8ª edição do Festival Internacional de Artes de Tiradentes

O Festival Internacional de Artes de Tiradentes – Artes Vertentes, chega à 8ª edição entre os dias 12 e 22 de setembro, na histórica cidade mineira, reafirmando a proposta que orientou sua criação: oferecer espetáculos de alto nível artísticos nos diversos campos da arte; e estimular o diálogo e a troca de vivências culturais entre artistas e público, em torno de um tema que alinha a programação.

Serão 11 dias de um profundo mergulho nas artes. O Festival reunirá 40 artistas do Brasil e de outros nove países, que apresentarão ao público 19 concertos, cinco exposições, 11 performances literárias, três espetáculos teatrais, sete sessões de cinema e um ciclo de ideias com cinco mesas-redondas. A comunicação em seus diversos aspectos e seu impacto na sociedade contemporânea é o tema curatorial desta edição.

Com este formato, o Festival Artes Vertentes se coloca como único no Brasil: “O nosso compromisso é criar um diálogo entre diversas linguagens artísticas em torno de um tema, fomentar a criação artística contemporânea, com encomendas musicais, literárias e residências artísticas para artistas internacionais e da região”, explica Gustavo Carvalho, pianista e diretor artístico do Festival.

Em paralelo, o Festival promove a Ação Cultural, oferecendo cursos gratuitos de artes visuais, artes cênicas e música a crianças e adolescentes de Tiradentes; mantendo também o coro infanto-juvenil VivAvoz, em parceria com instituições locais. Os cursos são ministrados por professores especializados nas áreas e duram de fevereiro a dezembro. Durante o Festival, os alunos apresentam seus trabalhos, também integrados ao mote curatorial. Este ano, eles fizeram o roteiro, a trilha sonora, o cenário e o figurino para uma apresentação inspirada na peça “O Pássaro Azul”, do poeta e dramaturgo belga Maurice Maeterlink, que será apresentada no dia 20 de setembro, às 19:30 horas, no jardim do Museu Casa Padre Toledo.

Diálogos

Como os concertos de música, leituras de textos literários, lançamentos de livros, exposições, sessões de cinema e de teatro dialogam entre si e com o público em 11 dias de programação?

O curador Gustavo Carvalho oferece alguns exemplos: “Na programação de música, teremos um ciclo de concertos construído em torno da correspondência mantida entre Clara e Robert Schumann, homenageando os 200 anos de nascimento de Clara Schumann. Serão lidos trechos da correspondência amorosa do casal e, também, de compositores contemporâneos. O compositor brasileiro Sergio Rodrigo lançará uma peça especialmente composta a partir de versos do poeta Ricardo Domeneck (brasileiro, residente em Berlim), também presente no festival”.

Há diálogos explícitos. A exposição Mens Rea: a cartografia do mistério apresenta nove dípticos da série Mistérios, do artista plástico norte-americano Mac Adams. Assim como um contador de histórias, o artista procura incitar o espectador a penetrar o espaço entre as obras. Na exposição que será apresentada durante o Festival, textos de autores de diversas nacionalidades ocupam alguns destes espaços.

“Destaco, ainda, a exposição da cineasta russa Svetlana Filippova, que exibirá originais de ilustrações elaboradas para o livro Tchevengur, do russo Andrei Platonov (1899-1951). O Festival realizará o pré-lançamento do livro no Brasil, com tradução de Maria Vragova e Graziela Schneider”, conta Gustavo Carvalho. Svetlana Filippova estará presente na 8ª edição, mas Tiradentes é um território conhecido para ela: em 2017, Svetlana trabalhou técnicas de filmes de animação com os alunos da Ação Cultural. Durante a programação do festival haverá, ainda, uma retrospectiva dos seus filmes.

