova versão é muita mais leve, haja vista que a antiga é bem densa. Traçando um paralelo objetivo entre os dois, se prefere um enredo profundo de conflitos, assista ao primeiro. Agora, se quer levar o namorado(a) para ver um filme de amor, escolha o segundo. Ou assista aos dois e faça você mesmo sua comparação.

 

FICHA TÉCNICA:
Título em Português: Amor sem Fim
Título Original: Endless Love
Gênero: Romance
País: EUA
Duração: 104 minutos
Ano: 2014
Direção: Shana Feste
Escrito por: Shana Feste e Joshua Safran
Produção: Scott Stuber, Pamela Abdy, Josh Schwartz, Stephanie Savage
Elenco: Alex Pettyfer, Gabriella Wilde, Bruce Greenwood, Joely Richardson, Robert Patrick
Data de Lançamento: 12 de junho
TRAILER:

 

Em cartaz em:

– Cinepolis Lagoon sl. 3
– UCI Kinoplex Norte Shop. sl. 10
– UCI New York City Center sl. 9
– Cinemark Downtown sl. 1
– Cinemark Village Mall sl. 4
– Cinesystem Recreio Shopping sl. 2
– Cinesystem Via Brasil sl. 2

 

P.S.: Agradeço à RPM Comunicação pelo convite.

 

“Qualquer gato vira-lata…” – Eu fui!

Clássico da comédia teatral carioca, reestreou no Teatro Vanucci, na última quinta-feira,  a peça “Qualquer gato vira-lata tem uma vida sexual mais sadia que a nossa”. O nome é longo, mas a temporada é curta. Fica até o dia 27 de julho. Como não sou de perder tempo, quis logo aproveitar para assistir e entender o motivo pelo qual “o gato está miando há 14 anos”, como diz Bibi Ferreira, diretora da peça.

Foto: Apetecer.com

Foto: Apetecer.com

Com texto de Juca de Oliveira, a peça retrata a vida de três jovens que vivem as dificuldades de uma experiência amorosa. Decepcionada após romper com seu quase namorado, Tati (vivida por Monique Alfradique) se refugia no auditório da faculdade para chorar, sem se dar conta de que está no meio da palestra de um professor de Biologia sobre o evolucionismo de Darwin. Para o espanto da moça, o jovem cientista elucida o porquê das desventuras amorosas das pessoas e afirma que as leis da natureza estão sendo infringidas. Extasiada com a revelação, Tati convence o professor de que ela é sua tese e recorre a sua ajuda na reconquista de Marcelo (Marcos Nauer). Relutante a princípio, Conrado (Victor Frade) aceita a proposta e passa a analisar os erros que ela comete e sugere soluções.

Para dar mais detalhes sobre os personagens, Tati é uma garota independente profissional e financeiramente, mas insegura em relacionamentos amorosos. Com isso, acaba dando um valor exagerado a Marcelo, que se aproveita disso e faz o que bem entende com ela. O rapaz é imaturo e sem muitas perspectivas de vida. O oposto de Conrado, que é professor da faculdade onde Tati estuda e passa a ser seu mentor sentimental.

Foto: Apetecer.com

Foto: Apetecer.com

O filme baseado nesta peça foi lançado em 2011, com o título reduzido para “Qualquer Gato Vira-Lata”. O elenco era composto por Cleo Pires, Dudu Azevedo e Malvino Salvador. Para quem, como eu, assistiu às duas versões, não pode deixar de compará-las. Em relação às locações, por exemplo, lógico que no cinema a ambientação é muito mais evidente (boate, faculdade, rua…), mas o ao vivo ofereceu boas soluções. O quarto de Tati, o bar e a boate tinham cenografia apropriada, que se transformava conforme a necessidade. Quando o lugar a ser reproduzido era mais ousado (a rua, a faculdade), paineis davam a ideia do ambiente.

Foto: Apetecer. com

Foto: Apetecer. com

A integrante do elenco mais conhecida do grande público é Monique Alfradique. A atriz já tinha dado algumas demonstrações de veia cômica na TV, mas nesta peça o espaço é maior para criar e brincar. Acompanhada pelo bom ator Victor Frade, os dois formam uma boa parceria. Meu destaque vai para a cena do jantar, em que Tati tenta reconquistar Marcelo e Conrado (Frade) serve de garçom e também de consultor, falando para ela o que deve ou não fazer, como se fosse seu subconsciente lembrando as falas do professor.

Sabe aquela tua amiga com “dedo-podre” para escolher namorados? Então! Leve-a para assistir a “Qualquer gato vira-lata…”. Ela vai se divertir, se identificar com Tati e suas histórias e até, quem sabe, aprender com elas. A peça vai cumprir o papel de divertir e também pode exercer um papel didático (rs). Brincadeiras à parte, penso que o fato do espetáculo existir há tanto tempo deva ser exatamente este: o público se identifica ou conhece alguém que se pareça com seus personagens.

P.S.: Agradeço à Minas Ideias pelos convites.


FICHA TÉCNICA:
Texto: Juca de Oliveira
Direção: Bibi Ferreira
Elenco: Monique Alfradique (Tati), Victor Frade (Conrado) e Marcos Nauer (Marcelo).

SERVIÇO:
Temporada: Até 28 de setembro de 2014
Horário:  Quinta, sexta e sábado às 21h:30m e domingo às 20h:30m
Local: Teatro Vannucci – Shopping da Gávea – Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea
Bilheteria: (21) 2274-7246. Horário de funcionamento: Terça a domingo de 14h às 20h.
Preço: R$ 80,00 (inteira) – Quintas, sextas e domingos
R$ 90,00 (inteira) – Sábados
Classificação: 14 anos


“Se eu Fosse Você, o musical” – Eu Fui!

Apesar de já ter assistido a vários musicais, nunca havia visto um que fosse oriundo de um filme (pelo menos não que me lembre). A expectativa era a de ver um espetáculo sem grandes novidades, mesmo não me lembrando muito do filme, lançado em 2006. A comédia musical “Se eu Fosse Você, o musical” junta as tramas dos dois filmes “Se eu Fosse Você” e costura a história com o repertório da cantora e compositora Rita Lee.

A primeira vez que ouvi falar sobre a escolha das canções da artista para musicarem o espetáculo, tentei entender o motivo. Logo após, lembrei de títulos como “Todas as mulheres do mundo”, “Cor de rosa choque” (Rita Lee e Roberto de Carvalho) e “Miss Brasil 2000” (de Rita Lee e Lee Marcuci), e percebi que o repertório de Rita Lee tinha grande identificação com o público feminino. Talvez essa possa ser a razão de sua escolha.

Para quem não sabe, ou não lembra, o enredo é sobre Cláudio, publicitário bem sucedido e dono de sua própria agência, e Helena, professora de música. Os dois são casados há anos e acostumados com rotineiras discussões, sendo o excesso de trabalho de Cláudio o maior motivo delas. Um dia eles têm uma briga maior do que o normal, que faz com que algo inexplicável aconteça: eles trocam de corpos. Apavorados, Cláudio e Helena tentam aparentar normalidade até que consigam reverter a situação. Porém. para tanto eles terão que assumir por completo a vida do outro.

Confesso que, no início da peça, não me animei muito. Achei as piadas previsíveis e, talvez por isso, sem muita graça. A troca de corpos do casal protagonista, Helena e Cláudio, demora muito a acontecer. Lembro de ter olhado no relógio e verificado já terem se passado 40 minutos, e ainda nada havia acontecido. Cheguei a pensar, “Eles não vão trocar de corpos? Será que no musical é diferente?” rs. Daí, quando finalmente a proposta principal ocorre, tudo muda de figura.

Os desempenhos de Cláudia Netto e Nelson Freitas (Helena e Cláudio, não necessariamente nesta ordem, dada a trama do espetáculo rs) diverte. As confusões em que se metem, um tentando se passar pelo outro, fazem o público dar risadas. O principal motivo das minhas eram as coisas mais sutis. Por exemplo, o figurino do machão Cláudio vai mudando, ganhando toques sutis de feminilidade. Por exemplo, uma calça rosa, um blazer dobrado com uma camisa colorida por baixo. Sem falar na reação deste, no corpo de Helena, ao saber da gravidez da filha, Bia.

