Top 5 – “Eu Fui!”: Musical

Algo que junte música, teatro e dança não tem como não me agradar. Assisto a todos os que tenho oportunidade e estes são os melhores de 2015:

 

1 – Kiss me, Kate – O beijo da megera

Foto: Divulgação

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Adaptação brasileira de um sucesso da Broadway (Kiss me, Kate), o musical – que também é inspirado no clássico “A megera domada”, de William Shakespeare – une coreografias ótimas, cantores idem, e um texto inteligente e engraçado.

Veja o post sobre o espetáculo

 

 

 

2 – “S’imbora, o musical – a história de Wilson Simonal”

Foto: Divulgação

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Excelentes números musicais – com destaque para Ícaro Silva como o protagonista -, o espetáculo conta a história de Wilson Simonal, do apogeu da fama ao ostracismo. Com pouco texto e muita música, agrada ao público. Faz quem viveu a época relembrar os sucessos, quanto as novas gerações conhecerem clássicos da MPB.

Veja o post sobre o espetáculo

 

 

3 – Elis, A Musical

A atuação impecável de Laila Garin no papel de Elis Regina é o principal trunfo de “Elis, A Musical”. A atriz

Foto: Divulgação

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convence, e faz por vezes acreditarmos que é a própria Pimentinha quem está em nossa frente cantando.

Veja o post sobre o espetáculo

 

 

 

 

4 – Constellation

Foto: Divulgação

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“Constellation” conta a história de Regina Lúcia, jovem sonhadora que quer porque quer participar do voo inaugural da aeronave que dá nome ao espetáculo. O veículo prometia reduzir de 72 para 20 horas o tempo de trajeto entre Rio de Janeiro e Nova York. O acontecimento foi nos anos 1950, e o musical tem o repertório de sucessos da década. Elenco mandando bem, com destaque para Jullie, a protagonista de voz doce e afinadíssima.

Veja o post sobre o espetáculo!

 

5 – Chacrinha, o musical

Uma enorme quantidade de canções foi utilizada para preencher o musical sobre a trajetória do Velho Guerreiro, para representar os longos anos que o apresentador esteve à frente de seus programas televisivos. Fruto de uma época em que a TV dava uma grande espaço para a música, a atração, assim como o espetáculo, tinha repertório muito eclético. Clara Nunes, Benito de Paula, Roberto Carlos… Muitos foram reproduzidos no palco, e fez o público cantar com sucessos eternos.

Veja o post sobre o espetáculo, e também a apresentação para a imprensa!

 

 

 

Show Caio Prado – Eu fui!

Quem conhece a Lapa sabe que o bairro tem a música presente em todos os cantos. Nomes consagrados ou iniciantes fazem do local seu ambiente para quem valoriza o bom som brasileiro. Pertencente ao segundo grupo citado, Caio Prado levou para a Sede das Cias um show em que apresenta seu primeiro trabalho autoral.

“Variável Eloquente” traz uma proposta minimalista, e o disco foi construído em torno de um violão e um quarteto de cordas. Para o show, Caio preparou também uma apresentação intimista, levando em conta o pequeno – mas empolgado – público presente. O jovem cantor arranca xingamentos elogiosos deste rs. Tudo no maior carinho e serviam para enaltecer o talento do artista.

Caio capricha no vocal, e brinca com as notas, imprimindo seu estilo em suas próprias canções, que compunham a maior parte do repertório. Parece ousado, mas a técnica do cantor o faz se arriscar sem que a afinação seja comprometida. O show também teve as participações de Diego Moraes e Isabella Moraes, que mostraram sintonia e se rasgaram em elogios ao amigo. Os covers foram ecléticos, com “High and Dry”, do Radiohead, e “Clube da Esquina Nº 2”, de Milton Nascimento e Lô Borges. Aliás, a influência de Bituca no trabalho de Caio Prado parece bem evidente em seu jeito de cantar.

Com variadas referências, Caio se lança para o público como mais uma aposta de renovação na música brasileira, tão rica em talentos. Desejamos sorte ao novo artista, e que nos encontremos em muitos palcos e bares da vida.

 

P.S.: Agradeço à Sede das Cias pelo convite

 

A Santa Joana dos Matadouros – Eu fui!

Ao pensar em um espetáculo com 2 horas de duração (exceto musicais, em que o tempo chega a exceder este), poderia ter pensado, “Ai, de mim!”. Se não fosse uma obra da qualidade do dramaturgo alemão Bertold Brecht, e minha primeira experiência com o autor vendo ali, encenada na minha frente.

“A Santa Joana dos Matadouros” foi escrita entre 1929 e 1931. Se ainda não associou o período a nenhum contexto histórico, Brecht a produziu em meio à crise econômica de 1929. A peça é ambientada nos matadouros de Chicago, nos Estados Unidos. Durante um rigoroso inverno, as diferenças sociais se intensificam, e a luta dos trabalhadores em busca de comida e abrigo se agrava.

Daí surge Joana Dark (papel-título, interpretado por Luisa Arraes). A jovem ingênua e cheia de energia pertence ao grupo missionário “Boinas Pretas”. Ela se une à luta dos operários contra o desemprego e demissões crescentes que tomam conta da indústria de carne enlatada. O espetáculo conta a história da personagem desde a época da inocência – quando acreditava que a distribuição de sopa e cânticos religiosos para os pobres atenuaria as tensões provocadas pelo mercado das carnes – até o seu entendimento da mecânica complexa e violenta da política econômica.

Apesar dos mais de 80 anos que afastam o período em que foi escrita a peça do de agora, o ótimo texto permanece atual. O cenário é composto por engradados, quadrilátero de luz, e os próprios atores forram o chão com várias camisas no início da peça, até que as vestimentas sejam incorporadas ao figurino. Fora isto, há uma ambientação sonora muito forte. Um microfone também está presente no palco, e a música em coro dos artistas aparece em alguns momentos. Todos esse elementos, aliado ao bom desempenho dos atores, colaboram para prender a atenção do espectador durante o longo tempo da peça. E o recado da crítica social sobre exploração no trabalho, indolência de integrantes de hierarquia superior e funcionamento da política econômica é dada com competência.

 

SERVIÇO

A Santa Joana dos Matadouros

Temporada: 19 de novembro a 21 de dezembro.

Local: Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, S/N – Copacabana)

Informações: (21) 2332-7904 / 2332-7970.

Dias e horários: Quinta a segunda, às 20h.

Capacidade: 102 lugares.

Duração: 120 minutos.

Gênero: Drama.

Classificação indicativa: 16 anos.

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

P.S.: Agradeço à Paula Catunda pelos convites

 

 

Juvenal, Pita e o Velocípede – Eu fui!

Assim como a maioria de nós, Juvenal guarda lembranças fortes e boas de sua infância. Brincadeiras, amigos…

Foto: apetecer. com

Foto: apetecer. com

Histórias que ficaram na memória e, hoje homem, quis compartilhar com todos que o visitaram no Teatro Maria Clara Machado, na Planetário da Gávea. Seu brinquedo favorito, o velocípede, e sua melhor amiga, Pita, estão presentes em todo o seu discurso, inclusive no título do espetáculo.

Seu meio de transporte/brinquedo preferido foi construído por seu tio, e com ele viveu as maiores aventuras com Pita. O ator Eduardo Almeida comanda o monólogo, que tem texto de Cleiton Echeveste e direção de Cadu Cinelli. Nele, conta os causos de sua infância. Isso interagindo com a plateia, predominantemente infantil. Mesmo que o artista não quisesse, seria sempre interrompido pelos gritinhos de “Quem é Pita?”.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

Juvenal deixa esta questão no ar. Afinal, nós deveríamos saber pois, segundo o próprio, também tínhamos marcado com ela no mesmo local e horário que ele, e estávamos lá para isto. Matando ou não a curiosidade infantil (e adulta, por que não?), o espetáculo cumpre o papel de mexer com o imaginário infantil. O universo lúdico é muito bem explorado, com o personagem narrando suas aventuras ao lado da velha amiga, com quem perdeu o contato.

A tarefa de explicar quem era Pita provavelmente ficou com os pais, e não consigo imaginar como conseguiram esclarecer para os pequenos rs Mas é um tipo de programa que vale a pena investir para a criançada, pois desenvolve a imaginação. Consequentemente, criatividade e inteligência. E, assim, vão construindo suas histórias para, daqui a alguns anos, terem o que contar para as gerações seguintes.

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P.S.: Agradeço à Paula Catunda pelos convites

 

Os Tubarões de Copacabana – Eu fui!

