“Euforia” no Teatro Poeirinha

De 12 a 29 de setembro, o Teatro Poeirinha, em Botafogo, recebe o espetáculo ‘Euforia’, de Julia Spadaccini, direção de Victor Garcia Peralta, estrelado pelo ator Michel Blois. Dividida em dois solos, a montagem traz como tema o desejo através das histórias de um idoso e de uma cadeirante. Um desabafo de personagens que socialmente são olhados como seres assexuados, invisíveis aos olhos do prazer comum.

UMA MULHER PARAPLÉGICA

Uma publicação britânica sobre deficiências, que entrevistou mais de mil pessoas nessas condições, aponta que 85% já fizeram sexo alguma vez na vida e metade tinha um parceiro. Mas, por outro lado, um levantamento divulgado por um jornal do país revelou que 70% dos britânicos não iriam para a cama com alguém com algum tipo de deficiência física.

Esse é um preconceito comum. O deficiente é visto como uma vítima eterna, um “coitado”, um ser completamente assexuado.

Através do olhar dessa jovem personagem que ficou paraplégica em função de um acidente, vamos ser levados numa viagem onde a sexualidade é tão ou mais explorada pelo corpo e suas incríveis terminações nervosas.

No início, envolta pela percepção dos limites que o novo corpo lhe trazia, em meio a raiva e tristeza, não chegou a pensar em sexo. O seu foco era reaprender o cotidiano, como comer, lidar com a sonda, escovar os dentes. Até que um dia conhece um homem e sente que ele lhe desperta a consciência sobre áreas de seu corpo que se tornaram mais sensíveis após o acidente. Ela fica obcecada pelas próprias bochechas, pescoço e outras partes não convencionais do corpo, aprendendo também a decifrar aos poucos um novo mundo de fantasias e sensações.

UM SENHOR DE 87 ANOS HOMOSSEXUAL

A sexualidade dos mais velhos é um dos aspectos do envelhecimento que mais sofre preconceito, muitas vezes avaliada como um período assexual e de renúncia. A libido não se apresenta somente no ato sexual em si, mas nos pensamentos, na observação, nos sonhos, no desejo constante.

Foi constatado que os indivíduos, quando vão para um asilo, escondem suas sexualidades. Homossexuais, assumidos socialmente quando jovens, voltam a vestir a máscara social para não passar “constrangimentos”.

Esse personagem vai se desenvolver justamente nesse ambiente e com essa inquietação: viver num asilo e ter que se distanciar novamente de sua própria identidade. Porém, dentro de si, o que ainda persiste é a euforia do desejo que se mantem vivo, jovem e pleno. Um universo pulsante ainda está ali, querendo, sentindo e sendo o que sempre foi.

A sexualidade em toda sua amplitude, não sendo restrita ao ato sexual, ganha contornos simbólicos que falam do desejo de permanecer vivo, da persistência exigida quando o vigor do corpo declina. Mesmo tendo superado os medos e os conflitos gerados pelo desejo homossexual ao longo da vida, este é um momento de entender que a vida sexual pode ser realizada de várias formas contradizendo a norma conservadora.
Agora, ele vê emergir imagens da infância e da adolescência. Os choques entre desejo e aceitação, beleza e envelhecimento perduram assim como o medo do abandono. A situação fica mais delicada com a perda da independência financeira e da saúde, normalmente associada à permanência de idosos nos asilos.

Em contrapartida a tenacidade de realizar seus desejos plenamente é fruto de uma construção de identidade pessoal preciosa e possível para algumas pessoas.

 

TRECHOS DE CRÍTICAS

 

“Possuidor de ótima voz, impecável trabalho corporal, grande carisma e uma inteligência cênica que o leva a buscar soluções que sempre escapam ao previsível (…) Sensível brado contra o preconceito e a hipocrisia (…) Sem dúvida, uma das melhores performances da atual temporada” – Lionel Fischer (2017)

“Michel Blois sintoniza, com raro brilho, o clima da representação (…) Com um presencial irrepreensível o ator (…) torna cúmplice a pequena plateia na simplicidade funcional deste despretensioso mas inspirado documentário cênico” – Wagner Correa de Araujo / Escrituras Cênicas

“Michel Blois é responsável por um dos momentos mais sublimes da atual temporada carioca (…) Aprofundam todo um questionamento raramente abordado nas mais diversas expressões artísticas” – Renato Mello – Botequim Cultural

“Michel Blois defende sozinho dois personagens tão distintos quanto emocionantes”

Renata Magalhães / Veja Rio

“Atinge uma plenitude total em termos de interpretação” – Gilberto Bartholo / O teatro me representa!

