“Os Impostores” no Sesc Ginástico

Num futuro próximo, o Brasil é devastado por uma hecatombe ecológica. Movimentos de placas tectônicas parece formar uma nova Pangéia. A força das águas inunda, destrói, arrasa tudo. Uma tradicional e rica família brasileira sobrevive ao caos, confinada num suntuoso bunker debaixo da terra há anos (ou seriam décadas? Quem sabe séculos?). Os membros dessa família estão tocando a vida – ou o que sobrou dela, entre taças de champanhe Cristal e latas de caviar Beluga – salvos do caos externo, até que recebem uma visita inesperada, que tal como lá fora, irá mexer com as estruturas dessa família e colocar em xeque a aparente harmonia em que viviam até então.

“Os Impostores” aborda ruínas éticas e morais, inundadas de água, lama e ambição, embaladas pela lavagem cerebral das promessas vazias de fé.

– Embusteiros, falazes, dolosos, enganadores, mentirosos, patranheiros, sub-reptícios, trapaceiros, IMPOSTORES! Pessoas que encontramos por todos os lugares, na padaria do lado de casa e no metrô, nas cadeiras de espera do atendimento do banco e nas filas dos supermercados. Eles estão por aí. Pessoas que se aproveitam dos buracos da alma e do vazio no coração. Impostores são predadores mas podem ser presas também – comenta a produtora Claudia Marques, também idealizadora do espetáculo. – Quando resolvi levar essa história para o palco e juntei essa trupe maravilhosa atendendo a um chamado do Gustavo Pinheiro, eu tinha um grande desejo, o de falar sobre o perigo que nos ronda quando estamos vulneráveis e frágeis, de falar sobre opressão e oprimido e sobre a importância de estarmos fortalecidos e atentos aos sinais.

A trupe que Claudia Marques menciona são os atores Carolina Pismel, Guilherme Piva, Murilo Sampaio, Pri Helena, Suzana Nascimento e Tairone Vale, o diretor Rodrigo Portella, a cenógrafa Julia Deccache, a iluminadora Ana Luzia Molinari de Simoni, o diretor musical de Marcello Alonso Neves, o figurinista Tiago Ribeiro, a assistente de direção Mariah Valeiras, a produtora executiva Jéssica Santiago, além das equipes de comunicação, produção e apoio.

– Em 1664, Molière escreveu uma comédia chamada “Tartufo ou O Impostor”. Ela é mundialmente conhecida como Tartufo, mas acho O Impostor uma provocação mais instigante pois ela se ocupa de uma impostura, no caso a religiosa. A sociedade brasileira contemporânea é farta em imposturas de toda ordem: religiosas, morais e éticas. A questão central da peça de Molière é uma família que recebe a visita de um homem dissimulado, capaz de desestabilizar a dinâmica daquele grupo social – diz o autor Gustavo Pinheiro, também idealizador do espetáculo. – Minha sensação como autor é que coloquei “a bola no campo”, trazendo temas tão atuais para discussão neste grupo de profissionais extremamente inteligentes e estimulantes. A cada novo ensaio surgiam muitas ótimas ideias e caminhos, num trabalho verdadeiramente colaborativo, que dialoga com o Brasil contemporâneo. É como se disséssemos: “Molière, querido, obrigado pela sugestão de enredo. Daqui em diante, é com a gente”.

– Se alguém me perguntar qual o gênero dessa peça eu direi IRONIA, uma narrativa que opera na oposição, no atrito e na gozação. Imaginem um bunker que abriga uma família rica, ali  por décadas, sem sair, estoques intermináveis de combustível, água, mantimentos e até oxigênio, uma personagem que trabalha para essa família há dezenas de gerações. Ok, isso pode não ser tão absurdo quanto uma jovem que tenta salvar o planeta, um mulher viciada em ansiolíticos, um homem envolvido em uma paixão compulsiva enquanto outro quer recuperar o poder perdido. Mas, coisa de outro mundo mesmo seria se ainda aparecesse alguém querendo se aproveitar das fragilidades alheias para tirar alguma vantagem. Isso seria um verdadeiro absurdo senão fosse uma ironia. Isso é a peça – comenta o diretor Rodrigo Portella, que também assina o texto da peça.

