“O Segundo Armário” até janeiro

O drama “O Segundo Armário” se apresenta em curta temporada no Memorial Municipal Getúlio Vargas, na Glória, com sessões nos dias 11 e 18 de dezembro de 2018, e nos dias 09, 16, 23 e 30 de janeiro de 2019, sempre às 19h. Com dramaturgia de Antonio de Medeiros a partir do livro “O Segundo Armário – Diário de Um Jovem Soropositivo”, a montagem narra a história de Gabriel de Souza Abreu (pseudônimo  de Salvador Corrêa, autor da obra).

Tudo começa quando, em 2011, Gabriel (vivido pelo ator Hugo Caramello) recebe a notícia que mudaria a sua vida: o exame positivo para HIV-1. A partir daí, o protagonista divide com o público os momentos de desespero, aflição e tristeza, onde não consegue enxergar nada além da sua própria fragilidade e medo. A Cia Banquete Cultural – que há cinco anos traz aos palcos temas universais relevantes – aposta em uma encenação vigorosa, na qual os pensamentos e reflexões contidos no livro são expostos de maneira crua e poética a partir da direção de Jean Mendonça.

“Tive uma preocupação muito grande de mostrar a vivência do HIV neste espetáculo por um viés poucas vezes experimentado na arte: o da esperança e da possibilidade de continuação de uma vida saudável por meio do tratamento. Ao propor que o tema seja tratado de forma crua e poética, quero dizer que é através da poesia que falo da dor, para com isso ser possível a aproximação do espectador. Mas isso não impede que o fio de tensão seja esticado até seu limite máximo, para que quando for solto, a sensação de alívio seja sentida por todos e levada por onde passarem e para além do espaço cênico”, destaca Jean.

Dentre os temas levantados na peça, um deles é o medo de contar sobre o diagnóstico para os familiares e amigos. Os soropositivos ainda enfrentam o preconceito da sociedade, sobretudo quando o infectado é homossexual. Salvador Corrêa viveu com esse segredo por três anos, período em que ele classifica como o seu segundo armário, levando em consideração que o primeiro foi a sua orientação sexual. Nesta jornada, a sua válvula de escape foi a criação do blog que mais tarde se tornaria o seu livro. Com o pseudônimo de Gabriel de Souza Abreu, ele usou a plataforma para dividir com desconhecidos as experiências de um jovem de 27 anos soropositivo: da angústia ao sentimento de esperança, mostrando que a vida continua mesmo após a descoberta de uma doença crônica. A troca com os leitores foi tão importante que, em 2014, ele assumiu publicamente a soropositividade e se tornou, desde então, um ativista da resposta à AIDS.

“Eu tinha muito receio de contar para os meus pais, porque eu tinha medo que eles sofressem. Eu já estava em uma profunda tristeza e não queria que eles sentissem o mesmo, por conta de um vírus que ainda é associado à morte. Eu contei primeiro para minha irmã, e só depois de uns três anos que eu tive coragem de contar para os meus pais, amigos e de me assumir publicamente. E o blog foi extremamente importante nesse processo”, destaca Salvador Corrêa.

A Cia Banquete Cultural foi criada em 2013 por jovens brasileiros, integrantes de uma nova tgeração de artistas criadores. Seus fundadores iniciaram sua atuação em artes cênicas como atores, tendo posteriormente desenvolvido as funções de produção e direção. Em 2014, a Cia estabeleceu sua sede na Lapa, Centro do Rio de Janeiro, espaço onde realizou a produção e a apresentação de seus espetáculos, além de pesquisas, palestras, seminários, mostras e oficinas voltadas para atores profissionais e em formação. Em 2018, a Cia Banquete Cultural celebra seus cinco anos de existência com mais um trabalho caracterizado pela transposição para a arte de temas sensíveis à sociedade contemporânea.

 Sinopse – A história de um jovem que se descobre soropositivo. Da angústia ao sentimento de esperança, mostrando que a vida continua mesmo após a descoberta de uma doença crônica.

SERVIÇO

 O Segundo Armário

Temporada: Dezembro de 2018 – Dias: 11 e 18 (Terça-feira)

Janeiro de 2019 – Dias: 09, 16, 23 e 30 (Quarta-feira)

Horário: Sempre às 19h

Classificação: 18 anos

Local: Sala Zaíra de Oliveira – Memorial Municipal Getúlio Vargas

Praça Luís de Camões, s/n, subsolo, Glória – Rio de Janeiro – RJ – ☏ (21)2205-8191

Ao lado do Metrô da Glória e pontos de ônibus e táxi

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia e lista amiga)

*Pagamento somente em dinheiro –( a Bilheteria abre 1 hora antes do espetáculo)

Reservas e mais informações pela página: https://www.facebook.com/banqueteculturalrj/

ou por e-mail: banqueteculturalproducoes@gmail.com

FICHA TÉCNICA

Atuação: Hugo Caramello

Direção: Jean Mendonça

Dramaturgia: Antonio de Medeiros

Autoria do Livro Original: Salvador Corrêa

Supervisão Vocal e Corporal: Silvana Stein

Trilha Sonora Original: Leandro Grandi

Gravação Musical: Leandro Grandi e Guto Grandi

Criação, Montagem e Operação de Luz: Felipe Lourenço

Montagem e Edição de Imagens: Jô Bittencourt

Operação de Som e Vídeos: Felipe Carvalho Fonseca

Cenografia e Indumentária: Criação Coletiva

Filmagem e Fotografia: Marcia Otto

Designer: Andrei Aguiar Patrick Orlando

Estruturação Projeto e Identidade Visual: Cristiana Giustino

Produção executiva: Joelma Di Paula e Marcia Otto

Produção e Realização: Cia Banquete Cultural

 

Salvador Corrêa – autor do livro original

Escritor, psicólogo, especialista em saúde coletiva, mestre em saúde pública pela ENSP/FIOCRUZ, ativista do movimento AIDS, coach, amante das artes e das potencialidades humanas, coordenador da área de Treinamento e Capacitação da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids). Coordenou projetos de direitos sexuais e direitos reprodutivos na ONG BEMFAM e foi coordenador de saúde mental em São Francisco de Itabapoana-RJ, quando implantou o Centro de Atenção Psicossocial e leitos de atenção integral no município. No meio acadêmico, foi professor dos cursos de graduação em Serviço Social, Nutrição e Enfermagem da Faculdade Redentor, e lecionou em cursos de pós-graduação na Faculdade de Medicina de Campos e UNIVERSO. Atualmente desenvolve pesquisas no campo de HIV e AIDS e participa do Comitê Comunitário Assessor do INI/FIOCRUZ que acompanha pesquisas globais em prevenção e tratamento do HIV. Recentemente foi consultor do documentário “Tente entender o que tento dizer” com direção de Emília Silveira, Daniel Souza e dramaturgia de Miguel Paiva com previsão de estreia em 2019. Participou de documentários como 35/20: Do pânico a esperança (Direção de Dario Menezes – Globo News), Agora que eu sei! (Direção de Fabiano Cafure – TV Futura). Nos últimos anos tornou-se referência em HIV e AIDS colaborando com diversos projetos e contribuindo para abordagem do tema na mídia, concedendo diversas entrevistas na imprensa sobre o tema. Escreveu o livro “O Segundo Armário, diário de um jovem soropositivo” e vive abertamente com HIV.

