Rosas Periféricas apresenta no Capão Redondo o infantil Ladeira das Crianças – TeatroFunk

Nos dias 17 e 18 de maio (sexta e sábado, às 15h), o Grupo Rosas Periféricas apresenta o espetáculo Ladeira das Crianças – TeatroFunk no Parque Santo Dias, em Capão Redondo. O novo espetáculo comemora os 10 anos de atividades do grupo.

A montagem tem criação e direção coletiva do grupo com dramaturgia de Marcelo Romagnoli, a partir da adaptação dos livros O Pote Mágico e Amanhecer Esmeralda, do paulistano Ferréz (autor renomado de literatura marginal).

Iniciadas no dia 20 de abril com sessões no Parque São Rafael (ZL), região de atuação do Rosas Periféricas, as apresentações (grátis) foram viabilizadas por meio do VAI II – Programa de Valorização de Iniciativas Culturais, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Encenada ao ar livre, a peça reflete sobre a identidade das crianças da periferia e sobre os bens culturais do território, acessados na fase infantojuvenil. Histórias de vida dos atores e expectativas das crianças da região permeiam as histórias, que são costuradas por elementos do funk – como a dança, mais especificamente o passinho, a música, o ritmo e as rimas. O trabalho é inédito também quanto à abordagem lúdica do funk em uma produção para crianças e jovens.

Em Ladeira das Crianças – TeatroFunk o universo das crianças periféricas ganha a cena. Seus desejos e sonhos são embalados pelo ritmo do funk. No bonde da ladeira tem de tudo: menino que sonha em ser DJ, garoto curioso para saber o que há dentro de um pote mágico, menina de cabelo de nuvem e garota que vive no mundo da lua. A peça retrata todas as pessoas que foram criança um dia e moraram na periferia.

Esta é mais uma investida do Rosas Periféricas na construção de uma narrativa ficcional documental, pesquisa e prática teatral desenvolvida pelo grupo, desde 2014. Além de memórias do grupo e objetos pessoais em cena, os atores foram ao encontro das crianças que moram na região em busca de material para as narrativas, promovendo encontros regados a músicas, cantigas e brincadeiras, além de improvisações cênicas. E Ladeira das Crianças usa o funk como linguagem para ressaltar uma identidade nascida para a simples diversão. Os atores explicam que, percebendo a força dessa manifestação no cotidiano do público infantojuvenil da periferia, a aposta foi aproximar o teatro (arte que não é muito popular na periferia) da popularidade do funk. Os elementos dessa cultura (dança, música e rimas) foram os artifícios usados para costurar as histórias e criar uma identidade com o público alvo da montagem. Para tanto, os atores fizeram diversas atividades preparatórias como aulas de passinho, workshop sobre a história do funk e oficinas de rima e beat.

O enredo

Do livro O Pote Mágico a montagem Ladeira das Crianças – TeatroFunk traz um menino da periferia de São Paulo que imagina a possibilidade de encontrar um pote mágico que transformaria sua vida. De Amanhecer Esmeralda vem a história de Manhã, uma menina pobre e sonhadora que, ao ganhar um presente especial, passa a ter uma diferente percepção do mundo e de si mesma.

O enredo se passa em uma ladeira, que o grupo chama de “ladeira da alegria”, onde a garotada se encontra, brinca e se diverte; onde tudo acontece; onde sonhos e desejos são revelados. Além dos livros adaptados dramaturgicamente, a peça é recheada de memórias pessoais dos integrantes do grupo, recolhidas no processo criativo, que se entrelaçam com narrativas das crianças que vivem nas bordas da cidade.

A identidade do grupo está, inclusive, nos nomes das personagens. Rogério MC (Rogério Nascimento) adora dançar e soltar pipas; trabalha lavando carros, gasta o dinheiro nos bailes e sonha com o pote mágico. Paulo DJ (Paulo Reis, que confessa ter sido uma criança medrosa) só quer saber de brincar; é o melhor amigo de Rogério e embarca em todos os sonhos do colega. Michele Manhã (Michele Araújo) é garota negra que sofre preconceito na escola, tem pai alcóolatra e passa necessidades, mas encontra no afeto de um professor o agente transformador que a faz se reconhecer como menina negra, transformando sua realidade. Esta passagem da peça reforça a ‘representatividade negra’ do grupo. Gabriela – A Menina da Maleta (Gabriela Cerqueira) carrega uma maleta com livros e sonha em ser escritora, enquanto recolhe material reciclável junto com a família. A maleta é objeto real de sua infância. Monica Astronauta (Monica Soares) vive no mundo da lua e sonha em ser astronauta, mas seu sonho é barrado porque, ‘como mulher’, seria no máximo uma comissária de bordo; seu companheiro é o ursinho Tobias (brinquedo que a atriz ganhou na infância).

O FUNK – A cultura funk é reconhecida por lei, no Rio de Janeiro, sendo a manifestação considerada patrimônio cultural, desde 2009. O ritmo já foi criminalizado e os bailes chegaram a ser proibidos em alguns locais. Os adeptos, porém, defendem que o funk retrata a realidade da periferia, com suas qualidades e seus defeitos, e ressaltam o preconceito da elite com essa manifestação que foi idealizada e é vivenciada, principalmente, por negros e por pobres.

FICHA TÉCNICA – Texto: Grupo Rosas Periféricas – livremente inspirado nos livros Amanhecer Esmeralda e O Pote Mágico de Ferréz. Dramaturgia: Marcelo Romagnoli. Direção: O Grupo. Elenco: Gabriela Cerqueira, Michele Araújo, Paulo Reis, Monica Soares e Rogério Nascimento. Coreografia: Michel Quebradeira Pura Oficina de construção de rimas: Preta Rara. Oficina de história do funk: Renatta Prado. Oficina de passinho: Michel Quebradeira Pura. Músicas: MC Kelvin Alves e Michele Araújo. Produção musical: Fez Santos e Leony Fabulloso Preparação musical: Rogério Nascimento. Figurinos: Isa Santos. Cenário: Patrícia Faria. Produção cenográfica: Paula Rosa e Camila Olivetti. Design gráfico e ilustração: Laís Oliveira. Fotografia: Daniela Cordeiro. Vídeo: Coral Alvarenga. Produção artística: O Grupo. Produção executiva: Michele Araújo e Paulo Reis. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Produção geral: Michele Araújo Realização: Grupo Rosas Periféricas.

Espetáculo: Ladeira das Crianças – TeatroFunk

Dias 17 e 18 de maio. Sexta e sábado, às 15h

Local: Parque Santo Dias

Rua Arroio das Caneleiras, 650 – Conj. Hab. Instituto Adventista – Capão Redondo/SP.

50 minutos. Livre. Teatro de rua infantojuvenil

Entrada grátis.

Informações: (11) 97983 4902 e (11) 995159-5918

https://rosasperifericas.wixsite.com/rosasperifericas

Facebook: @rosas.perifericas | Instagram: @rosasperifericas

Grupo Rosas Periféricas

O Grupo Rosas Periféricas – da Cooperativa Paulista de Teatro – comemora 10 anos, em maio de 2019. Ladeira das Crianças – TeatroFunk é o espetáculo atual, que celebra a data. O grupo desenvolve suas pesquisas em São Paulo com artistas e educadores que investigam linguagens cênicas, ancoradas em processos de criação em equipe. Os temas vêm do que ronda as periferias onde vivem, como desigualdade social, machismo, feira livre, tênis pendurado no fio elétrico e cultura popular. Sua sede é no Parque São Rafael, onde realiza encontros e ensaios, que muitas vezes ocorrem na rua. Em uma brava trajetória, o primeiro ciclo de produções começou com Vênus de Aluguel, em 2009, com temporada no Teatro X, seguido por A Mais Forte (2010) e pelo ato performtivo Fêmea  (2012). O segundo ciclo iniciou-se, em 2014, com o cortejo Narrativas Submersas – primeira parte da Trilogia Parque São Rafael (fomentada pelo Programa VAI da Prefeitura de São Paulo). Em 2015, realizou o segundo ato do projeto – Lembranças do Quase Agora – e, em 2016, fechou a trilogia com Labirinto Selvático, além de levar Narrativas Submersas a Mogi das Cruzes e Rubineia (por meio do PROAC Primeiras Obras). Em 2017, apresentou-se em unidades do Sesc e na I Mostra da Casa, na Casa de Cultura de São Rafael com o apoio do ProAC, organizada pelo próprio Grupo. No mesmo ano, voltou com Labirinto Selvático em sua sede, além de participar da Ocupação Decolonialidade: Poéticas da Resistência, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. O grupo se aventura pelo território do teatro infantil, desde 2013, quando entrou no ar a Rádio Popular da Criança. Em 2015, a Rádio seguiu – pelo do ProAc ICMS – por 10 estações de trem da malha ferroviária paulista. Em 2018, o espetáculo também passeou pelas Fábricas de Cultura do Estado de SP.

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