Debate do espetáculo “1975”

Estreou dia 19 de novembro o monologo 1975, da autora uruguaia Sandra Massera no Instituto Cultural Capobianco protagonizado pela atriz Angela Figueiredo. A peça teve a direção feita a quatro mãos, por Sandra e Angela, entre o eixo São Paulo-Montevidéu.

 

No espetáculo Angela interpreta Teresa, uma mulher de quase 60 anos que teve seu irmão desaparecido durante a ditadura militar no Uruguai, nos anos 70, quando ela era adolescente. Ao desocupar a casa de seus pais, Teresa encontra seu caderno e cartas que escreveu para seu irmão e para sua avó durante muitos anos. Sua avó morava em Buenos Aires e é uma das Abuelas de La Plaza de Mayo. O texto aborda a questão do desaparecimento de pessoas, de perdas de entes queridos e da passagem do tempo que naturalmente a vida nos impõe. É um monólogo docemente amargo em que as cartas, as anotações, os vídeos e as músicas recriam a vida da Teresa.

 

A peça 1975, surgiu a partir o texto Boneco Sem Rosto, também de Sandra, criado para a convocatória para autores uruguaios e argentinos de textos curtos e monólogos para os 10 anos do Teatro De La Identidad, organizado pelas Abuelas de Plaza de Mayo, realizado em Buenos Aires, Argentina. Essa convocatória tem o tema do desaparecimento de pessoas nas ditaduras do Uruguai e Argentina. Ela partiu de uma história real que viveu na sua adolescência e nos anos da ditadura, quando cadáveres anônimos eram encontrados na costa uruguaia lançados por aviões no Rio da Prata. Estes voos ficaram conhecidos como voos da morte. O espetáculo é uma obra de ficção inspirada em fatos reais.

 

1975 ganhou o Prêmio Florêncio de Melhor texto de Autor Nacional em 2015, ano de sua estreia em Montevidéu. A montagem uruguaia está atualmente em turnê na França e foi montado na Argentina (2017), Peru (2019) e agora no Brasil.

 

 

FICHA TÉCNICA:

 

Texto: Sandra Massera

Direção: Sandra Massera e Angela Figueiredo

Elenco: Angela Figueiredo

Direção de vídeos e fotos: Nanda Cipola

Assistente de direção: Claudinei Brandão

Produção executiva: Cristiani Zonzini

Cenografia e figurinos: Kléber Montanheiro

Iluminação: Amarílis Irani

Trilha sonora: Branco Mello e Sandra Massera

Assistente de direção: Claudinei Brandão

Diretor de palco: Acauã Sol

Design gráfico: Vicka Suarez

Adaptação de artes: Erik Almeida

Assessoria de imprensa: Fabio Camara

Operação de luz: Maria Julia Rezende

Operação de som e vídeo: Nanda Cipola

Realização: Casa 5 e Cia. de Teatro As Moças

 

SERVIÇO:

 

LOCAL: Instituto Cultural Capobianco (Rua Álvaro de Carvalho, 97 – Centro), 40 lugares. Acesso a deficiente.

DATA: 19/11 até 18/12 (Terças e Quartas 20h)

INGRESSOS: R$ 60,00 e R$ 30,00 (meia-entrada)

VENDAS PELA INTERNET: http://www.sympla.com.br

INFORMAÇÕES: 11 3237 1187

DURAÇÃO: 60 minutos

CLASSIFICAÇÃO: 12 anos

 

 

EQUIPE:

 

Angela Figueiredo (atriz e diretora)

 

Iniciou sua carreira ainda adolescente no teatro amador em 1974 na peça A Megera Domada, dirigida por Carlos Wilson, no Teatro Tablado (RJ), participou do Grupo Construção Teatral de dança Contemporânea (RJ), direção da bailarina Gerry Maretzki, em 1976, e em 1983 estreou na TV na novela em Guerra dos Sexos com a personagem Analú. Seus mais recentes trabalhos como atriz são: com a Cia de teatro As Moças parceria com a atriz Fernanda Cunha, fundada em 2010, realizaram a trilogia de peças com o tema “mulheres confinadas a margem da sociedade”, com os espetáculos: As Moças – O Último Beijo, direção de André Garolli, em 2014, Noites Sem Fim, direção Marco Antônio Pâmio, em 2016 e em 2018 o espetáculo, Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã, escrita em 1968, pelo autor Antônio Bivar. E ainda Festival de Peças de Um Minuto, do Grupo Parlapatões, nas edições I, II, III e IV, nos anos de 2008, 2010, 2013 e 2018 respectivamente, espetáculo de teatro Serpente Verde, Sabor Maçã, direção de Lavínia Pannunzio, Diga que Você Já Me Esqueceu, direção Dan Rosseto, participou ainda do projeto Terça em Cena, em 2016 e Quinta em Cena, em 2017 e da peça Enterro dos Lobos no Teatro Cemitério de Automóveis.

 

Sandra Massera (autora e diretora)

 

Nasceu em Montevidéu, em 1956, dramaturga, diretora de teatro, atriz e professora. Formada pela escola Municipal de Arte Dramática e pelo Instituto de Professores Artigas. Escreveu diversos textos para teatro e três óperas. Suas obras para teatro têm recebido diversos prêmios, entre eles, Prêmio Florencio da Crítica pelo melhor texto nacional; Prêmio Nacional de Literatura do Ministério da Educação e Cultura; Prêmio Juan Carlos Onetti; Prêmio da Comissão do Fundo Nacioanl de Teatro, Museo Vivo de Titere/MEC, entre outros. É fundadora e diretora do Grupo de Teatro Umbral em Montevidéu desde 1998, grupo independente que tem levado diversos textos aos teatros e em festivais internacionais, como Argentina, Chile, Brasil Estados Unidos, França e Espanha. Sandra lançou, em Montevidéu, no final de 2018 o livro No digas, nada Nena e outros textos para teatro pela editora Estuario, 1975 está dentre os textos selecionados.