“eu quem eu somos” dia 27 no Café Pequeno

Quarta montagem do Coletivo Cosmogônico (RJ), o monólogo “eu quem eu somos” é inspirado num feed de notícias e composto por conteúdos recentemente viralizados nas redes sociais. A dramaturgia foi composta durante os 16 meses de ensaios, iniciados em janeiro de 2018, de modo a dialogar e colocar em questão temas da atualidade como gênero, extremismo, desastre de Brumadinho, Lava Jato, privilégios e lugar de fala. Todas estas vozes eclodem na figura de um único ator, Ricardo Baggio. Depois de bem-sucedida temporada de estreia no Espaço Dois do Solar Botafogo, em maio, a peça venceu o edital de pautas da Prefeitura do Rio para assumir o Teatro Municipal Café Pequeno a partir do dia 27 de junho.

“Este trabalho resulta desta polifonia de discursos, consonantes, dissonantes, empoderados, esfacelados, acirrados”, diz o diretor, João Bernardo Caldeira. “Em cena, há um único ator, exposto e expandido em múltiplas presenças, mas também virtualmente solitário, como o próprio ambiente cibernético – como nós”, completa.

A dramaturgia foi costurada de modo colaborativo, em que cada texto ou personagem foi experienciado na sala de ensaios, com foco no trabalho de criação do ator. O intenso trabalho físico de atuação, característico na trajetória da companhia (e filiado em Celina Sodré e Jerzy Grotowski), neste espetáculo foi idealizado como elemento a tensionar e embaralhar as fronteiras entre ficção e realidade.

A preparação corporal é de Caroline Ozório, integrante do Coletivo Cosmogônico e também diretora assistente de “eu quem eu somos”.

“O nosso trabalho é essa busca: o corpo em sinapse, chocando entre clarões e vazios existenciais, tocado por terra, pela pátria, que grita a sua estranheza, expõe o abismo e reza pra passar”, diz Ricardo Baggio.

Sobre o Coletivo Cosmogônico

O Coletivo Cosmogônico nasceu no Rio de Janeiro e surgiu nos cursos de Pós-Graduação em Artes da Cena e Direção Teatral da UFRJ, em 2014, no ambiente de pesquisa e colaborativo. “Eu quem eu somos” é o quarto trabalho do Coletivo Cosmogônico e o terceiro trabalho que marca a parceria do diretor João Bernardo Caldeira com o ator Ricardo Baggio. O coletivo também tem em seu repertório as peças “A Morta”, de Oswald de Andrade (2016), “Avenida Central”, baseada na obra de João do Rio (de 2016, vencedora do Programa de Fomento da Prefeitura do Rio) e “Atafona O Fim”, construída a partir de relatos (2017).

Diretor/ Autor – Joao Bernardo Caldeira

Mestre em Artes da Cena e graduado em Direção Teatral e Comunicação, pela UFRJ, João Bernardo Caldeira é diretor, professor e produtor teatral, autor e jornalista. Colaborador dos jornais O Globo e Valor Econômico, onde mantém a coluna Avanat-première, desde 2008. Dirigiu os espetáculos “A Morta” (Oswald de Andrade), “Avenida Central” (vencedor do Viva à Cultura! Programa de Fomento da Prefeitura do Rio 2015) e “Atafona O Fim”, realizados pelo Coletivo Cosmogônico (RJ). É autor e produtor do espetáculo “Funk Brasil – 40 Anos de Baile”, vencedor de prêmios como Funarte de Teatro Myriam Muniz 2012. Pós-graduando em Gestão e Políticas Culturais pelo Itaú Cultural e Universidade de Girona. Produziu ainda os espetáculos “A Bruxinha Que Era Boa” (vencedor do Programa de Fomento à Cultura Carioca 2013), “Os Ruivos” (que circulou por 10 Estados), “A Natureza do Olhar” (com Elisa Lucinda e direção de Amir Haddad) e “Agora É Tempo” (vencedor do Programa Petrobras Distribuidora 2013). No cinema, foi produtor e assistente de direção dos longas “História de Alice” e “Pampulha” (dirigidos por Oswaldo Caldeira).

