“Andy” no Teatro do Sesc Santana

Gero Camilo e Victor Mendes acreditam que a comédia é fundamental na formação dos artistas criadores. Ela está em todos os trabalhos que realizam, como nas peças Aldeotas, Caminham Nus Empoeirados e mesmo em Razão Social, que tem uma narrativa mais política, a dupla Gero e Victor encontra alívios cômicos. No novo trabalho, Andy – que estreia dia 23 de junho, sábado, às 21 horas, no Teatro do Sesc Santana, os atores vão fundo na comédia e concebem um espetáculo que pretendem leve, lúdico e agradável aos olhos dos espectadores.

Gero e Victor começaram a escrever a peça há um ano. Mergulharam na pesquisa sobre o artista americano que quebrou todas as estruturas da comédia convencional, apresentando números vanguardistas no teatro e em eventos públicos. Foram dezenas de horas gastas na frente no computador assistindo vídeos no youtube ou debruçados em livros e relatos sobre sua figura. Viajaram até Nova York, terra Natal de Andy, para criar a dramaturgia da peça. Para isso, traçaram um roteiro fiel dos passos dados por ele que culminava no cemitério onde ele “supostamente” está enterrado.

A peça é uma homenagem a Andy Kaufman, que amos consideram grande artista, tanto na sua biografia, quanto na sua forma de performar. “Porque não dá pra dizer que ele é ator, ou cantor ou lutador. Não. Ele simplesmente é. Como nós queremos ser”, afirma Gero. Victor conta que assim decidiram embarcar nessa jornada, e com em sua Cia Tertúlia de Acontecimentos, além de atuar, gostam de escrever os próprios trabalhos, escreveram uma história parcialmente ficcional sobre o Andy Kaufman (Victor Mendes) e Laika (Gero Camilo), a cadela russa, que como quem não quer nada, foi o primeiro ser vivo a viajar no espaço. “Nosso universo é o universo, não tem limite. Queremos contar essa história que criamos e esperamos você”, diz Gero.

Gero e Victor explicam que farão um paralelo entre o homem que tira o pé do chão e está com a cabeça na Terra e o homem que está na Terra mas tem a cabeça na Lua. “Esse homem é nosso protagonista Andy Kaufman (Victor Mendes)”, fala Gero.Andy encanta os dois atores “pela sua potência como artista, um revolucionário, um pioneiro, tanto no tipo de linguagem que buscava desenvolver, quanto na maneira de misturar sua vida com a arte”. Assim, a ideia é apresentar um espetáculo cômico, que divirta o público, “não de uma forma convencional, um trabalho ousado que traga reflexões pertinentes a todos que o experienciarem, tendo como ponto de partida a vida do comediante Andy Kaufman”.

Gero e Victor entendem que programas de televisão ligados à comédia, tanto aqui no Brasil, quanto nos Estados Unidos, se utilizam de referências do trabalho de Andy Kaufman e muitas vezes sem conhecimento profundo sobre sua linguagem. “Nosso desafio foi justamente esse, entender sua linguagem, que não está ligada ao riso, mas sim ao incômodo, à transformação, é impossível assistir os vídeos de Andy e não se perguntar sobre suas escolhas, sua criatividade e sua capacidade de misturar tudo e ter nas mãos uma bomba relógio, do riso e do pânico.”

Sinopse

 

Um mergulho na vertiginosa trajetória do performer Andy Kaufman, interpretado por Victor Mendes, acompanhado do parceiro Gero Camilo. A peça dialoga com os pensamentos transgressores do artista tido como morto em 1984 nos EUA. Mas há controvérsias e Andy ainda pode estar vivo.

Sobre Andy Kaufman

Andy Kaufman (Nova Iorque, 17 de janeiro de 1949 – Los Angeles, 16 de maio de 1984) foi um cantor, dançarino e ator performático estadunidense. O artista quebrou todas as estruturas da comédia convencional, apresentando números vanguardistas no teatro e em eventos públicos diversos. Nesse universo, interpretava personagens que escondiam sua verdadeira identidade, como o cantor Tony Clifton. Seus números irreverentes e criativos o tornaram célebre nos Estados Unidos. Fez sucesso no programa Saturday Night Live e ganhou a admiração de críticos e artistas diversos com suas performances.

Mas Kaufman não se considerava humorista e começou a realizar piadas herméticas para se relacionar com o público. Muitas vezes, irritava seus espectadores com pegadinhas, além de inventar falsas histórias para a imprensa americana. Kaufman queria ser o melhor artista do mundo e, após ser demitido da ABC, passou a fazer shows em ringues de luta livre, onde desafiava mulheres. Muitos o consideraram louco durante essa fase, mas Kaufman, muito além da realidade, estava interpretando seus personagens realísticos.

