Top 5 – “Eu Fui!”: Musical

Algo que junte música, teatro e dança não tem como não me agradar. Assisto a todos os que tenho oportunidade e estes são os melhores de 2015:

 

1 – Kiss me, Kate – O beijo da megera

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Adaptação brasileira de um sucesso da Broadway (Kiss me, Kate), o musical – que também é inspirado no clássico “A megera domada”, de William Shakespeare – une coreografias ótimas, cantores idem, e um texto inteligente e engraçado.

Veja o post sobre o espetáculo

 

 

 

2 – “S’imbora, o musical – a história de Wilson Simonal”

Foto: Divulgação

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Excelentes números musicais – com destaque para Ícaro Silva como o protagonista -, o espetáculo conta a história de Wilson Simonal, do apogeu da fama ao ostracismo. Com pouco texto e muita música, agrada ao público. Faz quem viveu a época relembrar os sucessos, quanto as novas gerações conhecerem clássicos da MPB.

Veja o post sobre o espetáculo

 

 

3 – Elis, A Musical

A atuação impecável de Laila Garin no papel de Elis Regina é o principal trunfo de “Elis, A Musical”. A atriz

Foto: Divulgação

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convence, e faz por vezes acreditarmos que é a própria Pimentinha quem está em nossa frente cantando.

Veja o post sobre o espetáculo

 

 

 

 

4 – Constellation

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

“Constellation” conta a história de Regina Lúcia, jovem sonhadora que quer porque quer participar do voo inaugural da aeronave que dá nome ao espetáculo. O veículo prometia reduzir de 72 para 20 horas o tempo de trajeto entre Rio de Janeiro e Nova York. O acontecimento foi nos anos 1950, e o musical tem o repertório de sucessos da década. Elenco mandando bem, com destaque para Jullie, a protagonista de voz doce e afinadíssima.

Veja o post sobre o espetáculo!

 

5 – Chacrinha, o musical

Uma enorme quantidade de canções foi utilizada para preencher o musical sobre a trajetória do Velho Guerreiro, para representar os longos anos que o apresentador esteve à frente de seus programas televisivos. Fruto de uma época em que a TV dava uma grande espaço para a música, a atração, assim como o espetáculo, tinha repertório muito eclético. Clara Nunes, Benito de Paula, Roberto Carlos… Muitos foram reproduzidos no palco, e fez o público cantar com sucessos eternos.

Veja o post sobre o espetáculo, e também a apresentação para a imprensa!

 

 

 

Show Caio Prado – Eu fui!

Quem conhece a Lapa sabe que o bairro tem a música presente em todos os cantos. Nomes consagrados ou iniciantes fazem do local seu ambiente para quem valoriza o bom som brasileiro. Pertencente ao segundo grupo citado, Caio Prado levou para a Sede das Cias um show em que apresenta seu primeiro trabalho autoral.

“Variável Eloquente” traz uma proposta minimalista, e o disco foi construído em torno de um violão e um quarteto de cordas. Para o show, Caio preparou também uma apresentação intimista, levando em conta o pequeno – mas empolgado – público presente. O jovem cantor arranca xingamentos elogiosos deste rs. Tudo no maior carinho e serviam para enaltecer o talento do artista.

Caio capricha no vocal, e brinca com as notas, imprimindo seu estilo em suas próprias canções, que compunham a maior parte do repertório. Parece ousado, mas a técnica do cantor o faz se arriscar sem que a afinação seja comprometida. O show também teve as participações de Diego Moraes e Isabella Moraes, que mostraram sintonia e se rasgaram em elogios ao amigo. Os covers foram ecléticos, com “High and Dry”, do Radiohead, e “Clube da Esquina Nº 2”, de Milton Nascimento e Lô Borges. Aliás, a influência de Bituca no trabalho de Caio Prado parece bem evidente em seu jeito de cantar.

Com variadas referências, Caio se lança para o público como mais uma aposta de renovação na música brasileira, tão rica em talentos. Desejamos sorte ao novo artista, e que nos encontremos em muitos palcos e bares da vida.

 

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite

 

A Santa Joana dos Matadouros – Eu fui!

Ao pensar em um espetáculo com 2 horas de duração (exceto musicais, em que o tempo chega a exceder este), poderia ter pensado, “Ai, de mim!”. Se não fosse uma obra da qualidade do dramaturgo alemão Bertold Brecht, e minha primeira experiência com o autor vendo ali, encenada na minha frente.

“A Santa Joana dos Matadouros” foi escrita entre 1929 e 1931. Se ainda não associou o período a nenhum contexto histórico, Brecht a produziu em meio à crise econômica de 1929. A peça é ambientada nos matadouros de Chicago, nos Estados Unidos. Durante um rigoroso inverno, as diferenças sociais se intensificam, e a luta dos trabalhadores em busca de comida e abrigo se agrava.

Daí surge Joana Dark (papel-título, interpretado por Luisa Arraes). A jovem ingênua e cheia de energia pertence ao grupo missionário “Boinas Pretas”. Ela se une à luta dos operários contra o desemprego e demissões crescentes que tomam conta da indústria de carne enlatada. O espetáculo conta a história da personagem desde a época da inocência – quando acreditava que a distribuição de sopa e cânticos religiosos para os pobres atenuaria as tensões provocadas pelo mercado das carnes – até o seu entendimento da mecânica complexa e violenta da política econômica.

Apesar dos mais de 80 anos que afastam o período em que foi escrita a peça do de agora, o ótimo texto permanece atual. O cenário é composto por engradados, quadrilátero de luz, e os próprios atores forram o chão com várias camisas no início da peça, até que as vestimentas sejam incorporadas ao figurino. Fora isto, há uma ambientação sonora muito forte. Um microfone também está presente no palco, e a música em coro dos artistas aparece em alguns momentos. Todos esse elementos, aliado ao bom desempenho dos atores, colaboram para prender a atenção do espectador durante o longo tempo da peça. E o recado da crítica social sobre exploração no trabalho, indolência de integrantes de hierarquia superior e funcionamento da política econômica é dada com competência.

 

SERVIÇO

A Santa Joana dos Matadouros

Temporada: 19 de novembro a 21 de dezembro.

Local: Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, S/N – Copacabana)

Informações: (21) 2332-7904 / 2332-7970.

Dias e horários: Quinta a segunda, às 20h.

Capacidade: 102 lugares.

Duração: 120 minutos.

Gênero: Drama.

Classificação indicativa: 16 anos.

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

P.S.: Agradeço à Paula Catunda pelos convites

 

 

Juvenal, Pita e o Velocípede – Eu fui!

Assim como a maioria de nós, Juvenal guarda lembranças fortes e boas de sua infância. Brincadeiras, amigos…

Foto: apetecer. com

Foto: apetecer. com

Histórias que ficaram na memória e, hoje homem, quis compartilhar com todos que o visitaram no Teatro Maria Clara Machado, na Planetário da Gávea. Seu brinquedo favorito, o velocípede, e sua melhor amiga, Pita, estão presentes em todo o seu discurso, inclusive no título do espetáculo.

Seu meio de transporte/brinquedo preferido foi construído por seu tio, e com ele viveu as maiores aventuras com Pita. O ator Eduardo Almeida comanda o monólogo, que tem texto de Cleiton Echeveste e direção de Cadu Cinelli. Nele, conta os causos de sua infância. Isso interagindo com a plateia, predominantemente infantil. Mesmo que o artista não quisesse, seria sempre interrompido pelos gritinhos de “Quem é Pita?”.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Juvenal deixa esta questão no ar. Afinal, nós deveríamos saber pois, segundo o próprio, também tínhamos marcado com ela no mesmo local e horário que ele, e estávamos lá para isto. Matando ou não a curiosidade infantil (e adulta, por que não?), o espetáculo cumpre o papel de mexer com o imaginário infantil. O universo lúdico é muito bem explorado, com o personagem narrando suas aventuras ao lado da velha amiga, com quem perdeu o contato.

A tarefa de explicar quem era Pita provavelmente ficou com os pais, e não consigo imaginar como conseguiram esclarecer para os pequenos rs Mas é um tipo de programa que vale a pena investir para a criançada, pois desenvolve a imaginação. Consequentemente, criatividade e inteligência. E, assim, vão construindo suas histórias para, daqui a alguns anos, terem o que contar para as gerações seguintes.

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P.S.: Agradeço à Paula Catunda pelos convites

 

Os Tubarões de Copacabana – Eu fui!

“Os Tubarões de Copacabana” fez sua estreia no Odeon no último dia 18, e a temporada é curtíssima. Apenas 2 semanas ficarão em cartaz por lá. Sendo assim, a equipe reuniu mídia e amigos para o lançamento do longa. Afinal, a espera para a data foi de 5 anos, e a expectativa era grande. Vários percalços impediram que o filme fosse lançado antes. O período de 5 anos fez diferença inclusive na aparência de alguns atores. Muitos apareciam muito diferentes em cena que na vida real hoje em dia.

Falando em tempo, o enredo é sobre um grupo de amigos de longa data que costumava pegar onda nas praias de Copacabana. O tempo os afastou, mas uma tragédia os reuniu depois de algum tempo. Quando um dos integrantes do grupo, Neto, morreu, os outros companheiros foram ao enterro dele. O protagonista, Nando (Raul Gazolla), reencontra a viúva – vivida por Alcione Mazzeo -, que já foi sua namorada. Na ocasião também conhece Nicole (Rayanne Moraes), filha do casal, e se apaixona pela moça.

Este é o estopim dos conflitos, pois lógico que a mãe não aceita o relacionamento. A partir de então surgem cenas que lembram episódio de novela: traição, incesto… Isto falando apenas da trama central. O filme também tem vários personagens que fazem participações, mas pouca relevância têm na história. Os próprios demais amigos servem apenas para simbolizar a amizade do grupo, mas têm suas tramas paralelas.

É considerável o esforço da diretora, Rosario Royes, levar seu filme para as telonas. Mas texto, enredo e boa parte do elenco não colaboram para uma aposta de que o filme vá engrenar. Mas serve como um incentivo para que outras produções nacionais sejam realizadas, mas que não levem tanto tempo para entrarem em circuito.

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P.S.: Agradeço ao Alessandro Monteiro pelos convites

#Garotas – o Filme – Eu fui!

Filmes de ritos de passagem são algo frequente no cinema americano há um bom tempo. Também temos representantes do gênero, como”#Garotas – o Filme”, que estreou em 12 de novembro. O longa fala sobre a amizade entre 3 meninas. Um pouco mais velhas do que as personagens dos filmes gringos costumam ser, as jovens estão

Elenco, diretor e produtor de "#Garotas - o Filme" Foto: apetecer.com

Elenco, diretor e produtor de “#Garotas – o Filme” Foto: apetecer.com

na faixa dos 20 e poucos anos, e seus conflitos já evoluem para a fase de trabalho e fim de faculdade. Mesmo assim, é uma transição importante na vida de qualquer um.

“Tinha uma ideia de fazer um filme sobre jovens, um dos grandes temas do cinema. De repente pensei em fazer esse filme sobre um rito de passagem. São meninas numa faixa de idade um pouco mais velha que a gente costuma ver nesses filmes jovens americanos, de festa, que são sobre adolescentes. Estou retratando aqui umas meninas numa fase um pouco mais madura, já no fim da faculdade. Já tem as escolhas, um trabalho… Quero algo mais pesado de humor, mais politicamente incorreto. É um modelo de filme que curto muito, esses de ritos de passagem. Há vários filmes com essa estrutura de ’24 horas que mudam a sua vida'”, explica o diretor e roteirista, Alex Medeiros. “O filme teve quase uma vida própria. Várias pessoas que trabalhavam próximas a mim tiveram o interesse e quiseram participar”, completa.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

O longa foi filmado durante 18 diárias, mas todo o processo durou 2 anos, com interrupções. As 3 atrizes principais – Giovana Echeverria, Barbara França e Jeyce Valente – foram escolhidas logo no início das gravações, e participaram de todo o processo. Talvez isto justifique a naturalidade que aparecia na telona. Os improvisos nas falas eram constantes e perceptíveis. “Trabalhamos com muito improviso, e isso acabou marcando toda a linguagem do filme. Elas tiveram muita contribuição no texto. Houve várias falas de improviso, e chegou a um ponto em que eu nem lembrava do que foi escrito e o que foi filmado”, justificou Medeiros.

A forma com que o elenco interpreta é muito natural, parecendo que realmente não há texto decorado. Isto

Giovana Echeverria é a protagonista do longa Foto: apetecer.com

Giovana Echeverria é a protagonista do longa
Foto: apetecer.com

infelizmente faz em alguns momentos os diálogos ficarem bobos e cansativos. Mas a principal virtude no filme está no desfecho, que surpreende. O desempenho das #garotas também é satisfatório. Giovana capricha na sensualidade e Barbara e Jeyce são desenvoltas no improviso. Para não corrermos o risco de esquecer alguém, melhor não citar o restante do enorme elenco rs. Há probabilidade de esquecer algum nome entre tantos é grande rs.

“#Garotas – o Filme” é um filme sobre transição. Sobre aquele momento de dúvida entre a curtição ou colocar a cabeça no lugar e levar a vida de forma mais séria. A frase “Crescer é foda!” acompanha a narrativa da película, fazendo mais a fase adulta parecer um peso do que uma vantagem. Mas não é esse o resultado do que se vê na telona. A maioria dos personagens quer mais é saber de festa. Preocupar pra quê? Temos a vida inteira para aprender a sermos adultos.

 

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P.S.: Agradeço à Julia Ryff pelos convites

O Beijo no Asfalto – Eu fui!

Nelson Rodrigues é um autor dono de diversos sucessos no teatro (como “Bonitinha, mas ordinária“, que já tivemos a oportunidade de conferir). Como se não bastasse o vasto legado teatral, agora seus clássicos estão adquirindo diferentes roupagens. E não se trata apenas de novas adaptações. “O Beijo no Asfalto”, por exemplo, está agora sendo encenada nos palcos como forma de musical.

A peça foi escrita em 1960, e o protagonista é Arandir (Claudio Lins). Rapaz recém-casado com Selminha (Laila Garin), é um pacato funcionário de escritório e morador do subúrbio carioca. Toda a paz tem fim quando presencia um atropelamento na Praça da Bandeira. Arandir vai acudir a vítima, que pede um beijo. Ele atende ao pedido, e a cena é presenciada pelo sogro, Aprígio (Gracindo Jr.), e pelo jornalista Amado Ribeiro (Thelmo Fernandes), que achou o fato interessante e resolveu publicá-lo no jornal em que trabalha, “A Última Hora”.

A partir de então tudo começa a ficar cada vez pior para Arandir. Além de ter sua vida devassada pelos jornais, também perde a confiança de pessoas próximas, que passam a crer mais nos veículos que em sua palavra. Seja em relação a sua masculinidade e até mesmo seu caráter. O que pode levar a uma discussão sobre como a mídia pode interferir negativamente na vida de uma pessoa comum. No caso de Arandir, um inocente que viu uma fatalidade cruzar seu caminho. Ou não? Por vezes, a impressão é a de que a peça quer também deixar a dúvida no espectador sobre a dubiedade de Arandir, já que o episódio apenas é simulado, de acordo com relatos. Bem, o protagonista adquiriu desconfiança de todos, mas não gerou a minha. Mesmo assim, não é apenas a vida dele que é mudada, mas a de todos ao seu redor.

“O Beijo no Asfalto” tem elementos clássicos de obras de Nelson Rodrigues. Conflitos familiares, confusões de sentimentos, sensualidade e características de comportamentos típicos dos anos 1960. A grande novidade está na escolha do formato de musical para ajudar a contar a história. A inspiração foram canções de Cauby Peixoto, Tito Madi, Vicente Celestino, Orlando Dias, Roberto Silva, Nelson Gonçalves, Anísio Silva. As interpretações são de Claudio Lins, Laila Garin (que já brilhou na pele de Elis Regina, em “Elis, a Musical“), Yasmin Gomlevsky, entre outros.

Mesmo com todas as boas interpretações musicais, o que mais chama a atenção em “O Beijo no Asfalto” é o próprio enredo rodriguiano. Com destaque para o desfecho surpreendente, que arranca risos do público, de tão inusitado. Vale a pena conferir mais um trabalho musical, de origem 100% nacional.

 

P.S.: Agradeço à Midiorama pelos convites

 

Serviço:

Local: Teatro das Artes (Rua Marquês de São Vicente, 52 -2º piso – Shopping da Gávea , Rio de Janeiro – RJ)

Ingressos:

Quintas e sextas:

  • Inteira – R$ 80,00
  • Meia-entrada – R$ 40,00 às quintas e sextas

Sábados e domingos:

  • Inteira – R$ 90,00
  • Meia-entrada – R$ 45,00

 

Como Sobreviver a um Ataque Zumbi – Eu fui!

Semana de Halloween, e uma estreia com a cara da temporada resolve pintar nos cinemas. “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” mexe com um universo muito em voga ultimamente, mas esta mais nova homenagem à classe zumbi não tem o intuito de assustar. A diversão está em primeiro lugar nesta comédia rasgada de Christopher Landom.

O enredo não é lá muita novidade, e repete clichês de outras comédias americanas, com estereótipos parecidos de personagens. 3 adolescentes escoteiros se conhecem desde crianças, mas 2 deles não veem mais graça nisso, e não querem mais ser alvo de chacota dos outros jovens da cidade. Ben – galãzinho – e Carter – com os hormônios à flor da pele – decidem escapar do acampamento para ir a uma badalada festa. Assim, deixam para trás Augie – divertido gordinho – , que se sente traído (e consegue encontrar os dois “ex-amigos” seguindo o que chamou de “cheiro da traição”. Ri muito ahah). Chegando na cidade, veem que o local está tomado por zumbis, e se juntam com Denise – a gostosona – para combater a epidemia.

Apesar do trio matar zumbis sem dó nem piedade e da quantidade de sangue na telona, o filme tem divertidos momentos. Com piadas e cenas que, para uns, podem ser consideradas de mau gosto, o longa faz rir em sua boa parte. Apesar dos clichês já citados, também há várias partes nonsense, que são – para mim – as mais engraçadas.

Se a blogueira que vos fala não fosse tão ignorante em relação a séries americanas – destas em que todos são viciaaaados -, poderia fazer um paralelo entre “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” e elas. Se bem que acho que também não é o caso. A ideia principal mesmo é fazer uma comédia voltada para o público adolescente. Que retrata a libido mais aflorada da fase, e também com um pouco de romance. Quanto a isto, creio que o filme cumpriu seu papel, mas também pode divertir públicos de outras idades (a partir dos 14 anos).

P.S.: Agradeço à Palavra pelos convites

Cidade de Deus – 10 anos depois – Eu fui!

Você lembra em que circunstância e quantas vezes assistiu a “Cidade de Deus” (considerando que todos nós já

Leandro Firmino (Zé Pequenos) foi conferir a estreia de

Leandro Firmino (Zé Pequeno) foi conferir a estreia de “Cidade de Deus – 10 anos depois”
Foto: Divulgação

assistimos, né?)? Bem, a primeira vez (das 3 vezes) que vi foi no cinema mesmo, depois de já ter passado aquele “furdúncio” inicial, de filas quilométricas. Mas estava de olho nele antes mesmo da estreia, em 2002. 13 anos depois, é lançado um documentário que nos faz reviver a época, e para lembrarmos de algumas figuras que ficaram conhecidas desde então. Algumas não mantiveram o frisson que causaram, e esta é a principal questão do documentário “Cidade de Deus – 10 anos depois”.

Assinado por Cavi Borges e Luciano Vidigal, o documentário entrevista vários integrantes do elenco. Poucos já eram inseridos no meio artístico, como Seu Jorge, que deslanchou no cinema e na música após o longa. A imensa maioria foi escolhida por meio de testes entre pessoas da comunidade, e preparada especialmente para atuar no filme. Esta questão foi muito debatida na época, devido ao excelente desempenho deles nas telonas.

Douglas Silva (Dadinho) foi outro nome revelado em

Douglas Silva (Dadinho) foi outro nome revelado em “Cidade de Deus”
Foto: apetecer.com

Para muitos o sucesso foi passageiro. Um dos atores assumiu a culpa, por ter pensado que, após fazer um dos maiores sucessos do cinema nacional, os convites fossem aparecer, e acabou não correndo atrás. Hoje, esses levam vidas simples, longe do glamour das telonas. Outros acabaram caindo no crime, como o caso de Rubens Sabino (Neguinho), que chegou a aparecer em alguns telejornais.

Mas o sol brilhou para outros integrantes, como Roberta Rodrigues (Berenice) e Thiago Martins (Lampião), hoje atores recorrentes em novelas da Rede Globo. Seu Jorge e Alice Braga também seguem carreiras bem-sucedidas, inclusive internacional. Douglas Silva (Dadinho) é outro nome que se mantém atualmente na TV.

O documentário toca em várias questões. Destacando principalmente como era a vida do elenco antes do filme e como se transformou com este, e quais as perspectivas futuras para esta profissão. Também falam em relação ao dinheiro, e o que os atores fizeram com os cachês. Todos deram suas opiniões a respeito. Apesar de muitos entrevistados, senti falta de 2 nomes. Matheus Machtergaele não apareceu na telona. Assim como o principal responsável pelo sucesso: o diretor Fernando Meirelles. Não sei o motivo das ausências. Talvez o diretor do documentário quis exibir uma olhar menos óbvio em relação a “Cidade de Deus”.

Leandro Firmino Foto: apetecer.com

Leandro Firmino
Foto: apetecer.com

P.S.: Agradeço à palavra! pelos convites

Cenas de um Casamento – Eu fui!

Morto em 2007, o consagrado dramaturgo sueco Ingmar Bergman deixou como herança diversos trabalhos que retratam

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

os relacionamentos humanos. A primeira obra teatral do autor a que assisti foi “Depois do Ensaio” , e agora tenho a oportunidade de conhecer outra. E a segunda experiência me impressionou muito mais.

“Cenas de um Casamento” retrata a rotina conjugal de Johan (Heitor Martinez) e Marianne (Juliana Martins). Com dez anos de casamento, passam por crises e conflitos banais do dia a dia. Até que os atritos vão se intensificando, o que resulta na ruptura do casal, que tem 2 filhas, mas as personagens só aparecem nos diálogos deles. Johan e Marianne têm traços psicológicos interessantes para citar. Vamos começar em ordem alfabética rs

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Johan é um cara cansado da rotina familiar, e cria válvulas de escape para aliviar o tédio. Por ter chegado ao limite do estresse, ou por uma característica de sua personalidade mesmo, ele é de uma frieza impressionante. De sinceridade extrema, não sente culpa nem por abandonar as filhas quando decide deixar o casamento. Fala delas com desprezo, e com ódio às vezes. Chegam a ser engraçadas algumas partes de seu texto. Marianne também parece enfadada com a rotina, mas se preocupa muito com a opinião das pessoas que os cercam. As respectivas mães são figuras frequentes no diálogo dela no início da peça. Mas não apenas a elas que a personagem quer agradar. A mulher se importa muito com o nome e a imagem de família que tem para zelar.

Falando tanto em diálogo, este é o principal trunfo da peça. O texto é muito bom, como se pode esperar de uma obra de Bergman. Mas os parabéns também devem ser direcionados a Maria Adelaide Amaral, que foi a responsável pela tradução. Muitos anos se passam desde o início até o fim do espetáculo, mas não perde o gás e as reflexões e tiradas acompanham do início até o fim. O público se diverte também. Talvez não apenas pela graça do texto, mas porque pode encontrar muita identificação com suas próprias vidas. Afinal, mesmo sendo uma obra de 1973, o enredo permanece atual. Pois certas coisas são imunes ao tempo.

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SERVIÇO

Estreia: 16 de outubro de 2015

Temporada: De 16 de outubro a 15 de novembro

Datas: Sextas, sábados e domingos

Horário: Sextas, sábados e domingos, 20h

Preço: R$ 40,00 (inteira) R$ 20,00 (Meia entrada)

Local: Teatro Ipanema

Endereço: Rua Prudente de Morais, 824 – Ipanema – Telefone: (21) 2523- 9794

Capacidade: 222 lugares

Duração: 90 minutos

Classificação: 14 anos

Gênero: Drama

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelos convites

2 Números – Eu fui!

“2 Números” é um espetáculo de animação, contendo 2 números, como já entrega o título. Mas a obviedade se restringe a este fato. A peça é surpreendente, e muito melhor do que eu imaginava. Não sei o motivo da surpresa, pois li maravilhas da crítica. Não que o tenha subestimado, mas a destreza dos atores impressiona, assim como o espírito lúdico.

Os números apresentados são “Cama de gato” e “De dentro”. O primeiro conta com a participação de 3 atrizes formando figuras com um objeto que parece ser uma espécie de linha, mas não sei precisar. A criatividade dos desenhos mostrados é incrível, assim como o desempenho das artistas. Com os rostos cobertos por máscaras, não podemos ver suas feições, mas nem há necessidade. As moças falam com o corpo, e com as formas que apresentam e o gestual, dão conta do recado sem precisarem de caras e bocas, ou texto.

Tão agradada que estava com o primeiro número, apenas por alguns minutos este foi o meu favorito. Mas o boneco de “De dentro” é irresistível. Até dá para esquecer que há 3 atores no controle dele. Não consigo crer que, sem eles, ele não tem vida própria. A manipulação é impecável. Na verdade, interação entre o objeto e os humanos em cena.

“2 Números” é espetáculo para todas as idades e todos os gostos. Animação costuma atrair público infantil, mas este era minoria no teatro. Havia uma que interagia durante os 40 minutos. Provavelmente pensava que o boneco era um ser real. Bem, se eu por alguns momentos também acreditei, imagine alguém tomado pelo espírito de fantasia que o espetáculo expressa…

P.S.: Agradeço à Rachel Almeida pelo convite

Anomalisa – Eu fui!

Durante o Festival do Rio 2015, recebemos o convite para assistir a “Anomalisa”, filme de animação em stop motion criado por Charlie Kaufman – de “Sinédoque, Nova York” e “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” – e Duke Johnson. O longa fazia parte do festival. Infelizmente, com a vida corrida, só estou conseguindo fazer o post agora, com o evento já finalizado há um século. Mas ainda estamos em tempo, pois a estreia será apenas em janeiro de 2016. Além do diretor, o filme conta com outros nome de peso nas dublagens, como Jennifer Jason Leigh – de “Mulher Solteira Procura” e “Sinédoque, Nova York” e David Thewlis – de “A Teoria de Tudo”.

“Anomalisa” conta a história de Michael Stone. Marido, pai e respeitado autor de “Como Posso Ajudá-lo a Ajudá-los?”. Apesar do sucesso profissional, sente-se entediado com a rotina da vida. Durante uma viagem para Cincinnati – onde estava agendada uma palestra sua -, conhece Lisa. Moça simples, envolve-se com Michael em um romance. Mas seria este ou não o amor de sua vida?

Pela descrição do enredo, já se pode ter uma noção de que o filme toca em questionamentos profundos. A feição de Michael é realmente de um homem insatisfeito e que tem que aprender a lidar com seus demônios internos, apesar de ajudar outras pessoas a serem mais felizes. As falas de Lisa também são recheadas de desabafos sobre seus complexos. Seu gestual demonstra problemas que a moça tem com sua aparência. Mas tudo muda quando eles se encontram. A afinidade entre o casal faz ambos ficarem mais leves.

Além da densidade, a animação conta com outros fatores inusitados, como cena de sexo entre Michael e Lisa, inclusive com nudes do casal. O suficiente para você fazer a criança da família ficar longe deste longa, pois não é definitivamente obra voltada para este público. Mas os grandinhos que gostam de apreciar um bom filme podem ficar certos de que assistirão a um trabalho com todos os elementos de que toda boa película precisa.

P.S.: Agradeço à Paramount pelos convites.

Apoteose da Dança – Eu fui!

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro – velho parceiro do blog – resolveu dar um presente para os grandinhos nas vésperas do Dia das Crianças. “Apoteose da Dança” juntou a nata do corpo de baile em um espetáculo que reunia 2 coreografias: “Age of Innocence “e “Sétima Sinfonia”.

A elite a que me refiro se trata de bailarinos que estão presentes nos espetáculos grandiosos que o Municipal promove. Claudia Mota, Márcia Jaqueline, Francisco Timbó, Deborah Ribeiro, Karen Mesquita, Priscila Albuquerque, Priscilla Mota, Renata Tubarão, Cícero Gomes, Edifranc Alves, Filipe Moreira, Moacir Emanoel e Rodrigo Negri. Todos juntos no palco para o deleite dos admiradores. Além disto, as diretoras artísticas são Ana Botafogo e Cecília Kerche, velhas conhecidas do grande público.

Com músicas de Philip Glass e Thomas Newman, “Age of Innocence” abriu os trabalhos. A coreografia de Edwaard Liang foi concebida em 2008 para o Joffrey Ballet, de Chicago. A inspiração foi o romance “The Age of Innocence”, de Edith Wharton, e os livros de Jane Austen, que descrevem uma mulher que não tinha voz própria e mantinha contato muito limitado com outras pessoas, principalmente com os homens. A dança incluía elementos contemporâneos, mas sem as bailarinas deixarem a sapatilha de ponta de lado.

Um pouco mais antiga “Sétima Sinfonia” foi criada por Uwe Scholz em 1999, para a companhia alemã Leipzig Ballet. Os 16 casais, vestidos de branco, dançavam em um cenário com elementos geométricos, e a coreografia criava formas idem, como triângulos, por exemplo.

As coreografias tinham uma rapidez maior do que o que estamos acostumados a ver nos espetáculos mais tradicionais. Mesmo assim, as bailarinas não abandonam a doçura. No quesito talentos individuais, Márcia Jaqueline se destaca com sua leveza habitual. Entre os rapazes, Cícero Gomes chama a atenção pela força de seus movimentos. Claro, sem ignorar o talento de todo o restante do corpo de baile. E a direção artística de Ana Botafogo e Cecília Kerche, agora por trás dos holofotes, mas que tanto já encantaram com a sapatilha nos pés.

P.S.: Agradeço ao Theatro Municipal pelos convites.

Número 1 no nosso Top 3 de espetáculos favoritos de dança de 2015. Confira!

“Consertam-se Imóveis” – Eu fui!

Indicada ao prêmio Cesgranrio em 2 categorias – “melhor texto” para Keli Freitas e “melhor cenário”, para Lorena

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Lima – “Consertam-se Imóveis” estreou uma nova temporada na nossa velha parceira Sede das Cias este fim de semana. Já fazia tempos que queria assistir ao espetáculo e a sorte nos agraciou com uma oportunidade de vê-lo em uma estreia para convidados. O que significa plateia animada!

O público seleto pôde comprovar o trabalho das indicadas ao prêmio. Keli Freitas fez um texto com diálogos rápidos e com muitos momentos bem humorados, e outros mais tensos, mais para a parte final do espetáculo. Lorena Lima trabalhou em um cenário que reproduzia a casa da família, com os próprios atores mudando no decorrer da peça.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

“Consertam-se Imóveis” conta a história de uma família que faz de tudo para agradar a mãe, idosa e enferma. Filhos e irmãos não apenas fazem suas vontades como a poupam de acontecimentos externos. No palco há 4 atores, sendo que nenhum deles representa a matriarca. Sua presença é apenas narrada, assim como a de Inácio, parente distante que participa apenas com telefonemas e cartas, e recebe da família a cobrança por andar cada vez mais afastado. Por vezes não se sabe ao certo se os motivos dados por seu distanciamento são os reais alegados pelo próprio, ou são invenções dos parentes para aliviar a preocupação da senhora.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Com o adequado nome de “Consertam-se Imóveis”, o espetáculo gira em torno de conflitos familiares, e de como os membros fazem para manter a estrutura familiar. Apesar desta vontade em comum dos personagens, alguns têm necessidade de fuga, e acabam flertando com a loucura. Mas mesmo diante de acontecimentos turbulentos, a vida do clã se mantém de acordo com as próprias convenções, ainda que para isso tenham que ser remendados e os problemas jogados para baixo do tapete. Sendo assim, se torna ainda mais angustiante o ato de consertar imóveis se conservando imóveis.

