“Ela Entre Nós” na SP Escola de Teatro

Com referências do universo pop, a comédia dramática “Ela Entre Nós”, uma criação coletiva livremente inspirada no texto “De Alma Lavada”, de Sergio Roveri, estreia dia 18 de outubro, na SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt – Sala Hilda Hilst, onde segue em cartaz até 24 de novembro. As apresentações acontecem às sextas, aos sábados e às segundas, às 21h, e aos domingos, às 19h, com ingressos por até R$30.

A comédia dirigida pelo uruguaio Mauro Baptista Vedia narra uma experiência inusitada e transcendental de uma mulher comum que mora sozinha, o que a obriga a se confrontar com uma série de questões sobre a vida vivida até ali. Enquanto toma um relaxante banho de espuma, Simone acidentalmente derruba o secador de cabelos na banheira e toma um choque que a deixa em estado terminal. Nesse exato instante, a alma da protagonista ganha voz, vida e personalidade próprias e completamente diferentes do que foi a sua dona.

Como Simone ainda não morreu, sua alma não pode partir sozinha para uma próxima encarnação, por isso, elas são obrigadas a conviver. A alma, que muitas vezes foi ignorada, faz uma série de questionamentos existenciais sobre o modo de vida de sua dona. Esta, por sua vez, percebe que o que ela acreditava ter um grande glamour, na verdade, só a aprisionava e acaba reencontrando seu verdadeiro ser.

“A Simone mora nesse apartamentinho em que cada cômodo tem uma cor diferente. Ela é toda certinha e pensa que vive no seu mundo de glamour. Ela tem sua banheirinha vitoriana e está sempre ouvindo Palito Ortega, que é uma coisa argentina antiga e cafona. Quando ela encontra a alma, passa a questionar: o que eu estou fazendo com a minha vida? Quais são os meus sonhos? Tenho um namorado que é um amor, mas é super tosco”, comenta a atriz e idealizadora da montagem Juliana Ferreira.

“Já a Alma é intransigente, questionadora, um tantinho egocêntrica quanto às suas necessidades do momento. Mas com a convivência com a Simone, também passa a descobrir um novo mundo e fica maravilhada. O afeto entre elas surge, até que Corpo e Alma se conectam verdadeiramente”, esclarece Luciana Severi, sobre a sua personagem.

A peça trata de temas como a procura pelo sentido da vida, a fragilidade da existência humana, os sonhos e as desilusões, o conformismo e o desencantamento que vêm com a idade e a iminência da morte. “Mais do que temas o que sempre me interessa são formas. Criamos uma espécie de comédia espírita pop, isso me fascina porque tentamos criar um novo formato e queremos saber qual será a resposta do público a essa peça tão vital, que mistura coisas que supostamente não deveriam ser misturadas”, acrescenta o diretor Mauro Baptista Vedia.

O cenário da peça reproduz os diferentes cômodos do apartamento de Simone, cada um com uma cor diferente, e a plateia é acomodada no meio desse espaço. A ambientação lembra os filmes do cineasta espanhol Pedro Almodóvar dos anos de 1980. Objetos coloridos de decoração – abajures, flores, cadeiras, geladeira antiga, banheira, bolinhas de sabão, poltronas etc. – estão espalhados por esses ambientes e criam atmosfera pop,kitsch e instagramável. Os espectadores podem tirar fotos nesse espaço ao final de cada apresentação.

Para a encenação, o diretor Mauro Baptista Vedia trouxe referências cinematográficas e da música dos anos de 1970 e 1980. “O texto me trouxe várias referências, mas uma das mais importantes foi o cinema de Pedro Almodóvar nos anos de 1980 e de Quentin Tarantino. Outra referência é a música pop espanhola e hispano-americana dos anos de 1970. Eu morei na Espanha nessa época e trouxe comigo para essa peça o universo da televisão, da cultura de massa e da música dessa década. A peça tem uma linguagem muito contemporânea de paródia (no sentido de retomar as referências artísticas do passado) e dialoga com essa essência pós-moderna kitsch”, explica.

Histórico

O grupo está em processo de criação desse espetáculo há mais de cinco anos. “Acho que a mudança de perspectivasque a Simone tem na peça depois de passar por esssa experiência espiritual dialoga com todo esse nosso longo processo de montagem. Quando eu e a Luciana nos formamos no Indac, queríamos montar uma peça bacana com dois personagens femininos fortes. Escolhemos o texto do Sergio Roveri e tentamos montar logo em sequência, mas eu descobri que estava grávida, tive um câncer de mama, trocamos de diretor e perdi meu pai, coisas que foram adiando a estreia. Todos esses obstáculos serviram também para mudar a minha percepção sobre a vida e cada fase em que recomeçamos o processo serviu para enxergarmos novas coisas sobre a peça. E agora é o momento perfeito para finalmente estreá-la”, comenta Juliana Ferreira.

O diretor Mauro Baptista Vedia entrou no processo criativo depois que as duas atrizes assistiram ao bem-sucedido espetáculo “A Festa de Abigail”. “A Juliana e a Luciana viram uma remontagem dessa peça. Elas já conheciam meu trabalho, mas se encantaram com a direção e a estética dessa peça e resolveram me chamar. Tem sido muito tranquilo trabalhar com todos, porque o elenco se joga muito nos papeis”, revela.

 Uma versão ainda não finalizada do espetáculo foi montada em maio de 2018 e apresentada em centros culturais da prefeitura.

SOBRE MAURO BAPTISTA VEDIA – DIREÇÃO CÊNICA E MUSICAL

Uruguaio naturalizado brasileiro, Mauro Baptista Vedia é diretor de teatro, cineasta e professor de direção e roteiro no Senac. Doutor em artes pela ECA-USP (1999), fez pós-doutorado na Universidade Paris Sorbonne, na França. Em 2007, dirigiu sua primeira peça teatral (além da trilha sonora), “A Festa de Abigail”, do cineasta e dramaturgo inglês Mike Leigh. Em 2010, Mauro estreou outros dois textos desse autor, “Êxtase” e “Os Penetras”. Nesse mesmo ano, dirigiu a peça “Ligações Perigosas” e lançou o livro “O Cinema de Quentin Tarantino” (Ed. Papirus), que foi indicado ao Prêmio Jabuti 2011, na categoria Artes.

Em 2012, ele dirigiu o espetáculo “Gangue”, com a Cia. Provisório Definitivo, que recebeu três prêmios FEMSA de Teatro Infantil (melhores atriz, ator coadjuvante e espetáculo jovem). Em 2014, estreou no CCBB São Paulo “Jantar”, da dramaturga inglesa Moira Buffini. Em 2015, durante o evento “Quinta em Cena”, Mauro dirigiu a micropeça “Pac Woman”, de Caco Galhardo, e em, 2017, assinou a direção de “Flutuante”, do mesmo autor. Em 2018, Mauro dirigiu “Paisagem em Campos do Jordão”, de Marcelo Mirisola e Nilo Oliveira. No cinema, ainda escreveu e dirigido o longa-metragem “Jardim Europa”, que foi selecionado para o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo 2013 e para a Mostra Novíssimo Cinema Brasileiro 2014.

SOBRE FELIPE DE PAULA – ATOR

Participou de mais de 15 séries de TV, entre elas “Decamerão: A Comédia do Sexo”, “Tapas e Beijos” e “Chapa Quente” (Globo); “A História Bêbada” (Comedy Central); “Um Contra Todos” (Fox); “Procurando Casseta & Planeta” (Multishow) e “Werner e os Mortos” (Canal Brasil). Participou de seis longas-metragens, como “Saneamento Básico”, de Jorge Furtado; “O Carteiro”, de Reginaldo Faria, pelo qual foi indicado ao Kikito de melhor ator em 2011. Fez mais de 30 curtas-metragens, como “Até à Vista”, de Jorge Furtado, pelo qual ganhou o Prêmio de Melhor Ator no Cine PE de 2012.