O repertório do espetáculo inclui sucessos como “Ovelha Negra”, “Saúde” (parceria com Roberto de Carvalho) e “Esse tal de roque enrow” (Rita Lee e Paulo Coelho), entre outros hits indispensáveis. Não sei se a relação entre a música e a cena tinham tudo a ver mas, de qualquer forma, funciona. Ainda mais com a interpretação de parte do elenco, como Marya Bravo – com seu vozeirão -, Kacau Gomes – conquistando o público em peso -, e Bruno Sigrist – outro nome já experiente em musicais.

O elenco também diverte os espectadores no fim do espetáculo, levantando a galera com alguns outros sucessos de Rita Lee. E o público sai de lá leve, divertido e até, quem sabe, sabendo um pouco mais sobre as dores e as delícias do sexo oposto.

 

P.S.: Grata à MNiemeyer pelos convites.


 

Serviço:

5ª feira – Plateia – R$ 60,00
Balcão – R$ 30,00

6ª feira – Plateia – R$ 80,00
Balcão – R$ 40,00

Sábado – Plateia – R$ 100,00
Balcão – R$ 50,00

Domingo – Plateia – R$ 80,00
Balcão – R$ 40,00

Bilheteria:

Fone: 021 2511-0800
3af e 4af – 15h às 21h
5af a Sábado- 15h às 21h30
Domingo- 15h às 20h


Dilema entre amor e dever: La Bayadère – Eu fui!

Criei o site para falar de assuntos culturais de meu interesse: teatro, cinema, música… Mas nunca havia tido a oportunidade de escrever sobre a dança. Provavelmente, meu tema favorito em se tratando de artes. Não pude conter minha alegria ao saber da oportunidade de assistir, em primeira mão, a um espetáculo de ballet clássico no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o “La Bayadère”. Este, considerado um dos maiores ballets de repertório, foi criado em 1877 pelo coreógrafo Marius Petipa, com músicas de Ludwig Minkus, e está ganhando nova montagem do coreógrafo argentino-chileno Luis Ortigoza, executada pelo corpo de baile do Theatro este domingo, 1° de junho.

La Bayadère no Theatro Municipal - Foto: apetecer.com

Nikyia, a bailarina do templo – Foto: apetecer.com

Dividido em dois atos e cinco cenas, “La Bayadère” teve estreia mundial no Teatro Bolshoi Kamenny de São Petersburgo, na Rússia. A história de amor eterno, mistério, destino, vingança e justiça é ambientada na Índia Real do passado e relata o drama de uma bailarina do templo, Nikiya, que está apaixonada pelo guerreiro Solor e é por ele correspondida. Nikiya também é amada pelo Grande Brâhmane, Sacerdote do Templo, mas ela não o ama como a Solor. Os jovens apaixonados planejam fugir juntos e juram fidelidade diante do fogo sagrado. No entanto, Solor se vê obrigado a abandonar seu juramento quando o Rajá, satisfeito com o presente que recebeu de Solor, lhe oferece a mão de sua filha Gamzatti em casamento.

A história do “La Bayadère” com o Brasil é antiga. Em 1961, Eugenia Feodorova trouxe este ballet para cá, no mesmo Theatro Municipal onde estreia esta nova montagem. O Rio de Janeiro pôde assistir a Bertha Rosanova como Nikiya, e Aldo Lotufo como Solor. Esta montagem traz Márcia Jaqueline e Renata Tubarão se revezando como a protagonista, e Cícero Gomes, Moacir Emanoel e Filipe Moreira fazem Solor.

La Bayadère no Theatro Municipal - Foto: apetecer.com

Solor e Gamzatti – Foto: apetecer.com

“A coreografia já existe, de muito tempo. Você tem uma base coreográfica e depois o coreógrafo adapta de outra maneira: coloca mais pirueta, mais salto. Isso faz parte da versão de cada um. Luis Ortigoza (coreógrafo da montagem) levou dois anos para juntar todos os documentos da Bayadère, para estudar tudo o que existe. E depois definir sua versão”, diz Eric Frederic, ensaiador envolvido no projeto.

Não há o que falar dos solistas, com seus corpos esculpidos pela dança e movimentos perfeitos. Dentre o corpo de baile, destaco o bailarino Murilo, que faz o Ídolo de Ouro, ovacionado pelo público presente. Assistir a uma montagem de ballet no Theatro Municipal, inaugurado em 1909, é uma viagem ao tempo. E ver “La Bayadère”, te transporta para o oriente. O figurino, a cenografia, os personagens e influências de dança indiana reproduzem esta atmosfera. Tudo muito grandioso e bonito, como todo ballet deve ser.

E assim transcende a história de “La Bayadère”, como o amor de Nikiya e Solor. Um amor proibido. Amor que rompeu o ocaso de suas vidas. Amor lembrado até hoje na Índia, quando se ouvem seus beijos na chama do fogo.

 

Este slideshow necessita de JavaScript.


 

Serviço:
LA BAYADÈRE
BALLET E ORQUESTRA SINFÔNICA DO THEATRO MUNICIPAL
Música: Ludwig Minkus
Arranjos e orquestração: Albena Dobreva
Libreto: Marius Petipa e Sergei Khudekov
Coreografia: Marius Petipa por Luis Ortigoza
Cenografia e Figurinos: Pablo Núñez
Iluminação: José Luis Fiorruccio
Coreólogo: Pablo Aharonian
Regência: Javier Logioia Orbe e Tobias Volkmann
Diretor Artístico BTM: Sérgio Lobato
Dias 1º e 8 e 29 de junho, às 17h
Dias 2, 3, 5, 7, 26 e 27 de junho, às 20h
Solistas dos papeis centrais:
Márcia Jaqueline (Nikiya) / Moacir Emanoel (Solor) – Dias 1º e 3

Renata Tubarão (Nikiya) / Filipe Moreira (Solor) – Dias 2, 8, 27 e 29
Márcia Jaqueline (Nikiya) / Cícero Gomes (Solor) – Dias 5, 7 e 26
Dias 1º, 2, 3 e 5 de julho, às 20h
Dia 6 de julho, às 17h
Solistas dos papeis centrais:
Márcia Jaqueline (Nikiya) / Moacir Emanoel (Solor) – Dias 1º, 3 e 6
Renata Tubarão (Nikiya) / Cícero Gomes (Solor) – Dias 2 e 5
Preços:  
Frisas e camarotes (R$ 504,00)
Plateia e balcão nobre (R$ 84,00)
Balcão superior (R$ 60,00)
Galeria (R$ 25,00)
Desconto de 50% para estudantes e idosos
Classificação etária: Livre

 

PS.: Agradeço ao Theatro Municipal pelos convites.


Impressões de “Sobre os Mesmos” – Eu Fui!

Ao ler a sinopse e o release de “Sobre os mesmos”, me deparei com alusões à pintura. Não vou entrar no universo da micropolítica e statu quo. Vou me ater a relatar a experiência que tive ao assistir à encenação.

Primeiro o aspecto visual. Olho uma mesa, um açucareiro e me lembro de Pedro Alexandrino. Pintor conhecido pelas suas representações de objetos de metal, reconhecido como pintor de natureza-morta e, tratando-se de representações metálicas, seu volume e seu brilho.

"Sobre os mesmos" na Sede das Cias, na Escadaria Selarón - Foto: apetecer.com

“Sobre os mesmos” na Sede das Cias, na Escadaria Selarón – Foto: apetecer.com

Com a entrada das personagens em cena aliada à iluminação, trouxe-me a memória o tenebrismo de Caravaggio, não só pela utilização do jogo de luzes e um fundo escuro para realçar os detalhes, como também a disposição das personagens na mesa (A Ceia em Emaús, 1601) e a coreografia que o artista utilizava para retratar suas cenas, principalmente bíblicas (não que “a culpa cristã” esteja se apossando de minha consciência, não vou escrever sobre atitude e virtude).

