“ROSE” no SESI Centro

O Teatro SESI Centro apresenta de 12 de março a 10 de abril a temporada de estreia do drama ROSE, escrito por Cecilia Ripoll e eleito como a melhor dramaturgia escrita durante as atividades da turma 2017 do Núcleo de Dramaturgia SESI Cultural, composta por 14 autoras e autores coordenados pelo diretor e dramaturgo Diogo Liberano.

Com direção de Viniciús Arneiro, a montagem apresenta a trajetória de Rose (interpretada por Dida Camero), incansável funcionária de uma escola municipal carioca que, durante a semana, se angustia com a escassez de merenda para as crianças e, aos fins de semana, como empregada doméstica de uma família abastada, se depara com o desperdício de comida boa jogada ao lixo sem a menor piedade.

Quanto mais a situação da merenda na escola pública em que Rose trabalha se agrava, mais a protagonista sente a necessidade de resolver a situação com suas próprias mãos. É tomada por essa urgência que Rose começa a confiscar as sobras de alimentos na casa de sua patroa, Dona Celina (interpretada por Ângela Câmara), e também a comprar mais suprimentos para alimentar os alunos da escola.

Porém, é com a chegada do novo diretor da escola, Renato Andrade (interpretado por Márcio Machado), que a tranquilidade de Rose acaba: Me dói pensar que esta mulher está sendo roubada em sua própria casa. É um roubo para o bem¿ Sim, é um roubo para o bem. Mas não deixa de ser um roubo. E como que é que vamos mudar a situação desse país se a gente não começar a rever nossos próprios atos¿”

 É uma escrita com alto teor literário, tem ares de romance, é uma saga épica, é uma peça de teatro, é na primeira, segunda e terceira pessoa que ela se compõe.  É o olhar da classe média trabalhadora sobre a vida, é uma peça sobre a luta de classe, sobre paixão, comida, ética e caráter – diz Viniciús Arneiro (indicado ao Prêmio Shell de Melhor Direção por “Os Sonhadores”, em 2016 )

Além de abrir questionamentos sobre a conduta de Rose e sobre o estado de calamidade das políticas públicas no que se refere à merenda escolar, a dramaturgia de Cecilia Ripoll também aposta em dois outros personagens: Maria Juliana (interpretada por Natasha Corbelino) e Antônio Pedro (interpretado por Thiago Catarino). Ela é filha de Rose e ele é filho da patroa. Dois adolescentes que, logo após se conhecerem, vivem uma relação de implicância mútua, que pode ser amor, mas também ódio.

– A princípio eu pensei em escrever um texto sobre a precariedade das condições de trabalho de um artista no Rio.  Mas depois me veio um desconforto em falar do teatro dentro do teatro. Precisava falar de questões que abrangessem um maior número de pessoas. Então veio essa questão da fome. Essa questão da escassez de comida no momento de formação, de crescimento. A fome, que tinha sido quase erradicada no nosso país e que de repente voltou a se colocar – afirma Cecília.

A dramaturgia de Ripoll começou a ser composta a partir do segundo semestre de 2017. Com orientação de Diogo Liberano, ao término do ano, os 14 autores da terceira turma do Núcleo de Dramaturgia SESI Cultural – junto ao coordenador – avaliaram as dramaturgias criadas e chegaram a uma primeira seleção de quais textos seriam mais potentes de serem encenados. ROSE foi a dramaturgia escolhida.

Porém, tratando-se de um programa anual voltado à formação de dramaturgas e dramaturgos, a publicação da dramaturgia também será contemplada, mas não apenas para ROSE. Em parceria inédita com a editora Cobogó, que dentre suas publicações edita a Coleção Dramaturgia, o Núcleo de Dramaturgia SESI Cultural encerra as atividades de sua terceira turma com três publicações: ROSE; e também ESCUTA! De Francisco Ohana e O ENIGMA DO BOM DIA de Olga Almeida. Os livros serão vendidos durante a temporada de estreia de ROSE.

Serviço

ROSE

Temporada de 12 de março a 10 de abril

Dias e horários: segundas e terças às 19h

Local: Teatro SESI Centro

Endereço: Avenida Graça Aranha, 1 – Centro – Rio de Janeiro/RJ (Próximo ao Metrô – Estação Cinelândia)

Valor: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

Bilheteria: segunda a sexta, das 12h às 20h. Sábados, domingos e feriados, quando houver atração, duas horas antes da sessão.

Gênero: Drama

Classificação: 12 anos

Capacidade: 338 lugares

Equipe de Criação

Dramaturgia: Cecilia Ripoll

Direção: Viniciús Arneiro

Assistência de Direção: Marcela Andrade

Elenco (Personagem):

Ângela Câmara (Dona Celina)

Dida Camero (Rose)

Márcio Machado (Diretor Renato/Carlinhos da Costa Junior)

Natasha Corbelino (Maria Juliana)

Thiago Catarino (Antônio Pedro)

Direção de Arte: Flavio Souza

Direção Musical: Tato Taborda

Iluminação: Livs Ataíde

Fotos para comunicação visual: Bob Maestrelli

Mídias Sociais: Teo Pasquini

Design Gráfico: Davi Palmeira

Assessoria de Imprensa: Lyvia Rodrigues – Aquela que Divulga

Produção: Clarissa Menezes

Coordenação do Projeto e do Núcleo de Dramaturgia SESI Cultural: Diogo Liberano

 

Currículos

Cecília Ripoll – É dramaturga, diretora e atriz, formada em Licenciatura Plena em Artes Cênicas. Autora da dramaturgia Paco e o Tempo, premiada como Melhor Texto no III Concurso Jovens Dramaturgos do Sesc e no 45°FENATA (Festival Nacional de Ponta Grossa). Integrou em 2017 o Núcleo de Dramaturgia do Sesi, coordenado por Diogo Liberano. Diretora e fundadora do Grupo Gestopatas, que desde 2014 investiga dramaturgia nas formas animadas. Dirigiu e assinou a dramaturgia de Pareidolia – depois do fim e de Paco e o Tempo que além dos prêmios já citados, também recebeu Melhor Espetáculo, Especial do Júri pela Pesquisa em Formas Animadas (45°FENATA) e Indicação ao Prêmio CBTIJ 2016 pelo Trabalho em Formas Animadas. Integrou o Laboratório Cênico 2017 com Rodrigo Portella no Sesc Tijuca. Atriz e Assistente de Direção do premiado A Cozinheira, o Bebê e a Dona do Restaurante, dirigido por Luis Igreja. Começou sua trajetória no teatro junto a Companhia do Gesto, com a qual realizou diversos espetáculos, entre infantis e adultos, como atriz e como assistente de direção.

Viniciús Arneiro – Formou-se na Escola de Teatro Martins Penna no Rio de Janeiro em 2006. Em 2007 estreou sua primeira direção com a peça Cachorro (indicado ao Prêmio Shell 2007 de Melhor Direção), com texto de Jô Bilac, primeiro espetáculo da companhia Teatro Independente. Dentre os trabalhos que dirigiu estão: Rebú (2009), texto de Jô Bilac (com o Teatro Independente); Não sobre rouxinóis (2012), de Tennessee Williams, montagem inédita no Brasil, onde assinou a direção junto de João Fonseca; Cucaracha (2012), texto de Jô Bilac (com o Teatro Independente); Fluxorama (2013), dramaturgia de Jô Bilac – projeto em que atua e dirige junto de Inez Viana e Rita Clemente. O espetáculo esteve entre os 10 melhores de 2013 (O Globo) e foi indicado ao prêmio APTR de Melhor Autor. Estreou em 2014 no CCBB (RJ) Cássia Eller, o musical onde assina a direção junto de João Fonseca – Indicado ao prêmio Arte Qualidade Brasil 2014 nas categorias Melhor Espetáculo Musical e Melhor Direção. Em 2016 dirigiu Os Sonhadores, com dramaturgia de Diogo Liberano, espetáculo indicado ao Prêmio Shell 2016 nas categorias Melhor Direção, Melhor Texto e Melhor Cenário. Em julho de 2017, estreou na galeria do Espaço Cultural Sérgio Porto o solo Colônia, performado por Renato Livera, com dramaturgia de Gustavo Colombini. Ainda em 2017 foi convidado para dirigir João do Vale – o gênio improvável, espetáculo musical em comemoração aos 200 anos do Teatro Arthur Azevedo em São Luís (MA), cidade onde residiu por 4 meses para conceber a obra junto aos artistas maranhenses.