“Nerium Park”, no Teatro Dulcina

Suspense social escrito pelo dramaturgo e diretor catalão Josep Maria Miró, a peça “Nerium Park”, dirigida pelo premiado Rodrigo Portella (de “Tom na Fazenda” e “Insetos”), volta ao cartaz no dia 3 de novembro para uma curta temporada no Teatro Dulcina, no Centro.  A falência do sonho de uma classe emergente, o desemprego e a crise imobiliária são apenas alguns dos temas que rodeiam a vida de um casal isolado num condomínio nos arredores de uma grande cidade. Idealizador do projeto, o ator Rafael Baronesi buscava um texto para montar quando decidiu entrar em contato com Miró, que lhe enviou cinco peças. A conexão com a história de “Nerium Park” foi imediata, e a peça, até então inédita no país, estreou este ano. Baronesi divide a cena com a atriz Pri Helena, da Cia Cortejo. O espetáculo ficará em carta de sexta a domingo, às 19h, até dia 2 de dezembro, com direção de produção de Rogério Garcia. A obra foi traduzida por Daniel Dias da Silva, que dirigiu e traduziu “O Princípio de Arquimedes”, texto de Miró encenado em 2017, no Brasil.

Em cena, Miguel e Malu são um casal de classe média em busca de qualidade de vida e da possibilidade de construir uma família longe da loucura da cidade. A compra de um apartamento no condomínio Nerium Park, um empreendimento residencial, parece ser a tradução desse sonho. Mas o entusiasmo inicial do casal com o conforto e o espaço da nova casa, com piscina e um parque, vão desaparecendo à medida em que os meses se passam e ninguém mais se muda para os prédios. É como se eles vivessem em uma cidade fantasma. A crise econômica e o desemprego afastam os possíveis compradores, e Miguel e Malu se veem isolados dentro de um estilo de vida que parecia perfeito para eles. Porém, quando uma terceira pessoa aparece no condomínio, a trama ganha um outro sentido.

Escrita em 2012 e montada em dez países, “Nerium Park” é um suspense que se desenvolve em 12 cenas, cada uma correspondendo a um mês do ano.  O título faz referência ao Nerium Oleander, nome científico de um arbusto ornamental e tóxico, conhecido, no Brasil, como espirradeira. “Essa peça fala, entre outras coisas, da solidão dos dias atuais. Cada vez vivemos mais sozinhos, numa dimensão individual e virtual. Estamos esquecendo de conviver de fato com as outras pessoas”, destaca Baronesi, idealizador do projeto. “Tem outro tema que a peça aborda, e que me interessa muito, se resume na seguinte pergunta: o que eu sou capaz de fazer no meu dia a dia para tornar a vida um pouco melhor para o outro?”, completa.

“O eixo central da peça gira em torno da falência do velho projeto de vida baseado na ideia do ter, na aparência, no acúmulo de bens, numa vida individualizada, privada, plastificada, higienizada, territorializada e que está mais comprometida com o futuro do que com o presente. A peça também aborda a crise do masculino diante da revolução do feminino, apresentando uma inversão de papeis que contraria o sistema patriarcal que vivemos”, destaca Rodrigo Portella. “As novas gerações não têm mais o sonho da casa própria, não querem mais ter carros, um casal de filhos e um único emprego fixo. Elas querem viajar, conhecer pessoas, criar e empreender. A relação falida desse casal é o espelho de uma camada da sociedade ocidental, que ainda não enxerga as transformações pelas quais o mundo está passando, por isso ainda destrói com o que é real (e natural) para construir pequenos e falsos paraísos”, diz o diretor.

RODRIGO PORTELLA (diretor)

 

Natural de Três Rios, interior do Estado do Rio, o autor e diretor Rodrigo Portella dirigiu 19 peças. No Rio, cursou direção teatral na UNIRIO e publicou “Trilogia do Cárcere”. Em sua cidade natal, fundou a Cia Cortejo. Realizou cerca de 200 apresentações de “Antes da Chuva” por todo o país com o projeto Palco Giratório. Atualmente, se dedica a pesquisar as experiências de Charles Deemer e o Hiperdrama no Teatro, por meio de uma bolsa da FAPERJ, sob orientação de Moacyr Chaves. É diretor geral do “Off Rio – Multifestival de Teatro de Três Rios”, que em 2018 chega à sua sexta edição.

Foi indicado ao Prêmio Shell 2013 (Melhor Direção por “Uma História Oficial” e Melhor Texto por “Antes da Chuva”), Prêmio APTR 2010 (Melhor Iluminação por “Na Solidão dos Campos de Algodão”) e Prêmio Cesgranrio 2016 (Melhor Texto por “Alice Mandou um Beijo”). Em 2017, dirigiu “Tom na Fazenda” – peça vencedora dos prêmios Cesgranrio (vencedor de três categorias, incluindo Melhor Direção), Shell (vencedor de duas categorias: Direção e Ator para Gustavo Vaz), Botequim Cultural (vencedor de sete categorias, incluindo Melhor Direção), APTR (vencedor na categoria Melhor Espetáculo), Cenym (vencedor de oito categorias, incluindo Direção) e Questão de Crítica.

