Flora Paradoxa Nós

O nome da flor dá título a exposição que reúne no Reserva Cultural com apoio da Eixo Arte Contemporânea os jovens artistas Clarice Rosadas, Filipe Britto e Pedro Pessanha, alunos e ex-alunos do Departamento de Arte da Universidade Federal Fluminense, em Niterói. Segundo o curador da mostra Ricardo Basbaum a produção se destaca pela disponibilidade experimental e o desejo de trazer suas práticas para um registro de diálogo com o cenário da arte contemporânea. Clarice Rosadas desloca desenho, pintura e escrita para um registro processual-performativo, enquanto Filipe Britto utiliza dispositivos técnicos como mediadores de ações videografadas a partir da vivência e experimentação de espaços e territórios. Pedro Pessanha por sua vez explora a superfície gráfica da letra, da palavra e do livro num domínio consciente dos recursos construtivos e de modulação das formas, também como imagem. Nesta exposição os artistas conduzem suas obras a partir de um olhar de longo alcance, cultivando a ambição e o desejo dos encontros fortes. Os lugares se refazem e os trabalhos expostos investem na construção do que está por vir, diz o curador Ricardo Basbaum. Flora paradoxa nós é uma flor rara, lembra ele, de impulso colaborativo, estabelecendo-se como agente simpoético de produção coletiva. Esta exposição funciona de modo dinâmico e as obras presentes se referem umas às outras, em mútuo contato – do desenho-escritura ao objeto e à imagem, sempre em atravessamento. Entre as dimensões políticas da arte contemporânea está o agrupamento dos corpos, seu funcionamento conjunto, a partilha de esforços no redesenho de limites, na produção de coletivos desafiadores. Flora paradoxa nós multiplica perfumes, aguça, adoça, atrai e floresce, intermitentemente, conclui.

A seguir um pouco da trajetória dos jovens artistas e do curador da mostra:

Clarice Rosadas (Rio de Janeiro, 1997). Artista visual, cursa Produção Cultural na UFF. É integrante do espaço independente Casa Voa (RJ), tanto como artista quanto como produtora. Participou de mostras e exposições coletivas nacionais, começou a desenvolver seu trabalho artístico com uma performance no MAC (2017) e a mais recente mostra aconteceu no espaço Oasis, no Rio de Janeiro, chamada “Nômada”, com curadoria de Sônia Salcedo Del Castillo. Sua pesquisa bota em questão a palavra, com desdobramentos na escuta e escrita como matriz, e seus trabalhos se desenvolvem em diversos suportes e materiais, com particular interesse em papel, objetos e telas.

Filipe Britto (Campinas) é graduado em Artes na UFF em Niterói, RJ. Trabalha com videoarte, fotografia e instalações. Tece uma linha de pesquisa prática no campo audiovisual em busca de fricções do tempo e do espaço na imagem cinematográfica aliando-se a microcomputadores dotados de certa autonomia.

Pedro Pessanha é artista e pesquisador carioca. Seus trabalhos questionam o encontro do sujeito com a palavra e seus efeitos, procurando estratégias que dilatem o tempo de leitura e façam com que o leitor possa se perceber lendo – e, ao construir sentido, construa a si mesmo. Em sua prática artística desenvolve trabalhos em diversos meios, como livros de artista, instalações e poemas-objeto. Graduado em Artes pela Universidade Federal Fluminense (2018).

Ricardo Basbaum (São Paulo, 1961) vive trabalha no Rio de Janeiro. Participa regularmente de exposições e projetos desde 1981. Realizou inúmeras exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Seus projetos, frequentemente de longa duração, envolvem situações colaborativas e participativas, incluindo diversas linguagens. Professor do Departamento de Arte da UFF.

Legenda de imagens:

001 Clarice Rosadas registro da ação “coletor de angústias”, 2019 caneta posca sobre papel Hahnemüle 14,8cm x 21cm

002 Clarice Rosadas sem título, 2019 óleo fita e grafite sobre tela e grafite sobre parede 30x40cm

003 Clarice Rosadas sem título, série do inferno, de dante, 2019 fita e pastel seco sobre papel Canson 90g 21cm x 29,7cm

004 Clarice Rosadas sem título, série “baby i could give u the moon”, 2018 fita e grafite sobre papel Canson 200g 21cm x 29,7cm)

005 Filipe Britto Tentativas falhas de pesca a uma carta que ficou presa no bueiro, 2019 da Série Alargar o instante com brechas no espaço Fotografia, vídeo e programação randomizante

006 Filipe Britto Sem título, 2014 Fotografia do Reserva Cultural no passado, até então prometido Museu do Cinema da Petrobrás Fotografia em impressão FineArt

007 Pedro Pessanha VOO, 2019 Ventiladores portáteis, acrílico e impressão sobre papel ofício 15 x 15 x 25 cm (cada módulo)

008 Pedro Pessanha Toda Fotografia é Uma Poça Escura, 2019 Impressão digital sobre papel fotográfico 70 x 46,6 cm

GALERIA RESERVA CULTURAL

Av. Visconde do Rio Branco, 880 – São Domingos – Niterói

Abertura: Dia 17 de outubro às 19hs às 22hs

Exposição até 24 de novembro das 12h às 22hs

Coordenação: Vilmar Madruga

Anúncios