"Sobre os mesmos" na Sede das Cias, na Escadaria Selarón - Foto: apetecer.com

“Sobre os mesmos” na Sede das Cias, na Escadaria Selarón – Foto: apetecer.com

Ainda falando da coreografia e aludindo a narrativa, fui levado nessa viagem a uma montagem de “O Arquiteto e o Imperador da Assíria” (1966), do espanhol Fernando Arrabál. Onde duas personagens perturbadas no aspecto existencial dialogam sobre diversos temas nem sempre diretamente conectados. Lembro-me de uma passagem em que o Imperador reclama do gosto do Arquiteto pelo tríptico “Jardim das Delícias” (1504) de Bosch. E olhar para o “Jardim das Delícias” é, para mim, como olhar para os “mesmos”, numa tentativa de compreensão diante de tantos signos e símbolos.

"Sobre os mesmos" na Sede das Cias, na Escadaria Selarón - Foto: apetecer.com

“Sobre os mesmos” na Sede das Cias, na Escadaria Selarón – Foto: apetecer.com

É como um processo sem fim de construção e desconstrução e processo sem fim me leva à figura da Ouroborus, mítica serpente que morde a própria cauda que traz a infinitude, o retorno, o ciclo. Como o cabelo, o dente, a mulher generosa, Moscou etc. Os elementos voltam, dá a sensação de retorno, de déjà vu. 

Para finalizar, ou começar, ou terminar de começar, ou começar para terminar, vou citar a canção “Desafio dos Doutores” (1982), do compositor gaúcho Teixeirinha:

“E o doutorzinho é um amor/ entendo a sua intenção
Formiga no açucareiro/ quer roer meu coração
Vai tomar umas vitaminas/ para ver se aguenta o tirão

Pra ver se aguenta o tirão/ não precisa vitamina
Tu é louquinha por mim/ eu te conheço menina
Sou forte sou carinhoso/ e entendo de medicina

Entende de medicina/ vamos por um consultório

Pra atender os nossos fãs/ queridos do auditório
Ou eu gostei do doutor/ ou acabou o repertório”

Meu repertório acabou.


SERVIÇO

Temporada: de 07 de maio a 29 de maio de 2014

*Não haverá espetáculo no dia 15/05*

Local: Sede das Cias (Rua Manuel Carneiro, 12 – Escadaria Selarón – Lapa)

Informações: (21) 2137-1271

Horário: quarta e quinta, às 20h

Ingressos: R$ 20,00 inteira / R$ 10,00 meia

Duração: 1h e 15 minutos

Gênero: tragicomédia

Capacidade: 50 lugares

Classificação etária: 12 anos

Bilheteria: abertura 1h antes do espetáculo

“O Grande Circo Místico” – Eu fui!

Sempre gostei de musicais, e fico muito feliz pelo cenário cultural estar sempre com alguma peça neste estilo, ultimamente. Costumo assistir a quase todas. Sendo assim, não pude deixar de prestigiar “O Grande Circo Místico”, que entrou em cartaz no início do mês de maio, no Theatro Net Rio. Posso dizer, a princípio, que foi das melhores (se não a melhor) que já tive a oportunidade de ver.

O público é ambientado com o universo circense até mesmo antes do terceiro sinal, quando entra um palhaço com seu acordeão, conversando com o público. Só que em outro idioma que não identifiquei. Nada que comprometa a compreensão dos espectadores, pois o artista também se comunica por meio de gestos, com um quê de Charles Chaplin. Não apenas pela interpretação gestual, como pela caracterização.

O Grande Circo Místico no Theatro Net Rio - Foto: apetecer.com

O Grande Circo Místico no Theatro Net Rio – Foto: apetecer.com

Logo mais, entram em cena os Knieps, com toda a trupe a que um circo tem direito: palhaços, trapezistas, malabaristas, equilibrista e mulher barbada. O enredo não especifica onde e quando tudo acontece. Só se sabe quem eles são e que surge uma guerra depois, levando consigo alguns de seus integrantes. Mas tudo se passa de uma forma lúdica e poética, como todo circo deve ser.

O encontro de Beatriz e Frederico - Foto: apetecer.com

O encontro de Beatriz e Frederico – Foto: apetecer.com

A poesia presente no enredo e no texto se justifica desde o início de “O Grande Circo Místico”. Digo em relação à origem da peça. Tudo surgiu a partir do poema do alagoano Jorge de Lima, “A Túnica Inconsútil”, de 1938. Já nos anos 1980, Edu Lobo foi convidado para compor a trilha sonora instrumental para o ballet “Jogos de Dança”, do Teatro Guaíra, de Curitiba. Logo após, houve um novo convite para produzir para outro espetáculo de dança. Resolveu, então, chamar Chico Buarque para fazê-lo junto. A partir daí, criaram letras e enredo de acordo com o poema de Jorge de Lima.

Apesar da história de “O Grande Circo Místico” ser antiga, é a primeira vez que o espetáculo é apresentado no formato de teatro musical. Mas parece que ele nasceu para isso. As belas e famosas músicas que o compõem já estão no imaginário de quem admira a obra de Edu e Chico. E creio que todos nós já tínhamos em nosso imaginário um homem com “tórax de superman e coração de poeta”, uma mulher com “xale no decote” e de “faces rubras e febris”, e outra moça, atriz, cujo rosto parece uma pintura. Só nos restava ver se eles condiziam com a “realidade”.

O Grande Circo Místico no Theatro Net Rio - Foto: apetecer.com

O Grande Circo Místico no Theatro Net Rio – Foto: apetecer.com

A maior parte do elenco também se aventura nas atividades circenses. De acordo com Pedro Neves, da assessoria do espetáculo, o elenco principal tinha pouca (ou nenhuma) experiência na área. “Leticia Colin (Beatriz), por exemplo, começou a treinar com tecido e trapézio em janeiro. Assim como Gabriel Stauffer (Frederico) com a cena de equilíbrio no fio e no malabarismo com as bolas. Reiner Tenente (Clown) aprendeu a andar de monociclo em pouco tempo também”.

Contorcionista impressionando o público - Foto: apetecer.com

Contorcionista impressionando o público – Foto: apetecer.com

As canções clássicas, como “Beatriz”, “A história de Lily Braun” e “A bela e a fera” – implicitamente citadas acima – estiveram presentes. Bem como “Meu namorado”, “A valsa dos clowns”, “O circo místico”, “Opereta do casamento”, “Ciranda da bailarina”, entre outras. A elas também se uniram músicas que não foram compostas especificamente para o musical, mas também pertencentes à obra de Chico Buarque e Edu Lobo.

O elenco é excelente, e eu – justo eu, que não sou muito simpática a palhaços (eheh) – me encantei por Clown, o adorável palhaço que canta, interpreta e até dá uma amostra de sapateado em determinada cena. Mas, lógico, sem deixar de lado o talento dos outros integrantes.

A Mulher Barbada - Foto: apetecer.com

A Mulher Barbada – Foto: apetecer.com

“O Grande Circo Místico” é brasilidade pura. Uma lição para quem não leva muita fé em musicais brasileiros, pois é produto 100% nacional: música, enredo, interpretação e memória (olha eu falando de memória novamente rs). Ficamos com vontade de assistir mais e mais vezes. O que consola é que parece que vai surgir o filme ainda este ano. Só nos resta esperar o que o cineasta Cacá Diegues está preparando.

 

“O Grande Circo místico está em cartaz no Theatro Net Rio

Qui e sex  21h | Sáb 21h30 | Dom 20h

Plateia e frisas: R$ 150 | Balcão: R$ 100*

* Direito à meia entrada: Menor ou igual à 21 anos; Idosos com 60 anos ou mais; Aposentados; Professor da rede pública municipal; Estudantes; Cliente Net (até 4 ingressos por sessão); Cliente O Globo (até 2 ingressos por sessão); Portador de Necessidades Especiais; Classe artística com DRT (até 1 ingresso por sessão).

