“Euforia” no Teatro Municipal Café Pequeno

Possuidor de ótima voz, impecável trabalho corporal, grande carisma e uma inteligência cênica que o leva a buscar soluções que sempre escapam ao previsível, aqui Michel Blois exibe um dos melhores trabalhos da sua carreira, valorizando ao máximo tanto… Sem dúvida, uma das melhores performances da atual temporada... …Em uma época, como a nossa, em que a hipocrisia e o preconceito parecem fadados a se perpetuar, é extremamente gratificante entrar em contato com um texto belíssimo

‘Euforia’ recebeu irretocável versão cênica de Victor Garcia Peralta. Explorando com extrema sensibilidade a ótima cenografia de Elsa Romero, que vai se transformando ao longo da montagem…” (Lionel Fisher)

 

“…JULIA não consegue escrever nada abaixo de excelente.PERALTA só faz ótimos trabalhos de direção. MICHEL é um dos grandes atores de sua geração...

MICHEL BLOIS sabe valorizar o texto e seguir as orientações da direção, de modo a comover, profundamente, a plateia, do início ao fim do monólogo...

É impressionante o desenvolvimento do texto deste monólogo! É fascinante o trabalho de mexer com o sensorial, de fazer com que o público acompanhe e também sinta o desenvolver ou o renascer do desejo sexual na personagem(Gilberto Bartholo)

 

Depois da temporada de sucesso noEspaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Humaitá, Euforia reestreia no Teatro Municipal Café Pequeno, no Leblon, dia 06 de outubro, às 22h. Em cartaz até o dia 28, a montagem traz um espetáculo híbrido, no qual ator, texto, corpo e voz estão em constante processo. A direção e dramaturgia foram criadas em conjunto, conforme a demanda da interpretação. Os três parceiros, Michel Blois (ator), Julia Spadaccini (autora) e Victor Garcia Peralta (diretor), se entrelaçam criativamente de modo a misturar as linguagens, dando origem a uma montagem performática. A luz, o som, o cenário são mutantes e articulados pelo próprio ator, que interpreta os dois personagens da montagem.

Divida em dois solos, o espetáculo trata do desejo. Um desabafo de dois personagens, um velho e uma cadeirante, que socialmente são olhados como seres assexuados, invisíveis aos olhos do prazer comum.

Esta é a segunda peça que Michel Blois é dirigido por Victor Garcia Peralta. A primeira foi “The Pride”, em 2016. Já, com Julia Spadaccini, a parceria vem desde 2006, quando fez assistência de direção de Kiko Mascarenhas, na peça “Por enquanto é isto”, que Julia fazia como atriz. Depois dirigiu outras duas peças da dramaturga, “A Sônia é que é feliz”, solo com Rodolfo Mesquita, em 2007; e, ao lado da diretora de cinema Sandra Werneck, “E se eu não te amar amanhã”, com Luana Piovani, Leonardo Medeiro e Marcelo Laham, recentemente em cartaz. E, como ator, fez “Aos Domingos”, em 2013, indicada ao prêmio Shell e Cesgranrio de melhor dramaturgia; e “Os Inocentes”, em 2010, texto de Julia em parceria com Rodrigo Nogueira.

Euforia é a 40ª peça de sua carreira. Foram 2 assistências de direção, 16 direções e 34 como ator (das 16 direções, atuou em 12).

 

DOIS PERSONAGENS E SEUS DESEJOS INVISÍVEIS:

 

UM SENHOR DE 87 ANOS HOMOSSEXUAL

A sexualidade dos mais velhos é um dos aspectos do envelhecimento que mais sofre preconceito, muitas vezes avaliada como um período assexual e de renúncia. A libido não se apresenta somente no ato sexual em si, mas nos pensamentos, na observação, nos sonhos, no desejo constante.

Foi constatado que os indivíduos, quando vão para um asilo, escondem suas sexualidades. Homossexuais, assumidos socialmente quando jovens, voltam a vestir a máscara social para não passar “constrangimentos”.

Esse personagem vai se desenvolver justamente nesse ambiente e com essa inquietação: viver num asilo e ter que se distanciar novamente de sua própria identidade. Porém, dentro de si, o que ainda persiste é a euforia do desejo que se mantem vivo, jovem e pleno. Um universo pulsante ainda está ali, querendo, sentindo e sendo o que sempre foi.

A sexualidade em toda sua amplitude, não sendo restrita ao ato sexual, ganha contornos simbólicos que falam do desejo de permanecer vivo, da persistência exigida quando o vigor do corpo declina. Mesmo tendo superado os medos e os conflitos gerados pelo desejo homossexual ao longo da vida, este é um  momento de entender que a vida sexual pode ser realizada de várias formas contradizendo a norma conservadora.

Agora, ele vê emergir imagens da infância e da adolescência. Os choques entre desejo e aceitação, beleza e envelhecimento perduram assim como o medo do abandono. A situação fica mais delicada com a perda da independência financeira e da saúde, normalmente associada à permanência de idosos nos asilos.

