“Vala Comum” – Espetáculo teatral do grupo “Impulso Coletivo” inova ao ser montado numa casa no bairro da Tijuca, onde o público é convidado a embarcar numa experiência provocadora

Diz um velho ditado que cabe à arte o poder de incomodar, sair do lugar comum e modificar de alguma maneira a forma como o receptor encara a realidade. No que depender do espetáculo “Vala Comum”, montagem inaugural do grupo teatral “Impulso Coletivo” que estreia no dia 3 de novembro, o desafio está feito ao espectador. Sob a direção de Ivan Sugahara, com dramaturgia assinada por Carolina Lavigne, sob a orientação de Pedro Kosovski, e idealização de Thiago Teófilo, os atores ousam nessa peça, cujo objetivo é o de promover uma inquietação.

A começar pela ideia da montagem: o cenário é uma casa, numa rua bucólica do bairro carioca da Tijuca. O público acompanha a história, passando por diversos cômodos do ambiente. É uma experiência, sobretudo, provocadora. O preço do ingresso também é um desafio: cabe a quem assistir escolher o valor com que pode contribuir para a montagem. Há um limite na plateia que circula pela casa assistindo a encenação. Cabem, no máximo, 15 pessoas por sessão.

Através do processo de experimentações e ensaios, encontrou-se a principal vertente do espetáculo: a CARNE, no sentido da massificação e industrialização das vidas, que não passam de mercadoria. O público é conduzido para uma espécie de museu da carne, onde, de forma itinerante, atravessa as etapas destrinchadas do processo onde o boi vira um alimento a ser comido e digerido.

O estado de violência e opressão do dia a dia nos transforma nesses bois, que já nascem destinados a morrer, com uma vida regulada e comprimida dentro de padrões, em um processo de poder onde o que está fora dessa cadeia de produção são as vidas, que pouco importam.

“Todos nós, em diferentes medidas, exercemos e sofremos opressão. Nesse sentido, gostaríamos que o público se identificasse tanto com os personagens oprimidos quanto com os opressores, uma vez que ambos compõem a teia social e a própria constituição humana. O livro ´Necropolítica´, de Achille Mbembe, foi determinante na concepção do espetáculo. E o trabalho do Teatro da Vertigem foi uma grande referência estética e de linguagem”, explica o diretor Ivan Sugahara.

O processo de fertilização da vaca ao abate do bezerro; o cotidiano violento das comunidades, marcado por tiroteios intermináveis; propagandas de TV, cujo objetivo é a lavagem cerebral; a vida apertada nos currais e nos transportes coletivos públicos; o ritual de preparação para o churrasco do fim de semana: tudo isso é vivenciado por quem for assistir à montagem de “Vala Comum”. Até mesmo os bairros cariocas são comparados aos cortes da carne bovina.

“A peça tem um frescor e uma vivacidade potentes, que a distingue das que estamos acostumados a ver nos palcos italianos da cidade. O fato de ser itinerante, numa casa abandonada na Tijuca, já a coloca num outro lugar, tanto para quem faz, quanto para quem assiste. Mas o maior diferencial é a relação estreita entre os atores e o material cênico. Todas as cenas foram criadas pelo grupo durante o processo, a partir de um ponto de vista bem particular de cada um. Muito do que tem na encenação surgiu de recortes de nossas vidas e isso nos dá total propriedade sobre o que estamos falando. Além disso, estamos todos desejosos de apresentar nosso primeiro trabalho profissional enquanto grupo. O maior desafio, pra mim, é alcançar a cada apresentação a energia necessária para falar de um tema tão forte como a opressão e voltar pra casa bem comigo mesmo” explica Thiago Teófilo, que, além de atuar, assina a idealização do projeto.

 

Sobre o grupo Impulso Coletivo

 

O Impulso Coletivo é um grupo teatral composto por atores formados em diferentes períodos do Bacharelado em Artes Cênicas da Casa das Artes de Laranjeiras, a CAL. O coletivo se uniu por um desejo latente em comum: continuar a pesquisa teatral recebida na formação e aprofundar a consciência sociopolítica, para criar um movimento que reverbere na cena teatral. Para isso foram convidados para conduzir o primeiro trabalho do grupo o diretor Ivan Sugahara e o dramaturgo Pedro Kosovski, que embarcaram junto com esses jovens atores na empreitada de construir o espetáculo “Vala Comum”.

Ficha Técnica

Direção: Ivan Sugahara

Elenco: Impulso Coletivo – Gaia Garcia, Maria Cândida Portugal, Mariana Pompeu, Mariana Votto, Nilson Gómez, Paloma Ripper, Thiago Teófilo, Vinícius Fragoso e Vinícius Terres

Dramaturgia: Carolina Lavigne

Orientação dramatúrgica: Pedro Kosovski

Cenário: Carolina Sugahara

Iluminação: Alessandro Boschini

Figurino: Joana Lima Silva

Trilha sonora original: Felipe Ariani

Direção de movimento: Caroline Monlleo

Preparação vocal: Ricardo Góes

Programação visual: Luciano Cian

Fotografia: Dalton Valerio e Luke Garcia

Assessoria de Imprensa: MNiemeyer

Diretora assistente: Beatriz Bertu

Assistência de direção: Glauco Déris

Assistência de produção: Glauco Déris e Sarah Marques

Direção de produção: Renata Campos

Idealização: Thiago Teófilo

Realização: Impulso Coletivo

 

“VALA COMUM” – Serviço:

De 03 de novembro a 23 de dezembro

De quinta a segunda

Às 19h30

Casa da Tijuca

Valor: Contribuição consciente

Classificação indicativa:16 anos

Duração: 80 minutos

Lotação: 15 pessoas

(Reservas e informações pelo Whats app 21 98601-0715)