Elenco:

Fernando Eiras – Administrador

Letícia Colin – Beatriz

Gabriel Staufer – Frederico

Isabel Lobo – Charlote

Ana Baird – Mulher Barbada

Reiner Tenente – Clown

Paula Flaibann – Lily Braun

Marcelo Nogueira – Banqueiro, Frederico Pai & Soldado

Felipe Habib – Amigo, Soldado da Trincheira & Enfermeiro

Renan Mattos – Dimitri & Soldado Inimigo

Thadeu Torres – Garoto, Soldado da Trincheira & Mulher do Cabaré

Leonardo Senna – General & Soldado Inimigo

Juliana Medella – Mulher da Névoa, Enfermeira & Mulher do Cabaré

Leo Abel – Oficial Inimigo, Cavalo, Velho & Soldado da Trincheira

Natasha Jascalevich – Anjo, Enfermeira & Mulher do Cabaré

Douglas Ramalho – Cavalo, Soldado da Trincheira & Soldado Inimigo

Luciana Pandolfo – Enfermeira, Mulher do Cabaré & como Beatriz (substituta eventual)

Beatriz Lucci – Substituta eventual

 

P.S.: Agradeço a Minas Ideias pelos convites.

 

Número 2 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/06/top-5-eu-fui-musical/


Contato:

Encontros de bossa nova: Rio Bossa Club – Eu fui!

Como dizia Vinicius de Moraes, “A vida é arte do encontro”. E a bossa nova é um estilo musical surgido por meio de encontros. Baseando-se nisso, a casa de shows Miranda está trazendo de volta essa cultura das reuniões que aconteciam no fim dos anos 1950, quando o ritmo brasileiro mais conhecido no mundo foi criado. Neste mês de maio, acontecerá, quinzenalmente, o “Rio Bossa Club”. O evento leva aos palcos o músico Celso Fonseca e o ator Lúcio Mauro Filho para uma reunião com muita música e humor. A pré-estreia foi ontem, 9, e eu fui lá conferir.

A dissonância dos acordes de Celso Fonseca embala o público na Miranda – Foto: apetecer.com

Para Celso Fonseca, o Rio Bossa Club dá aos amantes da bossa nova uma oportunidade para apreciar este estilo. Também vê como uma forma de trazer um novo público. “A nossa intenção aqui é essa: trazer as pessoas, os que gostam, os reféns, os que não têm onde ouvir bossa nova no Rio de Janeiro. Tentar misturar com humor para tentar trazer o público mais jovem, que pode curtir e, com isso, trazer a bossa nova para o lugar que ela merece. Porque a bossa nova é o que nos representa. A bossa nova é o Brasil que deu certo”.

Lúcio Mauro Filho é o mestre de cerimônias do Rio Bossa Club, na Miranda - Foto: apetecer.com

Lúcio Mauro Filho é o mestre de cerimônias do Rio Bossa Club, na Miranda – Foto: apetecer.com

O clima intimista da Miranda combina perfeitamente com a proposta do evento. Lúcio Mauro Filho é o mestre de cerimônias da festa e a música fica a cargo de Celso Fonseca. No de ontem, eles receberam dois convidados, os atores Rafael Infante e Letícia Lima. Eles contracenam em meio ao público, fazendo divertidas esquetes. No caso da última, os personagens de Infante e Letícia eram um casal recém-separado e se reencontrava por acaso, por intermédio – também ao acaso – do personagem de Lúcio Mauro. De acordo com o desenrolar da estória, o repertório do show ia sendo apresentado.

Lúcio Mauro Filho contracena com Letícia Lima disfarçada em meio ao público - Foto: apetecer.com

Lúcio Mauro Filho contracena com Letícia Lima disfarçada em meio ao público – Foto: apetecer.com

Não faltaram clássicos, como “Triste” (Tom Jobim), “Você e eu” (Vinicius de Moraes e Carlos Lyra), “Coisa mais linda” (Vinicius de Moraes e Carlos Lyra). Outras mais recentes do repertório de Celso Fonseca também estavam presentes no setlist, como “Slow motion bossa nova” (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos), e até a famosa versão bossa nova do funk de MC Leozinho, “Ela só pensa em beijar (Se ela dança eu danço). No fim do espetáculo, já no bis, Celso Fonseca retorna arriscando “Chega de saudade” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes). Apesar de, segundo ele, não ter sido ensaiada, deu tudo certo, ainda mais com a ajuda do público cantante presente.

Para os interessados, Lúcio Mauro Filho e Celso Fonseca estarão no “Rio Bossa Club”, quinzenalmente, sempre às quintas-feiras, às 21h30, na Miranda. O próximo ocorrerá já na semana que vem, 15 de maio.

Número 4 do nosso Top 5 de melhores shows de 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/21/top-5-eu-fui-shows/

P.S.: Agradeço a Fabiane Pereira pelos convites.

Humor da terra da rainha, em “A Recompensa” – Eu fui!

Dia 15 de maio, estreia no Brasil o filme “A Recompensa”. O enredo conta a história de Dom Hemingway (Jude Law), um dos maiores arrombadores de cofre de Londres. Ele está de volta às ruas após 12 anos de prisão e agora quer receber sua recompensa por não ter delatado seus parceiros. Ao lado de seu melhor amigo, Dickie (Richard E. Grant), Dom vai ao sul da França visitar seu antigo chefe do crime, Sr. Fontaine (Demian Bichir), para reivindicar a sua parte. Mas este é apenas o início de sua jornada, que envolverá a femme fatale Paolina (Madalina Ghenea) e a filha, Evelyn (Emilia Clarke), com quem ele não tem contato há anos. Fui à cabine de pré-estreia para assistir e conto aqui alguns pareceres (não muito para não estragar a surpresa).

Jude Law é conhecido como galã e tudo o mais, mas foi desprovido de vaidade para este filme. Ele aparece ligeiramente gordinho, ligeiramente careca, mas bem engraçado. Não que isso tenha a ver com as características do visual, mas sim com a interpretação exagerada, porém em conformidade com a proposta da psique do personagem. Imaginem um homem que tenha passado 12 anos na prisão. Enquanto isso, sua esposa se casa com um colega de trabalho e desenvolve câncer, levando-a à morte. Com tudo isso, acaba perdendo contato com a filha e só chega a vê-la depois de adulta, já casada e com filho. O perturbado Dom Hemingway quer recuperar tudo o que deixou para trás em pouco tempo e, com isso, sua personalidade se mostra agressiva e escandalosa em muitos momentos.

Para o diretor, Richard Shepard, “Dom é um personagem confuso e complicado, mas também engraçado. Está perturbado, magoado, irritado, mas, no fundo, tem bom coração”. Para Jude Law, “Dom é um bandido à moda antiga, que vive com sua moral e suas regras. Ele é um homem explosivo, poético e estranhamente engraçado, mas, ao mesmo tempo, pode se tornar violento e assustador. Ele é o que todos nós somos em nossa essência, esse tipo de mistura do bem e do mal, mas em um nível mais amplo.”  Para mim, tanto um, quanto o outro, cumpriram bem seus papeis.

Ah, estava falando sobre a graça de Dom Hemingway! O filme é repleto de piadas de humor politicamente incorreto, que muitos têm medo de assumir nos dias de hoje. Tanto na fase “vida louca”, quanto quando tenta retomar a relação pai e filha e uma aproximação com o neto, o sarcasmo está sempre presente. Bem como as divertidíssimas sacadas da direção e edição em momentos que poderiam ser tensos. Por exemplo, o acidente que envolve o amigo Dickie, o ex-chefe sr. Fontaine, entre outr(a)os. Em outra cena, quando o protagonista volta a executar seu maior talento – arrombar cofres -, parecia que eu estava assistindo, com perdão das referências, ao “Pânico na TV” (refiro-me a inserções nonsense da edição).

Portanto, se você quer ver mais um filme do “gato” Jude Law, você assistirá, no lugar disto, a um ator versátil. Agora, se quer ver uma comédia além dos pastelões que encontramos por aí, “A Recompensa” pode te atender muito bem.

 

P.S.: Agradeço a RPM Comunicação pelos convites.

 

Número 4 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/07/top-5-eu-fui-filmes/

Contribuindo para a memória da MPB: Elza Soares interpreta Lupicínio Rodrigues – Eu fui!

Elza Soares canta Lupicínio no Rival Petrobras. Foto: apetecer.com

Dando sequência às comemorações do “Festival Rival 80 anos”, quem se apresentou desta vez foi Elza Soares, em um novo show em homenagem a Lupicínio Rodrigues. Estivemos lá para conferir de perto a vivacidade e a voz rouca deste grande nome da música popular brasileira.

