Centro de Arte Hélio Oiticica apresenta abertura de cinco exposições simultâneas

O Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica inicia o mês de setembro com a abertura de cinco exposições previstas para o dia 1º/9, sábado. As mostras ‘18’ Linhas Provisórias Exposição Permanente’, Copy-Art / Xerox Art 80 anos – Coleção Baudot’,‘Impróprio’, ‘Hip Hop: culturas de rua, memórias, políticas’ e a mostra com mistura de performance ‘Africanizze performática’ ocuparão todas as galerias do centro de arte. O público poderá conferir ao longo do percurso instalações, vídeos, pinturas, fotografias, impressões e performances que abordam questões sociais, étnicas, econômicas e políticas e que, juntas, dialogam entre si e também com a linha curatorial do espaço, que possui desde março a direção de Alice Alfinito.

 

<Térreo> 18’ Linhas Provisórias Exposição Permanente.Como democratizar as relações entre público e instituição pública de arte? Não há um manual, apesar de ser um compromisso para o CMAHO. A mostra 18’ Linhas Provisórias Exposição Permanente é uma tentativa nesse sentido. A abertura encerra um ciclo iniciado em março deste ano quando o espaço estava completamente vazio e que colocou em disputa os modos de fazer memória institucional, onde todo o processo de montagem e elaboração da exposição e dos trabalhos dos artistas que foram convidados para dialogar com a trajetória do espaço, que esteve aberto à participação do público. Entre maio e agosto os artistas apresentaram seus processos de pesquisa em oficinas e todo o processo poderá ser conferido na abertura da exposição que é permanente e institucional, mas aposta na necessidade de atualização anual e ação coletiva de intervir na construção de memória. A exposição também é um gesto no sentido de continuar apoiando jovens artistas, que apresentaram seus trabalhos no CMAHO no ano anterior no PEGA – Encontro das Graduações em Artes do Estado do Rio de Janeiro, que é um projeto que ocorre no CMAHO desde o ano passado com o objetivo de abrir espaço e diálogo com novas gerações de artistas, muitos dos quais apresentam seus trabalhos pela primeira vez. A curadoria é de Daniele Machado.

Os trabalhos dos artistas tem ênfase no processo dos meses que antecederam a sua finalização. Tem técnicas distintas que vão desde a pintura, aos objetos, a cópia mimeográfica, a instalação sonora, a forja de escritos, a vídeo arte que deseja invadir o túnel de Richard Serra que atravessa os arcos instalados no térreo do prédio. Analu Zimmer investiga relações cartográficas do prédio do CMAHO e da região da Praça Tiradentes, utilizando como ferramenta um mimeógrafo, explorando sobreposições e traçando caminhos em deriva a partir do delírio ambulatório de Hélio Oiticica. Antonio GonzagaAmador pesquisa as relações entre o CMAHO, o Saara e a Praça Tiradentes, o cotidiano comum que é atravessado pelas divertidas e insistentes propagandas da Rádio Saara, os velhos e novos hábitos forjando escritos de João do Rio a partir da atualidade e as cenas que são marcantes na nova paisagem através de falsos vitrais. Nicolle Crys recolheu ao longo desse período pedaços de coisas abandonadas na região, onde o comércio popular produz grande quantidade de lixo com embalagens e restos de produtos do grande mercado. Também foram recolhidos pelo registro desenhado e pintado pela artista as imagens não turísticas dessa parte do Centro onde muitas pessoas estão em situação de rua, perdidas diante de tanta desigualdade social. Seu trabalho é uma instalação reunindo o material que recolheu e produziu ao longo desse período, explorando as possibilidades em torno da representação que não idealiza a beleza da gentrificação. Por fim, temos o artista Rodrigo Pinheiro cujo trabalho é um alargamento entre o real e a ficção, manipulando as relações entre memória e tempo a partir da obra permanente de Richard Serra no CMAHO, uma vídeo arte que apresenta o trajeto percorrido pelo artista em um túnel onde abandonou objetos doados pelo público.

<Galerias 3, 4 e 5> A mostra Copy-Art/ Xerox Art 80 anos- Coleção Baudot , com curadoria de Alexandre Murucci, celebra a Copy-Art, um movimento artístico mundial, criado por pioneiros nos anos 60 e que tornou-se global nos anos 80, continuando na era digital. A celebração, que acontece também em várias cidades do mundo, é liderada pelo colecionador internacional Jean-Claude Baudot com o apoio de Judith Cushman e artistas de todo o mundo e muitos profissionais que  apoiaram entusiasticamente as atividades para comemorar este aniversário. A mostra conta com 300 obras de artistas brasileiros, como Anna Bella Geiger, Paulo Bruscky, Hudinilson Jr., Josias Benedicto, Tiago Duarte, Tadeusz Zielowski, e também de artistas internacionais.