Atualmente, Rodrigo está em turnê com “Insetos”, espetáculo que comemora os 30 anos da Cia. dos Atores, pelas quatro unidades do Centro Cultural Banco do Brasil (Rio, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte). Portella concorre ao Prêmio Shell 2018 de Melhor Direção por “Insetos”.

 

JOSEP MARIA MIRÓ (autor)

 

Nascido em Barcelona, o dramaturgo e diretor catalão Josep Maria Miró é formado em Direção e Dramaturgia pelo Institut del Teatre em Barcelona e em Jornalismo pela Universitat Autònoma de Barcelona (UAB). Desde de 2013, é membro do Conselho Consultivo do Teatre Nacional de Catalunya (TNC).

Miró é autor de “La travesía” (2015), “Umbrío” (2014), “Rasgar la Tierra” (2013), “Humo” (2012), “Nerium Park” (2012), “El principio de Arquímedes” (2011), “Gang Bang (Abierto hasta la hora del Angelus)” (2010/2011 – peça escrita durante uma residência no Teatre Nacional de Catalunya), “La mujer que perdía todos los aviones” (2009), “Una historia contada al revés” (2009), “La mujer y el debutante” (2008), entre outras.

Premiado por suas obras, incluindo com o consagrado “Premi Born” (vencedor em 2009 e 2011, e finalista em 2015), Miró já teve suas peças traduzidas em mais de 20 idiomas e montadas em cerca de 30 países, entre eles Argentina, México, Reino Unido, França, Itália, Estados Unidos da América, Chipre, Grécia, Alemanha, Rússia, Croácia, Brasil, Uruguai, além da Espanha.

Site: www.josepmariamiro.com

RAFAEL BARONESI (ator e idealizador)

 

Rafael Baronesi é ator e apresentador de TV. Estudou na Escola de Atores Wolf Maya, no Tablado, na Cal, na Casa de Cultura Laura Alvim e na Escola de Teatro Raul Serrano, em Buenos Aires. No teatro, participou de montagens como “Baal” e “O Beijo no Asfalto” (direção de Thierry Tremouroux), “O Ateneu” (direção de Leonardo Brício), “Aniversário de Casamento”, entre outras. Na TV, Rafael foi apresentador do programa “Zapping Zone”, no Disney Channel e, recentemente, do programa “Vídeo News”, na Band.

 

PRI HELENA (atriz)

Pri Helena é formada em Comunicação Social e pós-graduada em Artes Cênicas. Começou a carreira em Juiz de Fora, sua cidade natal, quando tinha 12 anos. Integrante da Cia Cortejo, dirigida por Rodrigo Portella, Pri estuda interpretação na Escola de Teatro Martins Penna e graduação na CAL. No teatro, seus principais trabalhos foram “Antes da Chuva”, “Uma História Oficial” (ambos da Cia Cortejo e indicados ao Prêmio Shell de Teatro), “Floriano – Parte Baixa” (com direção de Portella), “Estação dos Passageiros Invisíveis”, “Terra fértil para Balões de Ar”, “Vértice IN-Cômodos” e “Sementes de Aço”. Este ano, participou da segunda temporada da websérie “Além de Alice”.

FICHA TÉCNICA

Texto: Josep Maria Miró

Direção: Rodrigo Portella

Elenco: Rafael Baronesi e Pri Helena

Tradução: Daniel Dias da Silva

Iluminação: Paulo César Medeiros

Trilha Sonora: Marcelo H.

Cenário: Julia Deccache e Rodrigo Portella

Figurino: Ticiana Passos

Programação Visual: Raquel Alvarenga

Divulgação em mídias Sociais: Egídio La Pasta

Preparação Corporal: Lu Brites

Assessoria de Imprensa: Rachel Almeida (Racca Comunicação)

Assistência de produção: Ana Luiza Pradel

Assistência de direção: Mariah Valeiras

Direção de Produção: Rogério Garcia

Idealização e produção: Rafael Baronesi

Realização: Dingão Produções e Usina D’Arte produções artísticas

Serviço:

Nerium Park

Temporada: 3 de novembro a 2 de dezembro

Teatro Dulcina: Rua Alcindo Guanabara, 17 – Centro, Rio de Janeiro – RJ.

Telefones: 2240-4879

Dias e horários: Sexta a domingo, às 19h.

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Lotação: 200 pessoas

Duração: 1h40

Classificação indicativa: 16 anos.