Festival Internacional de Compositoras

O Coletivo Essa Mulher promove noites musicais na Audio Rebel regadas ao melhor da produção autoral da cena independente. No palco do Sonora – Festival Internacional de Compositoras, as protagonistas são elas. O evento acontece em 06, 07, 13 e 14 de setembro, a partir das 20h.

Em um encontro que acontece em nível mundial, o festival chega ao Rio de Janeiro por meio do Coletivo Essa Mulher, formado em 2017 pelas musicistas Aline Gonçalves, Ilessi, Marcela Velon e Maria Clara Valle. O grupo mescla música, documentação histórica e reflexão sobre a prática musical feminina através da produção de shows, mostras, festivais e debates.

Na Audio Rebel, a programação acontece em 4 noites especiais. Na véspera do feriado de 7 de setembro, Joana Queiroz e o quarteto cAis sobem ao palco com Renata Neves (violino), Renata Athayde (violino), Tina Werneck (Viola), Maria Clara Valle (violoncello). Indo além do erudito, o grupo apresenta repertório com músicas populares do Brasil e outros países, mesclando samba, choro, jazz, baião e frevo. Já a instrumentista Joana Queiroz se divide entre clarineta, clarone, flauta transversa, sax tenor e voz para apresentar o show “Diários de Vento”, com composições próprias que ecoam a aura da Serra da Mantiqueira, onde foi gravado o álbum de mesmo nome.

Já no feriado (07/09), Bianca Gismonti e Grazie Wirtti se apresentam. Filha de Egberto Gismonti e Rejane Medeiros, Bianca traz na bagagem uma carreira iniciada aos 15 anos e os álbuns “Sonhos de Nascimento” (com participação de Naná Vasconcelos), “Primeiro céu” e “Desvelando mares”, que será lançado em setembro. A cantora Grazie Wirtti é gaúcha radicada no Rio, onde construiu uma trajetória passando pelos palcos ao lado de nomes como Elza Soares, Diogo Nogueira, Roberta Sá e outros. Neste show, apresenta o repertório de “Tunguele”, seu mais recente disco que tem participação especial de Milton Nascimento.

Em 13/09, é a vez de Kalu Coelho e Paloma Roriz, ambos no violão e voz, levando ao palco ainda Aline Gonçalves (clarinete e flauta) e Lise Bastos (contrabaixo). No setlist, uma mescla de músicas instrumentais e canções, propondo uma conversa entre essas duas vertentes. A noite tem ainda Deya, cantora, compositora e atriz. A apresentação é um convite a um mergulho profundo na musicalidade da artista, que traz no currículo o disco “Paisagem Invisível”, inspirado na obra de Manoel de Barros; e a “Festa dos Ancestrais”, show com repertório afro-brasileiro e latino-americano. Suas composições nascem do encontro da espiritualidade com o feminino sagrado, em uma entrega de voz, corpo e alma.

Já em 14/09, Elisa Fernandes apresenta o show de seu álbum autoral, “ELISA”, a ser lançado em setembro. Cantora e compositora, a artista é também conhecida por integrar o grupo Nós de Cabrália e por ser afilhada musical de Monarco, veterano compositor da Velha Guarda da Portela. Por fim, Helen Nzinga e Jeckie Brown se unem em uma apresentação única. Nzinga chama atenção no cenário rap desde 2015, e em 2018 foi uma das ganhadoras do concurso Originals Studios e gravou “Dia a dia” pela Laboratório Fantasma, gravadora e selo dos artistas Emicida e Fióti. Atualmente a rapper está com o selo DAGBA, uma parceria com o rapper Magoo. Jeckie Brown atua no rap carioca desde os anos 90. Integrou o grupo Os Peregrinos, e já passou por palcos indo do Circo Voador ao festival inglês Glastonbury. No ano de 2016, lançou o álbum “Senhorita Brown”, contendo 3 faixas gravadas e mixadas por David Alexander (Bolabo Records).

O Sonora • Festival Internacional de Compositoras surgiu em 2016 e tem por objetivo oferecer visibilidade e legitimar a presença da mulher compositora no cenário musical. O festival é produzido por mulheres, de forma colaborativa, a partir da construção de uma rede de compositoras-produtoras. A organização é feita através de um núcleo de coordenação geral/mundial e um núcleo de produção local em cada cidade onde é realizado. Mais informações estão disponíveis no site:  http://sonorafestival.com/pb/

A programação completa, que também inclui shows no Parque das Ruínas e Cazota Bar, pode ser acessada no evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1500080720097545/

A produção promove uma Vakinha virtual para a realização do festival: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/sonora-rj-2018

Serviço

Sonora – Festival Internacional de Compositoras

Datas: 06, 07, 13 e 14/09/2018

Horário: 20h

Local: Audio Rebel

Endereço: Rua Visconde de Silva, 55 – Botafogo

Ingresso: R$25

Classificação: 16 anos

Lotação: 90 pessoas

Pagamento do ingresso: apenas em dinheiro

Funcionamento da bilheteria: todos os dias, de 13h às 21h

Programação na Audio Rebel:

06/09 – Joana Queiroz + cAis

07/09 – Bianca Gismonti + Grazie Wirtti

13/09 – Kalu Coelho + Paloma Roriz / Deya

14/09 – Elisa Fernandes / Helen Nzinga + Jeckie Brown

BIOGRAFIAS

Joana Queiroz

Clarinetista, saxofonista e compositora, atualmente se divide entre as cenas musicais do Rio de Janeiro e São Paulo, fazendo parte de diversos projetos nas duas cidades. Dentre eles destacam-se o grupo “Claras e Crocodilos”, de Arrigo Barnabé (SP); o sexteto de sopros “Inventos” (RJ); o quinteto “Quartabê” (SP/RJ), que cria interpretações em torno da obra de Moacir Santos; e seu próprio trabalho autoral (RJ-BH); com os quais tem se apresentado nos últimos anos em diversas cidades do Brasil e do exterior. Além do intercâmbio com SP, teve uma atuação intensa também na cidade de Belo Horizonte, gravando e se apresentando com autores da nova geração como Rafael Martini, Alexandre Andrés, Antonio Loureiro, entre outros. Dentre suas principais experiências musicais estão os quase dez anos que integrou a Itiberê Orquestra Família, com a qual gravou três discos e se apresentou por muitas cidades do Brasil, Uruguai e Argentina. Liderada pelo baixista Itiberê Zwarg, integrante de longa data do grupo de Hermeto Pascoal, a orquestra proporcionou a seus integrantes uma profunda imersão no estilo de música instrumental difundida por Hermeto, a chamada “música universal”. A partir de um convívio musical intenso com o próprio Hermeto, participou da gravação de 12 faixas do disco “Mundo Verde Esperança” de Hermeto Pascoal e Grupo, e de shows do lançamento do mesmo. Depois de seu desligamento da IOF, passou a explorar e desenvolver parcerias em diversos lugares, participando de apresentações com diferentes grupos na Argentina, Chile, Uruguai, Portugal, Espanha, França e Itália, e dividindo o palco com nomes como Liliana Herrero, Carlos Aguirre, Aca Seca, Cecilia Pahl, Simón González , Arismar do Espírito Santo e Hugo Fattoruso. Encantou-se em especial pela música argentina, estabelecendo fortes laços com autores deste país. A partir de 2010 começa a apresentar seu projeto autoral, e em 2012 lança seu primeiro disco, “Uma Maneira de Dizer ”, em formação de quarteto (com Bernardo Ramos, Bruno Aguilar e Antonio Loureiro). Teve a oportunidade de apresentar este trabalho em muitos lugares, entre eles RJ, BH, SP, Mercedes (UY ), La Plata, Buenos Aires, Mendoza (AR) e NY. Em 2015 recebe a encomenda de um disco autoral do selo japonês “Spiral Records”, e em meados de 2016 lança o álbum “Gesto”, em trio com Bernardo Ramos e Rafael Martini. No final de 2016 lança seu segundo CD autoral, com formação de sexteto, intitulado “Boa Noite pra Falar com o Mar ”, e também o disco “Diários de Vento”, fruto de uma residência artística de composição na ecovila TerraUna.

cAis

Inserido no universo dos instrumentos de cordas, que é tradicionalmente erudito no Brasil, o quarteto cAis desenvolve uma linguagem original, com um repertório que abrange músicas populares brasileiras e de outros países, além de composições próprias. Samba, choro, jazz, baião e frevo são alguns dos ritmos tocados pelo grupo, com arranjos que abrem espaço para a criação e a improvisação. É por meio dessa proposta que o cAis pretende aproximar os mais diversos públicos de uma experiência musical plural. O quarteto de cordas cAis é composto por Renata Neves – violino, Karin Verthein – violino, Tina Werneck – viola e Maria Clara Valle – violoncelo. Quatro musicistas que se uniram pela vontade de desenvolver novas linguagens dentro do cenário musical contemporâneo brasileiro.

