No próximo sábado, 16 de março, será celebrado o DIA MUNDIAL DO TEATRO DO OPRIMIDO com teatro, exposição, conversas, sarau e lançamento da ação “Boal/Teatro do Oprimido +10”

16 de março é celebrado o Dia Mundial do Teatro do Oprimido. Para celebrar esta importante data, na tarde do próximo sábado, 16 de março, das 14h às 18h, o Centro de Teatro do Oprimido – CTO abre as portas de seu casarão, na Av. Mem de Sá, 31, Lapa, Centro do Rio de Janeiro, para mostrar que o método criado pelo teatrólogo Augusto Boal segue vivo e pulsante. O Dia Mundial do Teatro do Oprimido foi instituído em 2004, por praticantes do método ao redor do mundo como forma de homenagear o criador deste método teatral que mais cresce no planeta, o mestre Augusto Boal, que aniversariava no dia 16 de março.
 
A programação gratuita começa às 14h com exposição dos 10 grupos do Circuito Teatro do Oprimido Petrobras. Em seguida, o Grupo de Teatro do Oprimido MareMoTO, formado por jovens do Complexo da Maré, apresenta o espetáculo de teatro-fórum “Cota pra vazá”, que mostra as dificuldades enfrentadas por jovens favelados, geralmente negros, em permanecer na universidade, instituição que ainda representa o privilégio.
 
Após a apresentação, haverá a roda de conversa “Memória e Resistência”, com o sociólogo Geo Britto, Curinga do CTO e Claudia Rose, coordenadora do Museu da Maré, que na ocasião lançará o livro “Águas Cariocas: a Guanabara como natureza”, organizado pela equipe do Museu da Maré. Em seguida, Helen Sarapeck, ex-Curinga do CTO, Doutoranda e Mestre em Artes Cênicas, e Olivar Bendelak, ex-Curinga do CTO, Engenheiro Químico e funcionário do Instituto Chico Mendes, se juntam a atual equipe do CTO para debater sobre os desdobramentos e desafios enfrentado pelo método após o falecimento de seu criador em 2009.
 
Na ocasião será lançada a ação “Boal/Teatro do Oprimido +10” como fio condutor das atividades que no dia 2 de maio terá seu ápice. Dez anos após seu falecimento, a ideia é celebrar a vida e o que Boal considerava sua obra maior: o Teatro do Oprimido, que o tornou o teatrólogo mais conhecido e estudado no mundo, em todos os continentes. Viva Boal!
 
O evento será encerrado com um Sarau para quem quiser expressar sua verve artística, seja com música, desabafo ou poesia!
 
SOBRE O “CIRCUITO TEATRO DO OPRIMIDO PETROBRAS 2018/2020” E SEUS 10 GRUPOS
 
No projeto Circuito Teatro do Oprimido Petrobras 2018/2020,10 grupos populares coligados ao Centro de Teatro do Oprimido, pautados pela diversidade de abordagens – “As Marias do Brasil”, “Pirei na Cena”, “Panteras”, “Maremoto”, “Cor do Brasil”, “Madalena-Anastácia”, “Escola de Teatro Popular”, “Madalenas Rio”, “Maré” 12, e “Ponto Chic”,  utilizam a Estética e o Teatro do Oprimido ocupando praças, ruas, escolas, teatros e os mais diversos contextos sociais e espaços da cidade com peças teatrais provocando reflexões, revelando as injustiças e fazer ações sociais concretadas e continuadas.
 
Além das apresentações públicas, um projeto pedagógico batizado de Academia Livre de Estéticas Libertadoras vai oferecer qualificação de bases sólidas para a produção artística cujo programa contempla palestras e seminários públicos de temas de interesse da sociedade.
 
1- GRUPO DE TEATRO DO OPRIMIDO COR DO BRASIL
 
Cor do Brasil é um coletivo que reúne artistas-ativistas afro-descendentes interessados em aprofundar e ampliar a discussão pública sobre o racismo através da Arte. Fundado em 2010, o coletivo investe sua diversidade e cabedal criativo e intelectual em diversas produções artísticas. O coletivo produziu três espetáculos teatrais: Cor do Brasil (que deu origem ao grupo); Saco Preto e Suspeito.
 
2- GRUPO DE TEATRO DO OPRIMIDO PIREI NA CENNA
 
Grupo criado em 1997. É composto por usuários e familiares de Saúde Mental, tem como premissa discutir, através do Teatro do Oprimido, temas pertinentes ao universo da loucura e saúde mental.  Com 7 obras no repertório, em 2012 o Grupo recebeu o Prêmio Agente Jovem de Cultura do Ministério da Cultura. Em 2009 outro prêmio: o Prêmio Loucos pela diversidade da Secretaria de Cidadania Cultural do MinC. Em 2017 foi contemplado com o Prêmio Culturas Populares (MinC).
 
3- GRUPO DE TEATRO DO OPRIMIDO MARÉ 12
 
Em 2014 o Grupo de Teatro do Oprimido Maré 12, formado por jovens mulheres iniciou suas atividades, com homens e mulheres no Piscinão de Ramos (Complexo da Maré). Definida a temática a ser aprofundada – o machismo – passa a ser só de mulheres. Assim, mais fortalecidas e à vontade, estão ligadas ao Movimento Madalenas – Teatro das Oprimidas. Construímos a peça de Teatro-Fórum “Em uma família…”.Com a peça iniciamos temporada popular, em mais de 40 apresentações em escolas públicas, universidades, associação de moradores, ONGs como o Museu da Maré e a Redes, além de eventos realizados por coletivos de mulheres, como o Seminário Olhares Feministas, realizado pelo coletivo feminista do Pacs (Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul).  Em 2016 ganhamos o Prêmio Território de Cultura
 
4- GRUPO DE TEATRO DO OPRIMIDO MAREMOTO
 
O MaréMoTO nasce como um dos grupos do Teatro do Oprimido na Maré 2014/2016. Com sede no Complexo da Maré, tem como principal parceiro o Museu da Maré onde realiza ensaios semanais, oficinas e pesquisas estéticas. O grupo é formado por moradores e moradoras da Maré que são atravessados pelas condições históricas racistas, machistas e homofóbicas que mantém essas pessoas na injustiça e desigualdade social, pois mesmo os integrantes estando na faculdade ainda enfrentam as barreiras concretas e invisíveis (objetivas e subjetivas) que  jovens favelados tem de encarar para exercer e usufruir o seu pleno direito à cidade, à cidadania…a vida!.”
 
5- GRUPO MARIAS DO BRASIL
 
O grupo Marias do Brasil, criado em 1998, é formado por mulheres trabalhadoras domesticas de maioria com nome de Marias. O Coletivo possui três espetáculos, “Quando o verde dos seus olhos se espalhar na plantação”, “Eu Também Sou Mulher” e o mais recente “Nós não somos invisíveis”. Todas as peças abordam as injustiças sofridas pela categoria das trabalhadoras domésticas que não possui todos os direitos trabalhistas assegurados pela lei e/ou não cumprido por seus empregadores. Em 2015 conquista o prêmio Ações Locais da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, em 2017 ganha um novo prêmio: Culturas Populares, do Ministério da Cultura.
 
6- COLETIVO DE TEATRO DAS OPRIMIDAS MADALENA-ANASTÁCIA
 
Madalena–Anastácia, formado por mulheres negras em 2015, propõe revelar as articulações entre opressão de gênero e raça e como isso afeta as mulheres negras, quebrando a falsa ideia de homogeneização entre as mulheres, potencializando a cooperação e transformação. O coletivo possui as peças de Teatro-Fórum “Consciência do Cabelo aos Pés”, que retrata as opressões vividas por mulheres negras; e “Nêga ou Negra?”, produção de Dança desenvolvida a partir de investigação estética sobre a relação entre hits musicais e perpetuação de racismo e machismo sofrido por mulheres negras.
 
7- COLETIVO MADALENAS RIO
 
Madalenas Rio é um coletivo de mulheres que investiga as relações sociais de gênero. Integrante do Movimento Internacional Madalenas – Teatro Das Oprimidas, tem como princípio atuar pela ampliação do debate sobre estratégias de superação feminista nos cotidianos pessoais e sociais, ao levar nosso debate e vivência para o encontro de outras mulheres. O que significa ser mulher? Como este fato influencia nossas vidas? Quais opressões vivemos no dia a dia e como as combatemos de pé? Quantos silêncios precisamos quebrar para desenvolvermos nosso potencial e sermos sujeitas das nossas próprias histórias? Criado em 2013, o Coletivo Madalenas Rio propõe a investigação específica acerca das diversas formas de violência sobre as quais os corpos das mulheres estão submetidos, tanto nos espaços públicos quanto privados. Afinal, somos mesmo donas de nossos corpos.
 
8- GRUPO CHOCOLATES DE PONTO CHIC
 
Formados em 2017, o grupo é composto por jovens do bairro de Ponto Chic, Nova Iguaçu. Através do Teatro do Oprimido este coletivo tem discutido as opressões sofridas por serem jovens moradores de um bairro periférico e descoberto outras opressões presentes em suas vidas como o racismo e o machismo ao se perceberem um grupo na maioria composto por mulheres negras…e negros.
 
9- GRUPO PANTERA
 
O GRUPO PANTERA é composto por jovens LGBT moradores do Complexo da Maré, Rio de Janeiro. O grupo nasce do Laboratório LGBT de Teatro do Oprimido, contemplado pelo prêmio Plano de Autonomia Territorial. Realizado em 2017, o espaço surgiu através da parceria entre o Grupo Conexão G de Cidadania LGBT de Favelas e o CTO. O grupo debate o entroncamento de opressões como LGBTfobia, machismo e racismo, conectando o seu fazer teatral as transformações de realidades injustas. Discutindo especificamente as opressões ligadas a comunidade LGBT que vive em favelas dominadas pelo tráfico, o grupo busca criar espaços alternativos de protagonismo juvenil e LGBT dentro desse contexto, utilizando o Teatro do Oprimido como ferramenta artística-política.
 
10- GRUPO ETP – ESCOLA DE TEATRO POPULAR
 
A ETP, fundada em 2017, é um espaço de formação política e estética de movimentos sociais organizados e não organizados através da pratica e teorias de metodologias teatrais criticas como Teatro do Oprimido, Teatro Épico e outras. Os militantes aprendem técnicas teatrais que são multiplicadas em seus espaços próprios de militância (ocupações, acampamentos/assentamentos, núcleos de base…) sob a forma de espetáculos ou de oficinas replicadas para outros militantes. Para além dos processos teatrais, palestras sobre os temas das peças criadas pelos participantes que serão feitas como parte do processo de pesquisa. A interligação entre as aulas teóricas/práticas no Centro de Teatro do Oprimido-RJ e sua aplicação na realidade local dos alunos é o coração da ETP.
 
SOBRE O CENTRO DE TEATRO DO OPRIMIDO – CTO
 
Centro de pesquisa e difusão, que desenvolve a metodologia do Teatro do Oprimido em Laboratórios, Seminários de Dramaturgia, ambos de caráter permanente, para revisão, experimentação, análise e sistematização de exercícios, jogos e técnicas teatrais. O CTO foi dirigido por Augusto Boal ao longo de seus últimos 23 anos de vida, e hoje sua equipe dá prosseguimento ao trabalho. A filosofia e as ações da instituição visam à democratização dos meios de produção cultural, como forma de expansão intelectual de seus participantes, além da propagação do Teatro do Oprimido como meio da ativação e do democrático fortalecimento da cidadania. O CTO implementa projetos que estimulam a participação ativa e protagônica das camadas oprimidas da sociedade, e visam à transformação da realidade a partir do diálogo e de meios estéticos. Atualmente desenvolve os projetos Circuito Teatro do Oprimido, patrocinado pela Petrobras, e Ponto de Cultura, com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio e do programa Cultura Viva.
Serviço
 
Dia Mundial do Teatro do Oprimido
Data: 16 de março de 2019, sábado.
Horário: das 14h até às 18h.
Local: Centro do Teatro do Oprimido. Av. Mem de Sá, 31, Lapa, Rio de Janeiro.
Informações: (21) 2232-5826
INGRESSOS GRÁTIS
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