Espetáculo de teatro

 

Andy Estreia dia 23 de junho, sábado. No Teatro do Sesc Santana.Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jd. São Paulo. TemporadaDe 23 de junho a 29 de julho.

Sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 18h. Dia 25 de julho – sessão especial às 15 horas para o público do Trabalho Social com Idosos. Ingressos – R$ 30 (inteira) R$ 15 (meia) R$ 9 (credencial plena).

 

Classificação etária: não recomendado para menores de 14 anos. Duração: aproximadamente 90 minutos. Capacidade: 330 lugares. Acesso para deficientes – estacionamento ar condicionado. Estacionamento: R$5,50 a R$11 no período do espetáculo. Funcionamento da bilheteria do Sesc Santana: de terça a sábado, das 9h às 21h e aos domingos, das 10h às 18h. Aceitam-se cheque, cartões de crédito (Visa, Mastercard, Diners Club International e American Express) e débito (Visa Electron, Mastercard Electronic, Maestro, Redeshop e Cheque Eletrônico). Ingressos podem ser adquiridos em todas as unidades do Sesc e no portal www.sescsp.org.br

 

Ficha técnica

 

CONCEPÇÃO GERAL: GERO CAMILO E VICTOR MENDES. DRAMATURGIA: GERO CAMILO E VICTOR MENDES. DIREÇÃO: GERO CAMILO. ELENCO: VICTOR MENDES E GERO CAMILO. CENOGRAFIA: ANDRÉ CORTEZ. DIREÇÃO DE ARTE: ANDRÉ CORTEZ E CIA TERTÚLIA DE ACONTECIMENTOS. DESENHO DE LUZ: MARISA BENTIVEGNA. FIGURINOS: ANDRÉ CORTEZ, STELLA GARÇON E CIA TERTÚLIA DE ACONTECIMENTOS. VÍDEOS: CAROL SHIMEJI E RAFAEL DRODRO. TRILHA: RICARDO GARCIA.  VOZES RUSSAS: ELENA NIKITINA E VADIM NIKITIN.  TRADUÇÃO LEGENDAS RUSSAS: VADIM NIKITIN. FOTOS: ROBERTO SETTON.  ARTE GRÁFICA: SATO DO BRASIL, MURILO THAVEIRA E VICTOR MENDES. ASSESSORIA DE IMPRENSA: ARTEPLURAL. PRODUÇÃO: CIA TERTÚLIA DE ACONTECIMENTOS. DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: FLÁVIA CORRÊA.

 

Por que fizemos esse espetáculo? Por Gero Camilo e Victor Mendes

O Brasil vem passando por um momento bastante complicado relacionado à arte, com o surgimento instantâneo  de “críticos de arte especializados”.  Talvez isso seja uma característica do brasileiro, já trazendo o “entendimento absoluto sobre futebol” na bagagem, “o entendimento  absoluto sobre religião”, juntamente com a recém adquirida “formação política e a solução para os problemas do país”.

 

Isso tudo é bem esquisito, achar que se sabe responder a tudo sem preparo, estudo e discernimento, e não se pode aceitar que isso seja correto e natural.  Porém, o artista na sua natureza, tem esse papel questionador e vanguardista de expor o problema e desafiar o público a refletir sobre esse conceito. Nesse caso estamos fazendo uma crítica a todos que pensam entender de arte e querem determinar ao próprio artista se o que ele está realizando é arte ou não.

 

O que se dizia antigamente no país: “Política, futebol e religião não se discute” caiu por terra nos últimos anos. E o que é pior, discutir esses temas hoje em dia nos leva facilmente a agressões e imposições de todo tipo, seja político, social, religioso e agora artístico.

 

Todos parecem ter a receita perfeita de como devemos ser, mas se tirarmos os pés do chão por um instante e pensarmos que nós somos poeiras de estrelas, e se mantivermos a cabeça no lugar, assim como Andy Kaufman,  talvez consigamos refletir o que estamos fazendo para nós individualmente, para o nosso planeta e para o nosso Universo, e com isso mudar nossa atitude.

 

Portanto só nos resta espaço na arte para entrar nesses terrenos movediços, ou no conceito da astrofísica, nesse ser em expansão. Estamos buscando esse Espaço, o Universo, “Kaufmanizando” essa ficção para ampliar a discussão e questionar o tempo presente.

Diferente da maioria das pessoas que se dividiram em: Vida artística:  Realidade x Ficção e Vida pessoal:  Verdade x Mentira. Andy Kaufman busca exatamente ferir esse conceito, essa justaposição. É muito difícil definir, seja a partir da sua obra artística, quanto a partir da sua vida pessoal, os fatos reais e os eventos criados por ele mesmo para serem tido como reais. Ele cruza esses conceitos de forma radical, da seguinte maneira:

 

REALIDADE                                    FICÇÃO

 

VERDADE                                      MENTIRA