O projeto Passageiro do Futuro chega à sua 21º edição e sua primeira atividade externa será visita ao CCBB

Criado com o objetivo de levar o teatro e suas múltiplas oportunidades artísticas e profissionais às comunidades carentes do Rio de Janeiro, o Passageiro do Futuro chega à sua 21ª edição em 17 anos de vida. Nascido em 2001, pelas mãos da atriz e produtora Juliana Teixeira, o projeto tem uma bem-sucedida trajetória que inclui o atendimento a mais de 1.500 jovens e a marca de 60 mil pessoas beneficiadas nas comunidades envolvidas, incluindo a formação de novas plateias, presentes nas mais de 200 apresentações realizadas até hoje. Durante seis meses, jovens entre 15 e 21 anos vão participar de oficinas, palestras, visitas guiadas e outras atividades. A primeira atividade externa será a visita dos alunos ao Centro Cultural Banco do Brasil, onde vão assistir a três exposições: A História do Banco do Brasil, Museu do Futebol e A Experiência Geométrica Latino Americana. Neste ano, participam do projeto 70 crianças de 15 escolas municipais. Em novembro, este grupo apresentará a montagem de uma peça teatral em diferentes espaços da cidade com entrada gratuita. O projeto Passageiro do Futuro 21ª edição é patrocinado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, pelas empresas Valid, Libra Terminais Rio, Comatrix e BTG Pactual, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS.

Depois de três anos consecutivos no Caju, o projeto chega a São Cristóvão. Até novembro, serão realizadas oficinas de interpretação, corpo e voz, figurino, sonorização, cenário e caracterização; três visitas guiadas a centros culturais da cidade; três palestras; uma montagem de esquete (com entrada franca e apresentações abertas ao público); dinâmica de grupo; atendimentos individual e familiar e encaminhamentos do serviço social; monitoramento do rendimento escolar, entre outras atividades. A professora Anna Beatriz Wiltgen, responsável pelas aulas de interpretação, vai ler alguns textos com alunos e eles escolherão o que mais gostarem para ser adaptado e apresentado. Em edições passadas, os participantes do Passageiro do Futuro já montaram peças como ‘O Gato de Botas’, ‘O Auto da Compadecida’, `Tribobó City’ e ‘O Mambembe’.

“O projeto beneficia toda a comunidade onde está instalado”, conta Juliana. “Temos uma estreita relação com as famílias e o apoio das escolas; acompanhamos o rendimento escolar dos alunos, fazemos atendimento social individual e encontros com pais e responsáveis”.

A história do projeto

Tudo começou em 2001, quando a atriz e produtora Juliana Teixeira integrava o elenco de ‘Tudo no Escuro’, peça de Peter Shaffer. “Ali tudo dependia de iluminação e começamos a ter dificuldades em conseguir técnicos para a turnê. A partir daí, resolvi colocar em prática esse meu desejo de trabalhar com teatro com jovens carentes e, ao mesmo tempo, tentar suprir a falta de novação de mão-de-obra técnica do teatro profissional”, lembra Juliana. O Passageiro do Futuro teve início em Bangu, em 2001, e seguiu por diversas comunidades da cidade. “Com formato itinerante, o projeto permanece ao menos dois anos em cada lugar”, explica Juliana. “Já atuou em Vila Aliança (Bangu), Vila Kennedy (Bangu), Água Santa, Del Castilho, Rio das Pedras, Andaraí, Engenho de Dentro, ocupou por três em parceria com o Sesi/ Firjan o prédio do Cemasi na Ladeira dos Tabajaras (Copacabana), e por três anos esteve no Caju. Agora, ocupamos a Paróquia Santo André, na Rua Bela, nº 1.265, São Cristóvão”.

Os jovens – sempre entre 15 e 21 anos de idade, a maioria estudante da rede pública – têm uma iniciação no métier, com carga horária de 13 horas semanais e emissão de certificado (em geral, coincidente com o ano letivo). Muitos alunos que passaram pelo Passageiro do Futuro estão atuando no mercado de artes cênicas, de entretenimento e na moda ou ingressaram em cursos superiores da área. A meta é absorver 20% dos alunos no mercado de trabalho das artes cênicas – e os próprios professores às vezes contratam alunos do projeto. Entre os exemplos, estão Jamile Regina (turma 2007, Bangu), que é microfonista de grandes musicais, como Cazuza, querida de Miguel Falabella, Ronald Rodrigues (turma 2009, Andaraí), que atua nos grupos de dança Carlota Portela e Deborah Colker, e Douglas Vergueiro (2012 e 2013, na Ladeira dos Tabajaras), que atuou no musical Andanças, sobre a cantora Beth Carvalho, interpretando o cantor Zeca Pagodinho. Depois de sua participação no projeto, se profissionalizou como ator.

Aulas, palestras, visitas e montagem completa a cada edição

A primeira parte de cada período tem aulas três vezes por semana, palestras sobre vários temas, dinâmica de grupo, visitas a centros culturais e idas a peças teatrais; na segunda parte, começa a montagem de um espetáculo, levantada pelo grupo de alunos, sob a orientação dos professores de cada cadeira. O encerramento é o circuito de apresentações em teatros profissionais da cidade (como o Espaço Sesc, Teatro Instituto Benjamin Constant, Teatro Maria Clara Machado, Teatro do Jockey, o Calouste Gulbenkian e Teatro Ipanema) e salas de apresentação (algumas nas comunidades onde o projeto está acontecendo). Essa montagem é a vivência do teatro em sua prática profissional.

Montagens realizadas nas 20 edições

1- Aquele que Diz, Aquele que Diz Não – Brecht (adaptação e direção Marcelo Escorel)

2- Sonho de Uma Água Santa – Shakespeare (adaptação e direção Monica Alvarenga)

3- A Galera Dança (texto e direção Joaquim Vicente)

4-  Eu Abro Mão (texto e direção Monica Alvarenga)

5- A Festa (texto e direção Monica Alvarenga)

6- O Gigante Egoísta – Oscar Wilde (Joaquim Vicente)

7- Anjo do Subúrbio – Bertolt Brecht (adaptação e direção Celina Sodré)

8- O Rei de Ramos – Dias Gomes (Cyrano Rosalem)

9- Crônicas da Cidade – Diversos Autores Brasileiros (adaptação e direção Marcia Nunes)

10- Além da Lenda do Minotauro – (adaptação  e direção  Samir Murad)

11- Quem Matou o Leão – Maria Clara Machado (direção Beto Brown)

12- Forrobodó – Chiquinha Gonzaga (direção Maurício Cardoso)

13- A Vida é uma Comédia – Luís Fernando Veríssimo (direção Claudio Handrey)

14- A Aurora da Minha Vida – Naum Alves (direção Claudio Handrey)

15- O Gato de Botas  – Maria Clara Machado (direção Claudio Handrey)

16 – O Auto da Compadecida – Ariano Suassuna (direção de Mônica Alvarenga)

17- Tribobó City – Maria Clara Machado (direção de Monica Alvarenga)

18 – O Mambembe –  Artur Azevedo e José Piza (direção Walney Gomes)

Juliana Teixeira

Atriz e produtora cultural, ela ingressou adolescente na escola O Tablado e posteriormente na CAL. Começou a atuar aos 15 anos em campanhas publicitárias, como o lançamento da Pepsi no Brasil. Viajou para Nova Iorque (1986-1989), para formação de teatro e dança. Na volta trabalhou em novelas na TV Globo, no cinema e no teatro. Em 1998, fundou a Nova Bossa Produções Culturais e começou a produzir espetáculos teatrais e filmes de curta metragem. Em 2001, implementou o primeiro projeto sociocultural o Passageiro do Futuro, existente até hoje.