COMMUNE celebra 15 anos com lançamento de livro e homenagens a dois grandes artistas que influenciaram sua trajetória

Nomeada patrimônio imaterial do município de São Paulo, em 2015, a COMMUNE festeja em 2019 seus 15 anos de carreira e os 12 anos de seu teatro (localizado na Rua da Consolação, 1218). Para marcar essas datas, a companhia organiza dois eventos: a nomeação da sala de espetáculos em homenagem ao ator Adilson Barros (1947-1997), que acontece no dia 4 de julho, às 20h; e o lançamento de um livro sobre a trajetória da trupe e de uma exposição de fotos sobre o cenógrafo Cyro Del Nero (1931-2010), que ocorre no dia 11 de julho, às 20h.

Segundo o diretor Augusto Marin, essas duas importantes figuras do teatro paulistano influenciaram diretamente o trabalho da companhia. “Adilson Barros foi meu professor de teatro na Unicamp, nos idos de 1989. Nós fomos amigos por muito tempo e ele dirigiu vários espetáculos que fizemos antes de fundar a COMMUNE. Mesmo sem ter participado da companhia, já que faleceu seis anos antes de sua criação, Adilson é uma referência para toda uma geração de atores e para o teatro brasileiro. Já Cyro Del Nero foi um brilhante cenógrafo e era muito amigo da Michelle Gabriel [cofundadora do grupo]. Ele foi uma das primeiras pessoas a conhecer o imóvel onde hoje está instalada a nossa sede e disse que o espaço daria um lindo teatro de bolso. Ele, então, fez todo o projeto arquitetônico do Teatro COMMUNE, com desenhos e maquete. Dar o nome a esses grandes artistas para nosso teatro é uma forma singela de manter viva a memória deles, principalmente para as gerações de artistas jovens”, explica o cofundador da companhia.

No evento do dia 4 de julho, a sala de espetáculos do teatro passa a ter o nome de Adilson Barros, que será gravado em uma placa de acrílico e metal. Além disso, amigos do artista contarão histórias sobre o homenageado e participarão de um coquetel.  Já Cyro Del Nero também passa a dar o nome à galeria do teatro no dia 11 de julho, com placa igual. Nas duas ocasiões, acontecerão a abertura de uma exposição de fotos sobre diferentes momentos da vida dos artistas, gentilmente concedidas por fotógrafos, amigos e familiares.

A segunda cerimônia também marca o lançamento do livro Commune 15 anos, organizado por Augusto Marin, Roselaine Araujo e Liniane Haag Brum, com imagens de Augusto Paiva, Dani Coen, Bianca Vasconcelos, Fernando Henrique, José Marcio, entre outros. Com tiragem de 500 exemplares, o livro registra o processo de criação, pesquisa e formação da companhia e o trabalho de formação dos jovens aprendizes e de espectadores, sem seguir uma cronologia. O exemplar será distribuído gratuitamente no teatro e enviado para bibliotecas públicas, escolas de teatro, grupos, teatros, órgãos públicos, pontos de cultura e outros espaços culturais.

“Ao longo de 15 anos de trajetória, a Commune tornou-se um importante núcleo de pesquisa, produção, formação e intercambio teatral na cidade de São Paulo, com foco na linguagem das máscaras, no uso da improvisação, na comicidade física e na montagem e adaptação de obras clássicas. O livro trata da continuidade de uma proposta estética que investiga os cruzamentos e sobreposições entre a tradição da Commedia Dell Arte e os matizes e personagens do teatro popular brasileiro, que coloca em prática um diálogo entre o saber erudito e o saber popular, na qual a poética resulta de um olhar crítico sobre a realidade”, explica Augusto Marin, diretor da companhia e um dos organizadores da publicação.

Os capítulos estão divididos em diferentes temas como: a inauguração do teatro projetado por Cyro Del Nero; depoimentos de artistas, amigos e gestores que vivenciaram a trajetória da COMMUNE; a história ao longo dos 15 anos em imagens e legendas; curiosidades de camarim e os espetáculos da companhia; o Projeto “Teatro Cidadão”, no qual jovens da periferia podem estudar teatro gratuitamente; a entrada do grupo na imprensa brasileira; e os intercâmbios internacionais e residências artísticas  com Enrico Bonavera (Itália), Donato Sartori (Itália), José Sanchis Sinisterra (Espanha), João Garcia Miguel (Portugal), Sonia Daniel (Argentina), John Mowat (Inglaterra), o Grupo Jangada, entre tantos outros.

