“A Hora da Estrela” no Teatro Glaucio Gill

Dedicada à uma profícua investigação da relação entre cena e música, a Definitiva Cia. de Teatro reestreia em 29 de novembro, no Teatro Glaucio Gill, espaço da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa/FUNARJ, em Copacabana, o espetáculo “A hora da estrela”, adaptação de Jefferson Almeida e Tamires Nascimento para a obra da escritora Clarice Lispector. O romance ganha os palcos em encenação habilidosa, experimentando a metalinguagem proposta por Clarice – na figura de um narrador-escritor, Rodrigo S.M –  para pensar também a criação da escrita cênica do grupo.

 

“É um livro que fala sobre o trabalho do autor. Esse desnudamento do mistério da escrita através da própria escrita nos impactou enquanto estética. E é isso que tentamos também fazer: revelar os aspectos da construção teatral através do ato de construir” – diz Jefferson, adaptador e diretor.

 

Dividindo-se entre a figura do complexo narrador-personagem e as personagens criadas por ele para contar a saga de Macabéa – alagoana franzina de 19 anos “virgem e inócua” –  os oito atores dão conta de uma encenação calcada em jogos de criação. Através dessa investigação estética, são partilhados com o público os caminhos trilhados para a realização do espetáculo.

     Assim como no romance, em que a música ganha destaque, entre outras coisas, através das inúmeras dedicatórias do autor fictício a compositores clássicos como “Schumann e sua doce Clara”, a Definitiva Cia. de Teatro se debruça sobre as sonoridades, ritmos e canções para realçar, e até mesmo criar, as camadas poéticas da encenação.

 

    Capitaneado por Renato Frazão, diretor musical, o elenco mergulhou no cancioneiro inspirado pela obra para composição da trilha, aprendendo inclusive a tocar instrumentos especialmente para o espetáculo. A ária “Una furtiva lacrima” composta por Donizetti para a ópera italiana “O elixir do amor” – que Macabéa que “no fundo não passara de uma caixinha de música meio desafinada”, confunde com um samba -, é uma das componentes do repertório.  Nele, figuram ainda a clássica “Assum Preto”, de Luiz Gonzaga, e a inédita “Lamento de um blue”, composta por Frazão especialmente para a peça. Assim, em “A hora da estrela”, a música torna-se parte componente da encenação criando uma camada densa de uma escrita musical.

 

      “A nossa pesquisa, aqui, ganha um outro dado: visto que estamos elaborando uma peça sobre como fazer uma peça a partir de um livro sobre como escrever um livro, precisamos fazer uma música sobre como fazer música, ou seja, é preciso parir esta música,  operá-la, fazê-la existir… tudo está, aqui,nas mãos dos atores. Então, precisamos tocar, aprender a tocar, aprender a parir música. Este foi o passo para o abismo que demos, desta vez”, conta Jefferson.

 

     A peça fica em cartaz até o dia 22 de dezembro, sextas e sábados, às 21 horas; e domingos e segundas, às 20 horas. Desde a estreia, em 2017, “A hora da estrela” colecionou diversas críticas positivas, com destaque para a dramaturgia, adaptação inovadora e o resultado surpreendente da pesquisa de linguagem em cena.

 

     “Uma ótima pedida para quem quer apreciar um trabalho de qualidade, e simplesmente imperdível para quem gosta de trabalhos de pesquisa de linguagem”, escreveu Péricles Vanzella, doutor em Artes Cênicas e crítico da site Rio Encena. Para Rodrigo Fonseca, do blog P de Pop, d’O Estado de São Paulo, “(…) a produção da Definitiva Cia. de Teatro, sob a direção de uma força da natureza chamada Jefferson Almeida, espatifa o osso da palavra literária atrás de novas sensorialidades e provocações”

 

SOBRE A DEFINITIVA CIA DE TEATRO

 

Grupo de pesquisa com foco na relação da música com a cena teatral, a Definitiva Cia. de Teatro é um desdobramento da Cia. Provisória, formada em 2008 por estudantes dos cursos de Artes Cênicas da UNIRIO.  O primeiro objeto de pesquisa resultou na montagem do espetáculo “Calabar – o elogio da traição”, de Chico Buarque e Ruy Guerra. Em 2011, a companhia encenou o espetáculo “Deus e o diabo na terra do sol”, adaptação do filme homônimo de Glauber Rocha, cuja reestreia, em 2014, na arena do Espaço Sesc, em Copacabana (RJ), marcou o primeiro trabalho da Definitiva Cia. de Teatro. Em 2018, como comemoração dos seus 10 anos de atividade estreou “Calabar – em concerto”, na Sala Baden Powell.

 

SINOPSE: O espetáculo retrata o processo de escrita por um autor fictício da história de Macabéa, uma jovem que, ao que tudo indica, é inapta para a vida.

 

SERVIÇO:

Local: Teatro Gláucio Gil

Endereço: Rua Barata Ribeiro, 204 – Copacabana

Estreia: 29 de novembro

Temporada: De 29 de novembro a 22 de dezembro

Horários: Sextas e sábados, às 21h; domingos e segundas, às 20h

Gênero: Épico

Duração: 100 minutos

Classificação: 12 anos

Preço: R$ 40,00 (Inteira) | R$20,00 (Meia)

Capacidade: 101 Lugares

Estarão disponíveis 100 entradas gratuitas do projeto Eu Faço Cultura para beneficiários de programas sociais do governo. Informações pelo site www.eufacocultura.com.br

FICHA TÉCNICA:

Do original de Clarice Lispector – A hora da Estrela

Adaptação: Jefferson Almeida e Tamires Nascimento

Direção: Jefferson Almeida

Elenco: Jefferson Almeida, João Vitor Novaes, Livs Ataíde, Marcelo de Paula, Paula Sholl e Tamires Nascimento. Atores convidados: Daniel Chagas e Dennis Pinheiro

Assistente de direção: Tamires Nascimento

Direção musical: Renato Frazão

Preparação vocal: Yves Baeta e Déborah Cecília

Professor de método passo: Diogo Brandão

Preparação de atores: Daniel Chagas

Tap e colaboração: Clara Equi

Cenografia: Taísa Magalhães

Figurinos: Arlete Rua e Thaís Boulanger

Costureira: Kátia Salles

Visagismo: Rodrigo Reinoso

Iluminação: Livs Ataíde

Assistente de iluminação: Luiz Paulo Barreto

Técnico e operador de som: Lucas Campelo

Microfonista: Ananda Amenta

Projeto gráfico: A4 (Davi Palmeira)

Produção audiovisual: Cesar Augusto Moura e Nicholas Bastos

Coordenação de produção: Tamires Nascimento

Produção: Cia. Bagagem Ilimitada (Jacyara de Carvalho e PV Israel)

Assessoria de imprensa: Ana Pinto | Pequena Via Produções

Realização: Definitiva Cia. de Teatro e TEM DENDÊ! Produções