“FILHOS D MEDEA” no Sesc Copacabana

Eles voltaram para descobrir: afinal, em que mundo vivemos hoje? E quem somos nós, entre civilizados e bárbaros? Trazendo o mito de Medeia para o contexto contemporâneo, estreia dia 11 de julho, quinta, às 20h, no Mezanino do Sesc Copacabana, o espetáculo FILHOS D MEDEA, dirigido pelo premiado Marco André Nunes, fundador da Aquela Cia de Teatro e responsável por grandes sucessos como “Caranguejo Overdrive” e “Guanabara Canibal”.

FILHOS D MEDEA é um híbrido de teatro e show, no qual os personagens assumem a identidade de uma banda musical fictícia para ressignificar e trazer à luz, em forma de texto, performances e canções autorais (compostas por Felipe Storino), além de fragmentos de outras músicas, a trágica história da personagem que assassina brutalmente seus próprios filhos, em sacrifício e em inconformidade, para que eles não vivam o mundo considerado “materialista” e “moderno” de seu marido Jasão, em contrapartida ao seu mundo tido como bárbaro e primitivo. Assumindo a persona de uma banda musical, os tais filhos do título interpretam canções que expõem a barbárie da antiguidade e sua relação de (muita) proximidade com as questões que nos afligem hoje.

FILHOS D MEDEA fica em cartaz até o dia 28 de julho, de quinta a domingo, às 20h, e é idealizado pela atriz Nina da Costa Reis, em parceria com o diretor Marco André Nunes, o músico e diretor musical Felipe Storino, o ator André Dale, e o dramaturgo Alexandre Costa. Completam o elenco/banda: André Coelho, Clarice Sauma, Kelson Succi, Pedro Nego, Reinaldo Junior e Tom Karabachian.

Adepto de uma linguagem cênica própria com dramaturgia sempre inédita e colaborativa, Marco André Nunes desenvolveu FILHOS D MEDEA em parceria com o time criativo e os atores, ao longo de dois meses de ensaios, criação e preparação. O texto é de Carolina Lavigne com fragmentos de Alexandre Costa, Fluxodrama, Martina Sohn Fisher e Pedro Uchoa.

“O mito só tem vida quando é atualizado. Além de estabelecer uma narrativa, a banda versará sobre temas contemporâneos suscitados pela história de Medeia como questões sociais, raciais e de gênero. Falaremos sobre gravidez, feminino, aborto, questões políticas, arte, etc”, explica o diretor, que já investigou outros mitos gregos no teatro em “Edypop” (2014) e “Laio e Crísipo” (2015).

No universo de FILHOS D MEDEA, o público conhecerá uma banda essencialmente jovem, trazendo influências de diversos tipos de sons ao palco, e com ênfase especial no punk rock e no glam rock dos anos 1980/1990. Os atores, todos propositalmente entre os 20 e 30 anos, abusam de uma estética acelerada, suja, e até mesmo agressiva de estilos, com a ideia de intensificar a dualidade entre barbárie e civilização proposta pela obra. “Estamos vivendo um momento de agressividade. É um ótimo contexto para trazer de volta o mito da Medeia aliado à força do punk rock e à sua atitude, contestação, e letras de cunho político…”, diz o diretor, que completa: “A tragédia sempre esteve ligada ao coro e à música e a banda é uma forma de gerar uma identificação ainda mais espontânea e forte com o público”.

Se debruçando sobre a obra original e sobre o que ela tem de tão atual, FILHOS D MEDEAMedeia essa que também passou por uma atualização no nome para tornar-se ainda mais contemporânea – trará diversas reflexões, tais como: a civilização atual ainda tem resquícios de barbárie? E quem seriam os bárbaros hoje? Outras perguntas também cabem: Qual é o seu lugar entre a ascendência materna e paterna ou entre Medéia e Jasão? Ou ainda: onde nos encontramos agora? No mundo primitivo ou no mundo moderno?

“Visto com olhos contemporâneos, o enredo de Jasão e Medeia nos obriga a reconhecer, finalmente, que o ato e o impulso de civilizar é também, e ao mesmo tempo, a própria ação de barbarizar”, corrobora o diretor.

