“A Ponte” no CBB

Fomos assistir, confira só!
Com direção de Adriano Guimarães, as atrizes Bel Kowarick, Debora Lamm e Maria Flor encenam pela primeira vez no Brasil o texto do premiado autor canadense Daniel Maclvor. Após o sucesso em Belo Horizonte, São Paulo e Brasilia, o espetáculo que trata da aceitação das diferenças num reencontro entre três irmãs inicia temporada, de dois meses no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. No dia 20 de junho, quando abrirem as cortinas do Teatro II do CCBB Rio, o público irá mergulhar na relação de três irmãs separadas pela vida e que são obrigadas a se reunir para enfrentar a morte iminente de sua mãe.
Na trama, Bel Kowarick é Theresa, a mais velha, uma freira que se isolou da família em um retiro religioso. Debora Lamm vive Agnes, a irmã do meio, uma atriz falida, que foi tentar a sorte longe de sua cidade natal. E Maria Flor interpreta Louise, a mais jovem, obsecada por séries de tv e desinteressada pelo mundo além do virtual. Neste
reencontro, ambientado na cozinha da casa onde foram criadas, as três revelam os seus valores, crenças e diferenças em busca da possível reconstrução de uma célula familiar há muito tempo fragmentada. A adaptação de A Ponte
nasceu por iniciativa de Maria Flor, que ficou fascinada pela dramaturgia de MacIvor e convidou Bel Kowarick para ser sua parceira no projeto. “É um texto que fala sobre afeto e relações humanas profundas mas o que me chamou
mais atenção foram os diálogos e as personagens. É uma peça completamente sobre mulheres, que sobrevivem apesar de todas as dificuldades e que se ajudam, se fazem crescer e amadurecer”.
Sobre Louise:
“Meu personagem é muito dependente da mãe é introspectiva, lúcida, direta e literal na sua maneira de lidar com o mundo”.
Para o diretor, o autor constrói a narrativa com diálogos bem resolvidos. “O trabalho foi fazer com que a dramaturgia viesse à tona junto com o elenco e construir um lugar onde isso pudesseacontecer”. E segue: “Ainda que seja um tema recorrente é fundamental abordarmos conflitos pessoais em um momento em que se mostra difícil dialogar com quem é diferente”, ressalta Adriano.
O texto tem como recorte a aceitação das diferenças e de reconstrução de uma família.
“As relações familiares expostas são inerentes ao espaço e o tempo, podendo ser retratadas em qualquer país ou época”, observa Bel também produtora da peça.“ O maior desafio foi me libertar do estereótipo da figura da freira e criar uma mulher humana. Acredito que conseguimos criar a relação viva entre essas irmãs cheia de conflitos e amor”, analisa a atriz.
Sobre Theresa – É a irmã mais velha, o alicerce da família. Ela é uma freira em crise com a fé e os caminhos da humanidade. Uma mulher com humor, solar, religiosa e realista. Na visão de Débora, a resolução de conflitos internos é a maior característica de sua personagem. “Agnes tem uma grande ferida em seu passado e a peça trata do momento em que ela dá atenção a isso para poder seguir”. A atriz acredita que todas as personagens apresentam forte capacidade de gerar identificação no espectador. “O ambiente familiar reúne nossas primeiras referências e também nossos primeiros conflitos. É o primeiro espelho para o mundo. Essas três irmãs passam por questões básicas de nós humanos que dizem respeito aos laços de sangue,
Sobre Agnes: Uma personagem complexa que atravessa muitos estados, vai do riso ao choro com facilidade, discute com intensidade questões fundamentais. “É uma das melhores oportunidades que o teatro já me deu” destaca Débora.
Sobre o autor Daniel Maclvor
Ator, dramaturgo, diretor de teatro e cinema, Daniel MacIvor (nascido em1962 na NovaEscócia) se tornou conhecido
no Brasil através das encenações de “In or It”, “ A Primeira Vista” e “ Cine Monstro”, dirigido por Enrique Diaz. Na tv, conquistou papéis em filmes independentes com destque para o sitcom Twitch City. Iniciou no teatro da kamera em Toronto – em residência no Buddies in Bad Times Theatre – para quem ele escreveu, dirigiu e atuou. Suas peças incluem Never Swim Alone, Este é um jogo, Monstro, Marion Bridge, Você está aqui, Cul – de -sac e uma Bela vista.
No início dos anos 2000, escreveu e dirigiu vários filmes independentes: Past Perfect, Marion Bridge, Whole New Thing e Wilby Wonderful.
Nos últimos anos, MacIvor tem trabalhado com o diretor Bruce McDonald como roteirista dos filmes Trigger e Weirdos para o qual MacIvor ganhou um Screen Award canadense em 2017 por melhor roteiro original.
Sobre o diretor Adriano Guimarães
Diretor de teatro, artista visual e professor. Possui em seu currículo mais de 50 peças e entre as mais recentes: O Imortal (2018 de Jorge Luis Borges), Hamlet (2015 – 2017), Ruído (2016).É conhecido internacionalmente pela pesquisa artística desenvolvida, desde 1998, sobre a obra do escritor irlandês Samuel Beckett. Realizou diversos projetos transdisciplinares e diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, tendo sua trajetória marcada por mostras como a Bienal de São Paulo e o Panorama da Arte Brasileira. Foi indicado diversas vezes ao
Prêmio Shell, uma das mais importantes premiações do teatro brasileiro, e venceu na categoria de Melhor Direção,
junto a Hugo Rodas, com a montagem de Doroteia.
Sobre as atrizes
Bel Kowarick é atriz de teatro, TV e cinema. Participou do Centro de Pesquisa Teatral do SESC-CPT, sob direção de Antunes Filho. Em Londres, cursou as escolas de Phlillipe Gaulier e JosHouben. Recebeu o prêmio APCA como melhor atriz de teatro 2010 em “Dueto para Um”, além de uma indicação na mesma categoria ao Prêmio Shell. A atriz atuou em diversos espetáculos com destaque para: “Dueto para um”, direção de Mika Lins. Na TV, atuou nas novelas “O Rebu” e “Tempo de Amar” na Globo, e das séries “Som e Fúria”, “Felizes para Sempre” dirigidas por Fernando Meireles. Na HBO atuou na série “O Negócio”. Em cinema, participou dos filmes “Sua excelência o candidato” e “Amparo” de Ricardo Pinto e Silva; “Boleros”, “Paraíso Perdido” “Helicônias”; “Hilda Hist pede contato. Produziu os espetáculos: Hamlet” e “B–encontros com Caio Fernando abreu”; com direção de Francisco Medeiros, “Dueto para um” e foi diretora de produção do Núcleo Argonautas.
Maria Flor é atriz, diretora e roteirista, sua primeira participação na TV Globo foi
em 1995, em Malhação. Desde então, tem interpretado diferentes tipos de personagens.
Em novelas de época ou no horário nobre das 21h, como a caipira Tina, no remake de
Cabocla, onde saiu-se vencedora do Prêmio Qualidade Brasil na categoria Atriz Revelação, como a jovem prostituta em Belíssima, a mocinha Nina, de Eterna Magia, a mergulhador a de Sete Vidas e a DJ em A Lei do Amor. E nas séries, destacou-se em Som & Fúria, atuou como a personagem título de Aline e também foi protagonista de Do Amor no GNT. No cinema, de 2004 para cá atuou em 19 filmes, entre eles: O Diabo a Quatro, Cazuza, 360, Proibido Proibir, Chega de Saudade, O Bem Amado, Xingu, Os Maias, Meus dois Amores, Pequeno Segredo e Albatroz (2018). Como diretora e roteirista realizou em 2013, para o canal Multishow, a série de ficção, “Só Garotas” e, em 2014 filmou o processo de ensaio da peça Nômades, espetáculo teatral com Andrea Beltrão, Mariana Lima e Malu Galli, que gerou o Filme Ensaio, exibido no Festival do Rio 2018 e na 42 Mostra de SP. Em 2019, estreia os filmes Albatroz e Quatro amigas numa fria além do stand up com o seu marido Emanuel Aragão “ Tudo o que você sempre quis saber sobre o casamento”, em setembro no Shopping da Gávea.
Debora Lamm tem mais de 40 espetáculos como atriz e diretora, onze indicações à prêmios de teatro e 5 troféus no currículo, Debora Lamm também é integrante e fundadora da Cia OmondÉ que completa 10 anos esse ano. Doze personagens no cinema, entre eles as protagonistas do sucesso de bilheteria Muita Calma Nessa Hora, do premiado Seja o Que Deus Quiser de Murilo Sales, e do novo lançamento da Conspiração Filmes, L.O.C.A. Sua parceria com a diretora Júlia Rezende em Como é Cruel Viver Assim, lhe rendeu a indicação de melhor atriz no festival internacional de cinema da África do Sul.Contratada da TV Globo, atuou entre séries e novelas com Mauricio Farias, Dennis Carvalho, Denise Saraceni, Marcius Melhem, Zé Luís Villamarim, Gilberto Braga, Amora Mautner, Felipe Miguez, Guel Arraes, entre outros. Está confirmada na próxima novela das 21h de Manuela Dias, Amor de Mãe.Durante quatro anos, ao lado de Bruno Mazzeo, esteve no primeiro programa de dramaturgia da TV a cabo brasileira, o sucesso Cilada.
No teatro foi dirigida por Maria Clara Machado, Inez Viana, Ivan Sugahara, César Augusto, Guida Vianna, Domingos Oliveira, Hamilton Vaz Pereira, Adriano Guimarães, Georgette Fadel, Guilherme Leme Garcia, Monique Gardenberg, entre outros. Em suas seis direções teatrais, acaba de estrear TIO com Eduardo Sterblitch e Renata Gaspar e prepara a segunda parceria com Luisa Arraes num texto inédito escrito pela atriz. Em 2019 completa 22 anos de carreira.
CCBB 30 anos
Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil celebra 30 anos de atuação com mais de 50 milhões de visitas. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, o CCBB é um marco da revitalização do centro histórico da cidade e mantém uma programação plural, regular, acessível e de qualidade. Mais de três mil projetos já foram oferecidos ao público nas áreas de artes visuais, cinema, teatro, dança, música e pensamento. Desde 2011, o CCBB incluiu o Brasil no ranking anual do jornal britânico The Art Newspaper, projetando o Rio entre as cidades com as mostras de arte mais visitadas do mundo. Agente fomentador da arte e da cultura brasileira segue em compromisso permanente com a formação de plateias, incentivando o público a prestigiar o novo e promovendo, também, nomes da arte mundial.
FICHA TÉCNICA
Texto original|Daniel MacIvor
Elenco |Bel Kowarick, Debora Lamm e Maria Flor
Direção |Adriano Guimarães
Dramaturgia |Emanuel Aragão
Cenografia |Adriano Guimarães e Ismael Monticelli
Tradução |Bárbara Duvivier
Figurino |Ticiana Passos
Iluminação| Wagner Pinto
Direção de movimento| Denise Stutz
Direção de produção |Adriana Salomão
SERVIÇO
Local | Centro Cultural
Banco do Brasil Rio de Janeiro – Teatro II
Data | 20 de junho a 12 de agosto
Horários | De quinta à segunda – feira, às 19h30
Endereço | Rua Primeiro de Março 66, Centro, tel (21) 3808-2020
Entrada | R$30 e R$15 (meia-entrada)
Capacidade | 153 lugares
Classificação: 12
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