Ator/ Autor – Ricardo Baggio

Ricardo Baggio é ator carioca formado em Bacharelado em Teatro (2017) e no Curso Profissionalizante de Formação de Ator (2015), ambos cursados no Instituto CAL de Arte e Cultura. Estuda teatro desde os cinco anos de idade e acumula em sua trajetória trinta espetáculos como ator (peças de autores renomados, obras originais, musicais, saraus de poesia e processos colaborativos). Integrou as companhias teatrais Cia. Maria Lucia Priolli, o Grupo TACA, o Grupo Quarta Parede residido na Cia. de Teatro Contemporâneo e integra atualmente o Coletivo Cosmogônico.  No audiovisual atuou em seis curtas-metragens e em um videoclipe. Trabalhou com muitos diretores, entre eles, Isabela Leal, Celina Sodré, Bruce Gomlevsky, João Bernardo Caldeira, Andrea Bacellar, Anderson Aníbal e Amir Haddad. O monólogo “eu quem eu somos” é o primeiro espetáculo profissional que Ricardo Baggio assina. Porém, em sua história, foi um dos autores da prática de montagem “Cabaret Voltaire” com direção de Adriana Maia no Instituto Cal de Arte e Cultura (2016). Ricardo Baggio também é um dos autores do espetáculo “A Balada”, com estreia prevista para o segundo semestre de 2019, onde também assinará a direção junto ao ator e diretor Gabriel Contente.

Direção assistente / Preparação corporal – Caroline Ozório

Artista do movimento, professora e pesquisadora. Formada em Educação Física (UFJF), graduanda em Teoria da Dança e Mestranda em Dança (UFRJ), pesquisa a poética do corpo em cena. Integrante do Grupo de Pesquisa em Dramaturgias do Corpo – UFRJ/CNPq, orientado por Ligia Tourinho, do Coletivo Cosmogônico e parceira da Casa Shala com Lu Brites e Roberta Repetto. Entre o Balé Clássico, Jazz Musical, Teatro físico, Dança Teatro e Dança contemporânea (MG e RJ), atuou em trabalhos como intérprete criadora, performer, atriz e bailarina, como “Atafona, o fim”, Coletivo Cosmogônico, “E o mar já não existe”, Cia Bagagem Ilimitada, “Palestra performática: Preparação Corporal de Atores” – SESC Copacabana e GPDC/UFRJ, “Cântico”, com Leticia Teixeira, “Vassouras”, Giselda Fernandes, “Colônia – mobilidade emergente de autonomia coletiva” com o Grupo Cena 11, cortejo-performance-instalação “Meu Corpo, Minha Terra” de Luciana Brites, com Ronaldo Fraga, Hugo França e Jean Paul Ganem, “O auto das almas de Hades” e “O palhaço e a Bailarina”, Cia P&B(MG), “A Lua dos Apaixonados e Seresteiros” com Ana Botafogo, Betina du Dalcanale e Marcelo Misailidis, entre outros. Atuou como preparadora corporal e/ou diretora de movimento em “Bird”, Coletivo Errante, “Viúva porém honesta”, de Giulia Grandis, “A morta” e “Avenida Central”, Coletivo  Cosmogônico, “Camiño do Mar”, do Coletivo Lamaleta, e outros. Assistência de coreografia e preparação de elenco com Ligia Tourinho e Patrícia Pereira em “Menino Maluquinho, a ópera”, de Zezé Chevitareze e José Henrique Moreira. Codireção com Hugo Grativol de “Nua” para o Festival Ovárias com Elea Mercurio.

Sinopse

Como um feed de notícias, o monólogo “EU QUEM EU SOMOS” é atravessado por posts, stories, memes, tweets e fake news. Múltiplos pontos de vista sobre Brumadinho, Tinder, Lava Jato, gênero, privilégios e lugar de fala.

Serviço 

Teatro Municipal Café Pequeno

Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon

27 de junho a 18 de julho

Quartas e quintas

20h

R$ 40 (inteira)

Capacidade: 80 lugares

Horário da bilheteria: quinta a segunda, de 14h ao horário do inicio do espetáculo

Duração: 80 min

Classificação: 12 anos

Ficha técnica

Dramaturgia: Ricardo Baggio e João Bernardo Caldeira

Direção: João Bernardo Caldeira

Atuação: Ricardo Baggio

Direção assistente e preparação corporal: Caroline Ozório

Iluminação: Gabriel Prieto

Trilha sonora: Pedro Botafogo

Cenário e figurinos: João Bernardo Caldeira

Costureira: Almerinda Muniz

Design gráfico: Bianca Oliveira

Operação de luz: Natali Barbosa

Operação de som: Heitor Mota

Produção executiva: Anny Melo

Direção de produção: Ricardo Baggio e João Bernardo Caldeira

Assessoria de imprensa: LEAD Comunicação

Idealização: Ricardo Baggio

Realização: Coletivo Cosmogônico, Prefeitura do Rio e Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro