Isso que você chama de lugar

Tendo percorrido três teatros em três meses, “ISSO QUE VOCÊ CHAMA DE LUGAR”, espetáculo inédito concebido e dirigido por Daniel Herz, reestreia no Teatro Ipanema, onde fica em cartaz de 19 de outubro a 11 de novembro. Num mundo cada vez mais individualista, onde todos parecem sempre tão ocupados lutando pela própria sobrevivência a ponto de conversar sem se comunicar, quatro histórias paralelas “se cruzam”. As personagens se encontram no palco, mas não na vida, reforçando a incomunicabilidade que existe nas relações contemporâneas.

Em cena, quatro atores contam quatro histórias concomitantes, parecendo às vezes que é a mesma história – mas são sempre histórias diferentes. Cada ator apresenta apenas a sua própria história e os diálogos não são necessariamente diálogos, mas são sempre encontros. Tendo a dúvida como ponto central, o jogo cênico se assemelha a um quebra-cabeça e flerta com teatro do absurdo. Essa “vertigem cênica” alude à profundidade da decisão que os personagens, vivendo momentos cruciais, precisam tomar.

“Tive essa ideia das histórias simultâneas a partir da reflexão sobre o lugar em que cada um se situa a cada tempo. Ter um elenco tão talentoso e confiante neste formato faz do desafio uma aventura deliciosa”, analisa Daniel, que criou o texto colaborativo junto de Clarissa Kahane, sua assistente na direção, e do elenco, composto por Carol Santaroni, Clarissa Pinheiro, Roberta Brisson e Tiago Herz.

A peça pontua o perceptível crescimento do fluxo emigratório de brasileiros que buscam em outros países um aumento da qualidade de vida e alguns desdobramentos – estabilidade financeira, realização profissional e novos encontros amorosos. Para além das questões práticas, aparece o desejo não apenas de deixar o lugar onde se vive, mas de se encontrar em si mesmo.

“É possível ter um projeto de vida potente dentro do nosso país ou a única saída é o aeroporto? Nunca tivemos tantas pessoas ‘navegando’ por essa dúvida”, provoca o diretor, aos 37 anos de carreira.  A montagem tira o espectador da zona de conforto não somente em relação ao tema, mas também quanto à forma de contar essas histórias, brincando com o que parece e o que de fato é.

 “Um grande desafio foi encontrar o equilíbrio entre as dinâmicas cênicas e o fôlego do público para conseguir acompanhar as quatro histórias ao mesmo tempo. A plateia tem que ‘aceitar’ o desconforto inicial e depois se deleitar com a potência de conseguir se envolver com a situação limite de cada personagem”, sinaliza Daniel.

Os personagens têm a opção de manter a segurança afetiva do seu local de origem ou buscar uma nova identidade em um novo país. “A sensação de que as nossas faltas serão preenchidas num lugar diferente nos encoraja a partir. Mas manter-se na terra natal apesar das contrariedades e inverter expectativas também é uma possibilidade de autoconhecimento e plenitude. Em suma, reconhecer-se como estrangeiro de si mesmo e, a partir desse entendimento, buscar a sua própria identidade é o que nos motiva a contar essas histórias”, encerra.

SERVIÇO:

“ISSO QUE VOCÊ CHAMA DE LUGAR”

Temporada:

19 de outubro a 11 de novembro

Horários:

Sábado à Segunda-feira – 20h

Local:

Teatro Ipanema

Rua Prudente de Morais, 824 – Ipanema

Telefone: (21) 2267-3750

Ingressos:

R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia-entrada)

Duração: 70 minutos

Classificação: 12 anos

Gênero: Drama

FICHA TÉCNICA:

Concepção e Dramaturgia: Daniel Herz

Texto: Criação Coletiva

Direção: Daniel Herz

Elenco: Carol Santaroni, Clarissa Pinheiro, Roberta Brisson e Tiago Herz

Diretora Assistente: Clarissa Kahane

Iluminação: Aurélio de Simoni

Cenário: Fernando Melo da Costa

Figurino: Clívia Cohen

Projeto Gráfico: Daniel Rocha e Vidi Descaves

Assistência Psicanalítica: Evelyn Disitzer

Direção Musical: Pedro Nego

Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Assessoria – Gisele Machado & Bruno Morais

Produção: 2D Produções e Comunicação

SINOPSE:

O espetáculo conta quatro histórias paralelas de pessoas que vivem momentos cruciais de decisão e se encontram no palco, mas não na vida. 