O livro ainda destaca a importante experiência da COMMUNE na organização, em parceria com a REDE DE TEATROS, do Projeto A Escola em Cena, que aconteceu em 2017, graças a uma emenda parlamentar do vereador Police Neto. No projeto, foi realizado o Seminário Internacional de Formação de Jovens Espectadores na Era Digital, do qual participaram Aimé Pansera e Andrea Hanna, do Projeto Formacion de Espectadores de Buenos Aires, na Argentina; Antonio Carlos Moraes Sartini, ex-diretor do Museu da Língua Portuguesa; Flavio Desgranges, especialista em formação de público; Beth Azevedo, pesquisadora da USP; entre outros. O projeto contou também com uma oficina de capacitação de professores da rede pública e vários espetáculos, seguidos de debates, apresentados nos teatros independentes para alunos de 11 a 16 anos de escolas públicas.

Para a atriz e organizadora Roselaine Araujo, um dos temas mais legais apontados pelo livro é o Projeto Teatro Cidadão. “Nele alunos da periferia da cidade recebem uma ajuda de custo com transporte e alimentação para estudar aqui no Teatro COMMUNE. E é interessante que os jovens não aprendem só a atuar, mas adquirem noções de cenografia, figurino, sonoplastia e iluminação, produção, técnicas de palco, e, no final, montam um espetáculo com um diretor profissional, acrescenta.

As três atividades são possíveis graças ao projeto “Territórios da Imaginação: 15 anos de Resistência da Commune”, que foi contemplado pela 31ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. Esta foi a primeira e única vez que a companhia foi contemplada pela lei ao longo de toda sua trajetória.

Sobre Adilson Barros

Adilson Barros nasceu em Sorocaba em 1947 e faleceu em São Paulo em 1997. Foi um dos grandes atores brasileiros, formado pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP), fundador da Cooperativa Paulista de Teatro de São Paulo e um dos criadores do Núcleo do Pessoal do Victor, ao lado de Paulo Betti, Eliane Giardini, Waterloo Gregório, Reinaldo Santiago, Marcio Tadeu, Marcília Rosário, entre outros. Também foi um dos fundadores e professor de artes cênicas do Departamento de Teatro da Unicamp.

No teatro, participou e foi premiado pelos megassucessos “Na Carreira do Divino”, de Sofredini; e “Feliz Ano Velho”, de Marcelo Rubens Paiva, com direção de Paulo Betti. Outros espetáculos em que atuou foi “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes; “Cerimônia para um Negro Assassinado”, de Fernando Arrabal, com Ismael Ivo, “O Processo”, de Kafka; “A Estrambótica Aventura da Música Caipira”, com direção de Carlos Alberto Soffredini e Wandi Doratiotto; “A Vida é um Sonho”, de Calderón de la Barca; “Divinas Palavras” com direção de Iacov Hillel, “Afinal uma Mulher de Negócios”, de Rainer Werner Fassbinder ao lado de Irene Ravache.

Sobre Cyro Del Nero

Nascido em São Paulo em 1991, Cyro Del Nero é bisneto de imigrantes italianos. Seu primeiro contato com a arte foi em casa, pois sua mãe, a Sra. Dorcas, era pianista de um templo da Igreja Presbiteriana localizado na rua Nestor Pestana. Após terminar os estudos ginasiais, Cyro tentou estudar em um seminário, mas não conseguiu se adaptar. Também não tinha afinidade com os cursos oferecidos naquela época, e então, elegeu a biblioteca Mario de Andrade como sua escola.

Em meados da década de 1950, nessa biblioteca havia um grupo de jovens que se encontravam para leituras, estudos e trocas de experiências intitulado “Adoradores de Minerva”, do qual faziam parte Manoel Carlos, José Oswaldo e Geraldo Araújo Lima, Pedro Morato Kraenbull, Dante Busana, Yan Margherito, Bento Prado Junior, Roberto Schwartz, Maurício Tragtenberg, Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Milton Moraes, Mário de Almeida e Flávio Rangel.

Em 1956, Del Nero foi convidado por Zizos Charatsaris para fazer a cenografia da sua montagem de “O Anfitrião”, de Plauto. Após a estreia, Cyro mudou-se com Zizos para a Grécia. Na Alemanha, trabalhou como assistente de cenógrafo no Teatro Estadual de Württemberg, e sua destreza na construção de maquetes lhe rendeu oportunidades levando-o a trabalhar com Wieland Wagner, diretor do Festival Bareuth e um dos maiores encenadores de ópera de seu tempo.

Quando retorna ao Brasil no ano de 1960, encontra seus antigos amigos da biblioteca já integrados no mercado de trabalho artístico cultural. Então, começa a trabalhar ao mesmo tempo em diferentes áreas: teatro, televisão, artes plásticas, visuais e gráficas. Trabalhava como Diretor de Arte na TV Excelsior, a convite de Manoel Carlos, e como cenógrafo no TBC – Teatro Brasileiro de Comédia, a convite de Flávio Rangel.

No TBC, seu primeiro trabalho foi na montagem de “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, com direção de Flávio Rangel. Com o grupo também fez a cenografia de “A semente”, de Gianfrancesco Guarnieri; “A escada”, de Jorge Andrade; “Almas Mortas”, de Nikolai Gógol; e “A Revolução dos beatos”, de Dias Gomes.

Outros trabalhos de destaque no teatro foram “Vô Doidim e os Velhos Batutas”, de Nana de Castro, pelo qual recebeu o prêmio Coca-Cola de Teatro; “Carlos Gomes – Sangue Selvagem”, com direção de José Renato; “O Arlecchino”, de Dario Fo, com direção de Augusto Marin; e “Os Possessos”, com direção de Antonio Abujamra. Seu último trabalho foi “Os 39 degraus”, com direção de Alexandre Reinecke, que estreou em 2010, meses depois da morte do cenógrafo.

SOBRE A COMMUNE – COLETIVO TEATRAL

Fundada em 2003, a COMMUNE é formada por um grupo de artistas produtores que  cria e produz espetáculos a partir da pesquisa sobre a comédia física e visual, da linguagem da Commedia Dell Arte, envolvendo música ao vivo e a releitura e adaptação de obras clássicas e peças do teatro italiano.

Algumas das principais produções do grupo são: “O Inspetor Geral” (2004), “A Verdadeira história de Adão e Eva” (2006), “Arlecchino” de Dario Fo (2007),  “Nem todo Ladrão vem para Roubar” de Dario Fo (2009), “O Mentiroso de Goldoni” (2010), “3 vezes A Igreja do Diabo” (2011), “A Greve das Pernas Cruzadas” (2012),  “Ton Sur Ton e Dois Pra Lá, Dois Prá Cá” de Mario Viana (2014), “Uma Roça de Verão” (2015 ),  “A História do Amor da Donzela Teodora e o Valente Jeremias no Sertão de Lampião” (2015), “Anti-Comics, Descontruindo Super Heróis” de Sonia Daniel (2016), “Revisitando o Teatro de Revista – Oba!” (2016), “Histórias de Verão” (2017), Paulicéia Desvairada(2018), Morte e Vida Severina e João Cabral de Melo Neto (2018), Otelo” (2018) e Na Cama com Molière – baseado em O Doente Imaginário -, ambas com direção de John Mowat.

Em 2014, o COMPRESP e Patrimônio Histórico da Cidade de São Paulo declarou a COMMUNE um Bem Imaterial do Município de São Paulo, ao lado de outros 22 grupos teatrais da cidade.  Desde 2006, é um Ponto de Cultura.

SERVIÇO

15 anos da COMMUNE, coletivo teatral

Inauguração da Sala Adilson Barros: 4 de julho, às 20h

Homenagem a Cyro Del Nero e lançamento de livro: 11 de julho, às 20h

Visitação da exposição:  de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h (aos sábados e domingos a galeria funciona uma hora antes dos espetáculos do dia. Consulte a programação em commune.com.br/).

Teatro COMMUNE – Rua da Consolação, 1218 (ao lado do metrô Higienópolis – Mackenzie – Linha 4 – Amarela) – Estacionamento ao lado

Entrada: grátis

Informações: (11) 3476-0792 | Augusto Marin: (11) 997665-2205

Capacidade: 99 lugares

commune.com.br/

facebook.com/teatrocommunesp

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