Entrevista – Tatianna Trinxet

Estreia da semana, “Répétition” entra em cartaz no Teatro Fashion Mall para uma temporada até 28 de junho. Enquanto você não vai conferir – porque nós vamos segunda eheh -, fizemos umas perguntinhas para Tatianna Trinxet, que faz parte do elenco e também da produção do espetáculo, que está em sua segunda temporada.

Palco – Como é uma nova montagem, gostaria de saber se há alguma atualização no formato. Li que o elenco mudou, e a estreia está sendo chamada de releitura. O que há de novo?

Tatianna – Não tem como negar o tempo! Passaram-se dois anos. Eu mudei, o Walter Lima Jr. mudou, e os novos atores chegaram. Trabalhar com o Walter é se colocar à disposição de novo. Nada se cristaliza, tudo é interrogado diariamente! Sou apaixonada por esse processo, pois tenho consciência do quanto ele me deixa inquieta e viva em cena. A diferença entre as montagens está na maturidade e no aprofundamento da vida dessas personagens.

Palco – Mesmo com apenas dois meses em cartaz, em 2013 o espetáculo teve grande aceitação de crítica e público. Sente cobrança em repetir o mesmo feito da montagem anterior?

Tatianna – Esse texto foi escrito na década de 80, e só tive a oportunidade de conhecê-lo em 2009, quando ganhei de presente da atriz Guida Vianna. Ela fala dos bastidores de uma montagem teatral, assunto que gera curiosidade sempre! Romance, traição, desejos, sonhos… Tudo acontece. Estou dando o meu melhor, e desejo que o público se divirta, assim como eu me divirto vivendo as duas personagens.

Palco – A quantas anda o processo de adaptação para o cinema? Já sabe se haverá alguma diferença na história?

Tatianna – Já fizemos toda a estrutura do roteiro e posso adiantar que será um filme, dentro do filme. Agora estamos à procura de parceiros que façam esse sonho se concretizar.

Fomos conferir a peça. Dê só uma olhada!

Entrevista – Clara Santhana

Sucesso no teatro, Clara Santhana está encerrando mais uma temporada carioca, desta vez no Teatro João Caetano. Agora, “Deixa Clarear, peça musical sobre Clara Nunes” segue para cidades de Minas Gerais – terra da homenageada -, como Belo Horizonte e Ouro Preto. Entrevistamos a atriz / cantora, que contou a respeito da admiração pela cantora (e veja também o nosso post sobre o espetáculo)

Confira!

Palco – Queria saber como começou sua admiração pela Clara Nunes. Vem de família? (Não posso deixar de

Foto: Divulgação

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perguntar se seu nome foi em homenagem a ela ou apenas uma coincidência)

Clara – A minha mãe gosta muito da Clara Nunes, mas meu nome também ser Clara foi uma coincidência mesmo. Meus pais me batizaram por acharem a sonoridade e o significado bonitos. Mas a paixão pela Clara Nunes foi uma coisa que partiu de mim mesma.

Quando vim fazer faculdade no Rio de Janeiro (artes cênicas na UNiRiO). Antes morava em Resende, interior. Foi quando comecei a me interessar pela história do samba e me apaixonei pela mitologia dos orixás. E Clara Nunes está totalmente ligada a esse universo. Era muito do que ela cantava no seu repertório.

Foi assim que me aproximei dela. Encantei-me por sua figura, por sua postura e clareza em relação à profissão. Clara é apaixonante!!

Palco – Ela foi uma influência na sua carreira de cantora?

Clara – Tem sido uma influência na minha vida artística. Digo isso por que tenho uma carreira enquanto atriz. Enquanto cantora, estou começando… Mas com certeza influência também.

Palco – O repertório é bem longo! Foi difícil escolher as canções? Tem alguma preferida?

Clara – Muito difícil. Tarefa delicada! Ela tem uma discografia vasta e riquíssima.  Como escolher? Fomos pinçando através de alguns critérios: os maiores sucessos e as músicas que se conectavam com assuntos abordados como a luta dos trabalhadores, a miscigenação do povo brasileiro, o amor entre casais e  a esperança.

Dizer esta é a que mais gosto também não é simples. Mas tem uma que me toca muito: “Ouricuri”, de João do Vale, porque fala da sabedoria do sertanejo, e minha família materna vem do sertão da Paraíba.

Palco – Outro dia estava passando na frente do João Caetano e vi um cartaz enorme do espetáculo. No processo de montagem, esperava que ele tomasse essa proporção ou foi uma surpresa?

Clara – Sinceramente, não havia como prever… Foi uma linda surpresa ver que aos poucos está crescendo. Foi um trabalho feito sem patrocínio, com investimento pessoal, na também com muito amor, trabalho, fé e uma equipe maravilhosa. É emocionante participar desse crescimento.

Estreia de “Frida Kahlo – calor e frio”

Depois de dois anos de pesquisas e turnês, estreia em São Paulo “Frida Kahlo – calor e frio”. A peça, que já passou por Berlim e no país de origem da artista, o México, está começando uma nova temporada hoje na terra da garoa. Enquanto aguardamos a chegada do espetáculo aqui no Rio de Janeiro, conversamos com a dramaturga Viviane Dias. Ela adianta que o enredo é mais voltado para a arte de Frida Kahlo, que é o que mais nos interessa. Vamos fazer uma corrente positiva para que desembarquem logo em solo carioca?

 

Foto: Divulgação

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Palco: Qual a abordagem principal da peça? Vida pessoal? Profissional? A junção das duas?
Viviane Dias: O foco é a arte de Frida. É um texto fundamentalmente lírico, uma dramaturgia aberta que busca um diálogo não só com Frida como personalidade artística isolada, mas com uma época muito potente para o México: o momento em que o país recebeu uma série de artistas – de Eisenstein, a Breton, Maiakóvski, Tina Modotti, a políticos como Trótski. Um momento em que a América Latina surpreende o velho mundo com seus povos nativos, cultura mestiça, mágica e exuberante. E influencia a arte e a filosofia da Europa. Frida e Diego foram embaixadores e anfitriões da grande maioria destes artistas. Assim, a peça se constrói em vários planos. É uma dramaturgia também feminina que interpenetra realidades, de sentidos múltiplos, em diálogo com a arte de Frida. Música, dança e elementos performativos instauram uma escrita cênica que configura o espetáculo como uma festa e um rito artístico.

Palco: Frida Kahlo teve uma vida particular conturbada (questões pessoais, de saúde, etc). Como você vê a influência deste âmbito na obra da artista?
Viviane: “Um artista é um ser humano e um processo criador, impessoal. Enquanto artista, não poderá ser entendido a não ser a partir de seu ato criativo”. Esta frase de Jung orienta a nossa visão do tema. Queremos fugir da abordagem hegemônica em obras sobre a artista, concentradas em sua vida. Sua vida, quando aparece na peça, segue uma lógica lúdica, poética. Ela nos interessa no sentido que configura uma existência que dialoga com um mito: a oferta do sangue à Terra em troca da potência criativa.

Foto: Divulgação

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Palco: Você crê que a obra de Frida Kahlo é bem conhecida nos dias de hoje, tanto em seu país de origem quanto aqui? A peça também tem o intuito de reforçar esta memória?
Viviane: Frida é quase um mito contemporâneo. Ainda que sua obra não seja amplamente conhecida e muitas vezes se saiba mais sobre os clichês em cima da imagem da artista. Gostaríamos de oferecer uma outra possibilidade: o diálogo não com a sofrida Frida Kahlo, mas com a potência e individualidade artística. Neste sentido, é um trabalho que reforça menos a memória e mais abre novas constelações de imagens sobre a artista, novas referências.

Palco: O filme “Frida”, de 2002, serviu como referência para a montagem teatral?
Viviane: Não! A escolha principal do filme, baseado em uma biografia de uma americana, foi a vida de Frida. Nosso trabalho é um diálogo artístico e contemporâneo – envolvendo teatro, música e dança – com a obra de Frida. A obra de Frida como alimento antropofágico para uma nova criação.

Palco: A peça irá viajar pelo país. Virá para o Rio de Janeiro?
Viviane: Pretendemos! Por enquanto só temos a estreia em São Paulo e a turnê já realizada no México e Berlim. Mas adoraríamos uma possibilidade de mostrarmos nossa peça no Rio de Janeiro.