Em cena, os atores/performers também contarão um pouco de sua própria história e desenvolverão relações interpessoais. Autora do argumento, a atriz Nina da Costa Reis viverá Medeia, encarnando a força feminina e misteriosa da personagem, vista como uma das figuras mais marcantes da dramaturgia universal.

“Me interesso muito por mitos, e há algum tempo, já venho pesquisando tragédias. Foi então que veio esse insight: quem seriam os Filhos de Medeia hoje em dia? Apesar de estar datada de muito antes de Cristo (a versão mais célebre, de Eurípides, é de 431 a.C.), Medeia ainda é extremamente atual”, conclui.

A MEDEIA DE EURÍPEDES

Na história de Eurípedes, de 431 a.C., o mito de Medeia narra a trajetória de sua protagonista, filha do rei Eetes e neta do Deus Sol. Com ascendência na realeza e na própria divindade, Medeia é, ao mesmo tempo, nobre e divina. Seu porte de rainha e dotes de feiticeira, aliados à sua origem na distante Cólquida, fazem dela uma bárbara aos olhos dos Argonautas, entre os quais Jasão, por quem ela se apaixona e a quem ajuda a conseguir o velocino de ouro, pertence de sua família e motivo da expedição que Jasão comandava.

Aliada ao inimigo da casa paterna, Medeia usa de seus poderes mágicos para a conquista do velocino de ouro, partindo em seguida, com seu amado Jasão e os demais Argonautas, rumo a Corinto. Casados, Medeia e Jasão têm dois filhos. Em Corinto, Medeia vira alvo das intrigas do rei Creonte, que influencia Jasão a recusá-la, a fim de poder casar com sua filha Creusa, tornando-se o futuro rei. Jasão aceita a proposta de Creonte e abandona Medéia, pedindo para que ela parta em exílio com os dois filhos. Transtornada, ela envenena Creusa e o rei Creonte. Em seguida, sacrifica seus dois filhos e parte numa carruagem enviada pelo Deus Sol, deixando Jasão.

SINOPSE: Uma banda musical fictícia revisita, por meio de canções autorais e fragmentos, o mito grego de Medeia e Jasão e a sua relevância para os dias de hoje, comparando a dualidade entre civilização e barbárie, num misto de teatro e show.

FICHA TÉCNICA:

Elenco: André Coelho, André Dale, Clarice Sauma, Kelson Succi, Nina da Costa Reis, Pedro Nego, Reinaldo Junior e Tom Karabachian

Direção: Marco André Nunes

Texto: Carolina Lavigne com fragmentos de Alexandre Costa, Fluxodrama, Martina Sohn Fisher e Pedro Uchoa

Direção Musical: Felipe Storino

Direção de Arte: Bidi Bujnovski, Josef Chaselaw, Marco André Nunes e Anouk Zee

Iluminação: Renato Machado

Direção de Movimento: Toni Rodrigues

Fundamentação Teórica: Alexandre Costa

Assistente de Direção: Carolina Lavigne e Diego Avila

Vídeo: Isabela Raposo

Visagismo: Josef Chasilew

Produção: Julianna Firme

Assessoria de Imprensa e Mídias Sociais: Mario Camelo

Arte gráfica: Leonardo Costa

Idealização: Nina da Costa Reis

SERVIÇO:

FILHOS D MEDEA

Estreia: 11 de julho de 2019

Temporada: De 11 a 28 de julho de 2019

Horários: de quinta a domingo, às 20h

Local: Espaço Sesc Mezanino – Sesc Copacabana

Ingressos: R$ 7,50 (associado do Sesc), R$ 15 (meia-entrada), R$ 30 (inteira)

Endereço: Rua Domingos Ferreira 160, Copacabana, Rio de Janeiro.

Informações: (21) 2547-0156

Bilheteria – Horário de funcionamento: de terça à sexta, das 9h às 20h; e sábados, domingos e feriados, das 12h às 20h.

Classificação indicativa: 16 anos

Duração: a definir