O show começa com Elza interpretando, à capela, “Exemplo” (Lupicínio Rodrigues). Em seguida, emenda com “Esses moços” (Lupicínio Rodrigues), essa já colocando em cena suas bases jazzísticas, dando seguida com “Nunca” (Lupicínio Rodrigues). O tom romântico das canções também emociona a cantora, que diz, “Não vou falar nada agora para não chorar. Eu canto e choro Lupicínio”. E continua entoando “Ela disse-me assim” (Lupicínio Rodrigues).

Elza Soares canta Lupicínio no Rival Petrobras. Foto: apetecer.com

Elza Soares canta Lupicínio no Rival Petrobras. Foto: apetecer.com

A cenografia era baseada em uma antiga história entre Elza Soares e Lupicínio, que foi autor de seu primeiro sucesso, “Se acaso você chegasse” (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins). De acordo com Juliano Almeida, produtor do espetáculo e idealizador do cenário, “A concepção veio da brincadeira – mas que foi uma realidade – de que Elza estava cantando e, de repente, veio Lupicínio oferecendo rosas para ela, que não sabia quem era o Lupicínio. Ele chega para entregar as rosas e ela, ‘não gosto de rosa, meu nome não é Rosa’. Daí, ele falou, ‘sou Lupicínio autor do teu sucesso’. Quando ela falou, ‘eu adoro rosa’. É o buquê de rosas dele!”.

A cenografia, baseada em rosas, em harmonia com o figurino da cantora. Foto: apetecer.com

A cenografia, baseada em rosas, em harmonia com o figurino da cantora. Foto: apetecer.com

Durante o show, Elza sai de cena para deixar sua banda comandando a festa ao som de música instrumental. Quando retorna, é para seguir com a linha romântica com “Volta” (Lupicínio Rodrigues). Por pouco tempo, pois o clima logo é quebrado com o ponto alto da noite. “Eu não sou louco” (Lupicínio Rodrigues e Evaldo Rui) ganha uma interpretação toda especial para a letra, arrancando risos e aplausos de pé do público. Este, sim, foi à loucura.  A animação continua com “Se acaso você chegasse” (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins), sendo acompanhada apenas por Marcos Suzano no pandeiro. O músico – que já tocou com importantes nomes, como Lenine, Zé Keti e Gilberto Gil – também a acompanha no sucesso de Martinho da Vila, “Madalena do Jucu” (Martinho da Vila).

Elza Soares com Marcos Suzano. Foto: apetecer.com

Elza Soares com Marcos Suzano. Foto: apetecer.com

“Nervos de aço” (Lupicínio Rodrigues) leva uma roupagem de mambo, com uma pegada rock’n roll no refrão. Deixa, assim, claro que o público que vai ao show de Elza Soares vê realmente versatilidade. Isso sem falar no clássico do funk, “Rap da Felicidade” (Cidinho), que também teve um trecho acrescentado no setlist. No bis, a artista retorna com a provavelmente mais famosa canção de Lupicínio, “Felicidade”.

Elza Soares canta Lupicínio no Rival Petrobras. Foto: apetecer.com

Elza Soares canta Lupicínio no Rival Petrobras. Foto: apetecer.com

Durante todo o show, Elza Soares se mostra uma pessoa divertida e simpática. Tudo isso foi confirmado pelo site também nos bastidores, onde a cantora conversou conosco. Ela falou a respeito de levar a obra de seu mentor para os palcos. “A gente parece um país que não tem memória! Porque as escolas, a cultura, não têm nenhum esforço para dizer, ‘Isso é Brasil, isso existe, isso é nosso!’. É preciso associar essa emoção, essa pessoa que viveu e morreu de amor. É preciso pedir aos professores, aos governadores, por favor: levem para os colégios. Quando bati no peito e disse, ‘Quero fazer Lupicínio’ disseram, ‘A pensar’. Porque acharam que seria algo para trás. Então, acho que consegui colocar o Lupicínio, daqui para frente, mais forte ainda.”

Não apenas pelos novos arranjos concebidos, mas também pela voz impecável e pela presença marcante, Elza Soares mostrou que é, realmente, uma diva. Não que isto fosse posto em dúvida antes. Mas pela simplicidade e preocupação com a cultura do país, dentro e fora dos palcos, mostra que tem muito para ensinar para novos nomes. Dentro e fora dos palcos.

Elza Soares manda um beijinho no ombro - Foto: apetecer.com

Elza Soares manda um beijinho no ombro, tatuado em homenagem a Lupicínio. Foto: apetecer.com

O show será apresentado no próximo fim de semana em São Paulo, e alguns outros já estão agendados para junho e julho. Inclusive em Porto Alegre, cidade natal de Lupicínio. Ainda não se sabe se haverá álbum, mas pelo menos o ao vivo ainda pode ser conferido, inclusive hoje no Teatro Rival Petrobras, às 19h30.

 

Informações:

Elza Soares interpreta Lupicínio Rodrigues
Teatro Rival Petrobras
Dia: 3 de maio, sábado, às 19h30
Endereço: Rua Álvaro Alvim, 33/37 – Cinelândia

Tel: (021) 2240-4469
Preço:
Setor A / Setor B / Mezanino
R$ 80 (inteira)
R$ 60 (promoção para os 100 primeiros pagantes)
R$ 40 (estudante / idoso / professor da rede municipal)
Classificação: 16 anos

 

Muito grata à gentileza de Sheila, assessora do Teatro Rival Petrobras; de Juliano Almeida, produtor do espetáculo; e de Elza Soares.

“Moacyr Luz e Samba do Trabalhador” – Eu fui!

Neste feriado de 1º de maio de 2014, Moacyr Luz fez o Imperator de escritório e levou seu “Samba do Trabalhador” para os palcos. O evento, conhecido como “Moacyr Luz E Samba do Trabalhador” já acontece há 8 anos no Clube Renascença – todas as segundas-feiras, às 16:30h – e teve sua única edição especial para comemorar o Dia do Trabalho. Os frequentadores do Centro Cultural João Nogueira foram conferir a apresentação. Assim como eu, e conto aqui o que rolou.

Plateia cai no samba com Moacyr Luz no Imperator Foto: apetecer.com

Plateia cai no samba com Moacyr Luz no Imperator
Foto: apetecer.com

Moacyr sobe o palco e já inicia com uma composição própria, “Eu só quero beber água”. Em seguida, emenda com sucessos de colegas compositores e canções fruto de sua parceria com eles. Como exemplo disto, cantou “Praça Mauá: que mal há?”, “Rainha negra” e “Saudades da Guanabara”, todas compostas com Aldir Blanc, sendo a última também de autoria de Paulo César Pinheiro. Já a dupla de Moacyr e Paulo Cesar Pinheiro esteve presente em “Som de prata” – ode ao carinhoso Pixinguinha – interpretada por Gabriel Cavalcante, integrante da banda.

Bastante habituado ao bairro, Moacyr Luz, que já morou no Méier, se mostrava satisfeito por retornar ao Imperator, local que já ofereceu bons momentos para a música. “Morei no Méier em 1973. Saí daqui em 1980. Peguei isso aqui (Imperator) cinema, peguei o João (Nogueira) fazendo show. Depois veio teatro, igreja. Virou essa beleza aqui.”.  Em homenagem ao citado João Nogueira, artista que dá nome ao espaço cultural, o músico ofereceu “O poder da criação”, “Mineira” e “Batendo a porta”, todas compostas por Nogueira e Paulo César Pinheiro.

Outras parcerias foram celebradas durante a apresentação, como “Minha festa” (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito) e “Vida da minha vida” (Moacyr Luz e Sereno), que foi sucesso na voz de Zeca Pagodinho. Além destas, “Samba dos passarinhos” (Moacyr Luz e Martinho da Vila) e “Senhora liberdade” (Nei Lopes e Wilson Moreira) entraram no repertório em forma de medley.

Percussionistas chamam o público para sambar - Foto: apetecer.com

Percussionistas chamam o público para sambar – Foto: apetecer.com

Em um determinado momento, Moacyr Luz sai do palco por algum tempo e deixa para sua banda a responsabilidade de levarem o samba sem seu líder. Como os músicos já estão acostumados a dividirem o vocal em muitas canções apresentadas no show, não deixam a animação baixar. Os integrantes seguem a apresentação com clássicos de Candeia, como “Gamação”, “Olha o samba, sinhá” e “Ouço uma voz” (Candeia e Nelson Amorim).