Kalu Coelho e Paloma Roriz

Neste projeto, surgido em 2016, Kalu Coelho e Paloma Roriz apresentam suas composições e algumas de suas parcerias, procurando pontos de confluência entre os universos da música instrumental e da canção popular. Com as participações de Aline Gonçalves nos sopros e Lise Bastos no contrabaixo, o show se divide em músicas voltadas ora para a textura harmônica e melódica das músicas de Kalu, atravessadas por ritmos brasileiros ao lado de uma forte influência do jazz, ora para a poética sonora e textual que Paloma busca construir no espaço da canção, aliada a ritmos como o baião, o samba e o afoxé.

Reunindo identidades musicais distintas, as artistas colocam em cena um pouco do que vem sendo produzido na música popular contemporânea brasileira. Ganhando corpo inicialmente em duas apresentações na Casa Benet Domingo, no Rio de Janeiro, com participação especial da cantora Ilessi, e com Gretel Paganini no cello, o encontro entre as compositoras integrou programações realizadas em 2017 pelo Coletivo Essa Mulher, em shows no Centro da Música Carioca Artur da Távola e no Triboz-Rio. Em 2018, o trabalho seguiu com show produzido pelo Coletivo Chama, em parceria com o estúdio etnohaus, na programação do etno-chama.

Deya

Deya explora novas linguagens e potencialidades artísticas, sem apagar o caminho que a trouxe até aqui. Tendo lançado o disco “Paisagem Invisível”, em 2014, inspirado na obra do poeta Manoel de Barros. Em 2016 e 2017  realizou a “Festa dos Ancestrais” show com um repertório pulsante de músicas brasileiras, afro-brasileiras e latino-americanas; músicas próprias e de parceiros da nova cena musical como Luiz Nascimento, Alberto Americano e Sergio Pererê, além de releituras de Gilberto Gil e Lenine, entre outros.

Como efeito de sua pesquisa para “Festa dos Ancestrais” , Deya buscou  a fundo sua ancestralidade, o que lhe resultou um contato ainda maior com sua espiritualidade e  com o feminino sagrado. Suas composições nascem daí, é mergulhando em si e oferecendo sua voz, corpo e alma como forma de conexão com o que há de essencial dentro de nós que Deya encontra solo fértil para compor e prosseguir com seu propósito na arte.

Grazie Writti

Possuidora de valorosa voz, Grazie Wirtti propõe uma nova forma de interpretação da música brasileira na atualidade. Com sua excelência, seu canto transcende fronteiras estilísticas sem perder o foco em seu próprio território, Brasil e América Latina como uma unidade complementar em seus ritmos e culturas. Nascida e criada na fronteira sul do Brasil, na cidade de Santa Maria, Grazie Wirtti começou sua trajetória como cantora ainda na infância. Influenciada pelo pai, o músico tradicionalista e apresentador de televisão Antonio Gringo, cresceu ouvindo Atahualpa Yupanqui, Mercedes Sosa, Violeta Parra entre outros nomes da canção latino americana. Há nove anos Grazie transferiu-se para o Rio de Janeiro, assim como os irmãos Guto Wirtti, contrabaixista e compositor; e Nina Wirtti, também cantora. Fez parte de um dos primeiros movimentos musicais da Lapa, no bar Comuna do Semente, onde apresentava junto a músicos da Orquestra Itiberê, com um repertório repleto de música brasileira e latino- americana. Grazie viveu na Argentina por três anos, onde pôde desenvolver e aprofundar este repertório latino-americano. Dividiu grandes palcos como o do Teatro

Ateneo em Buenos Aires, com nomes fundamentais da música popular argentina como Liliana Herrero, Juan Falu, Aca Seca Trio, Diego Schissi entre outros.

De volta ao Brasil tem participado de diversos festivais e apresentações em teatros e casas de shows. Cantou ao lado de Elza Soares, Diogo Nogueira, Roberta Sá, entre outros. Apresentou no Teatro de Arena da Caixa o espetáculo “Sarau para Lupicinio” celebrando o centenário do compositor, juntamente com os irmãos Guto Wirtti e Nina Wirtti. O show teve grande repercussão de público e mídia.

Grazie também compôs “Valsa enluarada” em parceria com Yamandu Costa. A canção está no repertório de outro disco gravado por ela e pelo argentino Matias Arriazu, ainda em produção. Em junho de 2016 Grazie lança “Tunguele”, seu primeiro disco solo que conta com a participação de Milton Nascimento.

Bianca Gismonti

Bianca Gismonti nasceu em uma família de músicos. Desde muito jovem, assistia aos shows de seu pai, Egberto Gismonti, ao lado de sua mãe – a atriz Rejane Medeiros – e de seu irmão – o violonista Alexandre Gismonti. Sua casa era repleta de influências musicais e convívio com dezenas de artistas. Aos 9 anos, pediu para começar os estudos de piano. Já aos 15, iniciou sua carreira musical acompanhando o seu pai, durante muito anos, em palcos pelo mundo. Em 2005, estreou o seu trabalho com o Duo Gisbranco (duo de pianos com Claudia Castelo Branco), que possui três discos lançados e um DVD produzido pelo Canal Brasil, aliado a parcerias junto a músicos como Chico César, Jaques Morelenbaum e Mônica Salmaso.

Em todos esses anos, a composição seguiu como um caminho natural, e, em 2013, lançou seu primeiro álbum autoral, “Sonhos de Nascimento” (Biscoito Fino), no qual teve a participação de Naná Vasconcelos. Com este disco, realizou turnês internacionais que percorreram Europa, Ásia e América do Sul. Ao final de 2015 foi lançado o seu segundo disco autoral, “Primeiro céu” (Fina Flor), com a formação de Trio ao lado de seu marido (também coprodutor) Julio Falavigna, na bateria, e Antonio Porto, no baixo. Em 2016, o Trio teve este disco lançado pela Quinton Records (Áustria) e Impartment Records (Japão), o estreando durante uma nova turnê pela Europa, África e Ásia. Neste mesmo período, gravou seu terceiro disco em Budapeste, “Desvelando mares” (Hunnia Records) que será lançado em setembro de 2018 na Europa, Japão e Brasil.

Em final de 2017, com a celebração dos 70 anos de seu pai, Egberto Gismonti, Bianca resolveu montar um show o homenageando, “Gismonti 70”, que passou por tournês no Brasil, Hungria, China e Japão. Em junho de 2018 este repertório foi gravado em Budapeste e será lançado, em disco, em 2019.

Elisa Fernandes

Elisa Fernandes é cantora e compositora, integrante do grupo Nós de Cabrália e afilhada musical de Monarco, veterano compositor da Velha Guarda da Portela. Em 2018 ela apresenta seu primeiro CD, ELISA, com previsão de lançamento para setembro.

Helen Nzinga + Jeckie Brown

Helen Nzinga começou a cantar rap em 2008, quando foi convidada a fazer parte de um grupo de rap gospel, o D’Missão. Depois de alguns anos longe do rap, em 2015, a rapper voltou a cantar quando compôs “Nunca esqueceremos Cláudia e Patrick”, que fala um pouco de casos de violência policial nas favelas do Rio de Janeiro. Em abril de 2018, foi uma das ganhadoras do concurso Originals Studios e gravou “Dia a dia” pela Laboratório Fantasma, gravadora e selo dos artistas Emicida e Fióti. Atualmente a rapper está com o selo DAGBA, uma parceria com o rapper Magoo. Rapper e beatmaker, Helen acredita que a música é uma forma de expressar ideias, sentimentos, e é também um instrumento de transformação social.

Jeckie Brown começou sua trajetória no rap Carioca na década de 90, quando começou a frequentar a “Zoeira”, um dos primeiros movimentos de rap, de onde surgiram várias referências do rap carioca, tais como: Marcelo D2, Marechal, entre outros. Sua primeira banda de rap oficial foi ”Os Peregrinos”, formada por amigos e moradores do Vidigal, em um só objetivo: passar a mensagem positiva através do rap. Daí então começou a atuar no cenário carioca, em algumas casas de show, tendo se apresentado do Circo Voador ao festival inglês Glastonbury. No ano de 2016, lançou o álbum Senhorita Brown, contendo 3 faixas gravadas e mixadas por David Alexander (Bolabo Records).