Bruno Neves na cena jazz

Bruno Neves, brasileiro atualmente radicado nos Estados Unidos, é uma das provas de que a música é uma linguagem universal. Começando a estudar para se dedicar ao universo da eletrônica, ele se apaixonou pelo jazz e hoje lidera a Mr. Giant, uma big band que se destaca na vibrante cena musical de Los Angeles e que, após um EP (“Face to Face”), se prepara para lançar um disco completo.

 

Bruno nasceu em São Paulo, em um lar musical. Seu pai era baterista e durante a infância cresceu acompanhando de perto a rotina de um instrumentista. Sua formação foi através dos discos de rock clássico que ele ouvia e aos poucos, foi começando a desenvolver seu próprio talento musical.

 

Ele dividia seus estudos no teclado com seu projeto de música eletrônica solo. Com influências do techno e do house, ele tocou em clubes com o D Edge e no Festival Apenkoii.  Em Los Angeles, se apresentou na conceituada Exchange, ao lado de Dubfire, um de seus ídolos na música.

 

Ao chegar em Los Angeles, para estudar música em nível superior, ele foi bombardeado por diversos estilos musicais novos. Bruno foi se apaixonando não só pelo jazz, mas pelas possibilidades criativas que ele traria.

 

“Morar numa cidade como Los Angeles, onde você tem a oportunidade de, no mesmo final de semana, ir no Walt Disney Hall e ouvir Herbie Hancock acompanhado pela Orquestra Filarmônica de Los Angeles, e ir em clubes de jazz ver nomes como Chick Corea e Steve Gadd, abriu um novo leque de possibilidades na minha cabeça e um outro patamar de influências e inspiração. A cidade respira cultura, o talento local é de altíssimo nível. Ser criativo aqui é uma resposta natural à diversidade que se encontra ao seu redor”, conta ele.

 

Depois de dois anos de estudos na cidade, Neves começou a organizar jam sessions com músicos da escola que fazia parte. No começo era somente um encontro com os colegas de classe, mas à medida que o tempo foi passando e os músicos criando uma química, eles já se comprometiam com aqueles momentos de diversão. Durante essas sessões de improvisos, Bruno observava nesses músicos o estilo e sonoridade que tinha em mente para as composições que vinha escrevendo. Foi assim que surgiu a Mr. Giant.

 

“A gente estava curtindo fazer música um com os outros e explorar estilos musicais com uma liberdade que muitas vezes nossas vidas profissionais, acompanhando outros artistas, não possibilitava. Os ensaios eram aquele momento da semana que poderíamos nos encontrar e sermos livremente criativos, trazendo toda a experiência que tivemos trabalhando com outros artistas e outros estilos musicais para criar algo experimental e novo”, explica Bruno.

 

Reunindo outros 8 músicos de diferentes nacionalidades e idades, a Mr. Giant se consolidou no fim de 2016 e começou a trabalhar na gravação do seu EP. O trabalho foi construído trazendo esse caldeirão étnico da banda para a pluralidade metropolitana californiana. As gravações aconteceram ao vivo no icônico estúdio East West, em Hollywood, onde também foi gravado o “Thriller” de Michael Jackson, entre outros clássicos.

 

“E banda é justamente essa combinação das culturas dos membros e como elas se colidem com umas as outras e com a cultura local de Los Angeles. Se uma das peças fosse retirada ou substituída por outra (pessoa ou lugar), o resultado já não seria o mesmo. A pluralidade traz a capacidade de criarmos algo que represente a singularidade da cultura de cada um dos membros, fazendo com que a música que criamos seja relevante como um marco cultural para os países de onde viemos, para onde vivemos e para a época que existimos”, reflete Bruno.

 

Atualmente compondo canções para seu disco de estreia, que será produzido pelo vencedor do Grammy Dave Isaac (Prince, Bruno Mars, Eric Clapton), a Mr. Giant  se destaca nos clubes de Los Angeles, Hollywood e Santa Monica, incluindo residências no Pier de Santa Monica e no Lucky Strike em Hollywood. E Bruno faz isso sem esquecer suas raízes brasileiras, que ficam expostas em sua música.

 

“Eu sempre tive vontade de trazer uma batida que tivesse um ritmo e um ‘gingado’ dançante, que deixasse as pessoas felizes. Não precisava me esforçar muito para incluir esses elementos nas nossas composições, pois a música que cresci ouvindo nas ruas e festas, como o samba, bossa e MPB, era sempre regada a elementos rítmicos, dança… Eu sempre digo aos membros da banda, quando estamos trabalhando em novas músicas, que não adianta termos acordes, melodias e harmonias lindas se não tivermos um ritmo interessante para usá-los. E isso eu tenho certeza que veio junto comigo do Brasil quando eu me mudei para cá”, conclui ele, que também produz e acompanha múltiplos artistas da cidade, incluindo Alma Lake e o multipremiado projeto gospel Hillsong.

 

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