Os clássicos “Brasil pandeiro”, de Assis Valente, e “O sol nascerá”, de Cartola também foram lembrados. Esta última já com Moacyr Luz de volta ao palco, finalizando o show com “Benza Deus”, outra composição própria. E o público deixa o lugar feliz, já em clima de sexta-feira. Ou de segunda, já que não tem dia certo para curtir um samba.

 

Moacyr Luz rege banda e plateia no Imperator - Foto: apetecer.com

Moacyr Luz rege banda e plateia no Imperator
Foto: apetecer.com

Falando em segunda e conforme já citei acima, este é o dia em que ocorre o “Samba do Trabalhador”, às 16:30h, no Clube Renascença (Rua Barão de São Francisco, 54 – Andaraí). Maiores informações vocês podem conseguir na página deles no facebook: www.facebook.com/MoacyrLuzESambaDoTrabalhador

Histórias de repressão / opressão em “Morro como um país” – Eu fui!

Depois de um período em São Paulo, “Morro como um país” passou uma curta temporada no Rio de Janeiro, somente até a última sexta-feira, 02/05. A peça compõe alguns dos eventos culturais que aconteceram na cidade para relembrar o golpe de 64. Com entrada franca, o público lotou a Sede das Cias, na Lapa, para conferir a interpretação de Fernanda Azevedo, prêmio Shell de melhor atriz 2013. Eu fiz parte dele.

Fernanda Azevedo inicia o espetáculo sendo ela mesma e passa a interpretar depoimentos de ex-presos políticos de ditaduras, não apenas no Brasil. A narrativa não segue exatamente uma cronologia e lança mão de elementos, como documentos, músicas e vídeos para ilustrar determinadas épocas e fatos.

A cenografia é composta por um boneco de madeira que a atriz veste e movimenta de acordo com o texto que está sendo interpretado -, uma bateria em que se arrisca em um momento e uma penteadeira. Além disso, o figurino também é trocado. No início, com camisetas que estampam figuras de pessoas conhecidas da época da ditadura. Em outro momento, vestida de Carmen Miranda – artista popular no Brasil e em Hollywood entre as décadas de 1930 e 1950 -, cuja fantasia precisa ficar segurando para que a saia não caísse. Assim, faz uma alusão aos uniformes de alguns presos, que tinham que ficar todo o tempo agarrados às calças largas para que não caíssem.

No início dos 90 minutos de peça, o texto se mostra rápido e confuso. Por conta disso, até de difícil assimilação. As repetições de frases e de gestuais lembram características de Teatro do Absurdo, tendência teatral surgida no pós-Segunda Guerra Mundial, no fim da década de 1950.

A comicidade e interatividade esta última que a atriz já percebeu que o público carioca adora, só que não (rs) estão presentes em uma brincadeira de “Vivo ou morto”, em que Fernanda encarna a própria ditadora, ordenando que seus espectadores / oprimidos ajam de acordo com suas ordens. Mas tudo isso de uma forma descontraída, para aliviar o espetáculo tenso que estava se desenrolando e que ainda estava por vir.

Como citei acima, a atriz Fernanda Azevedo venceu o prêmio Shell de melhor atriz com esta peça. Não sei a respeito da concorrência mas, pelo que vi, foi merecido. A artista é muito expressiva e, com seus olhos azuis – por vezes marejados – possui a dramaticidade necessária nos momentos certos. Além do fato de conduzir momentos de tensão e outros de descontração com desenvoltura de apresentadora de talk show.

A temporada de “Morro como um país” já chegou ao fim, após somente duas semanas. O grupo Kiwi foi o responsável pela montagem, apresentada na Sede das Cias, parceira do site, a quem agradeço pelos convites.

 

Meio bossa nova e rock’n roll: Maria Gadú canta Cazuza – Eu fui!

Maria Gadú no Rival Petrobras – Foto: apetecer.com

 

O artista cheio de referências, Cazuza, foi homenageado ontem em um show no Teatro Rival Petrobras. O espetáculo faz parte do projeto Covers, e quem deu voz aos blues e baladas do poeta foi a também cheia de referências Maria Gadú. O teatro lotado conferiu suas releituras para as canções, com roupagens bem diferenciadas, mais uma vez dando espaço para mostrar os estilos que a influenciam. Fui lá conferir e cito alguns abaixo.

Maria Gadú inicia o show recitando “O tempo não para”, acompanhada por uma batida que lembrava “Haiti”, de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Em seguida, soltou a bela voz em uma sucessão de canções – algumas menos conhecidas. O grande sucesso “Bete Balanço” justificou o título, sendo repaginada na inusitada forma de marchinha de carnaval. Outra que fez jus ao nome foi “Exagerado”, que ganhou uma “pegada” mais rock’n roll, tudo a ver com a letra.

Enquanto o público pedia “Shimbalaiê” (primeiro e maior sucesso de Maria Gadú), a cantora levava na brincadeira e se manteve irredutível apresentando apenas sucessos de Cazuza. Fez piada inclusive com algo que bebia a todo momento dizendo, “Vocês acharam que é cachaça, né?”.

Maria Gadú no Rival Petrobras - Foto: apetecer.com

Maria Gadú no Rival Petrobras – Foto: apetecer.com

Dando seguida ao show, em “Faz parte do meu show”, foi possível conferir até mesmo uma valsinha. E a balada “Trem para as estrelas” – fruto da parceria de Cazuza com Gilberto Gil – teve a influência afro de sua versão original ainda mais carregada.

Com o show se aproximando do fim, as canções “Brasil” e “Ideologia” foram eleitas para o momento. Na primeira, sob uma adequada iluminação verde e amarela, Maria Gadú tirou proveito da mensagem da letra para falar a respeito das próximas eleições. A segunda teve grande participação do coro do público.

Todas as novas roupagens para os clássicos serviram para favorecer a técnica de Maria Gadú. Mas também houve pontos baixos. “Preciso dizer que te amo” perdeu sua sutileza e ganhou uma versão mais exagerada, com perdão do termo. Por vezes, a interpretação que a cantora dava parecia não ter a ver com a letra que estava sendo interpretada.

No decorrer do show, Maria Gadú se mostrava honrada pela oportunidade de interpretar as canções do ídolo. “É uma saudade que a gente tem desse cara que não está mais aqui, nessa forma. Trazer ele pro Rival, que é um lugar que ainda existe, prova que o artista se eterniza. Estou muito honrada de estar como um instrumento dele , nesse palco muito sagrado”.

Maria Gadú no Rival Petrobas - Foto: apetecer.com

Maria Gadú no Rival Petrobas -Foto: apetecer.com

Haverá hoje (27/04/2014), às 19h30, a última apresentação de “Maria Gadú canta Cazuza” no Rival. Importante lembrar que este show faz parte da programação toda especial para comemorar os 80 anos que o Teatro Rival Petrobras está comemorando. E vêm mais novidades por aí.

O teatro fica na rua Álvaro Alvim, 33/37 – Cinelândia.

Informações:

Ingressos:
R$ 100,00 (Inteira)
R$ 80,00 (Promoção para os 100 primeiros pagantes)
R$ 50,00 (Meia entrada para estudantes, idosos e professores da rede municipal).

Classificação: 18 anos

 

P.S.: Agradeço muito a Sheila, da assessoria do Teatro Rival, pelos convites e pela hospitalidade.

 

“Hoje eu quero voltar sozinho” – Eu Fui!

Estreou no dia 10 de abril o filme nacional “Hoje eu quero voltar sozinho”, do diretor e roteirista Daniel Ribeiro. O longa tem origem em um curta metragem de nome “Eu não vou voltar sozinho”, que foi sucesso de visualizações no youtube. Nele, Ribeiro expressa sua intenção de expor as formas de amor. “Minha ideia era falar de um garoto que nunca tivesse visto um homem ou uma mulher – e que se apaixonasse por um cara. E então achei que tirar a visão do personagem seria um bom artifício para falar justamente dessa questão de como acontece a atração e o interesse por outra pessoa – sendo cego, outras sensações e sentimentos ganhariam força”.

