Bailarina Beth Bastos dirige performances na casa Miani, no Masp e no Mac para investigar relação da dança com arquitetura e artes visuais

Mestre em dança, a bailarina e coreógrafa mineira Beth Bastos dirige trabalho denominado de performances-observatório, entre 2 e 24 de novembro, que traz  a pergunta O que vemos quando olhamos dança? As performances acontecem no ambiente brutalista da Casa Miani, novo ponto de cultura da cidade e antiga residência e ateliê do artista plástico italiano Gaetano Miani (1920-2009), que viveu entre São Paulo, Roma e Nova York e foi amigo de Lina e Pietro Bardi. Dia 30 de novembro, a apresentação será no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo) e dia 14 de dezembro na sala de exposição do Mac (Museu de Arte Contemporânea).

As apresentações encerram o projeto O que vemos quando olhamos dança? –  contemplado pela 25ª Edição do Fomento à Dança da Cidade de São Paulo, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura -, que já realizou diversas performances pela cidade em arquiteturas distintas, um ateliê de quatro meses na Oficina Oswald de Andrade com 32 solos de dança, palestras e o filme O que te move. sobre os solos. Concebido pela bailarina Beth Bastos e seu núcleo de pesquisa, o projeto investiga a questão do olhar, a imaginação e a relação da dança com a arquitetura, a fotografia e as artes plásticas. Com duração de uma hora, as performances-observatório acontecem ao ar livre, no jardim, desenhado por Burle Marx, entre plantas tropicais, piscinas e pequeno lago da casa do bairro da Granja Julieta, em São Paulo – obra moderna dos anos 60, do período brutalista, encomendada pelo artista ao arquiteto Paulo Mendes da Rocha e que no passado funcionou como ambiente de exposições e leilões de obras de arte antigas e contemporâneas e hoje está aberta ao público para atividades artísticas.

Sob a direção de Beth Bastos, figurino de Tereza Monteiro, cenografia de André Canadá e iluminação de Hernandes Oliveira, sete bailarinos e um pianista trajando vestidos e camisas de linho em cores neutras estarão em cena e o público de, no máximo, 40 pessoas é convidado a desfrutar da natureza, do silêncio, de instantes de suspensão do movimento em pausas. Tudo acontece ao cair da tarde no momento de transformação entre o dia e a noite, com a presença da arquitetura, uma mesa com romãs e uvas é permitido ao público fotografar, desenhar ou filmar a apresentação. O trabalho de improvisação e de composição em dança se alimenta  das filosofias de corpo da bailarina americana Lisa Nelson (bailarina, performer, editora de revista em Nova York) e de Klauss Vianna (bailarino brasileiro, criador de um método de dança).  Beth Bastos investe na desaceleração do espectador e do artista.

Beth Bastos e os bailarinos do Núcleo Pausa propõem ao público a experiência da  composição e do movimento com o foco no corpo e no espaço, ativando a percepção dos sentidos e os sentidos da imaginação. “As performances-observatório oferecem ao espectador a possibilidade de escolher como e de que lugar se quer olhar, ver e assistir.”, comenta Bastos. A coreógrafa explica que “a proposta das performances-observatório é sintonizar a percepção e o instante para criar composições espontâneas e singulares, usando os sentidos do corpo como ferramentas de sobrevivência e de produção de imagens. O que pode uma pausa provocar? O que se imagina a partir de um corpo que pausa? Como essa imagem efêmera afeta o espaço”?

Nas palavras de Beth Bastos, “essa pesquisa, em processo, tem como foco as abordagens sobre o corpo e o espaço e usa a desaceleração do movimento para desdobrar os temas da atenção, da pausa, da quietude e da necessidade política de resistir e abrir espaço para outros olhares e seus significados. Propõe uma operação de ralentamento que permite observar a dimensão paradoxal do tempo ao fixar um instante que contém muitos possíveis e desencadear mudanças na ordem do sentido. Em um momento em que a aceleração é um valor em si, as performances-observatório oferecem uma possibilidade de percepção da pausa como um gesto alcançável para produzir outras paisagens”.

 

Beth Bastos

Bailarina, performer,  improvisadora e professora de dança. Sua experiência passa pela formação em filosofias do corpo em Klauss Vianna (Brasil) e Lisa Nelson (USA).

Em sua pesquisa questiona o trânsito entre a contemporaneidade e a desaceleração, no tempo e no espaço, a composição de imagens, e a percepção dos sentidos e os sentidos da imaginação.

Serviço

 

De 2 a 24 de novembro de 2019. Sábados e Domingos às 17h30. Todas as performances serão precedidas por uma oficina de livre participação para os interessados que ocorrerá a partir das 15h30. Casa Miani – Rua Marechal Deodoro, 10 – Granja Julieta. Próximo ao metro Alto da Boa Vista. Indicada para todas as idades. Capacidade – 40 pessoas. Duração – 1 hora. Entrada franca.

 

Dia 30 de novembro – vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo).

Dia 14 de dezembro – sala de exposição do Mac (Museu de Arte Contemporânea).

Ficha técnica

 

Concepção e direção de Beth Bastos. Núcleo Pausa:Izabel Costa, Daniela Pinheiro, Fernanda Windholz, Emilio Salvietti Cordeiro, Maíra Rocha Machado, Maira Mesquita, Ísis Marks. Músico: Rodrigo Vasconcelos. Dramaturgia: Débora Tabacof. Fotografia: Sandro Miano. Ambiente cenográfico/Design gráfico: Andre Canada. Palestrantes convidados: Paula Chieffi, Guilherme Wisnik, Teresa Bastos. Produção: Cais Produção Cultural. Direção de Produção: José Renato F. Almeida. Assistente de Produção: Beto de Faria. Assessoria de Imprensa Arteplural