Púrpura – Performance móvel pelo Rio de Janeiro

A experiência começa  em ponto de encontro em Botafogo. Três espectadores são conduzidos para o banco de trás de um carro, por duas atrizes, que traçam um diálogo ao mesmo tempo cotidiano e surreal sobre assuntos aleatórios: hábitos, casas mal assombradas, trajetos imaginários e referências a road movies. O carro conduz cada um dos espectadores a uma locação diferente, onde irão se encontrar com uma outra atriz e um universo por ela criado, num cenário já existente na cidade. As cenas, que  em movimento coloca os visitantes num estado de suspensão e estranheza que os prepara para a experiência um a um que está por vir.

            Ao ser deixado na locação, um espaço público sem nenhuma intervenção cenográfica, o espectador recebe um envelope com o ponto de encontro e o figurino da atriz que o espera. Nesse momento, é recebido com um monólogo e um convite a uma experiência de 40 minutos, à partir de narrativas pessoais da atriz que o recebe. São experiências distintas, criadas por cada uma das 5 atrizes participantes em colaboração com a diretora. O que todas essas cenas têm em comum são a busca por um estranhamento e pela observação de pequenos surrealismos em nosso cotidiano numa cidade grande, assim como memórias de cada uma das participantes nesses cenários. Entre elas, estão o convite para uma viagem a um futuro próximo apocalíptico à partir da observação de uma praça de alimentação, memórias de uma relação ficcional num shopping center e uma personagem que frequenta o aeroporto todos os dias à espera de alguém.
            “Todo o nosso processo de pesquisa pro Púrpura partiu de uma observação das atrizes de si mesmas e das sensações, ideias e atravessamentos que moviam cada uma. E, ao mesmo tempo, de uma observação do entorno, da cidade, das ações cotidianas, dos espaços públicos, de deixar-se penetrar por tudo isso e perceber as estranhezas e as possibilidades de narrativa que podem estar ocultas no que parece banal ou ordinário. Nos interessa pensar nesses espaços para além de suas funcionalidades, e sim como possíveis campos para proporcionarem experiências de encontro”, diz Anna Costa e Silva.   
O elenco é composto por Ana Abbott, Catharina Caiado, Flora Diegues, Nanda Félix e Luciana Novak, também co-autoras do trabalho, junto com a poeta Catarina Lins e a atriz e dramaturga Clarisse Zarvos. A experiência é produzida por Gabriel Bortolini. Para participar, é necessário entrar em contato com a produção da peça e agendar seu horário. No ato de inscrição, será revelado o ponto de encontro.
 
Serviço
Púrpura
20.01 – 05.02
Sábados, domingos e 2as 18h/ 19h/ 20h/ 21h – 3 espectadores por horário
Em locações próximas a Botafogo
Para participar, mandar e-mail para annacostaesilva@gmail.com ou gabrielborto@yahoo.com.br / ligar para 21 99406 9009.
 
Ficha técnica
Concepção e direção: Anna Costa e Silva
Atuação e dramaturgia: Ana Abbott, Catharina Caiado, Flora Diegues, Nanda Félix e Luciana Novak
Dramaturgia do carro: Catarina Lins e Clarisse Zarvos
Produção: Gabriel Bortolini
Assistência de produção: Julia Paiva
Colaboração artística: Priscila Fizman
 
Sobre Anna Costa e Silva
Anna Costa e Silva nasceu em 1988 no Rio de Janeiro. Mestre em Artes Visuais pela School of Visual Arts, NY, e graduada em Cinema pela UGF-RJ, seu trabalho acontece nas interseções entre artes visuais e cênicas, cinema e práticas relacionais. Passa seus dias num híbrido de artevida, dormindo na casa de desconhecidos para ter conversas em estados de semi consciência, oferecendo companhia, realizando performances para uma pessoa por vez, convidando atores a não atuar e desdobrando esses processos em situações construídas ou instalações.
Recebeu prêmios importantes como FOCO Bradesco ArtRio, Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais e American Austrian Award for Fine Arts, competindo com mestrandos de todas as universidades americanas. Entre 2014 e 2017, realizou 7 exposições individuais e espetáculos em instituições como Caixa Cultural, Centro Cultural Justiça Federal e espaços independentes como Phosphorus, SP e casamata, RJ, além de exposições coletivas em espaços como Casa França Brasil, A Gentil Carioca, Casa Triângulo, Parque Lage, Despina e Solar dos Abacaxis. Começou sua trajetória dirigindo curtas metragens, entre eles “Vozes” (2009) exibido em mais de 30 festivais pelo mundo, em países como França, Portugal, Estados Unidos e Austrália, e ganhador de prêmios como Melhor Filme Experimental – FestCine Amazônia e Accolade Award of Excellence – LA. Foi assistente de direção em 9 longas metragens e dirigiu a série de documentários “Olhar” sobre artistas contemporâneos para o canal Arte1.