Com realização do Sesc RJ e apoio cultural da Firjan SESI, através do Edital Fomento às Artes, “Os Impostores” terá estreia nacional no dia 31 de outubro de 2019, no Teatro Sesc Ginástico, Centro do Rio de Janeiro, onde ficará em cartaz até 1º de dezembro, com sessões quintas, sextas e sábados, às 19h, e domingos, às 18h.

Guilherme Piva

Ator e diretor, Guilherme Piva tem entre seus principais trabalhos em teatro: “A Mulher que Escreveu a Bíblia”, “A Invenção do Amor”, “Não Vamos Pagar”, “Todas As Coisas Essa Viagem”, “De Verdade”, “A Farsa da Boa Preguiça”, “A Falecida”, “Aurora da Minha Vida”, “O Crime do Dr. Alvarenga”, “A Luz da Lua”, “O Submarino”, “Arlequim – Servidor de Dois Patrões” e “Carícias”. Na televisão pode ser visto em “Xica da Silva”, “Mandacaru”, “Porto dos Milagres”, “Chocolate com Pimenta”, “O Beijo do Vampiro”, “Pé na Jaca”, “Três Irmãs”, “Insensato Coração”, “Lado a Lado”, “Malhação Sonhos”, “Novo Mundo”, “A ilha”, entre outras novelas e especiais. No cinema atuou no longa “Madame Satã”, “Não se Preocupe Nada vai dar Certo”, “Paraíso aqui vou Eu” e “O Sofá”. Atualmente dirige a peça “Fim de caso”, com texto de Thereza Falcão, autora com a qual já trabalhou em “Novo Mundo”, novela escrita por ela em parceria com Alessandro Marson, e voltará a trabalhar em “Nos temos do imperador”, trama que ela escreve novamente com Marson para a faixa das 18h. Piva reaparecerá como Licurgo, seu personagem em “Novo Mundo”.

Rodrigo Portella

Vencedor dos prêmios Shell, Cesgranrio e Botequim Cultural de Melhor Direção por “Tom na Fazenda” (2017), peça ganhadora do prêmio de Melhor Espetáculo dado pela Associação de Críticos de Montreal/Canadá, Rodrigo Portella é natural de Três Rios, interior do Rio de Janeiro e formado em Direção Teatral pela UniRio. Em 26 anos de carreira, dirigiu 22 espetáculos e escreveu 8 peças teatrais, sendo indicado 2 vezes ao Prêmio Shell pelos textos de “Antes da Chuva”(2014) e “Alice Mandou Um Beijo” (2016). Em 2019 voltou a concorrer ao Shell de Melhor Direção pelo espetáculo “Insetos” (2018), obra que comemora os 30 anos da Cia dos Atores. Foi com “Antes da Chuva”, da Cia Cortejo, que Portella começa  a ser reconhecido pelo seu trabalho. Com este último percorreu dezenas de cidades pelo projeto Palco Giratório, participou dos maiores festivais de teatro do país, além de turnês na Argentina, Equador, Alemanha e Chile. Com a Cia Cortejo, foi também indicado ao Prêmio Shell de Melhor Direção por “Uma história Oficial” (2012). Matérias no Estado de São Paulo, O Globo e Correio Brasiliense legitimaram e reconheceram a importância do movimento feito por Portella na contramão do senso comum, por trocar, em 2010, a capital pelo interior, como espaço potencial para a verticalização do seu processo criativo, funcionando como um impulso para a circulação nacional. Em Três Rios, dirigiu por 4 anos o Festival Internacional Off Rio, os Pontos de Cultura Teatro Aberto e o Centro de Produção Audiovisual. Atualmente, circula com o espetáculo “As Crianças” (2019), sucesso absoluto de crítica e público, indicado a 14 prêmios em diversas categorias, e se dedica à sua pesquisa de mestrado em direção pela UniRio. É também professor do curso superior em teatro do Instituto Cal de Arte e Cultura. Em 2020, Portella vai dirigir um espetáculo encomendado pelo Festival de Curitiba, uma produção do Teatro Guaíra e do Festival de Curitiba, para estrear durante o Festival.

