Exposição “Os sentidos da forma” entra em cartaz no Centro Cultural Light

O Centro Cultural Light recebe, a partir do dia 14 de novembro, a exposição coletiva “Os sentidos da forma”. A mostra fica em cartaz até o dia 13 de dezembro, com visitação de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 9h às 19h (entrada franca), na Grande Galeria do Centro Cultural.

Os trabalhos apresentados na exposição, para além dos binômios forma-função ou forma-ideia, vão se interessar pela mediação crítica dos sentidos que suas formas promovem. Eles também pretendem expandir seus territórios e ultrapassar a sua condição utilitária, revelando valores e significados potentes para constituir novas concepções culturais.

Alguns trabalhos, como a “Uroborus”, tratam de fragmentos e arquivos digitalizados de peças que se perderam durante incêndios, que ressurgem em suas fantasmagorias sob a forma de objetos que congregam Arte, Design e Ciência.

Outras obras estão relacionadas a visualização física de dados a partir do conjunto de informações disponibilizadas no projeto Slave Voyages. Insere-se no campo denominado data art. Tratam-se de materiais sobre a dispersão e tráfico de africanos escravizados em 400 anos de comércio escravista, entre os séculos XV e XIX.

Conceito da exposição

Nas sociedades contemporâneas cada vez mais orientadas para soluções imediatas e de pronto uso, as atividades criadoras oferecem como contraponto deslocamentos sensoriais que alargam e intensificam a nossa experiência sobre o tempo presente. É esperado que os artistas se voltem para uma temporalidade mais lenta, para um indefinido tempo presente no qual os processos ganham relevância sobre os resultados.

Esse deslocamento da perspectiva utilitária abre para o design contemporâneo uma via atraente que ao desativar as funções pré-estabelecidas de funcionalidade, de comunicação e informação dos objetos, possibilitam novas indagações, estranhamento e surpresa para temas considerados clássicos e inquestionáveis do design moderno.

Esse procedimento é similar ao da poesia com a linguagem. Segundo Agamben, é o ponto em que a língua tendo desativado suas funções utilitárias, repousa em si mesmo e contempla a sua potência de dizer. Esse também é o ponto em que o design pode constituir uma poética, e o que a poesia realiza pela potência de dizer, o design pode realizar pela potência de projetar e significar.

Aqui convém lembrar de Rafael Cardoso quando diz que para um artefato resistir ao seu desgaste ele precisa ser capaz de produzir significados, simbolizar outros valores para além dele próprio. O condicionamento estrito da forma à função retira do usuário a experiência estética do objeto, a possibilidade de empatia e, por   isso mesmo, inibe a sua capacidade de produção de sentido. Portanto, um objeto que resista ao tempo aproxima- se da arte, torna-se passível de poetização.

Ao considerar a possibilidade de desarticulação entre usos e funções, o designer passa a projetar de modo mais aberto, gerando projetos resistentes aos imperativos da forma e eventual obsolescência. Por isso, é importante que o design contemporâneo articule pensamentos de outras áreas do conhecimento, como a filosofia e a arte, para que ele possa mais que estetizar e funcionalizar o mundo, agir revolucionariamente dentro dele.

Serviço

Exposição: Os sentidos da forma

Visitação: De 14/11 a 13/12 – das 9h às 19h. De segunda a sexta-feira (exceto feriados) – Entrada franca.

Local: Centro Cultural Light – Grande Galeria

Endereço: Av. Marechal Floriano, 168, Centro, Rio de Janeiro.