“Giz 9” no Parque das Ruínas

Após temporada de estreia com casa lotada no Teatro Rogério Cardoso / Porão do Laura Alvim, será a vez do Teatro do Parque das Ruínas receber “GIZ 9”, solo escrito e interpretado por Carine Klimeck. Ambientado numa sala de aula em 2064, o texto dirigido por Thaís Loureiro acompanha um dia na vida de Zuleika, professora primária de uma escola de estrutura evidentemente precária. Tal como os padrões de beleza, o racismo estrutural e o patriarcado, dentre outros sistemas, a escola é um cenário perfeito para se falar das prisões – às vezes intangíveis – das quais somos reféns ao longo da vida.

“Embora se passe no futuro, o espetáculo é atual, justamente por ser uma crítica ao lugar onde o conservadorismo pode nos levar. Se nos mantivermos no mesmo ponto daqui a 45 anos haverá um retrocesso, porque em nada teremos avançado. É essa a intenção do texto: levar-nos a questionar a urgência no desenvolvimento desse tema. A experiência de lecionar me motivou, mas não num nível racional. A peça não é apenas sobre educação, mas é sobre uma mulher, professora, oprimida, vigiada, que vive sob constante ameaça de vida por simplesmente transmitir algum conhecimento e, em vão, buscar incitar questionamentos mais profundos em seus alunos”, instiga Carine, que escreveu o texto ao longo de 10 anos.

Os rumos que o país foi tomando uma indignação latente desde que começou a desenvolver o texto também pautaram sua escrita. “A realidade dura da sala de aula em nada se alterou de dez anos pra cá – quiçá se agravou. A peça surgiu numa esquete; depois, numa oficina de escrita dramatúrgica, voltei a esta história, questionando o tipo de conteúdo que as escolas enfatizam ao educar seres ainda tão ingênuos. Por fim, minha experiência com a gravidez e a maternidade foi também um estopim positivo”, relembra Carine que, na criação do texto, teve a influência do feminismo presente no livro “Calibã e as bruxas”, de Silvia Federicci, que aborda o surgimento do capitalismo e o genocídio ininterrupto praticado contra as mulheres durante séculos.

Classificado como tragicomédia, o texto aponta para dentro, desafiando o público a reconhecer – em meio às risadas – seus próprios muros. “Trabalho com humor há muitos anos, e sempre acreditei que o cômico também tem que estar no lugar da denúncia, da coragem. Não é fácil fazer rir do que se teme, do que nos constrange ou até nos amedronta. No meu ponto de vista, isto é uma contribuição social sem tamanho”, ressalta Carine.

Na direção, Thaís optou por sugerir referências a teóricos como Michel Foucault apenas no modo de conduzir a cena. “A chegada da personagem, a atmosfera, os espaços, toda essa criação quase intangível da direção é justamente o canal que pretende transmutar ideias em sensações. Acreditamos que o teatro pode e deve se comunicar nos níveis mais sutis da consciência humana. O intelecto divide e separa, o subconsciente reúne, sintetiza, traduz. Uma obra política como esta poderia correr o risco de se tornar um teatro panfletário, seco, intelectualóide, e isso é tudo que não queremos. Ao contrário: queremos movimento e provocações”, finaliza a diretora.

SERVIÇO:

Temporada:

03 a 25 de Agosto

Horários:

Sábado e Domingo às 16h

Local:

Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa Tel.: (21) 2215-0621 Ingressos: R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia-entrada)

Duração: 70 minutos

Classificação: 12 anos

FICHA TÉCNICA:

Texto e Atuação: Carine Klimeck

Direção: Thaís Loureiro

Direção de Produção: Damiana Inês

Cenografia: André Sanches

Cenógrafa Assistente: Débora Cancio

Iluminação: Fernanda Mantovani

Figurino: Patricia Muniz

Assistência de Direção: Eder Martins

Assistência de Produção: Renata Frignani

Assistência de Figurino: Letícia Langer

Registro Fotográfico: Gabriela Furlan e Bernardo Martins

Identidade Visual: Guilherme Moura

Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Assessoria – Gisele Machado & Bruno Morais

Produção Executiva: Mariana Pantaleão

Produção: Bloco Pi Produções

Realização: Grupo Assik

SOBRE CARINE KLIMECK (ATRIZ E AUTORA)

Formada pela CAL em 2004, no teatro Carine foi indicada a Melhor Atriz pelo Festival Internacional de Humor em 2009. Entre os espetáculos que participou, destacam-se “Hipnose”, com direção de Renato Carrera (2015); “Bette Davis e a máquina de Coca-Cola”, com direção de Diego Molina (2012), e o monólogo “Chuva de arroz”, com direção de Vinicius Arneiro (2011). Entrou na linha humorística da TV Globo em 2008 e esteve por seis anos no programa “Zorra Total”, com direção de Mauricio Sherman. Dirigida por Maurício Farias, integrou o elenco do “Novo Zorra”, na renovação do programa. Como professora, ministra o

curso “A matemática do riso” na CAL, além de dar aulas particulares de dramaturgia cômica e história da comédia.

SOBRE THAÍS LOUREIRO (DIRETORA)

Atriz e professora da técnica Michael Chekhov, Thaís cursou faculdade de Cinema na UNESA e é graduanda em Letras / Literatura Inglesa. Ao lado de Hugo Moss, é co-fundadora da Michael Chekhov Brasil, instituição responsável pela difusão do legado artístico do mestre russo. Não só leciona na escola, como também é responsável pelo planejamento das oficinas e projetos paralelos (traduções, pesquisas, etc). Nos últimos anos, participou de diversas conferências e workshops internacionais promovidos pela Michael Chekhov Association e, mais recentemente, foi um dos 12 artistas de todo o mundo convidados a participar de uma imersão de cinco semanas na Michael Chekhov School, em Hudson (NY). Já trabalhou com mestres nos EUA e Europa – como Joanna Merlin, Ted Pugh, Fern Sloan, Lenard Petit e David Zinder – em conferências internacionais da MICHA – The Michael Chekhov Association. Em 2015, fundou a companhia de teatro Grupo Assik, que estreou nos palcos com o premiado texto “Boa Noite, Mãe”, peça americana de Marsha Norman, a qual traduziu e trabalhou como atriz ao lado Fabianna de Mello e Souza e sob a direção de Hugo Moss.

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