O PROCESSO

Esta é a segunda peça que Michel Blois é dirigido por Victor Garcia Peralta, a primeira foi “The Pride” em 2016 em cartaz na Caixa Cultural e Teatro Ipanema. Já com Julia Spadaccini sua parceria vem desde 2006 quando fez assistência de direção de Kiko Mascarenhas na peça “Por enquanto é isto” em que a Julia fazia como atriz. Já dirigiu outras duas peças da dramaturga, em 2007 o solo do Rodolfo Mesquita “A Sônia é que é feliz” e, em 2017, ao lado da diretora de cinema Sandra Werneck, “E se eu não te amar amanhã”, com Luana Piovani, Leonardo Medeiro e Marcelo Laham. Como ator fez “Aos Domingos”, em 2013, indicada ao prêmio Shell de dramaturgia, e “Os Inocentes”, em 2010.

 

TRAJETÓRIA DA PEÇA

Espaço Cultural Sergio Porto (RJ) em setembro de 2017,

Teatro Café Pequeno (RJ) em outubro de 2017,

Parque das Ruínas (RJ) em novembro de 2017,

Reduto (RJ) em janeiro de 2018,

SESC Vila Mariana (SP) em junho de 2018,

4º Festival de Teatro do Midrash (RJ) em julho de 2018,

Teatro Sergio Cardoso (SP) em agosto de 2018

SESC Santo Amaro (SP) em outubro de 2018

SESC São Carlos (SP) em outubro de 2018

SESC São José do Rio Preto (SP) em outubro de 2018

SESC Araraquara (SP) em outubro de 2018

SESC Nova Friburgo (RJ) em outubro de 2108

Midrash Centro Cultural (RJ) em fevereiro de 2019

SESC Interlagos (SP) em março de 2019

SES Jundiaí (SP) em março de 2019

SERVIÇO

Local: Teatro Poeirinha (Rua São João Batista, 104 – Botafogo – RJ)

Informações: 21 2537-8053

Horário: Quinta a Sábado, às 21h | Domingo, às 19h

Ingresso: R$60,00

Duração: 52 minutos

Capacidade: 60 lugares

Gênero: drama

Classificação: 14 anos

Temporada: de 12 a 29 de setembro

 

SINOPSE
Dividida em dois solos, um sobre um idoso e outra sobre uma cadeirante, a peça trata do desejo. Um desabafo de personagens que socialmente são olhados como seres assexuados, invisíveis aos olhos do prazer comum.

FICHA TÉCNICA

Elenco: Michel Blois

Texto: Julia Spadaccini

Direção: Victor Garcia Peralta

Diretora Assistente: Flavia Milioni

Iluminação: Wagner Azevedo

Cenografia: Elsa Romero

Figurino: Ticiana Passos

Trilha Sonora Original: Holograma (Pedro Guedes e Rafael Langoni)

Projeto Gráfico: Raquel Alvarenga

Pesquisa Dramatúrgica: Marcia Brasil

Cenotécnica: Fatima de Souza

Direção de Produção: Michel Blois

Realização: Eu e Ele Produções Artísticas Ltda

CURRÍCULOS

 

MICHEL BLOIS – ATOR

Natural de Rio Grande/RS. Formou-se na CAL/RJ em 2006. Indicado aos Prêmios “Cesgranrio” e “Botequim Cultural” de melhor ator em 2017 pelo solo Euforia de Julia Spadaccini.

Como ator fez mais de 30 espetáculos e trabalhou com os diretores Enrique Diaz, Simon Will (ING), Lola Arias (ARG), Tiago Rodrigues (PT), Jefferson Miranda, Felipe Hirsch, João Fonseca, Ary Coslov, Maria Maya, Cesar Augusto, Victor Garcia Peralta, Inez Viana entre outros e com as Companhias Gob Squad (ING/ALE), Mundo Perfeito (PT) e Cia dos Atores.

Dirigiu os espetáculos “E se eu não te amar amanhã?” de Julia Spadaccini (Sandra Werneck como co-diretora), “Tubarões”, “Dentro” do Coletivo Pequena Orquestra, “Para um destinatário” de sua autoria (apresentado em Lisboa, Portugal), “A Sonia é que é Feliz” de Julia Spadaccini e “Dois Irmãos – Due Fratelli” do italiano Fausto Paravidino (Chia Rodrigues como co-diretora).