Gustavo Pinheiro

Jornalista, autor e dramaturgo, Gustavo Pinheiro foi vencedor da 7ª edição do Seleção Brasil em Cena, em 2015, com a peça “A Tropa”, que ficou três anos em cartaz e foi publicada em livro pela Editora Cobogó em 2018. É autor da peça “Alair”, com Edwin Luisi e “Relâmpago Cifrado”, com Ana Beatriz Nogueira e Alinne Moraes.

Claudia Marques

Há 26 anos, a diretora de produção Claudia Marques, sócia diretora da Fábrica de Eventos, vem contribuindo com a expansão e difusão da arte e da cultura, no Brasil e em outros países, produzindo durante teatro, música e festivais. Trabalhou com importantes diretores, como: Mauro Rasi, Aderbal Freire Filho, Paulo de Moraes e Marco André Nunes, Moacir Chaves, Paulo José, Pedro Brício, Christiane Jathay, entre outros. Com mais de 30 peças no currículo produziu sucessos de público e crítica como: “Melodrama” da Cia dos Atores, “O Sermão da Quarta Feira de Cinzas – Padre Antonio Vieira”, com o ator Pedro Paulo Rangel, “Julia” de Christiane Jatahy, o musical “Orlando Silva o Cantor das Multidões” e “Gisberta” com Luis Lobianco. Produtora com olhar artístico sensível e agregador, Claudia Marques também busca em seu trabalho uma internacionalização das artes, levando muitos de seus espetáculos para cidades como: Bogotá, Buenos Aires, Nova York, Porto Rico, Lisboa, Porto e, mais recentemente (2019), em Praga, durante o Prague Crossroads.

Ficha técnica

Texto: Gustavo Pinheiro e Rodrigo Portella
Direção: Rodrigo Portella
Direção de Produção: Claudia Marques
Elenco: Carolina Pismel, Guilherme Piva, Murilo Sampaio, Pri Helena, Suzana Nascimento e Tairone Vale.
Colaboração Dramatúrgica: Carolina Pismel, Guilherme Piva, Murilo Sampaio, Pri Helena, Suzana Nascimento, Tairone Vale e Mariah Valeiras
Assistente de Direção: Mariah Valeiras
Cenário: Julia Deccache
Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni
Direção Musical: Marcello Alonso Neves
Figurinos: Tiago Ribeiro
Visagismo: Vitor Martinez
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Gestão de Redes Sociais: Flávia Garcia
Programação Visual: Raquel Alvarenga
Fotos e Filmagem: Elisa Mendes
Produção Executiva: Jéssica Santiago
Assistente Administrativo: Luiz Henrique Lopes
Idealização: Claudia Marques e Gustavo Pinheiro
Produção: Fábrica de Eventos

Sinopse

Um hóspede inesperado questiona os valores e a aparente harmonia de uma família.

Serviço

Local: Teatro Sesc Ginástico. Av. Graça Aranha, 187, Centro, Rio de Janeiro.
(próximo a Estação Carioca do Metrô)
Estreia Nacional: 31 de outubro de 2019.
Temporada: de 31 de outubro a 1º de dezembro. Quintas, sextas e sábados, às 19h, e domingos, às 18h. 
Ingresso: R$ 7,50 (habilitados Sesc), R$ 15,00 (estudantes e idosos) e R$ 30,00 (inteira).
Funcionamento da Bilheteria: terça a domingo, das 13h às 20h.
Telefone da Bilheteria: (21) 2279-4027
Capacidade de Público: 513 lugares
Classificação Etária: 16 anos
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