A Copy-Art, que também pode ser chamada Xerox-Arte, Electrostática-Arte, Xerografia, Copiografia ou Arte electrográfica, começou globalmente na década de 1960, a seguir da invenção da primeira copiadora xerográfica, totalmente automatizado em 1959. Logo, artistas plásticos tomam este novo meio para criar reproduções não só em papel, mas também em madeira, platina ou tecido. As obras podem se desenvolver em volume, sob a forma de colagem ou cair na categoria do que foi chamado de arte postal ou arte do livro.

O ano de 2018 marca o 80º aniversário da primeira copiadora seca de Chester Carlson.  A copiadora dos anos 60 e a arte gerada espontaneamente a partir de então capturaram o espírito dos tempos. Compartilhar essas obras impressionantes que subitamente se tornaram meios de produção acessíveis a um público de massa, deu voz ao descontentamento e irreverência dos artistas.  A máquina permitiu uma arte que poderia ser feita e reproduzida facilmente. O seu potencial desencadeou experimentos nos Estados Unidos, principalmente na área da Baía de São Francisco, em Paris, Rio, Itália, Espanha e Alemanha e suas mensagens não estruturadas e facilidade de uso tornaram-se uma ferramenta que refletia as culturas de seu tempo.

Na década de 1970, Pati Hill (presente na coleção de Jean-Claude Baudot) é uma das primeiras artistas a testar uma copiadora IBM, com trabalhos apresentados no Centro Pompidou de Paris e no Museu Stedelijk em Amsterdã. Em 1976, a galeria La Mama, San Francisco apoiou uma cena importante da Copy-Art, que então se espalhou pelo Japão, Canadá, Itália.  Depois Charles Arnold e Wallace Berman, e um dos primeiros a ter mostras com a Copy-Art e muitas mulheres artistas como Carol Neiman Heifetz, Helen Chadwick ou Sonia Sheridan (também na coleção de Jean-Claude Baudot), também, seguindo por nomes como Tim Head, Evergon ou David Hockney, em grandes museus do mundo. No Brasil artistas com Anna Bella Geiger, Paulo Bruscky, Hudinilson e outros foram pioneiros na experimentação através de máquinas copiadoras e suas obras estarão na mostra.

O Dictionary of Media Arts, por sua vez, iniciou esse movimento um pouco antes: “Geralmente distinguimos três gerações de copy art: 1950-1968, primeira geração (trabalho em preto e branco); 1968-1980, segunda geração (trabalho em cores e máquinas analógicas); 1980 e além, terceira geração (trabalho colorido e máquinas digitais).”

 

<Galeria 6> Exposição Impróprio. Com obras de João Paulo Racy e curadoria de Leno Veras, a mostra tem como base material inédito resultante da vasta pesquisa realizada pelo artista nos territórios cariocas afetados pelas políticas de desapropriação levadas a cabo pela prefeitura da cidade do Rio de Janeiro no período que antecedeu a realização do jogos olímpicos, em 2016. A mostra possui  impressões em lambe-lambe, aplicadas em em tapumes de mdf, com o intuito de aproximar a instalação desses cenários do entorno, à luz da precariedade como linguagem.

As imagens que Racy amplia em grande formato no último andar do edifício histórico do CMAHO são documentos visuais que portam temporalidades em transe, por meio das quais retrata o que sobrou das habitações destruídas pelo poder público logo após seus desmontes. João Paulo dá a ver vestígios, resquícios e indícios dos modos de vida dos cidadãos que ali habitaram, antes de que tivessem que sujeitar-se aos desmandos de um plano diretor que considera menor o conceito de domicílio, cuja principal característica é a permanência. Contudo, não bastasse o olhar acurado desta pesquisa de campo, os mecanismos desenvolvidos pelo autor irão para além dos limites do espectador, ao emancipar-se da criação de obras como objetos estanques através da implementação de um processo que ocupará as fachadas de edificações em situação de abandono, desocupação ou litígio na zona central carioca, sobre as quais serão aplicadas fotografias através de intervenções, produzidas ao longo do período expositivo, dando continuidade ao mapeamento do estado de abandono.

 

<Galeria 7> Hip Hop: culturas de rua, memórias, políticas.O Hip Hop é conhecido mundialmente por ter sido criado nos anos 1970 em Nova York, em locais que reuniam comunidades que originárias da América Latina, África e Jamaica. Uma década depois foi absorvido no Brasil por jovens da periferia que passaram a sair cada vez de seus bairros para espalhar a batida do DJ, a dança de rua, o graffiti/pixação e o rap por toda a cidade. Hip Hop e a marginalidade, é a marginalidade, assim foi a concepção do restante da cidade a eles. Hoje, apesar da origem periférica, o Hip Hop é consumido por todas as classes econômicas. Os rappers famosos tocam nas caixas de som dos bairros ricos, que convidam graffiteiros para embelezar as fachadas dos prédios. Nesse meio tempo muita memória se perdeu.

A exposição apresenta a trajetória de quatro pessoas como possibilidades de fazer memória do Hip Hop e de debater sua atualidade. A graffiteira pernambucana radicada atualmente em São Paulo Gabi Bruce, representando a Baixada Fluminense temos a produtora cultural Giordana Moreira e o cineasta Marcio Graffiti e da Zona Oeste o ambulante cultural Mv Hemp. Esse movimento único vai muito além das roupas largas, da pixação que desafia as alturas e a criminalização, realizando encontros e afirmando a periferia das cidades. Através das narrativas de vida e atuação desses quatro realizadores serão apresentados ao público afluentes não hegemônicos sobre o popular movimento do Hip Hop. Serão Serão exibidos mais de 150 trabalhos entre cadernos de pixação, fotografias, vídeos, instalação sonora e documentos. A curadoria é de Daniele Machado.

 

<Galeria 8> AFRICANIZZE performática é sobre como as invasões descolonizadoras deformaram a Performance Arte em seu percurso repleto de novos corpos protagonistas. Corpos alvo dos processos colonizadores que, apropriando-se das ferramentas ulteriormente utilizadas em sua dominação, tornam-se poderosas armas na recondução de olhares sobre o processo de formação identitária contemporânea. A mostra,  que mistura performances, reúne dez artistas que possuem um trabalho em Performance Arte que deformam seus limites através de pesquisas que desviam dos sistemas gerais da Arte por elementos como: Vivência, Negritude, Lugar de Fala, Mulherismos e Feminismos, das Revoluções Sexuais e de Gênero. Trabalhos que apresentam como intelectuais negros impactam em seu conhecimento e processos artísticos. Influências transcendentes dos limites físicos, históricos e políticos. Artistas que pesquisam setores ainda em desenvolvimento, com ousadia e determinação, construindo novas formas para uma Arte Contemporânea diversa e possível. Os artistas são: Helen Nzinga, Nelson Aleida, André Vargas, Geancarlos Barbosa, Ismael David, Rafa Ferreira, Uhura Bqueer, Victor Oliveira, Odaraya Mello, Rastros de Diógenes. A curadoria é de Candé Costa e Silvana Marcelina.

A abertura da mostra contará com cinco performances: ‘Senhor dos Caminhos’, com Ismael David (15h); Rafa Ferreira (16h); ‘Dona Benta’, com Nelson Almeida (17h); Uhura-Rainha da Libertação, com Uhura BQueer (18h) e com Helen Nzinga (19h).

Fotos: Hip Hop (acervo pessoal); Impróprio (Crédito: João Paulo Racy); Dona Benta/ Mostra Africanizze performática (Crédito Nelson Almeida); obra de Josias Benedicto / Mostra Copy-Art; IMG 3277 (crédito: Antonio Gonzaga Amador) / Mostra 18′ Linhas Provisórias

 

Serviço:

Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica: Rua Luís de Camões, 68 – Centro – Rio de Janeiro – RJ. Telefone: +55 (21) 2242 1012.

*Abertura de todas as mostras: dia 1º/9, sábado, a partir das 15h

18’ Linhas Provisórias Exposição Permanente <Térreo>

Visitação: de 1º/9  a 2/2/19

Copy-Art/ Xerox Art 80 anos- Coleção Baudot <Galerias 3, 4 e 5>

Visitação: de 1º/9  a 20/10

Impróprio <Galeria 6>

Visitação: de 1º/9  a 20/10

Hip Hop: culturas de rua, memórias, políticas <Galeria 7>

Visitação: de 1º/9  a 20/10

Africanizze performática <Galeria 8>

Visitação: de 1º/9  a 20/10

Programação gratuita

Funcionamento e visitação das exposições: de segunda a sábado, das 12h às 18h. Fechado aos domingos e feriados.

Email: cmaho.cultura@gmail.com

Facebook: facebook.com/cma.heliooiticica