Coletivamente dirigiu, escreveu e atuou em “MoMO”, “Dulce”; “Sempre”, “Pedro procura Inês” e “Bobby Sands vai morrer, Tatcher assassina” apresentados no Brasil, Europa e África; e também “Madrigal em processo” e “Moradores da Cidade Vazia” com o Coletivo Pequena Orquestra; “Limite” e “Córtex” com a Invisível Companhia.

Fundador da cia de teatro Pequena Orquestra e do coletivo de dramaturgia Inventário de Mentiras.

Foi diretor artístico do Teatro Ipanema entre 2012 e 2015 com a Residência Artística No Lugar. É um dos programadores do Festival Dois Pontos que já teve duas edições no Rio de Janeiro.

JULIA SPADACCINI – DRAMATURGA

Nasceu no Rio de Janeiro, tem 38 anos, é formada em Artes Cênicas pela UNI-RIO, em Psicologia pela USU e Pós-graduada em Arteterapia pela Cândido Mendes. No teatro, Julia é autora de mais de 18 peças encenadas no Rio de Janeiro e em viagens pelo Brasil. Na TV foi roteirista da série “Oscar freire 279” (Multishow – 2011); do programa “Aprender a Empreender” (Canal Futura – 2010); “Básico” e “Quase Anônimos” (Multishow – 2009). Foi integrante do site “Dramadiário” durante 3 anos. Trabalhou como Roteirista dos Gibis da Editora Globo (2006/07). Como roteirista contratada na produtora Jodaf Mixer e Conspiração Filmes (2008/09). No cinema assinou o roteiro do filme “Qualquer Gato Vira-lata” produzido pela “Tietê Filmes” e o curta “Simpatia do Limão” vencedor do prêmio “Porta-curtas Petrobrás” no Festival de Cinema do Rio (2010). Participou da oficina de teledramaturgia da Rede Globo (2010). Foi roteirista dos gibis “Luluzinha Teen” da Ediouro (2009-2011).  Colaborou como roteirista do filme “Loucas para Casar” (Glaz Filmes/ 2015). Desenvolveu o argumento do filme “Isolados” (2014).  Indicada aos prêmios Shell (2012). APTR, CESGRANRIO (2013). Vencedora do prêmio Fita (2013). Vencedora do prêmio Shell como melhor autora carioca (2013) pela peça “A Porta da Frente”. Foi roteirista programa “Tapas e Beijos” (Rede Globo 2013-2015) e da série “AMORTEAMO” (Rede Globo 2015). Escreveu “Chacrinha – O Velho Guerreiro” filme e série para TV Globo, estreia prevista para 2017. 

VICTOR GARCIA PERALTA – DIRETOR

Formado no “Piccolo Teatro Di Milano” na Itália sob direção de Giorgio Strehler.

Natural da Argentina, mas residente no Brasil. Dirigiu vários monólogos de sucesso entre eles: Os homens são de marte e é pra lá que eu vou de/com Mônica Martelli; Sexo, Drogas & Rock’n’roll de E. Bogosian com Bruno Mazzeo; Tudo que eu queria te dizer de M. Medeiros com Ana Beatriz Nogueira; Não sou feliz, mas tenho marido de V. Gomez Thorpe com Zezé Polessa; Dorotéia minha de/com Beth Goulart; Também queria te dizer de M. Medeiros com Emilio Orciollo Netto; Novecentos de A. Baricco com Isio Ghelman; Você está aí? De J. Daulte com Claudia Ohana; entre outros. 

Entre seus últimos trabalhos de direção no teatro estão The Pride de Alexi Kaye Campbell; Decadência de S. Berkoff; Queime isso de L. Wilson; Uma relação pornográfica de P. Blasband; Quem tem medo de Virginia Woolf? De E. Albee; O Submarino de M. C. Barbosa e M. Falabella; O caso Valkiria R. de C. Sussekind; Alucinadas de B. Mazzeo, F. Porchat e E. Palatinik; Quartett de H. Müller; Um marido ideal de O. Wilde entre outras. 

Na Argentina ganhou os seguintes prêmios de melhor direção: Moliere por Las lágrimas amargas de Petra Von Kant de R. W. Fassbinder; Maria Guerrero por La Señora Klein de N. Wright; A.C.E. e Estrella de Mar por Como se rellena um bikini salvaje de M. Falabella.

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