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FICHA TÉCNICA

Idealização e direção: Cynthia Reis

Texto: Keli Freitas

Elenco: Eduardo Cravo, Jarbas Albuquerque, Raquel Alvarenga, Suzana Nascimento

Cenário: Lorena Lima

Figurino: Bruno Perlatto

Iluminação: Paulo Cesar Medeiros

Composição e direção musical: Federico Puppi

Orientação filosófica: Alexandre Mendonça

Fotografia: Guga Millet

Projeto gráfico: Raquel Alvarenga

Assessoria de imprensa: Minas de Ideias

Produção: Aline Mohamad, Cynthia Reis e Raquel Alvarenga

Realização: Tucanae Produções

SERVIÇO

Consertam-se Imóveis

Reestreia: 22 de agosto de 2015

Temporada: 22 de agosto até 21 de setembro de 2015

Local: Sede das Cias

Endereço: Rua Manoel Carneiro – nº 12 – Escadaria do Sélaron – Telefone (21) 2137 1271

Horário: Sábado, domingo e segunda-feira – 20h

Valor: R$ 30,00 (Inteira) – R$ 15,00 (Meia entrada)

Classificação: 14 anos

Gênero: Comédia dramática

Duração: 80 min

Capacidade: 60 lugares

Bilheteria: 1h antes do início do espetáculo

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias e à Sede das Cias pelos convites

Arraiá do Naília – Eu Fui!

Quanto tempo não atualizamos nossa coluna, não? Bem, nosso retorno triunfal se deve a um evento não tão frequente no blog. Até porque não é no ano inteiro que temos arraiás. Último sábado (8) fomos ao Arraiá do Naília, que estava previsto para acontecer no dia 25 de julho, mas acabou tendo que ser adiado devido a fortes chuvas (coisa rara no Rio de Janeiro de uns tempos para cá).

O arraiá tem mais a cara do Rio de Janeiro, ou seja, menos roça e mais ambiente praiano. O Naília fica localizado na entrada da Barra da Tijuca, de frente para o espelho d’água da Lagoa de Marapendi. A melhor vista fica por conta da Pedra da Gávea. Como cheguei tarde, não pude desfrutar tanto da beleza natural, mas isto não significa que o local também não seja bonito à noite, pois a iluminação colorida se encarrega de embelezar o lugar do evento. Inclusive, mesmo não conhecendo o Naília, de longe pudemos identificar que estávamos próximos a nosso destino, devido à iluminação que chamava a atenção e nos indicava que estávamos no caminho certo (como vocês NÃO podem perceber pela foto, pois fazia tanto tempo que não fotografávamos eventos que a bateria da máquina estava descarregada. Ô, sofrência!).

Apesar da bela vista noturna do local, o fato de termos chegado à noite não foi exatamente uma vantagem. Como estou habituada aos eventos cariocas começarem mais tarde, embarquei nessa e pensei que fosse assim com o Naília. Provavelmente a festa bombou mais cedo, e tive menos oportunidade de curtir os shows, assim como a febre gastronômica atual, os food trucks. Mas cheguei bem na hora em que a banda Soul Brother se apresentava ao som de muito Pop, Rock, Reggae e Forró, com repertório que reunia clássicos de cada gênero.

Bem estruturado, com programação diversificada – tanto nas atrações musicais quanto nas gastronômicas – o Naília é uma boa opção de arraiá pela cidade. Para os que moram nas regiões próximas e para os dispostos a se deslocarem até a Ilha da Coroa. Mas, se querem aproveitar mais o que o evento oferece, vá mais cedo. Assim, vai desfrutar de um arraiá durante o dia, e fechar com um climinha de luau. Boa ideia, não?

P.S.: Agradeço à Mayara Marinho pelos convites.

“Romantic” – Eu fui!

Muita coisa pode acontecer em 10 anos. O período passa rápido para os que levam uma vida normal. Mas também pode ser uma eternidade para os que estão presos a uma situação como a de Léo (Leandro Bacellar). O protagonista de “Romantic” conquistou a liberdade após ter passado uma década na prisão devido ao assassinato de seu tio. Ao sair da cadeia, Léo se depara com a nova realidade ao redor. E constata que, sim, em 10 anos muita coisa pode mudar.

Como a peça já começa com Léo voltando para casa, não se sabe exatamente como são as relações antes do período de clausura. Apenas por alguns fatos narrados pelos próprios personagens. Sua irmã, Irene (Letícia Iecker), está afundada (trocadilho não proposital) na bebida; o marido dela, Felipe (Rafael Araújo), não é mais o melhor amigo do ex-presidiário; e Karen (Marcela Büll) – sua noiva na época anterior à prisão – diz esperá-lo até hoje, apesar de não ter ido visitá-lo durante o tempo em que esteve preso, e hoje trabalha na casa noturna do irmão, o policial Ruivo (Ramon Alcântara). A estes personagens também se junta Nanda (Nívia Terra), assistente de reabilitação social que, como já diz o nome, ajuda na reintegração de Léo.

O que chama atenção logo de início é a distribuição e abraços. Todos os convidados são recepcionados desta forma, e o elenco começa a sessão trocando esta forma de afeto entre eles. Após isto, o clima é mais denso e os diálogos giram em torno do assassinato, arrependimento, rancor. No decorrer do espetáculo, bom destaque tem para a evolução de Karen. Com suas fantasias e devido a alguns outros acontecimentos, acaba caindo na loucura, afastando-se da realidade e de Léo. Outra que preenche bastante o espaço é Letícia Iecker. Com sua Irene sempre acompanhada de sua bebida alcoólica, acaba fazendo rir em uma peça dramática. Graças ao desempenho da atriz, e a algumas inserções de humor no próprio texto.

Infelizmente a temporada já chegou ao fim. O Grupo Teatro Empório esteve em cartaz até 10 de julho na Sede das Cias. Agora é aguardar a próxima oportunidade de conferir mais um trabalho de um dos teatros favoritos do site. Lá qualidade praticamente garantida.

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia E Encenação: Leandro Bacellar

Supervisão De Direção: Fernando Mello Da Costa

Assistência De Direção: Lorrana Mousinho

Trilha Sonora Original: Luciano Correa

Elenco: Diego Carneiro, Letícia Iecker, Leandro Bacellar, Marcela Büll, Nívia Terra, Raffael Araújo E Ramon Alcântara.

Desenho De Iluminação: Larissa Siqueira

Cenografia: Ramon Alcântara

Serralheria: Walter Julião

Costureira: Juliana Villard

Figurinos E Adereços: Ramon Alcântara

Operação De Som: Stace Mayka

Operação De Luz: Lorrana Mousinho

Coordenação De Palco E Montagem: Maurício Ramos De Aguiar

Direção De Produção: Leandro Bacellar

Produção Executiva: Marcela Büll, Stace Mayka E Ramon Alcântara.

Programação Visual: Fernando Nicolau

Fotografia De Estúdio: Pedro Victor Brandão

Fotografias Externas: Renatta Maria

Fotografias De Cena: Virgílio Libardi / Taís Pezzin

Assessoria De Comunicação:

Realização: Grupo Teatro Empório / Empório Narrativo / Koisa Koletiva

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite

“O Rinoceronte” – Eu fui!

Peça tradicional do teatro do absurdo, “O Rinoceronte” – de Eugène Ionesco, um dos maiores ícones do gênero – foi a escolhida para o espetáculo de formatura de mais uma turma da Cia de Teatro Contemporâneo. Criada em 1959, a obra ganhou uma nova versão no palco da cia pelos jovens atores.

O espetáculo retrata uma epidemia de rhinocerite, que vai aos poucos transformando os habitantes de uma cidade em rinocerontes. Para criar uma atmosfera de maior tensão no início, o público é cercado por cortinas, para que os atores possam simular verem os tais animais, mas apenas os efeitos sonoros “aparecem”. Falando em efeito sonoro, a música também é bastante utilizada. Tanto no início do espetáculo, quanto para ligar uma cena a outra, ajudando a contar o enredo.

Recursos simples de maquiagem são utilizados para retratar a transformação dos personagens em rinocerontes. Como são várias cenas, muitas trocas de cenário são feitas, e os próprios atores se encarregam disto. Ao contrário do que parece no início, o clima de tensão não se estende muito, e o público dá muita gargalhada durante o espetáculo. A veia cômica do elenco – com destaque para o protagonista – é fundamental para que isto aconteça. Enquanto seus colegas de cena viram rinocerontes, o personagem faz rir e demonstra bom desempenho, assim como os demais.

Mais do que diversão, “Rinoceronte” também é uma crítica social. Além de mostrar exemplos de relações humanas, o espetáculo é uma boa oportunidade para conhecer uma obra clássica do teatro do absurdo. Também para valorizar o trabalho de gente que está começando e ainda tem muito o que mostrar.

 

P.S.: Agradeço à Cia de Teatro Contemporâneo pelo convite

“Les Sylphides”, “Raymonda” e “Sagração da Primavera” – Eu fui!

No formato 3 em 1, o Theatro Municipal reuniu seu corpo de baile para apresentar 3 coreografias importantes da história do balé mundial. De momentos históricos diferentes, os números apresentados foram “Les Sylphides”, “Raymonda” e “A Sagração da Primavera”.

A primeira a se apresentar foi “Les Sylphides”. A história mistura realidade e fantasia, e fala de um homem que se apaixonou por uma sílfide, mas não sabe se ela realmente existe ou se faz parte apenas de um sonho. Sílfides são fadas aladas, e as asinhas são representadas no figurino das bailarinas. Fazendo companhia a “Gisele” e “La Bayadère“, é um outro balé de estilo romântico. Um clássico do gênero.

A coreografia seguinte foi “Raymonda”. Na história – que se passa no século XIII – a personagem título está apaixonada por Jean de Brienne, mas se vê às voltas com um sarraceno. Abderakhman lhe faz a corte e lhe propõe poder e riqueza em troca de seu coração. Com a recusa da moça, ele resolve raptá-la. Ao saber do ocorrido, Jean e Abderakhman duelam, sendo o primeiro o vencedor. O número apresentado foi o Grand Pas Hongrois, um grande baile húngaro, celebrando o casamento de Raymonda e Jean.

O último número destoa dos anteriores. Esqueça en dehors e tudo o que você sabe de técnica de balé clássico. Com as pernas flexionadas, para dentro, os bailarinos faziam em cena movimentos totalmente atípicos para o gestual de um profissional da dança clássica. “A Sagração da Primavera” que foi levada ao palco do Municipal está longe de causar o mesmo furor de  sua estreia, em 1913. O furdúncio ocorreu no palco do Theatre de Champs-Elysées, como relatou o professor de História da Arte Paulo Melgaço, que costuma fazer palestras antes dos balés do Theatro (caso ainda não tenham visto, não percam. É interessantíssima!). Na época, os espectadores foram surpreendidos por uma coreografia inusitada, e não perdoaram. O espetáculo culminou em brigas, vaias e até intervenção policial. Hoje, “A Sagração da Primavera” é conhecido como um divisor de águas na história da dança.

 

P.S.: Agradeço ao Theatro Municipal pelo convite.

 

Confira nosso Top 3 de espetáculos de dança favoritos de 2015!

“Borderline” – Eu fui!

Foto: apetecer.com
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De algumas peças saímos felizes. Há outras em que saímos pensantes, tristes ou emocionados. Não importa a sensação que causam em mim, as de que eu mais gosto são as que mexem mais comigo, as que ficam mais tempo em minha cabeça. Por vezes, fico remoendo trechos do texto, ou lembrando a interpretação de determinado ator durante dias. No caso de “Borderline”, os pensamentos se estenderam até a minha noite de sono. Sim, tive pesadelos com determinados momentos do espetáculo (não posso contar para evitar spoiler rs).

Sem muitos recursos de figurino ou cenário, o ator Bruce Brandão leva o monólogo com texto baseado no conto de Junior Dalberto, que narra histórias com temas polêmicos: suicídio, incesto, homossexualismo, entre outros. Do tema principal, pouco ouve-se falar a respeito por aí. A síndrome de Borderline também é conhecida como transtorno de personalidade limítrofe, em que os atingidos têm oscilações de humor, e vivem no limite entre a normalidade e surtos psicóticos.

Foto: apetecer.com

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Os portadores da síndrome podem apresentar agressividade, depressão, medo de abandono, etc. Assim como o personagem do monólogo. Apesar de nada mencionarem se ele realmente possui Borderline, o comportamento é por vezes agressivo e inconsequente. Apresenta euforia em alguns momentos, mas sempre aparentando uma melancolia por trás das atitudes.

O texto fala sobre a história do protagonista e sua relação com a família, sobre sua origem, que pode ser a razão da personalidade atormentada. Também discorre sobre a geração anos 90, que é a do próprio personagem, muito voltada para o mundo cibernético. E é esta a dinâmica rápida que transparece para o palco. Além disto, debocha da vaidade da classe artística, o que é divertido ouvir da boca de um ator.

Foto: apetecer.com

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Concordando ou não com as atitudes do personagem, o monólogo vale a pena ser visto devido à abrangência que exerce sobre os espectadores. Não falo apenas por mim, mas pelos comentários dos que assistiram ao espetáculo na mesma sessão. Também pela reação de Bruce Brandão, visivelmente comovido no fim da peça com a emoção que conseguiu passar para o público.

SERVIÇO

Borderline

Estreia: 22 de maio de 2015
Temporada: Até 28 de junho
Horários: Quinta, sexta e sábado 21h – Domingo, 20h
Valor: R$ 40,00 (Inteira)
Classificação: 16 anos
Capacidade: 60 Lugares
Gênero: Drama
Duração: 60 min.
Local: Espaço Tom Jobim – Galpão das Artes
Endereço: Rua Jardim Botânico – 1008 – Telefone – (21) 2274-7012

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelos convites

“Grand Théâtre Pão e Circo” – Eu fui!

A premiada atriz Carol Kahro é mestre de cerimônias de seu espetáculo “Grand Théâtre Pão e Circo”. O termo “espetáculo” é bem apropriado no caso, pois o tema central da peça é a sociedade em que vivemos. Baseado na obra “A sociedade do espetáculo”, do escritor Guy Debord, Carol utiliza texto forte e recursos audiovisuais para ilustrar e criticar a fase em que vivemos.

Nas telas que compõem o cenário, são exibidas imagens reais de televisão. Alguns com programas de entretenimento, outros com imagens de telejornais, explorando a violência urbana. O recurso também é a parte da realidade do espetáculo, assim como o texto que, como a própria atriz – que é a diretora e roteirista – declarou, é baseado em fatos reais. Carol os narra através de personagens e situações, algumas exageradas. Aproveita-se deles para criticar alguns comportamentos hipócritas, em que a pessoa se comove com o que vê na televisão, mas não enxerga a realidade que existe próxima de si.

Como mestre de cerimônias, Carol faz uma interpretação com oratória debochada. Como atriz, é versátil e se desdobra fácil e rapidamente em vários personagens de uma mesma história. Como diretora e roteirista, a criatividade impressiona devido às diversas situações criadas. Por todos esses motivos, assistir a “Grand Théâtre Pão e Circo” vale a pena, tanto para conferir o trabalho multifacetado da artista, quanto para pensar no que foi visto no palco, e no que presenciamos na vida real. Porque pouco provável que o trabalho não mexa contigo.

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite.

“A Sonata dos Espectros” – Eu fui!

Foto: apetecer.com

Um texto de um dos maiores escritores escandinavos foi o escolhido da Cia. de Teatro Contemporâneo para sua nova

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temporada. “A Sonata dos Espectros”, de August Strindberg, mostra vários seres humanos que convivem em uma mesma e fúnebre casa, que se torna ambiente para que surjam conflitos entre eles.

Não fica muito claro no espetáculo, mas por horas parece que os personagens são mortos, por outra que estão presos em vida. O que fica explícito é que as situações surgem para que a culpa de cada um por alguma coisa apareça. Esta, aliás, parece ser a principal temática da peça. Não me lembro se algum personagem assume a sua, mas acusam os outros das suas a todo momento.

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O elenco é grande (cerca de 15 atores), e isto faz o papel do protagonista ter menos relevância. Cada um tem sua importância em um determinado momento. Faltou um pouco para os atores expressarem com mais força a densidade do texto e dos personagens, fato totalmente perdoável em se tratando de um elenco composto em sua maioria por jovens, que ainda têm muita carreira pela frente. O cenário é fúnebre, maquiagem idem, figurino colorido, marca da estética expressionista, assim como os cabelos da maior parte dos atores, parecendo expressar a loucura que os atinge.

Como não conheço o texto original, não posso fazer um paralelo entre esta montagem e o que sugere Strindberg em relação a figurino, cenário e iluminação. Não sei se o trabalho da Cia. de Teatro Contemporâneo é fiel ao do autor. Mas vale conferir o espetáculo principalmente pelo bom texto. E o grupo segue mostrando bom gosto em suas escolhas.

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Para quem deseja conferir o trabalho da Cia. de Teatro Contemporâneo – já havíamos acompanhado a montagem de Ricardo III – segue o serviço do espetáculo.

Serviço:
A Sonata Dos Espectros:
Estréia dia 09 de Maio de 2015.
Sábados às 21h.
Domingos às 20h.
Temporada: até 31 de Maio.
Local: Sede da Cia de Teatro Contemporâneo.
Endereço: Rua Conde de Irajá, número 253 – Botafogo.
Ingresso:
Inteira: R$ 40,00.
Meia: R$ 20,00.

P.S.: Agradeço ao Dinho Valladares pelos convites.

Festival O Boticário na Dança – Eu fui!

Foto: apetecer.com

Existente desde 1968, o Balé da Cidade de São Paulo foi o meu escolhido para prestigiar meu primeiro Festival O Boticário na Dança. O grupo encerrou a temporada do Rio de Janeiro, levando para o palco 2 números: “Cantata” e “Cacti”, nesta ordem. “Cantata”, como o nome já indica, homenageia a cultura italiana, com repertório neste idioma, que inclui serenatas e até

Foto: apetecer.com

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canções de ninar. Na coreografia, os bailarinos capricham em gestos fortes, reproduzindo cenas de paixão e brigas. A sensualidade está presente tanto nos movimentos como no figurino. Ambos também fazem lembrar um quê gypsy, que empolgou mais o público que o número seguinte.

Criado há cerca de três anos para o Netherlands Dans Theater, em Haia, “Cacti” mostra os bailarinos em uma coreografia mais rígida e coordenada, exigindo muita concentração dos artistas em cena. Também fazem uso de um telão para contar um pouco da história. O trabalho é mais questionador, levando para o público a discussão acerca da crítica de arte, e em como isto pode afetar o trabalho dos artistas. Também contesta a necessidade das pessoas de entenderem o que está sendo transmitido. Talvez tenha mesmo sido esta a sensação para os que assistiram a este número de arte moderna.

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P.S.: Agradeço à RPM Comunicação pelos convites.

 

Confira nosso Top 3 de espetáculos de dança de 2015!

Show do Casuarina – Eu fui!

Assim como no ano passado, resolvemos comemorar o feriado do trabalhador com samba, e no Imperator. Só que o show da vez foi de uma banda que eu estava querendo ver fazia algum tempo: Casuarina. Os rapazes acabaram de lançar o CD “No Passo de Caymmi”, em que apresentam canções de Dorival. Mesmo com o recente trabalho, o quinteto carioca não se limitou ao repertório do baiano para o show, mas a clássicos do samba e às suas composições próprias também.

Com uma blusa temática – escrita “Quit work, make music” – um dos vocalistas, João Cavalcanti deu início ao show com “O Ronco da Cuíca”, para em seguida mostrar ao público a satisfação da banda em estar no Imperator, pela importância da casa no cenário cultural carioca. “É isso aí (isso é problema dela)”, “O dia se zangou” e “Vaso ruim” foram as seguintes. E assim seguiram cantando canções próprias, e outras clássicas de João Nogueira, Dorival Caymmi, Martinho da Vila, entre outros.

Também estiveram presentes no repertório “Certidão”, “Acreditar”, “Nicanor”, “Baile no Elite”, “Ponto de Vista”, “Com que Roupa?”, “Peço Licença”, “Pimenta no Vatapá”, “Insensato Destino”, “Dissimulata”, “Linha de Passe”, “Baião da Penha”, “Cabelos Brancos”, “Disritmia”, “Samba da minha terra”, “Rosa Morena”, “Vatapá”, “Eu Quero é Botar meu Bloco na Rua”, “Lapinha”, “Samba de Helena”, “Minha Filosofia” e “Retalhos de Cetim”.

O show começou muito animado, mas caiu um pouco depois das primeiras canções, inclusive nos seus andamentos. Só foi reacender a galera da metade para o fim. Principalmente na última canção, “Aquarela do Brasil”, que encerra todo bom sambão que se preze. Não sei se pelo rico repertório – que sempre puxa por várias canções antigas e clássicas – ou pelos 2 bons vocalistas à frente (ou pelos 2 motivos), a banda, surgida na Lapa e que já conta com mais de 10 anos de carreira, levou para o Imperator uma quantidade de pessoas que há tempo não via em um show na casa.

“A Hora da Estrela” – Eu fui!

Quase 40 anos após sua morte, Clarice Lispector continua sendo lembrada. Até hoje, muitas frases são atribuídas à escritora,

Foto: apetecer.com

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sendo ou não ela a autora. Mas uma de suas clássicas obras, “A Hora da Estrela”, merece ser vista e lida por quem não conhece o trabalho da ucraniana radicada no Brasil. Há livro, filme e peça deste título. Os dois primeiros eu já conhecia, mas o espetáculo teatral fui conferir pela primeira vez no Parque das Ruínas, em uma temporada que durou pouco. Fruto de uma parceria entre os grupos Coletivo Livre de Espetáculos e Cia de Teatro Cordão Encarnado (da Bahia e do Rio de Janeiro, respectivamente), a montagem conta apenas com 2 atores em cena. Joelma Di Paula vive Macabéa, nas fases infantil e adulta. Angelo Mayerhofer se desdobra em 6 personagens, dentre eles, a cartomante, Glória e Olímpico, que têm papeis importantes na estória. Para a mudança de um papel para outro, utiliza-se o recurso das máscaras e troca de figurino.

Foto: apetecer.com

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O cenário precisa se transformar em diversos ambientes, como por exemplo a casa de Macabéa, o escritório onde trabalha (uma ajuda da imaginação do espectador também é indispensável). Para isto, é utilizado um biombo, que serve para que Angelo troque de um personagem para outro, e também faça números de ventríloquo, que aparecem apenas na sombra para o público. Aliás, ela é muito utilizada, dando uma beleza maior a algumas cenas. Quem conhece a obra sabe o quanto o texto é depressivo. Escrito por Clarice já no auge da doença, ela descreve Macabéa com suas angústias, que também podem ser atribuídas à própria autora. O existir por existir, falta de sentido na vida, ambição… Os trechos do livro não saem da boca dos atores em cena, mas por um narrador em off, que preenche o espetáculo com o texto que serve mais como uma reflexão acerca dos personagens que como uma narração. Boa alternativa para não quebrar o clima das cenas. Dependendo do leitor ou espectador, a interpretação de “A Hora da Estrela” é uma. Seja como uma obra sobre a existência, ou crítica social, ou os dois, é um trabalho que merece ser conhecido, independentemente da forma escolhida. Afinal, quem não guarda em si um pouco de Macabéa?

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P.S.: Agradeço à Lyvia Rodrigues pelos convites

“Répétition” – Eu fui!

No início de uma nova temporada no Teatro Fashion Mall, “Répétition” é um espetáculo que justifica o título logo nas primeiras cenas. A montagem mostra um ensaio teatral em que acontecem constantes repetições de cenas, e os atores se envolvem nos conflitos dos próprios personagens. Talvez devido à insistência de algumas situações, levam elementos do texto a uma reflexão sobre suas próprias vidas.

Alex Nader, Paulinho Serra e Tatianna Trinxet vivem 3 atores prestes a estrear um espetáculo, sendo que o personagem de Nader é o do diretor e tem um relacionamento amoroso com o de Tatianna. Os 3 vivem mais um papel cada, é um ensaio dentro da peça e a peça dentro da peça, com eles se alternando durante toda a função, deixando para depois o entendimento se o que está se passando é “verdade” ou encenação.

A iluminação é fundamental para a troca de uma cena para outra. A agilidade dos atores é impressionante, assim como os diálogos. E bem criativo também. Entre os 3, Paulinho Serra se destaca com sua voz forte e humor peculiar, que muitos já devem conhecer de outros trabalhos no teatro e na TV. Depois de muitos minutos em cena, qualquer coisa que ele fazia já era motivo de risada do público presente (composta por sua maioria por pessoas da classe). Ele e Tatianna Trinxet dão diferentes interpretações às mesmas cenas conforme o desenvolvimento da narrativa base, o que deixa tudo muito divertido.

“Répétition” está em sua segunda temporada, e fica até junho no Teatro Fashion Mall. A anterior foi em 2013, e com sucesso de público e crítica. Desta vez, o espetáculo tem elenco diferente, mas a qualidade exibida justifica os elogios que recebeu, e mostra que merece tantos outros.

Confira também a entrevista que fizemos com Tatianna Trinxet, integrante do elenco e diretora de produção do espetáculo

Ficha técnica
Texto: Flavio de Souza
Direção: Walter Lima Jr.
Elenco: Paulinho Serra, Tatianna Trinxet e Alex Nader
Direção de movimento: Patrícia Carvalho-Oliveira
Cenário: Ronald Teixeira
Figurinos: Elisa Faulhaber
Desenho de luz: Fernanda Mantovani
Arte gráfica: Marina Kelson e Duda Aquino
Direção de Produção: Tatianna Trinxet
Realização CONSTELAR

Serviço
Teatro Fashion Mall (Sala 2): Estrada da Gávea, 899/ 2º piso, São Conrado
Dias e horários: 6ª e sábado, às 21h30, e domingo, às 20h.
Telefone: 2422-9800 / 3322-2495
Horário de funcionamento da bilheteria:  3ª a 5ª e domingo, das 15h às 20h; 6ª e sábado, das 15h às 21h40. Aceita cartão de crédito, débito e dinheiro.
Vendas também pelo site  http://www.ingresso.com
Preço: R$ 60 (sexta) e R$ 80 (sábado e domingo)
Duração: 50 minutos.
Classificação etária: 14 anos
Temporada: 17 de abril a 28 de junho

P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites

“BarbarIdade” – Eu fui!

Atraída pelo texto de Luis Fernando Veríssimo, Ziraldo e Zuenir Ventura, decidi ir assistir à BarbarIdade, musical em cartaz até junho no Oi Casagrande. Minha paixão por musicais também me fez ir até lá, especialmente quando se trata de um genuinamente brasileiro.

Os 3 autores se uniram para escrever um espetáculo que fala sobre a terceira idade. É meio que uma peça dentro de outra. 3 autores (vividos por Edwin Luisi, Marcos Oliveira e Osmar Prado) são contratados para escrever um espetáculo sobre a velhice. Só que, até muito próximo à data da apresentação, eles não têm sequer ideia do que fazer. A partir daí, conhecem Daniela, interpretada por Susana Vieira, produtora do espetáculo. Mulher em crise com a idade e o efeito que esta causa.

Este detalhe é talvez o responsável pelas partes mais divertidas, com suas 1000 pílulas que toma diariamente e injeções a todo o momento. Também um dos primeiros números musicais do espetáculo foi uma versão de “Malandragem”, cantada por Susana, em que ela clama a Deus um pouco de maquiagem, pois desde criança que escondia a idade. Outra parte engraçada é a relação com sua assistente, vivida por Thais Belchior. Ela destrata a jovem, fazendo lembrar o famoso episódio em que Susana roubou o microfone de uma repórter durante uma passagem ao vivo de um programa de televisão. Alusão que fica clara em um momento da peça.

Os 3 “velhinhos” são personagens carismáticos. Osmar Prado se destaca pela voz forte e por ser o mais sensato entre os autores. Susana também chama a atenção pelas gargalhadas que tenta engolir durante todo o espetáculo. A atriz parece não aguentar com o próprio texto e ri o tempo inteiro. Thais Belchior também se sobressai pela versatilidade, vivendo a assistente de múltiplos nomes – que não consegue falar, devido às recorrentes interrupções de Daniela – e Matusalém, personagem bíblico que serve como guru dos 3 personagens durante a criação do espetáculo.

Ficha técnica
Texto – Rodrigo Nogueira, baseado na criação de Luis Fernando Veríssimo, Ziraldo e Zuenir Ventura
Direção, Direção de movimento e coreografia – Alonso Barros
Coreógrafa convidada – Dalal Achcar
Direção Musical e arranjos – Marcelo Castro
Direção Musical e Preparação vocal – Felipe Habib
Cenário – Radiográfico
Figurino – Claudio Tovar
Design de som – Carlos Esteves
Visagismo – Martin Macias
Desenho de luz – Daniela Sanchez
Produção de elenco – Marcela Altberg
Elenco – Susana Vieira, Osmar Prado, Edwin Luisi, Marcos Oliveira, Guilherme Leme Garcia, Vera Fajardo, Igor Pontes, Thais Belchior, Diego Montez, Giselle Lima, Carol Costa, Ágata Matos, Eduardo Leão, Leonardo Senna, Leo Wainer, Germana Guilherme, Thiago Lemmos e Clara Verdier.
Músicos: Gabriel Guenter (bateria/percussão), Thiago Trajano (guitarra/violão), Pedro Aune (baixo elétrico/acústico); Matheus Moraes (trompete); Whatson Cardoso (clarinete, sax alto, clarone); Rafael Nocchi (clarinete/sax tenor/flauta); Marcelo Castro (maestro/pianista) e André Câmara (trombone).
Realização – Aventura Entretenimento

Serviço:

BarbarIdade
Teatro Oi Casa Grande, Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Leblon
Dias e horários: 5ª a sábado, às 21h e domingo, às 19h.
Telefone: 2511-0800
Preço: 5ª: R$ 60 (balcão setor 3); R$ 80 (balcão setor 2); R$ 130 (plateia setor 1) e R$ 160 (plateia VIP e camarote).  6ª: R$ 70 (balcão setor 3); R$ 100 (balcão setor 2); R$ 140 (plateia setor 1) e R$ 170 (plateia VIP e camarote).  Sábado e domingo: R$ 80 (balcão setor 3); R$ 110 (balcão setor 2); R$ 160 (plateia setor 1) e R$ 190 (plateia VIP e camarote).
Capacidade:  926 pessoas.
Duração: 2h.
Classificação etária: Livre
Até 14 de junho

“Tomo suas mãos nas minhas” – Eu fui!

Aos quase 45 minutos do segundo tempo, recebemos o convite para assistir à premiada “Tomo suas mãos nas minhas”, cuja

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

temporada no Teatro Fashion Mall está chegando ao fim. Apesar dos planos para o fim de semana serem outros a princípio – atualizar os outros eventos e peças a que fomos assitir -, aceitamos de primeira a proposta. Afinal, já estava a fim de ver fazia algum tempo.

A peça se desenvolve a partir de cartas que Anton Tchekhov e Olga Knípper trocam ao longo de 6 anos. Eles se conhecem em uma leitura de “A gaivota”. Ela, uma jovem atriz. Ele um escritor renomado, mais velho e tuberculoso. Primeiro são amigos, depois amantes, até finalmente se casarem. Os nomes de Miriam Freeland e Roberto Bomtempo – também casal na vida real – mostra-se perfeito para os papeis. Ela com aquela euforia da juventude, apaixonada por seu parceiro. Bomtempo faz um trabalho excelente. Começa a peça aos 38 anos e termina com 44. Devido à doença, o personagem envelhece consideravelmente durante o espetáculo (“Tenho 42 anos, mas me sinto com 72”, disse essa frase Tchekhov, durante a peça).

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

A história se passa entre o fim do século XIX e o início do XX, e figurino e cenário remontam a época. Apesar de bem feitos, o que se destaca e colabora na dramaticidade e beleza de alguns momentos é a iluminação de Maneco Quinderé (espero que tenhamos conseguido reproduzir nas fotos =)). O texto, além de representar o amor entre o casal, também faz várias alusões a obras de Tchekhov, como “As três irmãs” (que já assistimos), “Tio Vânia”, e “O Jardim das Cerejeiras”, contando o processo de produção do autor, e mal-entendidos em alguns roteiros.

Infelizmente a temporada chega ao fim hoje. Resta a nós esperar que uma nova se inicie para que mais pessoas possam conhecer não apenas o amor entre Tchekhov e Olga. Conheçam também mais da vida e obra do autor, um dos maiores dramaturgos de todos os tempos.

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P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelos convites. À diretora Leila Hipólito parabenizamos pelo trabalho, e agradecemos pelas dicas nas fotos =)

“Quem matou Laura Fausto?” – Eu fui!

Sabe aqueles suspenses de Agatha Christie e Alfred Hitchcock? Não é exatamente o que você vai encontrar. Apesar de terem sido umas das inspirações dos autores Gustavo Berriel e Raphael Antony, a trama de “Quem matou Laura Fausto?” não amedronta. Pelo contrário! Diverte, mas é recheado de surpresas.

"Quem matou Laura Fausto?"  Foto: apetecer.com

“Quem matou Laura Fausto?”
Foto: apetecer.com

O título do espetáculo é bem direto e já entrega sobre o que se trata. Laura Fausto – empreendedora e dona de um império multimilionário – é assassinada justamente na noite em que vai revelar um grande segredo. Todos os personagens são suspeitos do crime. O ambicioso genro Egídio (Raphael Antony); as duas filhas, a histérica Rebeca (Katya Alessi) e a desequilibrada Arieta (Adriana Torres, para mim, a melhor em cena); a secretária Sheila (Ilona Wirth); a criada Úrsula (Cecília Vaz) e, lógico, o mordomo Reginaldo (Gustavo Berriel). Depois de descobrirem o crime, eles ganham a ajuda do investigador Lino (Marcello Andreata) para desvendarem quem foi o autor.

"Quem matou Laura Fausto?" Foto: apetecer.com

“Quem matou Laura Fausto?”
Foto: apetecer.com

A partir daí, eles se acusam da autoria do crime, e geram conflitos, intrigas e revelações. Não sei se o auxílio de Lino foi muito eficiente, mas a investigação – assim como todo o espetáculo – dá origem a várias situações divertidas, que me lembraram várias vezes momentos de episódios do Chapolin Colorado.

A maior preocupação dos autores era a de que o público não revelasse o fim para os que não assistiram à peça. Mas, na verdade, não tem graça nenhuma fazer isso, porque faria a pessoa perder tudo o que acontece até que o mistério seja finalmente desvendado. De nada adianta saber quem cometeu o crime sem ter noção dos motivos e dos outros segredos que são revelados mais para o fim do espetáculo. O desfecho é bem criativo e, quando você acha que todos os mistérios já foram contados, vem algum outro fato e te surpreende. Portanto, só assistindo para saber “Quem matou Laura Fausto?” e fazerem suas apostas.

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SERVIÇO
“QUEM MATOU LAURA FAUSTO?”
Temporada: 11/03/2015 a 15/04/2015
Local: Teatro das Artes
Endereço: Shopping da Gávea – Loja 264 – 2º Piso | Rua Marquês de São Vicente 52 – Gávea.
Tel: (21) 2540-6004
Dias: Quartas-feiras às 21h
Preço: R$60 (inteira) e R$ 30 (meia)
Duração: 100 min
Bilheteria: Das 15h às 20h- de segunda-feira a domingo.
Capacidade: 421 lugares
Faixa etária: 12 anos

FICHA TÉCNICA
Texto, concepção e trilha sonora: Gustavo Berriel e Raphael Antony
Direção: Raphael Antony
Assistente de Direção: Felipe Miguel
Produção: Cecília Vaz e Marcello Andreata
Assistentes de Produção: Rafa Barcelos e Eduardo Gouvêa
Elenco: Adriana Torres, Cecília Vaz, Gustavo Berriel, Ilona Wirth, Katya Alessi, Marcello Andreata e Raphael Antony.

P.S.: Agradeço à Lyvia Rodrigues pelos convites

“Cabaré Foguete” – Eu fui!

Sucesso já com sua terceira temporada em cartaz na Sede das Cias, finalmente me rendi aos encantos de Ana Foguetinho e seu Cabaré, de onde tem origem seu sobrenome. O evento é às 23 horas de sábado no Lapa, programa ideal para ir com um grupo de amigos.

No “Cabaré Foguete”, ficamos fazendo parte do cabaré. Bem, não foi o meu caso, pois fiquei lá em cima, mas tem umas mesinhas no palco em que as pessoas podem consumir, sendo servidas pelas “gostosas”, que atendem o público durante o espetáculo. Agora, se você – como eu – vai ao teatro para assistir à peça, e não fazer parte dela (heheh), pelamordedeus: não fique nesses lugares rsrs

A peça tem origem no “Sarau das Putas”, peça composta por 13 monólogos de personagens, a partir de histórias de prostitutas. Deste espetáculo fazia parte a personagem Ana Foguetinho que, segundo o diretor Ivan Sugahara, era a que mais fazia sucesso. A partir daí, a moça ascendeu e ganhou um espetáculo todo dedicado a contar sua vida.

Como já sabia do esquema do “Cabaré”, fui esperando um clima animado, bem a cara do sábado à noite na Lapa mesmo. Cheguei lá e não me enganei. O povo é alegre, canta junto e consome para valer. Mas também pensei que o ambiente e as piadas, digamos, didáticas, e coreografias eróticas seriam apenas uma pimenta a mais na história de Ana Foguetinho. Mas foi aí que me enganei. O espetáculo parece focar mais em fazer graça, e o enredo da personagem nem chama muito a atenção. Também é muito longo, e sinceramente ficou massante (ou talvez eu tivesse que ter bebido).

Já conhecia Nara Parolini e Thiago Ristow de “Maratona”, maravilhosos (campeão do nosso Top 5 de melhores peças do ano passado). Ela dá um ar que mescla ingenuidade e malícia para Ana Foguetinho, e ele interpreta vários personagens. Inclusive, dono de um dos momentos mais divertidos, em que faz um pastor, imitando aquele jeito peculiar de falar. Catarina Saibro também se destaca cantando bem as músicas que contam a história de Ana Foguetinho. O repertório é uma série de paródias de sucessos nacionais e internacionais, como “The house of the rising sun” e “Faroeste caboclo”, entre outras.

Portanto, para quem deseja reunir uns amigos para um “esquenta” na Lapa, aqui segue o serviço do espetáculo e divirta-se:

Classificação: 16 anos
Capacidade: 60 lugares
Gênero: Comédia Musical
Duração: 70 minutos
Horário: Sábados, às 23h
Bilheteria: aberta 1h antes de cada sessão
Ingresso: R$30,00(inteira) e R$15,00(meia)
Temporada: de 07 de março a 25 de abril
Local: Sede das Cias (Rua Manuel Carneiro, 12. Escadaria Selarón – Lapa)

SEDE DAS CIAS
Rua Manuel Carneiro, 12
Escadaria Selarón – Lapa
Informações: (21) 2137-1271 sededascias@nevaxca.com.br
http://www.facebook.com/sededascias

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite

Show de Luiz Melodia no Teatro Rival – Eu fui!

Dono de – na minha modesta opinião – um dos timbres mais bonitos da MPB, Luiz Melodia foi o convidado do Teatro Rival

Luiz Melodia recebe no show a participação de seu filho, Mahal Reis  Foto: apetecer.com

Luiz Melodia recebe no show a participação de seu filho, Mahal Reis
Foto: apetecer.com

para fazer os shows que antecedem o aniversário da casa, que está comemorando 80 anos. O cantor usou o tradicional palco para apresentar seu novo trabalho, o CD “Zerima”.

O cantor aproveitou bem a oportunidade e preencheu a maior parte do repertório do show com as canções do novo CD. O trabalho tem a participação da cantora Céu e de Mahal Reis, que entrou de surpresa no palco para fazer um rap enquanto o pai (sim, ele é filho de Melodia) cantava “Maracangalha”.

Apesar do repertório repleto de novidades, as “velhinhas” também estiveram presentes. Luiz Melodia não abriu mão de seus sucessos, como “Pérola negra”, “Congênito”, “Ébano” e “Salve linda canção sem esperança”. Mas o ponto alto da noite foi  “Magrelinha”, que quase encerrou o bis, com o público cantando junto.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Certamento o ponto alto da noite. O show terminou mesmo com Melodia entoando “Papai do céu”, do novo álbum. Com refrão “chiclete” (Adocicar o nosso amor / Com uma taça de licor / Papai do Céu ajuda), duvido que tenha uma pessoa que tenha saído do Rival sem ficar com a música por horas na cabeça.

Não costuma acontecer, mas dessa vez perdi a aposta de qual seria a última canção do bis. Imaginava que seria “Estácio, Holly Estácio”, mas esta infelizmente ficou fora do repertório. Mesmo assim, eu – que sempre quis assistir ao cantor ao vivo -, fiquei satisfeita com o resultado do show. Melodia mostrou que permanece com força total e, claro, com o belo timbre de sempre.


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P.S.: Agradeço o Teatro Rival pelo credenciamento.

“Comédia S/A” – Eu fui!

Estreia é sempre sinônimo de nervosismo, tensão… Pode ser para a maioria das pessoas, mas não para a galera de Os profissionais, que estreou na última sexta-feira (13) o espetáculo “Comédia S/A”. Os atores não se intimidaram nem com o mau agouro que a data pode trazer e se mostraram desenvoltos no palco.

Ninguém parecia, assim, tãaaao nervoso com a estreia – ou disfarçaram bem – e mostraram algumas esquetes de humor que poderiam acontecer em qualquer escritório, com um certa dose de exagero. Sexta-feira à noite e o público querendo esquecer o expediente pelo menos pelos próximos dois dias. O resultado foi diversão dos espectadores e, certamente, identificação com algumas cenas expostas.

O texto é de Abbadhia Vieira, que também integra o elenco, e a supervisão artística é de um veterano da comédia, o roteirista Cláudio Torres Gonzaga. O grupo ficará em cartaz até 3 de abril no Teatro Fashion Mall, em São Conrado. Boa dica para quem quer entender o mundo corporativo, mas dando boas risadas dele.

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P.S.: Agradeço a Minas Ideias pelos convites

“S’imbora, o musical – a história de Wilson Simonal” – Eu fui!

“Certa ocasião estava conversando com meu anjo da guarda, e ele virou sério para mim e disse: ‘Simona, ou você vai ser alguém na vida, ou vai morrer criolo mesmo'”. A célebre e premonitória frase de Wilson Simonal é um misto de autopejorativa e autoconfiante. A interpretação é de cada um, mas há uma verdade absoluta: o “rei da pilantragem” não passou por esta vida despercebido.

Sua vida e sua arte estão sendo representadas no palco do Teatro Carlos Gomes no musical “S’imbora, o musical – a história de Wilson Simonal”. A história do artista tem seus altos e baixos, tanto na carreira, quanto no âmbito pessoal pois, no caso, eles se misturam. O espetáculo narra o sucesso meteórico de “Simona” – da infãncia pobre à fama arrebatadora, sendo reconhecido internacionalmente e se tornando o primeiro artista negro POP do Brasil – até sua decadência, afundado em dívidas, alcoolismo e ostracismo.

Wilson Simonal morreu em 2000. Não vou entregar minha idade (hehe), mas já era grandinha este ano. E eu, que sempre curti música, não lembro de absolutamente nada do artista em vida até então. Vou incorporar a marra “simonalesca” e considerar isto como um indício do esquecimento que o artista sofreu após o escândalo que se popularizou no início da década de 1970. Começou a ser visto como “mascarado”. O próprio se “defendeu” dizendo que sempre havia sido. Com polêmicas e insucessos de administração, sua carreira começou a se desestruturar. Mas a coisa ficou mais séria quando, desconfiado de seu contador, pediu ajuda a amigos policiais (agentes do DOPS), que o sequestraram para que denunciasse quem o estava roubando em sua produtora (Simonal Produções, que já não lucrava mais). O episódio culminou na prisão do cantor que, posteriormente, em uma cadeia de equívocos, foi acusado de delator a serviço da ditadura militar.

Antes da peça, havia lido a respeito do trabalho e da vida de Simonal, e me parecia que o espetáculo seria muito triste. Até é em alguns momentos, em que se torna impossível não se envolver com a história. Mas o resultado é “pra cima” a maior parte do tempo, até no desfecho. E, como disse Pedro Brício – diretor da peça -, o maior trunfo do trabalho é a qualidade musical.

Ícaro Silva é um impecável Wilson Simonal. Apesar do timbre menos grave do homenageado, o ator / cantor faz interpretações parecidíssimas com as gravações ou apresentações originais. Jovem e experiente em musicais, já o conhecia de “Rock’n Rio, o musical” e “Elis, a musical”, em que representava Jair Rodrigues em um incrível dueto com a dona do papel-título, Laila Garin. Difícil mesmo é escolher o melhor número. Talvez deva destacar “Tributo a Martin Luther King” e “Cordão”, mas mais pelos momentos de maior emoção. Porque, se formos julgar pela qualidade, todos se destacam.

Na categoria “talentos individuais”, destaca-se Victor Maia, que faz vários personagens importantes, como Eduardo Araújo, Roberto Carlos e César Camargo Mariano, com bons trabalhos de sotaque. Além de fazer um surpreendente dueto com Ícaro em “O bom” – logo nos primeiros minutos de espetáulo -, também mostra-se ótimo bailarino.

“S’imbora…” pula para o topo do meu Top 5 de melhores musicais do ano, que ainda está no início. Independentemente disto, é uma excelente chance de conhecer a história de Wilson Simonal que, como o próprio dizia, transformou-se em um morto-vivo e foi condenado a um ostracismo artístico. Ao contrário do que poderia parecer na época, sua obra permanece viva e merece ser conhecida e valorizada.

Como dizia Carlos Imperial – narrador do espetáculo, também amigo e mentor da carreira de Wilson Simonal -, “10, nota 10!”.

 

 

SERVIÇO
‘S´IMBORA, O MUSICAL – A HISTÓRIA DE WILSON SIMONAL’
Estreia: 16 de janeiro (sexta)
Temporada: até 12 de abril
Teatro Municipal Carlos Gomes
Praça Tiradentes, 19
Telefone: 2232.8701
Horários
Quinta a sábado – 20h
Domingo – 18h
Preços:
Quintas, sextas e domingos: R$ 80,00
Sábados: R$ 90,00
Vendas na bilheteria do teatro
Horário da bilheteria:
de quarta a domingo, das 14h às 18h http://www.compreingressos.com
Classificação etária: não recomendado para menores de 12 anos
Capacidade do teatro: 685 lugares
Duração: 2h40 (com intervalo)

 

P.S.: Agradeço a Uns Comunicação pelos convites.

 

Medalha de prata no nosso Top 5 de melhores musicais de 2015, veja só!

“A Bela e a Fera” – Eu fui!

Neste post de aniversário, estamos fazendo uma 2ª edição do “Eu fui!”. Brincadeira, trata-se apenas de uma coincidência. Na data em que comemoramos um aninho de vida, fomos ver uma nova montagem do musical “A Bela e a Fera”, que já foi tema da nossa coluna em julho do ano passado.

O clássico infantil é livremente inspirado no conto francês “La Belle et la Bêt”, de Jeanne Marie Leprince. A montagem narra a história de um príncipe egoísta amaldiçoado por uma feiticeira que o transforma em uma fera horrível. O encanto só poderá ser desfeito se ele encontrar o amor verdadeiro. Eis que, em um dia, Maurice, morador de um vilarejo distante que estava fugindo de lobos famintos, decide abrigar-se no castelo ao encontrar a porta aberta. Recebido com grande entusiasmo por objetos encantados que andam e falam, ele se sente acolhido e protegido. No entanto, é surpreendido pela pavorosa Fera, que o faz prisioneiro por ter invadido seu castelo.