Integração

Realizar um Festival com o porte, a diversidade e a base conceitual do Artes Vertentes no Brasil não parece ser tarefa fácil. Mas os idealizadores e realizadores do Festival mantém a marca original: “Mostrar como linguagens artísticas sempre andam interligadas parece-me enriquecedor, não só para o entendimento da história da arte, mas também para o entendimento do homem. Há diversos festivais no Brasil que apresentam programação de alto nível. Nós escolhemos, além da qualidade artística, requisito básico, a integração, o diálogo, a multiplicidade de linguagens, a não segmentação. Creio que o Artes Vertentes propõe, com esse formato, uma nova forma de fazer, enxergar e fruir a arte”, explica Gustavo Carvalho.

Maria Vragova, diretora executiva do Festival, explica que ele é financiado de três formas: patrocínio de empresas e pessoas físicas pela Lei Federal de Incentivo à Cultura; recursos provenientes do Fundo Municipal e Estadual de Cultura; e doações d

mecenato. “Contamos com o apoio da Associação dos Amigos do Festival Artes Vertentes, hoje com 70 integrantes. Os amigos do Festival nos apoiam também logisticamente, oferecendo hospedagens para artistas e profissionais da produção em suas casas. Oferecem alimentação em local específico, onde todos os participantes almoçam e jantam. Isso é importante, porque permite uma interação maior entre os artistas e a cidade. Muitos convidados de outros países preferem ficar hospedados em casas dos moradores locais para conhecer melhor a nossa cultura”.

Diversos parceiros apoiam o Festival: a prefeitura de Tiradentes participa da manutenção da Ação Cultural; o Campus Cultural UFMG e SESI com a cessão dos seus espaços, além do apoio de diversas pousadas e restaurantes de Tiradentes.

Os concertos serão realizados na Matriz de Santo Antônio e na Igreja São João Evangelista, que oferecem ótima acústica, segundo os músicos que nelas se apresentaram em edições anteriores; as sessões de cinema e teatro e os debates dos ciclos de ideia no auditório do Centro Cultural; e as demais atividades em outras edificações históricas de Tiradentes.

Programa e artistas

O Festival levará a Tiradentes músicos, atores, escritores, compositores e artistas visuais do Brasil, Estados Unidos, Canadá, Ruanda, Rússia, França, Inglaterra, Portugal, Bielorrússia e Letônia.

Além dos artistas já citados, destacamos a presença de alguns outros nomes que participarão da 8ª edição do Festival:

Música

Eliane Coelho – soprano, nasceu no Rio de Janeiro e diplomou-se na Escola Superior de Música e Teatro de Hannover, na Alemanha. De 1983 a 1991 apresentou-se pela Opera de Frankfurt, e a partir de setembro de 1991, pela Opera de Viena. Na 8ª edição do Festival, ela apresentará obras de Schumann, Schubert e Wagner, além de um recital com compositores, cujas obras foram banidas durante o nazismo.

Jacob Katsnelson – pianista, nasceu em Moscou, em 1976. É professor no Conservatório Tchaikovsky e no Instituto Gnessin (Moscou). Em Tiradentes, fará várias apresentações, destacando-se um recital dedicado à Clara Schumann, com obras de Mendelssohn, Robert Schumann e Brahms.

Kristina Blaumane – vilocenlista, nasceu na Letônia e faz carreira internacional, apresentando-se como solista e participando de festivais europeus. No Artes Vertentes, apresentará obras primas do repertório camerístico, como a Sonata para piano e violoncelo de Edvard Grieg;, o Trio op. 67, de Felix Mendelssohn; e os Quarteto e Quinteto de Robert Schumann.

Literatura

Scholastique Mukasonga – nasceu em Ruanda, de onde fugiu do genocídio dos tutsis pelos hutus, em meados da década de 90. Atualmente, vive na França. Lá, ela publicou o livro autobiográfico Baratas, que marcou sua entrada na literatura, em 2006. Seu primeiro romance, Nossa Senhora do Nilo, ganhou importantes prêmios de literatura na França. No Festival, Scholastique fará leituras de trechos do romance-memorialista A Mulher de Pés Descalços, sobre o relacionamento da autora com sua mãe. A escritora também participará de uma mesa redonda sobre a voz feminina, ao lado da cineasta Svetlana Filippova .

