“Livia” no Teatro Eva Herz

O nome da peça é LIVIA, e o da protagonista é Sol Menezzes , atriz de 21 anos, irmã mais nova de Sheron Menezzes, que, ao lado do jovem ator e autor angolano, Licínio Januário, vai emocionar plateias mundo afora com a história de vida simples e incrível de um casal como qualquer outro.  Livia e Felipe, personagens criados pelo próprio Licínio no seu segundo mergulho em texto de dramaturgia – o primeiro foi Todo menino é um rei, ganhador do  prêmio Fomento Olímpico 2015 – percorrem diversas fases de suas vidas tomados por paixão, família, conflitos, escolhas, encontros e desencontros.  LIVIA, primeiro espetáculo oficial do Coletivo Preto, propõe uma reflexão sobre como os nossos relacionamentos podem modificar e (re)definir  as nossas vidas. A estreia é 10 de maio, às 19 horas, no teatro Eva Herz, Centro do Rio, onde fica até 7 de junho. Em seguida, entra em cartaz no teatro Parlapatões, em São Paulo. A direção é de Drayson Menezzes e Orlando Caldeira (ator indicado ao prêmio Shell), a supervisão é do coach das estrelas, André Monteiro, o cenário é de Lorena Lima e a iluminação é de Gabriel Prieto.

Nascida em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Sol Menezzes começou a estudar teatro com oito anos de idade. Ser integrante de uma família de artistas, pois além de Sheron o irmão, Drayson Menezzes, também é ator e diretor, contribuiu para que a atuação em sua vida acontecesse quase naturalmente.  No mesmo teatro, o Eva Herz, entre março e abril, ela pôde ser vista em Os Insones, de Tony Belotto, com direção de Erika Mader.  Ao conhecer o texto de LIVIA, a atriz não pensou duas vezes em aceitar o desafio de viver uma personagem em tempos de vida tão diferentes e encontrá-la também adiante, na maturidade e na velhice.

– Fiquei  pensando no caminho  por onde mostrar essas fases da Livia, e me entreguei a  um trabalho minucioso, passando pela voz que aos poucos fica mais grave, pelo corpo que vai deixando de ter aquela agitação da adolescência, pelo tempo de ser mãe, até a fase da velhice.  Tive que ir buscar reações e sentimentos estudando o comportamento humano em diferentes trajetórias de vida, num processo emocionante e desafiador. Mas, desde o início, a vontade de fazer foi muito grande.

Já o autor, Licínio Januário, com seus 25 anos, precisou se aprofundar no universo feminino e no terreno das memórias de infância para abordar questões tão próprias dos que já viveram toda uma vida e atender ao forte apelo da intuição.

– Fui criado em Angola e sempre vivi ao lado de mulheres. Além de minha mãe eu tinha comigo dez tias e observava muito como era a vida delas. Às vezes eu pensava nas dificuldades que minha mãe enfrentava e perguntava por que ela tinha que estar passando por tudo aquilo? Quando cheguei ao Brasil, percebi que as mulheres viviam de forma mais independente. Tive necessidade de falar sobre o relacionamento amoroso nos dias de hoje. A ideia veio e ficou na minha cabeça cada vez mais forte. Resolvi escrever. Fiz adaptações conforme o trabalho foi sendo montado. Tive muita vontade de apresentar a peça com um elenco de atores negros tratando do cotidiano, sem necessariamente ter que falar sobre questões de raça e, ao mesmo tempo, já fazendo uma contribuição com referências positivas da população negra. A intenção é fortalecer o espaço do protagonismo para estes atores e incentivar outros atores e criadores negros a fazerem isto também.

Neste fluxo seguem os artistas da família Menezzes, cuja vida profissional é bem produtiva, a ponto de numa mesma semana, por exemplo, estarem os três irmãos trabalhando na cena teatral carioca, cada um em um espetáculo diferente, e às vezes até no mesmo, como é o caso de Sol e Drayson em LIVIA . Sheron está no elenco de Ivanov, de Tchekhov, dirigida por Ary Coslov, que começa no sábado, 13/05, no teatro Ipanema. Drayson ainda produz o espetáculo infantil Boquinha, dirigido por Lázaro Ramos, que está no teatro Ipanema nas tardes dos finais de semana .  Ao lado do artista múltiplo formado em artes cênicas, circo e dança, Orlando Caldeira, Drayson faz parte da equipe de LIVIA desde a primeira versão, que contava com seis atores e que em 2016 participou da 12ª edição da Festa Internacional de Teatro de Angra (FITA), e da grade de comemoração dos 30 anos do grupo Nós do Morro. As agendas dos demais atores foram ficando apertadas e a montagem com o casal foi se definindo.

-Nesta nova versão de Livia, o foco principal do trabalho de direção está nos atores. Junto com o Orlando o texto foi visto de novo e veio uma outra criação. O que a gente pensou de aprofundar no texto foi, do início ao fim, a relação dos dois personagens. Por mais que aconteçam os percalços, o que mais importa é a relação dos dois. Como estética a gente procurou também uma referência na dança, tem uma pincelada de teatro físico, mas o viés é mais naturalista mesmo. E uma peça de atores.

Importante lembrar que LIVIA é um espetáculo que integra atores de países pertencentes à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP, e que, além de fomentar a dramaturgia autoral, o trabalho de novos autores e atores, estimula o intercâmbio cultural entre Angola e Brasil.

 

LÍVIA

Serviço:

Teatro Eva Herz – Rua Senador Dantas, 45 – Cinelândia – Tel: 3916-2600

De 10 de maio a 07 de junho, às 19h –   terças e quartas-feiras

Duração: 60 min

Faixa etária: 14 anos

Preço: R$ 40 inteira e R$ 20 meia

Ficha Técnica:

Direção: Drayson Menezzes e Orlando Caldeira

Supervisão: André Monteiro
Texto: Licínio Januário
Elenco e direção de produção: Licínio Januário e Sol Menezzes
Produção executiva: Heder Braga
Figurino: Cristina Cordeiro
Cenário: Lorena Lima
Luz: Gabriel Prieto
Supervisão de luz: Rodrigo Belay
Trilha-sonora: Douglas Adelino e Pedro Prata
Fotografia: Amanda França

Programação visual: Lucas Schinkoeth
Operação de som: Pedro Prata
Operação de Luz: Ramon Alcântra