“Sangue” no Teatro Petra Gold

Estamos vivendo um tempo em que presenciamos grandes massas humanas se movimentando em busca de um novo lugar no mundo. As guerras, os regimes totalitários e as crises econômicas tem redesenhado, por vezes de forma traumática, as ocupações humanas no planeta.

Mas esse não é um problema novo. Talvez só mais visível, hoje, aos olhos do mundo. Nem este, nem as tragédias universais embutidas nas relações humanas – ou na falta delas. E foi nessas feridas atemporais que Lars Norén, um dos mais importantes dramaturgos suecos vivos, resolveu tocar, nos idos anos 1990, com seu texto “Sangue”, agora montado pela primeira vez no Brasil.

“Sangue” é uma tragédia contemporânea. Partindo do clássico “Édipo Rei”, de Sófocles, Lars Norén constrói uma trama cuja estrutura segue as bases do gênero, empurrando, através de reviravoltas surpreendentes, os personagens aos seus destinos trágicos anunciados.

SINOPSE

A trama se passa nos anos 1990, e começa com Rosa (Luciana Braga), uma famosa jornalista e escritora chilena radicada na França, sendo entrevistada por Madeleine H (Sura Berditchevsky), popular apresentadora de uma TV francesa. A escritora fala destemidamente de sua obra e sua luta política no Chile, e conta a história do filho retirado de seus braços aos oito anos, engrossando a lista de desaparecidos durante a ditadura de Pinochet. Paralelamente, o casamento de três décadas com o psicanalista Eric (Charles Fricks), pai de seu filho, está em crise – o marido, cada vez mais distante, vive um envolvimento amoroso com um jovem ex-paciente, Luca (Pedro Di Carvalho). O rapaz acaba de se descobrir portador do vírus HIV, fazendo crescer ainda mais a tensão sobre o secreto romance. Rosa, sem saber de nada, acaba conhecendo Luca em outras circunstâncias, e se forma assim um triângulo amoroso com consequências definitivas para os três envolvidos.

 

FICHA TÉCNICA

Texto: Lars Norén

Tradução: Karl Erik Schollhammer

Direção: Bruce Gomlevsky

Elenco / Personagem:

Luciana Braga / Rosa

Charles Fricks / Eric

Pedro Di Carvalho /  Luca

Sura Berditchevsky / participação especial como Madeleine H

Cenário:  Vinicius Fragoso e Bruce Gomlevsky

Figurino: Maria Duarte

Direção musical: Marcelo Alonso Neves

Luz: Felicio Mafra (Russinho)

Fotos: Dalton Valério

Realização: SESC Rio

LARS NORÉN – autor

Lars Norén (Estocolmo, 9 de maio de 1944) é um premiado dramaturgo, poeta, e encenador sueco. Estreou como poeta aos 19 anos, e no início da década de 1980 despontou como dramaturgo. É hoje considerado um dos mais importantes dramaturgos suecos vivos, e frequentemente citado como herdeiro de Strindberg.

É autor de mais de 70 peças teatrais. Sua obra retrata os lados escuros da vida humana, psicológica e familiar. É um dos autores suecos atuais cujas peças são mais encenadas pelo mundo.

Norén já recebeu diversos prêmios, dentre os quais Dramaturgo do Ano – Suécia (1983), Piloptris (1994), Prêmio de Dramaturgia do Nordic Theatre Union (1998). Sua obra foi traduzida em diversos idiomas e recebeu montagens memoráveis por toda Europa, Ásia, Austrália e América do Norte.

BRUCE GOMLEVSKY – diretor

Bruce Gomlevsky é ator, produtor e diretor teatral, trabalhando em teatro, cinema e televisão há 25 anos. É vencedor de diversos prêmios de teatro como melhor ator e diretor. Participou de mais de 50 espetáculos e entre seus principais trabalhos como ator e diretor em teatro destacam-se: “Memórias do Esquecimento”, pelo qual acaba de ganhar o Prêmio APTR de Melhor Ator; “Uma Ilíada”, de Lisa Peterson e Denis O’Hare (prêmio Censgranrio de Melhor Ator); “O Homem Travesseiro”, de Martin McDonagh (premio APTR de Melhor Direção e Melhor Espetáculo 2012); “A Volta ao Lar”, de Harold Pinter; “Cyrano de Bergerac”, “Renato Russo, o musical” (em cartaz até hoje, e indicado ao Premio Shell de Melhor Ator 2007), visto por 300 mil pessoas em mais de 40 cidades brasileiras; “O Diário de Anne Frank”, “Timon de Atenas”, de Shakespeare, com Vera Holtz, entre outros. É fundador e diretor artístico da Cia Teatro Esplendor no Rio de Janeiro.  

No cinema, participou como ator dos filmes “Deus é brasileiro”, de Cacá Diegues; “Apolônio Brasil”, de Hugo Carvana; “Quase Dois Irmãos”, de Lúcia Murat; “Polícia federal – a lei é para todos”, de Marcelo Antunez; “Elis”, de Hugo Prata; “O Escaravelho do Diabo”, de Carlo Milani.

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