Tripas no Teatro Poeirinha a partir de 12 de janeiro

“Tripas” narra o encontro de dois artistas, um pai e um filho, que decidem compartilhar com o público o cruzamento de suas biografias: Ricardo Kosovski, ator, diretor e professor; e Pedro Kosovski, autor e diretor, que testemunhou a jornada do pai há dois anos, após uma internação repentina por uma crise de diverticulite aguda. Da necessidade de romper o silêncio de um quarto de hospital, nasceu “Tripas”, que volta aos palcos no Teatro Poeirinha, em Botafogo, em 12 de janeiro.

Após nove meses de internação e três cirurgias, Ricardo e Pedro cumpriram o que foi combinado enquanto o pai estava na UTI: quando saísse de lá, iriam viajar pelo mundo. No início deste ano, decidiram visitar Israel. “É uma história muito forte, eu quase morri. Quando passou, resolvemos voltar às origens e viajamos para Tel Aviv, em Israel”, conta Ricardo. “Foi a primeira vez que viajei sozinho com meu pai”, lembra Pedro. “Foi transformador! Entendemos a nossa relação. Foi necessário passar por tudo aquilo para entender o que a gente tem”.

Lá conheceram o Golfo de Ácaba, que fica na fronteira entre Israel, Egito, Jordânia e Arábia Saudita, e Pedro começou a criar a dramaturgia. Na peça, um homem encontra-se preso na fronteira do golfo, cercado por observadores internacionais, a plateia. Ele se dirige ao público narrando fragmentos de sua história e de seu filho. “Teatro e hospital não combinam. O teatro está vivo, é o frescor da vida. Para falar da fronteira entre vida e morte, entre filho e pai, optei por esta fábula”, destaca Pedro. “Uma autoficção, onde falo através do meu pai”.

A peça está associada ao pós-doutoramento de Ricardo, professor da UNIRIO, com o título “Das tripas… autoficção” e orientação do Prof. Dr. Renato Ferracini (LUME/UNICAMP). O escritor e crítico literário francês Serge Doubrovsky, criador do conceito de autoficção, desmistificou a autobiografia. “A peça é sobre nós – passado, presente e futuro, mas também tem aspectos fantásticos, pois trata do olhar que fabulamos sobre nós mesmos”, explica Ricardo. “Estarei à disposição exclusivamente do espetáculo até agosto de 2018. O pós-doutoramento tem um objeto artístico maior, que é a peça. Ensaiamos 10 dias no Rio e fomos para Campinas fazer uma residência no LUME e realizar uma interlocução com Ferracini”, conta o ator.  “Pedro define bem ao dizer que antes de ser um encontro de pai e filho, este é o encontro de dois artistas. A liberdade em relação à nossa própria historia”, conclui.

Em cena, Ricardo é acompanhado pelo guitarrista Pedro Nêgo, que executa as composições de Felipe Storino e a canção Hey amigo, da banda O Terço, ícone do rock underground dos anos 70. O cenário criado por Lídia Kosovski, irmã de Ricardo e tia de Pedro, é uma instalação cênica composta de espuma que dispõe o público em seu entorno. “Puxamos o fio do tempo e vamos até a infância dele, em 1964, quando tinha seis anos. Época do Golpe Militar”, narra Pedro. “A história micro, a nossa familiar, levando para uma história maior, a do país. Em 1984, no ano das Diretas Já, eu tinha um ano. Minhas primeiras lembranças estão lá, nestes recortes do tempo”, destaca.

O título é uma referência às entranhas, à jornada hospitalar, às profundezas do corpo. A peça busca ficcionalizar memórias pessoais e projetar, para além dos laços familiares, respostas e perguntas em suas origens e redutos de ancestralidade. “A vida é tortuosa e bela ao mesmo tempo: é nas dobras infinitas entre vida e criação que Tripas acontece”, conclui Ricardo.

 

FICHA TÉCNICA

Texto e Direção: Pedro Kosovski

Atuação: Ricardo Kosovski

Cenário: Lídia Kosovski

Iluminação: Renato Machado

Direção musical: Felipe Storino

Direção de movimento: Toni Rodrigues

Músico: Pedro Nêgo

Interlocução artística: Renato Ferracini

Assistência de direção: Julia Stockler

Vídeo e registro: Lourenço Monte-Mór

Design gráfico: Marina Kosovski

Direção de Produção: MS Arte & Cultura

Realização: Ricardo e Pedro Kosovski

Projeto associado ao pós-doutoramento do Prof. Dr. Ricardo Kosovski (UNIRIO), sob o título “Das tripas… autoficção”.

 

Tripas

Temporada: de 12 de janeiro a 25 de fevereiro de 2018.

Apresentações em janeiro: de sexta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h.

Apresentações em fevereiro: de quintaa sábado, às 20h, e domingo, às 19h.

Local: Teatro Poeirinha – Rua São João Batista 174, Botafogo. Tel.: 2547-0156.

Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25 (meia)

Classificação indicativa: 16 anos. Duração: 60 minutos. Lotação: 45 lugares

Gênero: Drama