“Moléstia” reestreia no Glaucio Gill

O casal Breno e Mabel hospeda em sua casa Cadu, amigo de longa data, dando
oportunidade para aprofundarem suas relações dúbias de amizade e atração física. Mas a confiança
entre eles é quebrada quando o casal descobre que seu filho Thiago foi abusado sexualmente.
Todos os indícios apontam para Cadu, disparando um agressivo jogo de manipulação que revela as
sombras, melindres e julgamentos das personagens e da criação do filho. Essa é a trama do
espetáculo Moléstia , que estará em cartaz entre abril e maio com quatro sessões semanais, de
sexta a segunda, no teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, Copacabana), após duas
temporadas na cidade no ano passado.
A peça traz no elenco o ator Ciro Sales (apresentador do Catfish Brasil , na MTV, e o Du Love
da novela Segundo Sol , na TV Globo) na pele de Cadu, em uma composição que reforça o carisma e
a dubiedade do personagem. Camila Moreira (de O tempo e os Conways , dirigida por Vera Fajardo)
e Felipe Dutra (de Hanokh , dirigido por Isaac Bernat) dão vida ao casal Mabel e Breno, marcados
por uma relação desgastada e pela demanda de um filho autista. “Pais ausentes, Breno e Mabel,
vivem um relacionamento destrutivo. Cadu é um contraponto à essa relação, pois desperta neles
uma sexualidade adormecida, ao passo que desenvolve com Thiago uma parceria de afeto e
confiança” , diz Ciro Sales. O quarteto se completa com Déborah Figueiredo (de Salém , dirigida por
Rodrigo Portella), que faz a Madre Superiora do colégio onde estuda Thiago, onde o abuso foi
identificado.
As relações entre os quatro vão se revelando e se desdobrando a cada cena, que subvertem
o eixo temporal: a trama se desenrola em dois tempos, alternando instantes de passado e de
presente em uma encenação que coloca a ação muito próxima à plateia, envolvendo o público
numa eletrizante experiência de tensão pelo que acaba de ver e curiosidade pelo que está por vir.
No espaço cênico, estruturado em semi arena, os atores modificam o cenário, manipulando a cena
a fim de gerar novas perspectivas ao espectador. Dessa maneira, o público é convocado a
testemunhar não apenas a história contada, mas também a beleza e os ruídos da engrenagem
teatral que se desvela no palco.
Moléstia foi o primeiro texto do jovem e promissor dramaturgo Herton Gustavo Gratto a ter
uma montagem em cartaz na cidade. Em seguida, outros três textos seus foram encenados,
revelando a potência da obra e a proficuidade criativa de Gratto. Para Marcéu Pierrotti, “o ponto
chave do texto de Herton Gustavo é a abertura que ele oferece para um jogo de acusações sem
provas, a partir de um tema que exige atenção. Todos ali podem ser culpados e suas
responsabilidades são desmascaradas ao longo do espetáculo” , revela o jovem diretor. Que, aliás,
também estreou com este trabalho a sua primeira direção.
A encenação de Marcéu é enriquecida pelo aprofundamento da pesquisa de imbricação das
linguagens cênica e cinematográfica que iniciou durante sua graduação em direção teatral pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ, e que traz pro espetáculo um instigante jogo de
captação de imagens e projeção audiovisual em tempo real, através de equipamentos operados
pelos próprios atores em cena. Todo esse aparato desvela para o público novas camadas e pontos
de vista da história – que poderiam ser do personagem ausente, o filho Thiago – e que reforçam a
dramaturgia. “A câmera se oferece para ampliar as evidências, trazendo uma múltipla perspectiva
para a plateia. O público é incitado a criar seu próprio julgamento, escolhendo qual narrativa quer
seguir – tela ou palco – e fazendo a sua própria edição da história” , avalia o diretor.
Por este perfil, a peça estreou a convite da própria UFRJ, em junho de 2018, na ocasião da
“Mostra Mais”, com sessões lotadas e a demanda uníssona por uma temporada na cidade, que
aconteceu no Reduto, charmoso casarão em Botafogo inaugurado por Fernando Libonati e Marco
Nanini, com sessões extras todos os dias. O êxito dessa primeira levou a uma nova temporada, em
outubro, no Teatro Glaucio Gill, importante palco da cidade, a convite da Secretaria de Estado de
Cultura/FUNARJ. Novamente, a boa aceitação do público e o interesse de pessoas dos mais diversos
extratos sociais levou a equipe realizadora a propor mais uma temporada ao mesmo Teatro Glaucio
Gill – que acontece agora, oferecendo ao projeto mais visibilidade e maior acesso ao público.
Nesta terceira temporada, se manterá a ação complementar já realizada em outras
oportunidades: encontros semanais com convidados após a sessão para a discussão, com
participação da plateia, dos temas abordados pelo espetáculo. Essa atividade é coordenada por
Sandra Levy, coordenadora do Núcleo de Depoimento Especial de crianças e adolescentes
(NUDECA) e psicóloga no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Pós-graduada em Psicologia Clínica
pela UERJ e especialista em escuta de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência
e abuso sexual, Sandra mediará os debates com a participação de convidados que ela trará a cada
semana, para enriquecer a experiência de fruição e potencializar a capacidade de reflexão que este
trabalho oferece. Afinal, o teatro pode expandir os seus efeitos e promover necessárias
transformações sociais, a partir de sua capacidade de sensibilizar e provocar debates.
Serviço
Temporada: de sexta a segunda, de 12 de abril a 6 de maio
Local: Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, Copacabana)
Horário: sextas, sábados e segundas às 21h e domingos às 20h, com bate papo após a sessão
Duração: 50 minutos
Valor do ingresso: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia entrada)
* os ingressos são vendidos pelo ingresso rápido (www.ingressorapido.com.br)
** preços especiais para grupos organizados, entrando em contato prévio com a produção
Ficha técnica
Dramaturgia: Herton Gustavo Gratto
Direção: Marcéu Pierrotti
Supervisão cênica: Eleonora Fabião
Supervisão plástica e visual: Livia Flores
Assistência de direção: Filipe Leon
Elenco: Ciro Sales, Camila Moreira, Deborah Figueiredo e Felipe Dutra
Ator stand in: Marcéu Pierrotti
Figurino: Ticiana Passos
Iluminação: Francisco Rufino
Produção executiva: Olívia Vivone
Realização: Otimistas artes e projetos e Marcéu Pierrotti
Currículos da equipe
Ciro Sales
Ator, produtor e gestor cultural. Nos últimos três anos atuou e produziu em teatro no Rio de
Janeiro: “O tempo não dá tempo” (2018), direção de Duda Maia; “Match” (2017), direção de Bruno
Guida e “Efeito Werther” (2016), do Supernova Teatro. Ainda, na televisão, esteve no ar como ator
em “Segundo Sol” (Rede Globo) e como apresentador em “Catfish Brasil” (MTV). Em sua formação
artística estão importantes profissionais brasileiros, workshops do Théâtre du Soleil e da Royal
Shakespeare Company, e passagens pela Escuela de cine y televisión de Madrid e Broadway Dance
Center, em Nova York. Iniciou em 2010 as atividades do Supernova Teatro, com quem realiza
“Alugo Minha Língua” (2011), “Drácula” (2012) e “Efeito Werther” (2015), vencedor do Prêmio
Braskem/BA na categoria especial. Destacam-se também: o musical “Amor Barato” (2013), que
protagoniza, dirigido por Fábio Espírito Santo; “Nunca nade sozinho” (2014), de Daniel Macivor,
dirigido por Nadja Turenkko; “Apartamento 1201” (2015), dirigido por Cristina Moura e Ana Paula
Bouzas, “Enterro dos ossos” (2016), de Jô Bilac, e “Galáxias I” (2018), dirigido por Luiz Felipe Reis.
Em paralelo à carreira artística trabalha também como produtor e gestor cultural, tendo atuado
como Diretor de Fomento à Cultura no Governo da Bahia, Coordenador de Desenvolvimento
Institucional no Teatro Vila Velha e como consultor na área.
Camila Moreira
Atriz formada pela Casa das Artes de Laranjeiras (CAL). Cursou Jornalismo pela UFRJ e, atualmente,
Bacharelado em Teoria e Estética do Teatro pela UNIRIO. Dentre os últimos trabalhos no teatro,
destacam-se: a pesquisa cênica “Narrativas da Memória”, da Cia. Acácias 95, com Direção Geral de
Miwa Yanagizawa; o espetáculo O tempo e os Conways, dirigido por Vera Fajardo; Contos e
cantigas, direção de Marcelo Morato, Agnes Moço e Duda Maia; Dezenove não é Vinte, de Marcelo
Morato.
Deborah Figueiredo
Atriz formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) em 1987. Fez parte do
grupo teatral Pagupratar, com montagens de Álbum de Família de Nelson Rodrigues, A Mulher
Maneira De Falar em Desejo, entre outras. Nesta última, apresentada durante o VI Festival de
Novos Talentos do Teatro, patrocinado pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 1996, ganhou prêmio
de melhor atriz. Trabalhou na companhia de Walmor Chagas no Teatro Ziembinski, onde integrou
várias montagens como A Três Quarteirões Daqui e O Santo E A Porca. Durante muitos anos,
integrou o elenco de Trair e Coçar, É Só Começar de Marcos Caruso, participando em diversas
temporadas por todo o Brasil. Em TV, atuou em novelas da Rede Globo e Record como Sexo dos
Anjos, Esperança e Olho da Terra, assim como em campanhas publicitárias variadas. Em 2017
participou da residência artística no SESC Tijuca ministrada pelo diretor Rodrigo Portella. O seu
produto final foi o espetáculo Salém, baseado na peça de Arthur Miller.
Felipe Dutra
Ator formado pela CAL, protagonizou a Webserie Nômade 7 onde foi indicado ao prêmio de melhor
ator ( ação ) no festival internacional Rio Web Fest 2017, com reconhecimento em Roma, Bilbao e
Seoul. Bacharel em artes cênicas, participou de diversas novelas dentre elas: “Avenida Brasil”,
“Salve Jorge”, “Malhação”, “A Força do querer”, “Os Dias Eram Assim”, “Orgulho e Paixão”. No
Cinema, participou dos longas “Carlinhos e Carlão” e “Virando a Mesa” com estreias previstas para
2018.
Marcéu Pierrotti
Idealizador e realizador da pesquisa teatral “Narrativas da memória” – Cia Acácias 95 – fomentado
pela prefeitura do rio em 2015. Idealizador e realizador da peça “Como os peixes chegaram ali”
(direção Miwa Yanagizawa) – realizado em 2016 na Casa da Gávea. Idealizador e proponente do
projeto “O tempo existiu esse tempo todo” – Cia Acácias 95 – contemplado pelo “Viva a cultura!”,
programa de fomento da Prefeitura do Rio em 2016. Formado em artes cênicas pela UNESA e em
direção teatral na UFRJ. Estudou em Nova Iorque no Stella Adler Studio of Acting, formando-se em
Adler Technique. Estudou com: Ariane Mnouchkine (Théâtre du Soleil), Robert Castle, Daniel Herz,
Camila Amado, Delson Antunes, Miwa Yanagizawa, Fátima Toledo, Sérgio Penna, Walter Lima Jr, e
Eduardo Milewicz. Diretor cênico dos shows do grupo Meninas de Lobato (2011/2014) e diretor
artístico da cia musical Andrea Lobato. Também produziu, roteirizou e dirigiu um filme publicitário
para a empresa Aveva Solutions (2014). Em 2017, dirigiu a peça “Hamlet & Laertes”, com
temporada no Castelinho do Flamengo. Ainda, desde 2011 trabalha como coach de atores como
Pedro Paulo Rangel e Gracindo Jr.

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