“A Mentira” no Gláucio Gill

Inez Viana dirige “A Mentira” de Nelson Rodrigues

dois anos antes da Lolita de Vladimir Nabokov, Nelson Rodrigues criou Lúcia
romance de Nelson Rodrigues é pela primeira vez encenado no teatro, com adaptação de Inez Viana
“A Mentira” contém todos os elementos posteriormente chamados de rodriguianos

O Teatro Gláucio Gill recebe, de 15 de junho a 9 de julho de 2018, sextas, sábados e segundas, às 21h, domingos, às 20h, “A Mentira”, adaptação do romance homônimo, ainda pouco conhecido, de Nelson Rodrigues, uma tragédia causada por mentiras e segredos. Lúcia é a caçula de uma família de quatro mulheres e um pai repressor, que vive na zona norte do Rio de Janeiro. Aos catorze anos ela sente um súbito mal-estar, que leva à terrível descoberta da gravidez. A suspeita sobre quem seria o pai da criança será o motor de uma sequência de revelações de acontecimentos passados e desejos ocultos sob a aparente harmonia familiar. “A Mentira” contém todos os elementos posteriormente chamados de rodriguianos.Em cena, sete atores e atrizes se revezam nos vários personagens da trama. Direção e adaptação de Inez Viana, com realização da Cia OmondÉ.

Em 1953, a pedido de Samuel Wainer, Nelson Rodrigues começou a publicar em episódios, no Jornal Última Hora, aquele que seria seu primeiro romance assinado, sem o pseudônimo Suzana Flag. Assim, dois anos antes da Lolita de Vladimir Nabokov, Nelson criou Lúcia. Na trama, desejos reprimidos dominam o cotidiano familiar e quando verdades inconfessáveis vêm à tona, a loucura contida pelos bons costumes eclode violentamente.

– A Mentira é uma obra atual, repleta de ótimos diálogos, característica bem ligada à famosa veia dramatúrgica do autor. O lado jornalístico do Nelson também se apresenta através do narrador em terceira pessoa, o que propicia uma encenação dinâmica, épica, num diálogo direto com a plateia –, comenta Inez Viana que comprou os direitos para esta montagem inédita.

Em novembro de 2018, “A Mentira” participa do Projeto Ano da Dramaturgia Brasileira, do Sesc SP, com uma leitura dramatizada em forma de rádio novela, no Sesc Ipiranga.

Produzido com recursos próprios, “A Mentira” é o sétimo espetáculo da Cia OmondÉ, que em 2019 vai celebrar 10 anos de atividades com a montagem de uma obra inédita de Ariano Suassuna, a convite de Dantas Suassuna. Mais isso é uma outra história.

Inez Viana

Em mais de 30 anos de profissão atua como atriz, cantora e diretora, com várias indicações e prêmios conquistados. Seu talento como atriz é reconhecido entre colegas, público e crítica, a exemplo do sucesso “A Mulher que Escreveu a Bíblia” (2007) com o qual ainda hoje tem feito várias temporadas e apresentações, festivais e turnês pelo Brasil, tendo recebido o Prêmio Qualidade Brasil de Melhor Atriz e indicações aos prêmios Shell e APTR.

Artista importantíssima no cenário teatral carioca, Inez tem muitas contribuições ao teatro nacional como a participação no Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, grupo consagrado nos anos 90, dirigido por Aderbal Freire-Filho. Dirigiu e roteirizou o documentário “Cavalgada à Pedra do Reino” (1999), baseado no Romance d’A Pedra do Reino de Ariano Suassuna. Em 2010 dirige “As Conchambranças de Quaderna”, texto inédito de Ariano Suassuna, onde obteve críticas elogiosas e recebeu indicações aos prêmios Shell e APTR de melhor direção. Com essa peça funda a Cia OmondÉ, atualmente com 9 anos de trajetória e 6 espetáculos em repertório.

Fora da Cia OmondÉ, Inez dirigiu os espetáculos: “Amor Confesso” (2011) de Arthur Azevedo, “Maravilhoso” (2013) de Diogo Liberano, “Cock – Briga de Galo” (2014) de Mike Bartlett, “Meu passado me condena” (2014) de Tati Bernardi, “Não vamos pagar!” (2014) de Dario Fo, “O que você vai ver” (2014), livremente inspirado em ‘All That Fall’ de Samuel Beckett, “Memórias de Adriano” (2015) de Marguerite Yourcenar, “Imortais” (2017) de Newton Moreno, com Denise Weinberg, que estreou no Teatro Anchieta e continua em cartaz em São Paulo. Também dirigiu os shows: “João do Vale, na asa do vento” (2010) com Chico César, Teresa Cristina e Flávio Bauraqui, “Breque Moderno” (2010) com Soraya Ravenle e Marcos Sacramento, e “Orlando Silva – Nada Além” (2016), com o ator-cantor Tuca Andrada.

Em agosto de 2018, Inez Viana estreia como autora teatral, no Sesc Pompéia, com a encenação de “A última peça”, direção de Danilo Grangheia, colaboracão artística de Grace Passô e atuação de Inez Viana e Thomas Quillardet.

Cia OmondÉ

Composta por Carolina Pismel, Debora Lamm, Iano Salomão, Inez Viana, Jefferson Schroeder, Juliane Bodini, Junior Dantas, Leonardo Bricio, Luis Antonio Fortes e Zé Wendell, a Cia OmondÉ surgiu no final de 2009 da vontade da diretora e atriz Inez Viana em formar um grupo com atores e atrizes vindo de várias partes do Brasil, para o aprofundamento de uma pesquisa cênica, onde a diversidade, a brasilidade e o diálogo com a cena mundial contemporânea fossem concomitantemente estudados. “Trata-se de uma busca aos signos do teatro, infinitos se pensarmos na precisão de um gesto ou na magia do aparecimento de um objeto em cena, levando o espectador a ser cúmplice não-passivo, co-autor e não somente voyer do espetáculo”, declara Inez Viana. O repertório da OmondÉ compõe-se das peças:

– “As Conchambranças de Quaderna” (2009) de Ariano Suassuna, recebeu o Prêmio Shell-RJ de melhor direção musical (Marcelo Alonso Neves), Prêmio APTR de melhor atriz coadjuvante (Dani Barros) e Prêmio Contigo de Teatro para melhor espetáculo de comédia, além de indicações aos prêmios Shell e APTR de melhor direção, APTR de melhor ator protagonista e figurino e Qualidade Brasil de melhor ator de comédia.

– “Os Mamutes” (2011) de Jô Bilac, recebeu Prêmio FITA de melhor direção (Inez Viana), melhor atriz protagonista (Debora Lamm) e melhor figurino (Flavio Souza), além de indicações aos prêmios Shell de melhor figurino, APTR de melhor atriz, Questão de Crítica de melhor atriz e figurino.

– “Nem mesmo todo o oceano” (2013) de Alcione Araújo, foi indicado ao Prêmio APTR de melhor produção e Questão de Crítica de melhor direção e trilha sonora.

– “Infância, tiros e plumas” (2015) de Jô Bilac, recebeu indicações ao Prêmio Questão de Crítica de melhor cenário e CENYMS de melhor espetáculo, texto original, cia de teatro, qualidade técnica, cenário, iluminação, trilha sonora original e efeitos sonoros.

– “Os Inadequados” (2016) de criação coletiva.

– “Mata teu pai” (2017) de Grace Passô, recebeu o Prêmio Cesgranrio de melhor autora (Grace Passô) e indicado ao Shell de melhor cenário e iluminação e ao Prêmio Qualidade Brasil de melhor atriz.

Ficha técnica

Texto: Nelson Rodrigues
Direção e Adaptação: Inez Viana
Elenco: Leonardo Bricio, Inez Viana, Denise Stutz (revezando com Inez), Junior Dantas, Zé Wendell, André Senna, Elisa Barbosa, Lucas Lacerda
Assistente de Direção: Bruna Christine
Direção de Movimento: Denise Stutz
Iluminação: Ana Luzia De Simoni
Figurino: Virgínia Barros
Ambientação Cênica: Inez Viana
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Projeto Gráfico: André Senna
Fotos de Divulgação: Aline Macedo
Direção de Produção: Inez Viana
Produção Executiva: Junior Dantas e Lucas Lacerda
Realização: Cia OmondÉ

Serviço

Local: Teatro Gláucio Gill
Endereço: Praça Cardeal Arcoverde, s/nº, Copacabana, Rio de Janeiro
(próximo ao Metrô Cardeal Arcoverde)
Informações: (21) 2332-7904
Temporada: 15 de junho a 9 de julho de 2018
Dias e horários: Sextas, sábados e segundas, às 21h, domingos, às 20h
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)
Lotação: 120 lugares
Duração: 90 minutos
Não recomendado para menores de 14 anos

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