Participou de algumas novelas da Rede Globo, como “Babilônia”, “Joia Rara”, “Além do Horizonte” e fez uma novela internacional para a RTP chamada “O Segredo”. Trabalhou em mais de 90 filmes publicitários. Fez mais de 15 espetáculos teatrais entre eles “Vestido de Noiva”, “Sonho de uma noite de verão” e “A megera domada”.

SOBRE JULIANA FERREIRA – ATRIZ E PRODUTORA

Juliana Ferreira é formada em Artes Dramáticas pelo Instituto de Artes Cênicas – INDAC, Palhaçaria pelos Doutores da Alegria e Publicidade pela Fundação Cásper Líbero. Fez parte do elenco do programa de humor “Na Batalha” (TV Brasil). Participou do premiado curta-metragem “De outros Carnavais”. No teatro fez, “Lembranças de Berta”, no Teatro Augusta. Protagonizou a montagem de “Beijo no Asfalto”, do Núcleo de Pesquisa do Grupo XIX. Entre 2011 e 2012, participou das três temporadas do espetáculo “Show de Calouros”, ao lado de Rafael Pimenta, Gorete Milagres e Cida Moreira no Teatro Next.

Atuou também em “Quando Eu Me Perdi de Vista”, em cartaz no Teatro Ruth Escobar e no Tusp. Outras montagens em que trabalhou incluem “Auto da Compadecida”, “Entre Quatro Paredes”, “De Onde Vem o Verão”, “A Pena e a Lei” e “O Canto do Cisne”.

SOBRE LUCIANA SEVERI – ATRIZ

Luciana Severi é atriz formada pelo Instituto de Artes Cênicas – INDAC. É também fonoaudióloga, graduada pela UNIFESP. Participou das peças “Tryst”, “Fluxo Dionisio”, “Lisistrata”, “A Máquina”, “O Canto do Cisne”, “De onde vem o Verão”, “7 Contos de John Cheever” e “Lembranças de Bertha”. Participou do espetáculo teatral “Faz de Conta” (roleplay no original, escrito por Alan Ayckbourn, dramaturgo e diretor britânico), com direção de Kiko Marques e tradução de Alexandre Tenório, no Instituto Capobianco. O espetáculo foi muito bem avaliado pela revista Veja, com destaque para a atuação de Luciana. Como atriz, seu último espetáculo foi “Os Veranistas”.

SINOPSE

Uma mulher sofre um acidente doméstico e se vê confrontada com a própria alma. O encontro entre as duas faz surgir questionamentos e avaliações sobre sua vida, incluindo o relacionamento com um homem que sua alma considera sem graça e medíocre. Situações engraçadas e reflexões existenciais pontuam a narrativa desta comédia dramática espírita pop, com cenário instagramável.

 

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia: criação coletiva livremente inspirada na obra “De Alma Lavada”, de Sergio Roveri

Direção artística e musical: Mauro Baptista Vedia

Diretor Assistente: Bruno Kott

Elenco: Juliana Ferreira, Luciana Severi e Felipe de Paula

Preparação Vocal: Luciana Severi

Cenografia e design: Juliana Ferreira

Figurino: Bianca Scorza, Juliana Ferreira e Luciana Severi

Visagismo: Paulette Pink

Iluminação: Paloma Dantas

Produtora executiva: Milena Castro

Produção Geral: Juliana Ferreira

Fotografias: Victor Iemini

Assessoria de imprensa: Bruno Motta Mello e Verônica Domingues – Agência Fática
Realização: Cia. Caju Azul

SERVIÇO

Ela Entre Nós, criação coletiva a partir da obra “De Alma Lavada”, de Sergio Roveri

SP Escola de Teatro – Sala Hilda Hilst – Praça Roosevelt, 210, Consolação (próximo às estações República, Linhas 3-Vermelha e 4-Amarela do Metrô e Anhangabaú, Linha 3-Vemelha do Metrô)

Temporada: 18 de outubro a 24 de novembro

Às sextas, aos sábados e às segundas, às 21h; e aos domingos, às 19h

Ingressos: R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada)*

*Ingressos à venda apenas em dinheiro

Classificação: 12 anos

Duração: 60 minutos

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