“Iolanta – A princesa de vidro” no CCBBRJ

Inspirado na obra russa “Yolanta”, de Pyotr Ilyich Tchaikovsky, a opereta infantojuvenil “Iolanta – A princesa de vidro” apresenta o mundo sensorial de Iolanta, uma princesa cega. Ainda bebê, ela perde a visão devido a um acidente e cresce de uma maneira inusitada: sem saber que é cega. O pai superprotetor, rei de Borgonhópoles, esconde de todos a condição da filha e constrói seu mundo de forma que ela nunca descubra que é cega. Ela, então, cresce isolada no meio das montanhas e longe da maldade humana. É uma história sobre a descoberta dos sentidos e sobre o poder de transformação e cura do amor.

Idealizadora do projeto, Vanessa Dantas assina a dramaturgia ao lado de Ana Paula Secco. Com direção de Daniel Herz e direção musical de Wladimir Pinheiro, a peça estreia em 22 de janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro, onde ficará em cartaz no Teatro II até 13 de março, com sessões aos sábados e domingos, às 16h. O espetáculo tem patrocínio da Eletrobras Furnas e do Centro Cultural Banco do Brasil. O projeto é realizado pela Lei de Incentivo à Cultura.

O elenco é composto por nove atores-cantores: Caio Passos (Rufino D’Acolá), Chiara Santoro (Martha), Kiko do Valle (Jean D’Além), Leandro Castilho (Sr. Tchaikovsky), Mariah Viamonte (Iolanta D’Aquém), Marino Rocha (Petran D’Aquém), Saulo Vignoli (Almerico), Sofia Viamonte (Laurete) e Tiago Herz (Florian D’Além). Acompanhados pelo músico Pedro Izar, o elenco toca diversos instrumentos em cena, como violão, violino, violoncelo, flauta, flautim, trompete, acordeão e piano.

“Justamente por não saber que lhe falta algo, a Iolanta representa um dom além dos sentidos. Por ser cega, ela explorou profundamente a beleza do mundo invisível. Ela se comunica com natureza, fala a língua dos pássaros, das flores”, conta Vanessa Dantas, que já esteve à frente de bem-sucedidas adaptações de óperas de Gioachino Rossini e Gaetano Donizetti para o teatro infantojuvenil.

Na ópera original, a história se passa no século XV, nas montanhas do sul da França. Nesta adaptação, a peça ganha contornos brasileiros, sendo ambientada no período colonial na região da Serra do Órgãos, no Rio de Janeiro. Os reinos de Borgonhópolis e Provenzópolis foram inspirados nas cidades de Petrópolis e de Teresópolis, respectivamente. O Parnaso é a riquíssima e fértil terra situada entre os dois reinos, disputada pelas famílias reais D’Aquém e D’Além – de onde vêm, respectivamente, os jovens Iolanta e Florian. Em meio às desventuras desta discórdia, os dois acabam se apaixonando.

“A peça traz a ideia de que na diferença você tem a possibilidade de um encantamento amoroso. É na singularidade do outro que você percebe uma outra percepção da vida, possibilitando a paixão. Nesse sentido, acho muito moderno montarmos esse espetáculo agora, nesse momento de tanta polarização”, analisa Daniel Herz. “O que faz o Florian se apaixonar pela Iolanta não é o fato de ela ser cega. Mas a consequência de ela ser cega traz uma sensibilidade, uma percepção diferente sobre a existência, algo que ele não tem”.

Da infância de Tchaikovsky (1840-1893), sabe-se que cedo ele revelou dotes musicais, mas não recebeu educação neste sentido. Seus pais achavam que a música não seria saudável para uma criança tão sensível e até mesmo neurótica. Sua babá costumava chamá-lo de “menino de vidro”, por sua fragilidade. Ao assistir a uma encenação do conto de fadas dinamarquês “Iolanta”, em 1891, Tchaikovsky se identificou tão profundamente com a personagem-título que se sentiu movido a transformá-la em ópera.

Com direção musical de Wladimir Pinheiro (música e letras originais, adaptação musical), o espetáculo explora as mais consagradas obras do compositor russo: os balés “A bela adormecida”, “O quebra-nozes” e “O lago dos cisnes”, além de temas das sinfonias nº 5 e nº 6 e de concertos. “Fizemos uma grande revista da obra Tchaikovsky. São temas conhecidos, já abordados no cinema e em desenhos animados. As pessoas vão reconhecê-los e se surpreender pela forma como foram usados no enredo”, diz Wladimir. Na transposição da história para o Brasil, a modinha imperial foi escolhida como tema musical.

O cenário criado por Glauco Bernardi foi inspirado nas arquiteturas francesa e italiana do século XIX, e no artesanato da cultura popular russa do mesmo período. Um grande realejo, com seus muitos compartimentos e seus bonecos mecânicos, representam os personagens que vão ganhando vida ao se transformarem nos atores.  

