“GIZ 9” estreia no Laura Alvim

A partir de 05 de Julho e até o dia 28 do mesmo mês, o Teatro Rogério Cardoso / Porão do Laura Alvim recebe “GIZ 9”, solo escrito e interpretado por Carine Klimeck. Ambientado numa sala de aula em 2064, o texto dirigido por Thaís Loureiro e encenado no espaço da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa/FUNARJ acompanha um dia na vida de Zuleika, professora primária de uma escola de estrutura evidentemente precária. Tal como os padrões de beleza, o racismo estrutural e o patriarcado, dentre outros sistemas, a escola é um cenário perfeito para se falar das prisões – às vezes intangíveis – das quais somos reféns ao longo da vida.

“Embora se passe no futuro, o espetáculo é atual, justamente por ser uma crítica ao lugar onde o conservadorismo pode nos levar. Se nos mantivermos no mesmo ponto daqui a 45 anos haverá um retrocesso, porque em nada teremos avançado. É essa a intenção do texto: levar-nos a questionar a urgência no desenvolvimento desse tema.A experiência de lecionar me motivou, mas não num nível racional. A peça não é apenas sobre educação, mas é sobre uma mulher, professora, oprimida, vigiada, que vive sob constante ameaça de vida por simplesmente transmitir algum conhecimento e, em vão, buscar incitar questionamentos mais profundos em seus alunos”, instiga Carine, que escreveu o texto ao longo de 10 anos.

Os rumos que o país foi tomando uma indignação latente desde que começou a desenvolver o texto também pautaram sua escrita. “A realidade dura da sala de aula em nada se alterou de dez anos pra cá – quiçá se agravou.A peça surgiu numa esquete; depois, numa oficina de escrita dramatúrgica, voltei a esta história, questionando o tipo de conteúdo que as escolas enfatizam ao educar seres ainda tão ingênuos. Por fim, minha experiência com a gravidez e a maternidade foi também um estopim positivo”, relembra Carine que,na criação do texto,teve a influência do feminismo presente no livro “Calibã e as bruxas”, de Silvia Federicci, que aborda o surgimento do capitalismo e o genocídio ininterrupto praticado contra as mulheres durante séculos.

Classificado como tragicomédia, o texto aponta para dentro, desafiando o público a reconhecer – em meio às risadas –seus próprios muros.“Trabalho com humor há muitos anos, e sempre acreditei que o cômico também tem que estar no lugar da denúncia, da coragem. Não é fácil fazer rir do que se teme, do que nos constrange ou até nos amedronta. No meu ponto de vista, isto é uma contribuição social sem tamanho”, ressalta Carine.

Na direção, Thaís optou por sugerir referências a teóricos como Michel Foucault apenas no modo de conduzir a cena. “A chegada da personagem, a atmosfera, os espaços, toda essa criação quase intangível da direção é justamente o canal que pretende transmutar ideias em sensações.Acreditamos que o teatro pode e deve se comunicar nos níveis mais sutis da consciência humana. O intelecto divide e separa, o subconsciente reúne, sintetiza, traduz. Uma obra política como esta poderia correr o risco de se tornar um teatro panfletário, seco, intelectualóide, e isso é tudo que não queremos. Ao contrário: queremos movimento e provocações”, finaliza a diretora.

SERVIÇO:

Temporada:

05 a 28 de julho

Horários:

Sexta-feira e Sábado às 19h / Domingo às 18h

Local:

Teatro Rogério Cardoso / Porão do Laura Alvim

Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema

Tel.: (21) 2332-2015

Ingressos:
R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia-entrada)

Duração: 70 minutos

Classificação: 12 anos

 

 

 

FICHA TÉCNICA:

 

Texto e Atuação: Carine Klimeck

Direção: Thaís Loureiro

Direção de Produção: Damiana Inês

Cenografia: André Sanches

Cenógrafa Assistente: Débora Cancio

Iluminação: Fernanda Mantovani

Figurino: Patricia Muniz

Assistência de Direção: Eder Martins

Assistência de Produção: Renata Frignani

Assistência de Figurino: Letícia Langer

Registro Fotográfico: Gabriela Furlan e Bernardo Martins

Identidade Visual: Guilherme Moura

Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Assessoria – Gisele Machado & Bruno Morais

Produção Executiva: Mariana Pantaleão

Produção: Bloco Pi Produções

Realização: Grupo Assik

SOBRE CARINE KLIMECK (ATRIZE AUTORA)

Formada pela CAL em 2004, no teatro Carine foiindicada a Melhor Atriz pelo Festival Internacional de Humor em 2009. Entre os espetáculos que participou, destacam-se “Hipnose”, com direçãode Renato Carrera (2015); “Bette Davis e a máquina de Coca-Cola”, com direção de Diego Molina (2012), e o monólogo“Chuva de arroz”, com direção de Vinicius Arneiro (2011). Entrou na linha humorística da TV Globo em 2008 e esteve por seis anos no programa “Zorra Total”, com direção de Mauricio Sherman. Dirigida por Maurício Farias, integrou o elenco do “Novo Zorra”, na renovação do programa. Como professora, ministra o curso “A matemática do riso” na CAL,além de dar aulas particulares de dramaturgia cômica e história da comédia.

SOBRE THAÍS LOUREIRO(DIRETORA)

Atriz e professora da técnica Michael Chekhov, Thaís cursou faculdadede Cinema na UNESA e é graduanda em Letras / LiteraturaInglesa. Ao lado de Hugo Moss, é co-fundadora da Michael

Chekhov Brasil, instituição responsável pela difusão do legadoartístico do mestre russo. Não só leciona na escola, comotambém é responsável pelo planejamento das oficinas e projetos

paralelos (traduções, pesquisas, etc). Nos últimos anos,participou de diversas conferências e workshops internacionaispromovidos pela Michael Chekhov Association e, mais recentemente, foi um dos 12 artistas de todo o mundo convidadosa participar de uma imersão de cinco semanas na MichaelChekhov School, em Hudson (NY). Já trabalhou com mestresnos EUA e Europa – como Joanna Merlin, Ted Pugh,FernSloan, Lenard Petit e David Zinder – em conferênciasinternacionais da MICHA – The Michael Chekhov Association.Em 2015, fundou a companhia de teatro Grupo Assik,que estreou nos palcos com o premiado texto “Boa Noite, Mãe”,peça americana de Marsha Norman, a qual traduziu e trabalhoucomo atriz ao lado Fabianna de Mello e Souza esob a direção de Hugo Moss.

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