 

SOBRE O DIRETOR:

DANIEL HERZ é diretor, professor, ator e autor. É fundador e diretor artístico da Companhia Atores de Laura. Dirigiu também outros espetáculos fora do grupo, tais como “Zastrozzi” (de Georg F. Walker); “Geraldo Pereira, um escurinho brasileiro” (de Ricardo Hofstetter); “Nós no tempo” (de Marcius Melhem); “Otelo da Mangueira” (de Gustavo Gasparani); “Tom e Vinícius” (de Daniela Pereira e Eucanaã), “O Barbeiro de ervilha” (adaptação de Vanessa Dantas); “Nadistas e Tudistas” (adaptação de Renata Mizrahi); “A importância de ser  perfeito”  (de Oscar Wilde com adaptação de Leandro Soares); “O elixir do amor”(adaptação de Vanessa Dantas); “Fonchito e a Lua” (adaptação de Pedro brício); “As Bodas de Fígaro”, com tradução de Barbara Heliodora; “Acorda para cuspir” (de Eric Bogosian); “Tudo que há flora” (de Luiza Prado); “A vida de Galileu”  (de Bertold Brecht); “Valsa Nº 6” (de Nelson Rodrigues). Em 2016, dirigiu a ópera “Mozart e Salieri” (de Rimsky-korsakov) no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.  Em 2017 dirigiu “Ubu Rei”, de Alfred Jarry, no Teatro Oi Casagrande com Marco Nanini, Rosi Campos e os Atores de Laura no elenco. Também em 2017 dirigiu “Perdoa-me por me traíres”, de Nelson Rodrigues. Em agosto de 2017 dirigiu “Fulaninha e Dona Coisa”, de Noemi Marinho. Em janeiro de 2018 dirigiu “Conexão: Solidão”. Entre os prêmios e indicações que recebeu destacam-se o Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem na categoria Melhor Direção pelo espetáculo “Romeu e Isolda”; Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem nas categorias de Melhor Direção, Melhor Texto e Melhor Espetáculo por “Decote”, Prêmio Qualidade Brasil na categoria de Melhor Direção por “As artimanhas de Scapino”, indicação para o Prêmio Shell de Melhor Direção pelo espetáculo “As artimanhas de Scapino”, indicação para o Prêmio Shell de Melhor Direção pelo espetáculo “Adultério”; Prêmio Orilaxé de Melhor Direção pelo espetáculo “O filho eterno”. Indicado para o Prêmio Cesgranrio de Melhor Direção pelo espetáculo “As Bodas de Fígaro” e para o Prêmio Cepetin de Melhor Direção pelo espetáculo “Fonchito e a lua”. Indicação para o Prêmio APTR e Prêmio FITA de Melhor Direção pelo espetáculo “A importância de ser perfeito”, de Oscar Wilde. Entre seus livros publicados estão “A Entrevista seguida de Cartão de embarque” (Editora Relume–Dumará); “Decote seguido de Romeu e Isolda” e “Textos reunidos Cia Atores de Laura: Romeu e Isolda,  Decote,  Adultério, O enxoval e Absurdo” (ambos pela Editora Garamond). Desde 1988 dá aulas de teatro na Casa de Cultura Laura Alvim. Desde 1992 dirige a Companhia de Teatro Atores de Laura.

SOBRE A DIRETORA ASSISTENTE:

CLARISSA KAHANE é atriz, diretora assistente e autora. Como atriz está em cartaz com o espetáculo “Perdoa-me por me Traíres”, de Nelson Rodrigues, com direção de Daniel Herz. Sua estreia foi em 2010,  na peça “Apocalipse segundo Domingos Oliveira”, com texto e direção de Domingos Oliveira. Atuou também em “Decote”, na remotagem da Cia Atores de Laura (2012); em “Nadistas e Tudistas”, adaptação do Livro de Doc Comparato com direcão de Daniel Herz (2013). Como diretora assistente trabalhou, entre outros, nos espetáculos “O Filho Eterno”, de Cristovão Tezza; “Abusrdo”, onde também foi coautora com a Cia Atores de Laura; “Adultério”, também da Cia Atores de Laura, entre outros, todos com direção de Daniel Herz.

ELENCO:

CAROL SANTARONI é formada bacharel em teatro pela UniverCidade e diretora da “Quinta Cia. de Teatro”. Como atriz, trabalhou na peça “Decote” com a Cia Atores de Laura, sob direção de Daniel Herz, na comemoração de 20 anos da Cia Atores de Laura, além dos espetáculos “A Hora Perigosa” e “Coisas de Teatro”, ambas com direção de Daniel Herz; “Ópera do Malandro”, direção de Ana Luisa Cardoso, “O Catador de Nuvens” da Cia Cataplay, entre outros. Participou como stand-in na peça “As Artimanhas de Scapino”, também na comemoração dos 20 anos da Cia Atores de Laura. Atuou também como atriz no ciclo de leituras dramatizadas no Simpósio Nelson Rodrigues, com a peça “Perdoa-me Por Me Traíres”. Dirigiu em 2017 a peça “Procura-se” da Quinta Cia de Teatro, com temporada na Sede das Cias e no Teatro Leblon. Como assistente de direção, atua há mais de 10 anos com Daniel Herz na Casa de Cultura Laura Alvim. Trabalhou em espetáculos premiados como “Meu Saba” e “Tudo O Que Há Flora”. Em seus últimos trabalhos como atriz, esteve em cartaz por dois anos com a peça “A Vida de Galileu”, de Bertolt Brecht, com direção de Daniel Herz e João Marcelo Pallottino, e com a peça “Conexão: Solidão”, que ficou em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim e no Teatro Poeira.