Menos pomposa que a primeira a que assistimos – que esteve em cartaz no Teatro Bradesco -, esta montagem do diretor Alan Ragazzy também se mostra bastante fiel ao que me lembro do desenho. A doce e inteligente Bela, moradora de um pequeno vilarejo, não se identifica com seus vizinhos. Tanto por sua bondade, quanto por sua forma mais profunda de enxergar a vida e as pessoas. Quando encontra Fera, ambos se apaixonam, e a protagonista demonstra que o mais importante é o que as pessoas têm em seus corações, e a aparência é o que temos de menos relevante. Diferentemente de Gastón, o marrento e bonitão habitante de seu vilarejo, que quer a todo custo se casar com Bela. Não por sua admiração pela moça, mas simplesmente por ser a mais bonita garota local. E não admite um “não” como resposta.

Apenas achei a montagem mais corrida no início. As cenas eram menos detalhadas, e os fatos sucederam mais rapidamente. O espetáculo passa a segurar mais após a chegada de Bela na mansão de Fera. Também a participação de Gastón (Areias Herbert, com forte veia cômica), pelo que me lembro, é mais presente. Apesar de ser um vilão, o personagem tem grandes carisma e aceitação do público infantil. Apesar da estrutura desta versão de “A Bela e a Fera” lançar mão de menos artifícios que a outra a que assisti, resultado não é de forma alguma comprometido. O espetáculo é interessante e a mensagem principal do espetáculo é passada com sucesso.

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P.S.: Agradeço a Lyvia Rodrigues pelos convites.

“Bonitinha, mas Ordinária” – Eu fui!

Já não aguento mais falar isso aqui (rs), mas é verdade: nunca havia assistido a uma peça de Nelson Rodrigues. Já li vários textos dele mas, montagem teatral, nenhuma (pelo menos não que me lembre). A primeira experiência com a obra deste autor foi esta semana, com “Bonitinha, mas Ordinária”, no Centro Cultural Banco do Brasil.

A montagem teatral é da Companhia Teatro Portátil, e está em cartaz até 1° de março no CCBB. O texto, clássico de Nelson Rodrigues, conta a história de Edgard, que recebe a proposta do chefe para se casar com sua filha. Sem querer ceder à tentação, mas visivelmente seduzido pela oportunidade, o protagonista precisa pensar e repensar seus valores.

Ao contrário das montagens de outras peças da Companhia Teatro Portátil, nenhum boneco é utilizado. Mas o universo lúdico está presente. Com o cenário praticamente inexistente, aparecem no telão do fundo do palco várias ilustrações que servem como pano de fundo de algumas cenas. E também representando algumas imagens do Rio Antigo. Outra peculiaridade são os atores sentados na plateia, próximos ao público. Eles iam aparecendo os poucos, causando surpresa em alguns momentos, pois o elenco é grande.

Falando em Rio Antigo, outra característica muito presente nos textos rodriguianos são os costumes da época. O machismo, a preocupação com “o que os outros vão pensar / falar”, tudo isto está presente em “Bonitinha…”. A frase “O mineiro só é solidário no câncer” é citada logo no início da peça, e repetida a todo o momento para justificar algumas ações, mas também atormenta a mente de Edgard.

Não apenas isto! Chantagens, pressões, humilhações. Heitor, patrão de Edgard, lança mão de todas essas artimanhas para tentar convencer seu funcionário a ceder a sua proposta. Tenta lembrá-lo várias vezes de sua posição inferior para que se sinta rebaixado. Mas também tenta satisfazê-lo, da sua forma, dando aumentos sem motivo, aos quais o protagonista resiste.

“Bonitinha, mas Ordinária” retrata costumes de uma época, mas o enredo principal é algo atemporal. Faz o ser humano refletir sobre o que é capaz de fazer por dinheiro ou poder, e o que uma pessoa que já os possui pode fazer para convencer alguém em posição inferior a ceder a suas vontades.

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Texto: Nelson Rodrigues
Direção: Alexandre Boccanera
Elenco: Ana Moura, Anderson Cunha, Cláudio Gardin, Elisa Pinheiro, Guilherme Miranda, Julia Schaeffer, Laura Collor, Marcelo Escorel, Márcio Freitas e Morena Cattoni.

SERVIÇO:
Espetáculo: Bonitinha, mas Ordinária
Local: Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro) –
Teatro III
Telefone para informações: (21) 3808-2020.
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).
Estreia: 21 de janeiro, às 19h30
Temporada: 21 de janeiro a 1º de março
Horários: de quarta a domingo, às 19h30.
Capacidade: 40 pessoas.
Classificação etária: 16 anos.
Duração: 75 min.

P.S.: Agradeço ao CCBB pelos convites.

“Ricardo III” – Eu fui!

Foto: apetecer.com

Sempre quis assistir a alguma peça de Shakespeare! Com isto, pedi para ir ver a montagem de “Ricardo III”, na sede da Cia de Teatro Contemporâneo, em Botafogo. Sabia que era o último dia da temporada, mas não que era a peça de formatura do elenco. Portanto, o fim da sessão tinha um clima duplo de despedida.

A escolha foi bem feita. Uma peça clássica de William Shakespeare é um aprendizado para qualquer ator, e sua boa execução meio que prova para o novo profissional que ele está pronto para o caminho que irá percorrer. A adaptação a que assisti, apesar do figurino que remonta a época antes do período Elizabetano, tem toques contemporâneos, para fazer jus ao nome da companhia de teatro. Antes mesmo do início da sessão, o ambiente é “musicado” com canções POP internacionais, inclusive rock da terra do autor do texto. E assim se inicia o espetáculo: com o elenco dançando uma das músicas ambiente, em um clima leve, dando entender que o que virá a seguir é uma montagem menos densa, até uma comédia.

Ledo engano! A montagem era a que eu esperava mesmo, contando a história de Ricardo III, Duque de Gloucester, filho mais novo da casa de York, que arquiteta um plano para matar seus irmãos e se tornar rei. O enredo mostra a cobiça e caráter duvidoso – para não dizer certamente ruim (rs) – do protagonista, que foi inspirado na história real de Ricardo III Rei da Inglaterra . E mostra que, mesmo o texto tendo sido escrito entre 1592 e 1593, continua atual, e o tema principal pode ser aplicado aos dias de hoje.

Aproveitamos também para desejar sorte a Alisson Práxedez Cidrini, Gustavo Vasconcelos, Isac Bruno, Joel Ajudarte, José Guilherme Vasconcelos, Marco Antonio Thuler, Marina Blanc, Mayara Barros, Tatiana Trajano e Thaís Martins. Sucesso e que nos vejamos em muitos palcos por aí 😉

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Agradeço a Cia. de Teatro Contemporâneo pelos convites.

“Bob Esponja: Um herói fora d’água” – Eu fui!

Estreou dia 5 de fevereiro no Brasil “Bob Esponja: Um herói fora d’água”. O desenho relata um drama na vida de Patrick, Bob, Lula Molusco e todos os outros habitantes da Fenda do Bikini: a receita do hambúrguer de siri – famosa iguaria preparada pelo protagonista – simplesmente desapareceu. Desesperados, todos se tornam espécie de psicopatas tentando resolver este enorme problema. E lógico que Bob se torna o vilão da história, e não pode confiar em ninguém para ajudá-lo, pois todos estão fora de si pela abstinência da tal comida.

Cheguei atrasada na sessão. Portanto, não sei muito bem como a receita foi perdida. Também nunca havia assistido ao desenho. Mas a primeira impressão que tive do invertebrado foi a melhor possível. Bob Esponja é uma simpatia. O filme tem sacadas criativas e, conforme os mais experientes neste desenho animado diziam na cabine de pré-estreia (que contava até com criança), é bem fiel ao desenho. A receptividade do público adulto na sessão e a da criança presente também era extremamente agradável. O longa agrada fãs e novos fãs do desenho, como eu. Especialmente em relação aos super poderes que os personagens adquirem para recuperar a posse da receita milagrosa.

“Elis, A Musical” – Eu fui!

Considerada por muitos a melhor cantora brasileira, Elis Regina construiu uma carreira musical rica e eclética. Muito dela está sendo (muito bem) representada no palco do Oi Casagrande, em sua segunda temporada carioca. “Elis, A Musical” conta e canta vida e obra da famosa Pimentinha, cantora gaúcha que nos deixou precocemente, em 1982, aos 36 anos de idade.
O musical faz parte da trilogia da Aventura Entretenimento, que conta com obras essencialmente brasileiras. Dela fazem parte “Se Eu Fosse Você, o Musical” e “Chacrinha, o Musical”. O espetáculo conta a trajetória de Elis, desde a adolescência, em Porto Alegre – quando ainda era uma cantora de baile, e as intenções de todos a sua volta era de que se tornasse uma cantora popular – até se tornar na artista mais renomada do Brasil.
O temperamento, personalidade e ambição de Elis foram determinantes para que ela atingisse seu auge. As amizades e 2 casamentos que a cantora fez ao longo dos anos representam bem a transformação e sofisticação pela qual a artista passou. Muitos destes nomes são personagens do espetáculo, como Nelson Motta, César Camargo Mariano, Carlos Imperial entre outros.
As três horas de peça são preenchidas pelos mais diversos números musicais que fizeram parte da carreira da cantora. Desde seus números solo, como no início da carreira, com “Arrastão”, até o famoso dueto de sambas de Zé Ketti, ao lado de Jair Rodrigues, que incendeia o público.
Mas é a partir do segundo ato que o espetáculo cresce de verdade. Laila Garin, que já demonstra bom desempenho desde o início, quando interpreta “Como nossos pais” parece incorporar o espírito de Elis. E praticamente não dá para ver diferença entre as duas cantoras. A gaúcha também foi conhecida por interpretar compositores até então iniciantes, como Milton Nascimento, e isto também é exibido no palco. E é justamente o momento em que a emoção toma conta do espetáculo, também misturando com o contexto político da época. No caso, a ditadura militar.
Além do excelente e vasto repertório – que conta com músicas de todas as fases da carreira de Elis – , a interpretação cênica e musical de Laila Garin é o grande trunfo de “Elis, A Musical”. Até o mais fervoroso fã de Elis Regina provavelmente há de reconhecer o talento da atriz que a representa. Na minha modesta opinião, nada a dever.

Serviço:

Data: de 30/10/2014 a 08/02/2015

Local: Oi Casa Grande – Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Leblon

Telefone: (21) 2511-0800

Horários:

Quinta-Feira e Sexta-feira – 21h

Sábado – 17h e 21h

Domingo – às 19h

Duração: 3h (com intervalo de 15 min) – 150 minutos

Classificação:  Não recomendado para menores de 12 anos.

Ingressos:

Quinta-feira – 21h

VIP (fila C a L) – R$ 160

Camarote – R$ 160

Plateia setor 1 (fila A e B + M a T): R$ 130

Balcão setor 2 (fila A a J): R$ 80

Balcão setor 3 (fila K a N): R$ 60

Sexta-feira – 21h

VIP (fila C a L) – R$ 170

Camarote – R$ 170

Plateia setor 1 (fila A e B + M a T): R$ 140

Balcão setor 2 (fila A a J): R$ 100

Balcão setor 3 (fila K a N): R$ 70

Sábado – 17h e 21h & Domingo – 19h ou 16h

VIP (fila C a L) – R$ 190

Camarote – R$ 190

Plateia setor 1 (fila A e B + M a T): R$ 160

Balcão setor 2 (fila A a J): R$ 110

Balcão setor 3 (fila K a N): R$ 80

BILHETERIA: (21) 2511-0800 – de terça a quinta das 15h às 20h, sexta das 15h às 22h, sábado das 15h às 21h30 e domingo das 15h às 20h30.

P.S.: Agradeço a MNiemeyer pelos convites.

 

Medalha de bronze entre os melhores musicais de 2015 a que o blog assistiu, veja só!

“Boa noite, Mãe” – Eu fui!

Mal começou o ano, e o teatro já nos presenteia com belas obras. “Boa Noite, Mãe”, em cartaz na Sede das Cias, é um reconhecido texto norte-americano. Escrito em 1983, a peça rendeu à autora, Marsha Norman, um prêmio Pulitzer. A tradução foi feita por Hugo Moss e Thaís Loureiro, que também integra o elenco, como Jessie.

As atrizes em cena são Beth Zalcman e a já mencionada Thaís Loureiro. Mãe e filha, respectivamente. A história se passa em uma noite rotineira na vida da pequena família. A novidade está na decisão que Jessie tomou e resolve contar para a mãe: vai se matar em poucas horas. A revelação pega Thelma de surpresa, mas a ideia é amadurecida pela filha por muito tempo.

A notícia, a princípio, tem uma receptividade incrédula por parte da mãe. Extremamente organizada, Jessie planeja tudo de que Thelma precisa para não deixá-la desamparada em sua falta. Coisas simples, como onde fazer compras, onde estão os objetos, o que fazer com seus pertences, etc. Com isto, as duas vão levando uma conversa que parece nunca ter havido entre elas. A filha se abre, e a mãe passa a enxergá-la de outra forma. Começa a entender seus problemas existenciais e a se culpar, por não ter aberto os olhos antes.

Jessie se queixa do casamento fracassado, de sua falta de talento e sorte nos empregos, de seu relacionamento distante com o filho (adolescente, parece pelos diálogos), e da epilepsia. Mas a moça declara estar se sentindo serena e preparada para o suicídio. Inclusive com a doença controlada. A suposta boa fase na vida da filha deixa Thelma ainda mais incompreendido quanto ao real motivo da decisão drástica de Jessie.

A serenidade que Jessie demonstra – apesar da aflição nítida no comportamento da personagem – contrasta com o comportamento de Thelma. A perplexidade e incredulidade no início dão lugar depois a raiva, rancor. Até que se transforma no amor incondicional de mãe, que parece que a própria nunca percebeu existir. Com isso vem o desespero e as súplicas para que a filha mude sua decisão. Mostrando, e descobrindo, certa dependência emocional em relação à filha.

As interpretações de Beth e Thaís são excelentes. A primeira vive perfeitamente uma senhora de idade, um pouco amargurada com algumas situações do passado. Thaís executa com perfeição a garota de autoestima baixa, além dos trejeitos da epilepsia.

Quem acompanhou nosso Top 5 do “Eu fui!” de teatro de 2014 sabe que gostamos de fazer o ranking dos melhores do ano. Sei que é cedo para dizer algo, mas “Boa Noite, Mãe” se aproxima do topo. Será que já pintou campeão?

 

FICHA TÉCNICA
Texto: Marsha Norman
Direção: Hugo Moss
Tradução: Hugo Moss e Thaís Loureiro
Elenco: Beth Zalcman e Thaís Loureiro

 

SERVIÇO

Teatro Eva Herz, de 25 de fevereiro a 26 de março.
Horário: quartas e quintas, às 19h
Local: Teatro EVA HERZ – Livraria Cultura (Rua Senador Dantas, 45 – Centro – Rio de Janeiro) – telefone: (21) 3916 2600
Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada para jovens de até 21 anos, estudantes e maiores de 60 anos)
Duração: 100 minutos
Lotação: 178 lugares (4 lugares para cadeirante)
Classificação etária: 16 anos
Gênero: drama

 

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelos convites

“Constellation” – Eu fui!

Em 1955, Copacabana “bombava”, como se diz atualmente. O que hoje já é charmoso, era ainda mais nos anos 1950, e ditava regras e moda para toda uma geração. Um dos cartões postais mais famosos do mundo vivia seus tempos de glória. Todos queriam estar e participar um pouco daquele way of life.

Para quem não viveu a época – por motivos geográficos ou cronológicos – , ela está sendo representada no palco do Teatro Vannucci. O enredo – e o nome do espetáculo – é baseado em uma aeronave criada pela Varig. Luxuosa, prometia reduzir o tempo de viagem entre Rio de Janeiro e Nova Iorque de 72 para 20 horas. A protagonista, Regina Lúcia (Jullie), fica louca para participar do voo inaugural, e se inscreve em um concurso para conseguir.

Ao contar a história, o enredo brinca com o que então seria o futuro, ou seja, os dias de hoje. Por exemplo, a derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014 foi posta em cena, quando se falava da perda do título mundial para o Uruguai em pleno Maracanã, em 1950. Em 1955, esta “tragédia” esportiva ainda estava muito forte na memória do povo. O humor está sempre presente, também lembrando os personagens da vida real que habitavam as colunas sociais. Jorguinho Guinle, Carmen Mayrink Veiga, Martha Rocha, entre outros.

O musical conta com um ótimo repertório, que inclui canções internacionais, como “Blue Moon”, Jambalaya”, “Stand By Me”, e várias outros sucessos. Todos em cena cantam, mas quem brilha  é Jullie. A cantora/atriz faz por merecer seu posto de protagonista. Afinadíssima e de voz doce, ela agrada e surpreende a cada número. Principalmente com o de “Only You”, dueto com Marcio Louzada, arrancando gritinhos animados da plateia.

Com junção de humor, boas músicas e pesquisa histórica, “Constellation” atrai pessoas de todas as idades para o teatro. Uma boa oportunidade para os que vivenciaram a época relembrarem. E também uma bela chance do público mais recente conhecer os anos 1950 e sentir saudade de um tempo que não viveu.

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelos convites.

Número 4 do nosso Top 5 de melhores musicais de 2015:

https://palcoteatrocinema.com.br/2015/12/25/top-5-eu-fui-musical-2/

 

“Chacrinha, o musical” – Eu fui!

O rei das rimas, trocadilhos e bordões está vivo nos palcos! Dono de um dos programas mais musicais de todos os tempos, Chacrinha tem sua vida e obra expostas no palco do Teatro João Caetano, sob formato de musical. “Chacrinha, o musical” mostra a trajetória bem sucedida do grande mito da televisão brasileira, também mostrando os personagens que fizeram parte de sua história.

Como disse Pedro Bial – um dos criadores do texto -, “Abelardo não deixou pistas muito claras de como criou o Chacrinha”. E é este “mistério” que a peça tenta desvendar no primeiro ato. Leo Bahia vive Abelardo na sua infância e juventude, quando é visitado, no que parece ser um formato de cordel, por personagens que seguiriam na peça depois. Para dar o ar de incerteza do que estão contando, muito lirismo é utilizado. Leo deixa evidente sua experiência de curta e exitosa carreira no teatro musical. Faz rir, canta bem e convence como criança. Uma graça!

O segundo ato é quando a bagunça começa, no bom sentido. Muitos personagens aparecem, dando lugar a várias atrações musicais da época do “Cassino”. Rosana, Benito de Paula, Roberto Carlos… Eles são apresentados em um medley de várias canções, com atores vivendo os intérpretes das músicas, lembrando mais uma paródia dos mesmos. Com exceção de Clara Nunes, que encerra o pot-pourri, com um espaço maior e uma espécie de homenagem à cantora.

Stepan Nercessian assume de vez o posto de Chacrinha, mas sendo assombrado pelo jovem Abelardo por vezes, deixando a personalidade do Velho Guerreiro ainda mais perturbada. Na preparação, Stepan afirma não ter se preocupado em imitar Chacrinha, que sentiria o personagem a partir da emoção que este provocaria. Não é o que parece, pois o ator está muito similar ao original. Talvez pelo fato da ótima caracterização, o apresentador se fez mais presente na construção do personagem.

O figurino é brilhoso, carnavalesco, bem a cara do “Cassino”. O cenário poderia ser um carro abre-alas de desfile de escola de samba. Ele dá lugar a muita interação com a plateia. Até do karaokê ela participa. No dia, o participante ilustre foi Eduardo Sterblitch.

“Chacrinha, o musical” diverte, agrada o espectador e não deixa morrer a memória do grande comunicador. Apenas não curti alguns exageros em certos momentos do espetáculo. Acabaram se tornando besteirol, que não fariam diferença se fossem tirados. Mas não compromete o resultado. E, pelo que vi na receptividade, o público concorda comigo.

P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites.

Veja também o post da apresentação para a imprensa!

Número 5 do nosso Top 5 de melhores musicais de 2015

https://palcoteatrocinema.com.br/2015/12/25/top-5-eu-fui-musical-2/

Top 5 – “Eu fui!”: Teatro

Já falamos sobre musicais, que ganharam um ranking específico, devido à grande quantidade que tivemos este ano. Mas chegou a hora de encerrar nosso Top 5 com a categoria que mais me encanta: o teatro.

Vamos aos melhores?

 

1 – Maratona

Cheguei pensando que seria algo interativo. Quando começou, continuei achando. Mas depois, fui adorando cada

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

vez mais os insuportáveis e carismáticos Mara e Juan Montoya, apresentadores desta competição de dança. Excelentes interpretações de todo o elenco, excelente trilha sonora. Divertidíssimo! Melhor do ano!

 

 

 

 

 

Segue o link para o post sobre a peça:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/06/24/maratona-eu-fui/

2 – “Fala comigo como a chuva e me deixa ouvir”

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Texto lindo, locação perfeita, e a ousadia do diretor Ivan Sugahara de fazer do texto de Tennessee Williams uma peça itinerante. A história é ambientada no Casarão da Glória, e todo o espaço é utilizado para contá-la. Cozinha, sala de jantar, piscina. A trama que gira em torno de um casal em crise no relacionamento é brilhantemente interpretada por Saulo Rodrigues e Ângela Câmara. E o desempenho dos dois é um ponto a mais para conquistarem nosso segundo lugar.

 

 

 

Segue o link para o post completo sobre o espetáculo:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/08/04/fala-comigo-como-a-chuva-e-me-deixa-ouvir-eu-fui/

3 – À Beira do Abismo me Cresceram Asas”

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O poético texto conta a história de Terezinha e Valdina, que vivem em um asilo e convivem com a solidão e o abandono de seus familiares. Foi das últimas peças a que assisti este ano, mas foi certamente inesquecível.

 

 

 

 

 

Segue o link completo do post sobre o espetáculo:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/11/23/a-beira-do-abismo-me-cresceram-asas-eu-fui/

4 – Amores

Pedro (Saulo Rodrigues) e Telma (Ângela Câmara) Foto: L Valente     Os atores Saulo Rodrigues e Ângela Câmara / Foto: apetecer.com - arquivo

Pedro (Saulo Rodrigues) e Telma (Ângela Câmara) Foto: L Valente 

O texto de Domingos Oliveira prometia ser um dramalhão denso, mas surpreendeu sendo uma comédia, mas tocando em assuntos delicados. Os excelentes atores que integram o elenco são um agrado a mais ao espectador.

 

 

 

 

 

Segue o link para o post completo sobre a peça:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/04/07/1541/

5 – “Os Sapos”

SPS_0063As confusões em que Paula se envolve ao visitar o que seria uma festa de ex-colegas de colégio divertiram o público da Sede das Cias em setembro. O texto de Renata Mizrahi conta a história de vários conflitos de casais e pessoas em crise. Mas quanto mais tenso ia ficando o clima no palco, mais a plateia se divertia. Valeu a pena conferir!

 

 

 

Segue o link para o post completo sobre a peça:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/09/28/os-sapos-eu-fui/

 

Gostaram? Ano que vem tem mais

“Deixa Clarear, musical sobre Clara Nunes” – Eu fui!

Clara Nunes é uma dessas celebridades que viram mito. Morta precocemente, aos 39 anos de idade, a mineira ganhou uma homenagem de uma outra Clara, a Santhana. Ela resolveu celebrar a xará e musa inspiradora no ano passado, quando completava 30 anos do falecimento da cantora. O musical “Deixa Clarear, musical sobre Clara Nunes” foi sucesso, e passou por alguns teatros do Rio de Janeiro, encerrando a temporada de 2014 no palco do Imperator dia 21 de dezembro.

O espetáculo conta um pouco sobre a trajetória de Clara Nunes, mas com destaque maior para as apresentações musicais. Santhana é a responsável pelas duas tarefas. Narra alguns fatos e reflexões sobre a vida da sambista, interrompendo com algumas canções que marcaram sua carreira.

E o repertório é empolgante. Tem “Você passa eu acho graça”, “Portela na avenida”, “O canto das três raças”, entre outras inevitáveis quando se trata de Clara Nunes. O público mostra grande receptividade em relação às canções. Até os que não viveram muito a época de glória da cantora parecem saudosos por ela.

Clara Santhana se apresenta e passa a contar e cantar a história de Clara Nunes. A caracterização muito peculiar da cantora não é tão evidente no início, mas aos poucos isto vai mudando. Parece que a mineira vai surgindo aos poucos no palco. Assim como Nunes, Santhana tem facilidade nas notas mais altas, e o bom gosto do repertório é indiscutível.

A música é tão inspiradora que se torna o que tem de mais interessante no espetáculo. Lógico que, em musicais, isto é esperado. Mas refiro-me ao fato do texto feito para narrar a história de Clara Nunes ser pouco direto, e acaba coadjuvante no papel de informar e trazer de volta a memória da cantora. Entretanto, “Deixa Clarear, musical sobre Clara Nunes” é um bom show, e uma agradável pedida para quem curte música de qualidade.

P.S.: Agradeço à MNiemeyer pelos convites.

“O Quebra-Nozes” – Eu fui!

O “Eu fui!” de hoje é sobre um clássico de fim de ano. O ballet “O Quebra-Nozes” já é uma tradição natalina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Todos os anos, o requinte do palco do teatro dá lugar para este lindo espetáculo.

O ballet é composto por música de Tchaikowsky e a coreografia de Marius Petipa. “O Quebra-Nozes” conta a história da menina Clara, que ganha do padrinho um quebra-nozes em formato de soldadinho e se encanta pelo presente. Ela fica desolada, no entanto, quando um de seus irmãos, que fica enciumado, toma-lhe o brinquedo, atira-o ao chão e bate-lhe com o pé, quebrando-o. O padrinho a consola e conserta o brinquedo. Ela vai dormir e, a partir daí, a magia toma conta do ballet.

Clara passeia, então, pelo Reino das Neves, no primeiro ato. A cenografia é linda, bem feita. Tudo a ver com o clima que faz no Rio de Janeiro esta época do ano (brincadeirinha ehehe). O segundo ato é com Clara no Reino dos Doces. O cenário é igualmente belo, porém diferente. As cores dão (literalmente) o tom, tanto no cenário, quanto no figurino, levando as crianças presentes à loucura. Muitas danças de folclore são apresentadas também.

No dia que fui, a menina Clara foi interpretada por Vanessa Pedro. E, apesar de não ter muitos momentos de dança, a velocidade e leveza que exibia em seus movimentos mostram que não levará muito tempo para a jovem ocupar o posto de primeira bailarina. Vanessa encantava com os passos, assim como Márcia Jaqueline, executando as famosas coreografias da Fada Açucarada. Também arrasou nos pas des deux com Moacir Emanuel, o príncipe do diaP

A temporada 2014 mostra o porquê “O Quebra-Nozes” se mantém há tantos anos em cartaz no Municipal. A montagem está ainda melhor que a de 2011, a primeira a que assisti. É uma mistura de renovação e tradição. Um presente para os amantes de arte, beleza, dança e cultura.

Ah! E quem puder chegar um pouco mais cedo não pode perder a palestra de Paulo Melgaço, que sempre conta histórias interessantes sobre os espetáculos a que vamos assistir.

 

PS.: Agradeço ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro pelos convites.

 

 

 

Top 5 – “Eu Fui!”: Shows

Muita MPB, muito samba e até rock. Tudo isso rolou no nosso site durante 2014. Listamos aqui os melhores shows do ano. E quem venha muito mais em 2015!

 

1 – “Elza Soares interpreta Lupicínio Rodrigues”, de Elza Soares

Elza Soares esteve este ano em cartaz com um show homenageando Lupicínio Rodrigues, que foi Elza Soaresum de suas inspirações no início da carreira, e até hoje. Como a mesma diz, “Eu canto e choro Lupicínio”. E ela emprestou sua voz rouca e sua emoção para esta apresentação, que leva o topo do nosso ranking. Graças ao bom gosto e também, claro, pela simpatia da diva dentro e fora dos palcos.

 

 

Veja o post completo:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/05/03/elza-soares-interpreta-lupicinio/

 

2 – “Colheita”, de Mariene de Castro

Depois de uma bem sucedida temporada do show “Ser de Luz”, em que a cantora homenageava Clara Nunes, Mariene de Castro esteve no palco em “Colheita”. Neste show, a artista também canta músicas do repertório da antiga turnê, mas também deste novo trabalho. Além de clássicos do samba, como canções de Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e Jorge Amado. O vozeirão e presença de palco de Mariene são marcantes. Nossa prata!

Veja o post completo:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/10/28/show-colheita-de-mariene-de-castro-eu-fui/

 

3 – Banda Black Rio

A tradicional Black Rio faz uma mistura de jazz, samba, funk e outros estilos e animam onde quer

Marquinho e William Magalhães, ou os Reis do Passinho Foto: apetecer.com

Marquinho e William Magalhães, ou os Reis do Passinho
Foto: apetecer.com

que se apresentem. O excelente Marquinho OSócio é quem comanda o vocal da banda, que existe desde os anos 1970. Este ano mostraram que a locomotiva ainda tem muito caminho para percorrer.

 

 

 

 

Veja o post completo:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/06/16/calada-noite-black-rio-eu-fui/

 

4 – “Rio Bossa Club”, de Celso Fonseca

Rio Bossa ClubRelembrando os encontros de bossa nova que aconteciam na casa de Nara Leão no fim dos anos 1950, a Miranda recebeu a série de shows “Rio Bossa Club”, comandados pelo cantor Celso Fonseca, que dividia o papel de mestre de cerimônias com o ator Lúcio Mauro Filho. Os eventos também contavam sempre com a participação de uma dupla de atores, fazendo esquetes no meio do público. O repertório era composto de muita bossa nova, claro, e, acima de tudo, muita MPB.

Veja o post completo:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/05/10/2787/

5 – Julieta Venegas

A mexicana este no Brasil este ano para alguns shows de seu álbum, “Los Momentos”. E o público

Julieta Venegas na Miranda - Foto: apetecer.com

Julieta Venegas na Miranda – Foto: apetecer.com

mostrou estar tão inteirado com a música de Julieta quanto ela está com a música brasileira, já que a cantora é conhecida por gravar com artistas brasileiros, como Lenine e Marisa Monte. Show delicioso!

 

 

 

 

Veja o post completo:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/05/25/julieta_venegas_na_miranda/

 

“Fim de Partida” – Eu fui!

Uma das obras do irlandês Samuel Beckett está em cartaz na Sede das Cias. A Companhia de Teatro Alfândega 88 apresenta uma montagem de “Fim de Partida”, que pode ser vista na Lapa até o dia 15 de dezembro. Oportunidade única para conferir o trabalho do escritor, algo que não estou acostumada a perder.

“Fim de Partida” foi escrita na atmosfera do pós-guerra. No enredo, os dois protagonistas, Hamm e Clov, reclusos em um abrigo, sofrem com a escassez de alimentos e remédios. Os pais de Hamm, Nagg e Nell, também vivem no local, e a história se desenrola com Clov anunciando a todo o momento que vai partir.

A clausura do local parece ser o que mais deprime e angustia os personagens, assim como a limitação dos recursos. Hamm, também preso pela cegueira e paralisia, demonstra certa infantilidade nas atitudes, em determinados momentos. A dependência que tem sob Clov é outro fator presente. O figurino pesado e a iluminação meio que à meia luz colaboram para deixar o clima levemente sombrio. Mesmo assim, texto e situações engraçadas não deixam esta sensação prevalecer.

A perda pela morte repentina, pela partida de um integrante praticamente da família. Tudo isto é colocado no palco. Mesmo achando incrível conhecer uma obra beckettiana, o que achei de mais interessante em “Fim de Partida” foi o trabalho dos atores. Os quatro em cena estão impecáveis, e são sucesso nas emoções que têm que passar: tristeza, melancolia, solidão. E ainda fazem rir em diversos momentos. Ponto para a Alfândega 88!

