Visita guiada com o curador na exposição do americano Mac Adams na CAIXA Cultural Rio de Janeiro

No dia 5 de dezembro, quinta-feira, às 19h, vai ter visita guiada com o curador Luiz Gustavo Carvalho na exposição “Mens Rea: a cartografia do mistério”, de Mac Adams, um dos fundadores da Arte Narrativa (Narrative Art), em cartaz na Caixa Cultural Rio de Janeiro.

Sobre a exposição:

Inédita na capital carioca, a exposição apresenta ao público 15 dípticos fotográficos da icônica série “Mistérios” e uma seleção da série “Tragédias Pós Modernas”, desenvolvida pelo artista na década de 1980 como uma forma de reflexão sobre as políticas econômicas desenvolvidas por Margaret Thatcher e Ronald Reagan, no Reino Unido e nos Estados Unidos, respectivamente.

Provocando colisões híbridas entre tragédias sociais e utensílios de design, os objetos espelhados cromados fotografados por Mac Adams refletem nas suas superfícies situações violentas e inquietantes, que contradizem completamente as formas metálicas perfeitas. “Em uma época onde a palavra pós-verdade foi escolhida como uma das palavras que melhor representa a nossa sociedade, é impressionante ver a contemporaneidade desta série em diversas culturas”, comenta Luiz Gustavo Carvalho.

Com uma obra que encontra as suas raízes na rica tradição oral e escrita dos contos do País de Gales, nos romances de Arthur Conan Doyle e no cinema de Alfred Hitchcock e de noir, Mac Adams desenvolveu ao longo das últimas décadas um trabalho de importância singular em duas e três dimensões, explorando o potencial narrativo da fotografia e da instalação na composição e construção de cenas misteriosas que levam o público à fronteira das normas sociais.

Como um contador de histórias, ele utiliza fotografias e objetos, em uma estreita relação semiótica. A exposição Mens Rea: a cartografia do mistério apresenta ainda três esculturas do artista anglo-americano em torno da sombra. Este elemento, que vem fascinando a humanidade desde a Antiguidade, é abordado por Mac Adams, por meio de esculturas, nas quais estruturas abstratas projetam sombras figurativas. Estes trabalhos, onde a escultura se transforma em pintura e fotografia, influenciaram importantes artistas americanos tais como Tim Nobel e Sue Webster.

“Esta faceta do trabalho de Mac Adams é dotada de um humor singular. No entanto, em toda a sua obra, ele sempre nos obriga a interrogar a veracidade de elementos que transitam entre a realidade e a ficção”, ressalta o curador.

Na exposição, ainda haverá a instalação site specific Cartografia de um crime, criada especialmente para a mostra no Rio de Janeiro. Nesta instalação, o

artista reflete sobre a memória e o esquecimento, por meio de uma relação passional obsessiva. Para isso, Mac Adams constroi um diálogo entre suas imagens e fotografias provenientes do arquivo do Museu Nicéphore Niépce (França), um dos mais importantes da Europa.

Sobre o artista:

Nascido em Brynmawr (país de Gales, Reino Unido) em 1943, Mac Adams estudou na Escola de Arte e Design de Cardiff entre 1962 e 1967. Adams concluiu o seu mestrado em belas artes pela Universidade de Rutgers, onde estudou com o artista Bob Watts. Em 1969, integrou a primeira exposição de ‘Soft Art’ no New York State Museum, junto com Richard Serra, Richard Archwager, Keith Sonnier e John Chamberlain, entre outros. Em 1970, mudou-se para a cidade de Nova York onde vive e trabalha atualmente.

Foi um dos fundadores da Arte Narrativa, movimento artístico surgido nos Estados Unidos na década de 1970. Em 1974, sua primeira série, “Mistério”, foi exibida na lendária Galeria Green Street em Soho, N.Y. Adams foi associado a um grupo de artistas conceituais que usavam texto e fotografias fictícias. No entanto, ele se distancia destes artistas por decidir não utilizar a palavra e adota, ao contrário, uma abordagem mais semiótica para a narrativa, na qual a fotografia terá um papel fundamental.

Mac Adams realizou mais de 13 encomendas de arte pública em larga escala, entre as quais destaca-se o War Memorial Battery, em Nova York. Este foi o primeiro grande memorial dedicado à Guerra da Coreia nos Estados Unidos.

Vencedor de inúmeros prêmios pela sua obra, tais como o “Pollock/KrasnerFoundation Award”, em 2013 e o prêmio por pesquisa artística da Universidade de New York, em 2002, suas obras integram as coleções de fotografia do Victoria and Albert Museum (Londres), Museu de Arte Moderna do Centre Pompidou (Paris) e Museu de Arte Moderna (New York), entre outros. Exposições nos principais centros de arte contemporânea tais como o Museu de Arte Moderna de Luxemburgo (MUDAM), o Musée Nicéphore Niépce (Chalon-surSaône), Neue Galerie-Sammlung Ludwig (Aachen), Musée Jeu de Paume (Paris), MOCAK (Cracóvia) e MoMa (Nova York) registram a importância deste artista no cenário artístico contemporâneo.

Serviço:

Conversa aberta ao público na exposição “Mens Rea: a cartografia do mistério”

Data: 5 de dezembro (quinta-feira)

Horário: 19h

Entrada gratuita

Local: Galeria 4 – Caixa Cultural RJ Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô e VLT: Estação Carioca)

Classificação indicativa: 12 anos

Acesso para pessoas com deficiência

Patrocínio: Caixa e Governo Federal