Polacas, as prostitutas judias

Polacas, as prostitutas judias – texto e Direção: Dinho Valladares. Elenco: Aline Bourseau, Sofia Kern, Andrezza Leal, Carol Salles, Clarissa Durão, Gisela Plombon, João de Carvalho, Estaine Alencar, Fábio Felix, Léo Gonçalves, Victor Mafra, Xico Santos. Dramatização a partir da história de prostitutas que viveram no Rio de Janeiro no século XX. Cinco prostitutas estão num prostibulo a espera de clientes, quando são assediadas por um Caften (cafetão) e resolvem fugir para um lugar melhor. Duração (80 min). Classificação: 16 anos. Casa de Cultura Laura Alvim. Quinta a sábado as 21hs e domingo as 20hs. Info. 25375204 R$ 50. De 09 de março a 02 de abril

A Montagem

Antes de mais nada é fundamental dizer que essa montagem difere de outras montagens que abordam esse tema, na forma de entender essas mulheres. Nessa montagem elas não são tratadas com “coitadinhas” que foram enganadas pelos maridos ou pelos cafetões. Mas mulheres de verdade com erros e acertos que fizeram a opção pessoal de virem para a América tentar uma vida melhor. Essa peça de teatro é um resgate de uma parte da história da sociedade civil brasileira que se perdeu em meio a preconceitos e negligência. Essa é uma história de cinco moças que vieram de várias partes do mundo tentar a sorte no Brasil. Encontrando uma realidade rude e dura. O cenário era de fome, pobreza e antissemitismo na Europa do Leste no final do século XIX. Muitas das moças de famílias judias ansiavam por maridos e melhores condições de vida e as Américas surgiam como forma de construir uma nova vida longe da discriminação e da miséria. Jovens judias, analfabetas, muitas ainda virgens, recebiam propostas de uma vida melhor. Já no porto de Marselha, no sul da França, o sonho caiu por terra e antes mesmo de embarcar para o Novo Mundo. E é assim que começou a história tabu de muitas “escravas brancas”, as prostitutas judias conhecidas como “polacas” que, foram parar nos centros de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires e Nova York. No Rio de Janeiro, as polacas viviam nos bordeis e cortiços na Praça XI, área central da capital fluminense, onde hoje se chama Cidade Nova e estão sediados prédios públicos. Quase não restou vestígio do passado das polacas no Rio de Janeiro. O assunto ainda tabu e, muitas vezes, esquecido, virou tema para peça que busca desmistificar a existência dessas moças.

Justificativa

Num momento onde vemos na sociedade brasileira um nível de violência contra mulher crescer, entendemos a necessidade de se levantar essa questão e debater de forma contundente o preconceito e o papel da mulher na sociedade. Ao levantar parte da vida dessas mulheres que viveram no inicio do século XX a Cia. de Teatro Contemporâneo revela como a mulher ainda é marginalizada e tratada de forma vil. Assim cooperamos para que cada vez mais a mulher ocupe um papel de respeito e credibilidade dentro da sociedade brasileira contemporânea.

Sinopse

O autor faz um paralelo com o famoso texto de becket, Esperando Godot. Seis prostitutas estão a espera dos clientes e enquanto esperam conversam sobre suas vidas e como chegaram ali. Nessa peça o autor trata as mulheres com todas suas virtudes e defeitos, trazendo uma tri dimensionalidade aos personagens, que não são tratadas como pobres coitadas mas como senhoras dos seus destinos. Até a chegada de um Caften (cafetão) que revela uma traidora entre elas. Mas a história tem nova reviravolta quando chega mais uma polaca com novidades.

Ficha Técnica

Coordenação de projeto: Cia. de Teatro Contemporâneo

Texto e direção: Dinho Valladares

Coreografias: Aline Bourseau

Trilha: Sergio Roberto de Oliveira

Desenho de Cenário: Eduardo Carvalho

Iluminação: Rubia Vieira e Dinho Valladares

Figurinos: Luiza Valente

Produção Executiva: Julio Luz

Pintura de Cenário: Eduardo Carvalho

Elenco:

Aline Bourseau

Sofia Kern

Andrezza Leal

Clarissa Durão

Gisela Plombon

João de Carvalho

Carol Salles

Estaine Alencar

Fábio Felix

Léo Gonçalves

Victor Mafra

Xico Santos