Como disse antes, “Fim de Partida” está em cartaz na Sede das Cias até 15 de dezembro. Fica técnica e serviço abaixo:

FICHA TÉCNICA

Texto: Samuel Beckett

Tradução: Fábio de Souza Andrade

Direção: Danielle Martins de Farias

Elenco: Adriana Seiffert, Leonardo Hinckel, Rafael Mannheimer e Silvano Monteiro

Iluminação: Aurélio de Simoni

Cenário: Sergio Marimba

Figurino: Raquel Theo

Arte Gráfica: Romulo Bandeira

Direção Artística Alfândega 88: Moacir Chaves

SERVIÇO

Estreia: dia 29 de novembro, sábado, às 20h

Temporada: 29 e 30 de novembro 1, 6, 7, 8, 13, 14 e 15 de dezembro.

Horário: de sábado à segunda, às 20h

Gênero: Humor cáustico

Duração: 85 minutos

Ingresso: R$20,00(inteira) R$ 10,00(meia)

Bilheteria: aberta 1h antes de cada sessão

Capacidade: 60 lugares

Classificação: 14 anos

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite.

“Homens, Mulheres & Filhos” – Eu fui!

Difícil falar sobre um filme em que tantos temas são tratados. Fico querendo fazer uma reflexão sobre cada um deles, mesmo que seja com um olhar de fora de qualquer das situações. Anorexia, solidão, abandono, gravidez, controle, descontrole… “Homens, Mulheres & Filhos” fala sobre tudo isto, mas sempre falando sobre como eles afetam o relacionamento familiar.

O filme, que estreou em 4 de dezembro, é baseado no livro homônimo de Chad Kultgen. Confesso que na correria do cotidiano, só consegui chegar até o 4º capítulo, mas o pouco que li completei de forma muito rápida, pois é viciante e bem reproduzido na telona.

“Homens, Mulheres & Filhos” foi levado para o cinema pelo diretor Jason Reitman, conhecido pelo adorável “Juno” (2008). Desde já, ele mostrava intimidade com o universo adolescente, que é a temática principal do filme.

No elenco, nomes conhecidos, como a “De repente 30” Jennifer Garner – cumprindo o papel do controle citado acima – com sua Patricia, obcecada por vigiar o comportamento de sua filha. Ansel Elgort – galãzinho que já derramou muitas lágrimas em “A Culpa é das Estrelas” – repete a dose neste longa, só que com mais sorte quanto ao roteiro (os fãs de “a culpa” podem me matar).

A grande surpresa fica em torno de Adam Sandler. Conhecido no papel do bobão de comédias, desta vez não faz o espectador esboçar nenhum sorriso como Don Truby, marido em crise no casamento. Mas não que as tentativas sejam frustradas. Realmente seu papel é denso e diferente de seus personagens anteriores. Admito que sempre tive preconceito quanto a ele, mas não posso deixar de valorizar este seu trabalho.

Quando vejo este tipo de filme consigo observar as vantagens que certa maturidade traz. Já consigo me enxergar tanto na pele dos pais, quanto na dos filhos. Entendo certos exageros de zelo e controle dos mais velhos, mas também lembro dos conflitos da adolescência e como a inocência pode atrapalhar a sanidade em alguns momentos.

“Homens, Mulheres & Filhos” definitivamente não é mais um besteirol americano. Não é sequer um filminho água com açúcar adolescente. É uma história com vários momentos densos, que retratam conflitos pessoais e familiares, que podem fazer parte da vida de cada um de nós.

P.S.: Agradeço à Palavra Online pelo convite.

Número 3 no nosso Top 5 2014:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/07/top-5-eu-fui-filmes/

“Não vamos pagar!” – Eu fui!

Sabe aquelas donas de casa que pesquisam preços de produtos em vários supermercados? Pois Antônia e Margarida não fazem parte deste grupo. Quando se revoltam com algum valor abusivo, em vez de procurarem algum outro estabelecimento, elas partem para a opção mais simples e resolvem que não vão pagar. Mas vão levar!

Esta é a ideia principal de “Não vamos pagar!”. Virginia Cavendish é Antônia. Virginia é a idealizadora do projeto.

Foto: Divulgação

Virginia Cavendish, como Antônia Foto: Divulgação

Sua personagem é a causadora da confusão. Não me lembro bem se ela gera todo o alvoroço no mercado ou se apenas é tomada pela histeria no local. Mas, nisso, ela leva sua amiga, Margarida, a ser sua cúmplice em esconder os vestígios do crime.

Mas deixe-me explicar melhor! A trama se desenvolve a partir do aumento dos preços que revolta as donas de casa locais. Com isto, resolvem que não vão mais pagar por eles e saqueiam o supermercado. Daí, Antônia, por exemplo, tem que esconder o que fez, por medo da forma como seu marido, cheio de preceitos morais, pode reagir. E acaba inventando uma sucessão de histórias para se livrar da culpa.

Marcelo Valle e Zéu Britto Foto: Divulgação

Marcelo Valle e Zéu Britto
Foto: Divulgação

As mentiras contadas são absurdas e cada vez mais exageradas, preenchendo longos 100 minutos de peça. Por falar no tempo, quem ocupa muito dele é Zéu Britto, que vive três personagens: o pai de João (Marcelo Valle), o sargento e o capitão da polícia local.

O sargento de Britto é o personagem que explicita o verdadeiro mote do espetáculo. O “policial comunista”, como João o define, chega a fazer um discurso em defesa dos saqueadores, dando a entender que ele próprio tem que encontrar os culpados por ser de seu dever profissional. Mas que, na verdade, não é contrário à causa.

O mesmo discurso também chega a ser levantado pelos outros personagens. Mas, caso o texto do dramaturgo italiano Dario Fo tenha como ideia principal a crítica política, a adaptação recebeu tantos eventos cômicos que acabou a ofuscando.

Para quem deseja assistir às confusões criadas pelas “donas de casa desesperadas” (rs), o espetáculo fica em cartaz somente até amanhã, no CCBB. Segue o serviço:
SERVIÇO
Não vamos pagar!
Estreia: 6 de novembro de 2014
Temporada: Até 30 de Novembro de 2014
Horários: De quinta a segunda, às 19h30
Local: Teatro II – CCBB RJ – Rua Primeiro de Março, 66, Centro – RJ
Capacidade: 172 lugares
Duração: 100 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Gênero: Comédia
Mais informações: (21) 3808-2020
Valores: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia entrada)
Ponto de Venda
Bilheteria Centro Cultural Banco do Brasil
Horário de atendimento: De Quarta a Segunda das 9h às 21h. Ou no site http://www.ingressorapido.com.br Site oficial da peça: http://www.naovamospagar.com.br

P.S.: Agradeço à Minas de Ideias pelo convite.

“À Beira do Abismo me Cresceram Asas” – Eu fui!

O ano está chegando ao fim, e quando já estou preparando meu ranking das melhores peças a que assisti em

Foto: Divulgação

Clarisse Derzié Luz, como Valdina

2014, recebo uma grande surpresa. “À Beira do Abismo me Cresceram Asas” é um espetáculo que queria ver havia algum tempo. Imaginava que fosse profundo, bonito… Mas é muito mais que isto!

São duas personagens, Terezinha (Maitê Proença) e Valdina (Clarisse Derzié Luz), que vivem em um abrigo para idosos, e discorrem a respeito de suas vidas para um interlocutor que não aparece. A primeira, de 86 anos, é mais recatada. Fala, sem grandes amarguras, sobre os familiares distantes. Já Valdina, 80, é espevitada e maior responsável pelos momentos de comédia. Com a “desculpa” de que “quando viramos velhos voltamos a ser crianças”, fala o que tem na cabeça, sem pudores.

Apesar das personalidades diferentes, ambas possuem uma amizade muito grande, fortalecida pela solidão do local onde vivem, e pelo abandono de suas famílias. A da personagem de Maitê quase não a visita. A da personagem de Clarisse foi vítima de uma sucessão de acontecimentos trágicos, contrastando com sua personalidade alegre.

De início, as duas contam causos sobre o passado e o presente. Falam de suas famílias, perdas, solidão. Contam também histórias e fazem divertidas divagações. O que, a princípio, é uma comédia, vai crescendo com o decorrer do tempo. O texto vai se aprofundando e arrebatando o público com reflexões acerca da vida.

Foto: Divulgação

Maitê Proença, como Terezinha

Falando nele, o texto é longo, e assim a peça corre sem interrupções, exceto por um trecho de “Je Ne Regrette Rien”, que Maitê canta a capella. A trilha sonora, inclusive, é outra menção honrosa. Presente desde antes do início da peça, o repertório inclui canções de clássicos nomes, como Ismael Silva e Noel Rosa. Tudo ambientando o público para o universo das duas personagens. O cenário, simples, usa efeitos visuais, como chuva de papel luminoso, que causa um efeito bonito no palco.

E assim a peça traduz os sentimentos de pessoas da terceira idade. Que já viveram muito, aprenderam e hoje têm muito o que ensinar. Mas poucas pessoas estão dispostas a ouvir. Mas isto não tira delas a capacidade de levar a vida com alegria e sabedoria. Com isto, emociona o público, que sai de lá com um misto de riso e lágrimas.

P.S.: Agradeço a Daniella Cavalcanti pelos convites.

SERVIÇO
THEATRO NET RIO – Sala Tereza Rachel. Rua Siqueira Campos, 143 – Sobreloja – Copacabana (Shopping Cidade Copacabana)
Temporada: Até 29 de novembro

*sessão extra às 15h no último dia
Horário: sábado, às 17h, e segunda, às 21h
Ingresso: R$100,00 (plateia)
R$80,00 (frisas e balcão)
Direito à meia entrada: menor ou igual à 21 anos, idosos com 60 anos ou mais, professor da rede pública, estudante, cliente Net (4 ingressos), cliente O Globo (2 ingressos), classe artística com DRT (1 ingresso), cliente Mais Pão de Açúcar, revista Básica (2 ingressos), carteira da Amave (2 ingressos), funcionários da Petrobras (2 ingressos)
Classificação: 12 anos
Duração: 80 minutos
Capacidade do Teatro: 641 lugares
Telefone do teatro: (21) 2147 8060 / 2148 8060
Site: http://www.theatronetrio.com.br
Vendas: http://www.ingressorapido.com.br / consulte os pontos de vendas no site
Horário de funcionamento da bilheteria: diariamente, das 10h às 22h
Formas de pagamento: Todos CC / CB
Acessibilidade
Estacionamento no Shopping, entrada pela Rua Figueiredo Magalhães, 598.

FICHA TÉCNICA
Autora: Maitê Proença
Ideia original: Fernando Duarte
Supervisão Direção: Amir Haddad
Direção: Clarice Niskier e Maitê Proença
Elenco: Maitê Proença e Clarisse Derzié Luz
Cenário: Cristina Novaes
Desenho de Luz: Jorginho de Carvalho
Figurinos: Beth Filipecki
Trilha Sonora: Alessandro Perssan
Direção de Movimento: Angel Vianna
Preparação Vocal: Rose Gonçalves
Assistentes de iluminação: Daniel Galván
Assistente de Figurino: Edy Galvão
Confecção de Figurinos: Atelier de Costura – Edy & Ga
Assistente de Cenografia: Dina Levy
Assistente de Movimento: Marina Magalhães
Fotografia: Renata Dillon (estúdio) e Paulo Kossatz (de cena)
Visagista: Cristiane Vicente
Maquiagem: Fabíola Gomez
Operador de Luz: Russinho
Operador de Som: Roberto Silva
Diretor de Cena: Lucia Martinusso
Contra-regra: João Pedro Russo
Camareira: Nájala Nascimento
Produção executiva e administração: Marcela Epprecht
Coordenação de Produção: Bianca de Felippes
Realização: M. Proença Produções Artísticas

 

3º lugar no nosso Top 5 de melhores peças do ano, olha só:

https://palcoteatrocinema.com.br/2014/12/29/deixa-clarear-musical-sobre-clara-nunes-eu-fui/

“Febril” – Eu fui!

Há quanto tempo você não vai ao circo? Bem, eu não ia desde criança. Mas meu retorno ao picadeiro foi em um circo para os grandinhos. Sem mágico, leões, palhaços… Uma linguagem mais artística, mas sem deixar os malabares, contorcionistas de lado. E fazendo suas palhaçadas, mas não da forma tradicional.

“Febril” faz uma homenagem ao escritor colombiano Gabriel García Márquez, morto este ano. A inspiração é livre, e
conta a história de uma família que tem sua vida modificada pela chegada de uma trupe de ciganos no lugarejo em que vivem. A organização hierárquica, social e afetiva se parte e toda a ordem é alterada. Os conflitos familiares vêm à tona violentamente, até que a cidade explode em uma guerra devastadora. Ao final do conflito, o lugarejo é invadido por pestes e seus habitantes passam a conviver com os mortos.

Enfim, é um espetáculo circense com um enredo. O primeiro neste estilo a que assisti. Portanto, fica difícil escrever sobre algo sem muita fala. Então, foco nas questões plásticas. O figurino é bonito e retrata bem a imagem de grupo de ciganos que deseja passar. O elenco, formado pelo Circo Crescer e Viver, arrasa nas acrobacias, contorcionismos e carisma com a plateia. Era bonito ver o rosto deles, durante e após a sessão. Todos transpareciam o amor pelo que faziam.

Concluindo, se você, adulto, quiser assistir a uma bela peça circense, assista a “Febril”. Se quiserem um programa para levar filhos, netos, assista também. Afinal, é um espetáculo para a família inteira. E para os apreciadores de cultura, vão conferir algo honesto e feito com muito amor para o público.

 

Serviço:

Temporada: até 23 de novembro, de quinta a domingo
Local: CIRCO CRESCER E VIVER
Endereço: Rua Carmo Neto, nº 143, Cidade Nova – ao lado do Metrô Praça Onze – Rio de Janeiro (RJ)
Horário: Quinta a Sábado (20 horas) e Domingo (19 horas)
Classificação: Livre
Duração: 90 minutos com intervalo

 

P.S.: Agradeço à RPM Comunicação pelo convite.

“O Processo” – Eu fui!

Deve ser estranho ser processado por algo que não sabemos o motivo. Deve também ser estranho estar em um palco, como protagonista, contracenando com outros atores, mas sem saber o que vai acontecer, e sequer o texto. E se juntarmos os dois? A Sede das Cias está oferecendo esta oportunidade para o público e para alguns atores durante a temporada de “O Processo”. Quem viveu o protagonista foi Maria Eduarda. “A” Joseph K., como a própria gostava de frisar durante todo o espetáculo.

A peça “O Processo” é baseada no livro homônimo de Franz Kafka, em que o protagonista, Joseph K., é acusado de cometer um crime do qual sequer faz ideia do que seja. A partir daí, precisa se defender das acusações, de causa desconhecida. Nunca havia assistido a uma montagem deste espetáculo, mas o que ouvi falar era sobre uma peça densa, ou seja, totalmente diferente da que assisti.

Maria Eduarda se declarou arrependida por ter se oferecido para participar do projeto, um ano antes. Mas, mesmo com a confissão, tirou de letra a responsa de ter ficado logo com o Joseph K. de um sábado à noite. A atriz é divertidíssima, carismática e conquistou o público, criando histórias misturando sua vida pessoal com a do protagonista. Não dava para saber o que era ficção ou realidade.

Tentando me colocar no lugar de quem está no palco, sempre pensei na dificuldade de como seria um ator estar em cena sem texto, ensaio, nada. Quando cheguei lá, deparei-me com outra visão. Vi que talvez fosse mais difícil para o restante do elenco atuar em um espetáculo novo a cada apresentação. Muito pelo fato de eu não saber, às vezes, se quem comandava a cena era Maria Eduarda ou os outros atores. A capacidade de improviso deve ser igual em todos os lados.

Enfim, fiquei com vontade de assistir a outras apresentações para saber qual seria o desempenho dos outros escolhidos. Mas as oportunidades serão poucas, porque a temporada de “O Processo” chega ao fim dia 24 de novembro na Sede das Cias. É uma pena! Mas, por outro lado, um alívio para os outros atores que já interpretaram Joseph K., pois acho difícil que alguém o faça tão bem quando Maria Eduarda o (ou “a”) fez.

 

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite.