A Última Peça

O Sesc Pompeia recebe, de 9 a 26 de agosto, a estreia nacional de A Última Peça, cuja dramaturgia discute a memória como prova de nossa existência e de que só existimos a partir da lembrança do outro. Na trama, uma atriz e um ator se encontram para escrever uma dramaturgia a respeito de uma mulher desmemoriada. A dificuldade em avançar na construção da narrativa e a presença de uma terceira personagem (alter ego da atriz/autora) é o que impulsiona o espetáculo. A palavra “peça”, do título, se refere a um elemento fundamental desse quebra-cabeça que é a busca das memórias perdidas, de continuar existindo na memória de outra pessoa. Mas até quando? Inspirado em reflexões, uma delas a leitura de Metamorfoses, de Ovídio, o espetáculo marca a estreia da atriz e diretora teatral Inez Viana como autora teatral.

A respeito da dramaturgia, Inez Viana comenta que “é a história de uma mulher que não lembra mais de quase nada. Ela não lembra que tem um filho, nem que é mãe, portanto. Precisa de ajuda para encontrar o caminho, que a essa altura, já não tem mais volta. O filho, que tinha ido para longe, volta na tentativa de se reaproximar da mãe e terminar a história que ela começou e não sabe dar fim. Mas ela não lembra dele.”

“O fato de Inez expor assim seu trabalho, sua criação, sua vida, a partir desse tema que é a memória, torna tudo muito significativo e cria uma linha muito sutil entre a realidade e ficção”, conta o diretor Grangheia.

Com texto de Inez Viana, direção de Danilo Grangheia, colaboração artística de Grace Passô, direção de arte de Simone Mina, direção de movimento de Cristina Moura, figurino de Virginia Barros, iluminação de Ana Luzia De Simoni, projeto sonoro de Marcelo H e elenco formado por Inez Viana e Thomas Quillardet, com participação de Ginete Duque, a temporada de estreia de A Última Peça acontece de 9 a 26 de agosto, no Sesc Pompeia.
 
Na noite de estreia, 9 de agosto, após a apresentação, a Editora Cobogó fará o lançamento do livro com o texto da peça, no Sesc Pompeia, com a presença da autora, Inez Viana.

Atualmente Inez Viana dirige uma nova montagem de “A Mentira”, romance de Nelson Rodrigues, com sua Cia OmondÉ. Também como diretora, seus espetáculos recentes: “Mata teu pai”, monólogo de Debora Lamm para o texto de Grace Passô e “Imortais”, texto de Newton Moreno, com Denise Weinberg e elenco, estão em circulação. Em 2019, Inez Viana vai dirigir uma obra inédita de Ariano Suassuna, a convite de Dantas Suassuna.

Danilo Grangheia, diretor

É ator de teatro, cinema e televisão, formado pela Escola de Arte Dramática da USP. Desenvolveu parte de sua pesquisa em atuação e direção junto a Cia Folias de São Paulo. Além da Companhia, trabalhou em vários espetáculos/projetos como “Selvageria”, “A Tragédia Latino Americana”, “Puzzle” e “O livro de ítens do paciente Estevão”, direção de Felipe Hirsh, “Krum”, direção de Marcio Abreu, “As Três Velhas”, direção de Maria Alice Vergueiro, “Palhaços” direção de Gabriel Carmona, “Let’s just kiss and say goodbye” de Elisa Ohtake, “A gente se vê por aqui” de Nuno Ramos, entre outros. Dirigiu os espetáculos “Banda Hamlet”, “Nunzio” e “A saga musical de Cecília”. No cinema trabalhou em “Cara ou Coroa”, de Ugo Giorgetti, “O roubo da taça”, de Caito Ortiz, “A bruta flor do querer”, de Dida Andrade e Andradina de Azevedo e em “O que se move”, de Caetano Gotardo. Na TV trabalhou em séries como “3 Teresas” (GNT), “Contos de Edgard” (Fox), “A Mulher do Prefeito”, “Ligações Perigosas” (Rede Globo). Vencedor de Prêmios Shell, APCA, Femsa, Questão de Crítica e Cine PE pelos seus trabalhos como ator em teatro e cinema.
 
Inez Viana, atriz e autora

Em mais de 30 anos de profissão, atua como atriz, cantora e diretora, com várias indicações e prêmios conquistados. Seu talento como atriz é reconhecido entre colegas, público e crítica, a exemplo do sucesso “A Mulher que Escreveu a Bíblia” (2007) com o qual ainda hoje tem feito várias temporadas e apresentações, festivais e turnês pelo Brasil, tendo recebido o Prêmio Qualidade Brasil de Melhor Atriz e indicações aos prêmios Shell e APTR.

Artista importantíssima no cenário teatral carioca, Inez tem muitas contribuições ao teatro nacional como a participação no Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, grupo consagrado nos anos 1990, dirigido por Aderbal Freire-Filho. Dirigiu e roteirizou o documentário “Cavalgada à Pedra do Reino” (1999), baseado no Romance d’A Pedra do Reino de Ariano Suassuna. Em 2010 dirige “As Conchambranças de Quaderna”, texto inédito de Ariano Suassuna, onde obteve críticas elogiosas e recebeu indicações aos prêmios Shell e APTR de melhor direção. Com essa peça funda a Cia OmondÉ, atualmente com 9 anos de trajetória e 6 espetáculos em repertório: “As Conchambranças de Quaderna”, de Ariano Suassuna, recebeu o Prêmio Shell-RJ de melhor direção musical (Marcelo Alonso Neves), Prêmio APTR de melhor atriz coadjuvante (Dani Barros) e Prêmio Contigo de Teatro para melhor espetáculo de comédia, além de indicações aos prêmios Shell e APTR de melhor direção, APTR de melhor ator protagonista e figurino e Qualidade Brasil de melhor ator de comédia; “Os Mamutes” (2011) de Jô Bilac, recebeu Prêmio FITA de melhor direção (Inez Viana), melhor atriz protagonista (Debora Lamm) e melhor figurino (Flavio Souza), além de indicações aos prêmios Shell de melhor figurino, APTR de melhor atriz, Questão de Crítica de melhor atriz e figurino; “Nem mesmo todo o oceano” (2013) de Alcione Araújo, foi indicado ao Prêmio APTR de melhor produção e Questão de Crítica de melhor direção e trilha sonora; “Infância, tiros e plumas” (2015) de Jô Bilac, recebeu indicações ao Prêmio Questão de Crítica de melhor cenário e CENYMS de melhor espetáculo, texto original, cia de teatro, qualidade técnica, cenário, iluminação, trilha sonora original e efeitos sonoros; “Os Inadequados” (2016) de criação coletiva; “Mata teu pai” (2017) de Grace Passô, recebeu o Prêmio Cesgranrio de melhor autora (Grace Passô) e indicado ao Shell de melhor cenário e iluminação e ao Prêmio Qualidade Brasil de melhor atriz; “A Mentira” (2018), de Nelson Rodrigues.

Fora da Cia OmondÉ, Inez dirigiu os espetáculos: “Amor Confesso” (2011) de Arthur Azevedo, “Maravilhoso” (2013) de Diogo Liberano, “Cock – Briga de Galo” (2014) de Mike Bartlett, “Meu passado me condena” (2014) de Tati Bernardi, “Não vamos pagar!” (2014) de Dario Fo, “O que você vai ver” (2014), livremente inspirado em ‘All That Fall’ de Samuel Beckett, “Memórias de Adriano” (2015) de Marguerite Yourcenar, “Imortais” (2017) de Newton Moreno, com Denise Weinberg, que estreou no Teatro Anchieta e continua em cartaz em São Paulo. Também dirigiu os shows: “João do Vale, na asa do vento” (2010) com Chico César, Teresa Cristina e Flávio Bauraqui, “Breque Moderno” (2010) com Soraya Ravenle e Marcos Sacramento, e “Orlando Silva – Nada Além” (2016), com o ator-cantor Tuca Andrada.

Thomas Quillardet, ator

É um jovem ator e diretor expoente da nova geração francesa. Seu primeiro espetáculo foi Les Quatre Jumelles, de Copi, em 2004. Em novembro de 2005, ele organizou o festival Teatro em Obras no Théâtre de la Cité Internationale e no Théâtre Mouffetard, como parte do ano do Brasil na França. Um ciclo de doze leituras de jovens dramaturgos brasileiros e a realização de Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrígues. Em 2007, no Rio de Janeiro e Curitiba, monta um díptico de Copi com atores brasileiros: Le Frigo e Loretta Strong. Como parte do ano da França no Brasil, em 2009, ele montou L’Atelier volant, de Valère Novarina, no Rio de Janeiro. Criou ainda com Marcio Abreu e Pierre Pradinas o espetáculo Nus, Ferozes e Antropófagos. Em 2016, funda a companhia 8 de Abril, com o espetáculo Montagne.

Ficha técnica

Texto: Inez Viana
Direção: Danilo Grangheia 
Colaboração Artística: Grace Passô
Elenco: Inez Viana e Thomas Quillardet 
Participação: Ginete Duque
Assistente de Direção: Junior Dantas
Direção de Movimento: Cristina Moura
Direção de Arte: Simone Mina
Figurino: Virginia Barros
Iluminação: Ana Luzia De Simoni
Criação Sonora: Marcello H
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Arte Gráfica: André Senna
Fotos: Elisa Mendes
Direção de Produção: Gabi Gonçalves – Corpo Rastreado

Serviço

A Última Peça
Sesc Pompeia (Espaço Cênico) – Rua Clélia, 93, Água Branca, São Paulo (tel. 11 3871-7700)
De 9 a 26 de agosto
Quintas, sextas e sábados, às 21:30h e domingos, às 18:30h.
Ingressos: R$6 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$10 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$20 (inteira).
Venda online a partir de 31 de julho, terça-feira, às 17h30.
Venda presencial nas unidades do Sesc SP a partir de 1º de agosto, quarta-feira, às 17h30.
Capacidade de público: 78 lugares
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos.