Uma Frase para Minha Mãe

“O que se vê é todo o esforço e todo o gozo de uma performer que faz de seu corpo um instrumento musical enquanto brinca com os sons da língua e passeia livremente entre os blocos de madeira dispostos pelo cenário, que evocam os blocos de palavras dispostos de formas sempre imprevistas na página de um poema concreto”  (Trecho da crítica de Patrick Pessoa para O Globo)

Com 40 anos de carreira, a atriz e diretora Ana Kfouri conta que, quando conheceu a obra do escritor, poeta e crítico literário francês Christian Prigent, sentiu quase imediatamente uma espécie de chamamento para levar à cena aqueles textos potentes e poéticos. Foi assim que, depois de enveredar pelos universos de Valère Novarina e de Samuel Beckett, a artista elegeu ‘Uma frase para minha mãe’ para dar continuidade à sua pesquisa cênica, que pensa a palavra e o corpo como campos de forças em tensão e em relação. A dramaturgia, que tem toques proustianos ao refletir sobre o despertar para a literatura e o nascimento de um escritor, mobiliza sensações afetivas e corporais ligadas à figura da mãe e à língua materna, envolve afeto, filosofia, pensamento, visão de mundo, política e pesquisa de linguagem. Com direção da própria Ana Kfouri e colaboração artística de Marcio Abreu, o espetáculo, sucesso de público e crítica, faz sua segunda temporada na galeria do Espaço Cultural Municipal Sergio Porto, de 17 de novembro a 9 de dezembro, sempre aos sábados e domingos, às 21h.

“Prigent é um autor que trabalha fora do campo da representação”, explica Ana Kfouri. “Não há uma condução psicológica do que está sendo dito, então o ator/performer precisa se desapegar de um desejo de entender as palavras, no sentido de colocá-las como algo a ser controlado, decifrado e transferido para o outro (público). E continua: “Através de uma fala potente, poética, respirada, lúdica, desconcertante e rítmica, o desafio do ator é pôr em jogo também a própria linguagem”.

O tradutor e adaptador Marcelo Jacques de Moraes fez um recorte do texto integral de Uma frase para minha mãe, um longo “lamento bufo”, como diz o próprio escritor, em que o eu-narrador relata sua descoberta do mundo e da linguagem a partir de sua relação com a mãe. Como define Moraes, “foi na tensão entre o literário e o político, entre a experimentação da linguagem e a experiência do cotidiano, da vida comum, que se inscreveu, desde as primeiras publicações até hoje, a extensa obra de Christian Prigent. Em busca de uma língua, contra a língua, mas com a língua, eis uma fórmula que talvez sintetize com precisão o que seja o trabalho poético de Christian Prigent”.

O poeta costuma fazer leituras públicas de seus textos, cuja vocalização explicita o que ele chama de “voz do escrito”, uma espécie de “escultura sonora”, que se dirige ao ouvinte-espectador. “É um texto muito estilizado, com muitas aliterações e rimas internas. Que tem momentos mais fluidos e mais travados, que acelera e desacelera, que alterna momentos mais claros com outros enigmáticos. Tudo isso foi levado em conta na hora da tradução e da escolha do ritmo adequado”, acrescenta Marcelo Jacques de Moraes.

Foi a partir de um convite do próprio tradutor que Ana Kfouri conheceu Christian Prigent, durante o Colóquio Internacional Poesia e Interfaces, concebido em homenagem ao escritor, e realizado no Colégio Brasileiro de Altos Estudos, UFRJ, em setembro de 2015. Agora, o desejo é realizar um encontro entre os artistas envolvidos e o público como desafio de experimentarem juntos a palavra potente e desconcertante do autor.

Christian Prigent foi o vencedor do Grande Prêmio de Poesia 2018 da Academia Francesa, concedido pelo conjunto de sua obra.

Sinopse

 

A peça encena o despertar para a língua e para a literatura, mobilizando sensações afetivas e corporais ligadas à figura da mãe.

 

FICHA TÉCNICA

Texto: Christian Prigent

Tradução: Marcelo Jacques de Moraes

Direção e Atuação: Ana Kfouri

Colaboração Artística: Marcio Abreu

Cenografia: André Sanches

Iluminação: Paulo César Medeiros

Assessoria de Comunicação: Rachel Almeida

Fotografia: Dalton Valério

Programação visual: Taiane Brito

Direção de Produção: Ana Paula Abreu e Renata Blasi

Assistência de Direção: Tainah Longras

Operação de luz: Julia Requião

Redes sociais: Natalia Balbino

Idealização: Ana Kfouri

Produção:  Diálogo da Arte Produções Culturais

Realização: Cia Teatral do Movimento

 

Serviço:

Uma frase para a minha mãe

Temporada: 17 de novembro a 9 de dezembro

Espaço Cultural Municipal Sergio Porto / Galeria: Rua Humaitá, 163 – Humaitá, Rio de Janeiro

Telefones: 2535-3846

Dias e horários: Sábado e domingo, às 21h.

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

Funcionamento da bilheteria: de 5ª a 2ª, das 17h às 21h. Pagamento somente em dinheiro.

Lotação: 35 pessoas

Duração: 1h

Classificação indicativa: 12 anos