Em contrapartida a tenacidade de realizar seus desejos plenamente é fruto de uma construção de identidade pessoal preciosa e possível para algumas pessoas.

 


UMA MULHER PARAPLÉGICA

 

Uma publicação britânica sobre deficiências, que entrevistou mais de mil pessoas nessas condições, aponta que 85% já fizeram sexo alguma vez na vida e metade tinha um parceiro. Mas, por outro lado, um levantamento divulgado por um jornal do país revelou que 70% dos britânicos não iriam para a cama com alguém com algum tipo de deficiência física.

Esse é um preconceito comum. O deficiente é visto como uma vítima eterna, um “coitado”, um ser completamente assexuado.

Através do olhar dessa jovem personagem que ficou paraplégica em função de um acidente, vamos ser levados numa viagem onde a sexualidade é tão ou mais explorada pelo corpo e suas incríveis terminações nervosas.

No início, envolta pela percepção dos limites que o novo corpo lhe trazia, em meio a raiva e tristeza, não chegou a pensar em sexo. O seu foco era reaprender o cotidiano, como comer, lidar com a sonda, escovar os dentes. Até que um dia começa a ficar encantada pelo seu acupunturista, de uma certa maneira sente que ele lhe desperta a consciência sobre áreas de seu corpo que se tornaram mais sensíveis após o acidente. Ela fica obcecada pelas próprias bochechas, pescoço e outras partes não convencionais do corpo, aprendendo também a decifrar aos poucos um novo mundo de fantasias e sensações.

 

FICHA TÉCNICA

Elenco: Michel Blois

Texto: Julia Spadaccini

Direção: Victor Garcia Peralta

Diretora Assistente: Flavia Milioni

Iluminação: Wagner Azevedo

Cenografia: Elsa Romero

Figurino: Ticiana Passos

Trilha Sonora Original: Holograma

Projeto Gráfico: Raquel Alvarenga

Assessoria de Imprensa: Daniella Cavalcanti

Assistente de Assessoria de Imprensa: Mariana Casagrande

Foto e Vídeo: Rodrigo Turazzi e Duda Paiva

Pesquisa Dramatúrgica: Marcia Brasil

Cenotécnica: Fatima de Souza

Operadora de luz e som: Débora Thomas

Modelos para Arte: Zuka Blois e Terra

Administração de Temporada: Anna Bittencourt

Direção de Produção: Aline Mohamad e Michel Blois

Realização: Eu e Ele Produções Artísticas Ltda

SERVIÇO

Temporada: de 06 a 28 de outubro

Local: Teatro Municipal Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon – RJ)

Tel.: (21) 2294-4480

Horário: sexta e sábado, às 22h

Ingresso: R$ 20,00

Classificação: 14 anos

Capacidade: 80 lugares

Duração: 50 minutos

Bilheteria: de terça a quinta, das 16h às 20h; sextas, das 16h às 22h; sábado, das 14h às 22h; e domingo, das 14h às 20h

Compras na internet: https://ticketmais.com.br

Sinopse: Divida em dois solos, um velho e uma cadeirante, a peça trata do desejo. Um desabafo de personagens que socialmente são olhados como seres assexuados, invisíveis aos olhos do prazer comum.

 

 

CURRÍCULOS

 

MICHEL BLOIS

Natural do Rio Grande/RS. Formou-se na CAL em 2006.

Dirigiu as peças “Tubarões”, em cartaz no Sesc Copacabana; “E se eu não te amar amanhã?”, ao lado de Sandra Werneck; “Dentro”, da Pequena Orquestra; “Dois Irmãos – Due Fratelli”, de Fausto Paravidino, ao lado de Cynthia Reis; e “A Sônia é que é Feliz”, de Julia Spadaccini; além de “Dulce”, “MoMO” e “O Grande Livro dos Pequenos Detalhes”, apresentados no Brasil, Europa e África, em parceria com artistas portugueses como Flávia Gusmão, Nuno Gil, Cláudia Gaiolas e Paula Diogo. Também dirigiu, com a Cia Mundo Perfeito (Portugal), os espetáculos “Sempre”, “Pedro procura Inês” e “Bobby Sands vai morrer, Thatcher assassina”, todas apresentadas em Lisboa (PT).  Foi assistente de direção de Enrique Diaz na peça “Otro”; de Jefferson Miranda em “Modelos para A(r)mar”; Alessandra Colasanti em “tempo. Depois”; e de Kiko Mascarenhas em “Por enquanto é isso”. Como ator fez mais de 30 espetáculos e trabalhou os diretores Enrique Diaz, Simon Will (ING), Lola Arias (ARG), Tiago Rodrigues (PT), Jefferson Miranda, Felipe Hirsch, João Fonseca, Ary Coslov, Maria Maya, Cesar Augusto, Victor Garcia Peralta, Inez Viana, entre outros, e com as companhias Gob Squad (ING/ALE), Mundo Perfeito (PT) e Cia dos Atores.

Fundador da companhia de teatro Pequena Orquestra e do coletivo de dramaturgia Inventário de Mentiras.

Foi diretor artístico do Teatro Ipanema, ao lado de Fabricio Belzoff e Rodrigo Nogueira, entre 2012 e 2015, com a Residência Artística No Lugar.

É um dos programadores do Festival Dois Pontos que já teve duas edições no Rio de Janeiro.

Esta é a segunda peça que Michel Blois é dirigido por Victor Garcia Peralta, a primeira foi “The Pride” em 2016 em cartaz na Caixa Cultural e Teatro Ipanema. Já com Julia Spadaccini, a parceria vem desde 2006, quando fez assistência de direção de Kiko Mascarenhas na peça “Por enquanto é isto”, que a Julia fazia como atriz. Já dirigiu outras duas peças da dramaturga, o solo do Rodolfo Mesquita “A Sônia é que é feliz”, em 2007, e, ao lado da diretora de cinema Sandra Werneck, “E se eu não te amar amanhã” com Luana Piovani, Leonardo Medeiro e Marcelo Laham, em 2017. Como ator fez “Aos Domingos”, em 2013, indicada ao prêmio Shell de dramaturgia, e “Os Inocentes”, em 2010.

“Euforia” é a 40ª peça de sua carreira. Foram 2 assistências de direção, 16 direções e 34 como ator (das 16 direções, atuou em 12).

JULIA SPADACCINI

Julia Spadaccini nasceu no Rio de Janeiro, tem 38 anos, é formada em Artes Cênicas pela UNI-RIO, em Psicologia pela USU e Pós-graduada em Arteterapia pela Cândido Mendes. No teatro, Julia é autora de mais de 18 peças encenadas no Rio de Janeiro e em viagens pelo Brasil. Na TV foi roteirista da série “Oscar freire 279” (Multishow – 2011); do programa “Aprender a Empreender” (Canal Futura – 2010); “Básico” e “Quase Anônimos” (Multishow – 2009). Foi integrante do site “Dramadiário” durante 3 anos. Trabalhou como Roteirista dos Gibis da Editora Globo (2006/07). Como roteirista contratada na produtora Jodaf Mixer e Conspiração Filmes (2008/09). No cinema assinou o roteiro do filme “Qualquer Gato Vira-lata” produzido pela “Tietê Filmes” e o curta “Simpatia do Limão” vencedor do prêmio “Porta-curtas Petrobrás” no Festival de Cinema do Rio (2010). Participou da oficina de teledramaturgia da Rede Globo (2010). Foi roteirista dos gibis “Luluzinha Teen” da Ediouro (2009-2011).  Colaborou como roteirista do filme “Loucas para Casar” (Glaz Filmes/ 2015). Desenvolveu o argumento do filme “Isolados” (2014).  Indicada aos prêmios Shell (2012). APTR, CESGRANRIO (2013). Vencedora do prêmio Fita (2013). Vencedora do prêmio Shell como melhor autora carioca (2013) pela peça “A Porta da Frente”. Foi roteirista programa “Tapas e Beijos” (Rede Globo 2013-2015) e da série “AMORTEAMO” (Rede Globo 2015). Escreveu “Chacrinha – O Velho Guerreiro” filme e série para TV Globo, estreia prevista para 2017.

VICTOR GARCIA PERALTA

Formado no “Piccolo Teatro Di Milano” na Itália sob direção de Giorgio Strehler.

Natural da Argentina, mas residente no Brasil. Dirigiu vários monólogos de sucesso entre eles: Os homens são de marte e é pra lá que eu vou de/com Mônica Martelli; Sexo, Drogas & Rock’n’roll de E. Bogosian com Bruno Mazzeo; Tudo que eu queria te dizer de M. Medeiros com Ana Beatriz Nogueira; Não sou feliz, mas tenho marido de V. Gomez Thorpe com Zezé Polessa; Dorotéia minha de/com Beth Goulart; Também queria te dizer de M. Medeiros com Emilio Orciollo Netto; Novecentos de A. Baricco com Isio Ghelman; Você está aí? De J. Daulte com Claudia Ohana; entre outros.

Entre seus últimos trabalhos de direção no teatro estão The Pride de Alexi Kaye Campbell; Decadência de S. Berkoff; Queime isso de L. Wilson; Uma relação pornográfica de P. Blasband; Quem tem medo de Virginia Woolf? De E. Albee; O Submarino de M. C. Barbosa e M. Falabella; O caso Valkiria R. de C. Sussekind; Alucinadas de B. Mazzeo, F. Porchat e E. Palatinik; Quartett de H. Müller; Um marido ideal de O. Wilde entre outras.

Na Argentina ganhou os seguintes prêmios de melhor direção: Moliere por Las lágrimas amargas de Petra Von Kant de R. W. Fassbinder; Maria Guerrero por La Señora Klein de N. Wright; A.C.E. e Estrella de Mar por Como se rellena um bikini salvaje de M. Falabella.