O amor é cego? Piero della Francesca Cupido vendado, 1452

Bem, como estou escrevendo para a coluna “Eu Fui!”, fui assistir ao longa no Cine Odeon, uma das salas aqui do Rio de Janeiro que o exibe. Vi e tive um bom efeito cinema. Despertou-me uma divagação. Vamos a ela:

Já dizia a personagem Helena – de “Sonhos de uma noite de verão”, de William Shakespeare -, “O Amor não vê com os olhos, mas com a mente; por isso é alado, e cego, e tão potente”.

O Amor na citação não inicia em letra maiúscula por um acaso, à toa. Ele é referente ao deus grego do amor Eros, que “segundo a maioria dos poetas, nasceu de Ares e Afrodite. Assim que viu o dia, Zeus, que entreviu em sua fisionomia todas as perturbações que ele causaria, quis obrigar Afrodite a desfazer-se dele. Para furtar-se da cólera de Zeus, ela o escondeu nos bosques, onde mamou o leite dos animais ferozes. Assim que foi capaz de manejar o arco, fez um freixo, empregou o cipestre para as flexas e experimentou nos animais as flechadas que destinava aos homens. Depois trocou seu arco e sua aljava por outros, de ouro”.

Posso, também, citar “O Banquete”, de Platão. Texto onde seis próceres da Grécia antiga, se encontram após uma Dionisíaca para discorrer em louvor a esta divindade. E, em meio ao discurso de alguns deles, aparece a figura de um Eros terrestre, ligado ao desejo e, por outro lado, um Eros celestial, ligado ao amor puro. Um amor das almas.

Eros, o grego, costuma ser artisticamente representado como um rapaz alado, viril. Todavia, a imagens mais comuns do Cupido ou Amor, são representações de um menino ou adolescente alado, o que nos remete à forma de um querubim, ou melhor, um dos putti da arte renascentista, ou seja, um anjinho. O Amor é às vezes retratado com os olhos vendados, seus carcás e suas flechas.

É, pessoal. Enquanto, para uns, o amor é cego, para Apuleio, em “O conto de Amor e Psiqué”, o Amor não agia vendado. Ele era um brincalhão, que “vivia” às custas de se divertir com as vicissitudes da vida a dois, que pode derivar para uma vida a três, quatro etc.

William-Adolphe Bouguereau Jovem se defendendo do Cupido, 1880

William-Adolphe Bouguereau
Jovem se defendendo do Cupido, 1880

Então, voltemos ao filme. Ele conta a história de três adolescentes em plena fase de mudanças e conflitos tão típicos da idade. Só que sob uma ótica um pouco diferente. Quer dizer sem ótica, assim como a representação do cupido vendado.

Digo isso porque a história do filme gira em torno de Leonardo, adolescente cego que, além das dificuldades naturais pelas quais tem que passar, ainda precisa enfrentar a implicância dos colegas de escola. Tudo isso se torna menos complicado com a ajuda da melhor amiga Giovana, que o auxilia nas tarefas diárias. Depois, também é auxiliado por Gabriel, menino novo na cidade e no colégio. Com seu nome e cachinhos de anjo, provoca ciúmes e desejos na garota. Gabriel e Leonardo logo se tornam grandes amigos. A dupla vira trio, e mesmo inconscientemente, Gabriel provoca um estremecimento na relação entre Giovana e Leonardo.

A adolescência é uma fase de descobertas e confusões. Leonardo tem a sua psiqué perturbada, com noites sem dormir, negação da personalidade, tentativas de fuga física ou química da realidade opressora, mas bondosa, de pais superprotetores. “Hoje eu quero sair sozinho”, é mais que o título do longa, é um grito que sai do âmago do protagonista, da sua alma.

Portanto, para Gabriel, Leonardo é o Amor vendado, que atira suas flechas de forma pura, sem a interferência da visão que, a priori, poderia direcionar suas escolhas. Discordo da fala da Helena de Shakespeare quando diz que o Amor vendado vê com a mente. Acredito que veja com os olhos da alma. Já para Leonardo, o roteirista e diretor Daniel Ribeiro é o Amor de olhos abertos, que experimenta de forma deliberada com seus sentimentos e desejos. “Hoje eu quero voltar sozinho” discorre sobre o amor desprovido de interesses e preconceitos, o amor genuíno, essencial, assim como a idéia original da trama.

FICHA TÉCNICA

Duração: 96′

Ano de produção: 2014

País de Origem: Brasil

Elenco:

Leonardo: Ghilherme Lobo

Gabriel: Fabio Audi

Giovana: Tess Amorim

Laura: Lúcia Romano

Carlos: Eucir de Souza

Avó Maria: Selma Egrei

Karina: Isabela Guasco

Guilherme: Victor Filgueiras

Fabio: Pedro Carvalho

Carlinhos: Guga Auricchio

Roteiro e Direção: Daniel Ribeiro

Produção: Daniel Ribeiro e Diana Almeida

Referências:

COMMELIIN, P. Mitologia grega e romana

SHAKESPEARE, William. Sonho de uma noite de verão

APULEIO, Lucius. A metamorfose ou O Asno de ouro

PLATÃO. O Banquete

 

Melhor filme do ano no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/07/top-5-eu-fui-filmes/

No “menu” de hoje, “E aí, Comeu?” – Eu fui!

“De fato, o cru e o cozido, o alimento e a comida, o doce e o salgado ajudam a classificar coisas, pessoas e até mesmo ações morais importantes no nosso mundo”. Este é um trecho do ensaio “Sobre comidas e mulheres”, do antropólogo Roberto da Matta, em seu livro “O que faz o brasil, o Brasil”. Da mesma forma como falamos que “o apressado come cru”, “fulano é um doce”, “beltrano está amargo” ou, mais recentemente, “sicrano é um picolé de chuchu”, a peça escrita por Marcelo Rubens Paiva, “E aí, comeu?” usa esta designação para falar a respeito das relações entre as pessoas. Mais precisamente, homens e mulheres.

O elenco é composto por quatro atores: Marcos Pasquim vive Fernando, recém-separado e ainda com dificuldade para encarar o novo “mundo” com que se depara, mostrando-se pouco adaptado com sua atual condição, até mesmo caretice que talvez nem o próprio soubesse que tinha; Mouhamed Harfouch é Honório, mulherengo e machista, mas que esconde certa dependência emocional em relação à esposa; Renato Rabelo é Afonsinho que, dentre os três, é o que mais demonstra temer a solidão. Leona Cavalli interpreta Fernanda, Isabela… Enfim, a versátil atriz se desdobra para fazer todas as personagens femininas da peça, como as esposas de Fernando e de Honório. Parece às vezes que usa o “truque do Paulo Barros” para trocar de roupa entre uma cena e outra, tamanha a rapidez.

Com a cenografia simples, os atores capricham nas mímicas. Utilizando poucos elementos cenográficos, simulam estar em boate, academia de ginástica, supermercado, assistindo a um jogo de futebol, tudo isso recorrendo a bem trabalhados recursos gestuais. Além da boa iluminação, que dá intensidade e clima adequados a cada “cenário”. Enquanto isso, o público oferece uma boa receptividade, talvez se identificando com os diálogos entre os personagens, falando sobre suas mulheres e relacionamentos. Por vezes apresentando discursos sob a ótica masculina, por outras pela do sexo oposto, sendo ditos pelas mulheres da história.

É interessante ver no palco a relação que as pessoas têm com a amizade e com o tipo de relacionamento que conseguem manter mesmo depois de 20 anos. Quando se juntam, os três amigos parecem voltar à adolescência, e se recusar a sair dela. Como se o ato de se juntar a eles fosse uma espécie de volta ao passado e fugir da vida adulta que levam. Essa é a mesma impressão que o filme “E aí, Comeu?” transmite, e aposto que isso é presente nas relações de amizade da vida real, tanto de hoje em dia, quando nas de 1998, ano da primeira montagem desta peça.

“E aí, Comeu?” leva diversão e entretenimento para o público. Mesmo os discursos sexistas são acompanhados por deboche e tão escrachados que nem dá para irritar, nem levar a sério. Portanto, a plateia se diverte e, provavelmente, depois da peça, discute sobre os conceitos que os amigos expõem. Talvez na mesa de um bar, como se fossem Afonsinho, Fernando e Honório.

 

“E aí, Comeu?” fica em cartaz no Centro Cultural João Nogueira (Imperator) até o dia 20 de abril, sextas e sábados às 21h e domingos às 19:30h. O ingresso custa R$ 50,00.

 

P.S.: Agradeço a MNiemeyer pelos convites.

 

Fonte:

DAMATTA, Roberto, O que faz o brasil, Brasil?, Rio de Janeiro, Rocco, 1986.

 

 

Em busca de “Amores”? – Eu fui!

Apesar de morar no Rio e já ter ido mil vezes à Lapa, ainda não conhecia a muito famosa e fotografada Escadaria Selarón. No último sábado, dei uma passada lá. Motivo? Assistir a peça “Amores”, – de Domingos Oliveira – que já havia anunciado aqui e está em cartaz até o dia 02 de junho, na Sede das Cias.

Foto: apetecer.com

Telma (Ângela Câmara) e o melhor amigo, Vieira (José Karini) – Foto: apetecer.com

Na sinopse, Vieira (José Karini) é um escritor da TV Globo, prestes a perder o emprego, e tem problemas de relacionamento com sua filha Cíntia (Lívia Paiva). Telma (Ângela Câmara), melhor amiga de Vieira, é casada com Pedro (Saulo Rodrigues). O casal está com dificuldades para ter filhos e isto está afetando o casamento. Luiza (Ana Abbott), irmã de Telma, é uma atriz fracassada que sobrevive contando piadas em bares, até que se apaixona pelo pintor Rafael (Lucas Gouvêa), e descobre que ele é soropositivo.

Vieira (José Karini) e a filha Cíntia (Lívia Paiva) Foto: apetecer.com

Vieira (José Karini) e a filha Cíntia (Lívia Paiva)
Foto: apetecer.com

Baseando-me no que li a respeito, fui esperando uma trama muito pesada e tensa. E o que vi, apesar dos temas polêmicos apresentados na montagem, foi uma comédia dramática. O público fica em volta de um cenário que representa uma casa e local onde se passa toda a história, salvo algumas simulações de externas. Por este motivo, o clima é bem intimista. Os atores – todos muito bem em seus papeis – se movimentam por toda a “casa” e bem próximo dos espectadores. Tão próximos que oferecem uísque, yakisoba… E, caso você vá, pode aceitar, pois não é pegadinha (rs).

Olha a proximidade com o público - Foto: apetecer.com

Olha a proximidade com o público
Foto: apetecer.com

A peça teve sua primeira montagem em 1997 e a atual – a segunda – parece se passar nesta época. Percebe-se isso um pouco pelo figurino, pelas notícias que são transmitidas enquanto os personagens assistem a TV e também muito pela trilha sonora. É composta por sucessos de Marisa Monte (“Beija eu”), Los Hermanos (“Quem sabe”), Skank (“Garota nacional”), entre outras. Mas a parte mais bonita é quando Luíza vai encontrar Rafael e o casal canta espontaneamente Dueto (“Serás o meu amor”), de Chico Buarque.

Arrufos. Casal e ex-casal também (rs) Pedro (Saulo Rodrigues e Telma (Ângela Câmara)

Arrufos. Casal e ex-casal também (rs) Pedro (Saulo Rodrigues e Telma (Ângela Câmara) – Foto: apetecer.com

Como já escrevi, o enredo é repleto de temas polêmicos que fica difícil escolher qual o mais marcante. Meu voto vai para quando Rafael descobre ser portador do vírus HIV. Mas a concorrência é grande, pois na peça ocorrem separações, voltas, filhos. Enfim, não vou contar mais para não tirar a curiosidade de quem estiver lendo 😉

Então, para reforçar: o grupo “Os Dezequilibrados” fica com esta peça em cartaz até o dia 02 de junho, às 20h e custa quase nada: apenas R$ 1,99. Deixo a dica para quem deseja curtir “Amores” e os sabores do teatro.

 

P.S.: Agradeço a Sede das Cias pelos convites.

 

SERVIÇO
Temporada: de 15 de março a 02 de junho de 2014
Local: Sede das Cias (Rua Manuel Carneiro, 12 – Escadaria Selarón – Lapa)
Informações: (21) 2137-1271
Horário: sexta, sábado, domingo e segunda, às 20h
Ingressos: R$1,99
Duração: 80 minutos
Gênero: Comédia Dramática
Capacidade: 40 lugares

Classificação etária: 14 anos
Bilheteria: abertura 1h antes do espetáculo

 

Número 4 do nosso Top 5 de melhores peças do ano

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/29/deixa-clarear-musical-sobre-clara-nunes-eu-fui/

Todos os musicais em um só – Eu fui!

Já tiveram a experiência de 90 minutos ouvindo canções de Chico Buarque? Eu tive! Aliás, mais que isso. O espetáculo teatral “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos” , da dupla Claudio Botelho e Charles Möeller, dura cerca de duas horas e faz um passeio por canções de musicais do artista. Dentre eles, “Morte e Vida Severina”, “Roda Viva”, “O Grande Circo Místico”, entre outros.

Além de Chico, a inspiração do musical é o espetáculo inglês “Todas as Peças de Shakespeare em 97 minutos”, do grupo ‘The Shakespeare Reduced Company’, no qual misturam enredos e personagens de William Shakespeare. Na adaptação brasileira, uma companhia mambembe de teatro – liderada por um casal de artistas, Carlos (Claudio Botelho) e Dora (Soraya Ravenle) – viaja apresentando seus espetáculos ‘pelo mundo’. Enquanto isso, acontecem amores, ciúmes, intrigas. Sem deixar muito claro se a turnê ocorre apenas em devaneios de Carlos, atormentado por uma perda de memória.

Mambembe também pode parecer a minha opinião a respeito do cenário e do figurino (rs). O visual austero da cenografia destoa da maior parte do que conhecemos da obra de Chico Buarque. É  formado por partes fixas com linhas ortogonais direcionando o olhar especificamente para o centro do palco. Há também partes móveis com diagonais que, vez por outra, são deslocadas pelos atores e dá a ideia de movimento e remetem a algumas manifestações de estilos arquitetônicos.

Um elemento cenográfico que muito me chamou a atenção foi uma escada de metal colocada no centro do palco na canção “Pedaço de Mim”. Os personagens se movimentavam com lanternas. A soma da iluminação manual com a escada, me pareceram desencontradas em relação aos versos melancólicos entoados pelos artistas.

A brasilidade, tão presente em suas músicas, também não é muito representada no figurino. Confuso e, se não fosse o fato da companhia liderada por Carlos (Botelho) se autodefinir mambembe poderia ser um ponto negativo. Contudo, não chega a comprometer o musical.

Excelentes cantores, muitos já conhecidos de outros musicais, cumprem muito bem seus papeis e emocionam o público. Eles são Soraya Ravenle, como Dora, “A Primeira Dama”; Claudio Botelho vive Carlos, “O Dono da Companhia”; Estrela Blanco, Rita, “A Mocinha”; Felipe Tavolaro é Dito, “O Galã”; Davi Guilherme; Lilian Valeska interpreta Lea, “A Cartomante”; Renata Celidonio é Lia, “A Cigana; e Malu Rodrigues, Margarida.

Muitos dos sucessos da trajetória de Chico são representadas. Inclusive em situações inusitadas, como o dueto em “O meu amor”,  cantada por Tavolaro e Guilherme, música conhecida por interpretações femininas. Em “Ciranda da bailarina”, o elenco se fantasia de bebês e cantam como tais, em imitações perfeitas e divertidíssimas. “Geni e o Zepelin” foi praticamente declamada por Botelho. O restante dos atores mostrava placas, cada um com uma palavra da letra da música. E iam trocando conforme a canção evoluía.

Com arranjos muito bons e remodelados, os “90 minutos” de peça mostram em um espetáculo atemporal que Chico continua ‘paratodos’, sua obra gravada feito tatuagem, contemporâneo, cotidiano, um eterno encantador do meu suburbano coração.

 

“Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 minutos” segue em cartaz no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, até o dia 27 de abril.