CLARISSA PINHEIRO é atriz, jornalista e editora. Ganhou prêmio de melhor atriz coadjuvante no Festival de Cinema de Paulínia de 2014, com o filme “Casa Grande”, direção de Fellipe Barbosa. Também participou dos longas-metragens “Aquarius” (Kleber Mendonça Filho), “Aos Teus Olhos” (Carolina Jabour) e “A Mata Negra” (Rodrigo Aragão). Na TV, atuou nas minisséries da Rede Globo “Onde Nascem os Fortes” e “Justiça” (José Villamarim), “Sob Pressão” (Andrucha Waddington); do Multishow “Procurando Casseta & Planeta” (Gualter Pupo), da FOX “O Grande Gonzalez”, série “Porta dos Fundos”. Fez também o comercial da Globo Filmes, com direção Cacá Diegues. No teatro, esteve em cartaz com os espetáculos “A Gaivota”, direção Fred Tolipan; “Os Sete Gatinhos”, direção David Herman; “Flicts”, direção Carlos Sales e Normando Roberto.

ROBERTA BRISSON é atriz formada pela UNIRIO no curso de Teoria do Teatro, estudou durante dez anos no Tablado, dois anos na CAL e participou de oficinas com o grupo Teatro do Pequeno Gesto e com a atriz Juliana Carneiro da Cunha. No teatro, esteve em cartaz com muitos espetáculos, entre eles; “Em Cantos”, com direção de Ricardo Kosovski; “Maroquinhas Fru Fru”, com direção de Bernardo Jablonski; “Medéia”, com direção de Antonio Guedes;  “Eu Henrique Viana, 17 anos, virgem, reprovado em seis matérias, estou voltando pra casa”, com direção de Bernardo Jablonski, “Como nascem as estrelas”, de Clarice Linspector, “Orinoco”, de Emilio Carballido, entre outros. Na TV participou em 3 temporadas da série “EstranhaMente”, ao lado de Fernando Caruso, no Multishow. Além de atriz foi produtora dos espetáculos; “Portátil”, “Uma noite na Lua” e “Z.É. Zenas improvisadas”, entre muitos outros.

TIAGO HERZ é bacharel em cinema pela PUC RJ, atuou em nove montagens da Cia Atores de Laura: “Círculo de Giz Caucasiano”, de Brecht, “As Rosas de Nossa Senhora”, de Celestino Silva, “A Flauta Mágica”, de Celso Lemos e Antonio Guimarães, “O Conto do Inverno”, de Shakespeare, “O Pena carioca”, de Martins Pena. Atuou também em “Noel, o feitiço da vila”, de Andreia Fernandes, “A menina e o vento”, de Maria Clara Machado, “A vida como ela é”, de Nelson Rodrigues, “O inspetor geral”, de Gogol, “Viúva, porém honesta”, de Nelson Rodrigues, “O jardim das cerejeiras”, de Anton Tchekhov, “As Bodas de Fígaro”, de Beaumarchais, “Ubu Rei”, de Alfred Jarry, e “O barbeiro de Ervilha”, de Vanessa Dantas; “Arraial das Lobas”, de Leandro Castilho; “Contos Partidos de Amor”, direção de Duda Maia, pelo qual foi indicado ao prêmio de melhor ator de espetáculo infanto-juvenil. Participou do longa “Boa Sorte”, de Carolina Jabor. Atuou na minissérie “Filhos do Carnaval” com direção geral de Cao Hamburger. Fez assistência de direção nas montagens dos espetáculos “Nadistas e Tudistas”, de Renata Mizrahi, “O Pena carioca”, de Martins Pena, “Acorda pra cuspir”, com Marcos Veras, “Perdoa-me por me traíres”, de Nelson Rodrigues, “Fulaninha e Dona Coisa”, de Noemi Marinho e na ópera “Mozart e Salieri”, no Theatro Municipal RJ. Criou e produz o curso História e Teatro.  Autor e ator dos espetáculos “Ignorância” e “Jumento Belchior”.

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