Guilherme Gontijo Flores – é poeta, tradutor e professor de latim na Universidade Federal do Paraná. Publicou os poemas de brasa enganosa (2013), Tróiades ( 2014-2015), l’azur Blasé (2016), Naharia (2017) e carvão : : capim (2017 em Portugal, 2018 no Brasil), além do romance História de Joia (2019). Em Tiradentes, ele participará de uma performance ao lado do poeta fluminense André Capilé.

Angélica Freitas – é poeta e tradutora. Seus livros receberam prêmios importantes, entre os quais destaca-se o Prêmio APCA de poesia. Em Tiradentes, além de uma performance com o poeta Ricardo Domeneck, ela ministrará uma oficina de literatura.

Artes Visuais

Ricardo Siri – carioca, trabalha com matérias distintas e já expôs no Victoria and Albert Museum (Londres), NBK Gallery (Berlim) e Portikus (Frankfurt). Em Tiradentes, apresentará duas obras-instalações: Ninho e Pequenininho.

Mar de Paula – mineiro, faz trabalhos que mesclam fotografia, vídeo, instalação e performance. Em 2019, a convite do Artes Vertentes, fez residência artística no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro. Parte do resultado desta residência será exposto durante o festival.

Conhecido mundialmente como Carybé, o pintor, escultor, ilustrador, desenhista, cenógrafo, ceramista, historiador, pesquisador e jornalista Hector Julio Paride Bernabó terá uma parte pouco conhecida da sua exposta no Artes Vertentes: uma série de desenhos realizadas em 1956 para o filme O Cangaceiro, de Lima Barreto.

Artes cênicas

Compagnie Zaï – grupo francês, criador do espetáculo “Victor, o menino selvagem”, que usa técnicas do teatro de sombras e do teatro mímico. Com interpretação do ator francês Arnaud Préchac e trilha sonora do músico Gildas Préchac, narra, de forma poética, a história de Victor, um menino que de um dia para o outro se encontra sozinho em um mundo estranho e incompreensível.

Gilberto Gawronski – nasceu em Porto Alegre (RS). É ator, diretor e cenógrafo. No Festival Artes Vertentes, fará o monólogo de A Ira de Narciso, de Sergio Blanco, dramaturgo franco-uruguaio. Relata a permanência do autor na cidade de Ljubljana, onde é convidado a dar uma palestra sobre o mito de Narciso. Alternando sutilmente

narração, palestra e confissão, a “Ira de Narciso” é uma jornada fascinante e arriscada que conduz o espectador num confuso labirinto do eu, da linguagem e do tempo.

Ciclos de ideias

Partindo da poética contida no mote curatorial do festival, O último grito antes do silêncio eterno, uma alusão a última mensagem enviada em código morse pela marinha francesa, o festival propõe uma série de debates e mesas redondas que acompanha a programação artística. “Pretendemos abordar vários aspectos da comunicação na sociedade contemporânea: a voz materna e a potência feminina como a primeira forma de comunicação vivenciada pelo ser humano, a pós-verdade e a falência da palavra como meio de comunicação, a comunicação além da palavra e as vozes apagadas na sociedade”, explica Gustavo Carvalho. Estes debates contarão com a presença de Scholastique Mukasonga, Svetlana Filippova, Ricardo Domeneck, Lívia Natália, além da psiquiatra e diretora do Museu Bispo do Rosário, Maria Raquel Fernandes, o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, o tradutor Francisco de Araújo e o autor Marcus Fabiano.

A programação completa da 8ª edição do Festival Artes Vertentes, referências sobre todos os artistas que dela participarão e outras informações estão registradas no site http://www.artesvertentes.com.

Anúncios