“Os Tubarões de Copacabana” fez sua estreia no Odeon no último dia 18, e a temporada é curtíssima. Apenas 2 semanas ficarão em cartaz por lá. Sendo assim, a equipe reuniu mídia e amigos para o lançamento do longa. Afinal, a espera para a data foi de 5 anos, e a expectativa era grande. Vários percalços impediram que o filme fosse lançado antes. O período de 5 anos fez diferença inclusive na aparência de alguns atores. Muitos apareciam muito diferentes em cena que na vida real hoje em dia.

Falando em tempo, o enredo é sobre um grupo de amigos de longa data que costumava pegar onda nas praias de Copacabana. O tempo os afastou, mas uma tragédia os reuniu depois de algum tempo. Quando um dos integrantes do grupo, Neto, morreu, os outros companheiros foram ao enterro dele. O protagonista, Nando (Raul Gazolla), reencontra a viúva – vivida por Alcione Mazzeo -, que já foi sua namorada. Na ocasião também conhece Nicole (Rayanne Moraes), filha do casal, e se apaixona pela moça.

Este é o estopim dos conflitos, pois lógico que a mãe não aceita o relacionamento. A partir de então surgem cenas que lembram episódio de novela: traição, incesto… Isto falando apenas da trama central. O filme também tem vários personagens que fazem participações, mas pouca relevância têm na história. Os próprios demais amigos servem apenas para simbolizar a amizade do grupo, mas têm suas tramas paralelas.

É considerável o esforço da diretora, Rosario Royes, levar seu filme para as telonas. Mas texto, enredo e boa parte do elenco não colaboram para uma aposta de que o filme vá engrenar. Mas serve como um incentivo para que outras produções nacionais sejam realizadas, mas que não levem tanto tempo para entrarem em circuito.

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P.S.: Agradeço ao Alessandro Monteiro pelos convites

#Garotas – o Filme – Eu fui!

Filmes de ritos de passagem são algo frequente no cinema americano há um bom tempo. Também temos representantes do gênero, como”#Garotas – o Filme”, que estreou em 12 de novembro. O longa fala sobre a amizade entre 3 meninas. Um pouco mais velhas do que as personagens dos filmes gringos costumam ser, as jovens estão

Elenco, diretor e produtor de "#Garotas - o Filme" Foto: apetecer.com

Elenco, diretor e produtor de “#Garotas – o Filme” Foto: apetecer.com

na faixa dos 20 e poucos anos, e seus conflitos já evoluem para a fase de trabalho e fim de faculdade. Mesmo assim, é uma transição importante na vida de qualquer um.

“Tinha uma ideia de fazer um filme sobre jovens, um dos grandes temas do cinema. De repente pensei em fazer esse filme sobre um rito de passagem. São meninas numa faixa de idade um pouco mais velha que a gente costuma ver nesses filmes jovens americanos, de festa, que são sobre adolescentes. Estou retratando aqui umas meninas numa fase um pouco mais madura, já no fim da faculdade. Já tem as escolhas, um trabalho… Quero algo mais pesado de humor, mais politicamente incorreto. É um modelo de filme que curto muito, esses de ritos de passagem. Há vários filmes com essa estrutura de ’24 horas que mudam a sua vida'”, explica o diretor e roteirista, Alex Medeiros. “O filme teve quase uma vida própria. Várias pessoas que trabalhavam próximas a mim tiveram o interesse e quiseram participar”, completa.

Foto: apetecer.com

Foto: apetecer.com

O longa foi filmado durante 18 diárias, mas todo o processo durou 2 anos, com interrupções. As 3 atrizes principais – Giovana Echeverria, Barbara França e Jeyce Valente – foram escolhidas logo no início das gravações, e participaram de todo o processo. Talvez isto justifique a naturalidade que aparecia na telona. Os improvisos nas falas eram constantes e perceptíveis. “Trabalhamos com muito improviso, e isso acabou marcando toda a linguagem do filme. Elas tiveram muita contribuição no texto. Houve várias falas de improviso, e chegou a um ponto em que eu nem lembrava do que foi escrito e o que foi filmado”, justificou Medeiros.

A forma com que o elenco interpreta é muito natural, parecendo que realmente não há texto decorado. Isto

Giovana Echeverria é a protagonista do longa Foto: apetecer.com

Giovana Echeverria é a protagonista do longa
Foto: apetecer.com

infelizmente faz em alguns momentos os diálogos ficarem bobos e cansativos. Mas a principal virtude no filme está no desfecho, que surpreende. O desempenho das #garotas também é satisfatório. Giovana capricha na sensualidade e Barbara e Jeyce são desenvoltas no improviso. Para não corrermos o risco de esquecer alguém, melhor não citar o restante do enorme elenco rs. Há probabilidade de esquecer algum nome entre tantos é grande rs.

“#Garotas – o Filme” é um filme sobre transição. Sobre aquele momento de dúvida entre a curtição ou colocar a cabeça no lugar e levar a vida de forma mais séria. A frase “Crescer é foda!” acompanha a narrativa da película, fazendo mais a fase adulta parecer um peso do que uma vantagem. Mas não é esse o resultado do que se vê na telona. A maioria dos personagens quer mais é saber de festa. Preocupar pra quê? Temos a vida inteira para aprender a sermos adultos.

 

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P.S.: Agradeço à Julia Ryff pelos convites

O Beijo no Asfalto – Eu fui!

Nelson Rodrigues é um autor dono de diversos sucessos no teatro (como “Bonitinha, mas ordinária“, que já tivemos a oportunidade de conferir). Como se não bastasse o vasto legado teatral, agora seus clássicos estão adquirindo diferentes roupagens. E não se trata apenas de novas adaptações. “O Beijo no Asfalto”, por exemplo, está agora sendo encenada nos palcos como forma de musical.

A peça foi escrita em 1960, e o protagonista é Arandir (Claudio Lins). Rapaz recém-casado com Selminha (Laila Garin), é um pacato funcionário de escritório e morador do subúrbio carioca. Toda a paz tem fim quando presencia um atropelamento na Praça da Bandeira. Arandir vai acudir a vítima, que pede um beijo. Ele atende ao pedido, e a cena é presenciada pelo sogro, Aprígio (Gracindo Jr.), e pelo jornalista Amado Ribeiro (Thelmo Fernandes), que achou o fato interessante e resolveu publicá-lo no jornal em que trabalha, “A Última Hora”.

A partir de então tudo começa a ficar cada vez pior para Arandir. Além de ter sua vida devassada pelos jornais, também perde a confiança de pessoas próximas, que passam a crer mais nos veículos que em sua palavra. Seja em relação a sua masculinidade e até mesmo seu caráter. O que pode levar a uma discussão sobre como a mídia pode interferir negativamente na vida de uma pessoa comum. No caso de Arandir, um inocente que viu uma fatalidade cruzar seu caminho. Ou não? Por vezes, a impressão é a de que a peça quer também deixar a dúvida no espectador sobre a dubiedade de Arandir, já que o episódio apenas é simulado, de acordo com relatos. Bem, o protagonista adquiriu desconfiança de todos, mas não gerou a minha. Mesmo assim, não é apenas a vida dele que é mudada, mas a de todos ao seu redor.

“O Beijo no Asfalto” tem elementos clássicos de obras de Nelson Rodrigues. Conflitos familiares, confusões de sentimentos, sensualidade e características de comportamentos típicos dos anos 1960. A grande novidade está na escolha do formato de musical para ajudar a contar a história. A inspiração foram canções de Cauby Peixoto, Tito Madi, Vicente Celestino, Orlando Dias, Roberto Silva, Nelson Gonçalves, Anísio Silva. As interpretações são de Claudio Lins, Laila Garin (que já brilhou na pele de Elis Regina, em “Elis, a Musical“), Yasmin Gomlevsky, entre outros.

Mesmo com todas as boas interpretações musicais, o que mais chama a atenção em “O Beijo no Asfalto” é o próprio enredo rodriguiano. Com destaque para o desfecho surpreendente, que arranca risos do público, de tão inusitado. Vale a pena conferir mais um trabalho musical, de origem 100% nacional.

 

P.S.: Agradeço à Midiorama pelos convites

 

Serviço:

Local: Teatro das Artes (Rua Marquês de São Vicente, 52 -2º piso – Shopping da Gávea , Rio de Janeiro – RJ)

Ingressos:

Quintas e sextas:

  • Inteira – R$ 80,00
  • Meia-entrada – R$ 40,00 às quintas e sextas

Sábados e domingos:

  • Inteira – R$ 90,00
  • Meia-entrada – R$ 45,00