Jean Mendonça – diretor

Diretor teatral, ator, dramaturgo e produtor, fundador da Cia Banquete Cultural, possui ampla experiência nas artes cênicas. Formado pela Casa das Artes de Laranjeiras-CAL e pós-graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG, começou sua carreira no norte de Minas, há mais de 20 anos, atuando sob direção de Daniel Rodrigues em diversas peças. Foi indicado por dois anos seguidos, 2001 e 2002, ao prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Teatro de Belo Horizonte pela sua atuação nos espetáculos “Lisístratta – A Greve do Sexo” e “Os Irmãos das Almas”. Retomou a carreira no Rio de Janeiro através da Casa das Artes de Laranjeiras, apresentando uma série de cenas e peças clássicas e contemporâneas. A partir de 2009, iniciou seus estudos e pesquisas sobre o método de trabalho de Jerzy Grotowski no Teatro Laboratório, cerne da sua direção em “Amor e Restos Humanos”, primeira peça realizada pela Cia Banquete Cultural. Com a Cia, dirigiu também a peça “Áurea, a lei da Velha Senhora” (2015) e “Pobre Super-Homem – Avesso do Herói” (2016 e 2017). Escreveu a peça “Mefisto – A natureza dos anjos ou a anti-questão humana”, o roteiro da série “Diadorim – Às veredas mortas de seus verdes olhos” e o conto “Negrinho – Anjinho de asa negra”. Em 2018, iniciou o trabalho de pesquisa para direção do espetáculo “O Segundo Armário”, com estreia prevista em 11 de dezembro do mesmo ano no Rio de Janeiro. Para 2019, está prevista a estreia de “Não sei qual cidade passa aos olhos dele”, longa-metragem dirigido por Thaís Inácio e João Bernardo Mendonça, o qual assina o roteiro e direção de elenco.

 Antonio de Medeiros – dramaturgo

Dramaturgo, mestrando em "Literatura, Cultura e Contemporaneidade" pela PUC-Rio. Formou-se em Turismo pela UNIRIO e tem Especialização em Literatura Brasileira pela UERJ. Teve seu livro de contos "Sangue Pisado" entre os pré-selecionados do 13ºConcurso Sesc de Literatura. Participou da antologia de contos “Contágios”, organizada pelo jornalista e crítico José Castello. Foi finalista do I Concurso de Relatos Breves do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca. Tem um conto publicado na revista digital luso-brasileira Subversa e na revista de literatura luso-brasileira Gueto. Participou da terceira turma do Núcleo de Dramaturgia SESI Cultural/ Rio de Janeiro. É coautor da peça "não adianta morrer", que foi encenada na Faculdade de Teatro da CAL com direção de Diogo Liberano. É de sua autoria a trilogia do Desejo composta pelos romances “Desejos Secretos”, ”Sozinho esta noite” e “O Rabiscador de Corpos”.

 

Hugo Caramello – ator

Ator, formado no curso técnico profissionalizante da CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) e bacharelando da Faculdade de Artes Cênicas da CAL. Estudou também com Cininha de Paula e com a Cia de Teatro Anjos da Cena. Para final de 2018, prepara-se para a estreia do seu primeiro solo no teatro com o espetáculo “O Segundo Armário” sob direção de Jean Mendonça e produção da Cia Banquete Cultural, o qual faz parte desde 2015. Em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, atuou nas peças “Certos Rapazes” sob direção de Maurício Canguçu (2018), trabalho que lhe rendeu a indicação ao Prêmio SINPARC de Artes Cênicas de Melhor Ator Coadjuvante. Também atuou nos espetáculos teatrais “Amor e Restos Humanos” sob direção de Jean Mendonça (2015 e 2016), “O despertar da primavera” sob direção de Nello Marrese (2013), “Purificado” sob direção de Felipe Vidal (2013), “O Abajur Lilás” sob direção de Luiz Furlanetto (2012), “O Casamento do Pequeno Burguês” sob direção de Henrique Tavares (2012) e “Os Sete Gatinhos” sob direção de David Herman (2012). Em web-séries, atuou em “Positivos” e “Secreto”. No cinema, atuou em 5 curtas- metragens, todos exibidos no festival CinemadaMare (Itália): “Meu grande sonho” sob direção Dawis Caldas, “Apnea” sob direção Carmen Carmeli, “As caixas” sob direção de Viviane Alencar, “Meditation” sob direção de Matteo Bianchi e “Come ti chiami” sob direção de Juli Kushnarenko.