Daniel Herz – É fundador e diretor artístico, desde 1992, da Companhia Atores de Laura. Dirigiu espetáculos fora do grupo: “Zastrozzi” (de Georg F. Walker), “Geraldo Pereira, um escurinho brasileiro” (de Ricardo Hofstetter), “Nós no tempo” (de Marcius Melhem), “Otelo da Mangueira” (de Gustavo Gasparani), “Tom e Vinícius” (de Daniela Pereira e Eucanaã), “O Barbeiro de ervilha” (adaptação de Vanessa Dantas), “O elixir do amor”(adaptação de Vanessa Dantas), “Fonchito e a lua” (adaptação de Pedro Brício), “Acorda para cuspir” (de Eric Bogosian), “Tudo que há flora” (de Luiza Prado); “A vida de Galileu” (de Bertold Brecht) e “Valsa nº 6” (de Nelson Rodrigues).

Em 2017, dirigiu “Ubu Rei”, de Alfred Jarry, com Marco Nanini, Rosi Campos e os Atores de Laura; “Perdoa-me por me traíres”, de Nelson Rodrigues; e “Fulaninha e Dona Coisa”, de Noemi Marinho. Em 2018, dirigiu “Conexão: Solidão” (criação coletiva); “Ópera Piedade”, de João Guilherme Ripper; e “Cálculo ilógico”, de Jessica Menkel. Em 2021, dirigiu o filme “A melhor versão”, de Julia Spadaccini. No mesmo ano, dirigiu o documentário “A quarta margem”, assinando também o roteiro.

Vanessa Dantas – Formada atriz pelo Teatro Escola Célia Helena (SP) em 1993. De 2001 a 2008, foi atriz integrante da Cia Atores de Laura. Estreou e viajou com a Cia por diversas cidades brasileiras com os espetáculos: “As artimanhas de Scapino” (de Molière), “Decote” (criação Coletiva da Cia Atores de Laura inspirada na obra de Nelson Rodrigues), “O conto do inverno” (de W. Shakespeare), “N.I.S.E” (criação Coletiva da Cia Atores de Laura em parceria com Maria da Luz sobre a vida da Doutora Nise da Silveira).

Em 2007, fundou a Marcatto Produções Artísticas. Pela empresa, foi a adaptadora dos libretos, criadora das concepções artísticas, produtora e atriz de espetáculos musicais para crianças: “O barbeiro de ervilha” (2010), adaptação da ópera “Il Barbiere di Siviglia”, de Gioacchino Rossini; “O elixir do amor” (2014), adaptação da ópera “L’ Elisir D Amore”, de Gaetano Donizetti – ambos com direção de Daniel Hertz. A peça “A borralheira, uma opereta brasileira” (2012), adaptação da ópera “La Cenerentola”, de Gioacchino Rossini; e “Thomas e as mil e uma invenções” (2018), musical para crianças de Vanessa Dantas e Tim Rescala, foi dirigida por Fabianna de Mello e Souza. Em mais de uma década, os seus projetos somam cerca de 30 indicações, tendo conquistado prêmios, entre as principais premiações de teatro infantil do Rio.

FICHA TÉCNICA
Libreto:
 Vanessa Dantas, Ana Paula Secco e Wladimir Pinheiro

Texto original a partir da ópera russa “Yolanta”, de Tchaikovsky: Vanessa Dantas e Ana Paula Secco
Música e letras originais, adaptação musical: Wladimir Pinheiro
Direção: Daniel Herz
Direção musical e arranjos: Wladimir Pinheiro

Direção de movimento: Daniel Herz e Esther Weitzman
Elenco: Caio Passos, Chiara Santoro, Kiko do Valle, Leandro Castilho, Mariah Viamonte, Marino Rocha, Saulo Vignoli, Sofia Viamonte e Tiago Herz
Músico: Pedro Izar

Cenário: Glauco Bernardi

Figurino: Karen Brustolin

Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni

Desenho de som: João Gabriel Mattos

Preparação vocal: Chiara Santoro

Assistente de direção: Fernando Queiroz

Operador de som: Arthur Ferreira

Microfonista: Adriana Lima

Costureira: Vera Lucia dos Santos Costa

Comunicação visual: Bruno Dante

Assessoria de imprensa: Paula Catunda

Mídias sociais: Guilherme Fernandes

Fotografia: Caique Cunha

Maquiagem: Bruno Alsiv

Direção de produção: Pagu Produções Culturais (Bárbara Galvão, Carolina Bellardi e Fernanda Pascoal)

Produção executiva: Fernando Queiroz

Gestão administrativa – financeira: Natália Simonete – Estufa de Ideias

Assistente financeiro: Pedro Henrique Cavalcante – Estufa de Ideias

Patrocínio: Eletrobras Furnas e Centro Cultural Banco do Brasil
Realização: Marcatto Produções, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Governo Federal. O projeto conta com a Lei de Incentivo à Cultura

 SERVIÇOEspetáculo: “Iolanta – A princesa de vidro”Temporada: de 22 de janeiro a 13 de março de 2022
Dias e horários: sábados e domingos, às 16hLocal: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) – Teatro IIEndereço: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – RJInformações: (21) 3808-2020
Ingressos: R$30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Ingressos na bilheteria: de quarta a segunda, das 9h às 20h 
Ingressos pelo site: eventim.com.br
Classificação livreDuração: 80 min.Iolanta no Instagram: @marcatto_producoes